paulofski @ na bicicleta
Publicado em 16/12/2020 às 14:50
Temas: motivação 1 carro a menos a chuva não atrapalha à chuva bicicleta bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cidades devaneios a pedais fotografia fotopedaladas grande molha Maria del Sol mobilidade no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas Porto testemunho
Mais um dia daqueles, igual a todos os dias de trabalho, excepto na hora de sair de casa. Chove a potes. Conformado, decidiu esperar um pouco, na vã esperança de ver a nuvem passar. Chegou o momento do “não posso esperar mais”, o que coincidiu com o aumento da descarga! São Pedro gosta mesmo dele.
Saiu rápido, se aclimatando ao vento, à borrasca e ao corpo ainda frio. Encoberto na capa impermeável, de olhos semicerrados, ofuscados pelos faróis e pelos borrifos na cara, pedalou determinado, entre o muito trânsito estagnado e vultos sobressaltados, ousados gatos pingados que apressadamente retomam o passeio do outro lado.
O asfalto é um rio e os pneus progridem na enxurrada, espirrando água. Nada de especial para quem tem um bom par de para-lamas. A chuva não dá tréguas. Virando no cruzamento o trânsito oculta-se. Rua escura, vazia de gente e sem iluminações de Natal, a cidade resolve se acalmar. Parado no vermelho, espera ordem para avançar. Sinal aberto, dá as derradeiras pedaladas, forte e apressado. Sem perdas de tempo, travões a fundo, ao local de trabalho chegou.
E a chuva parou! Afinal já era tarde.
Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável
Publicado em 13/12/2020 às 0:42
Temas: Opinião 76 km Árvores ciclovia Ciclovia da Encosta Ciclovia de Lamaçães Ciclovias coronapistes europa Luís Tarroso Gomes Paris Portugal 2020 Projetos Rede Ciclável Ricardo Rio Tarroso
A ciclovia de Lamaçães é de novo notícia por más razões: o abate (1ª lição) de árvores saudáveis continua. Quando a rigidez do projeto (2ª) é mais importante do que manter árvores adultas e a sombra que protege os peões ficamos logo conversados sobre a vontade real da Câmara de Braga de enfrentar as alterações climáticas (3ª).
O Portugal 2020, por imposição europeia, dedicou uma grande parte dos seus apoios à mobilidade, em particular, ao incremento dos modos suaves (peões e ciclistas). Todavia Braga, depois de gastar todos os milhões destes fundos, não terá qualquer rede ciclável (4ª) mas uns meros 0,8km a mais cicláveis. A Câmara insiste que são 7km usando um truque ridículo (5ª): soma os 0,8km de novidade ao troço existente e multiplica por 2 sentidos. É tão correto como dizer que a estrada Braga-Porto tem 100km por ter ida e volta!
Para acrescentar estes míseros 0,8km a Câmara vai gastar 2,7 milhões de euros (6ª). Recordo que a ciclovia original, inaugurada há 15 anos, custou 0,25 milhões (menos de 1/10!). A ciclovia de Ricardo Rio terá, portanto, um custo de 3,3 milhões por quilómetro. É infelizmente a opção habitual dos autarcas: os apoios comunitários não servem para fazer mais. Servem para fazer mais caro (7ª), recorrendo impunemente às opções mais dispendiosas (nos lancis, luminárias, materiais, etc).
Com estas opções políticas, a construção de uma rede ciclável que abranja a cidade é absolutamente insustentável. A este preço os 80km de ciclovias prometidos por Rio custariam 264 milhões, bem mais do que o Estádio!
Mas esta ciclovia sempre foi polémica por causa da sua localização: no dia a dia é periférica e inútil (8ª); enquanto equipamento de lazer tem uma envolvente perfeitamente desinteressante (9ª) e anda ao lado duma via bem poluída (10ª). Nos últimos anos com o licenciamento de várias superfícies comerciais e drive-ins desenhados para apenas servir automobilistas (11º) o ambiente urbano piorou.
Para quê gastar mais dinheiro aqui em vez de criar uma rede ciclável com intervenções nas avenidas principais (12ª)? Fico com a certeza que a Câmara não tem coragem de intervir onde é estruturante (rodovia) mas quer fingir que faz alguma coisa “moderna” (13ª).
Por fim, salta à vista a lentidão (14ª). Enquanto Braga está há mais de 3 anos à volta desta ciclovia quase inútil, a Câmara de Paris com um pequeno orçamento pôs a funcionar, em maio de 2020, 50km de coronapistes (15ª), ciclovias destinadas, em tempos de pandemia, a incentivar as deslocações individuais, combatendo a poluição. Estas ciclovias reforçam a já extensa rede ciclável da cidade, criando alternativas (16ª) quer aos automóveis particulares quer aos transportes coletivos. Em setembro a autarca parisiense anunciou que as coronapistes serão permanentes. Mesmo com tanto dinheiro europeu, em Braga a Europa é uma miragem!
Ana Pereira @ Escola de Bicicleta
Publicado em 30/11/2020 às 18:44
Temas: A escola Campanhas de redução de risco rodoviário Código da Estrada Dicas para condutores de automóvel campanhas cursos online educação infográficos segurança rodoviária
Já há muito que queríamos expandir o nosso alcance com as atividades da escola, tínhamos alguns cursos com currículos e guiões alinhavados, mas era sempre trabalho que se arrastava, pois era não urgente, e era o tipo de trabalho que requer uma dedicação consistente e regular ao longo de muitas semanas, o que é difícil de conseguir conciliar com as atividades normais do quotidiano.
A culpa é da covid19
Bom, veio 2020, a pandemia e o primeiro confinamento em Março, que nos deram um chuto no traseiro para tirarmos isto da gaveta e avançarmos de uma vez. Havia – e há – tanta gente a querer começar a usar [mais] a bicicleta no dia-a-dia, seja para transporte ou para lazer e desporto e manter a sua sanidade mental e evitar o carro, que optámos por dedicar os primeiros cursos a essas pessoas e apoiar a transição modal do carro para a bicicleta.
Obrigada, Fundo Ambiental!
Resolvemos candidatar a realização destes 3 primeiros cursos a um apoio do Fundo Ambiental, no âmbito da Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020, para nos dar um balão de oxig€nio para podermos tirar tempo para isto e… woohoo, ganhámos!!
Então, desde Agosto que o projeto “Escola de Bicicleta Online” da Cenas a Pedal, com o apoio do Fundo Ambiental, nos tem absorvido uma parte muito substancial do nosso tempo.
O primeiro curso é sobre “O Código da Estrada e as Bicicletas“, o segundo é sobre “Como Pedalar em Segurança pela Cidade“, e o terceiro é sobre “Como Transportar os 4Cs em Bicicleta: Crianças, Cães, Compras e Outras Cenas“.
Recrutamento de beta testers / fazer cursos à borla!
No âmbito do projeto com o Fundo Ambiental precisamos de ter em muito pouco tempo 100 alunos a fazer os cursos, e avaliar métricas de impacto. Por isso, temos 100 vales de oferta para oferecer à malta, e queremos que estes 100 beta testers sejam o mais diversos possível, homens, mulheres, todas as idades, da cidade, do campo, iniciantes e veteranos da bicicleta, que usam a bicicleta como transporte ou só para lazer ou desporto, que conduzam, além da bicicleta, carro, mota, camião ou autocarro!, ou que não conduzam mais nada, que sejam doutorados ou que tenham ficado pela 4ª classe – queremos uma amostra o mais diversa possível para testar e avaliar a plataforma e os cursos propriamente ditos.
Interessado em ajudar-nos? Escreve para escola@cenasapedal.com e diz-nos “quero ser um beta tester dos vossos cursos!” 
Um infográfico para mudar comportamentos
Entretanto, lembrámo-nos de adaptar alguns dos nossos slides do curso sobre o Código da Estrada e criar um infográfico sobre a principal questão que aflige qualquer pessoa que considera andar de bicicleta: a forma como é ultrapassada por quem vai a conduzir um carro.
A nossa ideia foi criar algo para as pessoas divulgarem facilmente e que ajudasse a mudar a cultura atual, ilustrando a forma correcta (e algumas incorrectas) de se ultrapassar alguém numa bicicleta quando nós vamos de carro, segundo o Código da Estrada (que desde 2013 está muito melhor relativamente a esta questão da ultrapassagem).
Como ultrapassar um ciclista / como ultrapassar uma bicicleta?
#PassaParaAOutraVia
Em cima da bicicleta vai o filho, o irmão, o pai, o marido, o amigo de alguém. Não devemos ser nós a impedi-lo de chegar vivo e bem a casa e aos seus, só porque não concordamos que ele ande de bicicleta “ali”, ou que conduza “daquela forma”.
Vou de carro, à frente há alguém numa bicicleta e quero ultrapassar? Boa, mas só quando for seguro, e depois:
1. Passar para a via do lado (mesmo que consiga dar 1.5 m de distância lateral sem o fazer)
2. Abrandar
3. Dar 1.5 m ou mais de distância lateral, mesmo que já tenha passado para a via ao lado.
Mudo para a via do lado sempre, e totalmente (e não aquela cena de andar no meio da estrada com o rodado esquerdo numa via, e rodado direito noutra via), independentemente da posição da bicicleta na sua via (ao centro ou mais à direita, ou outra), e abrando e dou o tal 1.5 m ou mais.
Mudo para a via do lado sempre, e totalmente (e não aquela cena de andar no meio da estrada com o rodado esquerdo numa via, e rodado direito noutra via), independentemente da posição da bicicleta na sua via (ao centro ou mais à direita, ou outra), e abrando e dou o tal 1.5 m ou mais.
Não quero arriscar tocar na pessoa ou na bicicleta e fazê-la cair, nem quero atropelá-la se ela cair por qualquer razão, daí a distância e o abrandar. As bicicletas oscilam para se manterem equilibradas, e são vulneráveis a quedas por coisas que não nos afectam de carro (vento, buracos, etc).
Todo o condutor conta com toda a largura da sua via para se movimentar e lidar com o que lhe aparece à frente. Ninguém está à espera, nem gosta, de ter outros veículos a passá-lo dentro da sua via, mesmo que só parcialmente, e mesmo quando vai dentro da bolha-carro. E há 7 anos que tal é proibido!
Se isto é uma péssima ideia de se fazer a um carro, é fácil de perceber que é uma ideia asinina quando aplicada a alguém num veículo de duas rodas, e em particular a alguém numa bicicleta…“Mas mtas vezes não dá para cumprir isso tudo!“ Certo. Duas hipóteses: não ultrapassar enquanto não der – vai dar dali a uns segundos, concerteza. Nos raros casos em que não vai dar tão cedo, aguentar, ou *se for seguro* ultrapassar sacrificando algum do espaço, mas na via do lado, e abrandando ainda mais!
Ah, e o que é 1.5 m, mesmo? É o espaço necessário para caber uma pessoa de braços abertos. É o espaço para caber lá um Smart Fortwo. É metade da largura de uma via de trânsito típica. #PassaParaAOutraVia e tens logo a coisa mais ou menos feita na maior parte dos casos.
Somos todos tipos inteligentes e boas pessoas. We can do this!
Partilhas com a tua rede? Vamos ser melhores seres humanos uns para os outros. 
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João Forte @ Braga Ciclável
Publicado em 27/11/2020 às 23:01
Temas: Opinião Ambulâncias bicicletas Braga carros Ciclonazis Cracóvia João Forte mitos Mobilidade
Sempre que surge uma notícia associada às bicicletas nas redes sociais, eis que surgem de rajada os ciclistas de bancada, com os estereótipos e o preconceito como pano de fundo. Verdadeiros especialistas em disseminar mitos urbanos sobre as bicicletas, sobre os seus utilizadores e sobre o uso que estes fazem destas. Estes ciclistas de bancada têm dois denominadores comuns, um o facto de não serem utilizadores regulares da bicicleta, outro o facto de, quando confrontados com os factos, longe dos seus achismos, partem para o ataque. Os utilizadores falam apenas em ter a infra-estrutura e a segurança a que têm direito e na volta ouvem termos como “ciclonazis”. Grave, no mínimo!
Há comentários cliché e há comentários verdadeiramente criativos. Destes últimos há uns que, para mim, se destacam, ou seja, comentários associados a ambulâncias, onde pessoas que não andam de bicicleta nem conduzem ambulâncias fazem juízos de valor sem base para isso. Para eles as bicicletas são um estorvo para as ambulâncias, tal como os pilaretes, os semáforos e não só. Tudo estorva as ambulâncias, menos os carros, pois claro. Lembro-me de em 2019 ter ido a uma ocorrência ao centro de Braga e o único local onde poderia ter parado estava barrado com dois carros estacionados de forma irregular. Depois o caos foi culpa dos pilaretes, imagine-se!
Eu sou um sortudo, já que além de ser um experiente peão e ciclista, sou também um experiente automobilista e um experiente condutor de veículos de emergência. Centenas de milhar de km feitos em veículos de emergência, parte deles em Braga. Curiosamente, ou não, nunca tive problemas com ciclistas, independentemente do ponto da cidade, Maximinos, S. Victor, Gualtar, Fraião ou outros pontos da cidade e arredores.
Em emergência eles ouvem a ambulância e facilitam. Sem ser em emergência fazem o mesmo e, aí, não tenho problema algum esperar até os poder ultrapassar, ao contrário da maioria, que anda muito nervosa na estrada. São vidas que ali vão! Chegado ao centro de Braga, eis que me deparo com os problemas reais, carros a mais, muitos em cima do passeio ou em segunda fila. Tantos apenas com um passageiro e para viagens curtas. Um grave problema de mobilidade urbana! Quando conseguiremos nós erradicar os estereótipos, o preconceito e os mitos urbanos associados às bicicletas? Quando conseguiremos conviver e partilhar uma via comum e não exclusiva? A resposta é só uma, quando formos mais a andar de bicicleta. E não é um capricho, mas sim um direito!
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 27/11/2020 às 18:50
Temas: ele há coisas! assunto de merda bicicleta bike to home bike to work cavalos ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto ciclovia coisas que vejo devaneios a pedais fotografia fotopedaladas Foz GNR mobilidade opinião outras coisas penso eu de que... polícia Porto Sua Alteza
É habitual ver uma dupla de militares da GNR sair do Quartel do Carmo em patrulha a cavalo. É rotineiro ver a dupla de militares da GNR pela cidade, a patrulhar passear de cavalo, nomeadamente no eixo Carmo – Foz – Carmo. Antes ir a cavalo do que ir a pé, pois com certeza, mas hoje em dia faz mais sentido, para mim, que os guardas, os da GNR e os da PSP, façam as patrulhas em bicicleta. Mas, tradições são tradições.
Bom, mas mais do que compreender a necessidade de patrulhar e levar os animais à rua, alcanço ainda menos a lógica do dueto cavalgar em plena ciclovia. Ora, as ciclovias já são tão desadequadas aos ciclistas que, para além de terem de levar com a presença de peões assarapantados, corredores amadores e loucos em trotinetes, se lhe acrescentarmos equídeos de grande porte, pedalar por uma ciclovia do Porto fica um bocado pior.
Depois, para piorar ainda mais o cenário, há a questão dos “presentes” que as cavalgaduras depositam no piso betuminoso / ciclável. Ora, se uma pessoa sai à rua com o seu cãozinho para as necessidades do jeco e depois, civicamente, tem de apanhar os cagalhotos para um saquinho, já os senhores guardas nem dão conta do “aliviar da carga”, continuam garbosamente a sua patrulha / passeio, deixando atrás de si um rasto de bosta. Imagino que seja maçador estar a desmontar do cavalo para apanhar a merda que o animal fez!

E o ecológico do ciclista? Bom, se o ciclista pretende dar uso à ciclovia da Foz, que por si só já é uma cagada, tem de torcer o nariz e fazer uma chincane contornando os “polícias” para não borrar o pneuzinho. E é se quer!
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 18/11/2020 às 15:11
Temas: fotopedaladas 1 carro a menos bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo coisas que vejo devaneios a pedais fotografia mobilidade motivação o sol outras coisas penso eu de que... Porto singlespeed Sua Alteza
O sol nasce e se põe todos os dias. São duas experiências visualmente impressionantes, não importa em que parte do mundo se esteja. Faz parte do ciclo do planeta, a cada volta em torno do astro rei. O pôr do sol é uma das experiências mais perfeitas que o mundo natural nos oferece e faz parte do meu ciclo.
Sou um felizardo por despegar a horas decentes e poder vaguear a pedais, pela cidade até ao mar, contemplando o sol poente. É uma explosão de cores, laranjas, rosas, roxos… tonalidades magnetizantes e muitas vezes inspiradoras que me detêm a pedalada e dão magia ao meu desmazelo pós laboral.
Muitas vezes o verdadeiro propósito na minha opção por um regresso a casa mais longo e demorado é para o acompanhar no firmamento. No brilho intenso que se desvanece no horizonte até mergulhar no oceano. Por entre as nuvens que flutuam, não para descarregar chuva mas para adicionar este esplendor aos meus finais de dia, que é quase sempre pode todos os dias.

Marta Sofia Silva @ Braga Ciclável
Publicado em 13/11/2020 às 23:01
Temas: Opinião Braga braga ciclável cidade Futuro imaginação Imagine Marta Sofia Silva Mobilidade
Façamos, em conjunto, um exercício muito simples: imagine a cidade em que quer viver daqui a 10 anos. Imaginou? Ainda não? Mais uns minutos… acabou o tempo!
Agora, focando-se na mobilidade dessa sua cidade, responda às seguintes questões que lhe coloco, em voz alta (também vale em voz baixa, em silêncio, escrevendo, etc.): a sua cidade do futuro, permite-lhe deslocar-se, entre casa e o trabalho, no meio de transporte à sua escolha, sem que fique retido desnecessariamente no trânsito? Na sua cidade do futuro, a oferta de estacionamento deixou de ser um problema porque os transportes públicos se tornaram tão eficazes e pontuais que uma percentagem da população abdicou do carro… ou, pelo menos, do segundo carro? Na sua cidade do futuro, respira fundo, sem medo, porque a emissão de CO2 deixou de ser uma preocupação, e a causa de várias doenças respiratórias? Na sua cidade do futuro, os atropelamentos deixaram de existir ou, aqueles que continuam a acontecer, são residuais e sem gravidade? A sua cidade do futuro, oferece-lhe segurança nas suas deslocações, quer sejam a pé, de bicicleta, de trotinete, de autocarro ou mesmo de carro?
Se respondeu que sim a todas as questões anteriores, tenho uma ótima notícia a dar-lhe: dentro de 10 anos habitaremos a mesma cidade! No entanto, tenho uma notícia menos boa a comunicar-lhe: tenho dúvidas de que essa cidade seja Braga! Tenho dúvidas, mas tenho também esperança.
Vivemos numa cidade que resiste a adaptar-se às novas exigências sanitárias e ambientais, que poderia tirar partido da mobilidade para atingir os seus objetivos. No recente contexto de pandemia, são vários os exemplos de cidades, um pouco por todo o Mundo, cujos órgãos executivos tiveram a coragem e a inteligência de o fazer. Em Braga, quem tem o poder de decisão nas mãos ainda resiste, mas acredito que vamos a tempo de corrigir o nosso rumo se os decisores, juntamente com os habitantes desta cidade, se envolverem num esforço comum pela construção daquela que queremos que seja a Braga do futuro: uma cidade segura, saudável, desacelerada, onde um sistema intermodal, bem articulado, permita a poupança de tempo e esforço nas deslocações diárias.
Imagine… imaginemos juntos!
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 13/11/2020 às 15:46
Temas: fotocycle 1 carro a menos americanices bike to home ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto covid-19 devaneios a pedais fotografia fotopedaladas Foz mar motivação o sol outras coisas pandemias partilha penso eu de que... Porto

As novidades do mundo nada têm de novidade. Nem do coronacoiso, que não nos dá tréguas, nem mesmo as notícias do outro que se barricou na uaitehause e de lá não quer sair. É que nem vamos por aí porque o momento não está para aturar malucos. Nem os dessa estirpe nem os negacionistas que acham que contestam os perigos da Covid-19.
A todo o speed chegamos ao nível avançado da pandemia. Não está fácil terminar este jogo! As coisas não estão a melhorar e o Ser Humano, além de uma estupidez infinita, consegue piorar as coisas, inventando outras coisas igualmente estúpidas. É o oito ou oitenta, pra desgraçar de vez.
Não se esqueçam que amanhã e domingo, às 13 horas, o xôr Costa quer toda a malta em casa, senão levam tau-tau. Bom fim de semana, bom São Martinho, com castanhas e vinho, e acima de tudo divirtam-se, protejam-se e, nunca fiar, façam como o Trump… Fiquem em casa.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 4/11/2020 às 15:37
Temas: mobilidade 1 carro a menos bicicleta bike to home bike to work boas ideias ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo ciclovia cidades coisas que vejo devaneios a pedais fotopedaladas motivação no meu percurso rotineiro pr'o trabalho opinião outras coisas penso eu de que... Porto segurança rodoviária testemunho
A Câmara Municipal do Porto (CMP) pôs recentemente em prática o chamado plano “resgatar o espaço público”, o qual, para além de várias transformações rodoviárias, prevê o alargamento da rede de ciclovias de 19 para 54 km até ao final do ano. Com efeito, a mobilidade em bicicleta tem sido um dos parentes pobres das políticas de mobilidade da CMP.
Ao contrário de outras cidades, no Porto, o investimento na promoção da bicicleta como modo de transporte tem sido praticamente nulo. Até há pouco tempo, a mobilidade ciclável não tem tido a atenção merecida pela CMP e é vista com algum desprezo por parte dos responsáveis políticos. Por exemplo, Rui Moreira chegou a dizer que não acredita na bicicleta como solução de mobilidade para a cidade. O presidente da CMP chegou inclusive a defender medidas retrógradas como a matrícula e o seguro obrigatório! Enfim…
Ok, o “plano” representa uma aparente inversão nas políticas até agora seguidas pelo município, o que é de salutar. Algumas “ciclovias” têm sido desenhadas em meio rodoviário, onde devem estar, mas muitas outras apresentam evidentes erros de desenho, soluções engenhocas… sim, engenhocas, para tentar dar a volta às estreitas ruas, aos sentidos únicos e ao fluxo rodoviário. Exemplo recente é a “ciclocoisa” desenhada desde a Rotunda da Boavista, pela Av. de França até à Av. de Xangai, para ligar à ciclovia da Prelada. Por exemplo na Rua Vieira Portuense foi suprimido o estacionamento em excesso em benefício de uma via ciclável de dois sentidos, dando assim a possibilidade ao ciclista circular em segurança por uma rua de sentido proibido. Fixe, mas depois a mobilidade encrava com a atitude mesquinha e recorrente de certos automobilistas que acomodados teimam em desrespeitar tudo e todos. Exemplo:
Antes do plano da CMP, assim estava a Rua Vieira Portuense (imagem Google Street de setembro de 2019)

Rua Vieira Portuense, de um único sentido e onde era habitual o estacionamento em ambas as bermas (em cima da passadeira também!)
Depois do “plano” assim está a mesma rua. Imagem de anteontem à tarde, tirada quando eu pretendia utilizar a “ciclocoisa” da Av. de França cumprindo o sinal de “obrigação”

Agora, na mesma rua, o ciclista terá duas soluções… vá lá, três! Circular pela esquerda na faixa de rodagem em sentido proibido, circular pela direita no passeio… a terceira é passar-lhe por cima!
Para que efectivamente a cidade do Porto desenvolva uma boa rede de ciclovias é essencial tornar a bicicleta uma solução de mobilidade acessível a todos. Não basta avançar com medidas avulsas, é necessário articular um conjunto de medidas coerentes e integradas com vista à promoção da mobilidade em bicicleta, com fiscalização, campanhas de sensibilização e orientações básicas junto dos todos os munícipes, sejam eles automobilistas, ciclistas, ou não.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 2/11/2020 às 11:48
Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo cidades devaneios a pedais fotografia fotopedaladas mobilidade motivação outras coisas Parque da Cidade penso eu de que... Porto Sua Alteza testemunho
De volta a casa, pedalo com algum senso de urgência, procurando manter as distâncias. Sensível ao que se passa, fujo do reboliço rodoviário e entro num mundo de lazer. Sigo à redescoberta enquanto o outono transforma rotas que eu conheço muito bem em novos mundos, caminhos repletos de cores, tapetes de folhas ocre amarelo, paisagens transformadas em ferrugens e ouro. As estações do ano são um momento de transição. Por alguns dias, este mundo existirá magicamente e então desaparecerá, substituído por céus pardos e árvores estéreis. Independentemente da era da pandemia, continuarei a pedalar e a percorrer este mundo revirado, como um observador constante, participante nas mudanças do tempo, readaptado à nova vida, mesmo cheia de limitações e contingências.
