A Problemática Colocação de Um Capacete*

@ Braga Ciclável | 23/01/2017 às 16:00

Temas: [ Opinião ] [ bicicultura ] [ capacete ]

A discussão não é de hoje. A discórdia também não. Mas o assunto voltou à baila, muito recentemente, a propósito do Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária – Pense 2020 – e a possibilidade de tornar obrigatório o uso do capacete por parte dos ciclistas.

A mim, individualmente, não me faz qualquer comichão a ideia de utilizar capacete. Não tenho medo que me despenteie, não tenho receio de deixar de sentir o prazer em andar de bicicleta por não sentir os cabelos ao vento. Mas a nível global, numa altura em que tanto se discutem alternativas eficazes ao automóvel, em que se repensam estratégias de mobilidade no sentido da sustentabilidade das redes viárias e de transportes, sobretudo em meio urbano, esta medida pode efetivamente representar um entrave ao avanço deste processo, no que à captação de adeptos da “mobilidade doce” diz respeito.

Vejamos o caso da Austrália, mais especificamente das cidades de Melbourne e Sydney. Duas grandes metrópoles com cerca de 5 milhões de habitantes cada, com morfologia de terreno relativamente plana e todas as infraestruturas criadas para uma utilização ótima da bicicleta – ciclovias, sinalização vertical e luminosa, estações de bike-sharing – e, no entanto, com uma taxa de utilização efetiva da bicicleta muito baixa. Foi após a implementação do uso obrigatório do capacete que se registou o maior abandono deste meio de transporte por parte dos australianos. Entre as razões apontadas para tal, o facto de os automobilistas manterem uma menor distância de segurança em relação ao que usam capacete do que aos que não o usam, contribuiu para o aumento de um sentimento de insegurança, contrariamente ao pretendido. Isto porque o uso do capacete influencia a forma como o automobilista interpreta a presença do ciclista na estrada.

Vários estudos demonstram que a utilização do capacete pode minorar o efeito das quedas no que diz respeito aos traumatismos cranianos. Outros há, no entanto, que apontam no sentido contrário, demonstrando que determinados formatos de capacetes podem contribuir para riscos de lesões do pescoço e cabeça.

Seja como for, não é o uso do capacete que está em causa, mas o direito à escolha na sua utilização. Não é a sua obrigatoriedade que resolverá os problemas de convivência na via pública, mas a promoção de hábitos saudáveis de coexistência.

*a devida ressalva à autoria da “Problemática Colocação de Um Mastro”, dos Deolinda


(Artigo originalmente publicado na edição de 21/1/2016 do Diário do Minho)

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teasear – ribatejando (ou um momento David Attenborough)

@ na bicicleta | 23/01/2017 às 12:40

Temas: [ ele há coisas! ] [ bicicultura ] [ ciclistas no mundo ] [ cicloturismo ] [ fotografia ] [ fotopedaladas ] [ humor ] [ L' Antique 200 ] [ outras coisas ] [ randonneur ] [ Ribatejo ]

Em 2013, na L’Antique200,  foi avistado um espécime autóctone no seu veículo de eleição. Veja-se como evoluiu a espécie desde então!

Le Antique 5 le-antique-2017
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Saldanha sem Carros - Lisboa em 22 de janeiro de 2017

@ Eu e as minhas bicicletas | 22/01/2017 às 18:49

Temas: [ bicicultura ]

Hoje dei um salto ao Saldanha sem Carros, uma ação promovida pela CM Lisboa para inaugurar as novas infraestuturas cujas obras no Eixo Central tanto atormentaram e tanta clivagem criaram entre os Lisboetas e aqueles que ali trabalham...

saldanha.jpg

Fiz um video e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r!!

Mas infelizmente tirei a máquina do suporte para fazer uma filmagem geral de um ponto alto e caiu ao chão e corrompeu o ficheiro :(
Isto foi o melhor que consegui com as minhas parcas capacidades com um sw free de recuperação de ficheiros mp4.



Fecharam ali um raio de 500 metros da Praça do Saldanha, e estava cheia de banquinhas de comida, bebida, tinha palcos com animação, zumba e essas cenas, tinha mesas de malta a jogar xadrez, tinha espaços para a criançada brincar e saltar, tinha famílias inteiras a passear, malta de skate, de patins de trotinetes, carrinhos de bebés, cadeiras de rodas, malta em muletas ou bengala, velhos e novos, grandes e pequenos, homens e mulheres, licrados com capacete e malta vestida casualmente em cima de uma bicicleta, uma babilónia!

Sobre as obras que agora, quase findam, eu tenho para mim que teve e tem algumas graves falhas de desenho e de implementação.

A vontade de fazer melhor pela mobilidade podia ter ido um pouco mais longe, mas como existe sempre uma grande dificuldade em mexer nas artérias com medo da opinião petrol-head ficou-se por esta corajosa mas tímida evolução. No caminho certo, mas ainda longe...

A ciclovia unidirecional à cota do passeio na Av. Fontes Pereira de Melo é um convite para ser invadida por peões, mais a mais que nalguns sítios ladeiam com a bonita mas pouco prática calçada de pedrinhas brancas.

E aqueles dois centimetros que separam a ciclovia do passeio são insuficientes para que os peões entendam que é outra via, mas perigoso para quem bate lá com a roda possa ter um desequilíbrio - hoje ia caindo, bolas!!

O percurso na praça do Saldanha, e a anterior na rotunda do Marquês, é de quem anda a passear de bicicleta e não para a mobilidade pois dá umas voltas sem sentido e tem intersecções desnecessárias. Quem usa a bicicleta para se deslocar vai continuar a andar na estrada, e isso vai criar inanimosidade pelos condutores automóveis que vão querer empurrar os "ciclistas" para as vias reservadas.

As intersecções e cruzamentos são perigosos, em Sevilha por exemplo não é a ciclovia que baixa à cota da estrada de trânsito rodoviário mas o contrário, obrigando assim os veículos motorizados a terem cautelas no atravessamento... aqui não se quis incomodar os condutores com essa precaução pelo que tem de haver sempre muito cuidado de quem rola para não ser apanhado por um veículo a fazer um "gancho de viragem".

Mas nem tudo é mau. Obviamente que apesar de algumas falhas e detalhes a corrigir/melhorar já se notava um aumento bastante grande de pessoas a circular de bicicleta. A semana passada, na terça, fui de bicicleta trabalhar em Lisboa e mesmo neste rigososo tempo invernal vi mais bicicletas a rolar que algum dia tinha visto. As infraestruturas trazem mais e mais pessoas... o caminho faz-se caminhando.

Quiça um dia haja coragem para tornar a Av. Fontes Pereira de Melo algo como estas avenidas de Sevilha, Bilbao ou de Edimburgo... haja esperança!

Sevilha... grandes tomates para fechar esta avenida ao trânsito e torná-la numa zona pujante de vida e de comércio!

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sevilha1.jpg

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Edimburgo... grandes tomates para fechar esta avenida ao trânsito automóvel e deixar apenas os transportes públicos e torná-la numa zona pujante de vida e de comércio!

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Bilbao... mais uma avenida cheia de vida e comércio, só com transportes públicos a serem permitidos.
bilbao.jpg



No entanto há uns que continuam a achar que está tudo mal e o camandro... iluminados lá da Luz!

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(nota: quais zonas de paragem é que existiam na Av. Fontes Pereira de Melo antes destas obras?! eram as passadeiras ou os passeios? - o video é do CDS Lisboa)

Sim... fechar as ruas a carros muitas vezes pode ser mesmo a melhor opção! Era bom é que fosse sempre e não apenas ao domingo! Haja esperança...

E não esquecer que este CDS parece apenas e só querer capitalizar votos... pois!

"CDS apoia buzinão contra obras em Lisboa"
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2016-05-10-CDS-apoia-buzinao-contra-obras-em-Lisboa

Esta foto foi tirada a 18 de janeiro de 2016... faz agora um ano!
Um novo túnel rodoviário por baixo do Saldanha??

IMG_20160118_165630.jpg

Eu não sou político, mas não sou apolítico...
Percebo bem quais são as pessoas e os partidos que defendem as políticas que eu acredito.
E quais são as que estão contra e defendem filosofias obsoletas de cidades.

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Intervenção na Rua Nova de Santa Cruz – Um presente armadilhado?

@ Braga Ciclável | 22/01/2017 às 9:00

Temas: [ Comunicado ] [ Opinião ] [ bicicultura ] [ Câmara Municipal de Braga ] [ CMB ] [ Nova de Santa Cruz ] [ Rua Nova de Santa cruz ] [ UM ] [ UMINHO ] [ Universidade do Minho ]

A Rua Nova de Santa Cruz, atualmente atravessada pela Avenida Padre Júlio Fragata, liga a Universidade do Minho à Rua D. Pedro V e, consequentemente ao Centro Histórico da Cidade de Braga. Esse conjunto linear de ruas é desde tempos imemoriais um importante eixo de mobilidade desta cidade, sendo que nos dias de hoje desempenha um papel singular na circulação de transportes coletivos e utilizadores de bicicleta entre o centro e toda a zona Este. O facto de ser o percurso mais direto entre o centro e a zona universitária, aliado a um volume de tráfego automóvel reduzido, com velocidades de circulação moderadas, permitiram aos ciclistas encontrar ali uma rota prática e relativamente segura para as suas deslocações diárias.

Desde 2012 que a Braga Ciclável defende que este eixo deve ser melhorado, por forma a promover os modos ativos e o transporte público, uma vez que é o eixo com maior procura quer pelos utilizadores da bicicleta e por quem se desloca a pé. Nomeadamente, consideramos que deve ser melhorado o piso da faixa de rodagem e dos passeios, e criadas condições para circulação em segurança de ciclistas em ambos os sentidos, ajustando a sinalização conforme necessário e implementando medidas efetivas de acalmia de trânsito. Adicionalmente, deverá também ser reposto o atravessamento de nível da Av. Padre Júlio Fragata, devolvendo assim à população a ligação direta entre os dois trechos da Rua Nova de Santa Cruz.

Foi por isso com entusiasmo e curiosidade que recebemos há dias a notícia de que a Câmara Municipal de Braga se preparava para intervir finalmente naquela rua. No passado dia 6 de janeiro, foi revelado, na escola Dr. Francisco Sanches, o projeto que começou há dias a ser executado e que deverá ficar pronto em cerca de 9 meses.

A apresentação não incidiu em todos os detalhes do projeto, pelo que é natural que algumas das nossas dúvidas e preocupações possam ter sido acauteladas pelos projetistas. Ainda assim, do que conseguimos perceber durante a apresentação, este projeto levará à existência de uma plataforma única entre a Rua da Fábrica e a Rotunda da Universidade do Minho. Isto é, ao longo de 700 metros a rua será toda ao mesmo nível, não havendo diferenças de cota. É útil lembrar que o perfil da rua é de 9,77 metros, o que permite ter passeios de 1,5 metros podendo os restantes 6,77 metros serem distribuídos para a utilização por parte de veículos.

De acordo com o que o Município apresentou aos comerciantes e moradores, esta plataforma única terá pavimento em betuminoso colorido para os peões (num total de 3 metros), uma ciclovia em pavimento betuminoso de uma outra cor com 1,5 metros de largura no sentido UM – Centro, estacionamento no lado direito no sentido Centro – UM e o restante espaço para circulação de veículos.

Fazendo contas, teremos sinalização horizontal que faz corresponder a 4,5 metros do perfil da via para modos ativos, 2,5 metros para estacionamento automóvel e… 4 metros e 26,9 centímetros de faixa de rodagem para os dois sentidos de circulação de automóveis, autocarros e bicicletas (não está prevista ciclovia no sentido Centro-UM, pelo que a circulação de bicicletas deverá realizar-se em coexistência com o tráfego motorizado, à semelhança do que acontece nas ruas D. Pedro V e de S.Vítor).

Alguém da plateia questionou qual seria o milagre para que tudo coubesse ali, uma vez que o Município pretende ainda que os transportes públicos continuem a circular em ambos os sentidos. Os técnicos responderam que tudo cabia, mas sem demonstrarem como. Disseram que se pretende que, ao circularem nesta via sem balizamento, os veículos possam circular em cima da zona destinada à ciclovia ou mesmo ao passeio. Uma verdadeira armadilha para peões e ciclistas!

Ao alargar o perfil da faixa de rodagem, sem introduzir elementos físicos que funcionem como barreiras ao aumento de velocidade e à realização de manobras de ultrapassagem perigosas, a tendência será para haver um aumento da insegurança para os utilizadores vulneráveis. Uma ciclovia sem delimitadores físicos é uma má solução, na medida em que será frequentemente ocupada por estacionamento ilegal ou, pior ainda, por veículos motorizados em circulação. Não servirá portanto o propósito de proteger quem se desloca de bicicleta, mas sim como mera forma de legitimar a prática de ultrapassagens ilegais e perigosas aos ciclistas, sem garantir que os veículos motorizados acautelem a distância lateral de segurança de 1,5m, imposta pelo Código da Estrada. Uma ciclovia que não cumpra a função essencial de proteger os ciclistas é uma ciclovia perigosa, uma armadilha que atrai ciclistas para um local que é mais perigoso que o resto da faixa de rodagem.

Partindo do princípio, defendido aliás pela CMB, de que é preciso dar prioridade aos peões, às bicicletas e aos transportes públicos, não deveria ser retirado o estacionamento automóvel e implementada uma via BUS+Bicicleta (3 metros) no sentido UM-Centro, mais uma via Banalizada (3 metros) no outro sentido, ficando o restante espaço (3,8 metros) reservado para os peões? Isso sim, seria dar prioridade aos peões (passeios mais largos), às bicicletas (via reservada no sentido UM-Centro e acalmia de trânsito) e aos transportes públicos (mais espaço de circulação para maior fluidez e via reservada no sentido UM-Centro).

Assim sendo, aquilo que nos parece é que vamos ter uma solução “bonita”, uma vez que tudo estará ao mesmo nível, mas que não será nada funcional. Prefere-se, portanto, a mera beleza à funcionalidade e segurança da rua. Pelo menos segundo a explicação pública fornecida, são estas as conclusões que tiramos.

Infelizmente, o que é certo é que o carro continua a ocupar todo o espaço que puder, e por isso teremos uma rua de nível cheia de automóveis estacionados, sem controlo. Sabemos que não será mais policiamento que virá resolver esse problema, porque não é possível ter um polícia por rua durante 24 horas e basta um minuto de estacionamento ilegal para estragar a funcionalidade da rua. E sabemos também, de experiências anteriores na nossa cidade, que não basta contar com o civismo e bom-senso dos condutores.

Numa cidade com mais de 20 000 lugares de estacionamento automóvel de superfície (dos quais apenas 1 000 são pagos), e em que a visão política dos seus dirigentes autárquicos reconhece a necessidade de reversão do uso do automóvel e incentivo aos modos ativos e ao transporte público, porque ainda se dá prioridade à criação de estacionamento automóvel, colocando em causa a circulação fluída e segura dos peões e dos ciclistas e até dos transportes públicos? Queremos uma Rua Nova de Santa Cruz renovada, sim, mas uma rua que funcione para todos e seja realmente segura para as pessoas que andam a pé, de bicicleta e de transportes públicos.

Todas estas preocupações foram expostas ao Vereador Miguel Bandeira na passada segunda-feira, dia 16 de janeiro de 2017, que assegurou à Braga Ciclável que ainda seria possível ajustar o projeto. 

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Mobilidade em Oeiras - a tal mentalidade...

@ Eu e as minhas bicicletas | 15/01/2017 às 20:07

Temas: [ bicicultura ]

Há algum tempo pedi via o portal "O meu bairro" da CM Oeiras, que é equivalente ao sistema "A minha Rua" de outras cidades, que colocassem uma série de passadeiras em cota alta de forma a melhorar a segurança na via pública quer pela redução da velocidade dos veículos motorizados quer pela capacidade de atravessamento para os utilizadores vulneráveis.

A resposta diz tudo sobre a mentalidade de quem desenha o espaço público...

passadeira.png

"Não foi aceite a proposta de criar passadeira e/ou passagem p/ bicicletas (a via é basicamente distribuidora de tráfego Portela-Miraflores, s/ edifícios c/ acesso direto, exceto junto rotunda do fogo. A guarda metálica evita atravessamento pedonal."

É que depois há "acidentes de viação" e não se sabe bem como estas coisas poderiam ser evitadas... só por magia negra, quiça.

IMG_20160819_184101.jpg

edp.jpg

"Esta situação está referenciada, estando a aguardar que o prestador de serviços da EDP Distribuição efetue a retirada da coluna derrubada. (NA 103451424 Inc.6958829)."


Noutra zona ali perto após um atropelamento de um peão numa passadeira também fiz outro pedido... em 2015.

E também depois do relato de um meu vizinho que também usa a bicicleta como meio de transporte e que me disse que com o sol de final de tarde os automobilistas ficam "cegos" e não nos veem nas bicicletas e quase que ia levando com um carro por trás nesta ligeira subida onde nós vamos em esforço lento e eles (os carro) em aceleração. É que só pessoas que eu conheço que usam a bicicleta passam ali 5 pessoas, excluindo eu obviamente.

1.jpg

"Pedido: Dada a velocidade dos veículos nesta zona e a existência de paragens de autocarros e muitos peões, será possível criarem uma passadeira com cota alta para forçar a redução de velocidade dos carros/motas. Há dias uma senhora foi atropelada na passadeira.
(...)
Resposta: Informamos que não foi autorizada a colocação/instalação de lombas."

Reforcei em 2016... explicando que não pedi lombas mas passadeira em cota alta.

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É que os técnicos inferiores da CMO nem sequer percebem o que é pedido, e não resolvem os problemas... se é assim tão difícil de mudar mentalidades se calhar o melhor seria mesmo mudar de técnicos e de executivo. É votar!
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Incompatibilidade Ciclável

@ Braga Ciclável | 15/01/2017 às 11:10

Temas: [ Opinião ] [ bicicultura ]

O ano começa já com eventos marcados! BTT, Downhill, Estrada, Ciclocross, Enduro, Triatlo, Passeios urbanos, etc.. Uns amadores, outros mais competitivos, outros já profissionais! Milhares de utilizadores da bicicleta saem à rua para pedalar…

  • Quantos utilizam a bicicleta em várias modalidades?
  • Quantos respeitam o facto de existirem várias modalidades?

  • Quantos respeitam o código da estrada?

  • Quantos conhecem o “novo” código da estrada?

  • Quantos defendem o uso obrigatório de capacete?

 Sim, as regras apontam para a obrigatoriedade do uso de capacete (PENSE 2020) e nós não achamos muita piada a isso! Cada utilizador deverá decidir o tipo de actividade que fará, sendo ou não necessário o uso de protecção (ões)! Não vamos colocar o capacete para ir comprar pão à padaria da tua rua, que fica a uns 500m de casa, por exemplo! Mas se formos para uma zona muito agressiva, a um ritmo elevado, em registo desportivo, recomendo capacete, luvas e até, em certos casos (mais agressivos) protecções de cotovelos, joelhos e cervical!! Isto também se aplica a qualquer utilização desportiva em bicicleta!

O facto de usarmos o capacete não vai mudar o comportamento dos automobilistas, não vai reduzir a velocidade dos mesmos, aumentar o respeito pelas regras de trânsito e eliminar as mortes na estrada! 

Deveríamos sim reforçar o reconhecimento das regras de trânsito e sensibilizar a partilha das vias entre todos os veículos, sem esquecer os transportes públicos, veículos para pessoas com mobilidade reduzida (triciclos e quadriciclos), veículos de transporte de mercadorias pesadas, veículos de instrução de condução, veículos agrícolas, entre outros veículos mais “lentos”, que “atrapalham” a condução mais rápida de certos automobilistas! Nunca nos podemos esquecer que dentro ou em cima de qualquer veículo há um ser humano, um peão!
Já pararam para pensar que o facto de andarmos de capacete poderá reduzir o número de utilizadores, que usam a bicicleta como meio de transporte? Imaginem que, devido a um conflito semelhante, resolvem obrigar os milhares de corredores (running) a usar capacete, ou a fazerem um seguro para correrem ao lado dos automóveis! Deixaremos de ter passeios para caminhar? As cidades serão apenas para estradas, em função do automóvel?

Esta é a minha reflexão para 2017…

BOM ANO!


(Artigo originalmente publicado na edição de 7/1/2016 do Diário do Minho)

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reciclando [27] pare, escute e olhe

@ na bicicleta | 13/01/2017 às 13:05

Temas: [ outras coisas ] [ bicicultura ] [ ciclismo ] [ ciclismo urbano ] [ fotografia ] [ opinião ] [ penso eu de que... ] [ reciclando ] [ segurança rodoviária ] [ Sua Alteza ]

Os semáforos visam regular o fluxo do trânsito, garantir a segurança dos peões, controlar limites de velocidade. Tanto faz se vamos de carro, de bicicleta ou a pé, os riscos de incumprimento são claros e quem já apanhou um susto a sério sabe que sim. Quem quer que seja que passe um semáforo vermelho num cruzamento coloca-se em perigo, expondo-se a um acidente. Apesar da cidade ser perfeitamente ciclável, está sobretudo feita e regulada para o tráfego automóvel. Uma vez inseridos no car doom, os ciclistas terão sempre de cumprir as mesmas regras, mesmo que por vezes as julguem inadequadas às bicicletas. É ponto assente que quem anda na estrada tem obrigações e, uma vez na bicicleta, se o semáforo está vermelho, no cumprimento da lei temos de parar.

cheiro de chuva
Abundam no entanto vários estereótipos sobre os ciclistas. Chavão, cliché, estereótipo, qualquer que seja o palavrão, há um preconceito generalizado sobre este grupo social. A característica frequentemente mais depreciativa é de que todos os ciclistas são uns incumpridores, uns “fora-da-lei”! Ainda para mais, com a aprovação da Lei 72/2013, que actualizou alguns artigos do Código da Estrada, tenho lido nas redes sociais das coisas mais aberrantes e incompreensíveis de que os ciclistas são acusados. Algumas pessoas, automobilistas ou não, têm sobre nós uma espécie de fobia doentia. Não nos querem na estrada e vêem-nos como todas as coisas más, ora porque estamos no caminho, ora porque somos uns incumpridores, ora porque representamos uma mudança, o que para eles parece ser difícil de aceitar. E o exagero é norma. Todos os estereótipos impõem exagero, é um elemento chave do preconceito, e daí até generalizar a coisa é um instantinho. Basta estar atento ao não tema da actualidade, obrigatório enfiar o capacete!

Sinceramente, compreendo o porquê de quem pedala não se sentir obrigado em determinadas situações a parar perante um sinal vermelho! Até porque muitos dos semáforos instalados nas cidades estão ligados mais para regular a velocidade dos veículos motorizados. O semáforo tornou-se o sinal vermelho de tudo o que há de crendice contra os ciclistas. E apontam o dedo à ignorância, demonstrando muito do seu carácter, pois perante o mesmo incumprimento, constantemente observado no comportamento abusivo dos automobilistas, estes desviam a conversa, devolvendo com o falso argumento da pretensa obrigatoriedade de um seguro para os ciclistas, de licenças para as bicicletas, de penalizações só porque há quem se atreva a usar corpo na mobilidade em pé da igualdade de direitos na estrada. Eu já ouvi e li isto, infelizmente demasiadas vezes, e isto é o que enfrentamos nas estradas todos os dias. É raro escutar um não ciclista discutir desafogadamente o papel da bicicleta na mobilidade sem ouvir esse chavão que os ciclistas são uns fora-da-lei. A aceitação dos factos faz com que as pessoas tenham razão para reclamar, mas afirmar que os ciclistas são todos uns bandidos que escapam impunes às regras da sociedade é ter a cegueira permanente do que vejo com muito maior frequência, ou seja, automobilistas a acelerar no amarelo para cruzar a intersecção sob o semáforo vermelho, colocando-se a si e aos outros num risco muito mais elevado.

Como qualquer pessoa que anda na rua pode atestar, os ciclistas não são diferentes dos peões ou dos automobilistas. Bem ou mal, o comportamento por eles adoptado é parte da mesma cultura urbana que observamos por todo o lado. “Achas que eu sou parvo, havias de me ver ali plantado!” Uma vez parado num STOP, após confirmar que a via está desimpedida e sem trânsito, perante a “via verde”, não correndo o risco de atrapalhar os peões numa passadeira, da mesma forma que os peões o fazem, porque não atravessar com cautela, continuando em segurança o seu caminho!? Outro exemplo, que sei legal em vários países, é a possibilidade de avançar sob o semáforo vermelho nas viragens à direita. Confesso que também cometo as minhas infracções e assumo que não sou exemplo para ninguém. Até corri o risco de ser multado por passar num vermelho enquanto pedalava! Valeu-me o facto de o agente da autoridade me ter visto parado no vermelho antes de eu decidir avançar e entrar na rotunda. “Sim, eu passei no vermelho, mas se não havia trânsito!” O polícia condescendeu. Não estou com isto a dizer que fiz bem e que todos o devam fazer, sei bem que o quão fraco sou como elo nesta via, mas o facto é que por vezes me sinto mais em perigo ficando ali, na pole position, à espera do arranque da manada motorizada. Mas o melhor é mesmo respeitar as regras do código de estrada ao máximo, cumprir o código para receber em troca alguma dose de compreensão de quem connosco partilha a estrada, evitando constrangimentos e prejuízos, principalmente para nós.

pare, escute e olhe


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Panteão

@ Lisbon Cycle Chic | 13/01/2017 às 9:02

Temas: [ Uncategorized ] [ bicicleta ] [ bicicultura ] [ Cycle Chic ] [ girl ] [ Lisboa ]

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can’t miss [169] oprojetopedal.wordpress.com

@ na bicicleta | 10/01/2017 às 9:00

Temas: [ can't miss it ] [ bicicultura ] [ capacete ] [ ciclismo ] [ ciclismo urbano ] [ coisas que leio ] [ motivação ] [ opinião ] [ outras coisas ] [ partilha ] [ sem tirar nem por ]

Concludente artigo de Pedro Silva sobre o não tema do momento…

Capacete obrigatório, sim, ou não?

É absolutamente inegável de que o capacete é uma peça chave na protecção da integridade física do ciclista e como tal este deve ser visto como obrigatório para quem recorre à bicicleta como forma de desporto, lazer, ou veiculo de transporte.

No entanto transpor da obrigação moral, para a obrigação legal poderá não ser de todo do interesse da comunidade ciclística.

O capacete e a mobilidade urbana.

É aqui que se apresenta o grave problema. Ao longo dos anos, tem-me passado pelas mãos diversos estudos sobre mobilidade urbana e estes são muitas vezes surpreendentes. Conclusões como: redução nos custos dos sistemas nacionais de saúde pela promoção do uso da bicicleta, melhoria no comercio tradicional através da alteração de artérias, eliminando a circulação de automóveis e promovendo a utilização pedonal e de bicicleta, aumento do valor de propriedades em cidades, etc… Poderia mencionar muitas mais, mas estas são as chaves, que contrariam o senso comum, de que o acesso automóvel beneficia a economia, mentira!

O ciclismo desportivo e de lazer, jamais poderá ser comparado com o ciclismo de mobilidade urbana, no entanto todos são caracterizados como “ciclistas”, todos estes modelos intervêm na sociedade de uma forma muito positiva e construtiva, mas devem ser vistos e tratados como segmentos e publico totalmente diferente.

Obrigar ao uso do capacete, seria castrar a mobilidade urbana e a promoção do uso da bicicleta em geral.

Se obrigar-mos alguém a usar capacete para se iniciar na bicicleta, as probabilidades são um enorme não à partida.”…

(Podes ler o artigo  completo em Projetopedal.com: https://oprojetopedal.wordpress.com/2017/01/10/capacete-obrigatorio-sim-ou-nao/#like-6147)

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ciclofilia [136] Biko Promo

@ na bicicleta | 9/01/2017 às 22:26

Temas: [ ciclofilia ] [ bicicultura ] [ boas ideias ] [ ciclismo urbano ] [ cidades ] [ coisas que vejo ] [ mobilidade ] [ outras coisas ] [ passe a publicidade ] [ video ]

“Biko es una app mobil que recompensa a las personas por rodar en bici por la ciudad.”


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