Deixei a bicicleta! - Colômbia a Pedal e de Mochila

@ América a Pedal | 28/09/2016 às 17:35

Temas: [ Bicicultura ] [ Colômbia ]


Hoje é um dia de preguiça…

O céu está nublado e o meu corpo pede-me um dia de outono, como se estivesse em Portugal. Afinal o mês de setembro está mesmo a terminar.

A diferença é que aqui em Cali, onde estou agora, o calor abafa desde as primeiras horas da manhã e a única coisa que me fala de outono é o cinzento nublado do céu… Aliás, por cá, não existem quatro estações. Ou estamos em época seca ou em época de chuvas. A temperatura mantém-se sempre estável num calor que prende muitas gotinhas de água salgada à superfície da pele.

Decidi que hoje é um bom dia para me sentar à pequena mesa do quarto do hostel e entrar num registo de recordação. 

Recapitulo. Viajo na memória e regresso ao primeiro dia em que entrei na Colômbia. Mentalmente, e de coração, volto a Cartagena. 

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Recordo o calor, as muralhas, o estilo colonial e as pessoas de pele negra. Gostei muito da cidade, da alegria e da música dos costeños e até de cada contraste (sempre tão evidentes nas cidades da América Latina). Contrastam aqui os ricos e os pobres, os bairros locais e os turísticos, a vida real para tantos e o luxo que poucos alcançam a ter. Viajar de bicicleta é também uma forma de contactar com as diferentes perspetivas e vivê-las na pele, nos olhos, no pensamento e no sentir… No questionamento e na abertura de mente.

De Cartagena segui, ainda na companhia do Tiago, para Barranquilla. Foram dias de intenso calor. A estrada era pouco exigente e isso ajudou-nos a gerir o esforço dos pedais. Falando com sinceridade, eu agarrava-me à ideia de que seria em Barranquilla que a minha bicicleta iria voltar para casa e seria lá também que a minha viagem de mochila iria começar, numa leveza e ritmo diferentes.

Sabia de antemão que teria saudades da viagem que a bicicleta permite. 

Sabia, ainda, que o facto de prosseguir sozinha seria um desafio imenso para mim. Sabia que estava com medo e esforçava-me por aceitá-lo e não fugir dele.

Sabia que muitas coisas iam mudar e não sabia o que me esperava.

Sentia-me oscilar entre uma esperança, embrulhada em deslumbramento e curiosidade, e o pânico das incertezas num salto para o desconhecido.

Quando chegámos a Barranquilla, encontrámos os amigos de Portugal que vieram passar férias à Colômbia e a quem eu pedi para transportarem a minha bicicleta, junto com a sua bagagem, no regresso a casa.

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Foi um encontro de corações. No abraço demorado chegaram as lágrimas quando senti bater, tão perto do meu, um coração querido e familiar.

Depois deste encontro, eu e o Tiago, fomo-nos preparando, cada um à sua maneira, para continuar a viagem de forma individual. Partilhámos os nossos medos e angústias um com o outro e trocámos votos de confiança mútuos. Afinal, cada um sabia que estava no caminho certo e só podíamos prosseguir em confiança, ainda que sentíssemos que o desafio se pousava numa fasquia bem elevada.

Quando nos despedimos, os corações apertaram-se, o nó na garganta cresceu e um novo caminho se abriu para o desbravarmos em curiosidade e esperança.

Começava ali a minha viagem sozinha. No momento certo e quando era para ser. Num país onde me tenho sentido abraçada e acarinhada mesmo quando me confronto com a estranheza dos locais quando digo que viajo sozinha.

Éramos agora dois viajantes que aprenderam um com o outro a arte de andar em rumo itinerante. 

Éramos agora dois, onde antes tínhamos sido um, que sabiam que a história imaginada se estava a reescrever entre corações apertados e vontades de descoberta ampliadas.

Para onde íamos na continuação da viagem?

Eu, de Barranquilla segui para o norte e parei perto de Palomino, uma povoação pequena e relaxada na costa das Caraíbas. 

Fiquei uns dias, a saborear o sol e a tranquilidade e parti em seguida para Riohacha com o objetivo de explorar as areias do deserto da Guajira, na parte mais a nordeste da Colômbia e encostada à vizinha Venezuela.

Enquanto isso, o Tiago estudava a altimetria do terreno montanhoso procurando seguir a linha sinuosa dos vales verdejantes.

A Guajira foi a minha primeira surpresa. Lá, a harmonia espelha-se num casamento singular entre o deserto e o mar. A areia e o sal. O vento forte e as ondas suaves.

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Passei três dias e duas noites no território do povo Wayuu, os indígenas da região.

Dormi nas rancherias, os casarios deste povo, e deslumbrei-me com as paisagens surreais.

No deserto também me confrontei com uma realidade diferente e desconhecida. Os Wayuu, que antes eram um povo isolado neste canto norte da Colômbia, procuram agora aproveitar o turismo como uma das suas fontes de subsistência. 

Não só providenciam hospedagem e restaurantes, como disponibilizam gasolina barata que chega (sabe-se lá como) da Venezuela e aproveitam todas as oportunidades para conseguir ofertas extra, como bolachas e doces para as crianças e dinheiro que fazem com a venda de frutas e mariscos, à beira dos caminhos.

O deserto encheu-me de momentos que se transformaram em lindas recordações mas que também me invadiram em forma de questões sobre a vida (e dificuldades) dos Wayuu. Às vezes tenho vontade de ficar mais tempo nos lugares para compreender melhor as vivências, as histórias, as aventuras e desventuras de quem lá vive.

Algumas questões consigo exteriorizar… outras ficam cá dentro a ganhar forma e talvez nunca saiam em busca de uma resposta.

No regresso a Riohacha refiz as malas e rumei a sul. Descobri a cidade industrializada de Bucaramanga e pausei lá um dia antes de conhecer um lugar de encanto chamado Barichara. 

Comecei assim a serpentear pelos Andes, correndo a toda a velocidade por caminhos desnivelados e curvas apertadas.

Barichara é daqueles lugares que me preenchem. Senti lá cheiros da minha infância e retomei as caminhadas que tanto gosto de fazer. Lembrei-me de mim e reencontrei-me em momentos de silêncio e contemplação.

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Percorri as ruas devagar, senti as paredes e sorri perante as cores das portas e das janelas. Tudo me chamava e me recordava a magia de viajar por um lugar que mais parecia retirado de um conto de fadas.
Me enamoré de Barichara!

Daqui, o caminho fez-se longo até Medellín e em seguida Bogotá.

Reencontrei-me com o Tiago em Medellín e viajámos juntos de autocarro até à cidade capital. Em ambos os lugares fomos recebidos e acarinhados por portugueses que lá vivem e as visitas a estas cidades merecem um post só para elas que escreverei em breve.

Apesar de quase sempre com um trânsito infernal e muita contaminação, ambas nos deram a conhecer os seus encantos e o facto de termos usufruído da companhia de pessoas do nosso país, deu àqueles lugares uma magia especial.

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Depois de Bogotá, voltámos a despedir-nos, um do outro (e voltaram os sentimentos ambivalentes, bem como a certeza de que cada um prosseguirá a sua viagem individual rumo a sul). Quando nos voltaremos a ver foi a questão que permaneceu em cadência suspensiva, navegando no nosso pensamento. 

O meu caminho prosseguia para a região do Eje Cafetero, a zona dos melhores cafés colombianos.

Não me interessava propriamente ficar pelas cidades principais e, por isso, escolhi visitar duas povoações pequeninas e acolhedoras perdidas nas encostas andinas.

A primeira foi Salento. Para além de me deixar cativar pelas suas ruelas, cheias de cor, fui ainda perder-me no Valle de Cocora que alberga, ali perto, as palmeiras mais altas do mundo e que são as árvores representativas da Colômbia.

A caminhada, de 4h30, que fiz pelo Valle de Cocora foi tão especial que necessariamente lhe teria de dedicar um texto inteiro, publicado aqui no América a Pedal (Link para o post: Salento e Valle de Cocora).

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Também aproveitei para visitar uma quinta de café, bem pequena e familiar onde a produção se faz de acordo com princípios de agricultura biológica e toda a preparação do café é feita através de processos artesanais, até estar finalmente moído e embalado.

Gostei muito da energia de Salento. É um lugar que recentemente começa a atrair o turismo mochileiro e onde se passam uns dias calmos e bucólicos.

Daqui, segui diretamente para Pijao e, esta sim, é uma povoação retirada do circuito turístico habitual. Foi-me recomendada por um senhor alemão que conheci em Barichada e, em pesquisas na internet, descobri que é o único lugar na Améria Latina onde se promove o Movimento Cittaslow.

Fiquei hospedada na casa da promotora e impulsionadora desta filosofia de vida, em Pijao, e adorei conhecer os seus princípios que apelam a uma redução do ritmo de vida demasiado acelerado que levamos atualmente, em tantos lugares. O Cittaslowrecorda-nos os benefícios de adotarmos um estilo de vida mais lento, ampliando o conceito às dinâmicas das comunidades, sejam elas relacionais ou comerciais.

Um livro que explica bem esta forma de vida é o “In Praise of Slow”, de Carl Honoré, para quem esteja mais curioso sobre o Movimento.

Posso dizer que vivi em pleno este elogio à lentidão em Pijao. Lá, tive igualmente a oportunidade de acompanhar a equipa de guias da câmara municipal numa caminhada tranquila pela serra e de ainda ser entrevistada, na condição de viajante, para o canal da televisão regional, o Tele Café, que tinha como objetivo dar a conhecer a região e o conceito Cittaslow.

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Finalmente depois de muitos dias a respirar ar fresco e puro, regressei à cidade desde onde escrevo agora. 

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Cali, a capital da Salsa. O lugar onde os caleños (assim se chamam os habitantes daqui) orgulhosamente promovem a cultura da dança e não há “alminha” que não saiba bambolear-se ao som deste ritmo tão vibrante.

Como eu adoro salsa e há uns anos aprendi a dançar um bocadinho, aqui tinha de ir ver como a música e a dança aquecem ainda mais a noite caleña. Aproveitei a aula aberta do Baile Social Club na Plazoleta Jairo Varela e fui em seguida espreitar o baile no bar La Topa Tolondra.

Foi uma experiência que me permitiu acrescentar mais um “check” na lista de coisas que gostaria de experimentar nesta viagem:
- Dançar Salsa em Cali: Check! :)

Apercemo-me agora de como este texto já vai longo... E conto quantas palavras já escrevi sobre esta Colombia Hermosa, de paisagens verdejantes, encostas íngremes e férteis e ritmos quentes e sensuais… Tantas recordações para acrescentar à bagagem. Tanto e tão bom este caminho desbravado por este país…

Ainda tenho alguns dias para conhecer uns lugares mais a sul. Gostaria de passar por Popayán e Ipiales. Vamos ver se o plano se mantém ou se o improviso da viagem me conduz de outra forma.

Até já! ;)

Informações e Links:

Hospedagem:
Cartagena - One Day Hostel; 80.000 pesos/ noite (quarto privado para 2 pessoas com AC, wc partilhado, pequeno almoço incluído): www.facebook.com/hosteloneday/
Barranquilla - Hotel Boston; 70.000 pesos/ noite (quato privado para 2 pessoas com AC, wc privado, pequeno almoço incluído)
Palomino - Hostel El Spot; 30.000 pesos/ noite (dormitório): www.facebook.com/Elspotpalomino
Riohacha - Hotel Plaza Roma; 70.000 pesos/ noite (quarto privado com wc): www.facebook.com/hotelplazaromariohacha
Bucaramanga - Hotel La Pera; 50.000 pesos/ noite (quarto privado com wc e pequeno almoço): www.laperahotel.com/
Barichara - Hotel Casa Aparicio López; 60.000 pesos/ noite (quarto privado com wc e pequeno almoço incluído): www.casaapariciolopez.com/
Salento - Hostel Tralala; 60.000 pesos/ noite (quarto privado com wc partilhado): www.hosteltralalasalento.com/
Pijao - Pequeña Casa Pijao; 40.000 pesos/ noite (quarto privado com wc e cozinha partilhados): www.facebook.com/Hotel-La-Pequena-Casa-Pijao
Cali - Hostel La Iguana; 50.000 pesos/ noite (quarto privado com wc partilhado): www.iguana.com.co/

Autocarros:
Barranquilla - Palomino: 20.000 pesos
Palomino - Riohacha: 8.000 pesos (aproximadamente)
Riohacha - Bucaramanga: 75.000 pesos
Bucaramanga - Barichara: 18.000 pesos
Bucaramanga - Medellin: 55.000 pesos (aproximadamente)
Medellín - Bogotá: 60.000 pesos
Bogotá - Pereira: 52.000 pesos
Pereira - Salento: 7.000 pesos (aproximadamente)
Salento - Armênia: 6.000 pesos (aproximadamente)
Armênia - Cali: 22.000

Excursão pelo Deserto da Guajira; 450.000 pesos, para 3 dias e 2 noites com tudo incluído (transporte, guia, refeições e alojamento).

Salsa em Cali:
Segunda-feira - Aula Aberta na Plazoleta Jairo Varela, das 19h às 21h (grátis) e Noite de Salsa no bar La Topa Tolondra, das 20h às 1h (custo de entrada 6.000 pesos).

NOTA: Todas as informações e valores dizem respeito a setembro de 2016.


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O ESPLENDOR DO MONTADO ALENTEJANO

@ VELOCIPEDI@ | 28/09/2016 às 17:26

Temas: [ Bicicultura ]

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Aproveitando o zénite estival foi tempo de rumar ao Alto Alentejo onde se percorreu um circuito já clássico e onde o montado é rei.

110 kms. ligando Montemor o Novo, Arraiolos, Évora e de novo a Montemor com um clima ameno e agradável e onde a quietude é o mote. A companhia do Jorge Neves e do Cláudio Nogueira acrescentaram ainda mais valor a uma jornada onde confirmámos que o BTT e qualidade de vida andam de mãos dadas.

Um destaque negativo para o corte do caminho de ligação entre Évora e Valverde que passava junto à Anta Grande do Zambujeiro a obrigar a alguma improvisação para chegar a Guadalupe e ao magnífico Cromeleque dos Almendres. O Grand Finale a ser efetuado pela magnífica Ecopista do Montado ate Montemor.
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COMUNICADO: Braga Ciclável desafia CMB a ser mais Ativa na Semana Europeia da Mobilidade

@ Braga Ciclável | 28/09/2016 às 16:14

Temas: [ Comunicado ] [ Opinião ] [ bicicultura ] [ Câmara Municipal de Braga ] [ CMB ] [ comunicado ] [ Desafio ] [ European Mobility Week ] [ Feiras ] [ Mobilidade ] [ Semana Europeia da Mobilidade ]

A Semana Europeia da Mobilidade (European Mobility Week) decorre todos os anos, de 16 a 22 de Setembro. Desde 2002, tem procurado mudar o paradigma da mobilidade e do transporte em contexto urbano, contribuindo para uma melhoria da saúde e da qualidade de vida dos cidadãos. Constitui-se como uma oportunidade perfeita para a inclusão de alternativas de mobilidade mais económicas e mais ecológicas, para a introdução de mudanças comportamentais e, sobretudo, para a ação no sentido de uma evolução ativa para sistemas de transportes sustentáveis. Pretende também que os cidadãos experimentem no terreno soluções concretas. É uma oportunidade para as diferentes partes interessadas confluírem num mesmo sentido e criarem soluções inovadoras que levem à redução efetiva do uso do automóvel e, consequentemente, à redução de emissões poluentes. Os requisitos impostos a uma qualquer cidade que queira participar na Semana da Europeia da Mobilidade passam pela apresentação das ações e medidas permanentes a adotar e ainda pela adesão ao Dia Europeu Sem Carros.

Braga participa há já 3 anos consecutivos na Semana Europeia da Mobilidade, mas infelizmente este ano não ofereceu um programa que causasse verdadeiro impacto nos cidadãos e os sensibilizasse para a necessidade de mudança. Faltaram medidas permanentes de melhoria de eficiência, conveniência e conforto do transporte público, bem como medidas de prioridade deste transporte sobre o particular. Faltaram também medidas que aumentassem a segurança dos que utilizam a bicicleta e dos que a pretendem adotar como meio de transporte diário.

Além disso, como seria de esperar, a opção de fechar uma rua pouco movimentada como a Rua D. Gonçalo Pereira não levou a população a refletir sobre as questões da mobilidade, e muito menos a alterar os seus comportamentos. Se Paris consegue fechar ao trânsito uma artéria estruturante como os Campos Elísios, porque é que Braga continua a apostar em ruas insignificantes?

Braga, através do PDM e da Visão Política para a Mobilidade (defendida pelo Presidente da Câmara em Vila Nova de Gaia a 8 de Abril de 2016), tem a ambição de mudar de paradigma até 2025: reduzir em 25% o número de automóveis a circular, aumentar para 18 000 os utilizadores de bicicleta na cidade e duplicar o número de passageiros transportados pelos TUB.

Não se percebe, assim, qual a estratégia global do Município quando, logo no dia seguinte ao Dia Europeu sem Carros, se promove um Salão Automóvel. A não ser que os objetivos definidos no PDM e na visão do Presidente da Câmara não correspondam a uma estratégia ampla e consistente de mobilidade.

É, portanto, importante que se organizem eventos informativos e se implementem medidas permanentes associados à mobilidade ciclável e ao transporte público ao longo de todo o ano. Se o PDM prevê a criação de 76 quilómetros de vias cicláveis, muitas destas alterações podem ser introduzidas já implementando medidas de acalmia de tráfego (gincanas, rotundas, passadeiras elevadas, redução de faixas, semáforos, etc) e tornando a zona pedonal numa zona de coexistência. Importa simultaneamente criar vias cicláveis (mesmo que nalguns casos se limitem a pinturas e balizadores) e instalar mais bicicletários. Só criando primeiro as condições mínimas de segurança motivaremos mais pessoas a utilizar a bicicleta. Não faz qualquer sentido que se aguarde que existam 18 000 utilizadores para depois agir. Aliás, para cumprir esta meta em 2025 é necessário instalar 22 bicicletários e criar 162 metros de vias cicláveis por semana! Só com pequenos incrementos frequentes conseguiremos atingir os objetivos a longo prazo.
Além disso, Portugal é o terceiro maior produtor de bicicletas da Europa, um impacto na economia que vai além da produção e exportação. O uso da bicicleta representa também um ganho, para a cidade, de 0,15€ por quilómetro percorrido (ao passo que o carro constitui um custo de 0,16€).

Tendo em conta este impacto positivo, a Braga Ciclável desafia a Câmara Municipal e a InvestBraga enquanto entidades locais promotoras de feiras a organizar uma Feira Internacional de Bicicletas em Braga. Este evento deverá contar com parceiros como a European Cyclist Federation, a FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, a MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, a AIMinho, a ABIMOTA, a Órbita, a Decathlon, a SportZone, a BikeZone, a GoByBike e todos os produtores, fabricantes e vendedores de bicicletas da Europa, do País e de Braga.

A mobilidade – e em particular a mobilidade ciclável – não é uma moda. A bicicleta é usada diariamente como meio de transporte em toda a Europa por uma elevada percentagem da população. É importante que Braga tome medidas para conquistar o mesmo lugar!

A Braga Ciclável defende uma cidade mais amiga das pessoas que optam por andar a pé e de bicicleta e disponibiliza-se para participar na urgente mudança de paradigma!

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Mobilidade urbana

@ Eu e as minhas bicicletas | 27/09/2016 às 22:58

Temas: [ bicicultura ]

Hoje de manhã quando saí de casa para levar a mini-me à escola (de carro pois a sociedade e a mummy-bear - eu sei que estás a ler babe - não me deixam levar a criança de bicicleta) vi uma família de 4 todos a rolar de bicicleta a caminho, presumo, da escola das crianças.

Iam a par, dois a dois, à frente ia o pai e a criança mais pequena, prái uns 8 ou 9 anos, e atrás a mãe com a outra pré-adolescente de uns 11 ou 12. Os adultos sem capacete e as crianças com capacete e mochilas.

Todos felizes e sorridentes... e fiquei logo contagiado com um sorriso por ver que o mundo está a mudar!

Seria sempre um mundo melhor se mais condições, infraestruturas, educação houvesse para as pessoas poderem levar as suas crianças de bicicleta para a escola... e não é utopia, é uma realidade possível, basta mudar o chip na sociedade!

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Hoje vi na zona onte trabalho aquele que podia ser o veículo automóvel das cidades do futuro, um projeto à frente do seu tempo, e que ocuparia sempre menos de 1/3 do espaço dos carros convencionais... há muitos muitos anos que não via um exemplar destes a rolar na estrada. 

São um ícone de design e deveria haver algum milionário a pegar nisto e fazer uma nova trend mundial.

Era um Sado 550! Maquinão... e produto português! É fazer disto em elétrico.

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Ver mais fotos aqui neste link.

Página na wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/SADO_550

No final do dia, não interessa explicar o motivo, mas tive de pegar no meu carro e fazer uma volta que me custou horrores. Estive 1h30 dentro da latinha a espumar pela boca, e enquanto isso via passar os utilizadores de bicicleta a furar lentamente o trânsito parado ou a passo de caracol. 

No meio destes todos ainda vi umas caras conhecidas, e sorri ao ver que eles estão com o chip certo.

No meu percurso tive de entrar em Lisboa e como há tempos que não ia lá fiquei deveras estupefacto com a quantidade de pessoas em trajes normais/casuais/dia-a-dia a rolar de bicicleta, com ou sem capacete, no centro da via a proteger a sua posição primária no meio do resto do trânsito, homens, mulheres, novos e velhos!

IMPRESSIONANTE!

Todos os muitos que me cruzei circulavam na faixa de rodagem e não em ciclovias.


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Olha a menina a #MandarRecados

@ Eu e as minhas bicicletas | 27/09/2016 às 7:53

Temas: [ bicicultura ]

Olha a Babra "... é sempre a andar! Faço esta ciclovia sempre a pé!"

(ver reportagem completa da SIC aqui neste link.)

Claramente aqui neste trecho a Babí dá duas dicas a quem de direito:
- É preciso meios para armazenar/parquear as bicicletas em segurança;
- A ciclovias não devem ser à cota dos passeios pois assim servem é para andar a pé;

A ciclovia modelo na cidade de Lisboa costuma, em certos períodos do dia, assim como neste video.


E depois temos os anti-bicicletas que pegam nestas infraestruturas para questionar a razão de retirarem espaço ao automóvel e o gasto excessivo de dinheiro público como neste video.


"A tirania da minorias que se tem apoderado da cidade de Lisboa. A quem interessa todos estas alterações cruciais para uma irrisória percentagem de pessoas? Lisboa merece mais que fantasias e ilusões para alguns."

Enfim... ele há cada um, uiii.

Já o blog Menos1Carro diz explana muito bem o tema da nova rede para bicicletas aqui neste post "Nova rede ciclável de Lisboa".

Não tem mesmo nada a ver com o tema mas por causa da Bárbara lembrei deste sketch fabuloso dos "The fight of the Conchords", Sexy Lady.



Hilariante!

Já as infraestruturas em cima dos passeios nem por isso...
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Estacionamento em cima da ciclovia - Campo Grande

@ Eu e as minhas bicicletas | 25/09/2016 às 22:44

Temas: [ bicicultura ]

Há malta que até tenta ir à bola de bicicleta mas há poucos estacionamentos/parques seguros, e além disso as ciclovias estão bloqueadas pelos energúmenos que acham que o seu umbigo é mais importante...

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U's invertidos em frente ao Museu da Cidade, quase cheio.
Costuma ter sempre polícia e/ou segurança do museu a dar "um olho".

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Ciclovia perto do edifício da Nos e metro do Campo Grande.
Apetecia dar um pontapé lá nas das frente e vê-las cair tipo dominó, mas não se pode... só que apetecia.

Criem mais, e melhores, infraestruturas e elas virão! E já agora fiscalizem mais e melhor o estacionamento abusivo, seja em ciclovias seja nos passeios que isto quase que parece um país de terceiro mundo, quase...

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Nova rede ciclável de Lisboa

@ Menos Um Carro | 23/09/2016 às 15:19

Temas: [ mobilidade sustentável ] [ bicicleta ] [ ciclovias ] [ bicicultura ] [ lisboa ]

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 (fonte)

Esta semana estive presente na apresentação da rede ciclável de Lisboa. Resumiria as novidades em três pontos. O desenho está bem pensado numa lógica de rede; o foco já não é o ciclista de domingo, que quer ir de um jardim ao outro, mas sim quem quer fazer as primeiras deslocações em bicicleta; insiste-se em demasiados erros do passado.

Primeiro de tudo é preciso perceber o que é se quer dizer com "mais 150km de ciclovia". Quem conhece a Av. Brasil sabe que a ciclovia é descontínua numa dúzia de troços. Ou seja há uns metros, acaba, e reaparece do lado de lá de uma paragem de autocarro, de um cruzamento grande, etc. mas isso é contabilizado como se fosse contínuo... e assim continua a ser (ver abaixo). O próprio conceito de "ciclovia" não é o que muitos pensarão: as laterais da Avenida da Liberdade, onde há apenas uns sinais com uma bicicleta e um automóvel a dizer "via partilhada" (o que levanta a dúvida: quais são as vias não-partilhadas então?) são na realidade ciclovias de acordo com a CML.

Posto isto, parece-me que a rede está bem pensada, com um desenho reticular que atenta aos declives da cidade, tentado cobrir uma grande área da cidade. A prioridade deixou de ser a ligação entre o parques e jardins, ligando agora várias zonas residenciais, comerciais e de trabalho da cidade. Veja-se a importância do eixo central, tal como acontece com a rede viária "normal".

Há inúmeros erros que continuam contudo, do pouco que já se pode ver. Na Av Fontes Pereira de Melo podemos ver que a ciclovia será ao nível do passeio e colado a ele, convidando os peões a caminhar nela (como acontece na Dq de Ávila por exemplo). Também aí percebemos que a ciclovia é tão estreita que impede a ultrapassagem de bicicletas; se um ciclista se tem de desviar de um peão, cai perigosamente (há um desnível) para a via onde circulam os taxis e autocarros. Ainda aí, existem ângulos rectos numa ciclovia estreitíssima; em Lisboa os raios de curvatura para automóvel são tão grandes que se pode circular a 80km/h sem problema, mas os ciclistas são intencionalmente forçados a travar até aos 5km/h se não querem sair da via.

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Em Entrecampos vemos que a ciclovia é tudo menos contínua. Sendo que começa do lado esquerdo (!!) da via e sem rampa de subida, o único modo de lá chegar é fazer a travessia de peões a pé, e voltar a montar a bicicleta. A ligação com a ciclovia a norte da praça, é feita atravessando 4 passagens de peões descordenadas entre si (sendo que o carro no mesmo percurso espera apenas uma vez). Sabe-se ainda que esta ciclovia é bidireccional, ou seja quem quer chegar a Entrecampos em vez de ir do lado nascente da avenida (como o resto dos veículos), tem de ir parar ao lado poente (sabe-se lá como) e quando chega a entrecampos, volta para o lado nascente. Por ir no centro da avenida, a ciclovia cruza os automóveis a certa altura através de um semáforo. Não é difícil imaginar o tempo extra que se terá de esperar, em comparação com quem circule pelo alcatrão.

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E nem esta nova ciclovia é contínua, sendo uns troços desconexos, interrompidos por locais de forte concentração de peões (que terão todo o direito a estar ali parados à espera do autocarro). Para lá de ser um convite à ilegalidade (que o ciclista circule fora das zonas verdes), é gerenciador de vários conflitos.

Daí a conclusão de ser uma rede pensada para quem experimenta a bicicleta, e não se incomoda com a dezena de problemas que mencionei, por valorizar mais o sentimento de segurança. Quem decidir optar pela bicicleta como meio de transporte, rapidamente perceberá que em média circulará a metade da velocidade que faria no alcatrão. Quem já usa a bicicleta, não aceitará todos estes inconvenientes, quando tem uma alternativa contínua, sem reviravoltas e travessias de peões, que é o alcatrão. E isto é grave. Os automobilistas não perceberão porque é que os ciclistas não usarão os recursos que foram criados.

E nada disto teria de ser assim, basta pensar no desenho das ciclovias na Holanda ou Dinamarca. Elas tanto se adequam ao turista que vai usar a bicicleta pela primeira vez, como ao ciclista habitual que faz velocidades mais elevadas. Bastaria vontade política.


Nota habitual: não sendo um blogue pró-bicicletas, mas sim pró-cidades mais humanas, a promoção activa da bicicleta não é a primeira das nossas prioridades (como é a melhoria dos transportes públicos, planeamento a pensar nas pessoas e não nos automóveis, redução do estacionamento à superfície e das velocidades, etc). E existem coisas bem mais simples que parecem ter um impacto igualmente favorável para a bicicleta: limitar a velocidade a 50km/h nas principais vias da cidade, 30km/h nas secundárias e piso decente.

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Respeito mútuo e "posição primária" (circular ao centro)

@ Eu e as minhas bicicletas | 15/09/2016 às 17:31

Temas: [ bicicultura ]

A propósito de uma troca de mails na lista da "bicicletada" em que o Pedro refere a experiência e percepção que tem do respeito na estrada por parte dos veículos motorizados que lhe parece que têm tido cada vez mais atenção para com os velocípedes, e diz:

«Isto só para lembrar aqueles que dizem que "os condutores não respeitam nada" que os que não respeitam são uma percentagem pequena... Mas basta um para fazer estrago...»

Querendo transmitir que sente que há mais condutores que respeitam do que os que não respeitam.

Já em tempos também troquei argumentos em que a minha percepção no meu percurso atual é que há muitos que me respeitam como veículo de pleno direito mas são ainda mais os que não respeitam.

E continuo a ter mais condutores que não respeitam que aqueles que respeitam, mas hoje admito que tive ali um bocadinho em que me surpreendeu a postura de alguns condutores que me fizeram sentir que as coisas podem mudar!



Mas como diz o Pedro:
«Mas basta um para fazer estrago...»
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Bike Paper – venha conhecer o comércio de Braga a pedalar!

@ Braga Ciclável | 14/09/2016 às 22:55

Temas: [ Eventos ] [ Associação Comercial de Braga ] [ Bici-Paper ] [ bicicultura ] [ bike-paper ] [ Comércio ] [ Semana Europeia da Mobilidade ]

A Associação Comercial de Braga, em parceria com a Câmara Municipal de Braga e a Braga Ciclável, promove esta 6ª feira, dia 16 de setembro, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, um Bike Paper que promete integrar conhecimento e gastronomia, e oferecer inúmeros prémios.

No dia 16, o ponto de encontro é na Arcada, pelas 16h45. Do percurso, com uma duração de aproximadamente 90 minutos, constarão alguns pontos de paragem em espaços comerciais que irão brindar os nossos participantes com iguarias da casa. No final, a equipa que completar a prova em menos tempo e com o maior número de respostas certas será premiada.

A participação é feita por equipas, que devem ser constituídas por dois ou mais elementos. As inscrições devem ser realizadas até esta 5ª feira, dia 15 de setembro, seguindo as instruções disponíveis no site da ACB.

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Elétricas estão de moda?

@ Eu e as minhas bicicletas | 12/09/2016 às 13:29

Temas: [ bicicultura ] [ elétricas ] [ romana ] [ subida ]

Hoje ao vir a caminho do trabalho na mega subida que faço estava uma equipa de jardineiros a tratar das palmeiras quando ficam todos a apreciar a Romana a galgar por ali acima ao ponto de um deles exclamar para os outros:
"Olha, isto é que é força..." - pensando que era tudo força de pernas aqui do menino.


Ao chegar aos novos parqueamentos lá no trabalho...

IMG_20160908_135625.jpg

...reparei num post-it com algo escrito no local onde costumo deixar a minha Romana.

Era de um colega que o tinha deixado na sexta anterior mas que eu não tinha visto, e queria saber mais disto das bikes elétricas pois mora aqui perto mas as subidas desmotivam o vir de bicicleta "normal".

IMG_20160912_110320.jpg

Já tivémos a trocar informação, pode ser que o estacionamento comece a ser parco para as bicicletas :)

Entretanto um dos mails que recebi de manhã cedo no mail pessoal, que consulto via telemóvel, era de uma pessoa a inquirir a lista de distribuição da "bicicletada" (Massa Crítica) sobre bicicletas elétricas...

Parece que isto dos velocípedes com assistência elétrica está de moda...

É o futuro!!
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