não sei se do frio ou do f.d.s. que está à porta, mas hoje sinto-me eléctrico!

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 18/01/2019 às 15:39

Temas: o ciclo perfeiro bicicleta ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto dicas eléctrico fotografia fotopedaladas história meios de transporte mobilidade motivação museu outras coisas STCP transportes e tecnologia transportes públicos

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A primeira linha de eléctricos da Península Ibérica foi inaugurada no Porto a 12 de Setembro de 1895. Nestes quase 124 anos, a rede de linhas de eléctricos teve um importante desenvolvimento, cobrindo praticamente todo o território urbano, chegando ao centro dos concelhos limítrofes da área metromopolitana tripeira. Na segunda parte do século XX seguiu-se um processo de declínio, designadamente na década de 80, levando que este meio de transporte fantástico passasse a ser praticamente marginal. Aos poucos, os eléctricos foram sendo postos de lado, desaparecendo das ruas da cidade. Foram sendo substituídos pelos tróleis e por autocarros. Depois surgiu o metro que revolucionou totalmente a mobilidade da Invicta. Na Rotunda da Boavista, a Remisse cedeu o lugar à Casa da Música. Em Massarelos, na antiga central termo-eléctrica, foi instalado o Museu do Carro Eléctrico.

O eléctrico da Linha18 manteve-se em circulação, entre o Carmo e Massarelos, fazendo ligação com a Linha 1 que circula ao longo da Marginal do Douro, entre o Infante e o Jardim do Passeio Alegre. Em certa ocasiões especiais, é nesta linha que podemos apreciar alguns dos belos exemplares dos velhos carros de carris. Alinhados, em desfile, os eléctricos históricos saem à rua para encantar os passageiros, e que os vê passar, relembrando o passado. Ressurgiu a Linha 22, que liga o Carmo à Praça da Batalha, bem como a Linha Turística, a Tram City Tour.

Os carros eléctricos são uma mais-valia para a cidade. Costuma-se dizer, e com razão, que o “velho” torna a cidade mais bonita. Este é um meio de transporte muito agradável, não poluente e arejado, contemplativo, adequado ao turismo e à fruição de importantes espaços paisagísticos do Porto. Permite que as pessoas se movimentem no centro, melhorando a mobilidade e ajudando a retirar os carros dos passeios… quer dizer, isso quando os xôres automobilistas não se lembram de deixar os seu popós sobre os trilhos (o que é recorrente), estorvando ou mesmo impedimento a circulação. Deixo ficar um desejo de ver expandida a rede de eléctricos da cidade, por exemplo a vontade de ver o eléctrico chegar ao Castelo do Queijo, de voltar a subir a Avenida da Boavista no 19 de tão boa memória, e, já agora, porque não uma ligação entre o Infante e a Estação de São Bento pela Rua Mouzinho da Silveira.

Quem anda regularmente de bicicleta na cidade já sabe que onde existam carris de eléctrico é necessário estar mais alerta. Muitos ciclistas aproveitam o corredor entre os carris para improvisar uma ciclovia, perfeitamente viável, mas terão obrigatoriamente de redobrar a atenção para que as rodas nãoentrem na ranhura dos carris. É também forçoso redobrar cuidados num dia de chuva, por causa da água que torna os carris muito escorregadios. De uma forma ou de outra, eu já experimentei a técnica e me estatelei no chão, várias vezes, e só vos digo, não é nada agradável, nem para o corpo nem ao ego.

 

fotocycle [239] do que se faz no lusco-fusco?

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 14/01/2019 às 15:13

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto devaneios a pedais dono babado fotografia fotopedaladas mobilidade motivação outras coisas Parque da Cidade Porto

São 5, 7 minutos de grande diversão…

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Voltando para casa, pedalando por aí, numa pedalada prazeirosa e proveitosa. Aproveitando cada momento destes belos finais de dia de Janeiro.

 

 

Trânsito em Braga: estamos a agravá-lo?

Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável

Publicado em 12/01/2019 às 12:30

Temas: Opinião Bicicleta Braga Mobilidade mobilidade urbana

A queixa é recorrentenos últimos tempos nas redes sociais ou nas conversas de rua: o trânsito emBraga está infernal. É cada vez mais complicado circular de carro – e, porarrasto, também de transporte público. Há filas por todo o lado, mesmo fora dasditas horas de ponta, numa espécie de regresso aos anos 90.

Haverá certamente váriascausas, mas uma raramente é mencionada: os imponderados licenciamentos dedeterminado tipo de edificações.  Nos últimos tempos, por todo o concelho,tem-se acentuado o aparecimento disseminado dos mais variados drive-inse de edifícios comerciais e de serviços de todos os feitios dotados degenerosos parques de estacionamentos.  E há também os maus exemplos deiniciativa camarária: desde o Fórum, já em funcionamento, que alcatroou todo orecinto exterior até ao tristemente famoso caderno de encargos para a venda daFábrica Confiança (que permite estacionamento no subsolo!) ou a concessão de umterreno municipal em S. Victor para edificação de um ginásio com 150 lugarespara automóveis. É um continuar, hoje totalmente fora de tempo, do processo de«americanização» do urbanismo bracarense.

Todas estas soluçõesurbanísticas geram zonas sem vida. Raramente vemos alguém a chegar a esseslocais a pé porque o seu acesso foi desenhado para apenas servir os automóveis.Por regra, como os seus espaços exteriores são privados, não existem – nempodem existir – paragens de transportes públicos junto aos edifícios. E, claro,são também espaços que afugentam os ciclistas pela complexidade e perigo depedalar entre automobilistas em manobras de estacionamento, além de raramenteexistirem bicicletários. Constituem, assim, um incentivo à utilização exclusivado automóvel, mesmo em deslocações entre espaços comerciais contíguos, ao mesmotempo que aniquilam todos os demais modos de circulação, designadamente osmodos suaves. Geram, por isso, uma enorme sobrecarga na infraestrutura viária,causadora do tal trânsito infernal que vivemos.

A consequência é umacidade de habitantes com hábitos sedentários – sentados o dia quase todo,incluindo nas deslocações – e uma cidade poluída em termos ambientais, visuaise sonoros. Para conhecer o drama, desde logo a nível da saúde, que as cidadesdos EUA vivem por causa de um acumular de opções pró-automobilistas desde osanos 30 – e também os exemplos por todo o mundo das que melhor o estão a tentarresolver – vale a pena ler o excelente «Happy City» (2015), publicado pelojornalista canadiano Charles Montgomery.

Voltando a Braga, poucoadianta estabelecer metas encantadoras para um novo paradigma de mobilidade se omodelo de cidade que se licencia é feito a pensar somente em cidadãos a bordodo seu automóvel.

 

fotocycle [238] o “baiqueparque” mais in da Baixa do Porto.

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 9/01/2019 às 15:52

Temas: fotocycle 1 carro a menos bike to work boas ideias bons exemplos ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cidades fotografia mobilidade motivação outras coisas parqueamento Porto reciclando testemunho

Há uns anitos, quatro mais precisamente, não deixei escapar a novidade, e que novidade, dando conta neste postal do aparecimento de um estacionamento de biclas como manda a lei. O município reservou um espaço de estacionamento para bicicletas no interior do parque de estacionamento da Trindade. Assim, no espaço de parqueamento para dois carros, cravou dez robustos suportes do agrado do ciclista urbano, sem arestas agressivas à pintura das meninas, para o estacionamento de, pelo menos, vinte bicicletas a zero cêntimos à hora.

Nos entretantos, o xôres inginheiros da CMP tiveram a brilhante ideia e moveram o “baiqueparque” mais para o interior do recinto, ficando assim as biclas mais protegidas dos elementos e bem à vista dos seguranças.

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no “baiqueparque” da Trindade o lema é: quantas mais melhor

Um destes dias voltei lá, e pelo que me foi dado ver, à conta da amostra e da afluência que o parque tem tido, qualquer dia a CMP terá de alargar o espaço para mais bicicletas, sacrificando assim mais um ou dois lugares aos popós… Oh, que pena!

 

can’t miss [196] publico.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 7/01/2019 às 21:15

Temas: can't miss it 1 carro a menos ciclismo urbano cidades coisas que leio crianças e bicicletas empresas e a bicicleta mobilidade motivação noticia outras coisas partilha

O P3 do Público tomou conta desta rubrica e pela melhor das razões. A cada semana que passa este jornal faz publicações interessantes sobre a temática das bicicletas e da mobilidade a pedais. Hoje foi a dobrar, dois excelentes e imperdíveis artigos.

Começando pelo segundo artigo do dia: “Portugal: ao segundo produtor europeu de bicicletas só falta… pedalar”. Texto de Mariana Durães e vídeo de Teresa Pacheco Miranda (Vídeo), temos um vislumbre da maior fábrica de montagem de bicicletas da Europa, em Vila Nova de Gaia…

“Em 2016, era líder do ranking europeu de exportação de bicicletas; em 2017, caiu para o segundo lugar: ainda assim, Portugal tem a maior fábrica de montagem da Europa. Mas “o mercado [nacional] é pequeno e pedala pouco”. O que falta?” […]

Podes ler o artigo na íntegra aqui: https://www.publico.pt/2019/01/07/local/noticia/cidades-faz-conta-brincase-futuro-1856647

O primeiro artigo, com texto de Sofia Neves, fotografia e vídeo de Teresa Pacheco Miranda, é este:

Nestas cidades do faz de conta brinca-se ao futuro

“Em colaboração com a autarquia de Albergaria-a-Velha, José Nuno Amaro e a sua equipa desenvolveram um tipo de bicicletas especiais que ajudam os mais novos a criar cidades sustentáveis.

Imagine uma cidade em que a forma como nos movemos é completamente diferente. Não existem carros ou transportes públicos movidos a combustíveis fósseis e quase toda a população se desloca a pé, de bicicleta ou em veículos eléctricos e mais amigos do ambiente. E este não é um cenário imaginado já assim tão distante.

Foi nestas cidades do futuro que José Nuno Amaro quis acreditar e tornar “realidade” nas salas de aula de todas as escolas públicas do concelho de Albergaria-a-Velha através do projecto PréPOP, que tem nas bicicletas seu ponto fulcral. Em colaboração com a autarquia, a Nuno Zamaro Indústrias concebeu e ofereceu 88 bicicletas que vão ser partilhadas por 250 alunos para que estes aprendam tudo o que há para saber sobre um futuro sustentável.

“Incentivamos cada escola a construir a sua cidade do futuro, a partir de alguns pontos importantes que são a partilha da bicicleta e de funções dentro dessa cidade. Como não há bicicletas para todas as crianças ao mesmo tempo, estas desempenham papéis diferentes, habituais numa cidade. Um é o polícia sinaleiro, outro o dono da estação de carregamento de energia eléctrica das nossas bicicletas. Todos têm um função associada ao faz de conta recriado em cada escola”, conta José Nuno Amaro.”

[…]

Podes ler artigo na íntegra em: https://www.publico.pt/2019/01/07/local/noticia/cidades-faz-conta-brincase-futuro-1856647

 

Cicloescapadinha de Ano Novo: dar logo o tom certo a 2019

Ana Pereira @ Viagens a Pedal

Publicado em 6/01/2019 às 20:30

Temas: Geral campismo cicloescapadinha cicloturismo relatos viagens a pedal

Nos dias anteriores sentia-me ansiosa, um sentimento de uneasiness, ligado à perspectiva do desconforto (íamos apanhar muito frio, concerteza) e da incerteza (receávamos ter problemas a embarcar no Intercidades em Vendas Novas com a longtail – não conseguimos ir buscar a LHT a tempo), e à eterna sensação de culpa (passear?, devíamos é voltar já ao trabalho!, work, work, work or you’ll go broke and die!).

But we pushed through. Fomos à mesma. E, como sempre, ainda bem que o fizémos. Depois da fricção emocional inicial, as coisas encaixam-se, e desfrutamos da viagem, mesmo do frio e das eventuais adversidades. Mas nem as houve, realmente (além do frio). A viagem correu lindamente, sem incidentes, sem dramas, sem percalços.

Tínhamos 3 dias. Recorremos novamente ao Roteiro da Rede Nacional de Cicloturismo do Paulo, e optámos por fazer as secções 2.11, 2.12 e 2.13, do Entroncamento a Alpiarça, a Coruche e depois a Vendas Novas, conseguindo assim recorrer ao comboio para as ligações a Lisboa. Recomendo a toda a gente este roteiro, torna mais simples simplesmente ir! Não requer tanto tempo de pesquisa e preparação de rotas. E a CP também tem ajudado muito, ao melhorar progressivamente as condições para transporte de bicicletas nos seus comboios. Infelizmente, a rede ferroviária é ainda bastante limitada e cobre uma parte pequena do território nacional.

Na Golegã encontrámos umas infraestruturas bem intencionadas, se bem que algo confusas e não ortodoxas em termos de Código da Estrada, mas apreciamos a intenção de providenciar a bidireccionalidade desta rua para ciclistas e cavaleiros! 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Esta secção foi muito fácil, completamente plana. E não sei se era por ser feriado e dia de Ano Novo, não apanhámos trânsito nenhum. Os 41 Km desta secção fizeram-se bem e rapidamente (de lembrar que saímos do Entroncamento já quase às 12h).

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Quase a chegarmos a Alpiarça, passámos na praia fluvial do Patacão (não há placas a sinalizá-la!), junto a uma antiga vila piscatória (1950 até aos anos 80), de casas de madeira em estacas, para resistirem às cheias de Inverno, entretanto abandonada e degradada. Bem, esta praia é um sítio lindo. Não se ouvia nada. O sol brilhava e estava “quase” calor. Abancámos para almoçar, e depois ficámos ali a apanhar sol um bocado e a desfrutar do silêncio e da beleza do local.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entretanto seguimos rumo a Alpiarça, atravessámos a vila e fomos pernoitar ao parque de campismo, onde já tínhamos estado em Junho de 2016, noutra cicloescapadinha com amigos. Chegados lá com a luz da golden hour é mais fácil tudo parecer bonito, mas é efectivamente um sítio lindo. E permitem cães, o que para nós, com a Mutthilda, era fundamental.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entrámos mas não encontrámos ninguém, o parque parecia estar vazio, e não havia ninguém na recepção. Demos uma volta pelo parque, e entretanto notámos uns bungallows na encosta, e estava lá um senhor.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Metemos conversa em inglês, ele não falava português. Disse-nos que os donos viviam lá e deveriam andar por ali. Mais tarde soubémos que era um francês que vivia ali permanentemente, embora de vez em quando desse uma volta por aí, na sua autocaravana.

Sentámo-nos nuns bancos tipo miradouro e apreciámos a paisagem e a luz do fim de dia, antes de tratarmos de montar campo.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

A chatice de acampar nesta altura com este frio é que fica de noite antes das 18h, e nestes dias ficou mesmo muito frio, então uma pessoa quer é meter-se dentro da tenda e fugir ao frio, mas para isso janta logo e vai dormir, mas é super cedo! 😛 Tipo, vamos dormir às 20h e acordar às 5h da manhã? 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Usámos emprestada uma mesa e um toldo de uma roulotte ao lado (o parque estava vazio) e foi ali que preparámos o jantar e comemos (em pé, não havia bancos e não estava tempo para usarmos a mantinha do costume e piquenicar no chão). Estávamos praticamente às escuras porque eles não acenderam os candeeiros do parque (para acender um ou dois tinham que acender todos), mas para isso é que levámos os frontais, claro.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Inicialmente até tínhamos pensado bivacar (ahahah) mas com melhor preparação para o frio. Felizmente mudámos de ideias e levámos a tenda e, pela primeira vez, levámos também duas botijas de água quente. 😀 Aventura e um pouco de desconforto, sim, claro, mas também não temos que ser estúpidos. 😛

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Fez mesmo muito frio durante a noite e de manhã. As botijas foram uma óptima ideia! A dada altura já de madrugada, ou manhã cedo, o Bruno trouxe a Mutthilda para o meio de nós (estava na caixinha, debaixo da asa da tenda, enrolada em capas e cobertores, mas mesmo assim não estava quente) – foi bom para ela e a nós também deu jeito, aqueceu-nos!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Como disse, mesmo muito frio, tínhamos gelo na tenda e nas bicicletas!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Esticámos o tempo na tenda de manhã, mas o nevoeiro não parecia ir levantar tão cedo. Levantámo-nos e tratámos de nos preparar para sair, depois de tomado o pequeno-almoço. As mãos doíam de tão frias. Procurámos algum refúgio no balneário, frio à mesma mas ao menos sem o nevoeiro a piorar tudo! Deu jeito ter o parque vazio e sermos os únicos hóspedes, tínhamos tudo só para nós.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entretanto, fui andando primeiro rumo à saída para fazer o pagamento na Recepção. Cold as fuck!, já referi? E notei a bicicleta com um comportamento estranho, que inicialmente pensei poder ser do piso, fofinho, coberto de caruma, etc. Rapidamente me apercebi que afinal tinha um furo na roda da frente. Bolas. É tão raro ter furos, e com este frio não vai ser nada fixe reparar. Voltei para trás para o balneário, onde o Bruno ainda estava. É sempre bom ter o Bicycle Repair Man como sidekick. 🙂

Já bastante atrasados, seguimos finalmente, pelo nevoeiro adentro, com o dono do parque e o tal residente a olharem para nós como se nós fôssemos malucos. E somos um bocadinho, sim. 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Mas depois, eventualmente, o céu abriu e o sol brilhou e ficou mais quentinho!

Em Fazendas de Almeirim procurámos um cafézinho (o Bruno tem uma certa adicção com café). Lá encontrámos um. A senhora era simpática, mas havia dois tipos a fumar lá dentro ao balcão (wtf?!) e eu queria sair dali o mais rapidamente possível. Viémos para a esplanada. Entretanto, já quase de partida, notamos as pessoas à janela a sorrir, viram o cão na bicicleta e ficaram enternecidas. 😀 A senhora vem lá de dentro com um pedaço de bife e dá-o à Mutthilda! Há cães com sorte. 🙂

Pedalámos mais um bocado e abancámos junto à Igreja de S. José da Lamarosa para almoçar. A praça estava em obras. Uma miúda, a Mariana, viu-nos a brincar com a Mutthilda e aproximou-se. Ficou lá o tempo todo a brincar com ela e a conversar connosco. Diz que vai para a escola de bicicleta, mas que é a única. Dissémos-lhe para continuar. 😉 Havia uma casa de banho num contentor e deu jeito, também para levar as marmitas lavadas. Lá bebemos mais um cafézito num café ao lado, para alimentar a economia local, e seguimos!

O nosso troço favorito foi a seguir a esta localidade, estrada em terra batida mas confortável, e paisagem linda.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Ao longo da viagem ocorreu-nos que falta um produto no mercado, uma engenhoca qualquer para prender / manter – em segurança, sem risco de caírem para as rodas ou voarem – coisas a secar no guiador. 😉

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019 Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019 Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Uma ideia para um próximo CycleHack, eventualmente!

Entretanto, quase a chegarmos a Coruche, encontramos isto:

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Foi simpático. Não é que houvesse trânsito relevante naquela estrada, mas assim fomos mais descontraídos.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

A ciclovia tem 8 Km e desemboca mesmo em Coruche. O nosso objectivo inicial era ir pernoitar, em modo wild camping, no Açude do Monte da Barca. Contudo, chegámos a Coruche já pouco antes do pôr-do-sol. Não conhecíamos o caminho para o Açude e não sabíamos o que iríamos encontrar, não tínhamos certeza de ter fuel suficiente, e sabíamos que fazer os quase 10 Km até lá já de noite e com um frio do caraças, e mesmo chegando lá ter que novamente fazer o jantar, etc, tudo às escuras e com temperaturas próximos de zero,… Resolvemos ajustar o nosso plano e procurámos um quarto para alugar para aquela noite. Afinal, a primeira noite, num parque de campismo escuro e deserto, já tinha tido uma vibe de microaventura / wildcamping. 😛

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

E assim fomos parar a um quarto da D. Mária (sim, Mária), no fim de uma subida que parecia uma parede. As casas em Coruche parecem ficar todas em encostas assim, com ruas directas, em vez de sinuosas e mais planas.

Este foi o nosso pequeno luxo desta cicloescapadinha. No dia seguinte, novamente uma manhã de nevoeiro não nos permitiu apreciar a vista lá para baixo para o rio Sorraia. O frio mantinha-se, mas lá seguimos nós!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Não estavam as melhores condições para apreciar a frente ribeirinha e a vista, mas é capaz de ser um sítio bonito num dia de sol. Seguimos para Sul, rumo ao Açude do Monte da Barca, passámos as 7 pontes metálicas sobre o Sorraia (algum trânsito numa zona de difícil ultrapassagem), mais um bocadinho numa estrada mais movimentada e cortamos para uma estrada tranquila.

Entretanto, faltava encontrar um café, claro. 😛 Parámos no primeiro que encontrámos, alimentar a economia local, e repôr as doses de cafeína!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

O caminho para o Açude parecia ter levado com um furacão, eram só árvores cortadas. Trilhos remexidos por máquinas e uma ou outra zona de lama, mas lá chegámos ao Açude!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Um sítio lindo! Ficámos com vontade de voltar ali um dia, e a Coruche no geral.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Depois de umas curtas voltas exploratórias, metemo-nos de novo a caminho. E apanhámos uma estrada boa em terra batida, na zona de protecção do Açude.

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Nestes 3 dias o cão pôde tirar a barriga da miséria de correr. 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Almoçámos num sítio com meia dúzia de casas, antes de chegarmos a Cortiçadas do Lavre. Pusémos a manta na relva e sacámos do almoço. Depois, cafézinho num minimercado ao lado!

O último troço, rumo a Vendas Novas, foi sempre a abrir, com algumas subidas, e uns carros de vez em quando. Estávamos com pressa, a ver se tentávamos apanhar o comboio anterior àquele para o qual já tínhamos bilhetes (e que era o último do dia). A ideia era, se nos fosse recusado o embarque podíamos ter tempo para desmontar ligeiramente a bicicleta do Bruno paracaber no seguinte, ou então pedalar mais 40 Km até Pinhal Novo e apanhar um comboio diferente, compatível com a Big Dummy.

Chegámos moídos mas com tempo suficiente para lanchar no parque e tudo.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Pelo caminho até ao parque passámos por uma avenida com uma ciclovia pintada ora no passeio ora na berma da estrada.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Boas intenções, mas má ideia, O Lugar dos Ciclistas é “no Meio da Estrada”:

Depois da pausa no parque seguimos para a estação. Estava deserta. Não havia bilheteiras, nem máquinas automáticas nem indicação de em que plataforma paravam que comboios. *sigh*

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Fomos ao café ao lado e disseram-nos que para Lisboa seria na linha 1, do lado da entrada da estação (a linha 1 dá para duas plataformas). Fica a dica!

Esperámos. Apareceram mais pessoas. E o comboio lá chegou. O revisor não disse nada, apenas “para sermos mais rápidos”. Fomos tão rápidos quanto possível. E a bicicleta coube! Deixámos o comboio arrancar e, com calma, passámos a longtail do “hall” para o interior da carruagem, manobrando-a ao alto. Mission accomplished! 😀

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Agora é pensar na próxima microaventura!

 

estacionamento à patrão ou o devido uso do espaço público

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 2/01/2019 às 15:23

Temas: ele há coisas! 1 carro a menos bicicleta bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto estacionamento fotografia humor mobilidade motivação opinião outras coisas penso eu de que... Porto

O uso do transporte individual implica questões de equidade do espaço público.

Se por um lado, o espaço “consumido” para o estacionamento de um carro, na melhor das hipóteses, é dividido por cinco passageiros, quantos passageiros de bicicleta caberiam no mesmo espaço?

(aqui uma ajuda)

Bom ano.

 

rumo a 2019

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 31/12/2018 às 23:28

Temas: o ciclo perfeiro 2019 boas pedaladas bom ano fotografia fotopedaladas motivação outras coisas

Bora lá entrar no novo ano, com o pé direito, um passo de dança ou a roda da frente. Brindar à vida junto da família e dos amigos.

Bom Ano e boas pedaladas

 

Até quando vamos ficar para trás?

Rafael Remondes @ Braga Ciclável

Publicado em 29/12/2018 às 16:48

Temas: Opinião Ciclovia de Lamaçães Ciclovias Rafael Remondes Rua D. Pedro V Trânsito variante da encosta velocidade

Andar de bicicleta é para mim a maneira mais eficiente de fazer os 4km que separam a minha casa do trabalho. No melhor caso, a viagem de carro é mais demorada do que de se a fizer de bicicleta em ritmo de passeio. Tem um custo irrisório para a carteira, para a cidade e apenas preciso do tempo de prender a corrente para a “estacionar”. Estas vantagens não são apenas sentidas por mim. A cada mês que passa, cruzo-me com cada vez mais ciclistas nas minhas deslocações diárias.

Apesar de todos os benefícios e do maior número de ciclistas na estrada, Braga ainda está longe de ser uma boa cidade para andar de bicicleta. Muitos condutores não respeitam o limite de velocidade de 50 km/h nas vias partilhadas da cidade e as ciclovias existentes são em número reduzido e ineficientes. Ou não ligam pontos de interesse, como a da encosta de Lamaçães, ou são cortadas em parte importante do seu percurso. A ciclovia da Rua Nova de Santa Cruz não tem ligação à Rua D. Pedro V, obrigando muitos ciclistas a pegar na bicicleta à mão para usar a ponte pedonal. Este é um importante percurso que liga a Universidade do Minho ao centro da cidade de Braga.

Para incentivar o uso da bicicleta e proporcionar uma melhor experiência, a Câmara Municipal de Braga prometeu mais ciclovias como parte de um novo plano de mobilidade. Mas não tem passado disso mesmo, um plano no papel. Em 2014 foram prometidos 70 km de ciclovia no concelho que chegariam à porta de 100 mil bracarenses. Passado 4 anos, essas propostas não só não foram executadas como pouco mais se sabe sobre elas. Não existem datas nem foi lançado nenhum concurso público para adjudicar as obras. Ironicamente, houveram propostas feitas em orçamento participativo para novas ciclovias que foram rejeitadas pela câmara justificadas precisamente com este novo plano de mobilidade que tarda em arrancar.

Braga está a perder esta corrida da mobilidade. Lisboa vai passar de 80km de ciclovias para 200km até 2020 com o plano actualmente em execução além de ter implementado um sistema para aluguer de bicicletas que está a ser um sucesso, o GIRA. Uma cidade que tem filas gigantescas de trânsito, foi “obrigada” a mudar. Outro exemplo, Bragança tem hoje 22 km de rede ciclável, tem um sistema semelhante ao GIRA para aluguer de bicicletas e a câmara municipal adquiriu também novos autocarros eléctricos que permitem o transporte de bicicletas, fomentando um sistema multimodal de mobilidade.

Duas cidades, de dimensões diferentes que estão a implementar políticas de mobilidade amigas da bicicleta. Não são casos dinamarqueses e holandeses longínquos, estão a acontecer em Portugal, recorrendo a fundos comunitários para melhorar o transporte e a mobilidade dos seus habitantes. Até quando vamos ficar para trás?

 

can’t miss [195] publico.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 26/12/2018 às 10:54

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta bicicletada boas ideias ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto ciclovia cidades coisas que leio Lisboa mobilidade motivação noticia opinião outras coisas partilha testemunho

Abordando essencialmente as preocupações e dificuldades sentidas pelos ciclistas urbanos em Lisboa,  a mobilidade e questões de planeamento urbano na capital, eis o artigo do ano, de leitura absolutamente imperdível.

Ciclismo urbano: obstáculos de uma opção sem marcha-atrás

“Abriu de mansinho a época da caça ao ciclista, à boleia da inundação de trotinetes eléctricas, que se traduz num súbito excesso de zelo das autoridades em “sensibilizá-lo” para as regras de trânsito. Tem de haver bom senso.”

[…] “Obviamente que há ciclistas que têm comportamentos perigosos que devem ser corrigidos até pelo meio de coimas, mas não podemos negar que ainda é o comportamento negligente de alguns automobilistas que tem o maior potencial de colocar em risco a integridade física de outrem. Mesmo assim, não se tem assistido com o mesmo zelo à sensibilização dos que continuam a conduzir enquanto mexem no telemóvel ou/e passam passadeiras e vermelhos sem ter atenção aos peões. Tanto que um ciclista que se preze não anda aí a desrespeitar regras de trânsito à louco — quanto muito trata um sinal vermelho como um Idaho Stop, pois sabe que o menor erro que cometer ao não adoptar uma condução defensiva recairá sempre sobre ele o maior dano.

Dir-me-ão que o comportamento errado de uma parte não justifica o comportamento errado de outra, mas as leis só são verdadeiramente fortes quando são fiscalizadas e feitas cumprir. Quando essas mesmas leis se tornam anacrónicas e/ou ineficientes acabam por se esvaziar sem qualquer mal maior, sendo usadas apenas pontualmente para dirimir conflitos. É com esse raciocínio em vista que peço que haja um foco das autoridades no que realmente possa causar dano, ao invés de um ciclista que, para evitar contornar uma rotunda enorme, usa o passeio onde está mais seguro e se cansa menos; ou de um que passa um vermelho numa recta sem cruzamento. Também não me parece que se vá começar a multar peões por passarem fora da passadeira ou quando o semáforo está vermelho. Tem de haver bom senso para que enquanto as cidades e mentalidades não se adaptam a esta nova dinâmica na mobilidade urbana, se consiga facilitar a vida a todas as partes.”

Podes, e deves, ler na integra este excelente artigo de Edgar Almeida, no Publico, em: https://www.publico.pt/2018/12/25/p3/cronica/bicicleta-1855213

 
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