“phone off”

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 7/05/2019 às 11:57

Temas: divulgação ciclismo urbano coisas que leio coisas que vejo fotografia insegurança rodoviária mobilidade motivação noticia opinião outras coisas partilha penso eu de que... segurança rodoviária telemóveis testemunho

A operação “Phone Off” da PSP estará na estrada até 12 de maio e visa fiscalizar o uso indevido do telemóvel durante a condução.

O uso de telemóveis fora das condições regulamentares durante a condução tem originado bastantes sinistros. A operação tem por objectivo diminuir os elevados níveis de sinistralidade rodoviária e para isso irá promover a “adopção de comportamentos seguros por parte dos condutores e a segurança rodoviária de todos os utentes da via”. A fiscalização visa “prevenir e dissuadir os comportamentos de risco que, de forma decisiva, contribuem para a ocorrência de acidentes rodoviários”.

Com excepção dos aparelhos dotados de um único auricular ou de microfone com sistema de alta voz, o Código da Estrada proíbe a utilização e manuseamento de telemóveis durante a condução/marcha dos veículos atendendo a que estudos demonstram os seus efeitos nocivos, comprovando que o uso de ferramentas digitais ao volante aumenta drasticamente o risco de acidentes rodoviários. Esta contra-ordenação é punida com uma coima de 120 a 600 euros à qual poderá corresponder uma sanção acessória de inibição de condução de 1 mês a 1 ano.

De acordo com um estudo de 2015, usar o telemóvel enquanto se conduz multiplica o risco de acidente por 23, e 31% dos portugueses admitem enviar e ler SMS enquanto conduzem. Os estudos confirmam que é difícil para os condutores levarem a cabo as tarefas básicas e essenciais a uma condução segura, se estiverem a realizar uma outra tarefa secundária.

“#ParkYourPhone targets road users that are using smartphones in traffic. Drivers, pedestrians and cyclists are all putting themselves at risk. To combat this alarming trend, FIA Region I, the Royal Automobile Club Belgium and Touring Club Belgium are encouraging all road users to stay focussed on the road. The campaign will raise more awareness about distraction and show dangers of being distracted. In addition to the European launch in Brussels, FIA members in over 20 European countries will be launching the initiative this autumn. Join Pharrell Williams, European Commissioner for Transport Violeta Bulc, FIA President and the UN Secretary-General’s Special Envoy for Road Safety.”

Evidentemente, nas minhas rotinas a pedal, não ando a fiscalizar os automobilistas como faz a polícia, mas, infelizmente, não há um dia que eu não “apanhe” vários condutores ao telemóvel. Não tantos com o aparelho encostado ao ouvido mas muito mais com os olhos nas redes sociais.

O problema real é bem maior. Agora são as selfies ao volante. Aproveitar o semáforo vermelho para consultar as redes sociais e coisas do género. Conduzir fica para segundo plano. A cada dia que passa são mais as pessoas que conduzem de cabeça descaída. E podem ter a certeza que não estão deprimidos ao volante nas “secas” dos engarrafamentos. Simplesmente, estão a olhar para os joelhos porque estão a conduzir com o telemóvel na mão.

 

“Que Lugar Para As Crianças Na Cidade?” na Sexta da Bicicultura de Maio

Ana Pereira @ Cenas a Pedal

Publicado em 3/05/2019 às 11:32

Temas: Crianças e Famílias Eventos Mobilidade Políticas documentários filmes

Hoje é dia de cinema. E de debate (com a Associação de Pais e Encarregados de Educação “Pais do Leão”, a 1, 2, 3 Macaquinho do Xinês, o Movimento Bloom, o Pelouro Educação e Direitos Sociais da CML, uma família em unschooling, e o Pelouro Ambiente, Estrutura Verde, Clima e Energia da CML), e tertúlia. Inscrevam-se antes que fechem as inscrições e apareçam, nós vamos lá estar também n’A Casa da Bicicultura no NOW_Beato!

O tema é relevante mesmo para quem não tem crianças, claro, e mesmo para quem não se importa com as que existem. 😛 É que a falta de espaços naturais na cidade, e o risco rodoviário são coisas que afectama a vida de todos nós, miúdos e graúdos. E os miúdos de hoje são os tipos que vão desenhar e manter as cidades de amanhã, aquelas em que nós vamos ser velhos, e querer não depender de ninguém para ir à rua e para nos movermos, e poder fazê-lo sem medo, e poder olhar pela janela e ter natureza para ver, e poder sair e ir “banharmo-nos” nela se quisermos.

Este é um tema transversal, intergeracional. Vem daí.

O conteúdo “Que Lugar Para As Crianças Na Cidade?” na Sexta da Bicicultura de Maio aparece primeiro em Cenas a Pedal.

 

da Liberdade

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 25/04/2019 às 22:30

Temas: o ciclo perfeiro as biclas sabem nadar bicicleta coisas que vejo em tempo de férias fo fotografia fotopedaladas Liberdade mar motivação outras coisas penso eu de que... praia Sintra

A independência envolvida a pedalar uma bicicleta permite a liberdade de escolher o nosso próprio caminho. Desfrutar da natureza, em qualquer lugar, fazer parte do ambiente, da calma vastidão do oceano e da cacofonia das coisas naturais. Na bicicleta traçamos rotas, desenhamos o imaginário, sedutor como o horizonte, com o constante desejo de explorar e descobrir. Um sorriso, uma renovação, pensamentos que voam e nos levam para o futuro. Eles também sabem como aproveitar cada momento.

 

can’t miss [201] diariodominho.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 22/04/2019 às 14:04

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta boas ideias ciclismo ciclismo urbano cidades coisas que leio de economia da bicicleta espalhando os bons exemplos mobilidade motivação noticia opinião outras coisas partilha testemunho

A bicicleta não é um brinquedo

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Na semana em que uma grevezita de três dias deixou um país há beira de… não, há beira não, deixou um país numa total e  crise de nervos e histeria colectiva, vem a propósito este artigo de Victor Domingos publicado no Diário do Minho. A bicicleta pode não ser apenas um brinquedo mas para mim é a solução:

“Muitos de nós guardamos recordações felizes de uma infância ou juventude marcada pela presença da bicicleta. Primeiro, como brinquedo, mas mais tarde como meio de emancipação, um modo de transporte de baixo custo, acessível e sem requisitos complicados. Hoje em dia, demasiadas vezes esquecemos esse potencial libertador e utilitário da bicicleta, e apenas a consideramos, erradamente, como um mero brinquedo.

Pode parecer uma discussão fútil e despropositada, mas não é. A bicicleta tem algumas características que fazem dela a melhor opção de transporte para boa parte das nossas deslocações diárias, com vantagens impossíveis de igualar por outros modos de transporte.

[…]

Finalmente, quando há escassez de combustível nos postos de abastecimento, até isso já não nos afeta de forma tão direta, e podemos prosseguir a nossa viagem sem preocupações.

Encarar a bicicleta como mais uma das nossas opções de transporte pode facilmente traduzir-se numa transformação libertadora a nível pessoal. Menos despesa, menos tempo perdido, mais saúde, melhor disposição. Não é evidentemente solução para todas as necessidades de transporte, mas é sem dúvida o melhor transporte em muitas situações nas quais habitualmente ainda usamos o carro.

[…]

Clica aqui para leres o artigo e aceita o desafio do Victor. Vais ver que a única bomba de que ficas dependente é aquela que usarás para encher pneus. Boa semana.

(artigo de opinião também publicado no blogue Braga Ciclável)

 

1 euro por 1 quilómetro

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 10/04/2019 às 10:47

Temas: divulgação Almeirim ciclismo ciclistas no mundo cicloturismo coisas que leio esta malta tem cá um pedal!... longas pedaladas Nepal noticia outras coisas partilha pedaladas solidárias Pedro Bento quem pedala assim... randonneur

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É já neste sábado, 13 de Abril, que o bêtêtista Pedro Bento irá dar a primeira pedalada nos mais de 10 mil quilómetros que separam Almeirim, a sua terra Natal, da capital do Nepal, Katmandu.

Para completar esta distância o Pedro vai com os dias contados, 73 mais precisamente. Guiado não apenas pela motivação da superação, sairá para a estrada sozinho com um projecto solidário em mente: “1 euro por 1 quilómetro”.

Ao completar este desafio o Pedro espera angariar 10.000€, sendo que uma parte será para retribuir em equipamento aos Bombeiros Voluntários de Almeirim, pela ajuda recebida no processo de resgate e recuperação do grave acidente de mota que sofreu em 2017.

Outra parte da verba será doada a bolsas de estudo e alimentação durante um ano a dois jovens nepaleses do projecto “Dreams of Katmandu”, do português Pedro Queirós, que continua no Nepal a apoiar as crianças do Campo Esperança, vítimas do terramoto de 2015. Pedro Bento conheceu de perto este projecto um ano depois do terramoto que atingiu aquele país durante a sua participação na prova de BTT no Nepal, onde foi o primeiro português a chegar aos 5.400 metros de altitude de bicicleta.

Tendo a plena consciência das dificuldades que irá enfrentar, “sonhar enaltece e fortalece, e alcançar um sonho faz parte da humanidade e também da minha pessoa”, neste seu desígnio ele irá atravessar 14 países, apenas evitando passar no Afeganistão e no Paquistão, viajando de avião do Irão para a índia, por não ter os dias que lhe permitiriam procurar um percurso alternativo.

Podes seguir a aventura na sua página de atleta: https://www.facebook.com/Bakonbike2019, no site: https://bakonbike2019.wixsite.com/bakonbike2019, e ajudar o Pedro a ajudar em: https://www.gofundme.com/bakonbike-10-000kms

Boa sorte Pedro.

 

can´t miss [200] vidadeciclistabrasil.wordpress

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 8/04/2019 às 15:24

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano cicloturismo coisas que leio dono babado fotografia fotopedaladas iNBiCLA meios de transporte mobilidade motivação na internet outras coisas partilha randonneur Tripas

Um tributo ao prazer de pedalar

“Muitos dizem que a bicicleta é a maquina mais perfeita criada pelo homem. Eu diria que sua inspiração é divina. Ela reflete o homem e seu tempo, uma vez que evolui junto com seu criador. É uma ferramenta completa, simples e multifuncional. Imagine um mecanismo que serve para transportes, exercícios, integração com o meio ambiente… fazer amigos! Tudo junto, além de te dar um prazer único. […]”

Este trecho retirei de um magnífico texto que descobri publicado num explêndido blogue, vidadeciclistabrasil.wordpress.com, e que convido à leitura.

A fotografia, tirei-a numa das minhas recentes pedaladas e conjuga-se na perfeição com o texto: “… é uma ferramenta completa, simples e multifuncional”.

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Aqui o link para o texto.

Boas pedaladas.

 

fotocycle [243] o Porto não é Amesterdão…

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 2/04/2019 às 22:04

Temas: fotocycle bicicleta bicicletas bué de fixes bike rent bike to home bike to work bikesharing bons exemplos ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo cidades empresas e a bicicleta fotografia Massa Crítica mobilidade motivação outras coisas passe a publicidade Porto turismo Velurb

… mas podia ser

(este postal não é patrocinado pela VelurbRent a Bike mas podia ser)

 

o CaMinho fez-se pedalando

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 20/03/2019 às 22:23

Temas: marcas do selim bi bicicletas bué de fixes biketour Caminho ciclismo cicloturismo fotografia iNBiCLA longas pedaladas Minho outras coisas passeio pelos caminhos de Portugal randonneur roda de amigos Tripas

São cinco e meia da matina e sigo ao volante, só mas acompanhado, com Dona Tripas ao frio empoleirada no tejadilho. Quanto mais me aproximo de Esposende mais aumenta a neblina e desce a temperatura do ar. Vou juntar-me ao grupo de coletes garridos organizados e participar no primeiro evento randoneiro de 2019, a norte. O Brevet CaMinho200, um fantástico passeio a pedais com uma temática própria e que vai na sua segunda edição. Foi há dois anos que na companhia do Jacinto, do Couto e do Campelo, pedalei na maior das calmas, por velhas estradas e modernas ciclovias minhotas. Desta vez, porém, terei outras companhias e também outro ritmo.

No baiquecheco muitas máquinas topmodel, a maioria do tipo anoréxicas mirradas, e poucas da categoria de pesos pesados. Eu, claro, estava à procura de bicicletas vintage mas, neste evento, Dona Tripas era a única de pedigree clássico. Um a um, os participantes iam chegando. Muitas caras conhecidas e algumas novas que fariam um BRM pela primeira vez. Com as conversas em dia, ao sabor da simpatia das meninas da Cruz Vermelha, dos biscoitos e do café, terminado o curto briefing o pessoal foi montando nos selins das suas queridas biclas previamente validadas, em grupinhos, entrando na monótona EN13 rumo a sul.

O que mais activa e torna estes passeios tão atraentes para mim é o convívio e a luz da manhã. O mini pelotão rolava em amena cavaqueira, o ar frio descolando as remelas e o sol despontando a nascente. Em Fão, assim que saí da treliça de ferro da ponte, o rio Cávado apareceu sereno e por si só esta cena faria o dia já ter valido a pena. Não resisti, apertei os travões, posicionei a bicla e tirei a foto.

E fiquei para trás, prontes!

Em modo solitário prossegui, controlando ao longe os pontos vermelhos LED das bicicletas a perseguir. Pedalava agora numa cadência mais rápida, não só na intenção de os vir a alcançar mais à frente mas também para aquecer as pernas. Antes da viragem a nordeste, perdi-os completamente de vista e fui alcançado pelo Valter, outro iNBiCLAdo. Primeiros quilómetros na contagem decrescente da EN306 e concluiu-se a primeira etapa com a devida paragem em Gião. Não porque estivesse cansado, mas porque era necessário dar a primeira carimbadela no cartão brevet.

A velha estrada ziguezagueia através de áreas rurais, património arquitectónico e pequenos povoados, permitindo aos ciclistas cruzar míticos locais de passagem de peregrinos a caminho de Santiago. Eu não fiz muitas fotos neste brevet e as poucas que tirei foram em andamento.

A bruma da manhã eleva-se visivelmente e a temperatura sobe ligeiramente. As nuvens foram-se dissipando e o sol, a dez graus acima do horizonte, espreitava, desenhando as primeiras sombras no alcatrão.

Chegamos a Barcelos e o Valter teve galo. Forçado a interromper a pedalada ali mesmo, a meio da ponte medieval, foi só com o recurso a ferramenta e muita teimosia que conseguiu soltar a corrente encravada na roda pedaleira da sua titânica iNBiCLA. A muito custo lá se conseguiu engrenar de novo o mecanismo e continuar rumo a Norte por muitos quilómetros.

Sempre que a estrada empinava sou atingido pelo calor do ar, o que tornava incomodo o excesso de roupa a cobrir o corpinho. Depois de um pequeno topo, foi a meio de uma curva que resolvi parar, para, ali mesmo, fazer um strip ao vivo.


Mais uma vez à passagem pelo rio do esquecimento, em Ponte de Lima, lembrei-me logo que vinha aí a parte dura do percurso. A Serra da Labruja e aqueles 10 quilómetros de parede até Paredes de Coura. Desta vez a escalada correu-me às mil maravilhas e sempre com companhia para jogar cartas. Quase no topo, em Rendufe, havia uma foto que valeria a pena repetir.

Arrematado mais de metade do brevet, chegamos ao posto de controlo seguinte, que é numa pizzaria, na hora certa para enfartar a barriguinha.

Depois de um pequeno descanso, suficiente para desfrutar da infusão de carboidratos, aproveitamos os suaves declives da estrada para relaxar. O peso e a estabilidade de Dona Tripas funcionam a meu favor nas descidas, contra fortes ventos cruzados, empurrando-me a um ritmo de bolina. No posto de controlo em São Pedro da Torre, um reforço de cafeína esperava-me. Da minha cadeira de esplanada a sesta faria milagres mas, já sei, ainda nos resta muito chão neste belo dia.

 

Atravessada a linha férrea, fomos explorando o lugar até que nos surge o espelho da fronteira natural, do Rio Minho. Mais uns metros pedalados e calca-se o tapete vermelho da ecopista que segue ao longo da margem do rio. Dou um gole de água, viro a bicicleta a poente, e um forte vento encanado de noroeste sopra-me mesmo nas fuças.

Mas a erva é verde, o céu é azul, os bosques estão florescendo… Quem presta atenção ao vento quando é assim à nossa volta? E assim foi, um pachorrento passeio com a Mãe Natureza soprando-me aos ouvidos: Quem precisa de ter pressa, afinal? Instantaneamente, fui acordado do entorpecimento com a pesada massa de aço de um comboio que corre paralelo ao caminho.

Menos concorrida nas áreas rurais, a ecopista está mais movimentada quanto se aproxima de locais de lazer à beira rio. A seguira Vila Nova de Cerveira, passados poucos quilómetros, termina a pista. Após um empedrado manhoso retoma-se a estrada, a famigerada EN13. A paragem de autocarro ali existente foi abrigo por alguns minutos para repor a armadura e fazer um pequeno lanche.

Volto a escrever sobre a malinha que trago agarrada ao selim. A mala Carradice é um acessório indispensável nesta bicicleta. Não é só óptima para as pequenas coisas do commute diário como me dá boa capacidade de carga nas longas distâncias, para levar as ferramentas de emergência, as mudas de roupa e a comida. Quanto mais pedalo com ela mais dependente me torno dela.

Depois de Caminha rodamos para sul e viramos as costas ao vento. Agradavelmente, as minhas pernas ainda parecem frescas mas não estava a pedalar em velocidade de corrida. Há um propósito no meu ritmo. Seguir confortável. Embora Dona Tripas seja mais cómoda do que as bicicletas de estrada, é bem mais pesada e mais lenta. Tanto o desejo como o esforço tem de ser geridos com ponderação.

Com Viana do Castelo no horizonte, pedalávamos a bom ritmo e não sentia a necessidade de reabastecimento. A programada paragem na Natário ficou sem efeito e, à passagem na Ponte Eiffel sob o Lima, faltavam pouco mais de vinte quilómetros que seria superados com boa disposição. Não eram ainda as 18h e estávamos de novo no Posto da Cruz Vermelha de Marinhas a carimbar o cartãozinho amarelo e a registar a nossa chegada.

Venha o próximo…

 

 

 

 

Cicloescapadinha de Ano Novo: dar logo o tom certo a 2019

Ana Pereira @ Viagens a Pedal

Publicado em 6/01/2019 às 20:30

Temas: Geral campismo cicloescapadinha cicloturismo relatos viagens a pedal

Nos dias anteriores sentia-me ansiosa, um sentimento de uneasiness, ligado à perspectiva do desconforto (íamos apanhar muito frio, concerteza) e da incerteza (receávamos ter problemas a embarcar no Intercidades em Vendas Novas com a longtail – não conseguimos ir buscar a LHT a tempo), e à eterna sensação de culpa (passear?, devíamos é voltar já ao trabalho!, work, work, work or you’ll go broke and die!).

But we pushed through. Fomos à mesma. E, como sempre, ainda bem que o fizémos. Depois da fricção emocional inicial, as coisas encaixam-se, e desfrutamos da viagem, mesmo do frio e das eventuais adversidades. Mas nem as houve, realmente (além do frio). A viagem correu lindamente, sem incidentes, sem dramas, sem percalços.

Tínhamos 3 dias. Recorremos novamente ao Roteiro da Rede Nacional de Cicloturismo do Paulo, e optámos por fazer as secções 2.11, 2.12 e 2.13, do Entroncamento a Alpiarça, a Coruche e depois a Vendas Novas, conseguindo assim recorrer ao comboio para as ligações a Lisboa. Recomendo a toda a gente este roteiro, torna mais simples simplesmente ir! Não requer tanto tempo de pesquisa e preparação de rotas. E a CP também tem ajudado muito, ao melhorar progressivamente as condições para transporte de bicicletas nos seus comboios. Infelizmente, a rede ferroviária é ainda bastante limitada e cobre uma parte pequena do território nacional.

Na Golegã encontrámos umas infraestruturas bem intencionadas, se bem que algo confusas e não ortodoxas em termos de Código da Estrada, mas apreciamos a intenção de providenciar a bidireccionalidade desta rua para ciclistas e cavaleiros! 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Esta secção foi muito fácil, completamente plana. E não sei se era por ser feriado e dia de Ano Novo, não apanhámos trânsito nenhum. Os 41 Km desta secção fizeram-se bem e rapidamente (de lembrar que saímos do Entroncamento já quase às 12h).

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Quase a chegarmos a Alpiarça, passámos na praia fluvial do Patacão (não há placas a sinalizá-la!), junto a uma antiga vila piscatória (1950 até aos anos 80), de casas de madeira em estacas, para resistirem às cheias de Inverno, entretanto abandonada e degradada. Bem, esta praia é um sítio lindo. Não se ouvia nada. O sol brilhava e estava “quase” calor. Abancámos para almoçar, e depois ficámos ali a apanhar sol um bocado e a desfrutar do silêncio e da beleza do local.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entretanto seguimos rumo a Alpiarça, atravessámos a vila e fomos pernoitar ao parque de campismo, onde já tínhamos estado em Junho de 2016, noutra cicloescapadinha com amigos. Chegados lá com a luz da golden hour é mais fácil tudo parecer bonito, mas é efectivamente um sítio lindo. E permitem cães, o que para nós, com a Mutthilda, era fundamental.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entrámos mas não encontrámos ninguém, o parque parecia estar vazio, e não havia ninguém na recepção. Demos uma volta pelo parque, e entretanto notámos uns bungallows na encosta, e estava lá um senhor.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Metemos conversa em inglês, ele não falava português. Disse-nos que os donos viviam lá e deveriam andar por ali. Mais tarde soubémos que era um francês que vivia ali permanentemente, embora de vez em quando desse uma volta por aí, na sua autocaravana.

Sentámo-nos nuns bancos tipo miradouro e apreciámos a paisagem e a luz do fim de dia, antes de tratarmos de montar campo.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

A chatice de acampar nesta altura com este frio é que fica de noite antes das 18h, e nestes dias ficou mesmo muito frio, então uma pessoa quer é meter-se dentro da tenda e fugir ao frio, mas para isso janta logo e vai dormir, mas é super cedo! 😛 Tipo, vamos dormir às 20h e acordar às 5h da manhã? 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Usámos emprestada uma mesa e um toldo de uma roulotte ao lado (o parque estava vazio) e foi ali que preparámos o jantar e comemos (em pé, não havia bancos e não estava tempo para usarmos a mantinha do costume e piquenicar no chão). Estávamos praticamente às escuras porque eles não acenderam os candeeiros do parque (para acender um ou dois tinham que acender todos), mas para isso é que levámos os frontais, claro.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Inicialmente até tínhamos pensado bivacar (ahahah) mas com melhor preparação para o frio. Felizmente mudámos de ideias e levámos a tenda e, pela primeira vez, levámos também duas botijas de água quente. 😀 Aventura e um pouco de desconforto, sim, claro, mas também não temos que ser estúpidos. 😛

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Fez mesmo muito frio durante a noite e de manhã. As botijas foram uma óptima ideia! A dada altura já de madrugada, ou manhã cedo, o Bruno trouxe a Mutthilda para o meio de nós (estava na caixinha, debaixo da asa da tenda, enrolada em capas e cobertores, mas mesmo assim não estava quente) – foi bom para ela e a nós também deu jeito, aqueceu-nos!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Como disse, mesmo muito frio, tínhamos gelo na tenda e nas bicicletas!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Esticámos o tempo na tenda de manhã, mas o nevoeiro não parecia ir levantar tão cedo. Levantámo-nos e tratámos de nos preparar para sair, depois de tomado o pequeno-almoço. As mãos doíam de tão frias. Procurámos algum refúgio no balneário, frio à mesma mas ao menos sem o nevoeiro a piorar tudo! Deu jeito ter o parque vazio e sermos os únicos hóspedes, tínhamos tudo só para nós.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Entretanto, fui andando primeiro rumo à saída para fazer o pagamento na Recepção. Cold as fuck!, já referi? E notei a bicicleta com um comportamento estranho, que inicialmente pensei poder ser do piso, fofinho, coberto de caruma, etc. Rapidamente me apercebi que afinal tinha um furo na roda da frente. Bolas. É tão raro ter furos, e com este frio não vai ser nada fixe reparar. Voltei para trás para o balneário, onde o Bruno ainda estava. É sempre bom ter o Bicycle Repair Man como sidekick. 🙂

Já bastante atrasados, seguimos finalmente, pelo nevoeiro adentro, com o dono do parque e o tal residente a olharem para nós como se nós fôssemos malucos. E somos um bocadinho, sim. 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Mas depois, eventualmente, o céu abriu e o sol brilhou e ficou mais quentinho!

Em Fazendas de Almeirim procurámos um cafézinho (o Bruno tem uma certa adicção com café). Lá encontrámos um. A senhora era simpática, mas havia dois tipos a fumar lá dentro ao balcão (wtf?!) e eu queria sair dali o mais rapidamente possível. Viémos para a esplanada. Entretanto, já quase de partida, notamos as pessoas à janela a sorrir, viram o cão na bicicleta e ficaram enternecidas. 😀 A senhora vem lá de dentro com um pedaço de bife e dá-o à Mutthilda! Há cães com sorte. 🙂

Pedalámos mais um bocado e abancámos junto à Igreja de S. José da Lamarosa para almoçar. A praça estava em obras. Uma miúda, a Mariana, viu-nos a brincar com a Mutthilda e aproximou-se. Ficou lá o tempo todo a brincar com ela e a conversar connosco. Diz que vai para a escola de bicicleta, mas que é a única. Dissémos-lhe para continuar. 😉 Havia uma casa de banho num contentor e deu jeito, também para levar as marmitas lavadas. Lá bebemos mais um cafézito num café ao lado, para alimentar a economia local, e seguimos!

O nosso troço favorito foi a seguir a esta localidade, estrada em terra batida mas confortável, e paisagem linda.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Ao longo da viagem ocorreu-nos que falta um produto no mercado, uma engenhoca qualquer para prender / manter – em segurança, sem risco de caírem para as rodas ou voarem – coisas a secar no guiador. 😉

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019 Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019 Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Uma ideia para um próximo CycleHack, eventualmente!

Entretanto, quase a chegarmos a Coruche, encontramos isto:

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Foi simpático. Não é que houvesse trânsito relevante naquela estrada, mas assim fomos mais descontraídos.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

A ciclovia tem 8 Km e desemboca mesmo em Coruche. O nosso objectivo inicial era ir pernoitar, em modo wild camping, no Açude do Monte da Barca. Contudo, chegámos a Coruche já pouco antes do pôr-do-sol. Não conhecíamos o caminho para o Açude e não sabíamos o que iríamos encontrar, não tínhamos certeza de ter fuel suficiente, e sabíamos que fazer os quase 10 Km até lá já de noite e com um frio do caraças, e mesmo chegando lá ter que novamente fazer o jantar, etc, tudo às escuras e com temperaturas próximos de zero,… Resolvemos ajustar o nosso plano e procurámos um quarto para alugar para aquela noite. Afinal, a primeira noite, num parque de campismo escuro e deserto, já tinha tido uma vibe de microaventura / wildcamping. 😛

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

E assim fomos parar a um quarto da D. Mária (sim, Mária), no fim de uma subida que parecia uma parede. As casas em Coruche parecem ficar todas em encostas assim, com ruas directas, em vez de sinuosas e mais planas.

Este foi o nosso pequeno luxo desta cicloescapadinha. No dia seguinte, novamente uma manhã de nevoeiro não nos permitiu apreciar a vista lá para baixo para o rio Sorraia. O frio mantinha-se, mas lá seguimos nós!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Não estavam as melhores condições para apreciar a frente ribeirinha e a vista, mas é capaz de ser um sítio bonito num dia de sol. Seguimos para Sul, rumo ao Açude do Monte da Barca, passámos as 7 pontes metálicas sobre o Sorraia (algum trânsito numa zona de difícil ultrapassagem), mais um bocadinho numa estrada mais movimentada e cortamos para uma estrada tranquila.

Entretanto, faltava encontrar um café, claro. 😛 Parámos no primeiro que encontrámos, alimentar a economia local, e repôr as doses de cafeína!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

O caminho para o Açude parecia ter levado com um furacão, eram só árvores cortadas. Trilhos remexidos por máquinas e uma ou outra zona de lama, mas lá chegámos ao Açude!

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Um sítio lindo! Ficámos com vontade de voltar ali um dia, e a Coruche no geral.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Depois de umas curtas voltas exploratórias, metemo-nos de novo a caminho. E apanhámos uma estrada boa em terra batida, na zona de protecção do Açude.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Nestes 3 dias o cão pôde tirar a barriga da miséria de correr. 🙂

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Almoçámos num sítio com meia dúzia de casas, antes de chegarmos a Cortiçadas do Lavre. Pusémos a manta na relva e sacámos do almoço. Depois, cafézinho num minimercado ao lado!

O último troço, rumo a Vendas Novas, foi sempre a abrir, com algumas subidas, e uns carros de vez em quando. Estávamos com pressa, a ver se tentávamos apanhar o comboio anterior àquele para o qual já tínhamos bilhetes (e que era o último do dia). A ideia era, se nos fosse recusado o embarque podíamos ter tempo para desmontar ligeiramente a bicicleta do Bruno paracaber no seguinte, ou então pedalar mais 40 Km até Pinhal Novo e apanhar um comboio diferente, compatível com a Big Dummy.

Chegámos moídos mas com tempo suficiente para lanchar no parque e tudo.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Pelo caminho até ao parque passámos por uma avenida com uma ciclovia pintada ora no passeio ora na berma da estrada.

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019
Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Boas intenções, mas má ideia, O Lugar dos Ciclistas é “no Meio da Estrada”:

Depois da pausa no parque seguimos para a estação. Estava deserta. Não havia bilheteiras, nem máquinas automáticas nem indicação de em que plataforma paravam que comboios. *sigh*

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Fomos ao café ao lado e disseram-nos que para Lisboa seria na linha 1, do lado da entrada da estação (a linha 1 dá para duas plataformas). Fica a dica!

Esperámos. Apareceram mais pessoas. E o comboio lá chegou. O revisor não disse nada, apenas “para sermos mais rápidos”. Fomos tão rápidos quanto possível. E a bicicleta coube! Deixámos o comboio arrancar e, com calma, passámos a longtail do “hall” para o interior da carruagem, manobrando-a ao alto. Mission accomplished! 😀

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Cicloescapadinhado Ano Novo | Janeiro 2019

Agora é pensar na próxima microaventura!

 

Formação gratuita em Leiria, Caldas da Rainha e Peniche

Ana Pereira @ Escola de Bicicleta

Publicado em 11/12/2018 às 19:07

Temas: A escola Código da Estrada Condução de bicicleta Caldas da Rainha formação Leiria Peniche segurança rodoviária U-BIKE

Amanhã e 5ª-feira vai haver uma nova formação nos campi do IPL, no âmbito do U-Bike IPLeiria, e esta será de entrada gratuita para a população em geral (sujeito às vagas, enviem email a confirmar a vossa presença e identificando a cidade para *protected email*).

Numa altura em que as polémicas nas redes sociais pelos eventos recentes em Lisboa com capacetes, pedelecs, trotinetes, EMEL, CML e PSP, revelam a dramática falta de entendimento destas questões, mesmo as mais básicas e acessíveis, por parte da população portuguesa (utilizadores de bicicleta incluídos), é de aproveitar a oportunidade de aceder a uma formação tão completa quanto esta, geralmente só disponível em Lisboa, nos cursos da Escola de Bicicleta da Cenas a Pedal.

 

Acção de formação avançada para condução de bicicleta na cidade

As 4 regras de uma condução segura e sua aplicação (tópicos como diferença entre olhar e ver, e entre ser visível e ser visto, ângulos mortos dos veículos, do ambiente e do condutor, bolha de segurança, posicionamento na via, formas de comunicação, a influência da percepção do risco no comportamento, etc).

Código da Estrada e as bicicletas (direitos, deveres, lacunas).

Análise de casos práticos do dia-a-dia (como evitar colisões com carros, peões, etc).

E também ergonomia, normas sociais, gestão de situações de conflito, manobras especiais, condução com chuva, bicicletas eléctricas, etc.

 

 

Esta formação é útil para qualquer pessoa que queira melhorar a sua experiência a andar de bicicleta, ou que queira perceber como conduzir melhor um veículo automóvel na proximidade de pessoas em bicicleta.

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