Que falta fazia uma ciclovia a subir e outra a descer na 31 de janeiro?

Daniel Rodrigues @ Braga Ciclável

Publicado em 15/12/2018 às 13:00

Temas: Opinião 31 janeiro Bicicleta Braga braga ciclável ciclovia daniel rodrigues infraestrutura

Raros são os dias que não vejo uma publicação nas redes sociais sobre o termo “bicicleta”, no entanto continua a ser uma tarefa complicada utilizar a mesma para nos deslocarmos diariamente quando não temos uma faixa específica para circular: utilizar os passeios é desagradável, pois estamos a ocupar um espaço que é destinado aos peões, utilizar a faixa de rodagem – ainda que seja obrigatório – poderá ser deveras perigoso, principalmente quando nos deparamos com automobilistas com falta de sensibilidade e respeito. Pior ainda quando se junta o factor chuva. Aí o cenário rodoviário desta cidade chega a estar separado por uma linha muito ténue daquilo que é um cenário caótico.

Para quem vive aqui há alguns anos e utiliza o carro recorrentemente consegue confirmar que este problema se tem agravado ao longo dos tempos, consequência de um progresso significativo que esta metrópole tem sofrido. É, então, necessário pensar em estratégias de circulação mais sustentáveis que permitam o crescimento da cidade.

Vários foram os países que repensaram e reformularam a estrutura da cidade tendo sempre em vista o seu desenvolvimento. Porque não fazer o mesmo mesmo em Portugal? Porque não começar essa revolução aqui em Braga? Para tal, é preciso compreender que fazer excertos de ciclovias, sem ligações e mal feitas – como é o caso da recém construída ciclovia da Rua Nova de Santa Cruz a qual não foi construída a pensar nos ciclistas dado que nem o piso da mesma é adequado – não é suficiente para incentivar mais pessoas a esta prática. O que é realmente necessário é construir uma rede de ciclovias ligadas entre si que torne possível a deslocação entre os vários pontos da cidade. Atualmente, o meu percurso começa em Lamaçães, direção a Santa Tecla (onde consigo usufruir de cerca de 300 metros de pista exclusiva), seguindo pela 31 de Janeiro até ao centro. Avenida esta que é das mais utilizadas por todas as pessoas e que não conta com o mínimo de segurança na infraestrutura para os que utilizam a bicicleta. Para além disso, é uma estrada de um só sentido, o que me leva a utilizar o passeio quando me desloco no percurso inverso, o qual seria facilmente evitável com uma ciclovia, evitando embaraços para peões, ciclistas e automobilistas.

É lamentável ver que um problema iminente como este tenha vindo a ser tão facilmente desprezado pelo executivo municipal e pelos técnicos do município que deveriam zelar pelo bom funcionamento do nosso município. Esta é uma causa que não tem em consideração apenas os ciclistas, mas sim todos os cidadãos que se preocupam com a sua saúde e da cidade, para aqueles que procuram deslocar-se sem limitações e sem transtornos.

 

Formação gratuita em Leiria, Caldas da Rainha e Peniche

Ana Pereira @ Escola de Bicicleta

Publicado em 11/12/2018 às 19:07

Temas: A escola Código da Estrada Condução de bicicleta Caldas da Rainha formação Leiria Peniche segurança rodoviária U-BIKE

Amanhã e 5ª-feira vai haver uma nova formação nos campi do IPL, no âmbito do U-Bike IPLeiria, e esta será de entrada gratuita para a população em geral (sujeito às vagas, enviem email a confirmar a vossa presença e identificando a cidade para *protected email*).

Numa altura em que as polémicas nas redes sociais pelos eventos recentes em Lisboa com capacetes, pedelecs, trotinetes, EMEL, CML e PSP, revelam a dramática falta de entendimento destas questões, mesmo as mais básicas e acessíveis, por parte da população portuguesa (utilizadores de bicicleta incluídos), é de aproveitar a oportunidade de aceder a uma formação tão completa quanto esta, geralmente só disponível em Lisboa, nos cursos da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal.

 

Acção de formação avançada para condução de bicicleta na cidade

As 4 regras de uma condução segura e sua aplicação (tópicos como diferença entre olhar e ver, e entre ser visível e ser visto, ângulos mortos dos veículos, do ambiente e do condutor, bolha de segurança, posicionamento na via, formas de comunicação, a influência da percepção do risco no comportamento, etc).

Código da Estrada e as bicicletas (direitos, deveres, lacunas).

Análise de casos práticos do dia-a-dia (como evitar colisões com carros, peões, etc).

E também ergonomia, normas sociais, gestão de situações de conflito, manobras especiais, condução com chuva, bicicletas eléctricas, etc.

 

 

Esta formação é útil para qualquer pessoa que queira melhorar a sua experiência a andar de bicicleta, ou que queira perceber como conduzir melhor um veículo automóvel na proximidade de pessoas em bicicleta.

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Que credibilidade tem o Orçamento Participativo de Braga?

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 1/12/2018 às 12:00

Temas: Opinião Bicicleta Braga braga ciclável Democracia Democracia Participativa Instrumento de Democracia Orçamento Participativo

O Orçamento Participativo de Braga (OP) vem sendo alvo de duras críticas, seja quanto à pertinência deste instrumento num regime de democracia como o nosso, seja quanto à transparência de todo o processo, a começar pela análise técnica das propostas por parte dos serviços municipais. E não é para menos!

Há 3 anos, foi a votação no OP uma proposta de criação de vias cicláveis na Avenida 31 de janeiro. A proposta foi bem acolhida e passou à segunda fase, onde foi a mais votada na área de trânsito, mobilidade e segurança rodoviária. No ano seguinte, a ciclovia da 31 de janeiro conseguiu novamente avançar para a 2ª fase e melhorou a votação, acabando com mais 30% de votos do que no ano anterior.

No ano passado, contudo, os serviços municipais decidiram rejeitar duas propostas de ciclovia para a Av. 31 de janeiro e Av. Porfírio da Silva, bem como uma outra que sugeria uma extensão da ciclovia do rio Este até Ferreiros. O motivo alegado para impedir todas essas propostas de irem a votação era que, supostamente, as ciclovias já estariam previstas para execução pelo município. Até seriam boas notícias, se fosse verdade. Mas o tempo veio a mostrar que, ao fim de mais de um ano, as obras não começaram, não há concurso público à vista e os supostos projetos camarários nunca chegaram a ser apresentados publicamente.

Como se tudo isto não bastasse, este ano o problema repetiu-se e agravou-se. Havia 5 propostas no Orçamento Participativo relacionadas com melhoria de condições de segurança para quem se desloque de bicicleta na cidade de Braga, mas todas elas foram rejeitadas pelos serviços municipais antes de poderem ser submetidas a votação. Os motivos alegados continuam a ser demasiado vagos e carecem de fundamentação, como foi aliás já anteriormente demonstrado num comunicado emitido pela Braga Ciclável.

Se havia projetos municipais que justificassem o impedimento de participação no Orçamento Participativo, porque não foram dados a conhecer? Qual o motivo para impedir a toda a força, em anos consecutivos, que os cidadãos pudessem votar em novas ciclovias que tornassem mais seguras as suas deslocações diárias? E por que razão não foram tornados públicos os relatórios detalhados da análise técnica, incluindo os cálculos efetuados, que conduziram à rejeição de propostas como estas?

Afinal de contas, que credibilidade pode ter um instrumento de “democracia participativa”, como pretende ser este Orçamento Participativo, se toda essa informação continua a ser escondida dos cidadãos?…

 

Humanizar a cidade

Paulo Silva @ Braga Ciclável

Publicado em 17/11/2018 às 12:00

Temas: Opinião Bicicleta Braga braga ciclável cidade Diário do Minho humanizar Paulo Silva

A bicicleta tornou-se o meu principal meio de transporte. É a bicicleta que eu escolho para me deslocar na cidade de Braga. Quando algo me impede de usar a bicicleta escolho o serviço que a TUB me oferece.

Esta é a minha estratégia de mobilidade e partilho-a com o máximo de pessoas, porque considero que esta mudança multiplicada por um número suficiente tornará Braga uma cidade melhor para todos. As emoções que provocam esta minha ação evangelizadora remetem-me para momentos da minha infância: longe do alcatrão impermeável, do ar poluído, em contacto diário com a natureza e sem os atuais protecionismos exagerados por parte dos pais. Tudo isto porque o sítio onde brincava era seguro e sobretudo saudável.

Viver numa cidade não tem que ser sinónimo de ar mais poluído, de estradas entupidas com condutores cansados, sedentários, termo acondicionados.

Há a tendência recorrente em olhar para as cidades vizinhas e utilizar a expressão “não estamos assim tão mal”. No entanto, é precisamente ao contrário que devemos pensar e agir, procurando inspiração em outros locais, olhando sempre, em primeiro lugar, para a nossa cidade.

Eu não quero saber quais são as cidades que estão pior que nós (os meus pais nunca aceitaram como desculpa para o meu mau resultado, a média da turma), mas quero, sim, a possibilidade que existe de tornar a cidade de Braga equipada com tudo o que uma aldeia tem de melhor para dar: ar puro, espaços verdes para as crianças brincarem em segurança, ruas seguras e, de preferência, sem pessoas a morrer na estrada.

‘A aldeia’ a que todos recorremos aos fins de semana – o chamado ‘turismo rural’ – que traz tanta satisfação a tantas pessoas, muitas delas nem sabem bem porquê, mas a verdade é que toda a gente procura esta tranquilidade e esta infância, tão comum a muitos de nós.

Com a vontade de transpor este cenário para a realidade bracarense, somos cada vez mais. A associação Braga Ciclável, da qual eu sou associado, promove as cicloficinas que reúne ciclistas urbanos para pequenas afinações nas bicicletas e, nestes momentos, muitos são aqueles que se juntam a nós, na luta para devolver a cidade às pessoas, para devolver o ar puro às pessoas, para devolver mais espaços verdes, em vez de alcatrão, às pessoas, porque motivar uma mobilidade mais suave é sobretudo tornar as cidades mais humanas.

 

Há carros a mais!

Mário Meireles @ Braga Ciclável

Publicado em 3/11/2018 às 12:00

Temas: Opinião 22 km 76 km 76km automóveis bicicletas carros carros a mais Ciclovias Miguel Bandeira Mobilidade promessas Ricardo Rio tráfego Trânsito vias cicláveis

Temos assistido a um aumento de tráfego automóvel que leva a congestionamentos nas ruas. O excesso de carros numa cidade traduz-se nisso mesmo: filas. E o problema do trânsito só se resolve com melhor mobilidade a pé, de bicicleta e em transporte público, ou seja, formas de mobilidade que são muito mais eficientes em termos da ocupação do espaço público.

A cidade de Braga é constituída por 11 freguesias do concelho onde residem 126 710 pessoas. É na cidade que surgem os problemas de mobilidade. O (pequeno) congestionamento de trânsito automóvel na cidade de Braga não é novidade. Há, por exemplo, um mau encaminhamento na saída das autoestradas A11 e A3, em Celeirós, onde os automóveis que querem ir para Infias são encaminhados pela Av. Padre Júlio Fragata (8,7 km), quando deviam ser encaminhados pelo trajeto mais curto, mais rápido e mais direto – a Avenida António Macedo (6,7 km).

Mas o tráfego automóvel que sai do Concelho representa menos de 25% do tráfego automóvel, de acordo com estudos do Quadrilátero de 2013. A maior parte das viagens de automóvel são dentro da cidade. Estas são as viagens que congestionam a cidade, porque muitas vezes não é necessário, nem é eficiente, utilizar o carro nestas viagens. Em viagens até 8 km a bicicleta e o transporte público são mais eficientes. Se combinarmos estes dois modos de transporte ainda melhor. Agora imaginem que se conseguia substituir uma parte destas viagens de carro feitas dentro da cidade por viagens feitas de bicicleta e/ou de transporte público: a cidade ficava menos congestionada, porque andavam menos carros na rua e haveria menos carros estacionados a ocupar o espaço público.

Então o que é preciso para reduzir o número de pessoas a andar de carro e aumentar as que andam de bicicleta e transportes públicos? Simples, adequar a infraestrutura existente. Não, não é preciso criar mais estradas, mais túneis e mais viadutos. Aliás, dever-se-ia trabalhar no sentido de reverter a existência de túneis e viadutos na cidade, e isso só reduzindo o número de carros a circular. É necessário acalmar as ruas, reduzir as velocidades e reduzir o número de carros, sim, mas é fundamental redesenhar as ruas por forma a que exista uma infraestrutura (em muitos casos segregada) que garanta a segurança de quem pedala e que traga vantagens a quem vai dentro do autocarro.

Ricardo Rio e Miguel Bandeira prometeram 76 km de vias cicláveis, mas está quase tudo por fazer. É hora de avançar pelo menos com o Projeto de Execução de Inserção Urbana da Rede Ciclável do Centro de Braga, anunciado e aprovado pelo executivo em janeiro de 2018 e que prevê entre 2018 e 2020 a execução de 20 km de ciclovias segregadas no núcleo da cidade.

 

O vento que dá nas canas do canavial

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 22/10/2018 às 17:09

Temas:

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Romana* saiu à rua num dia assim 
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota de suor pela face cai 
E um rio de adrenalina do peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a força dum ciclista de Portugal
E o som da pedaleira como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte que esta bicicleta rendeu

Teu sangue, ciclista, reclama outra estrada igual
Só olho por olho e dente por dente vale
A lei mudou as regras de quem circulou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há carros parados no chão
E por todos passam bicicletas duma nação...


* Romana é o nome da minha bicicleta :) 
 

Pedalar é saudável!

Arnaldo Pires @ Braga Ciclável

Publicado em 20/10/2018 às 12:00

Temas: Opinião Arnaldo Pires benefícios Bicicleta Braga deslocações médico Pedalar é saudável Saúde

As cidades modernas têm evoluído para esquemas de limitação do tráfego automóvel, em prol da melhoria das acessibilidades, para peões e ciclistas, conhecido como estímulo ao transporte ativo (TA).

O TA apresenta francos benefícios para a saúde das populações, sendo que a limitação do tráfego automóvel promove a redução da poluição urbana. A poluição, tal como o sedentarismo, é, por si
só, uma causa de morte.

O ganho, em bem estar e saúde, para as populações, com esta tipologia de TA, pode ser calculado e os resultados são surpreendentes.

Existem vários estudos relacionados com o TA. Um deles aponta que Varsóvia e Praga teriam uma redução de 113 e 61 mortes, respetivamente, com um aumento para 35% de utilização de bicicleta, em todas as deslocações efetuadas pela população, como já acontece em Copenhaga. Copenhaga e Paris são consideradas cidades modelo em questão de TA. Copenhaga apresenta taxas de 35% de ciclismo, e Paris 50% de caminhada.

Em Barcelona, foi feita a comparação entre utilização combinada de carro e transportes públicos vs a utilização de transportes públicos e bicicleta, em 40% das deslocações. Encontraram-se resultados interessantes: a 2° opção pode apresentar uma redução de 98 mortes/ano, e a 1° opção, uma redução de 40.

Os benefícios em saúde, para quem se transporta de bicicleta, tem relação direta com o incremento da sua atividade física, reduzindo o risco cardiovascular, permitindo um melhor controlo do peso, do metabolismo do açúcar e das gorduras, para além da melhoria da coordenação motora.

A utilização de bicicleta tem benefícios, não só para o próprio, como também para a comunidade, dado que reduz: as emissões de CO2, melhorando a qualidade do ar; a poluição sonora; o congestionamento de tráfego, melhorando a conectividade dos transportes.

Para a implementação de políticas de TA, é importante conhecer as singularidades de cada cidade. Assim como, para incentivar a deslocação de bicicleta é importante criar condições, definir rotas, ciclovias, para deslocações seguras.

Braga é uma cidade com excelentes condições de relevo, para a utilização da bicicleta. Urge criar mais vias cicláveis, seguras, garantindo a ligação dos principais pólos da cidade; e estimular a população a utilizar a bicicleta em, pelo menos, 35% dos seus trajetos. Uma boa solução parece ser a co-utilização da bicicleta e transportes públicos, sobretudo para os locais de relevo geográfico mais elevado, como é o caso do Hospital de Braga.

 

De Praga a Budapeste

Ana Paula Rodrigues Matos @ Braga Ciclável

Publicado em 6/10/2018 às 12:00

Temas: Opinião Ana Paula Rodrigues Matos Bicicleta Budapeste Danúbio Eurovelo férias Férias com Pedal Praga Viagem

De Praga a Budapeste por estrada são 528 Km. Por ciclovias e estradas secundárias programamos 518 km de bicicleta em autonomia, a fazer em nove etapas de 75 km cada.

O caminho foi-se fazendo, umas vezes rápido outras mais lento, não estávamos a contar com o calor abrasador, talvez inusual para esta época do ano naquelas paragens, obrigando-nos a saltar duas etapas, já que, as anteriores de montanha, com um desnível acentuado, nos tinham literalmente quebrado. A paisagem compensava o desnível, assim como a simpatia das pessoas. No total fizemos 450 km. As odisseias pelo caminho foram muitas, aventuras e desventuras que ficam por contar.

Na República Checa, até Brno, seguimos por estradas nacionais, vias partilhadas, nomeadamente a via 19, 24 e via 1. Estas, fazem-se em terreno montanhoso sempre acompanhados pela floresta centro-europeia onde nos refrescamos à sombra de ciprestes, faias, carvalhos e nogueiras. Nas áreas mais cultivadas, o lúpulo e o milho eram as culturas mais presentes, as estradas eram circundadas por árvores de fruto como macieiras, pereiras, abrunheiros e cerejeiras.
Depois de Brno e já na Eslováquia, apanhamos fragmentos da EuroVelo 9 (rota do âmbar). A rota é plana com vinhas circundantes, antes de chegar à área de paisagem protegida, a cidade cultural de Lednice-Valtice da UNESCO. Passamos também pela EuroVelo 13, apelidada de Cortina de Ferro, esta passa por todos os países que pertenceram ao pacto de Varsóvia. Aproximou-nos da época histórica que estes países viveram durante a guerra fria. No ponto em que a Áustria, a Eslováquia e a Hungria se encontram, há numerosos memoriais e marcas assinalando esse conturbado período da história europeia. Este fragmento da Hungria, faz parte da Grande Planície Húngara e a rota passa por uma paisagem encantadora com inúmeras pequenas povoações.

A EuroVelo 6 tão ansiada por nós, segue ao longo do Danúbio, era já um sinal de aproximação a Budapeste. Este segmento da Eurovelo húngara está protegido como um sítio Natura 2000, que fornece às espécies ameaçadas habitats naturais.

A Europa é anfitriã de uma extensa rede de ciclovias, num total de 15 trilhos de longa distância, chamados de rotas EuroVelo que percorrem 43 países.

Já em Budapeste e a relaxar nas termas, depois do longo percurso, tivemos duas contrariedades antes da partida, embalar as bicicletas, as companhias aéreas são rigorosas relativamente ao transporte de velocípedes e a necessidade de transportar as bicicletas para o aeroporto de Budapeste que fica a 20kms do centro da cidade. Os autocarros não permitem o transporte de bicicletas. Fomos de comboio até cerca de 15kms do aeroporto, pedalámos 5kms até ao mesmo. Depois de todas as aventuras, o trajeto foi duro o calor apertou, mas olhando para trás, surge a questão “vale a pena?” sim, se querem experimentar um turismo diferente, em permanente contacto com a natureza, conhecer gentes, degustar gastronomia, ver paisagens magnificas, esta é uma excelente forma de fugir às grandes confusões das cidades europeias que em agosto são caóticas.

 

Flying Pigeons : Pombos Voadores

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 17/08/2018 às 16:21

Temas: pombos

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Flying Pigeon (Chinese: 飞鸽; Pinyin: fēigē) is a Chinese bicycle company based in Tianjin, a direct-controlled municipality, in Northeastern China. More than 500 million Flying Pigeon PA-02 bicycles have been made since 1950, more, as of 2007, than any other model of vehicle. The next closest vehicle model is the Honda Super Cub motorcycle, which passed 60 million in 2008, and 100 million in 2017. https://en.wikipedia.org/wiki/Flying_Pigeon

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Fomos Há Volta!

Ana Pereira @ Escola de Bicicleta

Publicado em 31/07/2018 às 23:18

Temas: A escola Código da Estrada Condução de bicicleta Dicas para condutores de automóvel Pessoas Testemunhos clipping media polícia televisão

Este ano fomos de novo gentilmente convidados pela RTP para irmos ao programa Há Volta (ver minuto 31:37), desta vez com foco exclusivo no nosso trabalho na Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal, particularmente com pessoas que nos procuram para aprender ou reaprender a andar de bicicleta.

Pediram-nos para levar um aluno para representar quem não sabe – ou não sabia! – andar de bicicleta. Convidámos a Rita, que está a graduar-se agora do nosso Nível 1, e ela teve a generosidade de vir connosco desempenhar este papel, e dar o seu testemunho.

 

 

Até andou um pouco na minha bicicleta “para a fotografia”. Mas não a puseram a fazer nada das coisas mais avançadas que ela já faz nas aulas, foi muito no relax. 😀

 

Ainda nos cruzámos com o Miguel, que veio de bicicleta com a boleia da Fertagus, que um pouco depois interveio também, para falar do Bike Buddy, o programa de mentorado da MUBi para novos utilizadores de bicicleta na cidade (vejam o minuto 10:05 da Parte 2, sim, imediatamente a seguir àquele comentário despropositado, nem parece que o movimento #metoo existe, mas enfim, deve ser da exposição exagerada ao sol e ao calor que esteve nesta manhã).

 

Depois, houve também a participação de uma subcomissária da PSP que respondeu a algumas questões acerca do Código da Estrada (min 15 da Parte 3). Contudo, e muito infelizmente, foi uma intervenção muito enviesada (focada quase só no que os ciclistas não podem fazer, sem vincar o que podem fazer, e sem focar o que os automobilistas, os elementos que trazem a ameaça ao espaço público, devem fazer e o que não podem fazer, particularmente ao cruzarem-se com ciclistas) – basta atentar ao momento em que à pergunta da apresentadora “quais os erros mais comuns?”, depois da pergunta “e da parte dos condutores, claro que têm, temos que ter, naturalmente, cuidado, mas há regras também que têm que ser respeitadas?“, a subcomissária se focar nos erros dos ciclistas, e não dos automobilistas. Perdeu-se uma excelente oportunidade de educar melhor os condutores de automóvel e melhorar a segurança rodoviária.

Não é por mal, estamos todos formatados para vermos o mundo num “nós vs eles” e o nós dominante conduz ou anda de carro, pelo que é esse o ponto de referência das pessoas.

 

Bom, contudo, não gostaria de deixar de completar e corrigir pelo menos duas coisas ditas pela sub-comissária, porque são fundamentais.

Uma é a questão das rotundas. Ao contrário do que foi dito, ao conduzir uma bicicleta, circular pelas vias interiores das rotundas, e não pela via exterior, não é um erro nem uma infracção ao Código da Estrada. Os condutores de bicicleta, tal como os de veículos pesados, têm a opção, extra, facultativa, de fazer as rotundas todas por fora, mas não são a tal obrigados!! É mais perigoso e não deve ser feito de ânimo leve.

 

 

Artigo 14-A

1 – Nas rotundas, o condutor deve adotar o seguinte comportamento:

a) Entrar na rotunda após ceder a passagem aos veículos que nela circulam, qualquer que seja a via por onde o façam;

b) Se pretender sair da rotunda na primeira via de saída, deve ocupar a via da direita;

c) Se pretender sair da rotunda por qualquer das outras vias de saída, só deve ocupar a via de trânsito mais à direita após passar a via de saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair, aproximando-se progressivamente desta e mudando de via depois de tomadas as devidas precauções;

d) Sem prejuízo do disposto nas alíneas anteriores, os condutores devem utilizar a via de trânsito mais conveniente ao seu destino.

2 – Os condutores […], de velocípedes e de automóveis pesados, podem ocupar a via de trânsito mais à direita, sem prejuízo do dever de facultar a saída aos condutores que circulem nos termos da alínea c) do n.º 1.

3 – Quem infringir o disposto nas alíneas b), c) e d) do n.º 1 e no n.º 2 é sancionado com coima de € 60 a € 300.

 

Quanto à ultrapassagem de pessoas em bicicletas, os condutores de automóvel, nomeadamente, devem fazer 3 coisas. Além de manterem pelo menos 1.5 m de distância – que a subcomissária referiu, devem ocupar (ou seja, passar totalmente para) a via adjacente à esquerda, como fariam com qualquer outro veículo (não interessa que as bicicletas sejam mais estreitas), e devem abrandar.

 

 

 

Artigo 11

3 – O condutor de um veículo não pode pôr em perigo os utilizadores vulneráveis.

4 – Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 60 a € 300.

Artigo 38

1 – O condutor de veículo não deve iniciar a ultrapassagem sem se certificar de que a pode realizar sem perigo de colidir com veículo que transite no mesmo sentido ou em sentido contrário.

2 – O condutor deve, especialmente, certificar-se de que:

aa) A faixa de rodagem se encontra livre na extensão e largura necessárias à realização da manobra com segurança;

bb) Pode retomar a direita sem perigo para aqueles que aí transitam;

cc) Nenhum condutor que siga na mesma via ou na que se situa imediatamente à esquerda iniciou manobra para o ultrapassar;

dd) O condutor que o antecede na mesma via não assinalou a intenção de ultrapassar um terceiro veículo ou de contornar um obstáculo;

ee) Na ultrapassagem de velocípedes ou à passagem de peões que circulem ou se encontrem na berma, guarda a distância lateral mínima de 1,5 m e abranda a velocidade.

3 – Para a realização da manobra, o condutor deve ocupar o lado da faixa de rodagem destinado à circulação em sentido contrário ou, se existir mais que uma via de trânsito no mesmo sentido, a via de trânsito à esquerda daquela em que circula o veículo ultrapassado.

4 – O condutor deve retomar a direita logo que conclua a manobra e o possa fazer sem perigo.

5 – Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 120 a € 600.

Artigo 145

1 – No exercício da condução, consideram-se graves as seguintes contraordenações:

ff) O desrespeito das regras e sinais relativos a distância entre veículos, (…), ultrapassagem, mudança de direção, (…)

 

Por favor não dependam só do que as autoridades vos vão dizendo acerca dos vossos direitos e deveres enquanto condutores de bicicleta, pois as forças policiais não têm formação especializada nisto, e dão frequentemente informações pouco claras, incompletas ou mesmo incorrectas. Consultem os decretos-lei, sim, mas não se fiquem por aí, pois o CE não ensina a conduzir.

Façam algo por vós próprios, inscrevam-se nos nossos cursos ou palestras! Ou pelo menos leiam umas coisas, vejam uns vídeos, (há tanta coisa boa na net!), munam-se de conhecimentos, reforcem competências. Dêem bons exemplos. Tenham viagens mais tranquilas. Mantenham-se mais seguros!

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