rafeiro vs. ciclista

paulofski @ na bicicleta | 27/03/2015 às 13:02

Temas: [ motivação ] [ bicicultura ] [ cães e bicicletas ] [ ciclistas urbanos do Porto ] [ Cosmica ] [ fotografia ] [ outras coisas ] [ Prelada ]

rafeiro vs ciclista 1
Por alguma razão há cães que não se dão lá muito bem com bicicletas e têm vocação para perseguir afoitos ciclistas. Talvez seja apenas para sacudir as pulgas, querem dar ao dente num rechonchudo tornozelo, ou porque se sentem intimidados pelo ciclista, o facto é que por vezes cães e bicicletas não combinam. Posso dizer até já possuir alguma experiência na temática como escapar aos pulguentos, mas até ver ainda só atropelei um!

rafeiro vs ciclista 2
Caso algum cão vadio se intrometa no nosso caminho deveremos ter sempre alguns truques na manga. Em primeiro lugar não demonstrar medo aos caninos. Parar e até desmontar da bicla intimida-os e assim eles já não mostram tanta coragem. Ladram um pouquinho e vão embora, provavelmente a rosnar algo do género: “Olha, este não quer brincar!”. Mas caso os vira-latas sejam daqueles que não desistem facilmente e exibem os caninos bem pertinho do nosso tornozelo, resta-nos antecipar uma vigorosa pedalada, sacar do bidon e esguichar um pouco de água no focinho, na esperança de os ver ficar para trás.

rafeiro vs ciclista 3
Ontem à tarde, bem pertinho de minha casa, dou de caras com o audaz e eriçado rafeiro. Numa correria desenfreada, o jeco aparece do nada, direito a mim a ladrar como que a convidar-me para uma corridinha. Parei, ele também parou, e então dei-lhe trela ao desafio. Apenas lhe pedi para esperar um pouquinho, para preparar a minha teleobjectiva telefónica. Lado a lado, eu na ciclovia e ele no relvado, fizemos um pequeno jogo entre o cão e o gato, que resultou num grande divertimento e nas fotos para hoje vos mostrar. O que eles querem é simplesmente brincar.

rafeiro vs ciclista 4
Tenho uma teoria que poderá explicar os cães correrem atrás das bicicletas: Cá para mim o que os move são os ciúmes, porque em todo o caso a bicicleta rivaliza com eles, na qualidade de melhor amiga do homem.

rafeiro vs ciclista 5

“Aaaauuu… ganhei-te por um dente!”… ladra-me o gajo!


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investir, implementar, desfilar

paulofski @ na bicicleta | 26/03/2015 às 16:23

Temas: [ divulgação ] [ Alcanena ] [ Arruda dos Vinhos ] [ bicicultura ] [ ciclovia ] [ coisas que leio ] [ Esposende ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ passeio ] [ pasteleiras e vintageiras ]

Arruda dos Vinhos vai ter rede de bicicletas públicas e duas ciclovias até ao final do ano

“A Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos aprovou recentemente o projecto de regulamento do sistema de utilização de bicicletas de uso público de Arruda dos Vinhos denominado “Arruvinhas”. O documento encontra-se agora em consulta pública.
O município pretende “implementar uma rede de mobilidade suave em meio urbano para transporte não poluente de pessoas, em trabalho ou em lazer, como alternativa válida ou complementar de deslocação aos modos de transporte habituais e consumidores de combustíveis fósseis”, pode ler-se no site oficial da autarquia.”…

fonte: http://menosumcarro.pt

Alcanena investe 237 mil euros em rede de percursos pedestres e de bicicleta

“Realizou-se no domingo passado, 22 de março, às 16h30, no Auditório do Centro Ciência Viva do Alviela – Carsoscópio, a apresentação pública do projeto “Percorrer e Conhecer Alcanena” – Rede de Percursos Municipais. Este projeto resulta de uma candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Alcanena à ADIRN, ao abrigo da ação 3.2.1 – Conservação e Valorização do Património Rural, do Subprograma 3 – Dinamização das Zonas Rurais do PRODER, com um investimento total de 237.525 euros, sobre o qual recai um financiamento de 115.425 euros, com vista à criação da Rede de Percursos Municipais “Percorrer e Conhecer Alcanena”, cujo ponto nevrálgico é a Praia Fluvial dos Olhos de Água. A rede de Percursos “Percorrer e Conhecer Alcanena” é constituída por 11 percursos pedestres, 5 percursos de BTT (sendo um com roadbook), 3 percursos de orientação e 1 circuito de manutenção.”

fonte: http://www.oribatejo.pt

III Encontro de Bicicletas Antigas – Esposende

“A Freguesia de Marinhas, concelho de Esposende irá receber no Próximo Sábado dia 28 de Março de 2015 um Encontro inédito no Norte do País.
Encontro esse que contará com cerca de 400 participantes com a sua bicicleta antiga e trajados á moda antiga que durante a tarde de Sábado irão desfilar pelas principais ruas da Freguesia de Marinhas e da cidade de Esposende.
A concentração tem inicio as 14:30h no Campo de São Miguel em Marinhas e logo de seguida o desfile arranca em direcção á “Quinta da Seara Turismo Rural” onde será servido um lanche á moda do Minho.”…

III Encontro de bicicletas antigas marinhas esposendefonte: http://esposendealtruista.blogspot.pt


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Seguros e assistência médica para viajantes

Ana Pereira @ Viagens a Pedal | 25/03/2015 às 0:07

Temas: [ Geral ] [ preparação ] [ assistência médica ] [ bicicultura ] [ saúde ] [ seguros ] [ tour da bicicultura ]

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E é para isso que deverão servir os seguros.

Ao planear uma viagem como esta temos que ponderar várias coisas, entre elas:

  • se adoecermos ou sofrermos um acidente do qual resultem ferimentos, que assistência médica precisaremos, onde a poderemos obter e como, quais os custos da mesma, e como os suportaremos?
  • se o mencionado acima acontecer e implicar sermos evacuados de determinado sítio ou até repatriados, como suportaremos esses custos?
  • se um familiar ou amigo adoecer gravemente ou morrer e nós precisarmos de regressar, como pagaremos o bilhete de avião?
  • o que faremos se nos roubarem o nosso equipamento?

Assistência médica

Para a parte da viagem que for feita ainda em Portugal temos, claro, acesso ao Sistema Nacional de Saúde (recomendo a toda a gente a consulta deste guia).

CESDEnquanto cidadãos da União Europeia, basta pedir (gratuitamente) o Cartão Europeu de Seguro de Doença com pelo menos 2 semanas de antecedência da nossa partida, para termos direito à prestação de cuidados de saúde em qualquer um dos Estados da União Europeia (28: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslovénia, Estónia, Grécia, Espanha, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, República Eslovaca, Roménia, Suécia e Croácia), Espaço Económico Europeu (mais: Islândia, Liechtenstein e Noruega) e Suíça.

O cartão, válido por 3 anos, garante o mesmo acesso aos cuidados de saúde do sector público (ou seja, um médico, uma farmácia, um hospital ou um centro de saúde) que os cidadãos do país que estamos a visitar. Se for necessário recebermos tratamento médico num país em que os cuidados de saúde não sejam gratuitos, seremos reembolsados imediatamente ou mais tarde, quando regressarmos ao nosso país.

Informações úteis:

Caso queiramos ficar num mesmo país europeu por mais de 3 meses seguidos (o que poderia eventualmente acontecer num país grande com vários pontos de interesse, ou num país onde quiséssemos permanecer mais tempo a estudar, fazer voluntariado e/ou a trabalhar), precisaremos de ter um seguro de saúde para não sermos um encargo para o sistema nacional de saúde local.

Assim, cuidados médicos preventivos e não-urgentes, serão cobertos pelo Serviço Nacional de Saúde através do Cartão Europeu de Seguro de Doença, em 31 países europeus, para estadias até 3 meses em dado país; para estadias além de 3 meses, é necessário contratar um seguro de saúde. Cuidados médicos de emergência podem ser prestados da mesma forma, e/ou também através de um eventual seguro de viagem

Para já o nosso plano de viagem (ainda em fase de construção) não vai além dos 31 países da União Europeia & espaço Schengen, e não prevê passarmos mais de 3 meses no mesmo país, o que simplifica a questão dos cuidados de saúde básicos.

(Mas se a coisa correr bem, quereremos saltar o oceano Atlântico e viajar também pelos EUA e pelo Brasil. Nessa altura teremos que pensar em fazer a Consulta de Saúde do Viajante antes de partir, para salvaguardar as vacinas e os cuidados mais indicados. De qualquer modo, e mesmo para a Europa, é importante garantir que temos as vacinas normais em dia.)

Seguros de viagem

Contudo, numa viagem há mais preocupações além da saúde (ou falta dela), por isso inventaram os seguros de viagem, que incluem, ou podem incluir, cobertura para acidentes pessoais, responsabilidade civil, roubo de equipamento, entre muitas outras chatices.

Comecei a investigar a oferta de seguros para este tipo de viagem, e um de que dizem bem é o da World Nomads. Mas têm alguns pontos negativos, nomeadamente, não cobrem o roubo de bicicletas e acessórios (duh), não cobrem o país de residência do subscritor, e estão pensados para quem vai envolver-se em actividades de “aventura” (onde está, de resto, incluído o bike touring), 1.720 € no mínimo para um seguro anual, para um casal, pode ser desnecessariamente caro…

Pesquisando na net por outros seguros de viagem mais “normais”, deparo-me com algumas dificuldades, nomeadamente, todos os simuladores pedem o país de destino, em vez da região… E vi vários que limitam as viagens a 3 meses consecutivos. Estão mais vocacionados para viagens de curta duração. Antes de decidir se subscrevemos ou não um seguro de viagem, ou que seguro de viagem poderá ser o mais adequado para a nossa viagem, teria que contactar seguradoras uma a uma e tentar obter cotações, mas entretanto, no Alma de Viajante afirmam que não há oferta deste género em Portugal, e a oferta internacional acessível a residentes em Portugal é reduzida, sendo que eles também recomendam o da World Nomads. O mais próximo de um seguro de viagem de longa duração adequado, que encontrei, foi este, mas embora muito mais barato, pode não oferecer a melhor combinação de coberturas. A analisar. De qualquer modo, duvido que consigamos ter a cobertura que a World Nomads oferece no que diz respeito a estudar, fazer voluntariado ou mesmo trabalhar durante a viagem, e isso é um factor fundamental…

Posto isto, já está identificada uma grande despesa inicial para a viagem.

Seguros para animais de companhia

A ideia é viajar com a Mutthilda, claro. Cá em Portugal contratámos para ela um seguro de assistência médica veterinária & responsabilidade civil, mas é válido apenas em território nacional. Pesquisei por oferta de seguros de viagem para animais de companhia mas não consegui encontrar nada. Nenhuma oferta, nem ninguém a falar disso. Zero. Nicles. Vou ter que andar a perguntar às seguradoras uma a uma, mas começo a recear que não haja mesmo opção…

Lista de afazeres:

  • requisitar o Cartão Europeu de Seguro de Doença (gratuito)
  • verificar se temos reforços de vacinas em atraso (e corrigir, se for o caso)
  • contratar um dos seguros da World Nomads (desde 1.720 € para nós os dois)
  • pesquisar e contratar um seguro de viagem para a Mutthilda

Referências e fontes:

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hoje tem a palavra o guru das biclas da Inbicta

paulofski @ na bicicleta | 23/03/2015 às 11:45

Temas: [ filme ] [ bicicletas bué de fixes ] [ bicicultura ] [ coisas que vejo ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ passe a publicidade ] [ Porto ] [ Velo Invicta ]

mister Barbosa aka Capas Peneda


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Meus são os olhos de Deus!*

@ Eu e as minhas bicicletas | 21/03/2015 às 22:07

Temas: [ bicicultura ] [ commute ] [ noite ] [ olhos ] [ óculos ]

"Mine are the eyes of God" - Corrosion of Conformity

Os olhos é algo que temos de ter algum cuidado quando andamos de bicicleta.

Nos idos tempos de BTT não dispensava um óculos de sol, pois no meio do mato há sempre uma silva ou um ramo que nos pode cegar para todo o sempre.

Mas mesmo nos estradões abertos eu sempre chorei abundantemente com o ar a bater nos olhos, pelo que era imprescindível levar sempre algo para os proteger dos elementos (vento, areias e poeiras, chuvas) e dos insectos/bicharocos.

[Faz-me muita confusão aquela malta que anda de moto/scooter com capacete aberto sem viseira a levar com o vento na cara, e às vezes até vai a fumar um cigarro.]

Agora nos meus commutes não é diferente, qualquer dia de vento me faz largar lágrimas, qualquer descida mais acentuada ou reta acelerada faz verter o sal dos olhos. Por isso não dispenso nunca uns óculos de sol.

Mas isto dos commutes trouxe um desafio acrescido, daquelas coisas em que normalmente não pensamos... é que à noite óculos de sol não dá jeitinho nenhum!

De noite e em dias de inverno uso estes:

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Em dias claros uso estes:

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O meu commute é de 11kms + 11kms pelo que eu uso alguns apetrejos específicos para a deslocação e isto dos óculos é algo que já não dispenso. Mas nos percursos dentro da cidade de 2kms a 3kms obviamente que não tenho essa parafernália toda, é agarrar na bina e siga.

Tenho reparado que cada vez mais commuters de longo curso usam este tipo de proteção de óculos simples e leves, nomeadamente os transparentes à noite.

Os olhos, cuidado com os olhos...

* Cada um acredita no que quer, eu sou ateu. Just saying.
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cicloviando

paulofski @ na bicicleta | 20/03/2015 às 16:30

Temas: [ o ciclo perfeiro ] [ 1 carro a menos ] [ bicicultura ] [ ciclovia ] [ Cosmica ] [ devaneios a pedais ] [ fotografia ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ penso eu de que... ] [ Porto ]

Na garupa das minhas biclas cada dia é diferente. A luz é diferente, o tempo é diferente, nada fica indiferente ao meu estado de espírito. Não é apenas a minha alternativa viável como meio de transporte, é meio caminho pedalado para amplificar a boa disposição. Frases do tipo, “fazes tu muito bem” ou “gostaria de ter essa sorte” são conversas a que vou estando habituado… Aproveito cada momento.

cicloviando


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NA ECOPISTA DO SABOR

Pedro Roque Oliveira @ VELOCIPEDI@ | 18/03/2015 às 17:49

Temas: [ Bicicultura ]

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Decorre em parte da antiga linha do Sabor (encerrada em 1988) designadamente entre Torre de Moncorvo e Carviçais ao longo de 24,5 kms. e com 330 metros de acumulado (sentido ascendente).

Como é típico dos antigos traçados de via estreita num sentido é ascendente e no outro descendente mas, igualmente, ao percorre-lo para um lado e para o outro, parece que estamos perante duas ecopistas distintas.

Não sendo pavimentada vê, a ecopista do Sabor, em alguns dos seus troços mais antigos e/ou menos percorridos, o mato ocupar a via e, com isso, retirar alguma da agradabilidade no ato de pedalar numa pista exclusiva. Cada vez mais entendemos que vale bem o acréscimo inicial no investimento já que se poupa e muito em manutenção permitindo manter as condições físicas e, deste modo, a agradabilidade de quem busca este tipo de infraestrutura.

Porém, a "fase descendente" é redentora: a maior velocidade faz esquecer as dificuldades de progressão pouco habituais em ecopistas e a visão do vale do Douro revela-se magnífica tal como a do Convento do Carmelo e a de Torre de Moncorvo. Nem o dia cinzento com a ameaça constante de chuva de meados de fevereiro alterou esta perceção.

Em suma este traçado do Sabor, não deslumbrando como o Dão ou o Tâmega, consegue ainda assim conferir elevada satisfação a quem nela pedala. Espera-se, por um lado, a extensão a partir do km. 0 no Pocinho e, por outro, o prolongamento a Miranda do Douro que a converteria na maior ecopista do país.


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Os bons condutores só conduzem

Ana Pereira @ Cenas a Pedal - Escola de Bicicleta | 17/03/2015 às 19:02

Temas: [ Campanhas de redução de risco rodoviário ] [ Código da Estrada ] [ Condução de bicicleta ] [ Dicas para condutores de automóvel ] [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ campanhas ] [ condução ] [ risco rodoviário ] [ vídeos ]

Nota prévia: o objectivo da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal é, primariamente, criar bons condutores de bicicleta, mas também, e no processo, criar melhores condutores no geral, para benefício de todos. Este post será útil para todos os condutores, seja de que veículo for.

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Quando conduzir não beba.

Toda a gente tem este slogan na cabeça (embora muitos continuem sem o respeitar…).
Mas não basta. Hoje em dia, com rádio, vídeo, telemóveis, tablets e afins no automóvel precisamos de interiorizar isto:

Os bons condutores só conduzem.

Escrevo este texto a propósito desta campanha que encontrei há tempos na net:

crotches-kill-womanCrotches-Kill-Man

O COLO MATA

Sabemos o que estás a fazer aí em baixo. Enviar mesmo a mais curta SMS tira os teus olhos da estrada por 5 segundos – o suficiente para fazer uma vida inteira de estragos.

Mantém os teus olhos afastados do teu telemóvel.

Esta é muito suave, não mostra a brutalidade das consequências do que a maior parte das pessoas considera uma actividade inócua, como faz esta outra campanha, ou este testemunho real de uma rapariga de 20 anos que se envolveu num sinistro por se ter permitido distrair com o telemóvel, sofrendo sequelas graves.

É relativamente comum ver pessoas a usar o telemóvel enquanto conduzem um automóvel, seja em movimento, seja em situações tipo pára-arranca (congestionamentos, semáforos, etc). Antes era quase sempre a preparar ou a efectuar chamadas, mas hoje em dia é igualmente comum vê-las a usarem o telemóvel para outras funções, nomeadamente, enviar e receber SMS, navegar no Facebook, tirar fotos, etc.

Fazem-no porque têm a ilusão de que têm o controlo da situação e de que conseguem detectar mudanças no ambiente e reagir eficazmente às mesmas apesar de estarem a tentar realizar duas tarefas em simultâneo. Estão enganados e esta campanha da ONG Responsible Young Drivers (RYD) demonstra isto muito bem:

Foi dito a estes alunos que, para passarem no exame de condução, teriam que provar conseguir conduzir em segurança e enviar SMS ao mesmo tempo, uma “nova directiva governamental”. As câmaras ocultas mostram bem os resultados…

O efeito do uso do telemóvel na condução de um veículo

Ora, usar o telemóvel, seja para conversar ou para outra coisa qualquer, enquanto se conduz tem três problemas graves:

1. leva-nos a momentaneamente deixar de olhar para o que se passa à nossa frente e ao nosso redor (5 segundos ou mais)

A 80 Km/h, em 5 segundos a olhar para outro sítio que não para a frente, dá para atravessarmos (às cegas) um campo de futebol inteiro (111 m). A 50 Km/h percorremos 70 m sem ver, e 30 Km/h percorremos um campo de futsal (42 m). Ao longo desta distância, pode haver veículos a imobilizarem-se à nossa frente, peões ou animais a atravessarem a estrada, etc – e nós não estamos a olhar sequer.

Em 2011 (segundo esta fonte) 23 % das colisões automóveis nos EUA envolveram telemóveis. Enviar mensagens pelo telemóvel enquanto se conduz torna envolvermo-nos numa colisão um cenário 23 vezes mais provável. E é 6 vezes pior que conduzir bêbado.

2. aumenta a nossa carga cognitiva, o que aumenta a probabilidade de cometermos erros 

Carga cognitiva é a quantidade de informação que um humano tenta processar na memória de trabalho, a dado momento.

Limite cognitivo é o número máximo de pedaços de informação que uma pessoa consegue processar na memória de trabalho, a dado momento.

Pelos vistos, o limite cognitivo humano é muito baixo.

Para perceberem o efeito que a carga cognitiva tem na nossa capacidade de conduzir, sugiro que vejam pelo menos os minutos 20 a 26 deste (belíssimo) documentário:

Não é só o tempo de reacção que fica comprometido, mas também a capacidade de reacção, como mostra a experiência levada a cabo no documentário acima, por exemplo.

O que é que acontece quando aumentamos a nossa carga cognitiva, tentando desempenhar várias tarefas em simultâneo, e excedemos o nosso limite cognitivo? Temos um pior desempenho a todas as tarefas (mais erros, mais tempo), ou negligenciamos completamente algumas delas, não lhes conseguindo dedicar atenção suficiente.

Ver implica olhar e detectar, ou seja, não basta ter algo à nossa frente para o vermos, é preciso também processar mentalmente esse algo. Se não estivermos atentos o suficiente podemos sofrer de “inattentional blindness“, ou cegueira desatenciosa, numa tradução livre.

Cegueira desatenciosa é a falha em notar um objecto totalmente visível mas inesperado porque a atenção estava focada noutra tarefa, evento ou objecto.

Ou seja, é possível ver sem ver, se estivermos atentos a outra coisa qualquer:

3. obriga a tirar uma das mãos do guiador, ou a não o segurar da forma correcta

Isto faz-nos desviar a rota, frequentemente invadindo a via de trânsito contígua à esquerda, e condiciona a precisão da nossa reacção de tentar voltar para a direita.

Os condutores [americanos] jovens que enviam SMS enquanto conduzem passam 10 % do tempo fora da sua via de trânsito (segundo esta fonte). As consequências de tal negligência podem ser estas:

As nossas forças policiais de vez em quando fazem umas acções de fiscalização que incidem especificamente nesta infracção do uso de telemóvel a conduzir.

A GNR multou 22.419 condutores por usarem telemóvel durante a condução em 2014 […]

Contudo, não é suficiente, pois continua a ser uma prática disseminada, e perigosa.

Que diz o nosso Código da Estrada?

Artigo 11.º – Condução de veículos e animais

2 – Os condutores devem, durante a condução, abster-se da prática de quaisquer atos que sejam suscetíveis de prejudicar o exercício da condução com segurança.

3 – O condutor de um veículo não pode pôr em perigo os utilizadores vulneráveis.

4 – Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 60 a € 300.

Ora, qualquer coisa que comprometa a nossa visão e/ou que comprometa a nossa capacidade de detectar e processar informação relevante ao conduzir, e reagir adequadamente em tempo útil, prejudica o exercício da condução com segurança. Exemplos:

  • enviar SMS’s
  • usar um telemóvel ou smartphone
  • comer e beber
  • conversar com passageiros
  • pentearmo-nos, maquilharmo-nos, etc
  • ler, incluindo mapas
  • usar um sistema da GPS
  • ver um vídeo
  • ajustar o rádio, leitor de CD ou MP3
  • fumar

Artigo 84.º – Proibição de utilização de certos aparelhos

1 – É proibida ao condutor, durante a marcha do veículo, a utilização ou o manuseamento de forma continuada de qualquer tipo de equipamento ou aparelho suscetível de prejudicar a condução, designadamente auscultadores sonoros e aparelhos radiotelefónicos.

2 – Excetuam-se do número anterior:

a) Os aparelhos dotados de um único auricular ou microfone com sistema de alta voz, cuja utilização não implique manuseamento continuado;

4 – Quem infringir o disposto no n.º 1 é sancionado com coima de € 120 a € 600.

Este artigo, que não pode contrariar o Art.º 11…, especifica alguns dos actos susceptíveis de prejudicar a condução, proibindo a utilização ou manuseamento prolongado de dispositivos que possam afectar negativamente a condução, apontando concretamente auscultadores e telemóveis. Contudo, abre logo uma excepção para estes se se usar apenas 1 auricular ou u sistema de alta-voz, ignorando totalmente o efeito muito mais importante da carga cognitiva, focando-se apenas na questão do controlo físico do carro, e da audição.

A lei está errada, peca por defeito. 

Artigo 145.º – Contraordenações graves

1 – No exercício da condução, consideram-se graves as seguintes contraordenações:

nn) A utilização, durante a marcha do veículo, de auscultadores sonoros e de aparelhos radiotelefónicos, salvo nas condições previstas no n.º 2 do artigo 84.º;

Artigo 147.º – Inibição de conduzir

1 – A sanção acessória aplicável aos condutores pela prática de contraordenações graves ou muito graves previstas no Código da Estrada e legislação complementar consiste na inibição de conduzir.

2 – A sanção de inibição de conduzir tem a duração mínima de um mês e máxima de um ano, ou mínima de dois meses e máxima de dois anos, consoante seja aplicável às contraordenações graves ou muito graves, respetivamente, e refere-se a todos os veículos a motor.

O que é que isto tem a ver comigo ao conduzir uma bicicleta?

Primeiro, a lei também se aplica aos condutores de velocípedes, a única diferença é na escala das coimas, que são reduzidas a metade:

Artigo 96.º – Remissão

As coimas previstas no presente Código são reduzidas para metade nos seus limites mínimo e máximo quando aplicáveis aos condutores de velocípedes, salvo quando se trate de coimas especificamente fixadas para estes condutores.

Esta redução reflecte o menor perigo associado à condução de uma bicicleta versus um veículo motorizado. As consequências dos nossos erros a conduzir uma bicicleta são substancialmente menores e menos graves que a conduzir um automóvel. Contudo, embora a severidade das consequências possa ser menor, a probabilidade de sinistro continua a existir (nomeadamente afectando outros “utilizadores vulneráveis”, como ciclistas e peões), daí que faça sentido a lei também se aplicar a estes condutores.

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Segundo, de bicicleta estamos mais vulneráveis às consequências da distracção durante a condução por parte de quem conduz veículos motorizados, porque 1) não temos uma carapaça de protecção contra impactos e 2) continuamos a ser, em muitas circunstâncias, elementos inesperados (porque as bicicletas são relativamente raras nas vias públicas).

Mas então, é demasiado perigoso andar de bicicleta!

Não, o risco existe, mas não num vácuo. É mais perigoso ter uma vida sedentária que andar de bicicleta, por exemplo.

Para um condutor competente, que conduza um veículo seguro, o risco de se envolver num sinistro é muito menor do que para um condutor que não tenha as ferramentas necessárias para praticar uma condução segura, ou que as tendo, não as use.

Investindo, por isso, em tornarmo-nos condutores competentes de veículos fiáveis e em boas condições de operação, a envolvermo-nos num sinistro, é mais provável que este seja causado por negligência grosseira de outro condutor: condução em estado intoxicado, sob a influência de substâncias psicotrópicas, cansado, sonolento, distraído. Ou seja, o nosso risco global é muito baixo, mas continua a existir, e a ameaça maior passa a ser esta. Para os outros condutores, as principais ameaças são coisas que um bom condutor evita automaticamente…

O que fazer para reduzir ainda mais esse risco?

1. Liderar pelo exemplo

Os exemplos, sejam bons ou maus, são muito poderosos. Há-que dar o melhor exemplo possível, há sempre muita gente a ver.

A conduzir, a nossa atenção tem que estar 100 % dedicada a essa tarefa.

2. Falar destas questões com toda a gente, sempre que se proporcionar

A cultura é mais importante do que a lei. Podemos ter leis espectaculares, mas se a cultura não as acompanha, serão ineficazes, pois as pessoas moldam a sua interpretação e a sua aplicação da lei às suas crenças.

Tem que haver pressão dos pares para não incorrer nestes comportamentos. Ser um mau condutor tem que ser mal visto na sociedade. Por isso temos que falar destas coisas, discuti-las, chamar os outros à atenção, educar, exigir a nossa segurança e a dos outros.

3. Exercer o nosso dever profissional e/ou cívico

As autoridades policiais não devem fechar os olhos a estes comportamentos, reforçando-os. Agirem pode salvar vidas.

Se somos passageiros num veículo devemos insistir com o condutor para uma condução segura para todos. É nossa responsabilidade acusar atitudes negligentes e pressionar para que sejam suspensas.

4. Reduzir a nossa exposição

Risco = probabilidade x severidade x exposição

Eu consigo reduzir o meu risco mexendo nestas 3 variáveis. Neste caso em concreto de condutores distraídos (ou comprometidos nas suas capacidades, ex.: álcool, sonolência, cansaço), há pouco que eu possa fazer para reduzir a severidade das consequências de uma colisão. Mas eu posso tentar reduzir a minha exposição. Por exemplo, evitando zonas e horários típicos de condutores intoxicados, ou horários onde é mais comum haver condutores em privação de sono e cansados, se eu tiver essa informação.

5. Reduzir a probabilidade de uma colisão

Para reduzir o risco a que me exponho, posso ainda adaptar a minha condução de forma a reduzir a probabilidade de me envolver numa colisão. Por exemplo, ajustando a minha posição na estrada ao aguardar num semáforo ou num STOP, deixando sempre margem para erros da parte dos outros condutores (ex.: estarem a olhar para mim não quer dizer que me tenham detectado – “cegueira desatenciosa”; o outro condutor ter um sinal de STOP não garante que ele vá ceder-me a passagem, pode vir distraído; se o comportamento do outro condutor é errático ou revela sinais de estar a tentar compensar por algo, dobrar os cuidados perto dele…).

 

Referências:

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bicicleta do povo

paulofski @ na bicicleta | 17/03/2015 às 13:14

Temas: [ divulgação ] [ bicicultura ] [ boas ideias ] [ cicloficina ] [ coisas que leio ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ partilha ] [ Queluz ]

O Bruno Pisco gosta de andar de bicicleta e gostaria ver o seu antigo Bairro em movimento…

bicicleta do povo

“Descrição

Esta atividade parte de um grupo de jovens moradores de Queluz que tem dinamizado diferentes atividades comunitárias onde se procura aproximar moradores, através de práticas desportivas e outras, onde todos têm lugar para dar as suas ideias, e para as concretizar coletivamente.

Através da prática coletiva de bicicleta, dar a conhecer e valorizar esta zona, seja aos moradores da freguesia como a outros visitantes e turistas.

Com a ciclo oficina pretende-se criar um espaço com condições para arranjos, e partilha de conhecimentos e aprendizagens entre todos, de forma a favorecer a bicicleta como transporte em meio urbano.”…

Podes ler e saber mais deste projecto aqui, em comunidadeedp.pt/todosqueremosumbairromelhor/ideia/1324


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This girl can / Esta rapariga pode

Ana Pereira @ Cenas a Pedal | 16/03/2015 às 8:31

Temas: [ Anúncios e Campanhas ] [ Causas ] [ Desporto ] [ Indústria e Consumidor ] [ Lifestyle e Cultura ] [ Mulheres ] [ Videos ] [ Web e outros Media ] [ actividade física ] [ bicicultura ] [ campanhas ] [ saúde ]

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Esta Rapariga Pode é uma campanha nacional [no Reino Unido] desenvolvida pela Sport England e uma vasta gama de organizações parceiras. É uma celebração de mulheres activas por todo o país que estão a fazer a cena delas, não interessa quão bem o fazem, qual o seu aspecto ou até mesmo quão vermelhas ficam as suas caras.

 

Há muitos exemplos de exercício e desporto, mas também há exemplos de actividade física simples, como “ir de bicicleta”.

A Grace gosta de andar de bicicleta, ela gosta de estar lá fora a pedalar ao ar fresco, às vezes frio. Ela não está numa corrida com ninguém, não se preocupa com a velocidade a que vai. Ela simplesmente faz a cena dela e é só isso que importa.

Nos bastidores:

Podem ver mais posters e vídeos na página de Facebook da campanha.

O estudo prévio a esta campanha revelou que as mulheres sabem que deveriam exercitar-se mais, mas ainda assim falham em atingir os níveis mínimos de actividade física recomendados para uma vida saudável. Concluiu-se ainda que na faixa etária dos 14 aos 40 anos há menos 2 milhões de mulheres a exercitarem-se face ao número de homens que o fazem, e 75 % das mulheres nesta faixa etária gostariam de fazer mais desporto e/ou exercício físico, mas o medo de serem julgadas é maior do que a sua auto-confiança: 

  • medo de serem julgadas pelo seu aspecto durante a actividade (suadas, ruborizadas, pobre forma física, etc)
  • medo de serem julgadas por não serem boas o suficiente a realizar determinada actividade, ou então demasiado boas e, “logo”, pouco femininas
  • quando têm filhos, sentimento de culpa e medo de serem julgadas por gastarem demasiado tempo com elas próprias

‘This Girl Can’ é uma celebração de todas as mulheres que encontram a confiança para fazerem exercício: é uma atitude, e uma chamada à acção para todas as mulheres fazerem o mesmo. Esta campanha pretende abordar os medos das mulheres, mostrando-lhes que não estão sozinhas, e a esperança é que isso lhes dê mais confiança.

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Não conheço outros estudos ou campanhas similares em Portugal, mas desconfio que a nossa realidade, a este nível, não será muito diferente. E penso também que a menor proporção de mulheres a usar a bicicleta como meio de transporte em Portugal, relativamente aos homens, poderá ter, em parte, a ver com esta questão.

Infelizmente em Portugal não se faz muito “marketing” de causas. Nem o Governo, nem organizações grandes. O mais parecido que me lembro foi o projecto Maria Bicicleta, uma iniciativa privada, da Laura e do Vitorino, que depois teve algum apoio institucional da Câmara Municipal de Lisboa e EMEL, na forma de uma exposição na Av. Duque de Ávila. Muito pouco para ter impacto significativo na população, claro.

Maria Bicicleta

Dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher. Mas já passou, e é só um dia para nos recordar da importância dos outros 364. Que tenhamos todas força para preferirmos ser saudáveis, fortes, independentes, e divertirmo-nos, sempre, e não só em ocasiões especiais. Porque o cabelo desalinhado, a cara vermelha, o suor, o sentirmo-nos fora de forma ou pouco atraentes, é tudo transitório, e irrelevante, o que vai permanecer é a sensação brutal de “eu consigo”, “eu gosto”, “eu quero mais”. Porque nós merecemos.

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