Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?

Daniel Rodrigues @ Braga Ciclável

Publicado em 15/12/2018 às 13:00

Temas: Opinião 31 janeiro Bicicleta Braga braga ciclável ciclovia daniel rodrigues infraestrutura

Raros são os dias que não vejo uma publicação nas redes sociais sobre o termo “bicicleta”, no entanto continua a ser uma tarefa complicada utilizar a mesma para nos deslocarmos diariamente quando não temos uma faixa específica para circular: utilizar os passeios é desagradável, pois estamos a ocupar um espaço que é destinado aos peões, utilizar a faixa de rodagem – ainda que seja obrigatório – poderá ser deveras perigoso, principalmente quando nos deparamos com automobilistas com falta de sensibilidade e respeito. Pior ainda quando se junta o factor chuva. Aí o cenário rodoviário desta cidade chega a estar separado por uma linha muito ténue daquilo que é um cenário caótico.

Para quem vive aqui há alguns anos e utiliza o carro recorrentemente consegue confirmar que este problema se tem agravado ao longo dos tempos, consequência de um progresso significativo que esta metrópole tem sofrido. É, então, necessário pensar em estratégias de circulação mais sustentáveis que permitam o crescimento da cidade.

Vários foram os países que repensaram e reformularam a estrutura da cidade tendo sempre em vista o seu desenvolvimento. Porque não fazer o mesmo mesmo em Portugal? Porque não começar essa revolução aqui em Braga? Para tal, é preciso compreender que fazer excertos de ciclovias, sem ligações e mal feitas – como é o caso da recém construída ciclovia da Rua Nova de Santa Cruz a qual não foi construída a pensar nos ciclistas dado que nem o piso da mesma é adequado – não é suficiente para incentivar mais pessoas a esta prática. O que é realmente necessário é construir uma rede de ciclovias ligadas entre si que torne possível a deslocação entre os vários pontos da cidade. Atualmente, o meu percurso começa em Lamaçães, direção a Santa Tecla (onde consigo usufruir de cerca de 300 metros de pista exclusiva), seguindo pela 31 de Janeiro até ao centro. Avenida esta que é das mais utilizadas por todas as pessoas e que não conta com o mínimo de segurança na infraestrutura para os que utilizam a bicicleta. Para além disso, é uma estrada de um só sentido, o que me leva a utilizar o passeio quando me desloco no percurso inverso, o qual seria facilmente evitável com uma ciclovia, evitando embaraços para peões, ciclistas e automobilistas.

É lamentável ver que um problema iminente como este tenha vindo a ser tão facilmente desprezado pelo executivo municipal e pelos técnicos do município que deveriam zelar pelo bom funcionamento do nosso município. Esta é uma causa que não tem em consideração apenas os ciclistas, mas sim todos os cidadãos que se preocupam com a sua saúde e da cidade, para aqueles que procuram deslocar-se sem limitações e sem transtornos.

 

can’t miss [194] publico.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 13/12/2018 às 12:53

Temas: can't miss it ciclistas no mundo coisas que leio crianças e bicicletas espalhando os bons exemplos mobilidade motivação noticia outras coisas partilha Turquia

Kilis, na Turquia, tem um plano ambicioso para mudar os modos de vida e de locomoção dos seus habitantes.

Kilis é uma pequena cidade turca, junto à fronteira com a Síria, que nos últimos anos tem sido notícia por ser um dos principais locais de acolhimento dos milhões de refugiados que escaparam à guerra no país vizinho. E é também uma cidade barulhenta, cheia de motas e scooters, que quer passar a ter nas bicicletas o seu principal meio de transporte. Para concretizar esta mudança, a autarquia de Kilis começa pelos mais novos. As autoridades estão agora a oferecer bicicletas a crianças e jovens que assumam alguns compromissos: convencer um familiar a deixar de fumar; terem boas notas na escola e melhorarem o rendimento numa disciplina em que tenham maiores dificuldades, e prometerem usar a bicicleta pelo menos uma hora por dia.

“Até agora, distribuímos mais de 4 mil bicicletas e nossa meta é distribuir pelo menos 15 mil”, explica o presidente da câmara de Kilis, Hasan Kara, citado pelo jornal britânico The Guardian. O objectivo do autarca é criar na cidade um ambiente habitável para toda a população. “Demos prioridade ao projecto das bicicletas porque o uso de motocicletas e carros é muito comum. Agora já vemos crianças a fazer o caminho para a escola de bicicleta”, diz ao diário londrino.

Além deste projecto para crianças, a autarquia construiu uma ciclovia de seis quilómetros ao longo de uma rua na periferia da cidade, à qual deverão juntar-se em breve outras ciclovias que irão ligar toda a urbe. A câmara de Kilis conta com o apoio financeiro do Governo turco mais vai procurar também a ajuda da União Europeia.

[…]

Podes ler o artigo completo em: https://www.publico.pt/2018/12/11/p3/noticia/ha-cidade-dar-bicicletas-criancas-parentes-deixarem-fumar-1854311

 

 

Formação gratuita em Leiria, Caldas da Rainha e Peniche

Ana Pereira @ Escola de Bicicleta

Publicado em 11/12/2018 às 19:07

Temas: A escola Código da Estrada Condução de bicicleta Caldas da Rainha formação Leiria Peniche segurança rodoviária U-BIKE

Amanhã e 5ª-feira vai haver uma nova formação nos campi do IPL, no âmbito do U-Bike IPLeiria, e esta será de entrada gratuita para a população em geral (sujeito às vagas, enviem email a confirmar a vossa presença e identificando a cidade para *protected email*).

Numa altura em que as polémicas nas redes sociais pelos eventos recentes em Lisboa com capacetes, pedelecs, trotinetes, EMEL, CML e PSP, revelam a dramática falta de entendimento destas questões, mesmo as mais básicas e acessíveis, por parte da população portuguesa (utilizadores de bicicleta incluídos), é de aproveitar a oportunidade de aceder a uma formação tão completa quanto esta, geralmente só disponível em Lisboa, nos cursos da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal.

 

Acção de formação avançada para condução de bicicleta na cidade

As 4 regras de uma condução segura e sua aplicação (tópicos como diferença entre olhar e ver, e entre ser visível e ser visto, ângulos mortos dos veículos, do ambiente e do condutor, bolha de segurança, posicionamento na via, formas de comunicação, a influência da percepção do risco no comportamento, etc).

Código da Estrada e as bicicletas (direitos, deveres, lacunas).

Análise de casos práticos do dia-a-dia (como evitar colisões com carros, peões, etc).

E também ergonomia, normas sociais, gestão de situações de conflito, manobras especiais, condução com chuva, bicicletas eléctricas, etc.

 

 

Esta formação é útil para qualquer pessoa que queira melhorar a sua experiência a andar de bicicleta, ou que queira perceber como conduzir melhor um veículo automóvel na proximidade de pessoas em bicicleta.

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fotocycle [237] Movimento colete laranja

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 10/12/2018 às 16:02

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to work ciclismo cicloturismo devaneios a pedais fotografia fotopedaladas mobilidade motivação outras coisas penso eu de que... randonneur

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  • Incentivar a aquisição de bicicletas e estimular a produção nacional;
  • Zero IVA na compra de bicicletas e acessórios;
  • Fomentar o uso da bicicleta;
  • Reduzir do tráfego automóvel;
  • Reduzir a sinistralidade rodoviária;
  • Reduzir as emissões e a dependência energética do petróleo;
  • Estimular estilos de vida saudáveis;
  • Qualificar e humanizar o espaço público das cidades

E estas são só para início de conversa!

 

o Camisola Amarela

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 6/12/2018 às 14:57

Temas: bici'stória bicicleta Camisola Amarela ciclismo ciclistas no mundo FêCêPê história histórias de vida noticia outras coisas partilha Porto Volta a Portugal

O Tour de France do ano que vem vai celebrar o centenário da camisola amarela. A camisola mais icónica do ciclismo.

Em 1919, o amarelo foi a cor escolhida para vestir o líder da prova, e a camisola amarela tornou-se no símbolo mais icónico do ciclismo mundial. Ao longo destes cem anos, a camisola amarela deixou a sua marca também noutras provas. Foi adoptada em vários países como o símbolo do vencedor das suas corridas nacionais. Esta peça do vestuário velocipédico experimentou de tudo, as maiores façanhas, os maiores campeões, as maiores mentiras. Muitos ciclistas tiveram a honra de a usar, mesmo que fosse apenas por um dia, para no final da etapa a ter de entregar a outro.

“Lá vai o Camisola Amarela”

O amarelo é uma cor que se destaca melhor do que qualquer outra, na poeira, no nevoeiro, na multidão. Evidencia o líder da prova no meio do pelotão. A equipa defende-a, guarda e protege o líder com unhas e dentes. Controla as corridas, nas montanhas, nas fugas, repelindo os ataques dos adversários até ao derradeiro esforço do sprint em cima da meta.

O “Camisola Amarela” demonstra a sua valentia e honra a camisola que veste.

Presto assim a minha homenagem a Joaquim Leão, antigo ciclista do pelotão nacional e que envergou a camisola do F.C. Porto. Faleceu ontem, aos 75 anos.

Joaquim Leão venceu a prova rainha de Portugal, a Volta em 1964, a clássica Porto-Lisboa em 1966, entre vários títulos, nomeadamente seis, de campeão nacional de estrada. Teve participações no Tour e na Vuelta, onde por cinco vezes se classificou no top-ten.

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A camisola amarela com que Joaquim Leão venceu a Volta a Portugal está exposta no Museu do Futebol Clube do Porto, perpetuada como a Amarela do Adamastor.

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arrotar postas de pescada

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 3/12/2018 às 15:48

Temas: o ciclo perfeiro 1 carro a menos à moda antiga bicicleta ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto devaneios a pedais dono babado fotografia humor musica musicol no meu percurso rotineiro pr'a casa outras coisas testemunho Tripas

“A Chica Fininha

Gingando pela rua
Ao som do Lou Reed
Sempre na sua
Sempre cheia de speed
Segue o seu caminho..”

Ia eu na brasa, a cantarolar o clássico tema tripeiro quando, assim de repente, um flipado ao bolante me ultrapassa… Quer dizer, não chega bem a passar! Põe-se ao meu lado, mesmo à nesga, abre o bidro da janela e lança o piropo.

“Oh amigo, quantos anos tem?”

Rebiro os olhos para a esquerda e no lugar do morto topo uma garina, toda gira, que me filma o pername com os seus lindos olhinhos.

Eu!?… Fonix, o borracho tem cá um bozeirom!, pensei eu com os meus… botões! Só que não era ela a cusca!

“A sua bicicleta amigo, quantos anos tem?”

Ah… a bicla!!! Tem dois anos… E o morcom do gajo não me desamparaba a loja!

“Essa bicicleta é à antiga, não é?”

É, é… Esta é das boas e dá pica! Farto de lhe dar trela arrematei com um MUITO OBRIGADO, mas mesmo assim o gajo teimaba.

“Bem bonita… É que parece nova!”

Pois parece… É noba mas é mais rodada que a Bia de Cintura Interna!

A chabala, toda gira, que ia no lugar do morto sorriu, eu “sorri-lhe” (acho que hoube ali um ambiente) e, após um “Parabéns” retribuido com o polegar oponível, finalmente, o freak lá deu de frosques.

E eu sigo o meu caminho na minha Tripas, a Chica Fininha, pela Cantareira e com a merda na algibeira…

Da Cantareira à Baixa
Da Baixa à Cantareira
Conhece os flipados
Todos de gingeira

Chica Fininha

Uh uh…

Já leste tudo? Arreganhaste a tacha e não te esbardalaste?

Achantra a mula, pega num fino e topa-me este som marabilhoso.

 

Que credibilidade tem o Orçamento Participativo de Braga?

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 1/12/2018 às 12:00

Temas: Opinião Bicicleta Braga braga ciclável Democracia Democracia Participativa Instrumento de Democracia Orçamento Participativo

O Orçamento Participativo de Braga (OP) vem sendo alvo de duras críticas, seja quanto à pertinência deste instrumento num regime de democracia como o nosso, seja quanto à transparência de todo o processo, a começar pela análise técnica das propostas por parte dos serviços municipais. E não é para menos!

Há 3 anos, foi a votação no OP uma proposta de criação de vias cicláveis na Avenida 31 de janeiro. A proposta foi bem acolhida e passou à segunda fase, onde foi a mais votada na área de trânsito, mobilidade e segurança rodoviária. No ano seguinte, a ciclovia da 31 de janeiro conseguiu novamente avançar para a 2ª fase e melhorou a votação, acabando com mais 30% de votos do que no ano anterior.

No ano passado, contudo, os serviços municipais decidiram rejeitar duas propostas de ciclovia para a Av. 31 de janeiro e Av. Porfírio da Silva, bem como uma outra que sugeria uma extensão da ciclovia do rio Este até Ferreiros. O motivo alegado para impedir todas essas propostas de irem a votação era que, supostamente, as ciclovias já estariam previstas para execução pelo município. Até seriam boas notícias, se fosse verdade. Mas o tempo veio a mostrar que, ao fim de mais de um ano, as obras não começaram, não há concurso público à vista e os supostos projetos camarários nunca chegaram a ser apresentados publicamente.

Como se tudo isto não bastasse, este ano o problema repetiu-se e agravou-se. Havia 5 propostas no Orçamento Participativo relacionadas com melhoria de condições de segurança para quem se desloque de bicicleta na cidade de Braga, mas todas elas foram rejeitadas pelos serviços municipais antes de poderem ser submetidas a votação. Os motivos alegados continuam a ser demasiado vagos e carecem de fundamentação, como foi aliás já anteriormente demonstrado num comunicado emitido pela Braga Ciclável.

Se havia projetos municipais que justificassem o impedimento de participação no Orçamento Participativo, porque não foram dados a conhecer? Qual o motivo para impedir a toda a força, em anos consecutivos, que os cidadãos pudessem votar em novas ciclovias que tornassem mais seguras as suas deslocações diárias? E por que razão não foram tornados públicos os relatórios detalhados da análise técnica, incluindo os cálculos efetuados, que conduziram à rejeição de propostas como estas?

Afinal de contas, que credibilidade pode ter um instrumento de “democracia participativa”, como pretende ser este Orçamento Participativo, se toda essa informação continua a ser escondida dos cidadãos?…

 

novidades só na bicicleta (.com)

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 28/11/2018 às 12:35

Temas: mobilidade 1 carro a menos bicicleta bike to work carrocultura Censos ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cidades coisas que leio investigação noticia opinião outras coisas partilha Porto transportes públicos

Foram ontem tornados públicos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) os resultados dos Inquéritos à Mobilidade nas Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa, o que confirma a excessiva dependência do automóvel face a um uso reduzido do transporte colectivo.

hoje, a fintar o trânsito

Até aqui, nenhuma surpresa. O automóvel continua a ser o meio de transporte favorito dos residentes nas grandes áreas metropolitanas. Os dados do Eurostat de 2016 já mostravam que os portugueses eram os segundos europeus que mais usavam o carro como meio de transporte principal. Os primeiros são os lituanos.

No Porto, 67,6% dos inquiridos admitiram que o carro era o seu meio principal de transporte. A taxa de ocupação automóvel, isto é, o número de pessoas que transporta cada carro, é de 1,56 pessoas naquela área metropolitana.

Em média, no Porto, admitem passar mais de uma hora por dia no trânsito: 66,8 minutos, sendo os residentes em Vila Nova de Gaia  que mais tempo gastam em média, nas deslocações nos “dias úteis”, cerca de uma hora e 20 minutos agarrados ao volante.

Na área metropolitana do Porto, as distâncias médias percorridas foram de 10,6 quilómetros. Já os residentes em Gondomar percorrem em média uma maior distância no quotidiano: 13,2 quilómetros.

Nesta área metropolitana, as despesas mensais com combustível variam entre 60 e 150 euros por cada agregado: 37,9% dos inquiridos admitiu gastar entre 30 e 100 euros em combustível. As despesas com portagens não chegaram, em média, aos dez euros mensais.

Há, no entanto, quem prefira deslocar-se a pé ou de bicicleta. No Porto, essas pessoas representam 18,9% nos casos que prefere andar a pé, e apenas 0,4% usam a bicicleta diariamente nas deslocações casa-trabalho-casa. Em comparação, em Lisboa a percentagem dos que prefere caminhar é ligeiramente mais alta, 23,5%, mas apenas 0,5% do pessoal dá ao pedal na cidade.

Os transportes públicos surgem em terceiro quarto lugar no pódium das preferências dos residentes. No Porto representam 11,1% das deslocações. Neste particular o autocarro é o meio de transporte público mais usado, mais de 8%, seguido do transporte ferroviário pesado e ligeiro (comboio e metro) que corresponde a 2,8% da utilização no Porto.

Complementando estes dados, leio hoje no Público que o transporte público ainda é para quem não tem alternativa !!!

 

a segunda pele de dona Tripas

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 26/11/2018 às 15:27

Temas: o ciclo perfeiro à moda antiga bicicleta bicicletas bué de fixes bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo dono babado fotografia fotopedaladas iNBiCLA motivação outras coisas passe a publicidade passeio Porto randonneur Tripas Valdemiro

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“Depois desta foto, tão cedo dona Tripas voltará a deixar a sua marca registada neste meu álbum fotográfico. A principal protagonista da série #tripasbicla ficará em quarentena por tempo indeterminado. Eu e esta minha mania de destruir quadros! É que nem tenho nada contra obras de arte! Já quanto a carros, bocas de incêndio, bordas de passeios… eh pá, saiam da minha frente que eu sou um gajo perigoso.”

Completa hoje um ano deste meu postal desconsolado deixado algures no Instagram. Já quase no términus de um fenomenal passeio a solo, de um mágico final de tarde de Novembro, já no bréu da noite e no cardoom rodoviário, não enxerguei a borda de um passeio, e  bruscamente terminou ali mesmo… o passeio!

Numa estúpida distracção fiz da Tripas empadão.

Ficou ela e depois eu, paralisados e de coração partido. Felizmente não senti a aspereza do asfalto mas fiquei de rastos quando percebi a bela merda que havia feito. O quadro não estava mesmo nada bonito. Irremediavelmente ferida na sua beleza, a bicha foi rebocada para os seus aposentos e depois de uma inspecção minuciosa foi posteriormente transferida para os cuidados intensivos da clínica iNBiCLA. Embora com um prognóstico muito reservado, os sinais eram encorajadores e a possibilidade de uma recuperação total uma possibilidade. A reabilitação foi lenta mas valeu a pena a demora. Aguardei pacientemente voltar a tê-la nos meus braços, nos meus pés, sentar-me de novo no seu selim para me alegrar. E assim, precisamente um ano após a tragédia, dona Tripas voltou como nova.

Com mais de oito mil quilómetros registados no STRAVA nos seus treze meses de curta vida, sem uma avaria, sem um único furo, apenas um ligeiro arranhão, já tinha uma longa história de sucesso para contar. Por isso foi ponto assente investir na sua cirurgia reconstrutiva.

Eu sei que eu já disse isto, eu adoro esta bicicleta. É perfeita em todas as situações. Depois do esqueleto de aço afinado pelas mãos sábias do mestre da soldadura, depois do lifting estético operado pelo cirurgião veloplástico, que lhe acrescentou ainda novos apêndices e uns quantos dentes à desmultiplicação, para me aligeirar as subidas e assim beneficiar as gastas pernas, Tripas Inbicla foi ressuscitada e está desde já a carburar a pleno gás.

 

 

uma questão de civilização

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 22/11/2018 às 11:54

Temas: ele há coisas! 1 carro a menos bicicletas bué de fixes bora lá Portugal devaneios apeados do que me fui lembrar governo legislação motivação opinião penso eu de que...

O Partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN) quer que os incentivos para compra de veículos de baixas emissões sejam extensíveis às bicicletas eléctricas. Nesse sentido, o PAN apresentou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para que seja dado um incentivo até 20% do valor da bicicleta até um valor máximo de 200 euros.

“A utilização da bicicleta como modo de deslocação, isoladamente ou em combinação com os transportes públicos, traz diversos e enormes benefícios ambientais, sociais, económicos e de saúde pública”, refere o texto da proposta.

O PAN lembra que “metade das deslocações nas cidades europeias é inferior a 5 km, distância para a qual a bicicleta convencional é o modo de transporte urbano mais eficiente”, adiantado que “a bicicleta eléctrica é mais rápida em distâncias até 10 km, e até 20 km a diferença para o automóvel é marginal.”

O PAN sublinha ainda que “o preço médio de uma bicicleta eléctrica pode variar entre os 800 e 5000 euros o que corresponde a 8% do valor total de um carro eléctrico. O incentivo do Estado para a aquisição de bicicletas eléctricas é, portanto, um modo eficiente – para o Estado, assim como para o consumidor e a economia – de descarbonização do sector dos transportes”, refere a proposta de alteração.

A bicicleta eléctrica promove a possibilidade para atrair mais pessoas ao recurso à mobilidade ciclável. A bicicleta eléctrica facilita a pedalada aos que não estão na sua melhor forma física. Torna qualquer subida na mais plana das ruas e os trajectos mais longos são canja. Tudo muito certo, concordo e acho que a medida peca apenas por chegar tarde, não entendo é esta coisa do PAN propor apenas beneficiar o ecologicamente menos sustentável. Porque é que a sua proposta não abrange o mais simples e básico veículo de propulsão humana!? As biclas, as pasteleiras, as estradeiras, as bêtêteiras…

Enquanto isso, a Europa quer acabar com o IVA na compra de bicicletas, excepto eléctricas!!!

O incentivo justo seria simplesmente isentar de IVA a compra de uma bicicleta nova, seja ela a pilhas, seja ela simplesmente movida com o esforço dos músculos. E juntar a isso isentar os seus acessórios e manutenções. Argumentos? Porque a bicicleta é de facto uma questão de civilização, também é poesia, é tradição e cultura. Tudo isso já bem sabemos, mas infelizmente este nosso Governo vai mais em touradas, e isso também já nós sabemos!

Não acho que quem goste de tourada seja automaticamente atrasado mental e doente dos cornos. Aliás, os circos com animais e as touradas têm um ponto em comum: ambos maltratam e exploram seres vivos contra a sua vontade e ambos têm palhaços, que no caso do Parlamento costumam estar também nas bancadas.

mw-320

 
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