novos confinamentos e outros quinhentos

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 18/01/2021 às 15:43

Temas: 1 carro a menos bicicleta bike to home bike to work Código da Estrada ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo covid-19 economia da bicicleta fotografia fotopedaladas manutenção meios de transporte mobilidade motivação opinião outras coisas pandemias partilha penso eu de que... quarentena segurança das biclas segurança rodoviária testemunho

Face ao agravamento da crise sanitária, na situação actual com um acentuado pico de casos positivos de Covid-19, e face à crescente necessidade de resposta do SNS em função da evolução ascendente da curva pandémica, o Governo viu-se obrigado a decretar um novo confinamento. A urgência é conter a propagação da doença.

Estando previsto um agravamento das multas a aplicar pelo incumprimento das regras em vigor, o novo regulamento obriga ao dever de recolhimento domiciliário. O novo confinamento antecipa várias diferenças em relação ao que vivemos em Março e Abril. Desde o dia 15 que vários sectores do comércio e serviços voltaram a encerrar, mas existem excepções. As medidas irão vigorar por um prazo inicial de duas semanas, a renovar por mais quinze dias.

À excepção das escolas que se mantém a funcionar, assim como as missas e celebrações religiosas que podem manter as suas rotinas (!!!), o modelo de fecho é muito semelhante ao que se passou na Primavera de 2020, quando a Covid-19 atingiu Portugal.

Além das restrições à circulação permitidas em casos que devem ser justificados, como ir trabalhar, frequentar a escola, regressar a casa ou apoiar alguém dependente, os sectores do comércio e serviços mais penalizados pela primeira vaga da pandemia continuam a ser visados.

A ideia é manter apenas em funcionamento tudo o que pode ser considerado serviço essencial ou específico, como alimentação, saúde, mas também, oficinas, como por exemplo as lojas e oficinas de bicicletas. No caso das grandes superfícies deixam de ter as restrições de horário que têm vindo a ser postas em prática a cada fim-de-semana, nos concelhos de maior risco de contágio.

As medidas vão ser dirigidas às empresas e às famílias: O teletrabalho passa a ser automático e obrigatório por Lei, sem necessidade de acordo; A restauração pode apenas funcionar em take away ou com entregas ao domicílio, sendo que as taxas deste serviço passam a ter um limite previsto por Lei; As excepções aplicadas à Saúde permitem que farmácias, consultórios e dentistas continuem a funcionar. Os tribunais e repartições mantém funcionamento com agendamento prévio; Comércio e serviços, incluindo cabeleireiros, fecham portas, excepto hipermercados, mercados, super e mini, e mercearias, bem como outros pontos previamente autorizados, devendo cumprir algumas regras e restrições de horários.

A restrição à circulação que vigorará nos mesmo termos do primeiro confinamento, com as excepções apontadas, será quebrada a 24 de Janeiro, data da votação para as presidenciais.

Dado o difícil momento que atravessamos, como forma de se evitar as aglomerações nos transportes colectivos, mas também para manter as pessoas fisicamente activas, a bicicleta é um meio de transporte recomendado.

A mobilidade de bicicleta, em meio urbano e inter-urbano, está a mudar. Este saudável hábito, muito comum nos países nórdicos, é uma tendência crescente nas sociedades desenvolvidas. Além de privilegiar a mobilidade activa e sustentável, o uso da bicicleta tem uma excelente relação custo-benefício e promove a qualidade de vida de todos. Mesmo de quem não se desloca neste meio de transporte alternativo.

A bicicleta é já o meio de transporte de eleição para muitos portugueses, não só para atividades recreativas / desportivas, mas sobretudo para as deslocações casa-trabalho e também para a escola.

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Se já a adoptaste ou pretendes começar a usar este meio de transporte, relembra ou fica a par das regras a cumprir de acordo o Código da Estrada (sobretudo das regras mais relevantes para os velocípedes), mas também estar informado acerca dos cuidados a ter para circular em segurança:

O Código da Estrada (CE) foi atualizado este ano. Podes consultar aqui o documento que regula o trânsito de pessoas e veículos engloba artigos específicos destinados à circulação de bicicletas. Recordo que, desde 1 de janeiro de 2014 (decorrente da Lei 72/2013), os velocípedes passaram a ser equiparados aos veículos com motor, tal como os ciclistas aos automobilistas. Isto significa que os automobilistas devem respeitar a ocupação do espaço para uso das bicicletas, tal como os ciclistas devem respeitar as regras do CE para circular em segurança. Algumas dessas regras são as seguintes:

Circular livremente, mas respeitando as regras de trânsito

Os ciclistas podem circular na estrada, na berma, nas ciclovias (caso existam) ou nas faixas reservadas aos transportes colectivos, consoante regulamentação municipal. Já os menores até 10 anos estão autorizados a andar de bicicleta nos passeios e desde que não ponham em perigo ou perturbem os peões. Qualquer veículo, incluindo o velocípede, só pode circular nos passeios apenas nos casos em que o acesso à casa assim o exija.

Respeitar as regras de prioridade

A partir do momento em que os velocípedes foram equiparados aos veículos passaram a gozar da chamada regra da prioridade. Isto é, desde que não haja sinalização em contrário, os ciclistas têm prioridade sempre que se apresentarem pela direita. No caso das rotundas, os ciclistas podem ocupar a via de trânsito mais à direita, sem prejuízo do dever de facultar a saída aos condutores que circulem na rotunda. Ou seja, os ciclistas perdem a prioridade face aos veículos que circulam na via mais à esquerda e pretendem sair da rotunda. 

Facilitar a ultrapassagem

Tal como indica o artigo 38º do CE, na ultrapassagem os automobilistas devem dos velocípedes assegurar a distância lateral mínima de 1,5 metros, e abrandar a velocidade sempre que ultrapassarem bicicletas que circulam à sua frente, na estrada ou na berma.

Para a realização da manobra, o condutor deve ocupar o lado da faixa de rodagem destinado à circulação em sentido contrário ou, se existir mais de uma via de trânsito no mesmo sentido, a via de trânsito à esquerda daquela em que circula o veículo ultrapassado.

Todos os condutores, incluindo os ciclistas, devem facilitar a ultrapassagem sempre que não haja obstáculo que o impeça. Para tal, devem desviar-se o mais possível para a direita e não aumentar a velocidade enquanto não for ultrapassado.

Usar capacete

O uso do capacete para quem circula de bicicleta não é obrigatório, mas é recomendável, sobretudo para garantir a proteção dos ciclistas em caso de acidente. De acordo com o CE, o capacete é apenas obrigatório para quem conduz um velocípede com motor.

Sinalização luminosa (semáforos)

A sinalização luminosa destinada a regular o trânsito de veículos também se aplica às bicicletas. Perante um semáforo, devem respeitar as indicações dos sinais luminosos. Por exemplo, não cair na tentação de avançar num sinal vermelho. Esta infração está sujeita a coimas.

No trânsito, e sempre que precisarem de mudar de direção, os ciclistas devem tomar as precauções necessárias, sinalizando atempadamente as suas manobras, que podem ser indicadas com sinais de mão.

Ter iluminação adequada

O artigo 93º do CE prevê que a circulação de bicicletas durante a noite esteja sujeita à utilização de dispositivos de iluminação. É obrigatório que as bicicletas tenham luzes, à frente e artás, desde o anoitecer ao amanhecer ou durante o dia sempre que as condições meteorológicas ou ambientais tornem a visibilidade insuficiente.

Seguros

Os ciclistas não são obrigados a ter um seguro de Responsabilidade Civil. Porém, é sempre aconselhável fazer um seguro, tanto de danos próprios como também para se precaverem contra danos a terceiros, seja a pessoas ou a outros veículos.

Os ciclistas estão dispensados da titularidade de licença de condução, mas são obrigados a circular munidos de cartão de cidadão.

A manutenção e o zelo com a querida bicicleta

A correta manutenção da bicicleta é outro dos fatores fundamentais para que possas circular em segurança. Verifica com regularidade o estado dos travões, dos pneus, da direcção, do guiador, das mudanças, das luzes, e restantes componentes.

Boas pedaladas.

 

Braga precisa de mais segurança!

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 9/01/2021 às 8:30

Temas: Opinião acalmia atropelamentos Avenida 31 de Janeiro Avenida Central Avenida da Liberdade Avenida Padre Júlio Fragata Braga Ciclovia Fojo Ciclovias covid COVID 19 Depois da Pandemia Estação Fojo fundos Gualtar Investimento investimento público Miguel Bandeira pandemia Política Rede Ciclável Ricardo Rio Rodovia Rua do Souto Variante do Fojo Victor Domingos


Enquanto a política vai balançando ao sabor dos ventos, as pessoas que vivem, estudam e trabalham em Braga continuam a ser diariamente prejudicadas pela falta de uma visão estratégica no campo da mobilidade urbana e de medidas efetivas de melhoria da segurança e incentivo ao uso da bicicleta. Se há uns anos Ricardo Rio e o seu executivo prometiam investir na acalmia de trânsito e na transformação de uma rede viária adequada ao uso da bicicleta como modo de transporte, após 7 anos podemos constatar que, afinal, praticamente nada foi feito.

Não se sabe se o que faz mudar o discurso e impede a realização da intervenção necessária é a tentativa incessante de agradar a certas opiniões públicas, cuja perceção por parte dos nossos responsáveis varia conforme as vozes e os setores que em cada momento Ricardo Rio, os seus vereadores e os técnicos do Município decidem escutar ou deixar de escutar. Ou se será uma certa falta de conhecimento técnico ou científico por parte do Município em áreas como o urbanismo, a mobilidade e a segurança rodoviária – ideia que por vezes nos parece ser transmitida pelos avultados montantes que este Município tem gastado em estudos de mobilidade de que não se vê resultados no terreno. Ou, o que seria porventura mais grave, algum lamentável desinteresse em relação ao facto de o nosso espaço urbano não acolher nem proteger de forma justa e equitativa todos os cidadãos, apesar do flagelo anual dos atropelamentos.

Não sabemos. O que sabemos é que em Braga continua a haver uma rede viária focada quase exclusivamente no automóvel, descurando a segurança e outros direitos dos milhares de cidadãos que diariamente pretendem deslocar-se a pé ou de bicicleta. Todos sabemos que faltam passeios adequados e desimpedidos em boa parte da cidade e, claramente, não temos uma rede ciclável em Braga.

Os cidadãos que se deslocam de bicicleta (e note-se que muitos de nós somos também automobilistas, e todos somos peões) continuam a ser relegados em Braga para um plano de menor importância, o que ajuda a perpetuar o uso excessivo de um modo de transporte que acarreta custos enormes (na ordem dos 33 milhões de euros, só em Braga) para a saúde, para o ambiente, para a economia das famílias e para a sociedade.

Continua a ser incompreensivelmente complicado ir de bicicleta desde a Estação ao Centro, e do Centro ao Campus de Gualtar. Continua a ser inseguro circular de bicicleta em praticamente todas as nossas avenidas. Pouco ou nada tem sido feito para tornar seguros os percursos de bicicleta para acesso às escolas básicas e secundárias, residências e outros polos universitários, serviços públicos, áreas comerciais, zonas industriais e empresariais, e espaços verdes ou de prática desportiva, nos cerca de 7 ou 8 km que temos de cidade plana. Os pequenos trechos de ciclovia existentes não chegam para percorrer a cidade e ligar as áreas residenciais às áreas aonde as pessoas diariamente precisam de se deslocar. E não são suficientes para que se possa falar de uma rede ciclável – precisaríamos de cerca de 10 vezes mais quilómetros de ciclovia, e de reais interligações entre estes, para que finalmente a rede fosse real.

Numa altura em que outras cidades – mundiais, europeias e portuguesas – aproveitam o momento de crise pandémica para repensar a mobilidade e a ajustar a uma escala humana, alocando espaço para passeios e transportes públicos, e criando extensas ciclovias onde antes apenas circulavam carros em excesso, porque é que Braga não aproveita também os fundos que têm sido e continuam a ser disponibilizados para essa finalidade?

 

reciclando [46] ciclistas de inverno, uma raça rústica

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 8/01/2021 às 15:29

Temas: motivação 1 carro a menos bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo fotografia fotopedaladas inv mobilidade outras coisas pedaladas no inverno penso eu de que... reciclando testemunho

Alapado no sofá, assistindo televisão enquanto se sopra o topo de uma caneca aquecida, numa manhã invernal como as destes dias, a procrastinar a saída a pedalar, para o trabalho ou um simples treininho, não soa estranho ao comum mortal. O conforto da habitação, da força vital das máquinas, é sedutor, e andar de bicicleta nesta época do ano pode ser um desafio.

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Apenas o acto de vestir pode ser uma tarefa vagarosa: várias camadas de roupa, impermeável ou corta-vento, botas com a respectiva capa, luvas, gorro, máscara facial (não estamos obrigados a pedalar de mascara mas assim até que sabe bem para não congelar o nariz)  são vestes necessárias para as pedaladas de inverno. Isso deixa uma sensação de ciclista volumoso, aquela impressão desagradável de roupa a esfregar na roupa, que se torna mais audível a cada pedalada. Tanto esforço faz o ciclismo no inverno parecer o cabo dos trabalhos, mas todo esse trabalho pode fazer das pedaladas no inverno momentos inesquecíveis.

Uma vez ao ar livre, nunca a experiência de pedalar no frio, à chuva e ao vento, parece tão funesta quanto optar por um veículo dispendioso, por um motor a combustão que está mais tempo parado do que móvel. Mas estes argumentos não significam que seja mais fácil motivar outros que olham para mim desconfiados. Com temperaturas mais baixas, negativas, pode-se aquecer de várias maneiras, mas é o exercício físico que melhor gera calor nos tecidos e diminui a contracção musculo-esquelética. Aumenta a temperatura da pele e adapta as nossas respostas metabólicas ao meio ambiente. O gasto energético para além de associado à diminuição de obesidade mantém o corpo aquecido. Assim, a possibilidade de engordar no interior de um veículo pode ser um forte motivador para sair a pedalar, mesmo ao frio.

Para muitos, os ciclistas sempre foram uma raça rústica. Também com a noção de união com a natureza é uma boa razão para assumir o ciclismo no inverno. Andar ao ar livre, através do gelo, da neve, sob o seu próprio poder, leva o ciclista a estar mais perto da natureza e mais perto da sua existência. Manter esses pensamentos em mente, faz com que esteja mais consciente do que o rodeia, e tais ideias podem fazer com que outros encontrem motivação para andar de bicicleta, tanto no inverno como no verão.

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De peito feito, determinado de suportar o frio, a chuva cortante e chicotadas de vento, o que leva um tipo a ter doses especiais de motivação!? É uma motivação baseada na certeza que a bicicleta é uma actividade para todo o ano. A alegria de pedalar, de percorrer um qualquer caminho, sob qualquer tipo de adversidade, querendo superar os elementos, criando o sentimento de auto-suficiência, independência e resistência, que o mantém em forma, melhora a sua saúde, o seu humor, alivia o stress e libera endorfinas em resultado do exercício. Sob camadas de roupa, enfrentando condições agrestes, estão armados com o conhecimento de que a perseverança e o esforço lhes dão a vantagem final.

 

 

2021, é só mais um

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 5/01/2021 às 15:12

Temas: motivação 1 carro a menos 2021 bicicleta bike to home bike to work bom ano ciclismo ciclismo urbano cicloturismo coisas que vejo commutescount covid-19 fotografia fotopedaladas mobilidade opinião outras coisas pandemias penso eu de que... Porto STRAVA testemunho

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no último dia do ano, no último commute do ano, ao cair do pano 2020 redimiu-se de alguma forma da valente molhada que nos preparou e proporcionou-me o adeus com este cenário fantabulástico.

O Strava tem a importância que tem e a utilidade que cada um lhe queira dar, nem mais, nem menos. É uma ferramenta proveitosa que permite ao utilizador fazer algumas contabilidades, comparações e avaliações. É nesta aplicação que contabilizo os quilómetros que faço a cada volta velocipédica. Atendendo ao facto de não possuir nenhuma geringonça de conta quilómetros nem velocímetro montado nas minhas bicicletas, safo-me com o que tenho e uso o telemóvel para registar as minhas voltas, sejam elas nas deslocações laborais ou em outras pedaladas, tanto na opção da bicicleta como meio de transporte como nas pedaladas mais longas, para espairecer e “turistar”. Assim vou analisando e precebendo quanto progrediu a minha pegada ecológica de ano para ano.

2020 foi pró fracote. No total contabilizei pouco mais de 9 mil km´s pedalados, o que significa ter ficado muito aquém do somatório do ano anterior. Quanto ao que se passou no país e no mundo, já se sabe. Quarentena e constrangimentos à mobilidade foram a minha remissão. Atendendo ao ano atípico que passamos, na utilização diária da bicicleta mantive as minhas rotinas, sendo que nesse aspecto posso dizer que foi um ano positivo. O #commutescount em 2020 correspondeu a cerca de 60% do total pedalado. Já quanto às pedaladas mais longas, as minhas voltas cicloturisticas/randonneiras, acrescentando rotas ao mapa das realizações, ficaram muito aquém dos objectivos pretendidos.

Para a bicicleta, 2020 foi um ano de mudança no paradigma. Observou-se um aumento considerável de utilizadores da bicicleta, principalmente em meio urbano. Com a necessidade de distanciamento social durante a pandemia a despertar alguma aversão aos transportes públicos, favoreceu um dos meios de transporte mais baratos e sustentáveis da atualidade: a bicicleta… A necessidade de um transporte individual para evitar aglomerações, mais livre e seguro na questão do contágio da covid-19, deu o mote para o aumento da aquisição de bicicletas novas, fazendo disparar as vendas ao ponto de esgotar stocks e atrasar a reposição da oferta. Também com o encerramento temporário de ginásios devido à pandemia, a solução encontrada por muita gente para continuar com a vida ativa foi comprar uma bicicleta ou tirar o pó aquela que estava esquecida lá no fundo da garagem.

Bem, resta-me desejar a quem me visita um Bom Ano, que 2021 seja melhorzinho para a humanidade e que continuemos com este bicho, o das pedaladas. Ahhh… e que a(s) vacina(s) nos deixem imunes de covides, qualquer que seja a estirpe em voga… ou a vaga!

 

 

7 Avenidas: Vinte e Cinco de Largo por Sete e Meio

Mário Meireles @ Braga Ciclável

Publicado em 25/12/2020 às 23:01

Temas: Opinião biciclet Braga Democracia espaço público Espaço Urbano Mobilidade mobilidade em braga Transporte Público


Da rotunda do Santos da Cunha até à rotunda do Fojo são 7,5 quilómetros. Nesse comprimento temos sete Avenidas com vinte e cinco metros de largura. Aí, 80% do espaço é dedicado ao automóvel. Isso mesmo, vinte metros da largura destas avenidas são para o carro. E esta é uma das espinhas dorsais Este-Oeste da cidade – a par da ligação pela estrada velha e centro histórico, que é um segundo eixo estruturante Este-Oeste.

Estas sete Avenidas são cruzadas por um conjunto de duas avenidas naquele que hoje é o centro da cidade de Braga: A Rotunda das Piscinas. Este é o ponto central da cidade do século XXI.

Poucas são as deslocações que fazemos em Braga sem se utilizar pelo menos parte de alguma destas sete avenidas.

Um perfil com vinte e cinco metros de largura, em qualquer cidade cosmopolita e desenvolvida na Europa, hoje em dia não dedica 80% do seu espaço ao automóvel. Se os nórdicos aprenderam isso há 50 anos, os “nuestros hermanos” aprenderam há 20, e cidades como Sevilha, Valência, Vitoria-Gasteiz, Saragoça, Burgos, Pontevedra, Barcelona, Madrid, entre outras, fizeram intervenções nas avenidas em pleno coração da cidade.

O que têm em comum todas as Avenidas modernizadas nessas cidades espanholas e em tantas outras europeias? Têm ciclovias, têm muitos semáforos e passadeiras à superfície, têm corredores bus ou transporte público em canal próprio e continuam a ter espaço para o carro, mas em vez de 80% é 60% ou 40%, ou menos.

Em 25 metros de perfil, criar duas ciclovias unidirecionais é alocar 12% do espaço à bicicleta. O carro continuaria a ter 68% do espaço. Criar dois corredores BUS é alocar 24% do espaço ao transporte público. O carro continuaria a ter a maioria do espaço.

Se em vez de termos uma avenida com 80% para o carro e 20% para os peões, tivéssemos uma avenida com o espaço dividido da seguinte forma:
– 20% para os peões,
– 12% para a bicicleta,
– 24% para o transporte público e
– 44% para o carro.

Alguma vez isto pode ser ditadura da bicicleta ou do transporte público? Não. Será, evidentemente, uma divisão democrática do espaço público, assim exista vontade.

 

CycleAI – usar a inteligência artificial para melhorar a nossa mobilidade

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 21/12/2020 às 22:28

Temas: Notícias Acidentes atropelamentos Ciclovias CycleAI inteligência artificial Luís Rita machine learning Miguel Peliteiro Projetos Segurança


CycleAI é o nome de um novo projeto português que pretende usar tecnologias de inteligência artificial para ajudar a identificar problemas e assim propor melhores soluções para as políticas de mobilidade urbana sustentável. Um médico e um cientista de dados portugueses, ambos utilizadores diários da bicicleta, acreditam que as nossas cidades podem tornar-se mais amigas de quem anda a pé ou de bicicleta, e que a inteligência artificial pode ajudar. Este projeto inovador arrancou em outubro e precisa agora da participação dos utilizadores de bicicleta, para ajudar a reunir algumas informações essenciais para tornar o sistema informático mais inteligente.

O médico Miguel Sampaio Peliteiro, que foi violentamente atropelado numa ciclovia há poucos meses, e Luís Rita, cientista de dados e doutorando no Imperial College, são os responsáveis por este projeto, que vai reunindo em Portugal e no estrangeiro novos parceiros, apoios e prémios (como por exemplo o 1º European Cyclists’ Federation Hackathon e o BET/AWS University Challenge). O objetivo é contribuir para a transição urbanística das cidades focadas no automóvel para a mobilidade ativa, com mais deslocações a serem feitas a pé ou de bicicleta.

Como motivos para empreender este projeto ambicioso, os seus fundadores apontam o facto de que “as cidades a nível mundial estão cada vez mais focadas em voltar os seus esforços apontando a um futuro verde, sustentável e seguro”, mas que que apesar disso “continua a haver milhares de pessoas atropeladas nas estradas, excesso de emissão de gases com efeito de estufa e uma utilização pouco eficiente do espaço urbano”. Tudo isso acarreta enormes custos humanos, sociais e económicos que urge resolver pela via da prevenção.

“A perceção do risco impede as pessoas de pedalar”, afirmam. “Em Portugal tendemos a assobiar para o lado sob a desculpa de condições climatéricas adversas, quando o problema são a insegurança rodoviária, o pobre e subjetivo planeamento urbano, a gritante falta de infraestruturas e a poluição atmosférica nas principais artérias das cidades. Nós queremos mudar isto de forma objetiva, analítica”.

Apelo à participação de todos os ciclistas

Desde outubro, e contando já também com a participação de Codrin Bostan, o projeto CycleAI lançou o seu site em www.cycleai.net, que para além de dar a conhecer a iniciativa, servirá para realizar uma série de processos de crowdsourcing.

O primeiro já se encontra disponível e pede aos utilizadores da bicicleta que assinalem num mapa os locais mais propensos à ocorrência de acidentes ou que considerem uma afronta à sua própria segurança, como por exemplo cruzamentos mal desenhados, rotas mal sinalizadas, zonas com infraestruturas subótimas de circulação ou estado impróprio das vias.

Planos para o futuro

Os planos do CycleAI incluem o desenvolvimento de um modelo de machine learning que permitirá automatizar os processos de identificação de locais perigosos na rede viária e a sua classificação a partir de fotografias, obtendo finalmente um mapa que considere o risco assumido à circulação de diferentes zonas. Uma funcionalidade também prevista é a possibilidade de os utilizadores fotografarem um local que pretendam analisar e fazerem upload na página do CycleAI, que apresentará em instantes uma pontuação de segurança para essa área fotografada.

Depois de terem vencido em novembro deste ano uma competição europeia promovida pela CE, EIT e ECF sobre o tema “Building the cycling city of the future”, a equipa prepara-se para em junho apresentar o projeto na conferência internacional Velo-City 2021, que desta vez decorrerá em Lisboa.

CycleAI roadmap

Com a informação resultante das primeiras fases do projeto, os responsáveis preconizam que o próximo passo consistirá em atuar diretamente nos fatores de risco e promover a mudança. O projeto, lembram, é “interessante tanto pelo seu potencial como pela complexidade do que se desenvolverá”. Para tal, contam com o envolvimento não só dos ciclistas, mas também de municípios, consultores, geógrafos, engenheiros, arquitetos e cientistas de dados.

 

A arte de não saber fazer ciclovias em 16 lições

Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável

Publicado em 13/12/2020 às 0:42

Temas: Opinião 76 km Árvores ciclovia Ciclovia da Encosta Ciclovia de Lamaçães Ciclovias coronapistes europa Luís Tarroso Gomes Paris Portugal 2020 Projetos Rede Ciclável Ricardo Rio Tarroso


A ciclovia de Lamaçães é de novo notícia por más razões: o abate (1ª lição) de árvores saudáveis continua. Quando a rigidez do projeto (2ª) é mais importante do que manter árvores adultas e a sombra que protege os peões ficamos logo conversados sobre a vontade real da Câmara de Braga de enfrentar as alterações climáticas (3ª).

O Portugal 2020, por imposição europeia, dedicou uma grande parte dos seus apoios à mobilidade, em particular, ao incremento dos modos suaves (peões e ciclistas). Todavia Braga, depois de gastar todos os milhões destes fundos, não terá qualquer rede ciclável (4ª) mas uns meros 0,8km a mais cicláveis. A Câmara insiste que são 7km usando um truque ridículo (5ª): soma os 0,8km de novidade ao troço existente e multiplica por 2 sentidos. É tão correto como dizer que a estrada Braga-Porto tem 100km por ter ida e volta!

Para acrescentar estes míseros 0,8km a Câmara vai gastar 2,7 milhões de euros (6ª). Recordo que a ciclovia original, inaugurada há 15 anos, custou 0,25 milhões (menos de 1/10!). A ciclovia de Ricardo Rio terá, portanto, um custo de 3,3 milhões por quilómetro. É infelizmente a opção habitual dos autarcas: os apoios comunitários não servem para fazer mais. Servem para fazer mais caro (7ª), recorrendo impunemente às opções mais dispendiosas (nos lancis, luminárias, materiais, etc).

Com estas opções políticas, a construção de uma rede ciclável que abranja a cidade é absolutamente insustentável. A este preço os 80km de ciclovias prometidos por Rio custariam 264 milhões, bem mais do que o Estádio!

Mas esta ciclovia sempre foi polémica por causa da sua localização: no dia a dia é periférica e inútil (8ª); enquanto equipamento de lazer tem uma envolvente perfeitamente desinteressante (9ª) e anda ao lado duma via bem poluída (10ª). Nos últimos anos com o licenciamento de várias superfícies comerciais e drive-ins desenhados para apenas servir automobilistas (11º) o ambiente urbano piorou.

Para quê gastar mais dinheiro aqui em vez de criar uma rede ciclável com intervenções nas avenidas principais (12ª)? Fico com a certeza que a Câmara não tem coragem de intervir onde é estruturante (rodovia) mas quer fingir que faz alguma coisa “moderna” (13ª).

Por fim, salta à vista a lentidão (14ª). Enquanto Braga está há mais de 3 anos à volta desta ciclovia quase inútil, a Câmara de Paris com um pequeno orçamento pôs a funcionar, em maio de 2020, 50km de coronapistes (15ª), ciclovias destinadas, em tempos de pandemia, a incentivar as deslocações individuais, combatendo a poluição. Estas ciclovias reforçam a já extensa rede ciclável da cidade, criando alternativas (16ª) quer aos automóveis particulares quer aos transportes coletivos. Em setembro a autarca parisiense anunciou que as coronapistes serão permanentes. Mesmo com tanto dinheiro europeu, em Braga a Europa é uma miragem!

 

Escola de Bicicleta Online: o pontapé de arranque

Ana Pereira @ Escola de Bicicleta

Publicado em 30/11/2020 às 18:44

Temas: A escola Campanhas de redução de risco rodoviário Código da Estrada Dicas para condutores de automóvel campanhas cursos online educação infográficos segurança rodoviária

Já há muito que queríamos expandir o nosso alcance com as atividades da escola, tínhamos alguns cursos com currículos e guiões alinhavados, mas era sempre trabalho que se arrastava, pois era não urgente, e era o tipo de trabalho que requer uma dedicação consistente e regular ao longo de muitas semanas, o que é difícil de conseguir conciliar com as atividades normais do quotidiano.

A culpa é da covid19

Bom, veio 2020, a pandemia e o primeiro confinamento em Março, que nos deram um chuto no traseiro para tirarmos isto da gaveta e avançarmos de uma vez. Havia – e há – tanta gente a querer começar a usar [mais] a bicicleta no dia-a-dia, seja para transporte ou para lazer e desporto e manter a sua sanidade mental e evitar o carro, que optámos por dedicar os primeiros cursos a essas pessoas e apoiar a transição modal do carro para a bicicleta.

Obrigada, Fundo Ambiental!

Resolvemos candidatar a realização destes 3 primeiros cursos a um apoio do Fundo Ambiental, no âmbito da Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020, para nos dar um balão de oxig€nio para podermos tirar tempo para isto e… woohoo, ganhámos!! 😀

Então, desde Agosto que o projeto “Escola de Bicicleta Online” da Cenas a Pedal, com o apoio do Fundo Ambiental, nos tem absorvido uma parte muito substancial do nosso tempo.

O primeiro curso é sobre “O Código da Estrada e as Bicicletas“, o segundo é sobre “Como Pedalar em Segurança pela Cidade“, e o terceiro é sobre “Como Transportar os 4Cs em Bicicleta: Crianças, Cães, Compras e Outras Cenas“.

Recrutamento de beta testers / fazer cursos à borla!

No âmbito do projeto com o Fundo Ambiental precisamos de ter em muito pouco tempo 100 alunos a fazer os cursos, e avaliar métricas de impacto. Por isso, temos 100 vales de oferta para oferecer à malta, e queremos que estes 100 beta testers sejam o mais diversos possível, homens, mulheres, todas as idades, da cidade, do campo, iniciantes e veteranos da bicicleta, que usam a bicicleta como transporte ou só para lazer ou desporto, que conduzam, além da bicicleta, carro, mota, camião ou autocarro!, ou que não conduzam mais nada, que sejam doutorados ou que tenham ficado pela 4ª classe – queremos uma amostra o mais diversa possível para testar e avaliar a plataforma e os cursos propriamente ditos.

Interessado em ajudar-nos? Escreve para escola@cenasapedal.com e diz-nos “quero ser um beta tester dos vossos cursos!” 🙂

Um infográfico para mudar comportamentos

Entretanto, lembrámo-nos de adaptar alguns dos nossos slides do curso sobre o Código da Estrada e criar um infográfico sobre a principal questão que aflige qualquer pessoa que considera andar de bicicleta: a forma como é ultrapassada por quem vai a conduzir um carro.

A nossa ideia foi criar algo para as pessoas divulgarem facilmente e que ajudasse a mudar a cultura atual, ilustrando a forma correcta (e algumas incorrectas) de se ultrapassar alguém numa bicicleta quando nós vamos de carro, segundo o Código da Estrada (que desde 2013 está muito melhor relativamente a esta questão da ultrapassagem).

Como ultrapassar um ciclista / como ultrapassar uma bicicleta?
#PassaParaAOutraVia

Em cima da bicicleta vai o filho, o irmão, o pai, o marido, o amigo de alguém. Não devemos ser nós a impedi-lo de chegar vivo e bem a casa e aos seus, só porque não concordamos que ele ande de bicicleta “ali”, ou que conduza “daquela forma”.

Vou de carro, à frente há alguém numa bicicleta e quero ultrapassar? Boa, mas só quando for seguro, e depois:

1. Passar para a via do lado (mesmo que consiga dar 1.5 m de distância lateral sem o fazer)

2. Abrandar

3. Dar 1.5 m ou mais de distância lateral, mesmo que já tenha passado para a via ao lado.

Mudo para a via do lado sempre, e totalmente (e não aquela cena de andar no meio da estrada com o rodado esquerdo numa via, e rodado direito noutra via), independentemente da posição da bicicleta na sua via (ao centro ou mais à direita, ou outra), e abrando e dou o tal 1.5 m ou mais.

Mudo para a via do lado sempre, e totalmente (e não aquela cena de andar no meio da estrada com o rodado esquerdo numa via, e rodado direito noutra via), independentemente da posição da bicicleta na sua via (ao centro ou mais à direita, ou outra), e abrando e dou o tal 1.5 m ou mais.

Não quero arriscar tocar na pessoa ou na bicicleta e fazê-la cair, nem quero atropelá-la se ela cair por qualquer razão, daí a distância e o abrandar. As bicicletas oscilam para se manterem equilibradas, e são vulneráveis a quedas por coisas que não nos afectam de carro (vento, buracos, etc).

Todo o condutor conta com toda a largura da sua via para se movimentar e lidar com o que lhe aparece à frente. Ninguém está à espera, nem gosta, de ter outros veículos a passá-lo dentro da sua via, mesmo que só parcialmente, e mesmo quando vai dentro da bolha-carro. E há 7 anos que tal é proibido!

Se isto é uma péssima ideia de se fazer a um carro, é fácil de perceber que é uma ideia asinina quando aplicada a alguém num veículo de duas rodas, e em particular a alguém numa bicicleta…Mas mtas vezes não dá para cumprir isso tudo! Certo. Duas hipóteses: não ultrapassar enquanto não der – vai dar dali a uns segundos, concerteza. Nos raros casos em que não vai dar tão cedo, aguentar, ou *se for seguro* ultrapassar sacrificando algum do espaço, mas na via do lado, e abrandando ainda mais!

Ah, e o que é 1.5 m, mesmo? É o espaço necessário para caber uma pessoa de braços abertos. É o espaço para caber lá um Smart Fortwo. É metade da largura de uma via de trânsito típica. #PassaParaAOutraVia e tens logo a coisa mais ou menos feita na maior parte dos casos.

Somos todos tipos inteligentes e boas pessoas. We can do this! 😊 Partilhas com a tua rede? Vamos ser melhores seres humanos uns para os outros. 😉

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Mitos urbanos sobre as duas rodas

João Forte @ Braga Ciclável

Publicado em 27/11/2020 às 23:01

Temas: Opinião Ambulâncias bicicletas Braga carros Ciclonazis Cracóvia João Forte mitos Mobilidade


Sempre que surge uma notícia associada às bicicletas nas redes sociais, eis que surgem de rajada os ciclistas de bancada, com os estereótipos e o preconceito como pano de fundo. Verdadeiros especialistas em disseminar mitos urbanos sobre as bicicletas, sobre os seus utilizadores e sobre o uso que estes fazem destas. Estes ciclistas de bancada têm dois denominadores comuns, um o facto de não serem utilizadores regulares da bicicleta, outro o facto de, quando confrontados com os factos, longe dos seus achismos, partem para o ataque. Os utilizadores falam apenas em ter a infra-estrutura e a segurança a que têm direito e na volta ouvem termos como “ciclonazis”. Grave, no mínimo!

Há comentários cliché e há comentários verdadeiramente criativos. Destes últimos há uns que, para mim, se destacam, ou seja, comentários associados a ambulâncias, onde pessoas que não andam de bicicleta nem conduzem ambulâncias fazem juízos de valor sem base para isso. Para eles as bicicletas são um estorvo para as ambulâncias, tal como os pilaretes, os semáforos e não só. Tudo estorva as ambulâncias, menos os carros, pois claro. Lembro-me de em 2019 ter ido a uma ocorrência ao centro de Braga e o único local onde poderia ter parado estava barrado com dois carros estacionados de forma irregular. Depois o caos foi culpa dos pilaretes, imagine-se!

Eu sou um sortudo, já que além de ser um experiente peão e ciclista, sou também um experiente automobilista e um experiente condutor de veículos de emergência. Centenas de milhar de km feitos em veículos de emergência, parte deles em Braga. Curiosamente, ou não, nunca tive problemas com ciclistas, independentemente do ponto da cidade, Maximinos, S. Victor, Gualtar, Fraião ou outros pontos da cidade e arredores.

Em emergência eles ouvem a ambulância e facilitam. Sem ser em emergência fazem o mesmo e, aí, não tenho problema algum esperar até os poder ultrapassar, ao contrário da maioria, que anda muito nervosa na estrada. São vidas que ali vão! Chegado ao centro de Braga, eis que me deparo com os problemas reais, carros a mais, muitos em cima do passeio ou em segunda fila. Tantos apenas com um passageiro e para viagens curtas. Um grave problema de mobilidade urbana! Quando conseguiremos nós erradicar os estereótipos, o preconceito e os mitos urbanos associados às bicicletas? Quando conseguiremos conviver e partilhar uma via comum e não exclusiva? A resposta é só uma, quando formos mais a andar de bicicleta. E não é um capricho, mas sim um direito!

 

Exercício de imaginação

Marta Sofia Silva @ Braga Ciclável

Publicado em 13/11/2020 às 23:01

Temas: Opinião Braga braga ciclável cidade Futuro imaginação Imagine Marta Sofia Silva Mobilidade


Façamos, em conjunto, um exercício muito simples: imagine a cidade em que quer viver daqui a 10 anos. Imaginou? Ainda não? Mais uns minutos… acabou o tempo!

Agora, focando-se na mobilidade dessa sua cidade, responda às seguintes questões que lhe coloco, em voz alta (também vale em voz baixa, em silêncio, escrevendo, etc.): a sua cidade do futuro, permite-lhe deslocar-se, entre casa e o trabalho, no meio de transporte à sua escolha, sem que fique retido desnecessariamente no trânsito? Na sua cidade do futuro, a oferta de estacionamento deixou de ser um problema porque os transportes públicos se tornaram tão eficazes e pontuais que uma percentagem da população abdicou do carro… ou, pelo menos, do segundo carro? Na sua cidade do futuro, respira fundo, sem medo, porque a emissão de CO2 deixou de ser uma preocupação, e a causa de várias doenças respiratórias? Na sua cidade do futuro, os atropelamentos deixaram de existir ou, aqueles que continuam a acontecer, são residuais e sem gravidade? A sua cidade do futuro, oferece-lhe segurança nas suas deslocações, quer sejam a pé, de bicicleta, de trotinete, de autocarro ou mesmo de carro?

Se respondeu que sim a todas as questões anteriores, tenho uma ótima notícia a dar-lhe: dentro de 10 anos habitaremos a mesma cidade! No entanto, tenho uma notícia menos boa a comunicar-lhe: tenho dúvidas de que essa cidade seja Braga! Tenho dúvidas, mas tenho também esperança.

Vivemos numa cidade que resiste a adaptar-se às novas exigências sanitárias e ambientais, que poderia tirar partido da mobilidade para atingir os seus objetivos. No recente contexto de pandemia, são vários os exemplos de cidades, um pouco por todo o Mundo, cujos órgãos executivos tiveram a coragem e a inteligência de o fazer. Em Braga, quem tem o poder de decisão nas mãos ainda resiste, mas acredito que vamos a tempo de corrigir o nosso rumo se os decisores, juntamente com os habitantes desta cidade, se envolverem num esforço comum pela construção daquela que queremos que seja a Braga do futuro: uma cidade segura, saudável, desacelerada, onde um sistema intermodal, bem articulado, permita a poupança de tempo e esforço nas deslocações diárias.

Imagine… imaginemos juntos!

 
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