bikeroll, planeando rotas de bicicleta

@ na bicicleta | 26/04/2017 às 10:01

Temas: [ bicicultura ] [ bikeroll ] [ ciclismo ] [ ciclismo urbano ] [ cicloturismo ] [ coisas que inventam ] [ mobilidade ] [ outras coisas ] [ partilha ] [ planeamento rotas de bicicleta ]

“Olá Paulo,
My name is Botond Bocsi and recently I came across your blog nabicicleta.com
The reason I contact you is that a few month ago I created a simple bike route planning website (https://bikeroll.net) and now I am looking for ways to tell the world it exists. It is completely free, no ads, no hidden costs, its purpose is really just to make cycling more popular and more fun.
[…]
It is completely free, there are no hidden costs, no different user plans, and no ads.
It has a simple, intuitive interface designed to make planning a bike route as easy as possible. The creation of BikeRoll was motivated by the fact the existing apps are unnecessarily complicated.
It has a suggestive color-coded elevation profile that makes easy to understand how difficult are some parts of the planned routes.
The planned routes can be saved and accessed any time.
It can be used for real-time tracking on smartphones from the browser (no app is required).
Instant weather support that tells you the forecast on the planned route for a couple of days.
It can be used on multiple languages (not yet Portuguese until I find someone who can translate it :).
[…]
Tchau,
Botond”
.

Há dias recebi este atencioso e-mail dando-me conta da existencia de um novo site de planeamento de rotas, o bikeroll.net. Estive a testá-lo e logo à partida fiquei fã. É muito simples e funcional. Como diz o autor “é totalmente gratuito, sem anúncios, sem custos ocultos, o seu propósito é apenas tornar o ciclismo mais popular e mais divertido”.

Ao indicarmos o local de partida e o destino, o programa escolhe o trajecto mais curto, o que não é necessáriamente o precurso mais bonito ou o mais interessante, mediante a opção do tipo de bicicleta, de estrada ou de montanha. Tem um grápico de elevação bem sugestivo, com as pendentes codificadas por cores, que facilita a compreensão e antevê a dificuldade do percurso. Outro promenor muito interessante é o suporte instantâneo da previsão do estado tempo, por alguns dias, da rota planeada.

Fiz aqui uma experiência planeando uma rota que cumpro variadas vezes. Foi-me proposto pelo site  o precurso mais directo, embora eu prefira o precurso mais longo e o mais suave, pela beira rio e beira mar.

O site terá ainda alguns aspectos a melhorar, por exemplo falta-lhe a versão em português. Acho que está bem construido, é uma interface bastante simples e de utilização intuitiva, projetada para tornar o planeamento de uma rota de bicicleta tão fácil quanto possível. Recomendo.

 

 


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Passeio de bicicleta pela ecopista de Évora

@ Viagens a Pedal | 25/04/2017 às 23:19

Temas: [ campismo ] [ Famílias e crianças ] [ férias ] [ Multimodalidade ] [ relatos ] [ rotas e destinos ] [ vídeos ] [ bicicultura ] [ comboio ] [ crianças ] [ ecopistas ] [ Évora ] [ famílias ] [ multimodalidade ] [ viagens ]

Aproveitámos a pausa da Páscoa para ir dar um passeio de bicicleta pela ecopista de Évora:

A equipa desta escapadinha era pequena (e boa!), 3 adultos, 2 crianças (8 e 11 anos) e 1 cão.

Porquê Évora para uma ciclo-escapadinha?

Queríamos ir conhecer mais uma ecopista (porque é sempre fixe, claro, e também para a incluir num dos passeios da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal), e a escolha recaíu sobre a de Évora porque:

Assim conseguimos um bom equilíbrio entre tempo e custo de deslocação e tempo de usufruto no local, para um orçamento de 3 dias.

A viagem de comboio

Para nós a viagem começou em Santa Apolónia, onde apanhámos um Urbano para a estação de Oriente – o bilhete do Intercidades permite fazer esta viagem gratuitamente por isso comprámos logo os bilhetes em Santa Apolónia.

A linha do Intercidades para Évora não tem ganchos para levar as bicicletas, pelo que tivémos que semi-desmontá-las e embalá-las (como fizémos na viagem para a ecopista do Dão). Isto acrescenta mais uns 45 min de preparação descontraída (30 a acelerar!) para embarcar e depois, uma vez desembarcados, outros 45 min para zarpar.

Para a próxima perguntaremos ao revisor se podemos pô-las na carruagem-bar, desactivada nesta linha, assim poupamos hora e meia de descarrega-desmonta-embala-desembala-monta-carrega – grande dica (a posteriori!) do Gonçalo P. da Cicloriente).

A estadia em Évora

Em Évora, e depois da tal logística, arrancámos da estação para o parque de campismo, onde montámos campo e almoçámos. Depois de uma soneca fomos dar uma volta pela cidade, e passar no supermercado a abastecermo-nos do que faltava.

No dia seguinte, levantámo-nos nas calmas e arrancámos para um passeio pela ecopista.  A entrada da ecopista é super-discreta, e não digo isto como um elogio, aquilo merecia um pouco mais de destaque!

Passeio de bicicleta pela ecopista de Évora

A primeira parte, mais na malha urbana, é pavimentada. Depois entramos no campo! 🙂 É aqui que começamos a ter a ecopista só para nós. Pelo caminho encontrámos cavalos, ovelhas e vacas.

Parámos para almoçar quando encontrámos um sítio à sombra e com espaço para estendermos as mantas. Isto é algo que poderia ser melhorado, haver espaços para descansar, à sombra, a intervalos regulares, e devidamente mapeados. Depois voltámos para trás, para garantir que toda a gente do grupo tinha energia para voltar à base. 😉 Ficou muita ecopista por conhecer, dá para encher outra visita.

No dia seguinte ficámos pelo parque de campismo, na piscina, a ler, a brincar, e a levantar e arrumar o estaminé para arrancarmos no comboio das 17h.

O equipamento

O Bruno levou a Surly LHT em vez da Big Dummy porque esta última não caberia no Intercidades. Assim, o transporte da Mutthilda foi novamente o cesto (ela parece dar-se melhor com a caixa transportadora presa ao deck da longtail, mas temos que nos adaptar!). Eu levei a minha LHT também, e experimentei um novo suporte dianteiro, mas o júri ainda está em deliberação – o lowrider é capaz de ser melhor para esta aplicação, peso fica mais em baixo e isso pareceu fazer diferença. O Rui levou a Dahon (dobrável) com o atrelado/trolley Burley Travoy para a carga, o que permitiu levar o equipamento e bagagem de toda a gente numa só carruagem do comboio.

Correu tudo lindamente, apanhámos um tempo fantástico, a ecopista valeu bem o dia. Foi uma bela escapadinha!

Todas as fotos aqui.

O conteúdo Passeio de bicicleta pela ecopista de Évora aparece primeiro em Viagens a Pedal.

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Dar A Volta (ao uso da bicicleta)

@ Lisbon Cycle Chic | 24/04/2017 às 11:02

Temas: [ Uncategorized ] [ bicicleta ] [ bicicultura ] [ Cycle Chic ] [ Dar A Volta ] [ Parceria ]

Aproveitando o mote dos 90 anos da Volta a Portugal em Bicicleta, surge esta iniciativa fantástica de repetir o percurso original, com o objectivo de promover a bicicleta como meio de transporte. Mas esperem lá, a volta não é um evento desportivo? E não continua a acontecer todos os anos, com centenas de atletas todos equipados da cabeça aos pés? o que é que isso tem a ver com Cycle Chic?

O meu apoio a esta iniciativa percebe-se neste texto:

O Objectivo

Implementar o uso da bicicleta como meio de transporte pessoal.
Promover a atividade física e a saúde através do incremento da mobilidade ativa.
Criar a referência para uma grande rota nacional e internacional de turismo ativo contribuindo para o desenvolvimento do país e promoção da coesão territorial e social.
Promover a intermodalidade de transportes públicos e bicicleta.

 

Ou seja, 1927 a volta era para atletas, em 2017 é para todos! Dividida em 18 etapas diferentes, esta volta é para ser feita com calma. Em 18 dias diferentes e bem separados, com muito descanso e sem pressas.

Começa já esta quarta-feira, dia 26 de Abril. Vamos “dar a volta”?

 

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notícias requentadas

@ na bicicleta | 24/04/2017 às 10:25

Temas: [ divulgação ] [ 1 carro a menos ] [ benefícios das pedaladas ] [ bicicultura ] [ boas ideias ] [ Braga ] [ ciclismo urbano ] [ ciclovia ] [ coisas que leio ] [ comércio ] [ Lisboa ] [ mobilidade ] [ motivação ] [ noticia ] [ outras coisas ] [ salvavidas ]

Bicicleta é mais benéfica para a saúde do que caminhar

“Um estudo levado a cabo durante cinco anos por uma equipa de cientistas, no Reino Unido, concluiu que ir de bicicleta para o trabalho pode reduzir o risco de doenças cancerígenas e cardíacas.
Segundo um estudo publicado no “British Medical Journal“, pedalar cerca de 50 quilómetros por semana contribui para a prevenção de doenças cancerígenas e cardíacas.
Os cientistas concluíram ainda que a bicicleta é mais fácil de introduzir numa rotina diária do que ir ao ginásio, por exemplo, e é mais benéfica para a saúde do que caminhar.
“Isto é uma prova clara que as pessoas que vão para o trabalho de forma ativa, especialmente de bicicleta, correm menos riscos de saúde”, disse à estação britânica “BBC” Jason Gill, um dos investigadores.
No mesmo estudo, que contou com a participação de 250 mil voluntários, as pessoas que alternaram entre a bicicleta e os transportes públicos também revelaram melhorias de saúde.”

(fonte: jn.pt/mundo/interior)

Ir às compras de bicicletas dá descontos no comércio do centro

“O repto é lançado pelo Pelouro do Ambiente do Município e pela Associação Comercial de Braga (ACB): ‘Venha de bicicleta às compras ao centro e obtenha descontos nas lojas aderentes’. O estacionamento não é preocupação, na medida em que foi reservada uma área para o efeito junto a cada uma das 45 lojas aderentes.
A iniciativa designa-se Semana da Bicicleta e arrancou ontem, precisamente no Dia Mundial da Bicicleta, prolongando-se até 26 de Abril.
Em termos práticos, quem se deslocar de bicicleta às lojas aderentes, devidamente identificadas com um dístico alusivo à Semana da Bicicleta, beneficia de descontos entre 10 a 20%.” […]

(ler artigo completo: correiodominho.com/noticias)

Património. Uma bicicleta, 11 quilómetros e mil histórias sobre Lisboa

“O i fez-se à ciclovia para um tour criado para mostrar as transformações da cidade à beira-rio. É por isso que nunca deixamos de ter água na margem esquerda deste passeio que começa em Santa Apolónia e termina em Belém
Habituado a levar turistas a conhecer Lisboa, Luís Maio teve apenas de trocar o estímulo dado às pernas, habituadas a calcorrear a cidade. Em vez de subir e descer colinas a pé, hoje é dia de pegar na bicicleta e seguir a direito, sempre ao lado do Tejo.
O percurso, criado pela Europcar para assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, foi pensado de forma a mostrar as transformações de Lisboa à beira-rio. “O rio serve como uma espécie de fio condutor”, explica, justificando o porquê de o percurso começar em Santa Apolónia. “É o sentido natural, até porque o crescimento de Lisboa se fez do rio para o mar”, acrescenta. Sabemos, por isso, que o tour terá como ponto final Belém, onde o Tejo já está mais perto de ser mar e onde os 11 quilómetros são suficientes para aquecer uma manhã já por si de 30 graus.” […]

(ler artigo completo em: ionline.sapo.pt)


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fotocycle [206] primaverão

@ na bicicleta | 20/04/2017 às 11:53

Temas: [ fotocycle ] [ 1 carro a menos ] [ bicicultura ] [ bike to home ] [ ciclismo urbano ] [ devaneios a pedais ] [ devaneios apeados ] [ fotografia ] [ momento zen ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ Parque da Cidade ] [ Porto ] [ testemunho ]

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Esta agradável temperatura dos últimos dias resulta de um raro fenómeno climatérico, mais natural do estio. Ontem estava uma tarde de Abril convidativa e de novo alterei o meu percurso pós-laboral. Temperaturas superiores a 25 graus, vento quente soprando pelas costas me empurrava a pedalada numa cadência relaxada em direcção à Foz. O mar e o ar estavam perfeitos para que fosse este o primeiro dia de praia do ano, mas eu estava desprevenido, sem calções nem toalha de banho. Continuei a pedalada relaxada, saí da margem e entrei no campo. A beleza de um lugar como o Parque da Cidade não é restrita aos confins da cidade. Desvio-me do caminho e da sombra das árvores para me deitar onde brotam flores silvestres. Não porque me sinta cansado, mas porque quero ser atingido pelo calor do ar, cozido neste solário e encher os pulmões de perfumes. Fico ali deitado por alguns minutos, sonhando acordado, num pensamento libertador. Aproveito cada momento… Ao sul de mim, nuvens negras se formam e o vento amplifica. O clima vira tropical. Volto a casa sob clarões, trovões e folhas verdes a voar. O “primaverão” está no ar.


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Passeios de bicicleta mais inclusivos

@ Escola de Bicicleta | 20/04/2017 às 11:13

Temas: [ De bicicleta com crianças ] [ Recreio ] [ bicicultura ] [ coração amarelo ] [ inclusão ] [ passeios ] [ recreio ]

No final do ano passado lançámos na Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal a modalidade do Recreio, que consiste em passeios de bicicleta mais inclusivos do que a oferta típica.

Fizémo-lo a pensar nas necessidades dos nossos alunos e ex-alunos, bem como de outros principiantes,  pessoas que retornam à bicicleta depois de décadas afastadas, e famílias com crianças. (Embora quaisquer outros interessados em desfrutar de um passeio descontraído sejam bem-vindos!)

O objectivo é proporcionar-lhes um contexto compatível com o seu nível de habilidade, e amigável, onde possam desfrutar da bicicleta sem stress, conhecer rotas (e pessoas) e ir praticando as suas competências, sempre com companhia e apoio. Queremos evitar que desistam da bicicleta por ficarem intimidados pelos passeios colectivos tradicionais ou com a perspectiva de se fazerem à estrada sozinhos.

E como não se pretende permanecer para sempre no estado de principiante, a ideia é promover também passeios ou excursões para introduzir as pessoas a passeios mais elaborados ou até viagens de 2-3 dias.

 

Passeios de bicicleta mais inclusivos

Entretanto, alguns destes passeios (os de Nível 1) são ainda mais inclusivos, porque têm os triciclos do projecto “Envelhecer em Cidadania”, da Coração Amarelo, nossa parceira, à disposição para quem quiser participar com um amigo ou familiar que não possa pedalar a sua própria bicicleta. A participação de ambos é gratuita.

 

passeios de bicicleta mais inclusivos com os triciclos da Van Raam

 

Há 4 rotas para estes passeios de bicicleta mais inclusivos, todos a partir de Belém (onde estão guardados 2 dos triciclos), e todos adequados a principiantes e famílias. São mesmo para quem ainda não se sente muito confiante mas quer corrigir isso e começar a desfrutar da bicicleta no processo.

 

Para terem uma ideia do que são estes triciclos e do que permitem, vejam este vídeo:

 

 

Os triciclos são muito confortáveis para o passageiro, mesmo em piso irregular (têm supensão dianteira), e bastante estáveis e fáceis de conduzir. Nós sabemos, já os testámos!

 

 

»» Neste próximo sábado, dia 22 de Abril às 14h30, teremos mais um destes passeios inclusivos, este vai levar-nos de Belém até Caxias, e de volta, junto ao rio. As inscrições fecham amanhã! ««

 

De notar que os interessados em levar o avô ou a avó a passear nestes triciclos o podem fazer fora do contexto destes nossos passeios, basta contactarem com antecedência a Coração Amarelo, a combinar, e eles enviam um voluntário!

Para receberem a agenda de passeios, eventos, workshops, etc, subscrevam a nossa newsletter mensal. De resto, podem seguir a agenda no Eventbrite e no Facebook da Escola de Bicicleta, ou no Facebook geral da Cenas a Pedal.

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Capacetes para ciclistas: uma revisão das provas.

@ MUBi | 18/04/2017 às 16:39

Temas: [ artigo ] [ destaque ] [ bicicultura ] [ capacete ] [ Cycling UK ] [ informação ] [ MUBi ] [ segurança rodoviária ]

A Cycling UK (www.cyclinguk.org/), venerável instituição de defesa dos ciclistas no Reino Unido, com quase 140 anos de história, fez uma compilação da informação sobre capacetes, eventuais benefícios e problemas que decorrem de leis que obriguem à sua utilização.

A MUBi fez uma tradução muito fiel ao original, com alterações mínimas, e um resumo [...]

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carro vs. bicla, quem ganhou?

@ na bicicleta | 18/04/2017 às 12:00

Temas: [ 1 carro a menos ] [ bicicultura ] [ carrocultura ] [ ciclismo urbano ] [ ciclistas urbanos do Porto ] [ devaneios a pedais ] [ fotografia ] [ mobilidade ] [ motivação ] [ opinião ] [ outras coisas ] [ Porto ] [ segurança rodoviária ] [ testemunho ] [ Tripas ]

Na cidade, quem opta por se deslocar de carro justifica a sua preferência por critérios pessoais: o conforto, a segurança e rapidez que supostamente esse veículo lhe confere em relação a outros meios de transporte. Mas será que é mesmo assim!? Pode a opção do automóvel ser vantajosa face às outras formas de mobilidade urbana em curtos percursos? De novo, e sem nenhum esforço, no cumprimento rigoroso do Código de Estrada, provei que não é tanto assim. E, mais uma vez, o “desafio” proporcionou-se com toda a naturalidade: Carro vs. Bicicleta, Ferrari 360 vs. iNBiCLA Tripas, a lebre e a tartaruga.

Depois do expediente tenho o privilégio de diversificar o meu percurso para casa. Quando tenho tempo, e o tempo me convida, alongo-me em frouxas pedaladas pelo Douro, pela Foz, pelo Parque da Cidade, até casa. Semana passada, na minha voltinha anti-stress, deixo a ciclovia e coloco finalmente as rodas no Circuito da Boavista na Avenida da Boavista. Estou parado no semáforo vermelho e ao meu lado pára um cavallino rampante! Não resisto e tiro uma foto dos dois na pole position.

Cai a luz verde e, é claro, o Ferrari não me deu a mínima chance no arranque, e lá foi a roncar avenida acima. Uns minutos e centenas de metros mais à frente, no cruzamento da Fonte da Moura, dei com ele igual a tantos outros da mesma espécie, parado e preso a um semáforo vermelho! Valha a verdade que não é todos os dias que ultrapasso um super carro, daqueles que normalmente alguns futebolistas presunçosos gostam de exibir. Espero de novo a abertura do sinal e viro à esquerda para a Avenida Dr. Antunes Guimarães. No semáforo seguinte volto a parar no vermelho e espero. Entretanto sou surpreendido de novo pelo ronco da máquina! Seguíamos a mesma direcção! Nova oportunidade para uma foto. Encosto a Tripas e espero. Dois quilómetros e cinco minutos depois do primeiro encontro, passa finalmente o bólide a cuspir fogo!

O “desafio” não teve cunho científico, mas serve para mostrar que não é um carro de cento e muitos milhares de euros que enfrenta as diferentes situações modais no trânsito citadino e faz frente a uma reles bicicleta de uns trocados. Acabo apenas por aproveitar mais esta situação, vivida com um rasgado sorriso, querendo simplesmente demonstrar que usar a bicicleta na cidade é mais eficiente e traz vantagens em relação a quem usa um automóvel, qualquer que ele seja, mesmo sem ter considerado a ocupação do espaço urbano, a poluição atmosférica, a emissão de ruídos…

Fica aqui a prova (mais que provada). Ganhou a Tripas 😛


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Na estrada ou na cidade, os carros são uma arma

@ Braga Ciclável | 15/04/2017 às 18:36

Temas: [ Opinião ] [ arma ] [ Armas ] [ Bicicleta ] [ bicicultura ] [ carros ] [ Diário do Minho ] [ Helena Gomes ]

Decorreu no final do mês passado (Março) em Malta, uma conferência ministerial organizada pela presidência da União Europeia sobre Prevenção Rodoviária e os números, embora apresentem melhorias em relação a anos anteriores, ainda mostram uma enorme mortalidade rodoviária por toda a Europa. 25 mil pessoas perderam a vida em acidentes rodoviários em 2016 no espaço europeu e 135 mil ficaram gravemente feridos. Em Portugal morreram 54 pessoas por milhão de habitantes e 37% das vítimas perderam a vida nas zonas urbanas – isto é mais de 9mil cidadãos europeus e cerca de 200 portugueses perderam a vida em acidentes rodoviários em 2016 dentro das cidades. Quem mata, nas estradas e nas cidades, são os carros. Habituamo-nos de tal forma à sua utilização que nos esquecemos que pesam uma tonelada e que, mesmo a uma velocidade reduzida, o seu impacto facilmente acaba em fatalidade.

As cidades não são feitas para os carros. As cidades são feitas para as pessoas. E Braga, infelizmente, ainda não parece ter percebido isso. Temos rotundas e vias rápidas e ruas que mais parecem autoestradas a atravessar a nossa cidade e novas promessas eleitorais para prolongamentos de túneis que custam uma fortuna. E não temos soluções seguras para que os bracarenses optem por meios transporte suaves.

No final da conferência, os ministros com responsabilidade no sector dos transportes (Portugal foi representado por Jorge Gomes, secretário de estado da Administração Interna) comprometeram-se a (entre outras coisas) a reduzir a mortalidade em 50% até 2020 e “ter particular atenção à mobilidade em bicicleta ou a pé, promovendo a integração da temática nos planos de mobilidade, políticas e medidas de ação de segurança rodoviária e, sempre que possível, promover a construção de infraestruturas dedicadas”.

Se por um lado temos de esperar que as autoridades locais abracem a criação de estruturas para a mobilidade em bicicleta em Braga (e pressionar para que elas o façam o mais rapidamente possível), também temos, nós cidadãos, de começar a pensar duas vezes antes de tirar a arma de uma tonelada da garagem para passear no meio das pessoas.


(Artigo originalmente publicado na edição de 15/04/2017 do Diário do Minho)

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Flèche Minho, na mouche

@ na bicicleta | 12/04/2017 às 11:15

Temas: [ marcas do selim ] [ bicicultura ] [ cicloturismo ] [ devaneios a pedais ] [ Flèche ] [ fotografia ] [ fotopedaladas ] [ iNBiCLA ] [ longas pedaladas ] [ motivação ] [ passeio ] [ randonneur ] [ roda de amigos ] [ Tripas ]

Decidido a cumprir a minha terceira Flèche, um dia inteiro combinando os prazeres das pedaladas com as exigências do ciclismo de longa distância, respondi afirmativamente ao desafio do Manuel Miranda e fui tentar concluir com êxito esta aventura pela segunda vez. Escolhido o mesmo roteiro que fizemos há três anos, sábado passado bem cedinho juntei-me ao Luís, vindo de Amarante, e ao Óscar, oriundo de Tomar, para irmos de popó ao encontro do Miranda, em Esposende. De lá para o topo norte lusitano, tivemos a amabilidade de uma boleia numa carrinha espaçosa para quatro randonneurs e quatro biclas.

O départ estava marcado para S. Gregório, em Melgaço, um cantinho no norte lusitano com um fuso horário estranho. O lugarejo pouco mudou desde então. O Café Coelho continua sem o carimbo necessário para borratar o primeiro quadrado do cartão brevet. Para fazer prova da nossa presença, serviu um talão da máquina registadora que ainda estava no horário de inverno! O padeiro não entrega o pão a tempo e horas, e o roamming de nuestros hermanos impõe a sua força. Ultimados os preparativos e afinadas as máquinas, não poderia haver melhor diversidade de montadas: a bela titânica Linskey do Miranda, a resistente Bianchi de alumínio do Óscar, a levezinha Orbea em carbono do Luis e a minha peso-pesado Inbicla Tripas, durinha com’o aço.

“- Mas o que é isso da Flèlche?!”, perguntam vocês e muito bem. As Flèches são um evento velocipédico, social e não-competitivo, onde ciclistas que habitualmente participam nos Brevet Randonneur Mondial, têm mais uma oportunidade de pedalar em conjunto. As “Flèches Portugal” têm origem em diferentes locais de saída, são percorridos por várias equipas de randonneurs que se dirigem rumo a um local de chegada comum, em Coimbra. Estes eventos decorrem segundo o padrão estabelecido para as Flèches Vélocio organizadas pelo Audax Club Parisien. Formada a equipe, são os seus elementos (de 3 a 5) que escolhem uma rota superior a 360 km’s, propõem os postos de controlo a cumprir durante vinte e quatro horas de pedalada em completa autonomia. Chegar é a meta, e na meta o prémio é um prato de massa servido à roda com todos os companheiros de estrada. Depois do almoço, metem-se as bicicletas no comboio e regressamos a casa. Resumindo é isto, mas é claro que algumas peripécias aconteceram nestas 24 horas de pedalada.

Às 10 horas em ponto (ou 11h nos nossos telelés) a bem-aventurada equipa Flèche Minho dava tranquilamente o arranque para um dia inteiro de viagem. Rodamos o pedal e descemos em ritmo relaxado para Melgaço, Monção, terras do genuíno Alvarinho, aproveitando a bela manhã de sol, o ar puro e fresquinho misturado com a paisagem minhota e os odores do campo. Um par de horas depois, cumpríamos o primeiro controlo em Valença. Prosseguindo a pedalada com apetite, em Cerveira fizemos a paragem habitual para almoçar bem e barato na Casa Matriz. De barriga farta, a rotação das pernocas a princípio parecia um pouco pesada mas aos poucos foi engrenando. A N13 dirige-se para o mar e de frente a força do vento aumentava e resfriava. Passamos por Caminha com desejo de rodar para sul, onde, estranhamente, nem me deu vontade de lá ficar para uma sesta! Um ténue nevoeiro marinho escondeu o sol, o ar arrefeceu e foi com uma suave Nortada pelas costas, que nos ia animando o ímpeto, que chegamos a Viana do Castelo, mesmo a horas do lanche no programado posto de controlo.

Com a nossa tourné a correr às mil maravilhas, atravessamos o Lima e seguimos rumo pelo habitual desvio pela Foz do Neiva, até reencontrar a estrada nacional. Mais à frente, em Fão, quando finalizávamos a travessia pela sua famosa ponte sobre o Cávado, fomos surpreendidos por um generoso pelotão de homens, mulheres e crianças, em bicicletas clássicas, muitas pasteleiras e outras mais careiras, dress code tradicional, em animado espírito que só um passeio de bicicleta proporciona. Foi uma feliz coincidência nos termos cruzado com aficionados pelas biclas d’outróra, na terra das clarinhas, com um Tweed Ride à moda de Esposende, o Encontro de Bicicletas Antigas de Marinhas, evento que já vai na sua quinta edição.

Clique para ver o slideshow.

Depois de um curto desvio pela marginal da Póvoa de Varzim, à nossa chegada ao Porto tivemos a companhia do amigo Jacinto. Paragem para tentar fazer o controlo num restaurante do Edifício Transparente na Praia de Matosinhos, momento do ocaso que aproveitei para uma bonita foto, semelhante a tantas outras que aqui faço nos meus percursos de comute, do trabalho para casa. Sem mais demoras, bora lá cumprir a parte mais bela do percurso, a que eu já faço de olhos fechados. Com a noite a engolir-nos aos poucos, fomos contornando o Douro, do Porto até Gaia, até a Praia da Medalena onde paramos para jantar. O menu foi uma pratada de massa caseira e uma doce salada de frutas em familiar convívio paternal. Neste momento tinhamos atingido metade do nosso percurso e houve o cuidado de preparar o corpo para a longa e muito fria noite que iríamos atravessar. Next stop: Aveiro

Com as novas e potentes luzes da Tripas apontadas à escuridão, continuamos pela orla marítima de Gaia. Passamos Espinho e encetamos um ritmo bem bom pela N109 (acho que a pratada de massa tinha aditivos),  até nos desviarmos para o centro de Aveiro. Aí, há muito que o corpo ordenava sair do selim. Eu, e falo por mim, já tinha os ovos moles! Lá deu para descansar um pouquinho, comer alguma coisa e tomar outro café. Não tendo a menor pretensão de levar o relógio a sério, continuamos pachorrentos pelo trecho meio urbano, meio rural das Gafanhas. Depois de um pequeno equívoco na rota, e consequente meia volta, reencontramos o rumo e seguimos para Mira. Já disse que estava uma noite muuuuito fria?! Pois estava, e a minha garganta já se queixava disso!

A lua gorda enchia o firmamento, parecia espantada com o que andavam quatro doidos varridos a fazer àquela hora. A planura do chão e a noite banhada pelo luar poderia até nos embalar no sono, mas o ar agreste, os cães, as constantes falhas do asfalto, todos os possíveis estímulos nos mantinham acordados de uma forma inapelável. Passamos Mira às quatro badaladas, dentro do horário portanto, mas teríamos ainda de rodar mais um pouco até à Tocha, que tem café aberto aquela hora, para tirar o rabo do selim e marcar mais uma vez o cartão. Comemos e descansamos. Houve quem dormisse, houve quem roncasse, houve quem tentasse. Às cinco e meia estávamos de novo na estrada para enfrentar a enfadonha recta da Tocha, até a estrada empinar finalmente e ultrapassar a pequena Serra da Boa Viagem, a única serra com nome de serra que apanhamos pelo caminho. O dia despontava a nascente e, porque a serra nos protegia da brisa marítima, agradavelmente a madrugada tornou-se menos fria, pelo menos até começar a descer para a Figueira da Foz. Desta vez não houve pétêtê pelas ranhuras da serra. Cruzamos a cidade e fomos ao mesmo hotel registar o cartãozinho. Mais uma vez tivemos de pedinchar a carimbadela, “era muito cedo”, mas a simpática recepcionista, mesmo ultrapassando directrizes superiores, lá nos fez o obséquio de timbrar a cartolina.

O sono passou, mas o cansaço estava estampado no corpo e nas nossas caras. Foi em modo de piloto automático que rodámos pela marginal, admirando a praia da Claridade e a foz do Mondego. Orientamos a bússola para nascente e enfrentamos o rude vento frontal que entretanto se levantou e a ondulada N111 até Montemor-o-Velho, para o registo da 22ª hora. Uma sandocha e um galão morno reanimaram-me os sentidos. As sensações eram excelentes para o momento. O dia estava fantástico, a manhã aquecia e, tiradas todas as fotografias, apontamos à N347.

Pelas bordas do Rio Mondego, o resto dos trezentos e setenta e tal quilómetros foram cumpridos pela já conhecida espécie de estrada, uma via lunar repleta de crateras, algumas entretanto tapadas com terra, o que não só veio demonstrar a boa resistência da Tripas como também o meu instinto de sobrevivência, do meu assento própiamente dito. Contemplando a paisagem e a natureza ao redor, entre arrozais, água e os sons da passarada, aqui e ali fomos cruzando com ciclistas de fim-de-semana. Bom também foi poder mudar um pouco o foco e deixar-me ficar para trás, comendo mosquitos. Até Coimbra a pedalada foi instintiva, a martelar os pedais quase que com o poder da mente e com a boca fechada.

Coimbra tem mais encanto na hora da Flèche concluída. Foi fantástico ver a nossa chegada ao ponto de encontro, em simultâneo com a chegada de muitos outros companheiros de estrada vindo de variadíssimos lugares, três equipas nacionais e as três equipas de randonneurs oriundos da vizinha Espanha, onde figuravam os amigos dos CC Riazor. Feliz por ter desgrudado a bola de basquete… o rabo do selim, desmontei e não cai no chão. Carimbado o brevet pela última vez, para honra e glória de futuras gerações, já só queria o convívio com a malta e a recompensa prometida, um prato cheio de tagliatelle com salmão.

A vida é feita de instantes e o passado é feito da partiha destes momentos marcantes. Este foi mais um passeio agradável e intenso, vinte e quatro horas de pedalada, espírito de equipe e fantástica convivência. Mais um devaneio a pedais que vai certamente figurar no painel de memórias dos anos mais activos da minha loooonga juventude.

Valeu, Miranda, Luis e Óscar, a valente equipa Flèche Minho, foi um enorme prazer pedalar de novo ao vosso lado. Forte abraço a todos.

Paulo.


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