fotocycle [248] Magnolia x Soulangeana

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 5/03/2020 às 16:01

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto coisas que vejo devaneios a pedais fotografia fotopedaladas mobilidade motivação no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas pedaladas no inverno Porto Sua Alteza testemunho

Assim é outro dia. Mais uma manhã ao fresco, repetindo o mesmo atalho, anunciando a melancolia das metamorfoses de Inverno. Um dia igual e diferente a cada manhã. Frio, mas o dia ainda está a aquecer. Apenas mais uma pedalada para um dia de trabalho. As árvores estéreis invejam as que florescem cedo. Vários tons de branco, rosa e roxo. Floridas camélias e magnólias, que brotam para logo se soltarem e estenderem no chão, no seu ciclo vital. Perene.

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Aproveito cada momento.

 

can’t miss [208] randonneursportugal.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 27/02/2020 às 12:35

Temas: can't miss it ciclismo ciclistas no mundo cicloturismo coisas que leio dos malucos das biclas voadoras esta malta tem cá um pedal!... França motivação outras coisas Paris-Brest-Paris partilha randonneur testemunho

” … desde a pré-inscrição em Janeiro, não passou um dia que não pensasse no PBP, mas de uma forma tranquila, ler/ouvir muitas experiências, treinar, fazer a série … ”

José Mota
Randonneurs Portugal Nº20130132
Paris Brest Paris 2019

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“(Foto emprestada) Experienciar um nascer do sol como este no contexto PBP é inexplicável.”

Satisfazendo o compromisso de aqui partilhar os relatos dos aventureiros no Paris-Brest-Pairs de 2019 que vão sendo publicados no sítio dos Randonneur Portugal, chega a vez de dar a conhecer a crónica de José Mota, estreante e “finisher” do PBP, outro randonneur que se sente privilegiado.

“O PBP foi um sonho. Penso que qualquer randonneur que faça distâncias maiores e com alguma regularidade, em algum momento pensa em fazer o PBP, como alguém disse é o “pináculo do calendário randonneur”. É aquele brevet que toda a gente quer fazer pelo menos uma vez. Foi assim comigo também, sonhei e desejei muito e o sonho concretizou-se. Sou um privilegiado.”

Fonte: https://www.randonneursportugal.pt

 

Uma cidade diamante

Sara da Costa @ Braga Ciclável

Publicado em 22/02/2020 às 9:12

Temas: Opinião Antuérpia Bélgica Bicicleta crianças liberdade Masterplan The Copenhagenize Index


Tinha uma vontade. Fui ao mapa e tracei a minha rota. Peguei na minha bicicleta e fui. Cheguei com a maior simplicidade com que se pode chegar a um lugar. Durante a viagem sonhei… sonhei que Braga poderia também ser um “paraíso ciclável” e que tudo ganharia outro ar. Apercebi-me tão rapidamente o quão atrasados estamos em relação ao resto da Europa. Sair de Braga para viver uns meses em Antuérpia é ser presenteada todos os dias a nível da mobilidade. Antuérpia, que em 2019, foi classificada a 4º cidade mais bike friendly pelo The Copenhagenize Index, e isso sente-se na perfeição para quem por aqui circula e reflete-se, realmente, no dia-a-dia das pessoas, com mais de 700km de ciclovias seguras e confortáveis.

É em cidades como estas que se consegue perceber o sentido que faz as bicicletas num sítio. Revelando que o investimento em infraestruturas é a estratégia mais moderna e inteligente para uma cidade. Naturalmente, já me deparei com ciclovias que terminam de forma abrupta e cruzamentos arriscados, mas é um processo, e nota-se que há um plano claramente traçado e que de ano para ano é melhorado e revisto. A cidade quer continuar com o desenvolvimento de uma rede de ciclismo de primeira classe. O Masterplan 2020 de Antuérpia apresenta um objetivo muito específico que é que pelo menos metade das deslocações seja feita em transportes públicos, a pé ou de bicicleta. O presente plano tem uma visão sobre mobilidade que leva em consideração vários meios de locomoção, habitabilidade e segurança rodoviária.

Não se vê uma cidade invadida por carros, o que salta à vista são famílias inteiras a andarem de bicicleta. Além da maravilha que é observar a fluidez com que as pessoas se movimentam, o que mais me fascina é ver as crianças nas suas bicicletas a irem para a escola/casa, em grupo de amigos ou sozinhas. É a maior liberdade que se pode dar a alguém, é ser autónomo o suficiente para gerir e escolher a maneira como se quer chegar a algum sítio.

Esta é uma das liberdades que podemos e devemos reivindicar, porque uma cidade é de todos e para todos. Hoje em dia temos pavor de deixar as nossas crianças irem de uma sítio a outro (muitas vezes distancias tão curtas), então metemo-las numa “caixa”, tirando-lhes a possibilidade de sentirem o vento, o sol e a chuva. E fazemos isso porque também nos têm tirado o espaço para circular com segurança.

 

O contra-relógio

Blogueaomundoembicicleta @ Blogue ao Mundo Em Bicicleta

Publicado em 18/02/2020 às 14:30

Temas: Ciclismo

Os gajos estavam nervosos.

Um grupo de 9 gajos ali no meio (comigo 10), de volta de um saquinho de plástico, tentando distribuir uns dorsais.

– Quem é o Edgar Santos?

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9 gajos (comigo 10) que mal se conheciam, vestidos cada um com o que calhou, com bicicletas todas diferentes, parecendo tudo menos uma equipa.

– Vais levar esse casaco? Vais ter calor.

– Não, depois tiro. Está um frio do catano.

– Como combinámos levar um jersey azul, e esse casaco é azul, pensei…

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Passava pouco das 8 da manhã de um domingo daqueles de inverno, em que nem chove, nem faz sol. A rotunda dos trabalhadores do campo estava com uma animação invulgar para um domingo de manhã.

À volta daqueles 9 gajos (comigo 10), que tentavam quebrar o silêncio com conversas de circunstância, estavam as equipas. Os carros (daqueles com várias barras no tejadilho e logotipos nas portas) alinhados a esquadro, ladeando as tendas (daquelas 3 x 3, coloridas, com badejas com o nome da equipa), e ciclistas (daqueles verdadeiros, com capacetes bicudos atrás e óculos incorporados, e fatos completos), deitados sobre bicicletas (daquelas mesmo a sério, com rodas lenticulares e barras no guiador), pedalando sem sair do mesmo sítio, em rolos que zumbiam , transformando Porto Alto numa colmeia gigante.

E 9 gajos, (comigo 10), lá no meio, sem saber se haviam de levar os telemóveis (nunca se sabe , pode fazer falta), se haviam de abrir já as barras energéticas (depois em andamento é mais difícil), ou se deviam voltar à casa de banho da Tasca da Tété, porque talvez não tivesse saído tudo.

– Tive de abrir a porta da casa de banho e chamar a senhora, porque não havia mais papel. E depois teve de mo passar por baixo da porta!

Às 8:30 partem os primeiros. 9 gajos arrancam de lá de cima da plataforma, descendo a rampa a todo o gás. Passam por nós como foguetes, 9 gajos de branco, tipo gémeos, sem qualquer expressão nas caras, todas iguais, as rodas a rasgar o alcatrão e a cuspir pedras em todas as direcções, obrigando-nos a agarrar bem as bicicletas (eu a agarrar bem o saquinho já com os casacos e os telemóveis), e fazendo-nos virar as caras, para as voltar a virar de seguida e já os vermos lá ao longe, quase a desaparecer.

No topo da plataforma, já prontos para partir, mais 9 gajos, agora todos de licras cor de laranja, e perfeitamente alinhados. E nós ali, sem nexo, sem qualquer sinal da mínima coisa em comum, a tentar parecer uma equipa.

O tempo passava depressa, saltando de 2 em 2 minutos, consoante o rugir dos arranques das equipas. E nós ali, com pele de galinha (eles. Eu cá tinha o meu casaco novo), porque estava frio e porque sabiam que, assim que arrancassem, nunca mais teriam tempo sequer de pensar que tinham frio. Ou calor. Nunca mais teriam tempo de pensar em nada disso. Em nada.

Bem, bora lá tirar uma fotografia, para a posterioridade?

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9:25

3 Minutos para a partida. Estou parado na Rotunda, onde o guarda me indicou que aguardasse. O telefone do Pinto preso no suporte colado ao vidro, para filmar em directo. Como é que ele me disse para fazer? 2 Minutos agora. Desbloquear…ligar o facebook. Escrever qualquer coisa. Epá, sei lá o que é que vou escrever! 1 Minuto…colocar o telefone no suporte, espera assim não os vejo, tirar do suporte, sair do carro, filmar… – Epá, está muito longe…Já partiram! Raios, pôr o telefone no suporte, ajeitar e …

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Vrummm, vrummm, vrrumm, vrummm, vrrumm, vrummm, vrrumm, vrummm, vrrumm

9 vultos entram repentinamente na rotunda, mesmo à minha frente. Entram quase deitados, cortando a curva como facas, para rapidamente se alinharem milimetricamente atrás uns dos outros, e desaparecerem no horizonte. 9 vultos de ciclistas, que vistos assim, pedalando em conjunto, avançando como um comboio, finalmente parecem um só. Uma equipa.

 

Rápido, arrancar. Não anda. Tirar travão de mão. 1ª, 2ª, 3ª, 4ª….aproximo-me rapidamente e colo-me ao grupo, como se fosse um deles, na roda. O ponteiro do velocímetro fixa-se nos 50 kms por hora, e mantém-se por ali durante aquela recta que parece nunca acabar. 3 Quilómetros feitos em cerca de 4 minutos!

À frente, aproximando-se rapidamente, uma mota da GNR e um guarda indicam uma curva à esquerda. Mantenho o carro a quase 50 kms / hora mesmo até à curva, tentando não perder a roda daquele pelotão. Preciso de fazer um esforço constante, para me lembrar que estou num carro, e para travar antes que eles deixem de pedalar. Eles pedalam mesmo até à entrada da curva, e só aí fixam o pedal esquerdo no ar, para se fazerem à curva. No segundo seguinte estão novamente alinhados, engatando novamente a mudança mais pesada e fazendo vergar aquelas pobres peças de carbono.

Encosto-me novamente à cauda do pelotão. O ponteiro não baixa dos 45 kms/h. Ali, tão próximo deles como me é possível estar, consigo ver mais do que os meus olhos veem. Consigo sentir aquelas mãos a estrangular os guiadores, as travessas quase a partirem e os elos das correntes em brasa, prestes a rebentar. Consigo sentir o alívio de quem se afasta para o lado, depois de dar tudo de si, durante minutos que parecem horas lá na frente. Um respiro tão breve quanto lhe permite o instante de ver passar por ele o último do pelotão, e ter de voltar a dar tudo para voltar a colar-se a ele.

É impossível ficar ali atrás. Mesmo no carro, o meu coração acelera e instintivamente mudo de faixa e sigo ao lado deles. Cerca de 20 minutos de prova e sente-se o esforço de quem vai já no limite. De quem veio sempre no limite. E de quem continua sempre no limite. Tiro o telemóvel do suporte e avanço lentamente ao lado deles, percorrendo com a câmara as expressões de cada rosto. Sei o quanto custa manter o corpo naquela luta. Lutar por não abrandar, por dar o melhor de si, por honrar os outros, e também por se manter ali, por não cair para trás, por não ouvir o corpo a pedir para parar, para sair. Estar no meio, protegido pelos da frente, e ver passar ao nosso lado, um após o outro, os que lutaram na frente e se afastam desgastados. Ver que só restam mais dois, e saber que vai chegar a nossa vez. Ver sair mais um, a respirar finalmente após o seu tempo de sufoco. Seguir o mais junto possível do único que resta à nossa frente, a sentir o seu esforço brutal, de quem luta por rasgar o ar e abrir caminho para toda a equipa.

Vai ser agora! Ele afasta-se para o lado e nem tempo tens de respirar fundo pela última vez! Uma parede de ar à tua frente que tens de partir como um ariete. Cabeça baixa, investindo todos as tuas forças contra ela. Não sentes nada, não ouves nada, não respiras nada. Dás tudo o que tens dentro de ti, e mais ainda, sem sentir dor, sem sentir nada. O tempo pára e segundos não passam, sem noção de mais nada senão de que tens que continuar a dar tudo. A rasgar o ar.

E de repente, reages! Deixas ir a bicicleta, que há muito que te puxava para o lado e sentes de novo o ar a entrar nos teus pulmões, a encher o teu corpo completamente vazio. Por momentos o teu coração respira e relaxa, como se tudo tivesse terminado. Mas não. Não te deixes ir, não fiques para trás. Cola-te ao último e prepara-te, pois vão precisar de ti novamente no máximo, daqui a pouco. E tudo recomeça, mais uma vez, dezenas de vezes, ao longo daqueles 90 minutos!

Porra! Conduzir e filmar ainda consigo. Agora atender o telefone, tudo ao mesmo tempo é mais complicado. É o Carlos Borrego. Atendo: – Sim, sou eu que estou a filmar. O quê? A imagem está ao contrário? É o que dá, porem-me a filmar isto, em vez de me porem na frente do pelotão a puxar pelos gajos! Cada um é para o que nasceu e filmar com telefones esquisitos não é para um sprinter de gema!

Com 30 minutos de prova, o ritmo é alucinante! Os kms são devorados rapidamente, bem como as peças perdidas de outros pelotões que se foram desfazendo à nossa frente. Ciclistas esgotados, que se arrastam após terem deixado tudo na frente do seu pelotão. Ciclistas cujo corpo cedeu, após terem ido ainda mais fundo do que o seu limite o permitia. E se por um lado, alguns de nós reagem com entusiasmo a estas conquistas, de alcançar outros que partiram antes, fazendo-nos sentir cada vez mais fortes, outros de nós sentem-se atraídos por um abandono assim, capaz de pôr um fim ao sofrimento que já nos domina e outro pior que ainda está para vir. É fácil desistir naquele momento em que estamos incapazes de gerir as emoções, e em que vemos outros a decidir assim. Mas luta-se até parecer que é o fim. Luta-se e dá-se sempre mais ainda. Ninguém quer desistir, apesar do corpo pedir há muito para desistir. E ninguém veio até aqui para desistir!

Desses vários ciclistas por quem passámos, dois deles, da equipa ciclismo 2640,também pensavam assim. Colaram-se ao pelotão, aproveitando para descansar o pouco que conseguissem e para sentir o pulsar de todos os que ali iam. Do carro, eu conseguia ver o seu esforço em não perturbar a dinâmica do grupo, dando espaço para deixar entrar na sua frente quem vinha a descair da frente do pelotão.  E estes Zés das Bikes deviam valer a pena, pois mesmo sendo de outra equipa, resolveram saíram do fim do pelotão e partir para a frente, sem se importarem com o facto de que estavam em prova, a ajudar uma equipa adversária.

Quase a chegar a meio do percurso, um pelotão de agora 12 ciclistas, 11 bicicletas e 1 carro continuava a devorar quilómetros. A estrada seguia agora na direcção do Biscaínho, tornando-se mais sinuosa e com alguns desníveis, que começavam a esticar mais o pelotão. Pequenas subidas e descidas faziam alterar a velocidade do grupo, e tornava-se mais difícil manter o ritmo constante. Por vezes, a quebra do pelotão parecia eminente, mas todos lutavam por se manter no grupo, voltando sempre a agrupar. Até ali. Até ao km 30, numa recta infindável daquelas que parecem planas, com 1 ou 2% de inclinação, começámos a ver um topo, ao longe. E esses 1 – 2 %, passaram para 3 – 4% e depois para 5 – 6%, e foi então que um dos ciclistas se deixa ficar para trás. E depois outro. E mais outro. Em 50 metros, perdemos 3 ciclistas, que não resistem a só mais um pequeno esforço, depois de tanto esforço e de terem dado tanto de si aos outros. O Guilherme, o Pedro Soares e o ciclista da equipa ciclismo 2640, que não sei o nome, e que se tinha juntado ao pelotão há uns quilómetros atrás.

No meu breve curso de treinador de ciclismo, dado pelo Carlos Duarte em horário pós-laboral via whatsapp, nunca falámos em ter de decidir entre acompanhar o pelotão ou ficar junto de quem fica para trás, dando-lhe incentivo para continuar e tentar reentrar. E por mais que o meu coração me dissesse para optar pela 2ª, e não abandonar ninguém assim tão cansado, sabia que tinha que seguir, atrás de quem continuava a lutar pelo melhor para todos e por honrar o esforço de quem não tinha mais para dar.

Continuavam 8 no pelotão: O Nuno Pimpão, o Fernando Miguel, o Manuel Rodrigues, o Álvaro Gaboleiro, o João Pinto, o Ricardo Lemos, o Henrique Lopes, e o Tiago Silva, da ciclismo 2640. Cada um, à vez, rendia os outros na frente, dando o máximo de si. Eu, no carro, apitava como se fosse num casamento, (pois não conheço músicas de ciclismo, ainda para mais que possa apitar no carro). Procurava na rádio uma música que os pudesse motivar, e quando apanhava uma de jeito, lá me punha lado deles, com o volume no máximo, para ver se os motivava mais (pelo menos assustava-os, pois as minhas habilidades de condução de carros não são assim tão espetaculares como quando conduzo a jackie).

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O percurso continuava, rectas e mais rectas, sempre a um ritmo alucinante, sem baixar dos 40 km/h. Já sem qualquer noção do tempo e do percurso, só pensava que não deveria faltar muito para terminar, até porque me parecia que eles já não deviam aguentar muito mais. Mas os gajos aguentavam, sempre ali que nem uns cavalos esbaforidos!

Ao km 49 (minuto 1:11 do filme), aproximámo-nos rapidamente de uma rotunda, em que não havia aparentemente sinalização. Íamos tão rápido, tão rápido, que só mesmo em cima da rotunda é que vimos um guarda a indicar para virar logo à direita. Eu tive de dar uma volta à rotunda, para me certificar que o caminho era pela direita. O Tiago Silva ia na frente e entrou em sentido contrário, ficando completamente sozinho, a uns 30 metros do grupo, e raios que o partam, não é que os foi lá buscar outra vez!

 

E daí até ao final era só mais uma recta.

Uma recta enorme. Ao longo da qual aqueles 8 corpos e cabeças cansadas já não conseguiam gerir tão bem o esforço. E depois daquele erro na rotunda, com a ânsia de recuperar, foi voltar a dar tudo até ao próximo topo, em que o grupo esticou tanto, tanto, até quase partir. O Álvaro na frente a querer dar mais e mais, sem se aperceber que apenas levava o Nuno Pimpão e o Fernando Miguel com ele.

Foi saltar para o meio da estrada, meter uma segunda e desatar ao berros: – Menos! Menos!  Estão a ficar para trás!

E aqueles gajos de bocas arreganhadas, de dentes a ranger, deitados com os peitos a sentir cada fibra de carbono do tubo superior das bicicletas, cada um a berrar mais alto do que os outros, lá se voltaram a colar uns aos outros, como dantes. Primeiro oTiago, que vinha a encostar, e depois todos os outros, com o Lemos e o Pinto no fim, um a retribuir ao outro as ajudas que já havia recebido.

Uma recta de 16 quilómetros, em que devo ter gritado – Bora lá! e – Está Quase! e Descansar é no fim!  umas mil vezes  (acho que não disse asneiras, porque me lembrei sempre que estava em directo) e em que devo ter buzinado mais do que no casamento da minha prima Susete do Sobral (já depois do copo de água)! 16 quilómetros com o coração a 175 bpm, em que honestamente vivi cada um deles como se estivesse ali a pedalar, colado atrás do Pinto, e no meio de todos, a dar o meu máximo na frente quando me calhasse, durante bué de tempo ( 5 segundos já não era mau!), a suar com eles, a sentir as pernas a ferver, e o sangue na boca, a ansiar ver a meta ao fundo da estrada! 16 quilómetros em que muitos outros gajos foram sendo apanhados e depois deixados para trás, mas em que os 8 seguiam juntos.  Se num momento algum parecia estar sem forças, a descair, no momento seguinte estava lá à frente, a dar o máximo e a puxar por todos!

Cada vez mais casas, mais pessoas nas bermas e alguns ciclistas já em sentido contrário. Cada vez mais polícias (ou guardas) e mais pessoas, junto às bermas, a tirar fotos e a puxar por nós. A estrada mais larga, duas faixas para cada lado. As pessoas cada vez a gritar mais alto e o guarda na rotunda, a indicar a curva à direita e a gritar – Força! Bora lá! É já ali!

E a meta! O arco laranja! Uma multidão de pessoas e a meta ao fundo!

No meio daquela euforia, deixas novamente de sentir o que sentes. O corpo desliga os sentidos e volta-se para dentro. Não distingues o que te gritam, nem quem te grita o quê. É tudo um som que apaga tudo, um barulho sem sentido. Não ouves nada. Não sentes nada, nem o pulsar do coração a disparar sangue dentro de ti. Não sentes os dedos da tua mão direita a empurrarem a manete sem tu mandares, nem ouves a mudança mais pesada a entrar. Não sentes o teu corpo a levantar do selim, sem tu o mandares. Ele age sozinho, por instinto. É agora ou nunca! E de um corpo esgotado, quase vazio, consegues arrancar forças para cortar a meta ao sprint, a gritar e levantar os braços em sinal de vitória!

Vitória!

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Raisparta o polícia, que não me deixou seguir com eles e que me impediu de passar a meta e perder aquele momento!

42,2kms/h!   65kms em 1 hora e trinta e dois minutos! A apenas 6 minutos dos primeiros classificados! Um molho de gajos ciclistas, que sem treinar, fizeram uma equipa, durante aquela hora e meia.

Não conhecia o Fernando Miguel nem o Manuel Rodrigues, e mal conheço o Nuno Pimpão (pedalámos juntos há umas semanas). Por respeito, e porque ainda não os conheço muito bem e me podem levar a mal, não lhes vou chamar mais nada do que Grandas Cavalões! Fizeram aquela hora e meia como se fosse um passeio, sem nenhum deslize ou fraqueza, arrastando a equipa quilómetros e quilómetros a um ritmo impressionante, só saindo da frente do pelotão porque lhes pediam. Acho que o André Greipel, quando vir as filmagens, vai pedir aos preparadores para lhe duplicarem a dose de suplementação, para não passar vergonhas quando vier fazer o contra-relógio de Samora Correia, para o ano que vem.

O Álvaro esteve sempre à altura, discreto e elegante, (tirando aquele deslize, em que ia na frente e se distraiu, e quase deixou metade do grupo para trás, não fosse eu ter acelerado, posto-me ao seu lado a gritar para abrandar). Que máquina infernal! Se se tivesse distraído, desaparecia da vista de todos!

O Guilherme e o Pedro Soares apanharam um grupo de gajos ainda mais cavalões que eles. Deram o que tinham e o que não tinham, e se não fosse aquele topo aos 30 kms, tinham ido até ao fim e ainda tinham ajudado e muito o grupo (depois era sempre a descer). E o Pedro Soares, de certeza que se fosse para ir almoçar à Igrejinha, não ficava para trás!

Ao Tiago Silva (da ciclismo 2640) tiro-lhe o cap! Que patrão! Entrar assim numa equipa adversária, com a postura certíssima com que entrou, e conseguir partilhar mais de metade da prova com toda a equipa, ajudando tanto ou mais do que todos os outros, mostra que é não só um grande ciclista, mas um grande Homem (deve ser do nome)!

E finalmente os Zés:

– Lemos: Muita experiência tens tu nesse lombo, para aguentares 65 kms a esse ritmo, ao lado de umas bestinhas desse gabarito! Sem nunca te negares ao trabalho na frente, sem nunca teres um deslize ou um atraso, também te tiro o chapéu. Deixo-te só um conselho: Quando escolheres os sapatos, tenta acender a luz, para acertares com o par!

– Henrique: Estavas a curtir tanto, mas tanto! Por duas ou 3 vezes me coloquei no carro ao teu lado, a filmar, e a tua cara demoníaca dizia tudo! Foste feito para isto! Esta cena das corridas é mesmo a tua praia! Enquanto os outros sofrem, tu divertes-te à grande!

– Pinto: Meu Cabron! Lá me obrigaste a passar mais uma noite em branco, a escrever disparates, com tanta coisa que eu tenho para fazer. Mas ainda bem que me conheces bem e sabes o gozo que me dá isto de deixar a malta toda cá de casa ir dormir, ligar um som e deixar que as memórias passem para os dedos!

Não foi bem o tipo de provas que tudo gostas. És um gajo meticuloso e organizado, e uma equipa feita à pressa, sem treino, deve ter-te feito dar voltas na cama. És um gajo de estratégias bem definidas e com os watts bem medidos. Durante estes kms, muitas vezes te vi a tentar gerir tanta potência descontrolada, querendo responder aos puxões da frente, mas a deitar o olho para os que iam atrás de ti.

Estás a ficar um cavalão, mas completo. Um boi-cavalo! Um gajo que treina para uma prova de longa distância, mas que faz contra-relógios! Como te conheço melhor do que os outros, acho que não levas a mal se te disser que estás a ficar uma granda Besta, pois não?

 

Aliás, são todos umas grandas bestas, pronto, que pedalam que sa fartam! (como eu gostava de ser e de pedalar, um dia!) Parabéns a todos

 

Pinto, se não quiseres publicar esta parte, põe só esta:

– Pinto: Até não estiveste malzinho, mas sinceramente esperava mais de ti! A pagar fortunas a um treinador, o mínimo que se esperava era um lugar no pódio. E ter um telefone que filma de pernas para o ar e não avisa, também não é brilhante! O que me valeu foram aqueles filmes caseiros que tinhas no cartão de memória e que fui a ver durante a viagem, senão a manhã tinha sido uma seca do caraças!

 

Se não tiverem mesmo nada para fazer, podem ver o vídeo aqui

 

Créditos:

Fotos: Inês Costa (na página do facebook de Arepa BTT ) https://www.facebook.com/permalink.php story_fbid=2533044763621417&id=1633214810271088

 

 

 

 

#commutescount

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 18/02/2020 às 12:10

Temas: motivação 1 carro a menos benefícios das pedaladas bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano cicloturismo cidades coisas que leio Divisão Velopata fotografia mobilidade opinião outras coisas partilha Porto STRAVA Sua Alteza testemunho Velopata

Depois de algumas honrosas presenças nos patamares inferiores do mais cobiçado pódio do blogobairro, a única camisola que alguma vez almejaria vencer neste excelso clube strávico que é a Divisão Velopata, um grupeto de moços e moças pedalantes que permitem as suas boas vidas vividas no selim serem bisbilhotadas com pertinácia por um cusco, como quem cusca mesmo, o Velopata, e mensalmente escarrapachadas, gozadas e/ou admiradas, palavras do próprio, numa exposição hum… humor… humoríficoanalítica e insuspeita classificação para a posteridade e honradez de quem ganha horas de vida no pedal.

Quem leva o transporte/passeio/treino velocipédico mais a sério deve necessariamente ter um registo detalhado das suas voltas na aplicação de todas as aplicações, o Strava. Quer por uma questão de contabilidade quilométrica, altimétrica, por uma questão de comparação da evolução ou simples gabarolice, a malta dá ao pedal e acumula kom’s e kudos (não, não são escudos). O que interessa é que esses dados estejam guardados para mais tarde partilhar. E não falo apenas de números. Há depois quem seja mais metódico e coloque belas fotografias de bicicletas, autoretratos e paisagens só para outro ciclista ver. E gostar.

Mas voltando à pêra doce, a Divisão Velopata do Blog do Velopata, pois só mesmo, com o mesmo, o próprio, de quarentena por causa de uma virose coronada… ahhh, afinal foi só uma gripesinha e uma dorzinha de garganta, mais o amigo David Matos mais no processo tântrico da busca do autoconhecimento em sapatilhas, e o meu amigo Frinxas distraído com as vizinhas lá do prédio (diz que foi uma birra! tsss…), é que este vosso companheiro da dura vida de dar ao pedal, inesperadamente venceu a afamada, invejada e suada… tcharammm

Jersey Alucinado Diário

1º Paulo Almeida – 53 RS

2º David Matos – 46 RS

3º Frinxas él Térribelé ® – 43 RS

…”o destaque vai para a grande ausência velopática do pódio dos que não só utilizam a Bicicleta como elemento desportivo em suas vidas mas também para meio de transporte, desconfiando o Velopata que neste adorado clube do qual é curador, muitos desconhecem esta virtuosa faceta da Bicicleta.

Paulo Almeida, curador do blog “na bicicleta” (que podeis encontrar clicando aqui), e David Matos, o nosso diário distribuidor de carochas urbanas pejadas de Pranayama ou lá o que é, como habitualmente assumem as despesas de liderança pelo exemplo, no entanto, o grande destaque prende-se com a chegada do nosso Ciclista com marca registada e tudo, Frinxas él Térribelé ®, ao pódio dos commuters, portantos, praticantes do Commute.

Segundo coscuvilhices velopáticas, Frinxas deu por si acometido de uma invernante desmotivação velocipédica (maleita que o Velopata jamais entenderá; como é possível um bicho humano desmotivar de dar ao pedal?!?!?), portantos é aguardar que este seu lugar no pódio motive seu regresso, não apenas a este, mas a outros pódios velocipédicos onde já o ouvistámos.

E para os mais distraídos, o Velopata explica – RS é a grandeza física, nos entretantos já aceite pelos elevados padrões do SI (Sistema Internacional), que mede a quantidade de Registos Strávicos de um atleta.

No jardim da entidade laboral, já quase todos se habituaram a ver uma das minhas biclas amarrada ao gradeamento, partilhando o espaço com bicicletas e motas de outros funcionários. Colegas não ciclistas, com quem cruzo nas minhas pedaladas diárias entre casa e o hospital, comentam ter me visto ao longo do percurso e questionam-me sobre isso.

O clique deu-se há muitos anos após um desbloqueio mental: “Se ao fim de semana saio em longas pedaladas cicloturistas porque não fazê-lo diariamente para ir trabalhar!”. Essa coisa de ter que usar roupa e equipamento específico para pedalar, à chuva, ao vento, ou debaixo de um sol abrasador, mais não era do que algum acanhamento inerente. Mudar o paradigma da bicicleta na cidade, enfrentar o trânsito diário no Porto para o transporte é dizer convictamente que é possível. Apesar de todos os mitos associados à bicicleta na cidade, muitos outros também adoptaram esse modo de vida.

E porquê a bicicleta e não o carro ou o autocarro? Simplesmente porque é o meio de transporte que permite explorar da melhor forma o ambiente que nos rodeia. A bicicleta permite uma relação diferente com o tempo e o espaço. Ser pontual. Permite descobrir a cidade de uma outra forma, explorar trajectos, conhecer recantos ignorados até pelos próprios residentes. Depois temos o factor económico, a condição física, a tendência ecologista da bicicleta, que influenciam de forma positiva a massa crítica que vai ocupando as ruas da cidade.

Depois do trabalho alargo mais a distância do “commute”. Nos dias de folga, em estrada aberta ou por trilhos campestres, cada curva pode trazer uma coisa nova para contemplar, para explorar. Ao longo destes anos sinto-me cada vez mais acompanhado nesta “aventura” pelo país, reforçando a sensação de autonomia e independência que a bicicleta me dá. E isso é um sentimento que não tem preço. É um estilo de vida adoptado por muita boa gente.

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As pessoas são mais felizes a pedalar e sinto isso quando dou ao pedal em boa companhia. A influência externa de ver e acompanhar as pedaladas de amigos com mais anos nas pernas é um exemplo. E muitas vezes tenho de “chupar a roda” deles, que é o mesmo que dizer pedalar a bom pedalar atrás deles e a tentar manter o ritmo. Depois dos cinquenta a diabetes apanhou-me meio de surpresa, o que me tornou ainda mais dependente do prazer terapêutico da bicicleta.

Não há como negar a evidência: estão cada vez mais bicicletas a rodar por todo o lado. Não estamos na Dinamarca, nem temos a cultura velocipédica que se move em Amesterdão, mas as bicicletas inavdiram em modo ligeiro a paisagem urbana e extra-urbana. Mulheres e homens, mais velhos ou mais novos, ciclistas de longa data ou curiosos em iniciação, commuters diários ou cicloturistas de fim de semana, somos todos velopatas.

 

 

Pelos olhos dos outros...

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 8/02/2020 às 18:26

Temas:

Apesar de a nossa capital ser grande e ter muitas pessoas, amiúde vejo nos meus caminhos caras conhecidas e gente amiga... os que como eu rolam ou nos cruzamos e acenamos ou apenas um mero cumprimento, ou às vezes acompanhamos por algumas centenas de metros em amena cavaqueira.

Como agora atravesso a cidade quase de uma ponta à outra (cada viagem são cerca de 19kms e picos, ida e volta são quase 40kms/dia) vejo muitas vezes a rolar o LCarvalho, o EduardoS, o MiguelC, o MiguelB, o RLeiria e o JLeiria, o PedroG e a Maria, o ArturL, RuiA, o HugoM e o HerculanoR, o RuiR, o JoãoB, e ex colegas de trabalho como o PauloS, ManuelC e a VerónicaF e tantos tantos outros...

Há dias um desses mega licrados de bicicleta (como eu tb sou às vezes quando vou dar umas voltas na estradeira) começa a chamar-me quando vinha na ciclovia a caminho de casa, e eu não estava a ver quem era... os anos passam! Era um ex-colega de liceu que até está na minha rede do facebook e reconheceu a Gestrudes. Foi um bom reencontro!

Outra vez passei ali noutra ciclovia e passavam muitos peões e há um que grita "Woowww, tu, heeiii..." e não liguei pois pensava que não era para mim. Mas depois gritou o meu nome... Era um grande amigo da altura da faculdade!! Também reconheceu a Gestrudes! :)

Mas desde que tenho a Gestrudes, que é vistosa, muito mais gente amiga que anda de carro ou de transportes também me vê...

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Um deles goza comigo "Hoje vi outra vez o autocarro azul a passar por mim!" ou então...

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Mas dos mais hilariantes foi este audio que recebi e ouvi só quando cheguei a casa, num dia que o trânsito estava caótico e as filas de carros eram intermináveis e recordo ter ouvido uma buzinadela no sentido contrário ao meu, mas eu ia "depressa" (a 20 kms/h praí) e não vi que era.

Clicar para ouvir: "Ca ganda vergonha pá!"

O que eu me ri com isto... ! :)

 

Pedalar mentalidades

João Forte @ Braga Ciclável

Publicado em 8/02/2020 às 9:15

Temas: Opinião Autocarros Bicicleta camião Chuva Coexistência crianças distância de segurança Noruega Partilha partilha da via razias Respeito Segurança


Escrever estas linhas é duplamente gratificante, primeiro porque partilho a minha experiência e segundo porque a minha escrita acaba por produzir reacções, umas positivas outras nem por isso. Interpretar estas mesmas reacções é fundamental para trazer à tona aquilo que é realmente mais importante e que deve ser trabalhado por aqueles que, como eu, fazem da bicicleta um dos seus meios de transporte e pugnam por uma mobilidade racional, longe da carrocefalia crónica da qual o país e Braga padecem. A mobilidade é plural, ao contrário do que nos impingem há demasiados anos.

Após ter lido o meu último texto, um amigo dizia-me, de forma politicamente correcta, que o lugar das bicicletas era no monte, pois na via pública eram um estorvo. Fiquei perplexo com tal afirmação, contudo ela espelha na perfeição o síndrome da carrocefalia vigente. E na mesma altura veio-me à memória uma de várias razias que já me fizeram em Braga, enquanto eu circulava de bicicleta para o trabalho ou meramente numa deslocação casual curta, daquelas que a maioria de vós faz de carro. No caso em causa um autocarro, que é ainda mais assustador do que um veículo ligeiro.

Como se altera o paradigma vigente é a million dolar question. E sem alterar o paradigma não será possível levar em diante um imperativo civilizacional concreto, o de uma mobilidade racional.

Lembro-me de um episódio que me acompanha a memória até hoje e que mostra bem o que falta à sociedade portuguesa. Em 2006, e na Noruega, aluguei uma bicicleta. Tem todas as infra-estruturas para utilizadores de bicicletas isso conta na hora de decidir utilizar uma bicicleta no nosso dia-a-dia. Tendo a má experiência de Portugal, enquanto utilizador de bicicletas, fui bastante cauteloso durante o passeio. Senti-me bastante seguro, contudo, e ao chegar a um túnel, onde a via para bicicletas era reduzida, tive receio, o qual se agravou quando me apercebi da aproximação de um camião. Abrandei, estranhando o facto do camião estar a demorar. Qual não foi o meu espanto quando percebi que o camião tinha abrandado e passou por mim bastante devagar. Saído do túnel, parei para perceber o que tinha acabado de acontecer, um camião respeitar um ciclista? E enquanto estava ali parado, passou uma mãe, de bicicleta e com o seu filho de poucos meses num atrelado próprio para crianças, em total segurança e mesmo num dia onde chuviscava. A regra ali é esta, respeito dos condutores por todos os utilizadores da via. Cá é a excepção, porque será?

 

can’t miss [207] randonneursportugal.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 4/02/2020 às 12:56

Temas: can't miss it ciclismo ciclistas no mundo cicloturismo coisas que leio dos malucos das biclas voadoras esta malta tem cá um pedal!... França motivação outras coisas Paris-Brest-Paris partilha ra randonneur testemunho

“… cá estou eu, infeliz, a tentar dar cumprimento à tarefa de tentar pasmar eventuais leitores com meia dúzia de memórias esfumadas já que, como dizem os RP, quaisquer pérolas de sabedoria poderão ser úteis a potenciais participantes…”

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José Ferreira
Randonneurs Portugal Nº20100006
Paris Brest Paris 2019

O Paris-Brest-Paris não tem a emoção de uma clássica Paris-Roubaix nem tem o mediatismo do Tour de France. O que tem de especial o PBP é a atmosfera ao longo do extenso percurso, dos 1.200 e tal quilómetros de pedalada, e o apoio e incentivo dos moradores locais. Não é somente uma “corrida de bicicletas” mas a pertinácia de loucos aventureiros, ciclistas amadores de várias idades e origens, e na diversidade de máquinas a pedais. Para os milhares de participantes o PBP é uma competição pessoal, inerente à sua habilidade, superação e resistência física e mental.

O Paris-Brest-Paris ocorre a cada quatro anos. Depois da edição de 2015, em 2019 teve lugar a 19ª, onde repetentes e estreantes randonneurs tugas também se fizeram às estradas francesas.

Ficando a promessa da partilha dos relatos que venham a ser publicado no sitio dos Randonneur Portugal, para inicio de conversa fica a crónica do Xôr Ferreira, intrépido randonneiro,  coorganizador dos brevets a norte de Portugal.

Via: https://www.randonneursportugal.pt

 

fotocycle [247] procrastinar

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 29/01/2020 às 14:38

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to home ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo devaneios a pedais fotografia fotopedaladas mobilidade motivação outras coisas pedaladas no inverno penso eu de que... Porto Sua Alteza

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assim do tipo, “bai indo q’eu bou la ter”… Tás a bêr?!

 

Diálogo precisa-se

Marta Sofia Silva @ Braga Ciclável

Publicado em 25/01/2020 às 9:00

Temas: Opinião Bicicleta Braga Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego para a Cidade de Braga estudos Marta Sofia Silva


No passado dia 27 de Novembro de 2019, decorreu a apresentação do documento-síntese da Fase II do Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego do Município de Braga, numa sessão pública, agendada para as 16h desse mesmo dia. Esse documento deveria, de forma imediata, ter sido sujeito a um período de discussão pública que se prolongaria até 31 de Dezembro. “Deveria”, mas não aconteceu. Só viria a ser disponibilizado a 6 de dezembro, restando três semanas para a sua apreciação e reflexão.

Não quero aqui discutir o conteúdo do referido documento, uma vez que a sua análise, devidamente fundamentada, por parte da Braga Ciclável, foi já transmitida, em sede própria, ao Município de Braga. Quero antes analisar uma cronologia que em nada abonou a favor da participação e discussão por parte dos munícipes.

Agendar uma sessão pública de apresentação para um dia da semana – quarta-feira – em pleno horário laboral – 16h – é condenar a mesma ao fracasso participativo. Disponibilizar um período de pouco mais de um mês para recolha de contributos e sugestões, sendo que nove dias foram inutilizados pelo atraso na disponibilização do documento e duas semanas coincidiram com a época das festas natalícias, em que tudo funciona a meio-(ou nenhum)-gás e outras preocupações imperam, ou se revela um ato de ingenuidade ou um ato deliberado de contornar o direito de opinião dos munícipes.

Os termos “discussão pública” ou “participação pública”, são frequentemente utilizados pelas autoridades, sejam elas municipais ou estatais, como uma forma ilusória de levar os cidadãos a crer que são tidos em conta na hora de tomada de decisões. São chavões que não sendo postos em prática de forma eficaz, se tornam ilusórios. Uma discussão pressupõe que todas as partes possam falar, em igualdade de circunstâncias. Quando uma das partes comunica e faz ouvidos moucos às restantes, torna-se num monólogo.

Tenho a plena consciência de que, sobretudo nas redes sociais, as opiniões são lançadas sem grande critério, chegando muitas vezes a roçar a ofensa. Opiniões pouco construtivas, mas que não podem nunca invalidar todas as outras opiniões informadas, fundamentadas e com conhecimento de causa que em muito ajudarão a cidade a desenvolver-se no caminho certo, seja na área da mobilidade ou outras.

Por isso, lutemos pelo diálogo, em circunstâncias que o propiciem, no espaço da cidade, com os que a vivem e a constroem. Quero ouvir e ser ouvida!

 
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