espalhando as boas ideias, partilhando as boas acções

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 17/11/2017 às 23:11

Temas: divulgação 127 bicicleta coisas que leio espalhando as boas acções espalhando os bons exemplos motivação outras coisas partilha passe a publicidade pasteleiras e vintageiras Sr. Almerindo Sub 954

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Uma fotografia tirada por acaso resultou num sorteio solidário. Tiago Costa quer restaurar uma bicicleta “toda chamuscada” e doar o dinheiro angariado ao sr. Almerindo, o antigo dono que perdeu tudo nos incêndios de 15 de Outubro

Texto de Renata Monteiro

Uma bicicleta estava estacionada nos escombros da casa, em Arganil, Coimbra. O telhado da habitação, completamente consumida pelo fogo, tinha caído em cima da bicicleta. Tiago Reis encontrou-a quando andava com o sr. Almerindo, dono da casa e da pasteleira, a ver os estragos de um dos incêndios de 15 de Outubro último. Estava junto “a uma série de peças de ferro que o senhor ia, talvez, tentar vender à sucata”, conta. Sem pensar muito, fotografou-a.

Tiago não sabe o último nome do vizinho. É amigo há muitos anos da família que também tem casa na aldeia de Vale do Moinho onde, naquele dia, arderam cinco casas, duas de habitação própria, recorda. O que também não sabia é que ao publicar aquela fotografia no Facebook estava na verdade a arranjar quem ajudasse o vizinho depois de este ter perdido quase tudo o que tinha para o fogo.

A ideia veio de outro Tiago, Costa, dono de uma loja de restauro de bicicletas do Porto, a Sub 954. “Nem ela [a pasteleira] escapou… Pergunta ao dono quanto quer por ela que eu salvo-a e penduro lá na loja! Pelas circunstâncias merece uma nova vida!”, comentou na publicação. “Amanhã pergunto-lhe!”, respondeu-lhe Tiago Reis. No dia seguinte, disse-lhe o que tinha dito o sr. Almerindo: “Não quero nada, ofereço-lha, pode levá-la.” E Tiago Costa não aguentou. “Estamos a falar de uma pessoa de 80 anos que perdeu tudo: casa, carros, animais e material agrícola. Ficou com um porco, um cavalo e uma pick up velha. Foi isto que ele conseguiu salvar”, diz ao P3, à volta de uma bicicleta que começa a ganhar vida nas suas mãos.

O plano inicial — quando perguntou o preço — era restaurar a bicicleta, vendê-la e doar o dinheiro a uma organização de apoio às vítimas de incêndios. Mas quando Almerindo disse que lhe oferecia a pasteleira, a causa tornou-se pessoal. Decidiu “deixá-la como nova”, tal como o planeado, para depois a sortear. A ideia é entregar a totalidade do dinheiro angariado — juntamente com ração para animais e outros bens essenciais (que não sejam roupa, mobília ou electrodomésticos, pedem) — ao antigo dono da pasteleira EFS.

Para isso decidiu vender 200 números, dos quais já só restam cerca de 50, a dez euros cada. O objectivo é surpreender o sr. Almerindo e entregar-lhe as doações, em Arganil, entre os dias 15 (o prazo para participar no sorteio) e 20 de Dezembro. Tiago Costa gostava que fosse o antigo dono da “bicla” a sortear o nome do vencedor, caso este aceite, em directo para o Facebook.

Noticia P3 (http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/24974/incendios-como-uma-bicicleta-ardida-pode-ajudar-o-antigo-dono)


 

escritinho* [7] ora…

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 15/11/2017 às 12:43

Temas: escritinho bike to work ciclistas urbanos do Porto coisas que vejo fotografia fotopedaladas frase do dia Matosinhos motivação musicol outras coisas Sua Alteza

devagar, devagarinho

(* sem tirar nem por)


 

can’t miss [182] jn.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 14/11/2017 às 12:45

Temas: can't miss it 1 carro a menos bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cidades coisas que leio mobilidade motivação noticia opinião penso eu de que... Porto testemunho

O Jornal de Notícias trás hoje publicado um excelente artigo de divulgação das diferentes mobilidades da cidade, no caso testemunhos de quem não anda de carro no Porto. Desmistificando algumas ideias preconcebidas de quem só utiliza o automóvel nas suas deslocações, para e do trabalho, quatro testemunhos demonstram com o seu exemplo que a utilização de outros meios de transporte (a correr, de trotinete, em skate ou de bicicleta) são não só mais saudáveis, ambientalmente sustentáveis, mais económicos, como ajudam a criar medidas na redução do grande fluxo e como enganam o congestionamento automóvel na cidade. De uma forma simples, provam como é possível tornar-se menos dependente do automóvel, podendo-se usufruir de uma cidade diferente, de uma cidade viva e moderna.

Fintar o trânsito de trotineta, bicicleta ou a correr

Deixam o carro em casa porque não querem enfrentar o trânsito. Poupam tempo, paciência e ainda subtraem na conta do final do mês. Na cidade do Porto, há quem escolha ganhar qualidade de vida na ida para o trabalho. Vão de trotineta, bicicleta, de skate ou a correr, para evitar o carro a todo o custo. São apenas 16,5% dos portuenses, face aos mais de 60% que continuam a usar o carro como meio de transporte. […]

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(lê o artigo completo em: https://www.jn.pt/nacional/reportagens/interior/fintar-o-transito-de-trotineta-bike-skate-ou-a-correr-8913194.html)

Já agora, e aproveitando a oportunidade desde postal, volto à minha cartilha e deixo o testemunho diário de um ciclista urbano:

“Optar pela bicicleta para o trabalho, para os afazeres diários ou para um simples passeio, tem se tornado mais popular entre as pessoas. No Porto e arredores, apesar de diversas dificuldades enfrentadas pelos ciclistas, os exemplos multiplicam-se a cada dia.

É o meu caso. Todos os dias, após o pequeno-almoço, saio de bicicleta para o trabalho. A saudável rotina de pedalar até ao centro da cidade, faça sol ou faça chuva, já dura há vários anos. A minha residência dista cerca de quatro quilómetros do meu local de trabalho e para chegar ao serviço levo aproximadamente 15 minutos, nas calmas. Além de poupar tempo, o uso da bicicleta tem outros inúmeros benefícios. Ao optarmos pela utilização diária da bicicleta para o trabalho, pensamos na nossa qualidade de vida, poupamos na carteira, contribuímos para o meio ambiente, e é menos um carro a circular na cidade. Ficar preso no trânsito, para além de um contratempo é burrice.

A minha escolha nem sempre é compreendida por algumas pessoas. Depreendo isso pela forma como alguns automobilistas me ultrapassam e viram à minha frente. Outros consideram que pedalar na cidade é bastante perigoso! Crêem que sou louco ao pedalar em dias de temporal! Além das actividades diárias na bicicleta, pedalo dezenas de quilómetros por semana por puro prazer. Acredito que se não fossem as dificuldades que enfrento muitas outras pessoas fariam o mesmo.

O número de automóveis que circula nas cidades aumentou muito. Os gestores municipais perceberam esse problema e olham agora para a bicicleta como uma opção válida de mobilidade. Bem ou mal, existem hoje mais ciclovias, há mais estacionamentos para bicicletas espalhados pela cidade, a legislação rodoviária reconheceu direitos à bicicleta e decretou deveres ao ciclista. Ainda há muitos buracos na estrada mas, mesmo assim, a pedalada vale a pena.”

 


 

Como estão as luzes da sua bicicleta?

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 11/11/2017 às 12:00

Temas: Opinião Bicicleta bicycle lights Braga lei luzes luzes na bicicleta pedalar na cidade refletores Segurança Victor Domingos

Com a chegada do Outono e a recente mudança para a hora de Inverno, deparamo-nos novamente com os dias mais curtos e a noite a chegar cada vez mais cedo. O que nos leva a reiterar o nosso conselho já habitual: por favor, usem sempre luzes e refletores nas vossas bicicletas, para vossa segurança e para segurança de todos!

A lei obriga a usar luzes à noite e em condições de pouca visibilidade, mas nestas coisas não é por obrigação legal que precisamos de agir – é mesmo para salvar a nossa pele. Andar de bicicleta sem luzes à noite ou de madrugada é um comportamento de risco, cujas consequências podem ser gravíssimas. As luzes da bicicleta, mesmo que não sirvam para iluminar o caminho, servem para sermos vistos no trânsito pelos outros condutores e, deste modo, prevenir acidentes.
E vale a pena lembrar que, mesmo que não tencione circular de noite, poderá surgir um imprevisto que obrigue a viajar a uma hora mais tardia ou com céu encoberto. As luzes e os refletores, juntamente com uma condução sempre atenta e defensiva, serão as suas melhores medidas de segurança.

Em qualquer loja de bicicletas, encontrarão à venda vários modelos de luzes para bicicleta, muitas delas até concebidas especificamente para uso urbano. Um bom conjunto de luzes faz todo o sentido, mas não tem de passar por um farol potente de BTT, daqueles que encandeiam e incomodam todos por quem passam. Para circular em zonas bem iluminadas da cidade, por exemplo, basta uma simples luz branca à frente e outra vermelha atrás (sem piscar, de preferência). De acordo com a lei, a bicicleta deve ter uma luz branca à frente e uma luz vermelha atrás, sendo que pelo menos a da frente deve ser fixa, ou seja sem piscar. As luzes podem ser a pilhas ou de dínamo, mas o importante mesmo é que funcionem bem e ajudem a ver e ser visto(a). Se usar luzes a pilhas ou de bateria, convém verificar se têm carga antes de sair de casa.

Os refletores, também eles obrigatórios, ajudam a tornar-nos visíveis para os outros condutores mesmo em situações em que as luzes não sejam suficientemente visíveis. O Código da Estrada estipula que devem ser utilizados dois refletores de cor âmbar em cada roda, mais um refletor branco à frente e um vermelho atrás.

Não há nada como usar diariamente a bicicleta como meio de transporte para todo o lado, seja para ir para o trabalho, para a escola ou universidade, para ir às compras, para tomar um copo com os amigos, ir ao teatro ou ao cinema, ou simplesmente para sentir a brisa fresca no corpo. Usando luzes e refletores, estamos a contribuir ativamente para que o possamos continuar a fazer por muitos mais anos.


(Artigo originalmente publicado na edição de 11/11/2017 do Diário do Minho)

 

O design adiado

Helena Gomes @ Braga Ciclável

Publicado em 8/11/2017 às 21:37

Temas: Opinião bicicletas Bicycle Network Bicycle Network Design Braga braga ciclável bragaciclavel Desenho da Rede Design Helena Gomes Novembro Rede Ciclável Revista Rua Rua

As cidades de hoje, se alguma vez quiserem ser cidades do futuro, têm de se desenhar de uma forma inteligente e ponderada. Braga, nos anos 80 e 90 fez exatamente o contrário e, até à data, ainda não se conseguiu reverter esse desígnio de cimento e tráfego. Há erros gravíssimos de design na nossa cidade que a levam ao terceiro lugar no que toca a cidades poluídas em Portugal – uma rodovia que se comporta como uma autoestrada, uma circular que deveria ser externa e que divide a cidade em dois, túneis que trazem o trânsito pesado ao centro da cidade -, estruturas que não podem ser demolidas de um dia para o outro, mas isso não pode servir de desculpa para a inércia e é isso que temos visto no que toca a Braga – um rol de boas intenções e bonitas promessas e muito pouco chegou às ruas da cidade.

Uma das primeiras regras do bom design é a identificação do problema e não me parece que o atual executivo olhe para o trânsito de Braga como um problema a resolver. Nos últimos anos fizeram-se estudos em cima de estudos, planos e reuniões, experiências pontuais nas semanas da mobilidade, mas, em quatro anos, vimos muito pouca ação. Se a primeira regra do design é a identificação do problema, a segunda, e mais importante, é a resolução do mesmo e a esse nível, as questões de tráfego em Braga em 2013 são exatamente as mesmas em 2017. Ainda temos, como em 2013, uma rede ciclável inexistente, os mesmos raros pontos de estacionamento de bicicletas, engarrafamentos às portas de todas as escolas, alta velocidade automobilística no centro da cidade, estacionamento caótico e uma rede de transportes públicos ineficiente. Tudo na mesma e longe daquilo que seria uma Braga do futuro.

Gosto de pensar que com tantos estudos e tempo para ponderar o problema, Braga terá um rede ciclável realmente bem desenhada, com intersecções que evitem a sinistralidade, que ligue os pontos estratégicos de forma a ser funcional, e não apenas a pista da moda, como tem ocorrido em tantas ciclovias das cidades portuguesas. Gosto de pensar que a rede ciclável desenhada pelo atual executivo terá como função alterar o paradigma de mobilidade da cidade, mas está na hora de pôr os planos em prática e não esperar mais uma legislatura para chegarmos ao futuro. É que o futuro, meus senhores, não é daqui a 20 anos. O futuro é hoje.

 

ciclofilia [142] Fabrico Nacional

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 8/11/2017 às 18:33

Temas: ciclofilia Órbita bicicletas bué de fixes boas ideias coisas que vejo em empresas e a bicicleta Fabrico Nacional filme motivação noticia outras coisas partilha passe a publicidade RTP

Episódio 11: Órbita

(para assistires ao filme, clica na foto ou no link: https://www.rtp.pt/play/p3511/e314628/fabrico-nacional)

Catarina Portas leva-nos a conhecer produtos que fazem parte da nossa história

Poderia ser uma visita guiada a um museu, mas é um percurso inesperado de descoberta por fábricas portuguesas com tantas histórias para contar. E onde Catarina Portas nos irá dar a conhecer os protagonistas desta história que ainda hoje se escreve dia após dia.

Em Fabrico Nacional vamos saber quando, como e porquê nasceu um negócio?

Como sobreviveu às vicissitudes da história geral e à herança pessoal?

Como se adaptou aos tempos?

Como combate hoje num mercado global?

São fábricas antigas com muitas histórias para contar: do seu percurso no tempo, da permanente resiliência, mas acima de tudo do atrevimento e do profissionalismo nos dias de hoje, onde ousam desafiar um mercado global e tão diferente do da sua origem.

Em Fabrico Nacional vamos conhecer quem somos, como somos e o que fazemos ao nível da indústria tradicional, que nos revela mais-valias extraordinárias nos tempos atuais.

Fabrico Nacional é uma série de 16 programas de 25 minutos onde, com a apresentação de Catarina Portas, conhecemos o passado, presente e futuro destas fábricas que fazem parte da nossa história e que são conhecidas e reconhecidas por várias gerações.


 

fotocycle [218] impressões

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 7/11/2017 às 12:46

Temas: fotocycle arte urbana bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto fotografia Hazul mobilidade motivação Porto street art Porto Sua Alteza Velo Invicta

Na bicicleta desfruto das ruas, das mesmas ruas que me guiam para o trabalho. Na bicicleta olho o Porto como uma cidade em movimento. Desvendo nas paredes da minha cidade a arte urbana que sai à rua. Arte provisória, tradicional e abstracta, camuflagem do desocupado e do decrépito. A pé e na bicicleta invado os recantos, apodero-me das paredes como as heras ou as mãos de um artista. Aproveito cada momento.


 

App Biklio: ir de bicicleta dá prémios

Ana Pereira @ Cenas a Pedal

Publicado em 6/11/2017 às 23:45

Temas: Ciência e Tecnologia Clientes e amigos Eventos Incentivos Indústria e Consumidor Notícias Pessoas Vantagens & Parcerias apps comportamentos empreendedorismo social

App Biklio, o que é e para que serve

Quem se desloca de bicicleta pela cidade tem que lidar com alguns desafios, como encontrar estacionamento adequado e prático junto dos seus destinos. 

Um dos maiores desafios de qualquer negócio, principalmente dos pequenos, é primeiro fazer-se conhecer pelo seu público alvo, e depois atraí-lo ao seu espaço/serviço, e finalmente fidelizá-lo. 

A app portuguesa Biklio, cuja tagline é bike with benefitsyou benefit the community, the community benefits you (“bicicleta com benefícios – tu beneficias a comunidade, a comunidade beneficia-te a ti”), visa abordar estes dois problemas e aproximar a realidade portuguesa do comércio de rua com a realidade dinamarquesa, por exemplo.

Como funciona a app Biklio

Está a ser criada uma comunidade Biklio de espaços comerciais bike-friendly em que, a troco de visibilidade e fidelização de clientes, quem se desloca de bicicleta até eles é recompensado com descontos e outras ofertas, além de facilidade de estacionamento público ou privado em muitos casos. Este vídeo ilustra a ideia da Biklio:

A app instalada no smartphone detecta se fomos de bicicleta e no final de cada viagem (de pelo menos 500 metros!) ficamos elegíveis para reclamar os nossos benefícios juntos dos parceiros aderentes. Assim, somos incentivados a optar por um espaço comercial da rede face a um equivalente não pertencente à rede. Por outro lado, os espaços comerciais ganham visibilidade juntos dos utilizadores de bicicleta aderentes à app Biklio e incentivam-nos ao oferecer-lhes vantagens exclusivas.

Benefícios comuns:

  • estacionamento privado
  • bomba de ar
  • ferramentas de emergência
  • poder encher a garrafa de água
  • descontos
  • ofertas

benefícios biklio nas lojas

benefícios biklio no velocité café benefícios biklio na organik

A minha preferida é a oferta da 2ª bola de gelado no atelier Gelati, perigosamente perto dos nossos estaminés de bicicleta – armazém e oficina, e escola) 😛 e numa zona agradável junto ao rio e livre de automóveis, no Parque das Nações.

benefícios biklio no atelier gelati

Além disso, os dados (anonimizados) gerados relativamente aos padrões de uso da bicicleta por parte dos aderentes (tal como no caso das bicicletas Gira do bikesharing em Lisboa), poderão melhor informar decisões de políticas públicas de mobilidade em bicicleta (quais as rotas mais usadas por quem anda de bicicleta, por exemplo, etc, muito mais úteis do que os dados de contadores fixos).

No meu dia-a-dia eu dou preferência a um sítio onde tenha estacionamento seguro e prático à porta, ou onde possa mesmo entrar com a bicicleta no estabelecimento, principalmente para coisas rápidas como ir ao banco, à Wink, ao supermercado, à farmácia, aos CTT, etc. E entre duas ofertas equivalentes, preferiria votar com a carteira em negócios que discriminassem positivamente quem vai de bicicleta [nomeadamente face a quem vai de carro, pois é isso que interessa], claro, não só por mim, mas pela minha cidade e por todas as outras pessoas que nela vivem.

As pessoas e o futuro da Biklio

A propósito de pessoas, pelo menos duas (as que nós conhecemos) das que estão por trás da app Biklio, o João Bernardino e o João Barreto, são utilizadores de bicicleta como meio de transporte quotidiano já de longa data, e cicloactivistas muito dedicados.

as pessoas da app Biklio as pessoas da app Biklio

Se eles conseguirem desenvolver a aplicação além do seu tempo de vida no âmbito do projecto europeu TRACE em que foi criada, poderão entrar no campo do empreendedorismo social, usando uma actividade comercial para atingir um fim social. Tal como nós na Cenas a Pedal! 🙂 Desejamos-lhes toda a sorte do mundo para levarem a Biklio tão longe quanto possível!

A propósito, a app Biklio foi considerada uma das 150 startups mais promissoras de Portugal pela StartUp Portugal, e irá estar a ser divulgada na Web Summit, com o objectivo de validar o modelo de negócio e angariar parceiros e investidores.

E agora, o que vais fazer com esta informação?

E não deixes de participar no Web Summit Side Event da Biklio, é na 5ª-feira dia 9 de Novembro, às 19h na cervejeira Dois Corvosusa a app e pedala até lá para teres direito a 1 cerveja!

Vais ter a oportunidade de ouvir falar sobre o potencial das apps para o crescimento do uso da bicicleta – entre os oradores estão pessoas de outras apps, como a Horizontal Cities e a vonCrank (uma app britânica para chamar um Bicycle Repair Man lá do sítio!).

Web Summit Side Event Biklio Happy Hour

 

O conteúdo App Biklio: ir de bicicleta dá prémios aparece primeiro em Cenas a Pedal.

 

da série: dona Etielbina vai para a aldeia [parte II]

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 3/11/2017 às 8:37

Temas: marcas do selim devaneios a pedais dona Etielbina Douro fotografia fotopedaladas longas pedaladas Lugar do Castelo motivação N108 outras coisas passeio

(continuação)

Com um brilhozinho nos olhos voltei às curvas da EN108. A velha estrada património liga-me a Frende, leva-me até ao Castelo, a um lugar de afectos, à aldeia dos meus avós, à terra da minha mãe. Assim que passei a barragem senti o vento quente que me batia forte. Lentamente, o sol foi expondo a agradável palete de cores que me iria acompanhar neste Outonão, ou Verono, como lhe queiram chamar! Eu sabia pró que ia. Sem qualquer senso de urgência, pela frente iria ter cinco a seis horas de pedalada para pouco mais de cem quilómetros, invariavelmente difíceis, constantemente contemplativos. Sabia também que depois de um Verão e Outono severamente secos (já choveu mas não o suficiente) a tristeza e revolta me iriam devastar os sentimentos. Na panorâmica pedalada ao longo da marginal do Douro, o trecho desde Rio Mau até Entre-os-Rios só me trouxe o cheiro a queimado e a vista enegrecida. Do que antes era verdejante e pleno de vida estava triste e inerte. Transposto o Tâmega, felizmente a paisagem retomou as cores naturais e os cheiros característicos.

Dona Etielbina não me perdoou. Parecia castigar-me por tê-la negligenciado, mas se o carrego e a roçadura me dificultavam a progressão, eu estava a borrifar-me para ela. Eu não tinha muita pressa! Parei sempre que tive vontade de fazer uma fotografia, de trincar uma bucha e encher o cantil. A excursão estava tão agradável que depois da Pala, onde o asfalto é mais custoso, sentia-me como que levado ao colo. As mudanças mais levezinhas da velha bina têm o benefício de me aligeirar o peso das pernas e de tornar o meu ritmo mais vagaroso e deleitado. Especialmente na parte onde se suam bem as estopinhas, aproveitei cada bocadinho de chão. O ciclismo através de lugares tranquilos, estradas desertas, num mundo de paz e silêncio, sem nenhum horário para cumprir, é retemperador. Mas as nádegas exigiam uma trégua e o selim aproveitou, ou terá sido ao contrário!? Propositadamente, planeei a já tradicional paragem na mercearia de Dona Mariazinha. Comprei-lhe duas bananas, que foram comidas ali mesmo, pusemos a conversa em dia, de como vai a vida, enquanto saboreava o inevitável copinho de Moscatel. E claro tirei a fotografia da praxe, sentado à porta, no relaxe.

A manhã estava longe de acabar e o ciclista teria ainda muito que pedalar. Sozinho, enfrentando a lestada que soprava cada vez mais forte, continuei a rodar os pedais ao longo da mesma estrada, a subir e a descer, a curtir e a viver… quando sou abruptamente interrompido do meu devaneio porque um saco plástico trazido pelo vento se enrolou na corrente e não queria sair. Prontes, lá se foi a delicada afinação que Mister Barbosa a tinha deixado. A partir daqui Dona Etielbina teve uma mudança de humor, algumas mudanças saltavam e rangiam, mas aqui o ávido ciclista não se importunou com a mudança de ritmo e continuou a impulsionar os pedais. Parou e fotografou, pedalou e reclamou, parou e almoçou. Chegou lá como um passageiro de uma viagem captadora de todas as emoções.

Após reviver momentos inesquecíveis juntos, deixei a velhota na sua nova moradia, lar doce lar, confortável na sua reforma dourada, preparada para me receber, com ela descer ao rio, me esgueirar por estradas e estradões desertos, me transportar pelo fascinante mundo das montanhas, me ajudar no enquadramento das fotografias, me levar a ver paisagens, sentir os cheiros, os sabores, as subidas, as descidas, os trilhos, as pessoas… A mui antiga, ogre e sempre leal Dona Etielbina vai ficar por ali, disponível, à minha espera, sempre que eu volte a um Lugar que tem um lugar reservado no meu coração.

Depois fui apanhar o comboio.


 

UauBike TALK // Cyclehack

@ CycleHack Lisboa 2017 | Design, build, prototype, test

Publicado em 31/10/2017 às 19:29

Temas: cyclehacklisboa aveiro cyclehack

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Na sequência do gentil convite da Universidade de Aveiro, fomos lá no dia 25 de Outubro partilhar a nossa experiência de organização de duas edições do Cyclehack. Foi uma tertúlia muito participada e cheia de intervenções. Acho que em 2018 Aveiro junta-se à rede de cidades cyclehackers! :-)

 
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