rui henrique @ bicicleta voadora

Publicado em 8/08/2014 às 9:22

Temas: eventos

12 ilustradores urbanos de Lisboa e Porto expôem os seus trabalhos por 10 locais da capital, sob tema livre e inspirados pela vivência da cidade.

Entre 4 de Outubro e 8 de Novembro de 2014, os trabalhos destes artistas são o ponto de partida para um roteiro que inclui 10 espaços de comércio tradicional e recebe a mobilidade suave e a arte, sem pretensiosismos, celebrando as alternativas que Lisboa oferece para uma cidadania sustentável.

Um roteiro para percorrer de bicicleta ou a pé, para conhecer ilustradores mais e menos conhecidos e ainda ver os trabalhos de alguns artistas brasileiros, através de um intercâmbio com a iniciativa Bike Arte (da associação paulense Aromeiazero).
Encontramos a cada paragem uma peça de decoração urbana em malha, criada pelas artistas da Granda Malha, que identifica cada local e nos alerta sobre os detalhes desta cidade.

Para breve todos os detalhes deste evento.
 

Estudante, vem devagar

@ Bicicleta na Cidade

Publicado em 19/06/2014 às 3:13

Temas: Bicicleta dell'Arte Bicicultura Notícias e Reportagens Para além de Lisboa trajecto

Texto originalmente publicado na revista B - Cultura da Bicicleta nº7, de Junho 2013.
 
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Ponte móvel em Roterdão, Holanda

Estudante, vem devagar
Uma história sobre como voltar de Erasmus sem dar por isso, atravessando a Europa de bicicleta.
 
O programa Erasmus que se popularizou nas últimas décadas tem dado a jovens universitários a possibilidade de viver até um ano fora do seu país e desfrutar da vida como se não houvesse ano seguinte. Filmes como A Residência Espanhola celebrizaram esse período quase sabático mostrando como é bom, por vezes, estar longe da família e das redes de proximidade, sentir-se livre e evitar confrontos constantes com o que é expectável de cada um. O Erasmus vem com prazo definido, para deixar claro desde o início que a vida louca e boa não durará para sempre, por mais que se tente prolongá-la um pouco mais. Foi enquanto tentava adiar o regresso que decidi voltar da Dinamarca em bicicleta, no verão de 2005. A história que aqui conto começa no fim desse ano vivido fora e é sobre um regresso demorado, cheio de pressa de viver.

Depois de 11 meses passados a absorver informação nova a um ritmo quase diário, o meu cérebro acabou por se habituar a esse frenesim e terá achado que seria um desperdício voltar de avião, perdendo a oportunidade de ver cá em baixo tudo o que existe entre aeroportos. Atravessar a Europa de bicicleta pareceu-me, então, a solução para os meus problemas. Havia feito dois anos antes uma travessia semelhante, aproveitando as vantagens de um outro programa europeu, o Interrail, e ficara-me a ideia de que a densidade habitacional deste continente deixava no terreno e na paisagem a sensação de quase nunca estarmos sozinhos ou isolados, fazendo desta travessia em solitário algo menor que uma aventura.

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Estrada nacional na Dinamarca que segue até à fronteira com a Alemanha

A Europa não tem o exotismo de outras paragens, sobretudo para um europeu, mas atravessá-la de bicicleta, imbuído num espírito de união fraterna entre nações e povos irmãos, que à época estava muito em voga, transportava em si uma ideia de road trip num contexto que nunca se torna muito distante das nossas referências – tudo tem um termo de comparação relativamente fácil e imediato, tudo se assimila facilmente deixando o viajante disponível para outras aventuras que não esbarrem no primeiro e mais elementar desafio de interpretação cultural. Além disso, um ano passado em Erasmus faz-nos criar uma rede de amigos espalhados pelo continente e esta viagem serviu também para visitá-los nas suas cidades de origem.

Tenho que ser honesto: a viagem não foi ultra bem planeada, não era isso que procurava naquele momento. Em vez de rotas cuidadosamente estudadas, locais de dormida e refeições, o que me apetecia era pegar na bicicleta e voltar para casa como se voltasse do trabalho. Uma espécie de commuting mais longo, de 20 dias, com paragens para visitar amigos. Para isso foi necessário enviar toda a tralha por correio de modo a poder viajar apenas com o essencial.

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A aldeia de Garrelsweer, Holanda, organiza a cada dois anos uma festa temática

Dinamarca

É difícil dizer que optei por usar a bicicleta que me acompanhou durante todo o ano, pelo simples facto de nunca ter considerado outra possibilidade. Eu não deixava de ser um estudante com limitações orçamentais num país de preços altos e o meu veículo, comprado em segunda-mão, não deixava de ser uma bicicleta de supermercado, que lá são melhores do que as de cá, embora conservem o estatuto de opção barata e de gama baixíssima.

As hesitações fizeram-me partir às quatro e meia da tarde. Deixei a residência em Aarhus onde vivi durante o ano anterior com destino a Kolding, onde ficaria em casa de um amigo. Arrancar àquela hora tardia obrigou-me a gerir muito bem o tempo e o esforço para evitar chegar de noite, muito embora o céu não escureça totalmente no verão dinamarquês durante as breves horas em que o sol se desloca abaixo da linha do horizonte. É assim que se cura a ressaca dos invernos longos naquele país, com horas de sol abundantes no verão, sem estores nas janelas, muitas vezes apenas com cortinas brancas, e acordando ao som do chilrear dos pássaros às três e meia da manhã, o que ganhava contornos mais irritantes que bucólicos quando isso coincidia com a hora a que me deitava.

Até à fronteira com a Alemanha segui pelo caminho mais directo, a estrada nacional, onde quase sempre existe sinalização para ciclistas e uma berma larga para circular. A alternativa, mais bonita, era uma das ciclovias integradas na rede nacional daquele país que atravessam a paisagem por zonas onde a civilização, embora nunca longe, não invade o nosso campo de visão de forma tão constante. A Dinamarca é conhecida por ser um país plano, o que na realidade se traduz como sendo uma espécie de Alentejo, ou um constante subir e descer ligeiros que evitam a monotonia.

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Estrada agrícola na Holanda

Alemanha

Sente-se a cada esquina, em cada serviço e apoio prestado ao viajante, que a Alemanha é um país de gente habituada a viajar. No Reisezentren, um balcão que existe em todas as estações de comboios, ninguém estranhou quando pedi para comprar um bilhete até Emden com paragem em Bremen, onde planeava passar umas horas para conhecer a cidade. Viajar com uma bicicleta permite-nos chegar a qualquer sítio e conhecê-lo de uma ponta à outra em poucas horas, essa foi uma das descobertas que fiz neste regresso a casa.
Emden fica numa região fértil próxima da fronteira com a Holanda, junto ao golfo do Dollart, onde os caminhos agrícolas, feitos com placas de betão armado, estão integrados em rotas cicláveis com infografia disponível num mapa dedicado ao cicloturismo, à venda numa livraria perto de si.

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Ciclistas e ovelhas cruzam-se num caminho agrícola junto à baía de Dollart, Alemanha

Holanda

A próxima vez que alguém falar na Holanda como um país perfeito para andar de bicicleta, lembre-se disto: fazer muitos quilómetros numa paisagem plana é absolutamente fastidioso. Tal como me disse uma amiga húngara que fez Erasmus em Lisboa, “agora que voltei a Budapeste percebi que aqui tenho de estar sempre a pedalar”. Pois é, as colinas também descem. Disseram-me que a costa holandesa é bonita, mas atenção, o caminho que segui não era feio, apenas plano. Qualquer vantagem que se associe a um chão plano fica sem efeito perante um vento frontal, é como subir uma montanha sem as vantagens de ver a vista lá em cima.

Em Roterdão encontrei-me com amigos de Lisboa que estavam a fazer um curso de verão e, apesar de sermos da mesma cidade, naquele momento vínhamos de cantos opostos da Europa. É difícil a um português, quando sai do rectângulo por algum tempo, disfarçar o sentimento emigrante que exalta dentro de si, apelando à cultura popular da diáspora. Foi com eles que conheci a canção de Graciano Saga que inspirou o título deste artigo, “Vem Devagar Emigrante”, a história de um regresso a Portugal que acaba em tragédia numa estrada de Espanha servia-nos de mote jocoso à experiência de estar fora do país. A Holanda é tão perfeita que chateia, até a natureza foi domesticada. Nada como uma canção dissonante para lhe dar harmonia.

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Ferry-boat que atravessa a baía do Dollart, na fronteira entre a Alemanha e Holanda

Bélgica

Segui para Antuérpia, a cerca de 100 km de Roterdão, atravessando várias vezes a fronteira em Baarle-Nassau, um município onde a linha imaginária que separa as duas nações não é uma recta saída do Romantismo mas sim o resultado de vários tratados medievais que criaram enclaves belgas e holandeses dentro da fronteira maior entre os países. Vale a pena espreitar a história do local. De resto, atravessei a Bélgica com pressa de chegar à cidade francesa de Lille no 14 de Julho, grosso modo, o 25 de Abril da França.

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Fronteira entre a Bélgica e a Holanda em ciclovia

França

A partir daqui comecei a usar a bicicleta apenas para conhecer as cidades onde fui parando. O país é grande e os problemas mecânicos começavam a surgir. Em 2005, as carruagens dedicadas para transporte de bicicletas nos comboios franceses ainda eram novidade, pelo que aproveitei para experimentar o serviço. Sabia também que essa facilidade desapareceria assim que atravessasse os Pirenéus.

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Cidade de Gent, na Bélgica

Espanha

A minha bicicleta cruzou a Europa, levou-me a conhecer Barcelona em poucas horas e depois foi roubada. Um triste final que, contudo, resolveu o problema que seria transportá-la de comboio até Lisboa, implicando desmontar e guardá-la num saco próprio para transporte, que não tinha. A canção de Graciano Saga cumpriu-se uma vez mais, a tragédia aconteceu a um português em trânsito numa cidade espanhola e com ela foi-se a esperança de trazer aquela bicicleta para Lisboa.


 

# Festival Bike Arte_São Paulo-Brasil

rui henrique @ bicicleta voadora

Publicado em 12/06/2014 às 11:28

Temas: bike arte brasil lisboa

"Organizado de forma independente pelo Instituto Aromeiazero e diversos parceiros, o Festival Bike Arte busca mistura exposição cultural, festival de rua, bicicleta, comida, bebida para provocar reflexões por uma cidade melhor para se viver.
No lugar de carros, diversas atividades lúdico-culturais, musicais e de contemplação artística acontecerão durante o dia todo. É da essência do evento que alguma via tenha o trânsito restringido, para que as pessoas consigam vivenciar o espaço público em sua plenitude. Para os organizadores, a ocupação das ruas por pessoas gera afetividade e aproximação com a cidade e com as outras pessoas, gerando transformação e reflexões sobre o modelo de cidade que queremos.
Todo ano artistas são convidados para expressar em diferentes suportes (arte gráfica, fotografia, grafite, ilustração, escultura…) o tema “bicicleta”. Também são promovidas intervenções ao vivo de street art e de estilização de bikes."
Texto retirado do site do Instituto Aromeiazero

É com enorme alegria que comunico que foi estabelecida uma parceria entre a Bicicleta Voadora e o Aromeiazero, com o objectico de promover um intercâmbio cultural entre as duas cidades com vista à promoção da bicicleta como estilo de vida e melhoria da vida nas cidades.

Em resultado deste projecto irão estar representados vários ilustradores portugueses no Bike Arte que aceitarem o desafio de representar a bicicleta como forma de expressão artística.

Para breve darei mais informações de como se irá reflectir em Lisboa este intercâmbio.


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EMEL e a política de (des)mobilidade urbana

costureira ciclista @ Costureira Ciclista

Publicado em 11/06/2014 às 11:05

Temas: Na cidade Opinião Sustentabilidade

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A EMEL, Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa, foi criada por deliberação da Assembleia Municipal de Lisboa em 1994, enquadrada na chamada « política integrada de estacionamento » que tem como principal objectivo « potenciar a utilização de transportes públicos (...) reduzindo o congestionamento e melhorando a qualidade do ambiente urbano » (in, Definição do Plano Estratégico e do Novo Modelo Tarifário para a EMEL) 


Até aqui, tudo bem... Mas, vamos então espreitar a página da EMEL e ver quais são as suas principais prioridades: 

A médio prazo, em relação à gestão do estacionamento, a EMEL definiu como principais prioridades até 2013:
  • Construção de 4 parques de estacionamento em estrutura (1 parque por ano) - 2.000 novos lugares: Investimento 16.ooo.ooo €
  • Construção de 11 parques de estacionamento em superficie - 4.000 novos lugares: Investimento 2.578.000 €
  • Renovação e Modernização de 1.050 parquímetros - Investimento 5.250.000 €
  • Extensão da área de estacionamento gerida pela EMEL - 10.000 novos lugares
  • Modernização e diversificação das formas de pagamento do estacionamento


Resumindo, parece que a redução do congestionamento se consegue criando milhares de lugares de estacionamento. Mas... isso não vai levar a que as pessoas tragam na mesma o carro da periferia para o centro da cidade ? E se assim for, em que medida em que a construção de « 4 parques de estacionamento em estrutura » e « 11 parques de estacionamento em superfície » contribui para reduzir o tal congestionamento ?

Ah... espera... se calhar porque as pessoas deixam o carro no parque e depois vão de transportes públicos. A sério ... acreditam mesmo nisso ? Acham mesmo que uma pessoa vai enfrentar uma horda de automobilistas, estacionar num parque pago a alguns quilómetros do local de trabalho e depois ainda vai gastar dinheiro no passe para poder ir de transportes públicos até lá ?

Adiante.

A meu ver, sendo a EMEL uma empresa de ESTACIONAMENTO MUNICIPAL, e não "estacionamento municipal automóvel", imagino que também existam algumas medidas que visem a bicicleta. Afinal de contas, o estacionamento deveria englobar todos os veículos que circulam na via pública.

E não é que há mesmo ? 
Fantástico! 
Parece que afinal a EMEL até está empenhada na mobilidade.

A EMEL, em parceria com a ENGELMA, lançaram uma nova solução de mobilidade sustentável para a cidade de Lisboa, que passa pela utilização de bicicletas a partir de parques de estacionamento EMEL.
O serviço "B'ina - Estacione e siga caminho", sugere que os condutores, que sejam assinantes de Parques EMEL, estacionem o carro num dos Parques EMEL e "sigam caminho" de bicicleta, seja para o trabalho, numa curta deslocação ou simplesmente por puro lazer.

Deixem-me ver se percebi. A "nova solução de mobilidade sustentável" implica que eu tenha um carro, que o deixe num dos parques pagos da EMEL (visto que se destina a "condutores que sejam assinantes de Parques EMEL") e depois sim, poderei levar uma das bicicletas do serviço B'ina mediante o pagamento de uma taxa de 2,50 € (meio dia), 3,50 € (dia inteiro). Feitas as contas, ao final do mês, o valor para a utilização deste serviço poderá variar entre 52.50 € e 73.50 €. Mais o custo na assinatura EMEL.

Sejamos realistas... porque raio é que alguém havia de vir de carro para Lisboa, pagar o parque e depois ir de bicicleta ? Com os 73.50 € do aluguer, conseguimos deixar o carro numa ruela, dar 1,50 € por dia ao arrumador e ainda nos sobra dinheiro. Ou então, estacionar em cima dos passeios e ciclovias, a custo 0 (o que, considerando a falta de fiscalização, é a solução preferida de muitos condutores). 

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Avenida do Brasil, Campo Grande - Lisboa

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Campolide - Lisboa


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Avenida do Brasil - Lisboa

Mas, a palavra de ordem com esta ideia de aluguer de bicicletas é a "mobilidade sustentável". É bonito, fica bem e até é capaz de iludir algumas pessoas com o argumento falacioso de que as bicicletas estão lá para quem as queira. As pessoas é que não as querem usar.

Mas para uma solução ser sustentável, tem de haver sustentabilidade. E a tal mobilidade, devia consistir na "capacidade de dar resposta às necessidades da sociedade em deslocar-se livremente, aceder, comunicar, transaccionar e estabelecer relações, sem sacrificar outros valores humanos e ecológicos hoje e no futuro" (World Business Council for Sustainable Development).

Há aqui alguma coisa que não faz sentido e, cada vez mais, a ideia deste aluguer de bicicletas me parece menos sustentável. 

Em primeiro lugar porque envolve uma quantia significativa de dinheiro: o combustível, o valor do parque e ainda o valor do aluguer da bicicleta. Assim, a capacidade de se "deslocar livremente" tem um custo e, são tão livres quanto o dinheiro que tiverem na vossa carteira.

Em segundo lugar porque, se vamos construir parques de estacionamento e fomentar a utilização do automóvel, estamos a sacrificar valores humanos e ecológicos hoje, o que acabará por se repercutir no futuro.


Querem realmente promover a mobilidade sustentável ? 


Criem soluções para quem queira combinar transportes os públicos e a bicicleta:
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Estacionamento para bicicletas ao lado da paragem dos autocarros.

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Parque de estacionamento na estação ferroviária de Massamá

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Parque coberto para bicicletas junto à estação ferroviária.



Criem soluções seguras para quem não tenha espaço em casa para guardar a bicicleta:
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Estacionamento em Roterdão


Transformem os parques de estacionamento automóvel em estacionamento para todas as viaturas.

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Simplifiquem a vida para quem se desloca na cidade de bicicleta. 
Como se vê, um estacionamento para seis bicicletas não ocupa assim tanto espaço...
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Exerçam, em parceria com a PSP, mais operações de fiscalização no que diz respeito ao estacionamento. De que vale a construção de parques e parques se a realidade do estacionamento abusivo (e por vezes até selvagem) permanece imutável ?
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Como se pode ver, existem soluções. Basta adaptá-las à nossa realidade. 

E, arriscaria até dizer que o montante envolvido na instalação de soluções de estacionamento para bicicletas, não chegaria perto dos 30 milhões de euros de investimento previstos para a construção, até 2017, de 11 novos parques de estacionamento. Automóvel.

É este o conceito de "mobilidade sustentável" ?

É assim que a EMEL pretende, como refere na sua página, « potenciar a utilização de transportes públicos (...) reduzindo o congestionamento e melhorando a qualidade do ambiente urbano » ?!

Ou, como esquematicamente apresentam na Definição do Plano Estratégico e do Novo Modelo Tarifário para a EMEL

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Lamento mas ... parece-me que a relação será mais algo como:

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Ou a empresa muda de nome e se assume definitivamente como a Empresa Municipal de Estacionamento Automóvel , pondo de lado argumentos como a "melhoria da mobilidade em Lisboa", o servir "a segurança e a mobilidade de todos os cidadão de Lisboa" (calculo que aqueles que têm de andar na estrada porque os carros estão ocupados não entram na categoria de cidadãos de Lisboa) e, a cereja no topo do bolo,



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Ou então, a EMEL assume-se definitivamente como uma empresa de estacionamento municipal que, não obstante os interesses financeiros (naturalmente que se espera sempre um retorno do investimento e, se possível, algum lucro) também tem preocupações de cariz social e ambiental.


Uma coisa ou outra.


Fontes:
Boas pedaladas
  Costureira Ciclista
 

Libertação de bicicletas ergométricas

Julio @ Biclas blog

Publicado em 8/06/2014 às 16:20

Temas: bicicletas invulgares filmes

Boas ideias e habilidade com as ferramentas dão nisto:


Toca a sair do sofá! :)
 

Bambucicleta

Julio @ Biclas blog

Publicado em 5/06/2014 às 23:53

Temas: bicicletas invulgares

Rolava descontraído, no meu commuting diário, quando subitamente vi algo que prendeu a minha atenção! Estacionada junto à ciclovia da Av. Duque de Ávila estava uma bicicleta em bambu!!
Parei para apreciar a bicicleta e fiquei simplesmente maravilhado. Das biclas mais lindas que já vi!
Era uma fixed gear, o que contribui para a sua beleza. Mas obviamente que o interesse maior estava no material incomum. Os tons de castanho e as linhas e marcas do bambu, conferem-lhe uma identidade inimitável.
Os detalhes nas uniões das canas denotavam a qualidade da construção.

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Foto retirada do site artbikebamboo/facebook
 
O dono da bicicleta, estava ali a poucos metros e fiquei a saber que ele próprio havia construído aquela bicla. Para além da sua paixão pelas biclas deu para sentir a sua enorme simpatia e "boa onda".
Visitando a página do facebook "Art Bike Bamboo"fiquei a perceber todo o carinho, cuidado e respeito pela natureza com que cada bicla é construída.
Quando uma bicicleta é construída assim, o resultado não podia ser melhor!
Viva a Art Bike Bamboo! :)
 

/// Leilão do Último Saco Voador

rui henrique @ bicicleta voadora

Publicado em 15/05/2014 às 9:30

Temas: assol eventos solidariedade

O Saco Voador foi apresentado e com ele lançada a esperança que com pequenos actos no nosso dia-a-dia podemos alcançar muitas coisas bonitas. Os elogios que todo o projecto recebeu assim faz pensar.

Um dos sacos saiu com uma personalidade muito vincada e por esse facto, dicidiu-se fazer um leilão.
Na frente, a impressão serigráfica que para muitos pode parecer defeituosa, para nós, é a beleza que esconde a diferença de um produto que não foi feito em série, nem teve que passar por um rigoroso controlo de qualidade antes de sair da fábrica.

A base de licitação são 5 Euros e podem enviar as propostas para bicicleta.voadora.pt@gmail.com até à próxima terça feira, dia 20 de maio de 2014.
Em Lisboa a entrega será gratuita e para fora de Lisboa acresce os portes de envio.

O valor obtido vai reverter a favor da ASSOL

O Saco contém:
- Caixa em Cartão impressa em serigrafia a uma cor na tampa.
- Desdobrável impresso em serigrafia a uma cor na frente e impressão digital no verso
- Etiquetas em cartão com carimbos e colagens.
- Saco em tecido impresso em serigrafia a uma cor



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// Saco Voador_Lançamento

rui henrique @ bicicleta voadora

Publicado em 11/04/2014 às 12:33

Temas: alley cat eventos solidariedade


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Para quem ainda não tem programa para Sábado, 3 de Maio, cá está uma excelente oportunidade de sair de casa e ir até à Velo Culture! E porquê?

A Bicicleta Voadora teve mais uma ideia que pretende tornar-se um facilitador e transformador de vidas – o SACO VOADOR!

Um saco de pano útil, muito bonito e, claro, com um corte especial adaptado às necessidades dos ciclistas, numa edição limitada de 35 exemplares.
Mas este saco tem muito mais de especial (além de ser voador!) - a ilustração ficou a cargo de HugoSerge O., um criador português que “divide o tempo entre experiências visuais e sonoras”; a produção do saco é do atelier Bashô Cycling Club e por isso, todos os sacos foram produzidos à mão, com materiais comprados no comércio tradicional; a impressão em serigrafia e embalagem é da responsabilidade da Devagarse Encaderna Longe, uma oficina da ASSOL – Associação de Solidariedade Social de Lafões, uma instituição que apoia pessoas com deficência mental e saúde mental crónica.

A Velo Culture aceitou receber o projecto no seu espaço e a animação da tarde vai estar a cargo de melómanos convidados que vão partilhar os melhores hits de vinil da sua colecção.
A prova favorita dos ciclistas começa às 14.30h, uma alley cat (a mais dura de sempre em Lisboa!) que começa e termina na Velo Culture.

Com ideias simples, vamos promovendo e animando a comunidade enquanto passamos um dia entre amigos.

Os 35 exemplares desta edição estarão disponíveis para venda apenas esta tarde.
Cada saco tem um custo de 10€ e todos os lucros obtidos revertem a favor da ASSOL. Toda a informação e trabalho desta associação no site da ASSOL.

Um obrigado muito especial a todos os que fazem com que este projecto faça sentido:
Matias Pancho e todo o pessoal na Assol, Joana Janeiro, Gonçalo Baptista, Hugo Serge O., António Cruz, Miguel Madeira e todo o pessoal na Velo Culture, Sara Martins, Cláudio Soares, Marta Ruivo, Nuno Trindade, Rui Costa, Marisa Brito, Pedro Gil e Rodrigo Filipe.

3 DE MAIO
DAS 14 ÀS 20 H
VELO CULTURE –  LISBOA
Rua de arroios nº4
 

1 disco, 2 rodas, 3 pessoas e 4 patas

Cátia Vanessa @ encontros

Publicado em 4/04/2014 às 20:38

Temas: costa vicentina cão frisbee praia praia do amado verão viagens

Viajar de bicicleta no nosso pais, felizmente ou infelizmente, ainda nos coloca numa posição de destaque. Sobressaímos por entre os automóveis, e suscitamos perguntas de quem connosco se cruza. Entre outros motivos, temos a liberdade de irmos para onde quisermos, quando quisermos, e não nos limitarmos a seguir as estradas com o resto do rebanho.

Por outro lado, viajarmos sozinhos ou, mesmo, estarmos sozinhos, costuma dar-nos mais abertura para contactarmos com quem nos rodeia. Vêem-nos, apercebem-se da nossa presença e espantam-se, instigando curiosidade e suscitando perguntas. E, assim, frequentemente surgem agradáveis conversas ou, como neste dia, interacções.

Na praia do Amado, depois de a ter atravessado para o extremo sul, fugindo à multidão, e de ter explorado os muitos recantos por entre dunas e rochedos, lá encontrei um spot que me agradou. Dali, poderia apreciar o pôr do sol, não era uma zona de passagem, estava mais elevado, dando-me alguma privacidade. Além disso, por ser entre duas pequenas dunas, providenciava-me abrigo suficiente do vento, mas não me roubava a panorâmica sobre o areal.
 
Instalei-me para comer qualquer coisa e apreciar as últimas horas de sol. Não levava grande aparato. Tinha parado, uns quilómetros antes, num trilho, para apanhar amoras. Muitas, de um grande arbusto, bem carregado delas. Deu para encher até meio o meu mini-tacho, e com algum pão, queijo, chouriço e tomate, foram uma bela refeição, ligeira mas agradável.

Durante esta viagem, tive sempre dois fieis companheiros, além da burra: o meu disco e as mulheres de Peito Grande, Ancas Largas. Não fazem exactamente o meu tipo (se é que isso existe), mas era o título do livro, também ele volumoso, que me acompanhou durante o verão. 600 páginas de uma epopeia familiar durante a China do século 20, da autoria de Mo Yan, recentemente galardoado com um prémio Nóbel da literatura.
 
Nesse dia, porém, a companhia que surgiu foi diferente. Um amigo de quatro patas, grande e peludo, veio sentar-se a poucos metros de mim, fitando-me com um olhar de quem diz "dá-me lá uma trinca disso que estás a petiscar". Não ladrou, não se aproximou demais, não sei para não parecer muito insistente, ou para não dar um ar de desespero. E, perante uma postura tão civilizada, não resisti e atirei-lhe um pedaço da minha sandes. Comeu-o em três tempos e por ali se deixou ficar.

Passado um bocado, como ele não abalara, lembrei-me do disco. Se é verdade que nós, humanos, podemos divertirmo-nos imenso com esse pedaço de plástico, não é menos verdade que muita gente o associa a brinquedo de cão. Assim, tirei-o da mochila, agitei-o um pouco à frente do cão que, imediatamente se pôs de pé. Na pior das hipóteses, ele deixar-se-ia ficar por ali, na esperança de que eu fosse buscar o disco e lhe desse oportunidade de atacar o meu farnel.
 
Saquei um pull para o meio do areal, cão e disco saíram disparados, e eu fiquei na expectativa de saber se voltaria a ver algum deles. Correu bem, e o cão, como que por instinto, trouxe-me o disco de volta. Perante esta inesperada hipótese de matar saudades do disco, não pensei duas vezes. Arrumei o que tinha a arrumar, lancei o disco novamente, e desci para a zona plana da praia para ir receber o disco.

Ficámos nisto uns bons 15 ou 20 minutos. Eu aproveitava para fazer uns lançamentos, ora contra o vento, ora a favor do vento, e o cão corria zarpava atrás do disco. Noutras ocasiões, fazia um hover sobre o cão, para ver até que altura ele saltava na ânsia de apanhar o disco.
 
Só que, a certa altura, o quadrúpede, em vez de me trazer o disco, decidiu ir lavá-lo. Já não estava a contar ir à água, estava de calções que não era suposto molharem-se, e o nevoeiro ameaçava e tirava-me a vontade de me molhar. Mas teve de ser, pois só assim recuperaria o disco. O cão ainda se fez de difícil, mas lá acedeu em deixar-me apanhar o disco, e assim se acabou a brincadeira. Despachei-o com um ar severo, e voltei para o meu poiso.

Depois de mais uma noite muito bem passada, acordo com uma manhã cinzenta e húmida. O sol não se quis mostrar e, perante esse cenário, pensei que o melhor que tinha a fazer era preparar-me para abalar cedo para outro destino. Esse era o plano, mas enquanto tomava o pequeno almoço, vi passar o meu amigo de quatro patas, acompanhado do dono, surfista de prancha grande, em direcção à água. E, poucos minutos depois, porque talvez o cão não seja grande surfista, ou porque simplesmente é mais adepto do frisbee do que do surf, lá o tinha outra vez ao pé de mim. Resolvi dar-lhe nova oportunidade mas, passado algum tempo voltou a fazer a mesma brincadeira. Lá voltei para o meu recanto, com o disco lavado, e os pés molhados.

Não muito tempo depois, apareceu-me o dono do cão, com um simpático convite para me juntar a ele e à mulher, na caravana deles, para tomar qualquer coisa. A dita caravana era uma muito recente VolksWagen California, com muitos extras, entre os quais a tracção 4x4 que o permitiu chegar aquele local remoto. Era um casal alemão, entre os 35 e os 40 anos de idade, que viajavam naquele veículo na companhia do cão, grande, e de um bebé de 4 meses, muito pequenino. Incrível o que era possível acomodar dentro daquele carro que, apesar de tudo, não é maior do que muitos outros que circulam pelas cidades no dia-a-dia.
 
Ele era ex-profissional de kite-surf e windsurf, ela professora primária, e tinham vindo aproveitar umas poucas semanas de férias, à procura de praias desertas, sol em abundância e, eventualmente, algumas ondas. Vinham do centro da Alemanha, onde tudo isso é escasso ou inexistente, com um espírito de comunhão com a natureza, com a praia e com o mar. Quantos casais portugueses conhecem que fariam uma viagem destas com uma criança tão pequena?

E, assim, passámos um par de horas a conversar. Sobre as suas viagens como atleta profissional, confirmando-me que o windsurf, embora seja uma modalidade muito agradável, tem realmente o grande problema das dimensões do equipamento. Ou, de alguns locais por onde já passáramos os dois, comparando notas. Ou do estilo de vida que cada um tinha, num país e noutro. Foram umas poucas horas de conversa casual, interessante e agradável, à volta de uma caneca de chá quente que me "soube a pato".

Como já era perto do meio-dia e o sol não se mostrava. Chegou a altura de nos despedirmos. Não iríamos ficar grandes amigos e nem sequer trocámos contactos. Não foi porque a companhia não nos tivesse agradado. Antes pelo contrário, estou certo que eles tiveram tanto prazer com aquela troca de impressões quanto eu. Simplesmente, estes momentos não são repetíveis, porque só existem graças a um combinar de imensos factores, que os tornam tão únicos que não vale a pena tentar reproduzi-los.  Afinal, desta vez, o encontro não fora provocado por haver bicicletas em comum. Apenas porque havia um disco, e um cão.
 
RF
 

Aprender a pedalar - como se ensina e como se aprende a andar de bicicleta

@ Bicicleta na Cidade

Publicado em 1/04/2014 às 18:15

Temas: Bicicultura Jornal Pedal Notícias e Reportagens Para além de Lisboa Segurança

Texto originalmente publicado no Jornal Pedal nº 11, de Dezembro 2012. Apesar da idade do mesmo o conteúdo mantém-se actual, salvo nas condições que cada escola aqui retratada disponibiliza para os seus cursos. Confirmem nos links abaixo a oferta em vigor.

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Cortesia The Online Bicycle Museum


Manobrar uma máquina requer conhecê-la para lá do seu manual de instruções. Implica mais do que usar a lógica. Adquire-se com a prática. Quem ensina e quem aprende a andar de bicicleta sabe que é assim, um exercício de experimentação motora e de expulsão de receios que bloqueiam o acesso à experiência. Tudo isto se consegue mediante algumas premissas, ou antes, tudo fica mais fácil quando elas estão reunidas.

Quem escreve esta reportagem é também instrutor de condução de bicicleta, o que pode levantar algumas questões sobre o puxamento da brasa a uma sardinha que começa a dar as primeiras pedaladas como área de negócio. Creia o leitor que é uma tarefa exigente, esta de quem escreve, conquanto traz consigo a possibilidade de explorar nuances e subtilezas só ao alcance dos que conhecem o terreno e a experiência que aqui se conta.

Decidir

Muitas são as razões que levam alguém a adiar o momento em que se aprende a descolar os pés do chão e a ganhar controlo sobre um mecanismo simples, porém simbiótico, que alicerça uma nova forma de contacto entre o chão e o nosso corpo. Substituir os pés pelas rodas e o pavimento pelos pedais está ao alcance de todos os que sentem motivação para experimentá-lo. Sem isso, nada feito. A vontade antecede tudo, mesmo os pânicos de última hora que podem levar a algumas desistências ou a novos adiamentos.

Nos últimos 6 anos surgiram cursos para ensinar a pedalar e procura não tem faltado. A Escolinha da Bicicleta, do Núcleo Cicloturista de Alvalade, em Lisboa, foi a primeira a oferecer o serviço, uma ideia que surgiu depois de lhes ser concedido um espaço no Complexo Desportivo Municipal de São João de Brito, passando o colectivo a dispor de um ringue de jogos onde desde 2006 ensinam. Começou como uma “carolice”, diz-nos o presidente e instrutor João Santos: “ninguém estava à espera que alcançássemos o número de alunos nem os efeitos práticos que daí resultaram”. A procura destes cursos é geralmente antecedida de outras tentativas frustradas, a solo ou com a ajuda de familiares e amigos.

Rui Pratas é o instrutor da Pedalnature e há dez anos deu-se conta de que algumas amigas suas não sabiam andar de bicicleta, oferecendo a sua ajuda para ensiná-las. Quando decidiu levar o assunto mais a sério acabou por encontrar a Escolinha de Alvalade, que já existia. Rui obteve depois uma formação em Jogo e Motricidade Infantil cuja metodologia adaptou para ensinar o equilíbrio da bicicleta a adultos. As primeiras amigas que ensinou representaram a ponta do icebergue que viria a descobrir mais tarde: “80% dos iniciantes que tenho são do sexo feminino, dos quais 50 ou 60% nasceram entre 1962 e 1975”. Rui avança uma possível explicação para este fenómeno que ocorre na Grande Lisboa, associando-o ao período em que a cidade cresceu e ficou dominada pelo automóvel: “Foi o final das brincadeiras de rua”, diz-nos, resultado de um sentimento de insegurança crescente.

Para Ana Pereira e Bruno Santos, da Cenas a Pedal, é difícil traçar um perfil de pessoas que os procuram. Formados em 2008 pelo britânico Cyclists' Touring Club para a instrução de condução de bicicleta (tal como este que vos escreve), lidam com aprendizes de todas as idades e com as mais diversas histórias de vida. Há receios que acompanham os aprendizes até às aulas, mas também uma dose suficiente de coragem, vontade e perseverança: “Há muitos medos associados e quanto mais velhas são as pessoas mais isso se nota, porque tiveram mais anos para criar expectativas. E não é só o medo de cair, é também o medo de falhar, medo de se meterem a fazer uma coisa que acham já não ser para a sua idade, isso tem uma importância diferente da que tem para uma pessoa de 20 ou 30 anos, há esse medo de estar a arriscar fazer algo meio atípico para a idade e depois não funcionar”, diz Ana. Mas a experiência de instrutores e alunos prova que funciona.

Avançar

São os adultos quem mais procura estas aulas, mas há também pais que optam por dar aos filhos a oportunidade de aprender num ambiente controlado. Para a Cenas a Pedal e Escolinha de Alvalade, que ensinam crianças a partir dos cinco anos, as razões para essa escolha variam entre a limitação física dos pais, para acompanhar em segurança a aprendizagem dos filhos, e o insucesso de tentativas anteriores. Embora seja normal as crianças aprenderem mais depressa que os adultos, estes cursos funcionam para todos e todas as idades como um acelerador desse processo, a forma mais eficiente de desenvolver e adquirir novas competências. Qualquer pessoa está apta a aprender, até sozinha. O que aqui se faz é evitar caminhos tortuosos e aquisição de vícios que prejudiquem ou não acrescentem nada de essencial ao andar de bicicleta. Cada instrutor tem o seu método e há, entre todos, alguns pontos de convergência.

Leonel Mendonça, instrutor nos cursos que a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) organiza pontualmente em conjunto com a Câmara Municipal de Lisboa, tem a missão de ensinar em grupo, factor que considera ajudar à aprendizagem: “uns puxam pelos outros e estão todos em pé de igualdade. Ao ser em grupo, nós não conseguimos estar a dar apoio a todos ao mesmo tempo, o que faz com que eles sejam obrigados a ter uma certa autonomia no momento em que estão a aprender”. A mesma opinião já não é partilhada por Rui Pratas da Pedalnature que, depois de ter experimentado essa abordagem, apercebeu-se da discrepância de ritmos de aprendizagem: “não é justo dar mais atenção aos que evoluem mais depressa. [Agora] as aulas são sempre individuais e reservo três horas para cada uma”, refere.

Este ano, surgiu o primeiro curso do género na cidade do Porto pela mão de Pedro Rosa, bailarino e coreógrafo. “A minha experiência no ensino da dança contemporânea a jovens e adultos é a base do meu método”, conta-nos. “Passa por uma desconstrução precisa da postura e do movimento, de uma análise cuidada do funcionamento do corpo e da própria mecânica envolvida no acto de dirigir uma bicicleta. Trata-se de fazer um trabalho passo a passo, começando com noções e tarefas mais simples e progredindo até ao acto completo de dirigir a bicicleta com segurança e leveza”, continua.

Todos concordam que um bom espaço de ensino é condição fundamental para a eficácia da aprendizagem. Zonas amplas, planas ou com ligeira inclinação para facilitar o arranque, sem trânsito, sem obstáculos numa primeira fase, com curvas e obstáculos na fase final. Nem sempre é possível reunir num mesmo local todas as características desejáveis, sendo necessário priorizar e ajustar. Os instrutores têm locais de treino habituais podendo, no caso da Cenas a Pedal e Pedalnature, deslocar-se até à zona de residência do aluno, caso seja do seu interesse e exista um local de treino adequado nas proximidades.

Com alguma frequência surgem pedidos para que as aulas se realizem longe de olhares indiscretos. O desejo de não querer ser visto, seja por desconforto ou por se tratar de figuras públicas, deve ser tido em conta na medida em que pode influenciar o ritmo e o à-vontade necessários para aprender. Rui Pratas recorre preferencialmente a uma área no Parque das Nações, em Lisboa, e chega a iniciar as aulas às 5h30 da manhã, quando não se vê vivalma nas redondezas, para satisfazer esses pedidos. A Cenas a Pedal realiza os seus cursos regulares no Jardim da Estrela onde tenta uma abordagem diferente sobre a privacidade: “Nós tentamos desdramatizar isso, aprender a andar de bicicleta é como fazer outra coisa qualquer”, diz Bruno acrescentando que, quando o aluno não se sente à vontade, acaba por pedir um sítio mais resguardado ou é o próprio instrutor quem toma essa decisão: “é um bocadinho mais desafiante, às vezes, e há pessoas que obviamente encaram isso com mais à-vontade do que outras, mas não tem impedido que aprendam e tem a vantagem de o fazerem num sítio mais realista, no fundo”.

Adquirir

As circunstâncias específicas de cada aluno recomendam que os instrutores adaptem o que for necessário para beneficiar a aprendizagem. É o que acontece com a escolha da bicicleta de treino, onde o tamanho, a geometria e destreza a que obriga na condução têm influência directa sobre o aluno, como nos diz João Santos: “Isso é outro segredo do ensinar a andar de bicicleta, que a pessoa se sinta bem, [sabendo que] assim que põe os pés no chão está em segurança e não cai, porque as pernas fazem um bipé sem ter que se levantar. Só depois é que começamos a subir gradualmente o selim”. Rui Pratas tem vindo a especializar-se no ensino a pessoas obesas, construindo uma bicicleta adaptada para esse efeito – com rodas mais pequenas, tamanho 24'', e um sistema de travões alterado – de forma a “não obrigar os iniciantes a dobrar tanto os membros inferiores, que é a maior dificuldade que têm”. Hoje, graças ao passar da palavra, é bastante procurado para este serviço.

A aprendizagem tem um lado mecânico e outro, mais subjectivo, que exige dos instrutores uma sensibilidade para compreender bloqueios mentais. Por mais método que se desenvolva e eficiente que se consiga tornar o processo, o instrutor é sobretudo um companheiro de aprendizagem, um apoio, um guia, alguém que encoraja e valida constantemente os pequenos avanços que o aluno realiza. A bicicleta e o ciclista devem fundir-se num corpo só: “no início os principais problemas são a verticalidade do corpo, o alinhamento com a bicicleta e a utilização funcional do guiador”, refere Pedro Rosa, notando também que “muitas vezes o corpo inclina-se para os lados, encolhe-se e fica tenso aos primeiros sinais de desequilíbrio ou receio de algum imprevisto” e a tendência é agarrar o guiador com muita força. Para conseguir aliviar a tensão “respiramos fundo”, conclui.

Ana Pereira considera “a parte emocional tão ou mais importante do que a técnica. Muitas vezes tu explicas e a pessoa percebe, mas depois têm a parte emocional a dar cabo daquilo, por isso não serve de muito seres bom a explicar a técnica se depois não tiveres um perfil de relacionamento interpessoal que permita vencer essas barreiras”. Por essa razão, o treino faz-se também do lado dos instrutores já que é fundamental criar uma relação de confiança e para isso é necessária uma boa dose de reforço positivo: “As pessoas costumam dizer que nós somos muito simpáticos e temos muita paciência. A experiência aí ajuda imenso, porque eu não tenho que fingir confiança, eu tenho confiança que aquilo vai funcionar. Por isso, às vezes as pessoas acreditam nelas próprias simplesmente porque sentem que eu acredito nelas”, remata Ana.

Talvez a maioria das pessoas passe pela experiência de aprender a andar de bicicleta duas vezes ao longo da sua vida – a primeira como aprendiz, a segunda para ensinar os filhos. É raro encontrar quem não se lembre do momento da sua “descolagem”, tal é a grandeza da emoção que se sente. Para os instrutores, apesar do aperfeiçoamento da técnica e da automatização dos processos, a alegria de ver alguém ganhar asas mantém-se, como se fosse a primeira vez.

Cursos

Lisboa:

- Ciclábil

- Cenas a Pedal

- Escolinha da Bicicleta

- FPCUB / CML

- Pedalnature

Porto:

- Aprender a Andar de Bicicleta


 
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