João M Fernandes @ Braga Ciclável
Publicado em 14/03/2026 às 8:00
Temas: Opinião Ecovia Ecovia do Cávado Ecovia do Cávado e do Homem JMF João M Fernandes Rio Cávado

A Ecovia do Cávado e do Homem foi concebida para ser a espinha dorsal da mobilidade suave no Minho. Este projeto estratégico da CIM Cávado propõe um corredor de 75 quilómetros de elevada biodiversidade, unindo a foz atlântica, em Esposende, às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Contudo, o que deveria ser um eixo vital para o lazer, o bem-estar e a descarbonização, tornou-se um exemplo de como a fragmentação política e a burocracia podem travar o progresso.
É fundamental compreender que este projeto se divide em dois eixos principais que se deveriam alimentar mutuamente. A Ecovia do Cávado é o eixo principal (55 km) e atravessa Esposende, Barcelos e Braga. A Ecovia do Homem é uma ramificação norte (20 km), que parte da confluência em Soutelo (Vila Verde) rumo a Amares e Terras de Bouro. Ora, a interdependência destas duas vias é total. Sem a conclusão da Ecovia do Cávado, o acesso sustentável à Ecovia do Homem fica amputado. Sem esta última, o projeto perde a sua ligação à montanha e ao coração do Gerês.

A paralisia da obra não é apenas um problema de mobilidade; é um atentado ao desenvolvimento económico da região. O cicloturismo e o turismo de natureza são dos segmentos que mais crescem na Europa, atraindo visitantes de elevado poder de compra que procuram experiências autênticas e sustentáveis. Com o projeto parado, a CIM Cávado está a abdicar de um produto turístico de excelência que permitiria atrair visitantes durante os 12 meses do ano.
O histórico desta obra é desolador. Em 2010, a CM Braga deu um passo que parecia pioneiro ao construir o troço em Merelim São Paio, ligando a praia fluvial à Central de Ruães. Parecia o despertar de uma revolução verde. Contudo, o arranque formal do projeto intermunicipal só aconteceu em 2016, com obras entre a Ponte de Fão e Fonte Boa.
Dez anos depois, a realidade é de uma estagnação assustadora, pois a execução é residual. No eixo do Cávado, o cenário em Braga é particularmente grave, com cerca de 90% do trajeto por construir. No eixo do Homem, os poucos quilómetros inaugurados em Terras de Bouro e Vila Verde são “ilhas isoladas”.
A falta de coordenação resultou num projeto fragmentado e que avança a uma “velocidade de caracol”, apesar de acesso facilitado a fundos comunitários destinados à descarbonização. Os troços das ecovias não se ligam e os percursos terminam abruptamente, retirando qualquer utilidade prática a quem pretenda usar a bicicleta como transporte ou laser. O maior ativo natural da região está a ser negligenciado por falta de visão de conjunto.
A valorização das margens dos nossos rios deveria ser uma prioridade absoluta, não um adereço em programas políticos. É absolutamente inaceitável que, quinze anos depois, a região ainda não disponha desta infraestrutura vital para a sua atratividade e sustentabilidade. Resta-nos a indignação perante uma oportunidade que continua, inexplicavelmente, na gaveta.
Sónia Martins @ Braga Ciclável
Publicado em 28/02/2026 às 8:00
Temas: Opinião 15 minutos Ambiente autonomia Bicicleta Braga cidade dos 15 minutos Futuro infraestrutura liberdade Mobilidade pedalar Sónia Sónia Martins

Em Braga, onde quase tudo parece estar à distância de um quarto de hora, a bicicleta pode ser muito mais do que um simples modo de transporte. Numa cidade com escala humana, dimensão compacta e forte presença estudantil, pedalar é, acima de tudo, um exercício de liberdade.
Usar a bicicleta é redescobrir o tempo. Ao contrário da pressa fechada do automóvel, o ciclista está exposto ao ritmo real da cidade: sente o ar, escuta os sons, reconhece rostos, observa detalhes. A deslocação deixa de ser apenas um intervalo entre dois pontos e transforma-se numa experiência consciente. Pedalar obriga-nos a estar presentes.
Há também uma dimensão profunda de autonomia. A bicicleta não depende de combustível caro, de estacionamento difícil ou de engarrafamentos nas horas de ponta. Depende apenas de nós. Cada pedalada reforça essa sensação simples, mas poderosa, de controlo sobre o próprio percurso. É uma liberdade silenciosa, mas transformadora.
Num contexto urbano como o de Braga — tantas vezes descrita como “cidade dos 15 minutos” — a bicicleta encaixa naturalmente. Trabalho, escola, comércio, serviços e lazer encontram-se relativamente próximos. Com infraestruturas adequadas e seguras, seria possível atravessar a cidade de forma rápida, eficiente e saudável. A bicicleta poderia tornar-se uma extensão natural do quotidiano.
Os benefícios vão além da mobilidade. Pedalar melhora a saúde cardiovascular, reduz o stress e contribui para o equilíbrio emocional. Num tempo marcado pela ansiedade e pelo sedentarismo, a bicicleta oferece movimento e clareza mental. É um antídoto simples contra o excesso de ecrãs e a vida excessivamente apressada.
Existe ainda uma consciência ambiental que acompanha cada trajeto. Optar pela bicicleta é escolher uma forma de deslocação limpa, silenciosa e de baixo impacto. É um gesto individual com impacto coletivo — menos emissões, menos ruído, menos ocupação do espaço público. Pequenas escolhas diárias que, somadas, moldam cidades mais sustentáveis.
Mas para que esta visão se concretize, é essencial criar condições. Infraestruturas contínuas, seguras e bem integradas não são um luxo; são o alicerce de uma mobilidade mais humana. Uma cidade que investe na bicicleta está, na verdade, a investir no bem-estar dos seus habitantes.
Uma cidade moderna não é aquela que tem mais carros a circular, mas aquela que oferece mais opções de mobilidade. Isso implica investir em, passeios amplos e acessíveis, adequados a pessoas com mobilidade reduzida, carrinhos de bebé e idosos; ciclovias segregadas e contínuas, que proporcionem segurança real; zonas de coexistência, onde a velocidade automóvel é reduzida e a prioridade é partilhada; transportes públicos eficientes, com ligações frequentes e atrativas.
Pedalar em Braga pode ser mais do que uma alternativa ao carro. Pode ser uma afirmação de valores: liberdade, responsabilidade, equilíbrio. Numa cidade onde tudo está perto, a bicicleta lembra-nos que o caminho não é apenas uma ligação entre pontos — é parte da experiência de viver.
Talvez a verdadeira modernidade não esteja na velocidade, mas na consciência com que escolhemos mover-nos. E, nesse sentido, cada pedalada é um pequeno gesto de futuro.
Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável
Publicado em 14/02/2026 às 8:02
Temas: Opinião BRT BRT Braga Espanha Ferrovia Galiza Guimarães Luís Tarroso Gomes Minho Mobilidade mobilidade em braga Política Política de Mobilidade Tarroso Vigo

Uma das mais importantes decisões que Braga tem neste século de acompanhar — e influenciar — é a da localização da estação de alta velocidade. Pode parecer um tema que apenas interessa àqueles que se dirigem regularmente para fora do país ou até da Península. Todavia, a localização da estação no ponto certo ou errado vai determinar não só o nosso dia a dia, como o de milhares de pessoas que aqui se deslocarão para apanhar um comboio que pode ter como destino uma cidade em Espanha ou no Algarve ou somente a zona do Porto aqui ao lado. Posicionar a estação num extenso vale agrícola desabitado, desligada da zona urbana e da linha atual, ou trazê-la para o eixo ferroviário atual mantendo a capacidade de assegurar ligações aos concelhos próximos faz toda a diferença. Leio também notícias que dão conta de uma ligação em BRT a Guimarães — sem que se explique que é apenas um autocarro pela estrada nacional — ou da necessidade imprescindível de uma circular externa na cidade — sem que se mencione que vias vai libertar para outras funções ou modos. E tendo estes projetos implicações para lá do concelho, é notório que Braga não tem querido — nem sabido — ser porta-voz do Minho e do Noroeste.
Não percebo como não se reage à ideia de uma estação de alta velocidade desligada para sempre da atual ou à forma como se deixam cair os milhões que a pretexto do BRT permitiriam modernizar as principais avenidas de Braga (mesmo que a explicação me parece óbvia: apesar de o BRT ter sido tantas vezes anunciado como estando iminente, pouco tinha, de facto, sido feito). Nenhuma destas grandes opções tem sido discutida publicamente pelos políticos, designadamente pondo em cima da mesa, com transparência e sem receio, os custos e benefícios de cada uma delas e as alternativas.
Há ainda os problemas locais por resolver: uma mobilidade centrada no automóvel particular, com uma rede viária confusa — incluindo as vias rápidas —, transportes urbanos sem vias dedicadas, vias cicláveis desconectadas e pouco abrangentes e um ambiente urbano que, com exceção quase só do centro histórico, desincentiva qualquer deslocação a pé. Braga está claramente desatualizada e vem fingindo que se moderniza com obras dispendiosas como as da Avenida da Liberdade que concentram recursos e mantêm inalteradas, a escassos metros, soluções perigosas e antiquadas.
O resultado das últimas eleições autárquicas ditou uma Câmara e uma Assembleia municipais divididas por várias forças políticas sem uma maioria evidente. Ao contrário do que possa parecer, o espartilhamento deve ser a base para se conseguir, primeiro a discussão e depois um compromisso, quanto ao estabelecimento das linhas gerais para a mobilidade no concelho e à ligação deste à região noroeste. E se não for a força mais votada a dar o primeiro passo — como ditaria o bom senso —, que seja a oposição a iniciar o debate. O que me parece evidente é que não podemos continuar a desperdiçar outra década com soluções avulsas, desistindo da defesa dos interesses das populações da nossa região.
Legenda da foto: alta velocidade no centro de Vigo.
Fonte: Faro de Vigo
MUBi @ MUBi
Publicado em 13/02/2026 às 15:53
Temas: comunicados Lisboa cml estacionamento MAPEAR
A MUBi com a Bicicultura e a MAPEAR reuniram com a Polícia Municipal e CM de Lisboa no dia 10 de fevereiro, com o objetivo de discutir remoções de bicicletas, estacionamento, fiscalização e medidas de melhoria da segurança e conforto do uso da bicicleta em Lisboa. Para que tal aconteça é essencial a existência de […]
O post Lisboa precisa de mais e melhor estacionamento para bicicletas! aparece primeiro no MUBi.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 11/02/2026 às 12:20
Temas: fotocycle 1 carro a menos a chuva não atrapalha à chuva bicicleta bike to home bike to work Canyon ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto Douro fotografia fotopedaladas Maneirinha mensageiro de bicicleta mobilidade motivação outras coisas pedaladas no inverno ponte Luiz I Porto rabelos
Como uma ponte sobre águas turbulentas, clássico de Simon & Garfunkel é um hino à empatia. É um compromisso de força, esperança e determinação, onde a ponte representa o meio seguro quando tudo o resto parece desmoronar. A mensagem é uma metáfora poderosa sobre oferecer apoio, conforto e segurança a alguém que está a passar por momentos difíceis. Atravessar a calamidade com coragem e determinação, não se deixando derrotar por toda esta corrente de incessantes tempestades que assolam populações, bens e negócios por todo o país.
Marina Cerqueira @ Braga Ciclável
Publicado em 31/01/2026 às 8:00
Temas: Opinião Bicicleta crianças Marina Cerqueira Qualidade de vida televisão TV

Há dias, enquanto via televisão com os meus filhos, deparei-me com uns desenhos animados no canal Baby TV que começavam e terminavam com a seguinte frase: “Ninguém fica triste quando anda de bicicleta”. Achei muita graça ao tema e perguntei ao meu filho, de 7 anos, porque é que achava que usavam aquela frase. Ele respondeu que é por ser divertido andar de bicicleta. Perguntei também se gostava de ir de bicicleta todos os dias para a escola e o porquê. Ele respondeu, que sim. Gosta porque não apanha trânsito, a bicicleta não polui e ajuda a ter saúde.
Fiquei muito orgulhosa por estas respostas e com o sentimento de dever cumprido. É exatamente isto que quero passar aos meus filhos.
Uso a bicicleta como meio de transporte diariamente, com eles. A mais pequena na cadeira e o mais velho já na bicicleta dele.
Não é um passeio de fim de semana nem uma atividade ocasional, é a nossa forma de ir para a escola, para o trabalho, para a vida. Faça chuva ou faça sol, a bicicleta faz parte da rotina familiar.
Há dias difíceis. Há trânsito, há pressa, há condutores irritados e maldosos que nos passam rasantes. Mas há uma coisa curiosa que acontece sempre que subimos para uma bicicleta, apesar dessas dificuldades a boa disposição reina, porque são francamente mais as coisas boas que advém desta prática do que as más.
Andar de bicicleta obriga-nos a estar presentes. Sentimos o ar, o frio da manhã, o cheiro da rua, o som da cidade a acordar. As crianças vão atentas, rimo-nos de coisas pequenas. O mais velho faz perguntas, e comenta o que vê. Há conversas que só acontecem ali, em movimento, sem ecrãs, sem distrações.
Claro que nem sempre é fácil. Há subidas que custam, dias de cansaço, momentos de impaciência. Mas mesmo nesses dias, algo muda. O corpo mexe-se, a cabeça organiza-se, o humor melhora. A bicicleta não resolve todos os problemas, mas ajuda-nos a encará-los de outra forma.
Andar de bicicleta desde criança, ensina-lhes autonomia, noção do espaço, respeito pelos outros. Aprendem que o caminho também faz parte do destino. Crescem a perceber que a cidade não é só para carros e sim para qualquer outro meio de transporte, até mesmo para quem quer andar a pé.
Para mim, usar este modo de transporte é tempo ganho. Tempo de qualidade com os meus filhos, tempo ao ar livre, tempo sem filas nem buzinas. É também uma escolha consciente: menos poluição, menos ruído, mais vida na rua.
Talvez seja por isso que ninguém fica triste quando anda de bicicleta. Porque, mesmo sem dar por isso, estamos a cuidar de nós, dos outros e do lugar onde vivemos. E isso, todos os dias, faz diferença.
Braga Ciclável @ Braga Ciclável
Publicado em 25/01/2026 às 19:05
Temas: Notícias 2026 assembleiageral associação Associados braga ciclável contas plano de atividades Rafael Remondes

No dia 24 de janeiro realizou-se a Assembleia Geral da Braga Ciclável, onde foram aprovados por unanimidade o Relatório de Atividades e Contas de 2025, bem como o Orçamento e o Plano de Atividades para 2026. Durante a sessão, Rafael Remondes, presidente da Direção, apresentou os principais eixos do plano para o novo ano, sublinhando a importância de continuar a afirmar a Braga Ciclável como uma voz ativa na promoção do uso quotidiano da bicicleta, na defesa da segurança rodoviária e na construção de uma cidade mais acessível, saudável e sustentável para todos.
O Plano de Atividades 2026 mantém uma forte aposta nas aulas mensais de iniciação à bicicleta, dirigidas a quem quer começar a pedalar em contexto urbano, bem como na participação regular nas Assembleias Municipais, levando as preocupações e propostas de quem anda a pé, de bicicleta e em transportes públicos aos espaços de decisão. Continua também a colaboração com o Diário do Minho, através de artigos de opinião assinados por associados e convidados.
Ao longo do ano estão previstas várias iniciativas abertas à comunidade, como a Kidical Mass, o Braga Cycle Chic, passeios temáticos, a Semana Europeia da Mobilidade, tertúlias sobre mobilidade urbana e novas temporadas do podcast da Braga Ciclável.
O plano agora aprovado reflete o trabalho coletivo da associação e a vontade de envolver cada vez mais pessoas na transformação da cidade. A Braga Ciclável acredita que Braga pode e deve ser um território onde a bicicleta é uma opção segura, confortável e natural — e convida toda a comunidade a acompanhar e participar nas atividades ao longo de 2026.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 23/01/2026 às 12:03
Temas: 1 carro a menos a chuva não atrapalha a gloriosa bicicleta à chuva bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto ciclo chico dicas fotografia fotopedaladas mobilidade mobilidade-urbana motivação no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas pedaladas no inverno Ride Your Workout
… dizer que o tempo está horrível, mas lá vem o convicto ciclista urbano. Enquanto outros reclamam da chuva, do trânsito, da vida, ele sorri e sai a pedalar debaixo do dilúvio, porque – como bem sabe – para o ciclista não há mau tempo, só mau equipamento. Assim, entre pingos e vento, transforma a tempestade num passeio ao sol… ou pelo menos numa boa desculpa para comprar mais um casaco impermeável.
e nada de gozar com as capas dos sapatos, tá!? Rafael Remondes @ Braga Ciclável
Publicado em 17/01/2026 às 8:00
Temas: Opinião Bicicleta Braga Ciclovias condições infraestrutura motivos Países Baixos Rafael Remondes razões

Comecei a usar a bicicleta em 2017, no dia em que me cansei de fazer um percurso mínimo de carro para ir trabalhar. Eram apenas cinco quilómetros entre a casa e a Estação de Braga, de onde seguia para o Porto. Porque comecei? Porque o trânsito me cansava, porque tinha de pagar estacionamento e porque fazia pouco sentido para mim usar o carro a uma distância tão curta. Já tinha adquirido o hábito da bicicleta quando vivia nos Países Baixos e decidi arriscar novamente, em Braga. Desde então, muita coisa mudou na minha rotina quando passei a trabalhar remotamente, mas a bicicleta manteve-se como hábito.
Hoje olho para a cidade e noto algumas mudanças. Vejo mais pessoas a andar de bicicleta: estafetas, estrangeiros, jovens e, com especial agrado, cada vez mais pais a levarem os filhos para a escola. Outras coisas, no entanto, pouco mudaram. Existem mais ciclovias, mas são desconexas, obrigam a constantes ginásticas de montar e desmontar e, muitas vezes, a optar pelo caminho mais longo. Há mais lugares de estacionamento para bicicletas, mas ainda são poucos. Os buracos nos percursos continuam a aparecer.
Se as condições não melhoraram significativamente, porque continuo a andar de bicicleta? Porque há mais gente a fazê-lo? Porque, apesar de tudo, se as condições para andar de carro já não eram boas, pioraram, e muito. A infraestrutura rodoviária é praticamente a mesma de há quase dez anos, mas o número de carros aumentou muito além do espaço disponível. O piso está desgastado, é frequente haver filas para entrar e sair da cidade, acidentes que agravam ainda mais o congestionamento e há cada vez menos estacionamento.
Continuo a andar de bicicleta em Braga porque, na maioria dos trajetos curtos que faço, é mais rápido do que o carro. Tenho sempre onde estacionar e o trânsito raramente me afeta. Gostava que a rede ciclável fosse melhor? Sem dúvida. É por isso que, na Braga Ciclável, lutamos todos os dias por melhores condições. Mas sei que, se optasse pelo carro para percorrer três quilómetros e passasse vinte minutos entre filas e procura de estacionamento, estaria muito pior.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 12/01/2026 às 15:07
Temas: motivação bike to home bike to work bom ano caso pra dizer "mexam-se" ciclismo ciclismo urbano cicloturismo fotografia fotopedaladas mobilidade mobilidade-urbana no meu percurso rotineiro pr'a casa no meu percurso rotineiro pr'o trabalho o sol outras coisas penso eu de que... Porto praia
Todos os dias vou de bicicleta para o trabalho. Como depois tenho de regressar a casa, invariavelmente durante a semana percorro mais de uma centena de quilómetros. De bicicleta circulo pelas ruas da minha cidade, o Grande Porto Ao vento, faça chuva ou faça sol, às vezes tudo ao mesmo tempo.
Uma vez por semana, não tenho dia marcado, depois das obrigações laborais, faço uns quarenta quilómetros, para lá e para cá em visitas paternais. Qualquer coisa de duas horas, bem passadas, o tempo suficiente para pensar, admirar, abstrair e parar de pensar. Só pedalar.
Como também tenho outras bicicletas, o fim-de-semana não significa obrigatoriamente o bom e merecido descanso. Ao sábado e ao domingo lá vou eu, com ou sem destino, alargando horizontes. Só ou bem acompanhado, por agitadas ou encantadas estradas, com paragens a meio para almoçar, a liberdade e a saudade muitas vezes pedalam a par.
Seja para onde for, a bicicleta é o meu meio de transporte. É o meu expediente de trabalho. É o meu ginásio. É a minha intuição de lazer e descontracção. É gratuita… minto, anda a café e pasteis de nata. É ecológica, está sempre disponível de manhã e à noite, de inverno ou verão, haja transportes públicos ou não.
É possível e recomendável promover a mobilidade “ciclável” em Portugal, nas grandes cidades e fora delas. Afinal, de bicicleta, e por causa do trânsito de todos os dias, acabo por andar à mesma velocidade de qualquer veículo motorizado, muitas vezes bem mais depressa. Mas isso é a minha praia.