por um caminho duraDouro

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 26/06/2019 às 12:02

Temas: marcas do selim 1 carro a menos aldeia bicicleta Carla ciclismo cicloturismo devaneios a pedais Douro fotografia fotopedaladas longas pedaladas Lugar do Castelo Mós do Douro motivação N108 N222 outras coisas passeio randonneur Régua Resende sayago blues testemunho Torre de Moncorvo Tripas Vila Nova Foz Côa

Quando se está só, sentado no selim de uma bicicleta, não há nada entre o mundo que me rodeia. Não há vidro, não há metal, não há interior climatizado que me contenha a liberdade e o tempo. Apenas o devaneio e o espaço. Apenas o ar que respiro, que me torna vivo. Livre, a ambiência chega natural e envolve-me nas variáveis condições. Nos humores do clima e na ambiguidade da estrada. Os sentidos, esses, são seduzidos a cada curva.

por um caminho duraDouro #3 por um caminho duraDouro #1 por um caminho duraDouro #10

Pedalar pelas nuances do Douro é pura alegria. A estrada empina e desempina. Tão depressa se levanta o rabo do selim como se baixa o queixo e se fincam as mãos, em alta velocidade. A bicicleta tem asas. Com o ímpeto do vento na cara, com o fôlego renovado pela companhia do exuberante vale, ganha-se um momento de emoção em mais uma fotografia, capturando coloridos lembretes da encantadora manhã, do cenário, desprezando o desconforto do selim e o protesto das pernas.

por um caminho duraDouro #12 por um caminho duraDouro #14 por um caminho duraDouro #15

É uma bofetada de estímulos sensoriais que alimentam o espírito e regulam o corpo. É a sensação maravilhosa do vento na pele, das variações do clima. Um furor de aromas que invade as narinas, não apenas o perfume das flores mas dos campos lavrados, do pão a ser cozido e da chuva fresca no asfalto quente. Em movimento se explora tudo, a estrada, uma montanha, uma aldeia. Tudo aquilo, que me chega e uma leve brisa tem para me oferecer. As expressões nos rostos das pessoas. Um ou outro pormenor, que me prende a atenção e me recorde uma canção.

por um caminho duraDouro #5 por um caminho duraDouro #4 por um caminho duraDouro #6

A música que se ouve à passagem, esse coro de risos e vozes, medley sonoro da natureza misturado nos fragores da humanidade. Acordes fortuitos que ficam na cabeça por algum tempo. Os maravilhosos contornos do horizonte, um padrão definido no céu, os pontos altos daquela elevação. Ao ritmo de um cágado, girando os pedais, pingando suor, a escalada não é fácil. Dentes cerrados, ritmo lento. Embrenhado no meu pensamento, envolvido numa espécie de mantra com aquele cenário à minha volta, é sempre um reforço motivacional e energético.

por um caminho duraDouro #8 por um caminho duraDouro #7 por um caminho duraDouro #9

É espantoso o ruído que me ensurdece quando embalo na descida, sentindo as suaves vibrações das rodas no pavimento, dobrando as curvas, pisando algo solto no asfalto. Uma espécie de caos coreografado, acelerado, concentrado. Por vezes o ar é pesado, outras vezes é um quente e frio que me faz arrepiar caminho. Não preciso de ser mais rápido, apenas sentir-me vivo, decidir por onde ir, até onde quero ir e seguir no próprio ritmo.

por um caminho duraDouro #16 por um caminho duraDouro #11 por um caminho duraDouro #2

Não importa quantas vezes eu pedale por ali, pelo Alto Douro Vinhateiro, que nunca serei capaz de compor tudo numa só imagem. Nunca serei capaz de exprimir tudo num só parágrafo. Tudo aquilo alimente a mente e a imaginação. Uma encenação dos deuses em horas de contemplação, num dos mais simples e agradáveis actos que é a alegria de pedalar uma bicicleta.

 

CargoBikeFestLx

Ana Pereira @ Cenas a Pedal

Publicado em 26/06/2019 às 0:37

Temas: Eventos Iniciativas necessidades especiais Notícias Notícias CaP Pedelecs e e-bikes Produtos CaP bicicletas de carga

É já no próximo domingo dia 30 de Junho que vai ter lugar aqui em Lisboa, (integrado no evento A Rua é Sua!, da Câmara Municipal de Lisboa, em que o trânsito automóvel é interditado nos Restauradores e na faixa de rodagem central da Avenida da Liberdade e dado espaço a actividades de animação da rua), o 1º CargoBikeFestLx, um encontro que visa celebrar e divulgar as bicicletas de carga para facilitar (e tornar mais fixe!) a vida na cidade. Tipo o evento do Dia da Mãe de 2017, mas ainda mais alargado! 🙂

1º CargoBikeFestLx

30 de Junho de 2019, 11h-17h, Avenida da Liberdade, Lisboa

Programa:

»» Encontro de utilizadores
»» Exposição (bicicletas de lojas e de utilizadores privados!)
»» Gincana (vamos testar a perícia da malta em bicicleta de carga! 🙂 )
»» Workshops:

  • Segurança passiva (Cedric Leclerc)
  • Segurança activa – condução preventiva (Ana Pereira)
  • Segurança anti-roubo para bicicletas de carga (Miguel Cambão)
  • Pedalar com chuva (João Ralha)
  • Utilização da bicicleta de carga no dia-a-dia (António Leitão)

Esperamos ter malta a aparecer com bicicletas e triciclos, normais e eléctricas, longtails, midtails, bakfietsen, compactas, atrelados, etc.

Nós vamos estar presentes oficialmente pelo menos com a nossa bakfiets compacta e-Muli (c/ kit Pendix) + atrelado da CarryFreedom e com a longtail Surly Big Dummy do Bruno. Mas desconfiamos que deverão aparecer por lá também coisas como a longtail compacta pedelec Tern GSD, a midtail Yuba Boda Boda pedelec e normal, a bakfiets pedelec Riese und Muller Load, a bakfiets Babboe, o atrelado Croozer, a longtail Yuba Mundo, a quasi-midtail pedelec Riese und Muller Multicharger, o triciclo de passageiros Van Raam OPair, a bakfiets Christiania, uma longtail Xtracycle, um triciclo Nihola, uma longtail Radwagon, etc, etc. 🙂

Se tens uma bicicleta de carga, junta-te a nós neste encontro! E não é preciso muito para transformar uma bicicleta normal numa “de carga”, cadeiras de criança, cestos, alforges, caixas, aumentam dramaticamente a capacidade de carga de qualquer bicicleta – não te coíbas de aparecer. 😉

Se não tens uma bicicleta de carga mas estás curioso, não percas esta oportunidade. MESMO! Em Portugal, encontrar esta variedade potencial de bicicletas num só lugar, e poder falar com quem as usa acerca da sua experiência, é mesmo uma oportunidade única.

Organização: MUBi, Bicicultura, Cenas a Pedal, Câmara Municipal de Lisboa (projecto europeu City Changer Cargo Bike)

» Evento no Facebook. «

O conteúdo CargoBikeFestLx aparece primeiro em Cenas a Pedal.

 

Braga Ciclável reuniu com GNR

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 21/06/2019 às 23:01

Temas: #BragaZeroAtropelamentos Notícias Arnaldo Pires Atropelamento atropelamentos Bicicleta Braga braga ciclável Braga Zero Atropelamentos Capitão Pinheiro GNR GNR Braga Guarda Nacional Republicana Mário Meireles


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta sexta-feira, dia 21 de junho, com o Capitão Pinheiro, da Guarda Nacional Republicana. O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes o Capitão Pinheiro e o Cabo João Mendes do destacamento de trânsito GNR, e Arnaldo Pires e Mário Meireles da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, traçou uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos.

A GNR mostrou-se disponível para colaborações futuras em tudo o que seja passível de reduzir a sinistralidade rodoviária, deixando a porta aberta para colaborações em ações no terreno e/ou outro tipo de sensibilizações.

 

Braga Ciclável reuniu com concelhia do PS

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 21/06/2019 às 14:31

Temas: #BragaZeroAtropelamentos Notícias Artur Feio atropelamentos Bicicleta bicicletas Braga braga ciclável ciclistas Concelhia Braga Partido Socialista peões PS PS Braga


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta quarta-feira, dia 19 de junho, com Artur Feio, representante da concelhia de Braga do Partido Socialista (PS). O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes Artur Feio, do PS, e Arnaldo Pires, João Paulo Forte, Mário Meireles e Victor Domingos, da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações mais marcantes.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos. Dando o exemplo de Pontevedra, que em poucos anos conseguiu implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos, explicou a importância de reduzir as velocidades de circulação em meio urbano e de criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, que permitam que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança.

Artur Feio reconheceu a importância da mobilidade ativa e a necessidade de aumentar a segurança das vias para todos os utilizadores e declarou que, no seu ideal de cidade, “este é um modelo para o qual temos de caminhar”. Mostrou conhecer algumas cidades onde foram implementadas medidas mitigadoras do uso do automóvel, dando exemplos de Bogotá – que interrompe as principais avenidas da cidade em vários dias – e também de Florença – Itália, onde durante muitos anos utilizou a bicicleta como modo de transporte. Seguidamente, quis ouvir algumas das medidas que a associação Braga Ciclável considera relevantes para que esses objetivos possam ser alcançados.

Braga Ciclável - Reunião com Artur Feio (PS)

A este respeito, Arnaldo Pires afirmou que “é altura de mudar a mobilidade, colocando o foco na pessoa”, e lembrou que é fundamental garantir que as imediações das escolas tenham passeios e passadeiras com boas condições e devidamente desimpedidos, e que as velocidades reais de circulação do trânsito motorizado não constituam risco para as crianças e jovens que se desloquem a pé ou de bicicleta. Criar condições para que os alunos possam deslocar-se em segurança pelos seus próprios meios ou em transportes públicos, defendeu Arnaldo Pires, é permitir que eles desenvolvam a sua autonomia pessoal. Ao mesmo tempo, seria uma forma de melhorar significativamente a fluidez do trânsito, já que para muitos pais já não seria necessário levarem diariamente os filhos à escola.

A Braga Ciclável sugeriu que em todas as novas obras executadas as mesmas contemplassem, como requisito, medidas de acalmia de tráfego ou a criação de ciclovias (caso a velocidade e volume de tráfego o justifique). Todas as passadeiras da cidade deveriam ser sobreelevadas e as velocidades efetivas reduzidas com a redução da largura da faixa de rodagem e das respectivas vias de trânsito, o estreitamento da faixa de rodagem nas interseções, bem como a adaptação das rotundas para que contemplem apenas uma via de trânsito na saída. Sugeriu ainda que se criem zonas de coexistência, zonas escola – com limitação de entrada do automóvel -, de zonas 30 e de uma rede ciclável estruturante.

A Braga Ciclável pretende reunir proximamente com todas as forças políticas do município, bem como com diversas outras instituições, no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

 

Braga Ciclável reuniu com concelhia do BE

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 19/06/2019 às 8:30

Temas: #BragaZeroAtropelamentos Notícias Alexandra Vieira Arnaldo Pires BE BE Braga Bicicleta bloco de esquerda Braga braga ciclável BragaZeroAtropelamentos Jorge Vilela Manuela Airosa Mário Meireles Partidos Política Rafael Remondes Rui Antunes Sara da Costa Victor Domingos


Na sequência do recente lançamento do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos e das diversas reuniões que vem realizando nesse âmbito, a associação Braga Ciclável reuniu esta segunda-feira, dia 17 de junho, com representantes da concelhia de Braga do BE – Bloco de Esquerda. O encontro serviu para apresentar o movimento #BragaZeroAtropelamentos e também para discutir diversos assuntos relacionados com a mobilidade pedonal e em bicicleta.

Na reunião estiveram presentes Alexandra Vieira, Jorge Vilela, Manuela Airosa e Rui Antunes do BE, e Arnaldo Pires, Mário Meireles e Victor Domingos, Sara da Costa e Rafael Remondes da associação Braga Ciclável. O presidente da Braga Ciclável, Mário Meireles, começou por traçar uma retrospetiva acerca da história, dos objetivos e do trabalho desenvolvido pela associação, referindo alguns dos seus projetos, iniciativas e reivindicações mais marcantes.

Por sua vez, Arnaldo Pires explanou as razões que motivaram a constituição do Movimento Cívico #BragaZeroAtropelamentos, de entre as quais se destaca o elevado número de atropelamentos no concelho que, ao longo dos últimos anos, têm causado a morte a dezenas de pessoas, entre outros danos. Dando o exemplo de Pontevedra, que em poucos anos conseguiu implementar medidas concretas que levaram a uma redução drástica no número e gravidade dos atropelamentos, explicou a importância de reduzir as velocidades de circulação em meio urbano e de criar infraestruturas, incluindo vias segregadas, que permitam que as deslocações a pé ou de bicicleta sejam feitas em segurança. A este respeito, salientou que é fundamental garantir que as imediações das escolas tenham passeios e passadeiras com boas condições e devidamente desimpedidos, e que as velocidades reais de circulação do trânsito motorizado não constituam risco para as crianças e jovens que se desloquem a pé ou de bicicleta. Criar condições para que os alunos possam deslocar-se em segurança pelos seus próprios meios ou em transportes públicos, defendeu Arnaldo Pires, é permitir que eles desenvolvam a sua autonomia pessoal. Ao mesmo tempo, seria uma forma de melhorar significativamente a fluidez do trânsito, já que para muitos pais já não seria necessário levarem diariamente os filhos à escola.

Mário Meireles destacou os exemplos positivos de Sevilha e de cidades outras cidades europeias que também conseguiram, recentemente, dar passos consideráveis no sentido da melhoria de condições para o uso da bicicleta e onde esse uso aumentou exponencialmente, reduzindo o número de automóveis no meio urbano, melhorando os transportes públicos e aumentando a segurança das vias para todos os seus utilizadores.

Relembrou que em Braga na altura em que se abriram as avenidas da Liberdade, Imaculada Conceição e João XXI apenas existiam “meia dúzia de carros em Braga”, citando um lojista que abriu a loja nessa época. E foi essa aposta na infraestrutura automóvel que captou as pessoas para o seu uso. O princípio a ser utilizado para potenciar o uso da bicicleta deve ser o mesmo, criar infraestruturas para que as pessoas passem a utilizar este modo de transporte.

Ainda no que diz respeito aos atropelamentos, Arnaldo Pires, médico de profissão, partilhou um pouco da sua experiência profissional, para concluir que todas as vidas contam e que o objetivo de todos os setores da sociedade tem de ser a Visão Zero, ou seja, reduzir para zero o número de atropelamentos. Algo que, afirma, pode ser alcançado, mas que sobretudo permite traçar uma meta clara. No entender da Braga Ciclável, é importante que sejam analisados os dados referentes aos atropelamentos, no sentido de identificar possíveis pontos negros e conceber intervenções eficazes, que deverão ser avaliadas de forma objetiva. Como exemplo de uma reflexão que consideram necessária, apontam o Nó de Infias, onde circular a pé ou de bicicleta continua a ser perigoso, ou mesmo a Rua Cidade do Porto, Rua do Taxa, Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI e Rotunda das Piscinas que apresentam números de atropelamentos elevados e que podiam facilmente ser intervencionadas para acalmar o tráfego e serem implementadas medidas, de baixo custo, que beneficiariam a utilização da bicicleta.

É importante, defende Arnaldo Pires, que ao intervencionar esta e outras vias o Município garanta um desenho democrático das vias, isto é, um desenho inclusivo, onde as necessidades de todos os utilizadores, incluindo pessoas que andam a pé e de bicicleta, sejam devidamente acauteladas. Sugeriu que se criem zonas de coexistência, zonas escolas – com limitação de entrada do automóvel -, de zonas 30 e de uma rede ciclável estruturante.

Mário Meireles afirmou que “temos de começar a considerar a cidade de Braga de acordo com os limites geográficos da própria cidade, e não somente o centro histórico”. Como exemplos de medidas práticas que são necessárias um pouco por toda a cidade, e relativamente económicas e fáceis de implementar, referiu as passadeiras, que devem estar devidamente visíveis, elevadas ao nível do passeio, e com outras medidas de abrandamento do trânsito, incluindo estreitamento das vias. Por outro lado, recordou a necessidade de adaptar as rotundas por forma a apenas terem uma via de trânsito em cada saída, conforme parecer o jurídico que a Braga Ciclável divulgou, reduzindo assim o número de atropelamentos a pessoas que andam a pé e de bicicleta, bem como a probabilidade de colisão entre veículos nesses locais. Os cruzamentos, defende, devem também em muitos casos ser sobrelevados. Estas e outras medidas permitiriam reduzir a velocidade e o número de carros, aumentando assim a segurança e a fluidez do trânsito, com claros benefícios para todos.

Rafael Remondes deixou uma chamada de atenção para que as intervenções feitas sejam respeitando as melhores práticas, sem que se repitam os erros da Rua Nova de Santa Cruz, que continua a ter queixas, ou os erros em Guimarães, no qual pintaram passeios de vermelho e lhes chamaram ciclovias. Esta má prática levará apenas a conflitos entre pessoas que andam a pé e de bicicleta.

Sara da Costa mostrou-se preocupada com a possibilidade destas más práticas serem implementadas também em Braga, e lembrou que a promoção da utilização da bicicleta traz vários benefícios para o comércio e economia local, para a saúde da cidade e das pessoas que a utilizam, bem como para o ambiente.

A Braga Ciclável sugeriu que em todas as novas obras executadas as mesmas contemplassem, como requisito, medidas de acalmia de tráfego ou a criação de ciclovias (caso a velocidade e volume de tráfego o justifique). Todas as passadeiras da cidade deveriam ser sobre-elevadas e as velocidades efetivas reduzidas com a redução da largura da faixa de rodagem e das respectivas vias de trânsito, o estreitamento da faixa de rodagem nas interseções, bem como a adaptação das rotundas para que contemplem apenas uma via de trânsito na saída. Sugeriu ainda que se criem zonas de coexistência, zonas escolas – com limitação de entrada do automóvel -, de zonas 30 e de uma rede ciclável estruturante.

Alexandra Vieira, do BE, referiu que é necessária uma mudança de paradigma nas ruas da cidade para que estas possam permitir uma circulação em segurança de todas as pessoas.

Jorge Vilela, do BE, referiu que este assunto é de todo o interesse não só do Bloco de Esquerda, mas dos cidadãos, estando disponível para levar o assunto à Assembleia Municipal.
A Braga Ciclável pretende reunir proximamente com todas as forças políticas do município, bem como com diversas outras instituições, no sentido de unir esforços para acabar com os atropelamentos. A Visão Zero (isto é, o fim dos atropelamentos) é um objetivo que algumas cidades europeias já abraçaram, e a Braga Ciclável defende que Braga deve seguir esse exemplo e ambicionar uma cidade sem atropelamentos, porque todas as vidas contam.

 

Ciclo Passeio Solidário de São João

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 18/06/2019 às 13:37

Temas: Eventos Acalmia de trânsito Braga braga ciclável Ciclistas Urbanos em Braga Código da Estrada Mário Meireles Mobilidade Passeios PSP Rio Este


No dia 16 de Junho, às 10H00, a Braga Ciclável, em colaboração com a Associação Anima Una e a Associação de Festas do São João de Braga, organizou um Ciclo Passeio, pelas ruas da cidade, de cariz histórico e solidário. No local compareceram cerca de meia centena de pessoas, que se fizeram acompanhar com donativos, sobretudo peças de vestuário, para a causa da Associação CPAC, que presta apoio a imigrantes em dificuldades socioeconómicas.

O passeio teve o seu início na Praça da República, um dos locais de passagem obrigatória durante as modernas festividades de São João, depois de uma breve introdução ao evento, à Braga Ciclável com destaque ao seu contributo para a melhoria da mobilidade de peões e utilizadores de bicicleta na cidade, e à CPAC. Essa introdução foi realizada por Arnaldo Pires, Mário Meireles e Rafael Sousa, organizadores do eventos.

Depois de partir da Praça da República, o grupo passou pela Capela de São João de Braga, onde o Dr. Ricardo Silva, atual presidente da Junta de Freguesia de São Victor e um apaixonado pela história da cidade de Braga, apresentou uma muito relevante e agradável revisão histórica, sobre a grande festa do São João de Braga; a Capela de São João e sua importância; e a já não existente Quinta da Devesa, onde, no passado, os Arcebispos da cidade passavam o verão.

Após se ter ciclado pelo atual parque da ponte, a coluna de bicicletas dirigiu-se para a via pedonal ciclável, do rio Este, e seguiu para o Seminário de Fraião. No local, o grupo foi recebido e acarinhado pelo Sr Padre Manuel Martins, padre responsável pela Comunidade Espiritana de Braga. No mesmo local, junto à Igreja, o Sr Padre Manuel Martins presidiu a uma breve oração que culminou com a benção de todas as bicicletas que participaram no encontro.

Benção das Bicicletas

 

Ao longo do passeio, o grupo teve o acompanhamento de uma ciclo-patrulha da Policia de Segurança Pública, que garantiu a segurança de todos no evento.

Para registo fotográfico esteve presente a Midtones Photography (www.midtonesphotography.com) que, com o seu profissionalismo já reconhecido, garantiu a obtenção de imagens, que de outra forma não teria sido possível obter.

É com agrado que a organização comunica que o Ciclo Passeio contou com a presença de adultos e crianças e se desenrolou sem incidentes. A boa disposição e a postura ordeira esteve presente, em todo o desenrolar do encontro. Mais um evento que demontra que é possivel ciclar ao longo da cidade, apesar de muitos a considerarem com uma geografia não amigável para deslocações diárias. Imagine-se como seria caso a cidade permitisse uma correta segregação dos diversos agentes de mobilidade, com maior estrutura ciclável e acalmias, reais, de tráfego.

Como nota final fica um agradecimento a todos que colaboraram ou participaram no evento, permitindo estimular a utilização de bicicletas, a solidariedade entre todos e a divulgação dos registos históricos.

 

Uma oportunidade para desacelarar

Sara da Costa @ Braga Ciclável

Publicado em 15/06/2019 às 10:06

Temas: Opinião Bicicleta Braga braga ciclável Desacelarar deslocação Diário do Minho Sara da Costa


O compasso em que vivemos as nossas vidas é cada vez mais acelerado e stressante e muitos de nós somos absorvidos pelo caos, a pressão e a pressa, levando a que a nossa mente se transforme numa autêntica autoestrada.

Andar de bicicleta no dia-a-dia é uma boa forma de reivindicar o nosso próprio tempo e focar a atenção no presente. É um excelente meio para criar um espaço mental livre e estarmos conectados com as nossas emoções, sensações físicas e com o meio envolvente. Assim, esquecemos e pedalamos para o lugar onde queremos ir com a mente atenta aos sons, à paisagem e a nós. A consciência que desenvolvemos ao andar de bicicleta ajuda-nos a libertar preocupações e a escapar a padrões de pensamento negativos. Somos confrontados com os nossos medos e com os nossos limites e superamos a cada momento desafios, tornando-nos mais autossuficientes e independentes.

A investigação tem revelado que utilizar a bicicleta na rotina diária, além de tornar o corpo mais saudável, apresenta grandes benefícios também para o cérebro aumentando a produção de proteínas usadas para o desenvolvimento de novas células cerebrais. Estando também cientificamente comprovados os benefícios para a saúde emocional, ajudando a combater a depressão e ansiedade. De acordo com autorrelatos de utilizadores de bicicleta, presentes consistentemente em diversos estudos, verifica-se que os fatores psicológicos como relaxamento, redução de stress, diversão, prazer e interação social são as principais motivações para o início e/ou continuidade da utilização da bicicleta como modo de transporte.

Quando estamos dentro da carapaça de um automóvel, estamos demasiados focados no destino, em chegar o mais rápido possível, levando a que o espaço temporal entre o partir e o chegar seja quase um tempo morto, uma perda de tempo – estar preso no trânsito é sempre um constrangimento, todos nós sabemos. Quando a deslocação é feita através da bicicleta o percurso é o encanto maior da viagem, possibilitando uma infinidade de conexões intermediárias que geralmente são muito valiosas e que conduzem a uma ótima sensação de bem-estar. O tempo do percurso deixa de ser apenas um tempo de deslocação e passa a contar como tempo útil, como tempo de vida.

@Diário do Minho, 15 de junho de 2019

 

V Braga Cycle Chic

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 12/06/2019 às 12:57

Temas: Eventos Notícias adoramos bicicletas Avenida Central Bicicleta Bicicletas clássicas Braga Cycle Chic Café Vianna Cycle Chic Encontros com Pedal José Mendes Passeio Bicicleta Praça da República Secretário de Estado V Braga Cycle Chic


No próximo dia 29 de Junho Braga recebe a 5.ª edição do Cycle Chic, organizada pela associação Braga Ciclável.

O evento, que terá como ponto de partida a Praça da República às 15h, conta este ano com a presença do secretário de estado e adjunto da mobilidade, José Mendes.

Às 14:30 a Braga Ciclável irá promover uma “Conversa sobre Mobilidade Ciclável” no Café Vianna, entre José Mendes, o presidente da associação, Mário Meireles, e todos aqueles que a nós se queiram juntar.

O passeio terá a duração de cerca de 2 horas e 5 km, percorrendo a cidade e fazendo algumas paragens ao longo do percurso no comércio local, demonstrando assim que a bicicleta pode ser utilizada em Braga enquanto modo de transporte, com as roupas do dia a dia, sendo esperada a presença de cerca 250 pessoas. O passeio demonstra ainda que a bicicleta é o modo de transporte mais eficiente na cidade, beneficiando o comércio local, melhorando a saúde da população e tornando os dias de quem a usa definitivamente mais alegres!

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As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias! Vem pedalar e divertir-te pela cidade no último sábado de junho!

A Associação Braga Ciclável assume-se como uma associação de defesa da mobilidade em bicicleta. Tem como objetivo melhorar as condições para o uso da bicicleta como meio de transporte, de forma correta, regrada e consciente, tendo sempre presente todos os benefícios para a saúde, a economia, o ambiente e a sustentabilidade da cidade.

 

Ciclo Passeio Solidário de São João

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 9/06/2019 às 21:03

Temas: Eventos Braga braga ciclável Ciclovias Festividades de São João de Braga Modos Suaves solidariedade


Ciclo Passeio Solidário de São João

No dia 16 de Junho, a Braga Ciclável organiza mais um passeio de bicicleta, pela cidade, desta vez de cariz solidário. Este passeio conta com a colaboração da Associação Anima Una, Midtones Photography e da Associação de Festas do São João de Braga.

Este passeio, terá o seu inicio na Praça da República, pelas 10:00. Depois passará pela Capela de São João de Braga, onde se desenrolará uma breve resenha histórica, sobre a grande festa do São João de Braga. Terminará, pelas 11h30, junto à Igreja do Seminário de Fraião.

Este passeio terá um ritmo urbano, sem qualquer vertente competitiva, numa ótica de informação, conhecimento da festividade principal da cidade, associado a um cariz solidário. Haverá um cumprimento escrupuloso das regras de trânsito e as pessoas que nele participarão serão totalmente responsáveis pelos seus atos.

O percurso foi elaborado tendo em conta a possibilidade de comparecerem crianças e por forma a evitar pontos onde as velocidades dos automóveis não permitem a circulação em segurança de pessoas em bicicleta. Ao longo do passeio, o grupo, terá o acompanhamento de uma patrulha da Policia de Segurança Pública.

Este é um evento de participação livre, sem inscrição e sem organização formal. A participação não está sujeita a inscrição prévia, sendo que basta aparecer no local às 10:00 do dia 16 de Junho.

A breve resenha histórica ficará a cargo do Dr Ricardo Silva, presidente da junta de freguesia de São Victor.

Caso assim pretendam, incentivamos a doar vestuário ou outros bens, para a causa do CEPAC (www.cepac.pt/home).

Porquê a escolha da CEPAC?

A CEPAC é uma IPSS que presta auxílio a imigrantes oriundos se diversos países, sobretudo de origem africana.
O seu objetivo é a facilitação de integração dos imigrantes na comunidade, apoio psicossocial, financeiro, alimentar e formativo, de acordo com as necessidades de cada um.
Apesar de não ser uma organização recente, a problemática que a Europa vive, com o fluxo migratório africano atual e a catástrofe humanitária no mar mediterrâneo, torna importante dar visibilidade e colaborar com estas instituições que, silenciosamente, tanto fazem por quem delas tanto necessita.

Dia 16 traga vestuário, que já não lhe faça falta, e nós encaminharemos para a CEPAC. Teremos, perto da Praça da República, um pequeno reboque para transportar os bens que sejam oferecidos ao CEPAC.

O Ciclo Passeio Solidário de São João vai contar com o profissionalismo da Midtones Photography, para o registo fotográfico do evento.
(consulte em www.midtonesphotography.com).

Contamos com a sua presença.

 

can’t miss [202] publico.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 5/06/2019 às 9:20

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta bike to work ciclismo urbano ciclofaixa ciclovia cidades coisas que leio Dia Mundial da Bicicleta educação rodoviária meios de transporte mo mobilidade motivação noticia opinião outras coisas partilha segurança rodoviária

Mesmo sem previamente ter solicitado autorização ao autor do texto, Abel Coentrão, transcrevo na mesma, na integra, o excelente artigo de opinião publicado na edição do Publico P3 de segunda-feira, 3 de junho passado.

Bicicleta, uma arma para a democracia urbana

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Diz o calendário que dia 3 de Junho é Dia Mundial da Bicicleta. Em Portugal, ou nas cidades portuguesas, não é ainda. Vai começando a ser, à medida que alguns autarcas, numa corrida não isenta de opções técnicas erradas, se atiram a cicloviar (desculpa-me o verbo inventado), as ruas que, nas últimas décadas, deixamos que fossem transformadas em estradas. O país está naquela fase em que se estranha, e até entranhar, vamos ter de nos habituar a levar com a ignorância de quem, desconhecendo o código, ainda acha que um ciclista deve baixar do seu veículo para atravessar a pé uma passagem para velocípedes devidamente assinalada. Um acto que pode dar multa pois nenhum peão, que é o que somos, de bicicleta na mão, deveria atravessar ali.

A morte é, para já, eterna, a ignorância pode não ser, se a quisermos combater. E o mesmo acontece à mudança, que só não acontece a quem não se predispuser a ela. Em Setembro do ano passado, nas vésperas do Dia Europeu Sem carros, entregámos, lá em casa, um automóvel para abate, ficamos com outro, e comprámos, para as deslocações que fazíamos sozinhos, e sem os filhos, uma bicicleta. Que poderia ser convencional, mas é eléctrica, para colmatar as debilidades de uma deficiência física que me acompanha desde que nasci.

Portugal está quase a ver publicada a Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa 2020-2030, que pressupõe uma inversão de prioridades na forma como nos deslocamos. Diz a nossa estatística doméstica, comum à de muitas casas por essas cidades fora, que deixámos de ter dois carros parados 95% do tempo na estação de metro de onde seguimos, 30 quilómetros em transporte público, para o trabalho. Passamos a ter um, com um uso mais racional, está bom de ver. O utilitário que abatemos conseguia a proeza de estar 100% parado na maior parte dos fins-de-semana. E nunca nos tínhamos questionado sobre isso.

Entretanto, como desejávamos, vendemos uma casa num espaço periurbano, onde essa dependência do automóvel me incomodava o espírito de poluidor em remissão e, principalmente, um ombro direito, sobrecarregado, na condução, pela debilidade do esquerdo. E como, com um ombro a latejar, escrever se torna tarefa impossível, preservar o instrumento do meu trabalho enquanto jornalista parecia-nos razão suficiente para deixar para trás uma casa de sonho. Sem deixar de sonhar.

Há um mês deixámos assim uma casa com áreas generosas e cheia de boas memórias, e fomos para um apartamento, grande, mas muito menos espaçoso, claro, quase no centro da cidade ao lado. A cadela estranhou, todos estranhamos, mas, por motivos vários, já conseguimos entranhar a mudança. E um desses motivos é a mobilidade. Se antes estávamos a 3,5 quilómetros do comboio, agora vemo-lo da varanda, e quase dá para gritar que esperem por nós, se nos atrasarmos. E se a pé tínhamos só um mini-mercado, agora, num raio de cinco minutos, temos todas as opções, em modo comércio local.

Mas a melhor surpresa antecipámo-la no primeiro dia, em que, enquanto nos entretínhamos a carregar caixas e caixas, na rua funcionários da autarquia pintavam símbolos de bicicletas na faixa de rodagem, junto à berma.

Estranhámos o presente, sabendo que não tinha anunciado, ao município da Póvoa de Varzim – cujo presidente vai de bicicleta para o local de trabalho – que íamos mudar-nos para ali. Uma das minhas vizinhas, que gere uma loja no prédio, estranhou também, e, num interessante debate entre quase desconhecidos, aceitou ser convencida do erro em que enformava o seu raciocínio. A vizinha reclamava que os seus clientes já não teriam um sítio para estacionar. E eu, que atravessara de carro aquela rua algumas vezes, perguntei-lhe se ela alguma vez tinha reflectido no facto de essa fila de carros ali parada, tapando, agora, as bicicletas desenhadas no chão, obrigar os automobilistas a descer a rua em contramão, em clara infracção.

Desenhar bicicletas no piso de uma estrada onde não há uma via dedicada para ciclistas parece um desperdício de recursos. E será, no dia em que todos percebermos que uma bicicleta, ou velocípede, no jargão do Código da Estrada, é um veículo com praticamente os mesmos direitos e deveres dos restantes. Nesse dia, as bicicletas pintadas na faixa de rodagem das ruas das nossas cidades servirão, quando muito, para lembrar àqueles que julgam que, sendo de todos, a estrada é basicamente sua, que há mais quem precise daquele espaço; e que o Estado não tem de investir na criação de um número infinito de lugares de estacionamento.

As mesmas pessoas que reclamam por um sítio para estacionar o segundo ou terceiro carro que já não cabe na garagem, ou que compram um único automóvel mas esperam que a câmara – nós todos – assuma o preço do espaço para o estacionar na rua são, não raras vezes, as mesmas que reclamam pela introdução dos limites de 30 km/h. São, não raras vezes, as que se queixam das passadeiras elevadas que lhes “estragam” as suspensões. São, no fundo, as que acham que a cidade deve fazer tudo para facilitar a sua existência enquanto automobilistas, esquecendo o quanto estas medidas impactam, positivamente, na nossa vida, a deles incluída, sempre que assumimos o papel de peões e de ciclistas.

Depois de uma época em que se estreitaram passeios e até derrubaram árvores para arranjar mais espaço para carros parados ou em andamento, em nome de uma certa ideia de fluidez, muitos dos nossos autarcas, mesmo os que raramente andam a pé ou de bicicleta, já perceberam que poderão não perder muitos votos – e até ganhar alguns de onde não esperavam – se responderem positivamente àqueles para quem se tornou urgente uma outra revolução: as nossas estradas têm de voltar a ser ruas – com ou sem carros – mas acima de tudo espaços onde seja seguro circular em modos activos, ou suaves como também se diz.

Esta é uma questão de saúde pública, de ambiente, mas também de sociabilidade e democracia. O espaço público não pode ser um quase-exclusivo de quem tem o dinheiro ou o crédito, ou a idade para ter um automóvel. E para respirar ar puro não deve ser necessário andar quilómetros até ao parque urbano mais próximo. Qualquer sociedade poderia impor esta agenda andando mais a pé – ou protestando pelo direito a fazê-lo em segurança­ – mas a bicicleta tem uma vantagem óbvia. Ao disputar directamente espaço ao carro particular, ela é uma arma com um potencial enorme para tornar evidente a ditadura do automóvel em que (ainda) vivemos, com as consequências nefastas em termos de sinistralidade rodoviária que bem conhecemos.

Essa ditadura está bem patente quando um automobilista, com a arrogância insuflada pela ignorância, mostra, de viva voz, que pára por favor na estrada para um ciclista atravessar onde a lei diz que o deve fazer sem sair do seu veículo. Enquanto houver gente a comportar-se assim, olhando de cima para quem lhe vem roubar um privilégio, a bicicleta tem que ser celebrada, como coisa estranha que ainda é. Porque temos o direito a sonhar por um país em que a democracia chegue também ao espaço público.

(fonte: www.publico.pt)

 
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