paulofski @ na bicicleta
Publicado em 27/04/2026 às 13:53
Temas: marcas do selim amigo Jacinto Baixo Mondego bicicleta brevet BRM 200 ciclismo cicloturismo economia da bicicleta estrada Estrada Nacional 2 fotografia fotopedaladas Gorka longas pedaladas memórias montanhas de quilómetros motivação Nacional 2 pelos caminhos de Portugal randonneur randonneurs portugal
Para relatar este novo brevet no calendário breveteiro dos Randonneurs Portugal, e para melhor emoldurar as fotografias que por lá fui tirando, decidi intercalar aquilo que fui retendo com a descrição “Por dentro do Brevet… Uma jornada onde rios e serras marcam o ritmo de cada quilómetro, que saquei da sua página (https://randonneursportugal.pt/brevet/beira-rios-200-2026/)
Costumo dizer que gosto de pedalar por estradas velhas e isoladas ao longo de um rio, de qualquer rio. Pedalar em boa companhia. Vaguear calmamente, relembrando histórias, ouvindo e revendo o que vivi inúmeras vezes. Não importam os destinos ou as distâncias, faço-me à estrada para sentir a inspiração de uma nova viagem e conhecer novos companheiros de viagem.
“O Beira Rios 200 é um brevet desenhado para quem procura descobrir o território pedalando ao ritmo dos rios e das serras do interior do centro de Portugal. Com 200 quilómetros de distância e aproximadamente 3000 metros de desnível acumulado, o percurso propõe uma jornada recompensadora, atravessando vales fluviais, pequenas vilas históricas e estradas tranquilas que revelam a autenticidade desta região.”
Pessoalmente, o atractivo para este “passeio” seria o de pedalar pelos encantos da região, onde uma boa parte era totalmente desconhecida para mim, e revisitar algumas passagens pela EN2. Comum a todos os brevets são os encontros e reencontros com alguns participantes das, e nas, mais variadas paragens.
“A saida e a chegada têm lugar em Serpins, no concelho da Lousã, uma localidade intimamente ligada ao vale do rio Ceira e ao ambiente serrano que caracteriza toda esta paisagem. Logo após os primeiros quilómetros o percurso segue em direção a Góis, acompanhando o Ceira através de uma sucessão de estradas sinuosas passando pelo cerro da Candosa, com o som da água e o silêncio da serra a criar o cenário perfeito para iniciar esta aventura.“
E como a tradição de me esquecer de alguma coisa continua a ser o que era, desta feita não sincronizei o percurso traçado na geringonça indicadora do caminho em devido tempo, o que me levou a ficar dependente das orientações do Jorge ou então ir seguindo a roda de outros companheiros de viajem. para não me perder algures por ali.
“De Góis avançamos para Arganil, entrando no magnífico vale do rio Alva, uma das zonas mais emblemáticas do interior do distrito de Coimbra. Aqui o percurso acompanha o rio através de estradas ondulantes e paisagens naturais que revelam aldeias tradicionais, campos agrícolas e encostas serranas que marcam profundamente este território.”
A primeira paragem de controle estava prevista para Arganil e fomos tão lestos a lá chegar que apanhamos a Filomena, habitual voluntária ao nosso serviço, a improvisar o escritório para nos registar a passagem. A meteorologia esteve de feição, mas a manhã teimava a elevar o termómetro e o sol aconselhou-me a aliviar alguma roupagem, até porque as subidas iriam suceder com maior frequência.
“A viagem continua até Côja, muitas vezes chamada de Princesa do Alva, uma vila encantadora conhecida pela sua praia fluvial e pelo enquadramento natural que a rodeia. Pouco depois surge Avô, perto da confluência dos rios Alva e Alvoco, onde a ponte antiga e o casario tradicional recordam séculos de ligação destas comunidades à água e ao comércio fluvial.”
O desejo de pararmos com o pretexto para mais um par de fotografias, de nos abeirarmos e admirarmos vários rios, ao cruzarmos vilas de elevado interesse histórico, era imenso, mas a estrada, fascinante e quase deserta nos impelia para a frente. A escalada do dia teve o seu inicio, aqui e ali com algumas elevações consideráveis, fez com que cada um marcasse o seu ritmo, sozinho ou acompanhado. Assim estavam reunidos os condimentos para fazer crescer o acumulado de forma significativa nos próximos quilómetros.
“O percurso larga o rio para encontrar a icónica N17, mais conhecida por Estrada da Beira, agora uma estrada local perfeita para ciclistas, largando-a em direção a Tábua onde nos aproximamos de uma primeira visita ao Mondego. Depois de o cruzar, chegamos a Carregal do Sal, atravessando zonas rurais tranquilas onde o ritmo do interior ainda se sente nas pequenas aldeias, nos campos cultivados e nas estradas pouco movimentadas.”
Entre paragens para controlo de passagem e reforço, até parar novamente à hora do almoço, reuniram-se as condições do relevo da estrada que permitiram aumentar a velocidade e recuperar a média. Em Carregal do Sal as meninas da Pastelaria Millenium não tiveram mãos a medir para nos servirem as calorias necessárias e assim recompor energias para a etapa complementar da viagem. São porventura estas oportunidades de negócio que os cicloturistas esfomeados favorecem o comércio tradicional com a sua passagem.
“Descendo e cruzando o vale do rio Dão, seguimos para talvez a estrada mais conhecida de Portugal, a velhinha N2. Fazemos um pequeno desvio para voltar ao Dão, antes de chegarmos a Santa Comba Dão, onde a paisagem começa gradualmente a anunciar a aproximação ao grande vale do Mondego.“
Na minha memória fotográfica ia retendo alguns pontos marcantes aquando da minha travessia da Estrada Nacional 2, especialmente os vividos durante o segundo dia da minha epopeica viagem em que ainda tive a boa companhia do meu saudoso amigo Jacinto que estoicamente resistiu até ter de abdicar por dificuldades físicas.
“A partir daqui seguimos pela N2 para Penacova, vila situada sobre as escarpas do rio e conhecida por oferecer uma das vistas mais marcantes sobre o Mondego. Aqui encontramos também uma das especialidades gastronómicas mais conhecidas da região: o Bolo Nevada, doce tradicional que poderá ser usado para recuperar energias antes de enfrentar os quilómetros finais do percurso.“
Mas a envolvente é compensadora, com pouca civilização, muito arvoredo e descidas em conjunto com o grupo proveniente da zona de Condeixa. O convite para, em Penacova, acompanhar aquela malta a degustar uma bifana da região, que como sabemos é uma febra magnificamente temperada dentro de um pão, acompanhada com um ou dois copos de cerveja, foi aceite de bom grado. E ainda bem, pois as pernas e os olhos me agradeceram a paragem para apreciar a panorâmica do rio Mondego que se podia ter do miradouro.
“Deixamos de seguida o Mondego para subirmos a Vila Nova de Poiares, obrigando a uma gestão cuidada do esforço quando o contador de quilómetros já ultrapassa a centena e meia, antes de voltarmos à N17 e vermos novamente o rio Ceira. Pouco depois, tocamos brevemente o concelho de Miranda do Corvo antes de regressamos ao concelho da Lousã, dominado pela presença da serra e por estradas que são bem conhecidas de muitos amantes do ciclismo.”
ísicas.
Ao rever o suigéneris fontanário de Louredo e sentir de novo a ingreme subida para Vila Nova de Poiares, levam-me a retirar do baú algumas memorias, dos bons momentos e conquistas vividas em conjunto com o meu grande amigo Jacinto. (Na foto de cima revejo a última foto do Jacinto quando me acompanhou pela N2; na seguinte como o fontanário é no presente). A partir daqui o foco foi deixar ir o grupo de Condeixa, acompanhando e ajudando o meu amigo Jorge no sobe e desce para, em equipa, concluirmos o brevet em Serpins.
“Nos últimos quilómetros seguimos novamente pelo vale do rio Ceira, fechando o círculo em Serpins, onde termina esta jornada. O Beira Rios 200 é muito mais do que um simples percurso de longa distância: é uma travessia por alguns dos mais belos vales fluviais do centro de Portugal, onde cada quilómetro revela paisagens naturais, história local e o prazer puro de pedalar em estradas que parecem feitas para Brevets.”
Findada a jornada e a colecção de carimbos no cartãozinho, foi com enorme satisfação que nos juntamos aos que já haviam chegado e os que iam chegando em amena cavaqueira fazer uma espécie de rescaldo do dia vivido. Devo agradecer o esforço e dedicação dos VOA’s – Voluntários Organizadores Autónomos do Beira Rios 200, Rui Fernandes & Carlos Rego, pela excelente organização deste magnífico dia de ciclo+turismo
Victor Domingos @ Braga Ciclável
Publicado em 25/04/2026 às 21:50
Temas: Opinião Alemanha Avenida do Fojo ciclovias intermunicipais ciclovias rápidas Dinamarca efeito de rede infraestrutura limpeza manutenção Odense Países Baixos Rede Ciclável Segurança Sevilha

Andar de bicicleta em Braga continua a ser um exercício de paciência, atenção e, muitas vezes, coragem. Não por causa do clima, do relevo ou das distâncias, todos no essencial favoráveis, mas por causa de uma infraestrutura construída em retalhos, de forma avulsa, sem a coerência que se exige a uma verdadeira rede ciclável.
A bicicleta é, para a maioria das deslocações urbanas, o meio de transporte mais eficiente: rápida em distâncias curtas, barata, silenciosa e não poluente. Cada deslocação de bicicleta em vez de automóvel é menos um veículo na via, menos pressão no estacionamento, melhor qualidade do ar. E devolve à cidade algo que cada vez mais lhe falta: espaço público. Porque onde estaciona um carro cabem facilmente umas oito ou dez bicicletas.
O que se fez nas últimas décadas e nos últimos anos é manifestamente insuficiente. Quem pedala no dia-a-dia sabe que cada percurso “ciclável” em Braga é uma sucessão de surpresas: lancis elevados de aresta afiada, capazes de transformar uma queda banal num acidente grave; vias estreitas demais para ultrapassar outro ciclista; detritos acumulados durante semanas no inverno; viaturas estacionadas em cima da faixa de rodagem da ciclovia, com a habitual ausência de fiscalização.

Na Avenida do Fojo, o que se apresenta como ciclovia é, na prática, uma berma sem largura adequada nem proteção suficiente face ao trânsito motorizado, que ali circula a velocidades incompatíveis com a segurança de quem pedala a poucos centímetros. Improvisos desta natureza não geram novos utentes; antes o remetem para o papel de cidadão de segunda.
E depois, há o problema mais estrutural: continuamos sem uma rede. Os troços existentes não se ligam entre si, nem ligam o que importa – zonas habitacionais densas, a Universidade, as unidades de saúde, escolas, polos empresariais, centro histórico, superfícies comerciais. Sem interligação não há efeito de rede, e pouco incentivo para que quem hesita comece a pedalar.
Outras cidades perceberam isto há muito. Sevilha construiu em poucos anos uma rede extensa e multiplicou várias vezes o número de utilizadores diários. Pontevedra transformou em duas décadas o seu centro num espaço pacificado, com reduções significativas no tráfego, na poluição e na sinistralidade. Odense, cidade dinamarquesa com população comparável à de Braga, dispõe hoje de mais de 540 km de ciclovias e tornou-se referência europeia em mobilidade ciclável. Nos Países Baixos, na Bélgica e na Alemanha investe-se hoje em ciclovias rápidas intermunicipais, com largura generosa, bom pavimento e poucas interrupções, que viabilizam a deslocação pendular entre concelhos.
Braga precisa, com urgência, de duas coisas. Primeiro, tratar a sério o que existe: corrigir defeitos de construção, assegurar manutenção atempada, fiscalizar o estacionamento abusivo e implementar medidas efetivas de acalmia de tráfego. Segundo, planear o que falta: uma rede contínua e de boa qualidade na cidade densa, onde reside a maior parte dos potenciais utentes, e, a prazo, uma rede intermunicipal à altura de uma cidade europeia do século XXI.
Pedalar não pode continuar a ser visto como um ato de rebeldia ou de heroísmo. Tem de ser uma escolha sensata, cómoda e segura, ao alcance de todos.
Inês Teixeira @ Braga Ciclável
Publicado em 14/04/2026 às 21:51
Temas: Opinião acalmia de tráfego Bicicleta carro Inês Teixeira liberdade Mobilidade passadeiras Passeios Segurança Velocidade Excessiva

Se há uma coisa na qual todos os bracarenses estão de acordo é que o trânsito é um problema cada vez maior na nossa cidade. Por mais planos e promessas, parece que nada melhora. Há projetos ambiciosos, soluções complexas, investimentos avultados… Muita expectativa mas, no dia a dia, continuam a faltar coisas minúsculas que fariam uma diferença imediata na vida de todos.
Quando começamos a conduzir, acreditamos que o carro nos dá liberdade. Que nos leva a todo o lado, sem barreiras. Mas, com o tempo, torna-se claro que é muitas vezes o contrário.
Em vez de simplificar, o carro condiciona tudo. Os nossos dias transformam-se numa coreografia repetida de trânsito, sempre pelos mesmos percursos. Planeamos a vida em função do carro: o tempo que vamos demorar, o stress que vamos enfrentar, o estacionamento que talvez, ou provavelmente não, vamos encontrar. As decisões mais simples deixam de ser espontâneas: aceitar um convite, ir a casa de um amigo, fazer um desvio, parar naquela loja nova que abriu… É um cálculo constante, e um filtro indesejável.
Há uns anos vivi num país que fez o caminho inverso: reduziu o espaço do carro e devolveu-o às pessoas. Foi aí que percebi que não depender de um único meio para tudo torna a vida muito mais simples. Poder caminhar, pedalar, combinar transportes, parar pelo caminho. Ir.
Hoje olho para Braga com outros olhos. Vejo uma cidade cheia de potencial: ruas onde seria fácil abrandar, ligações que podiam ser feitas a pé, percursos que podiam ser seguros para as crianças. Mas desespero perante a realidade: passeios interrompidos, passadeiras invisíveis, velocidades completamente desajustadas à vida urbana. E perante isso, não há verdadeira escolha.
Se não posso andar a pé com os meus filhos em segurança, então sou obrigada a usar o carro. E, ao fazê-lo, contribuo para o problema que todos reconhecemos.
Podemos discordar nas soluções. Mas talvez haja um ponto de partida comum: uma cidade que dá liberdade às pessoas é uma cidade onde o carro deixa de ser uma obrigação.
E essa mudança não depende apenas de grandes projetos. Começa com passeios contínuos, passadeiras seguras, velocidades controladas, espaço para caminhar e pedalar com confiança, ligações diretas e lógicas entre os vários pontos da cidade.
A questão é que (e é aqui que muitos irão discordar) se o problema é o trânsito, então o carro não pode ser a solução.
Criar condições para outras formas de mobilidade, com pequenas ações (não é necessário destruir tudo para voltar a construir!), permite que as pessoas escolham. E, podendo escolher, será que vamos querer ir todos de carro?
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 13/04/2026 às 14:20
Temas: marcas do selim a chuva não atrapalha amigo Pawel à chuva bicicleta boas pedaladas brevet BRM 200 Caminho cicloturismo Compromisso pela Bicicleta fotografia fotopedaladas longas pedaladas Metro Minho Miranda motivação Nortada o sol outras coisas randonneur randonneurs portugal roda de amigos vento
Ontem não foi dia de Brevet mas parecia. O propósito de sair de casa cedo ao encontro do Pawel, tomar café e a invariável EN13, desviar mais à frente para a campestre EN306 em direcção ao Minho, não foi apenas a intenção de rodar os pedais, mas o de fazer o reconhecimento do Brevet CaMinho 200 que se irá realizar no inicio de Maio.
Neste Brevet dos Randonneur Portugal a minha participação será meramente de voluntário organizador e, como tal, tinha encontro marcado com Mr. Miranda, habitual organizador dos brevets nortenhos, para uma reunião prática de trabalho. Em Barcelos estava combinado o ponto de encontro, para a partir dali pedalamos em grupo, também com o Mário.
O dia prometia várias sensações e que não demorariam muito a se sentir na pele. No rescaldo da voltinha disse ao Pawel que num só dia tivemos direito às quatro estações, não em forma de pizza mas dos vários padrões climáticos: primeiro a manhã gélida sob um sol convidativo (a primavera), na subida do dia levamos com a anunciada chuva, que surgiu em dobro (o inverno), até ao rio Minho o vento cortante e constante de frente (o outono) e no regresso, rumo a a sul, a força da Nortada que nos empurrou levou a suar mais um pouquinho (o verão).
Foi um excelente dia de pedal e convívio que me fez recordar a passos dos dois CaMinho 200 que completei em anos distintos e já longínquos (como o tempo passa), a bordo da polivalente Tripas InBicla com a inesquecível companhia dos meus amigos Couto e do saudoso Jacinto.
Um Porto – Póvoa alternativo, só porque nos lembramos de interromper o círcuíto e do Metro nos fazer o favor de nos poupar as pernas e nos deixar relaxados, mesmo a tempo do jantar.
Ficam aqui mais algumas fotos deste magnífico dia de pedal.
Rafael Remondes @ Braga Ciclável
Publicado em 28/03/2026 às 8:00
Temas: Opinião alternativa Bicicleta Braga BRT circular circular externa dependência infraestrutura joão rodrigues Joaquim Barbosa Nó de Infias Planeamento Urbano Rafael Remondes Variante do Cávado

Em janeiro deste ano, o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, anunciou que daria prioridade máxima à implementação de uma nova circular externa, incluindo a concretização da variante do Cávado. Com esta decisão, o principal prejudicado foi o BRT, cuja última linha prevista foi adiada por tempo indeterminado. Depois de 4 linhas, passamos a ter zero.
O sinal político é claro.
Considerando o horizonte deste mandato, destacam-se duas grandes intervenções na mobilidade da cidade: o nó de Infias e a nova circular externa. Dado o tempo que estas obras demorarão a ser concluídas, dificilmente se vislumbrará outro projeto estruturante nos próximos 4 anos. A opção deste executivo é clara e resume-se, assim, a mais do mesmo: mais infraestrutura rodoviária, mais espaço para o automóvel, mais dependência do carro.
O problema não está apenas na insistência neste modelo. Está também na ausência de fundamentação clara. Foi referido pelo presidente da câmara que cerca de 80% do tráfego de atravessamento poderia ser desviado com a nova circular. Mas quanto representa esse tráfego no total da circulação na cidade? Joaquim Barbosa, deputado do PSD, mencionou, para defender a circular, que 60% do tráfego proveniente dos concelhos a norte de Braga não necessita de atravessar a cidade. Ainda assim, a questão essencial permanece: quantos veículos, em termos absolutos, se pretende desviar?
Se o tráfego de atravessamento representar ainda 13% do total, como indica um estudo de 2015, então desviar 80% desse valor significaria reduzir apenas cerca de 10% do tráfego global. Isto deixa praticamente intocado o problema central: as deslocações internas ao concelho, que são as que mais pressionam o sistema viário urbano.
Perante esta incerteza, o risco é evidente. Ao apostar em grandes infraestruturas rodoviárias sem um impacto claramente demonstrado, a cidade reforça um modelo que já mostrou os seus limites: mais dependência do automóvel, mais congestionamento e menos alternativas.
Braga arrisca, assim, investir dezenas de milhões de euros sem resolver os seus problemas estruturais de mobilidade. Os bracarenses continuarão dependentes do automóvel, vulneráveis às oscilações do preço dos combustíveis e presos em congestionamentos quotidianos.
Quando esse cenário se confirmar, não será por falta de aviso.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 20/03/2026 às 19:58
Temas: marcas do selim Alvão bicicleta boas pedaladas cicloturismo estrada fotografia fotopedaladas Gorka longas pedaladas meu amigo Jorge momento zen Mondim de Basto montanhas de quilómetros Monte Farinha motivação N304 Natureza outras coisas Parque Natural do Alvão pedaladas no inverno penso eu de que... Vila Real
Para um domingo bem passado no selim da bicla e em boa companhia, o Jorge apresentou-me um roteiro montanhoso por estradas desertas e fascinantes, como diria Duchene.
“Alvão? Porque não!”
Em pouco mais de uma centena de quilómetros e dos colossais 3 mil metros de acumulado, muito bem aproveitadinhos por sinal, a média foi muito baixa, mas não podia ser de outra forma, com tanto para ver, admirar e fotografar.
Foi tal como esperado, ou melhor, as expectativas foram-se superando tais foram as surpresas que fomos tendo ao longo do dia, de um excelente dia.
Do sopé do Alvão, desde Vila Real, a estrada N313 leva-nos ao cume e começa logo com inclinações consideráveis. Assim, lá fomos encosta acima com a lentidão aconselhada, vendo aumentar a panorâmica a cada quilómetro, a cada curva, fosse qual fossem as vistas sobre o vale do Corgo.
Sob um céu limpo e luminoso, a princípio estava uma manhã frescota mas depressa o motor foi aquecendo.
No verão do ano passado a serra do Alvão voltou a arder. O fogo começou em Vila Real e alastrou ao concelho de Mondim de Basto. Ardeu durante vários dias e destruiu uma parte significante do Parque Natural do Alvão. Quem vê as imagens no Street View e depois se depara com aquele cenário de destruição é uma dor de alma. Animais que ficaram sem pasto, agricultores que perderam fontes de rendimento, floresta que desapareceu, tudo devido à incúria, negligência ou crime.
Felizmente o fogo não apagou tudo e ainda há muito Alvão para descobrir. O roteiro incluía a passagem ao largo da pequena aldeia de Lamas de Olo que marca a transição paisagística, de sul para norte. A festa ainda estava no adro e já o acumulado metia respeito, mas o melhor ainda estava para vir.
À entrada no planalto do Alvão somos saudados pelo verde dos pinheiros, matas de carvalhos, bosques de coníferas, onde o vislumbre de aves características, campos verdejantes cheios de vida nos encheram a alma, dando outro alento para o resto da epopeia.
A estrada que percorre o Parque é lindíssima e, de ambos os lados, a paisagem autóctone ressurge, fazendo as delícias destes vossos cicloturistas, em recuperação muscular pós escalada. A serra, rica em granito, é um depósito natural de água, onde se vê, ou se escuta por todo o lado, pequenos riachos a escorrer dos penedos para as levadas.
No horizonte, o recorte da inconfundível silhueta do Monte Farinha orienta-nos como um farol em alto mar. Fazemos mais um par de quilómetros e começamos a sorrir com o declive traiçoeiro da estrada. As descidas aumentam com frequência, mas quando se volta a ter de subir é obrigatório levantar o rabo do selim. Antes de descermos o vale do Olo ainda tínhamos encontro marcado com a serra da Toutuça, uns quilómetros mais à frente.
As Cascatas de Bilhó, situadas entre as aldeias de Cavernelhe e Bilhó, são um verdadeiro tesouro natural do norte de Portugal. Formadas pelas águas cristalinas do rio Cabrão, estas quedas de água criam uma sequência de lagoas e pequenas cascatas, moldando uma escadaria natural entre rochas e a vegetação exuberante. Seguimos em direção a Ermelo via Fervença.
Sabendo que só seria possível contemplar as Fisgas na parte complementar da nossa excursão, vagarosamente fomos descendo pela degradada estrada que atravessa prados naturais e campos de cultivo alimentados pelo rio Olo, descobrindo aspetos interessantes como é a vida rural das pequenas aldeias. Ao longo da descida fomos encontrando espécies de flora e fauna típica da região, como rebanhos, burros e gado bovino que coabitam nos pastos.
À passagem pela aldeia de Ermelo ficamos encantados com a mostra de ardósias de xisto, alindadas com dedicatórias deixadas por caminhantes e visitantes dos trilhos. Subitamente surge o proprietário da casa e fiquei à conversa. O Sr. Carlos Rodrigues Sousa, ilustre poeta, é um apaixonado pela sua aldeia, orgulhoso da cultura e história da região.
Depois de uma pausa mais demorada, respondendo à recomendação do Jorge, retomamos a descida para lá ao fundo cruzar o rio Olo pela Ponte Medieval de Ermelo. Mais à frente reencontramos a magnífica estrada N304, uma das mais belas deste país, e seguimos a bom ritmo para Mondim de Basto, onde ao meio-dia nos detivemos para almoçar.
A digestão do repasto foi demorada, tal como a ascensão, de novo orientada para Bilhó. Tomamos a estrada que bordeja a base do Monte Farinha. O convite que lá do alto a Senhora da Graça nos lançava era muito forte, mas teria de esperar. Na ascensão progressiva ia regulando o calor que se fazia sentir ao início da tarde, fazendo várias paragens sempre que necessário, para descanso e desfrute da paisagem.
Em Bilhó fez-se o desvio para Vila Chã, onde, a certa altura uma placa nos indicou a direção certa para as Fisgas de Ermelo. A estrada pendeu para baixo e a descida fez-se com cuidado. Nunca mais acabava. Já me doíam as mãos de tanto apertar os travões. Entretanto em Covas o gêpeêésse indicou nova subida e até a visão do colorido avermelhado do gráfico já era assustadora.
Do nada surge uma parede de 600 metros que, sem respeito por estes dois que já tinham 70km e mais de 2000 acumulados nas pernas, se apresentam com uns simpáticos 15% de média. A coisa inicia de forma suave e depois só piora. Rapidamente, ultrapassa os 20%. Aí foi preciso morder a língua e, literalmente, proibir-me de pôr o pé no chão, tão perto que estava do cruzamento. O que nos valeu foi serem poucos metros até à Capela da Senhora do Fojo, onde paramos para recuperar o folego e o ritmo cardíaco.
Com o famoso miradouro em obras de restauro e o acesso interdito aos automóveis, aquele quilómetro de pedalada até à panorâmica da cascata de água foi feito com a maior das tranquilidades. Poucos visitantes por lá e assim tivemos a oportunidade de fotografar e apreciar a beleza das cascatas sem nenhuns atropelos.
A Cascata das Fisgas de Ermelo é uma das maiores quedas de água de Portugal, não se precipitando num único salto vertical mas em vários patamares. Atravessa progressivamente uma grande barreira de quartzo e xisto, num profundo socalco com um desnível de cerca de 200 metros de extensão cavados pelas águas calmas, mas abundantes do rio Olo. Com a persistência chuvosa deste inverno isso ficou ainda mais evidente.
Registamos tudo o que havia a registar e fomos lestos a descer a rugosa estrada até à N304. Mais uma vez, apenas se cruzaram comigo quatro automóveis, o que atesta da pacatez das estradas que percorremos.
Em nova e duradoura ascensão pela N304 até Campeã, e apesar de estar àquela hora bem mais fresco, eu suava em bica enquanto, a cada pedalada, ia admirando a deslumbrante paisagem à minha volta. E aqui entra em campo a preparação psicológica que ao longo do tempo se vai apurando e que é especialmente importante nestas tiradas longas e de elevada altimetria. Manter a cabeça ocupada em não pensar na subida.
Com toda a tranquilidade que este mundo não vive de momento, perante o obstáculo à minha frente, segui ao meu ritmo, o que levou ao aumento gradual da distancia para com o Jorge. Mediante a considerável diferença de ritmos, numa situação de carga como era esta, é preferível cada um manter o seu ritmo, seja para evitar disparar os batimentos cardíacos como para manter a sensatez.
No único fontanário visível à berma da estrada, que fica mesmo antes da parte mais dura da subida, parei para beber, atestei a bilha, aproveitei também para verter águas, alimentar-me, perceber o pouco tráfego por lá existente, vários grupos de motards em excursão na sua maioria, e aguardar a chegada do Jorge.
Particularmente, sentia-me muito bem nesta fase do percurso. É natural que a baixa cadência da pedalada ajudou a minimizar o desgaste, mas é este tipo de gestão que me interessa, não pela desculpa de já não ir para novo, mas essencialmente porque o meu objectivo é a regularidade e não a rapidez. Com o horizonte cada vez mais dominado pelo granito, sinto que o final da subida está próximo. Desmonto, tiro a derradeira foto do dia e espero pelo Jorge para, juntos, descermos até Vila Real.
Já dentro da malha urbana vilarealense descuidei a consulta do “aparelhometro”, segui erradamente o instinto e perdi o Jorge, que mais tarde e depois de algumas voltas desnecessárias voltei a reencontrar no local onde de manhã tinha deixado o carro.
Depois de um café milagroso voltamos ao Porto, radiantes já que este dia e esta voltinha foi, sem dúvida alguma, uma volta fabulosa cheia de atractivos e de muitos e interessantes motivos para voltar a pedalar pelo Alvão, numa outra ocasião.
João M Fernandes @ Braga Ciclável
Publicado em 14/03/2026 às 8:00
Temas: Opinião Ecovia Ecovia do Cávado Ecovia do Cávado e do Homem JMF João M Fernandes Rio Cávado

A Ecovia do Cávado e do Homem foi concebida para ser a espinha dorsal da mobilidade suave no Minho. Este projeto estratégico da CIM Cávado propõe um corredor de 75 quilómetros de elevada biodiversidade, unindo a foz atlântica, em Esposende, às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Contudo, o que deveria ser um eixo vital para o lazer, o bem-estar e a descarbonização, tornou-se um exemplo de como a fragmentação política e a burocracia podem travar o progresso.
É fundamental compreender que este projeto se divide em dois eixos principais que se deveriam alimentar mutuamente. A Ecovia do Cávado é o eixo principal (55 km) e atravessa Esposende, Barcelos e Braga. A Ecovia do Homem é uma ramificação norte (20 km), que parte da confluência em Soutelo (Vila Verde) rumo a Amares e Terras de Bouro. Ora, a interdependência destas duas vias é total. Sem a conclusão da Ecovia do Cávado, o acesso sustentável à Ecovia do Homem fica amputado. Sem esta última, o projeto perde a sua ligação à montanha e ao coração do Gerês.

A paralisia da obra não é apenas um problema de mobilidade; é um atentado ao desenvolvimento económico da região. O cicloturismo e o turismo de natureza são dos segmentos que mais crescem na Europa, atraindo visitantes de elevado poder de compra que procuram experiências autênticas e sustentáveis. Com o projeto parado, a CIM Cávado está a abdicar de um produto turístico de excelência que permitiria atrair visitantes durante os 12 meses do ano.
O histórico desta obra é desolador. Em 2010, a CM Braga deu um passo que parecia pioneiro ao construir o troço em Merelim São Paio, ligando a praia fluvial à Central de Ruães. Parecia o despertar de uma revolução verde. Contudo, o arranque formal do projeto intermunicipal só aconteceu em 2016, com obras entre a Ponte de Fão e Fonte Boa.
Dez anos depois, a realidade é de uma estagnação assustadora, pois a execução é residual. No eixo do Cávado, o cenário em Braga é particularmente grave, com cerca de 90% do trajeto por construir. No eixo do Homem, os poucos quilómetros inaugurados em Terras de Bouro e Vila Verde são “ilhas isoladas”.
A falta de coordenação resultou num projeto fragmentado e que avança a uma “velocidade de caracol”, apesar de acesso facilitado a fundos comunitários destinados à descarbonização. Os troços das ecovias não se ligam e os percursos terminam abruptamente, retirando qualquer utilidade prática a quem pretenda usar a bicicleta como transporte ou laser. O maior ativo natural da região está a ser negligenciado por falta de visão de conjunto.
A valorização das margens dos nossos rios deveria ser uma prioridade absoluta, não um adereço em programas políticos. É absolutamente inaceitável que, quinze anos depois, a região ainda não disponha desta infraestrutura vital para a sua atratividade e sustentabilidade. Resta-nos a indignação perante uma oportunidade que continua, inexplicavelmente, na gaveta.
Sónia Martins @ Braga Ciclável
Publicado em 28/02/2026 às 8:00
Temas: Opinião 15 minutos Ambiente autonomia Bicicleta Braga cidade dos 15 minutos Futuro infraestrutura liberdade Mobilidade pedalar Sónia Sónia Martins

Em Braga, onde quase tudo parece estar à distância de um quarto de hora, a bicicleta pode ser muito mais do que um simples modo de transporte. Numa cidade com escala humana, dimensão compacta e forte presença estudantil, pedalar é, acima de tudo, um exercício de liberdade.
Usar a bicicleta é redescobrir o tempo. Ao contrário da pressa fechada do automóvel, o ciclista está exposto ao ritmo real da cidade: sente o ar, escuta os sons, reconhece rostos, observa detalhes. A deslocação deixa de ser apenas um intervalo entre dois pontos e transforma-se numa experiência consciente. Pedalar obriga-nos a estar presentes.
Há também uma dimensão profunda de autonomia. A bicicleta não depende de combustível caro, de estacionamento difícil ou de engarrafamentos nas horas de ponta. Depende apenas de nós. Cada pedalada reforça essa sensação simples, mas poderosa, de controlo sobre o próprio percurso. É uma liberdade silenciosa, mas transformadora.
Num contexto urbano como o de Braga — tantas vezes descrita como “cidade dos 15 minutos” — a bicicleta encaixa naturalmente. Trabalho, escola, comércio, serviços e lazer encontram-se relativamente próximos. Com infraestruturas adequadas e seguras, seria possível atravessar a cidade de forma rápida, eficiente e saudável. A bicicleta poderia tornar-se uma extensão natural do quotidiano.
Os benefícios vão além da mobilidade. Pedalar melhora a saúde cardiovascular, reduz o stress e contribui para o equilíbrio emocional. Num tempo marcado pela ansiedade e pelo sedentarismo, a bicicleta oferece movimento e clareza mental. É um antídoto simples contra o excesso de ecrãs e a vida excessivamente apressada.
Existe ainda uma consciência ambiental que acompanha cada trajeto. Optar pela bicicleta é escolher uma forma de deslocação limpa, silenciosa e de baixo impacto. É um gesto individual com impacto coletivo — menos emissões, menos ruído, menos ocupação do espaço público. Pequenas escolhas diárias que, somadas, moldam cidades mais sustentáveis.
Mas para que esta visão se concretize, é essencial criar condições. Infraestruturas contínuas, seguras e bem integradas não são um luxo; são o alicerce de uma mobilidade mais humana. Uma cidade que investe na bicicleta está, na verdade, a investir no bem-estar dos seus habitantes.
Uma cidade moderna não é aquela que tem mais carros a circular, mas aquela que oferece mais opções de mobilidade. Isso implica investir em, passeios amplos e acessíveis, adequados a pessoas com mobilidade reduzida, carrinhos de bebé e idosos; ciclovias segregadas e contínuas, que proporcionem segurança real; zonas de coexistência, onde a velocidade automóvel é reduzida e a prioridade é partilhada; transportes públicos eficientes, com ligações frequentes e atrativas.
Pedalar em Braga pode ser mais do que uma alternativa ao carro. Pode ser uma afirmação de valores: liberdade, responsabilidade, equilíbrio. Numa cidade onde tudo está perto, a bicicleta lembra-nos que o caminho não é apenas uma ligação entre pontos — é parte da experiência de viver.
Talvez a verdadeira modernidade não esteja na velocidade, mas na consciência com que escolhemos mover-nos. E, nesse sentido, cada pedalada é um pequeno gesto de futuro.
Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável
Publicado em 14/02/2026 às 8:02
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Uma das mais importantes decisões que Braga tem neste século de acompanhar — e influenciar — é a da localização da estação de alta velocidade. Pode parecer um tema que apenas interessa àqueles que se dirigem regularmente para fora do país ou até da Península. Todavia, a localização da estação no ponto certo ou errado vai determinar não só o nosso dia a dia, como o de milhares de pessoas que aqui se deslocarão para apanhar um comboio que pode ter como destino uma cidade em Espanha ou no Algarve ou somente a zona do Porto aqui ao lado. Posicionar a estação num extenso vale agrícola desabitado, desligada da zona urbana e da linha atual, ou trazê-la para o eixo ferroviário atual mantendo a capacidade de assegurar ligações aos concelhos próximos faz toda a diferença. Leio também notícias que dão conta de uma ligação em BRT a Guimarães — sem que se explique que é apenas um autocarro pela estrada nacional — ou da necessidade imprescindível de uma circular externa na cidade — sem que se mencione que vias vai libertar para outras funções ou modos. E tendo estes projetos implicações para lá do concelho, é notório que Braga não tem querido — nem sabido — ser porta-voz do Minho e do Noroeste.
Não percebo como não se reage à ideia de uma estação de alta velocidade desligada para sempre da atual ou à forma como se deixam cair os milhões que a pretexto do BRT permitiriam modernizar as principais avenidas de Braga (mesmo que a explicação me parece óbvia: apesar de o BRT ter sido tantas vezes anunciado como estando iminente, pouco tinha, de facto, sido feito). Nenhuma destas grandes opções tem sido discutida publicamente pelos políticos, designadamente pondo em cima da mesa, com transparência e sem receio, os custos e benefícios de cada uma delas e as alternativas.
Há ainda os problemas locais por resolver: uma mobilidade centrada no automóvel particular, com uma rede viária confusa — incluindo as vias rápidas —, transportes urbanos sem vias dedicadas, vias cicláveis desconectadas e pouco abrangentes e um ambiente urbano que, com exceção quase só do centro histórico, desincentiva qualquer deslocação a pé. Braga está claramente desatualizada e vem fingindo que se moderniza com obras dispendiosas como as da Avenida da Liberdade que concentram recursos e mantêm inalteradas, a escassos metros, soluções perigosas e antiquadas.
O resultado das últimas eleições autárquicas ditou uma Câmara e uma Assembleia municipais divididas por várias forças políticas sem uma maioria evidente. Ao contrário do que possa parecer, o espartilhamento deve ser a base para se conseguir, primeiro a discussão e depois um compromisso, quanto ao estabelecimento das linhas gerais para a mobilidade no concelho e à ligação deste à região noroeste. E se não for a força mais votada a dar o primeiro passo — como ditaria o bom senso —, que seja a oposição a iniciar o debate. O que me parece evidente é que não podemos continuar a desperdiçar outra década com soluções avulsas, desistindo da defesa dos interesses das populações da nossa região.
Legenda da foto: alta velocidade no centro de Vigo.
Fonte: Faro de Vigo
MUBi @ MUBi
Publicado em 13/02/2026 às 15:53
Temas: comunicados Lisboa cml estacionamento MAPEAR
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