do trânsito e da cortesia ao volante

paulofski @ na bicicleta | 5/05/2016 às 13:33

Temas: [ outras coisas ] [ bicicultura ] [ carrocultura ] [ insegurança rodoviária ] [ penso eu de que... ] [ ro ] [ segurança rodoviária ]

Nesta coisa dos dias mundiais, celebrações, efemérides, etecétraetal, ouvi dizer, para meu espanto, que hoje, 5 de Maio, é o Dia Mundial do Trânsito e da Cortesia ao Volante. Concordando plenamente, no motivo reza o seguinte:

“Apesar da cortesia ao volante ser um dever de todos os condutores durante todo o ano, neste dia relembra-se a importância de ser cortês ao volante. Como a estrada pertence a todos, deve-se estar atento a todas as movimentações, respeitar os limites de velocidade e as prioridades, ceder a passagem, dar sinais de mudança de trajetória, entre outros comportamentos.”

Hoje nada tenho a registar, tudo pacífico, mas no meu commuting diário, em ciloviagens e treinos afins, infelizmente nem sempre é assim. A cada dia que passa sou testemunha de todo o tipo de transgressões rodoviárias, de automobilistas que reclamam com outros automobilistas, abespinham-se contra os peões e ciclistas, na correspondente medida ao número dos utilizadores da via. Confesso que nem sempre devolvo com um sorriso os insultos que os automobilistas me enviam. Qualquer “ciclismo agressivo” da minha parte é o resultado de alguma condução agressiva e imprudente que acontece ao meu redor.

cortesia ao volante #1

É verdade que a bicicleta me dá liberdade mas não toda a que preciso. Não pretendo aqui defender o mau comportamento do ciclista para denunciar a comunidade de automobilistas intolerantes. Eu, como muitos outros, faço da bicicleta o meu estilo de vida e não apenas um exercício. Existem muitos estilos de condução com que temos de contar, o que leva os utilizadores mais vulneráveis, os peões e os ciclistas a várias situações de risco. Num interesse de trazer este assunto para tema de conversa, eu coloquei no papel a minha própria abordagem como viajante regular de bicicleta em determinadas situações. Também, porque a minha abordagem ao ciclismo é um pouco diferente da opinião de outras perspectivas que vou testemunhando, para quem tem de conviver no trânsito com muitos comportamentos errados que transformam o mais pacato cidadão (ao volante, apeado ou num selim) em tudo menos num pacifista.

cortesia ao volante #5

Eu não utilizaria a faixa de rodagem e o espaço disponível para passar entre os carros engarrafados se não soubesse de antemão as mínimas condições de segurança. Se a minha imprevisibilidade em cima de uma bicicleta faz temer alguém ao volante, então basta que diminua a velocidade e preste mais atenção à minha pessoa. Eu tenho todo o direito de estar ali, utilizando o meu meio de transporte, e não deveria ter de colocar a armadura de cada vez que saio a pedalar. Todos os dias assisto a condutores acomodados ao seu ar condicionado, homens e mulheres de todas as idades tendo o seu momento de cidadania com o dedo na buzina e o pé no acelerador. Valentes destemidos, a emitir gazes, a ouvir música e a falar ao telefone. Mesmo um ciclista com as coxas de um sprinter não pode superar as leis da física. São as leis de Newton que regem o movimento de um veículo de propulsão humana, superando a lei vigente do código de estrada. Uma aceleração dos pedais exige sempre esforço físico e algum ímpeto. A gravidade é uma coisa difícil de superar em cima de uma bicicleta e para evitar uma escalada punitiva eu opto pelo caminho mais longo. Mesmo se a colina constituir ameaça eu posso-a dominar, tenho esse direito de escolha. O que não tenho é o direito de ser mal educado, só que…

cortesia ao volante #3

Apesar de carros e bicicletas habitarem num ambiente similar, cada qual requer uma forma diferente de utilização. Devemos ser capazes de conviver em conjunto e isso significa mover-se no mesmo caminho, da partilha, do civismo, seguindo à risca as regras de segurança e em alerta perante os veículos e peões ao nosso redor. Com uma massa muito menor, comparado a um carro, cada tampa de saneamento, cada buraco na estrada tem o potencial de arruinar o dia a um ciclista, por isso o metro e meio de distância mínima que o CE prevê como margem de segurança para a ultrapassagem do automobilista ao ciclista faz todo o sentido.

cortesia ao volante #2

Tenho de admitir que demorou algum tempo para chegar ao ponto de pedalar com confiança, como eu faço actualmente. Devido à minha avaliação do estado actual da cultura ciclista (e cultura da estrada como um todo), devemos usar o direito que nos assiste em utilizar e partilhar as ruas com os carros, sem ficar com raiva dos seus donos e vice-versa. As bicicletas são veículos de pleno direito nas ruas e nas estradas. O road rage não leva a lugar algum. Vamos continuar a fazer da cultura da bicicleta o melhor dos mundos, e se mantivermos a paciência, o respeito e a previsibilidade do nosso comportamento, ajudamos a tornar as estradas mais seguras. Um pouco mais de paciência, civilidade e respeito poderia fazer muito para manter todos seguros e felizes nas ruas e estrada desta terra.

cortesia ao volante #4

E já agora, como o 5 de Maio também é o Dia da Higiene das Mãos, vamos lavá-las muito bem e evitar usá-las para gestos obscenos e cenas tristes.


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cidades do futuro

paulofski @ na bicicleta | 4/05/2016 às 11:59

Temas: [ uma boa ideia ] [ bicicultura ] [ boas ideias ] [ ciclovia ] [ cidades ] [ coisas que leio ] [ Lisboa ] [ mobilidade ] [ motivação ] [ noticia ] [ opinião ] [ outras coisas ] [ penso eu de que... ]

Leio aqui que o projecto da Câmara de Lisboa para o Eixo Central, entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e Entrecampos, vai aumentar os passeios, os espaços verdes e incluir ciclovias para “melhorar o usufruto dos cidadãos nesta zona de Lisboa”.

Eixo Central de Lisboa #1

As cidades são antigas e às vezes difíceis de mudar, de modernizar. Mas algumas mentalidades são ainda mais difíceis de mudar. Quem reclama da redução de faixas de rodagem, da eliminação de lugares de estacionamento e ainda aqueles que mandam cortar árvores porque elas representam “um perigo para os automóveis” (!), esses ainda não captaram a natureza do nosso tempo e do futuro. As cidades são hoje gaiolas, dédalos de avestruzes medrosas e neuróticas, indo e vindo repetidamente à procura de uma saída. Lotadas de automóveis, as ruas são cercas e armadilhas. E já que falo disto, que tal reduzir o congestionamento do trânsito!?

Eixo Central de Lisboa #2
Defendo que as nossas cidades ofereçam uma estrutura viável para que todos possam viver juntos em harmonia, ao mesmo tempo que levamos em conta as necessidades individuais e o bem comum. O planeamento urbano nas grandes cidades deve moderar o uso de veículos individuais, gerar recursos para a expansão do transporte público e que o transporte seja acessível. Com vias para as bicicletas e programas de partilha de bicicletas, porque manter as pessoas saudáveis é uma prioridade. Ciclovias feitas com sentido, focando as necessidades do ciclista e dando apoio ao uso da bicicleta. Passeios e calçadas acessíveis, amplas e rodeadas de áreas verdes. Recuperar o espaço urbano, fazer as ruas voltarem a ser vias de passagem, sim, mas também de lazer, de contemplação, de simbiose com a cidade, com as suas construções e monumentos. Criar uma cidade inovadora e que todos gostem.

Eixo Central de Lisboa #3

As bicicletas são peças fundamentais nas cidades do futuro. Invisíveis, revolucionárias, silenciosas, pedalando-as poderemos apreciar as cidades no que elas nos oferecem de melhor. De bicicleta, é possível conhecer o mundo de outra forma, e o nosso mundo começa à porta de casa. De bicicleta, é possível vivenciar a cidade em todos os sentidos, com os olhos, os ouvidos, o nariz. As impressões são mais intensas. De bicicleta, precisamos de mais tempo mas com isso é possível captar muito melhor as informações e as emoções de quem nos rodeia. Segurança e espaço de convivência. Na cidade do futuro, ir a pedalar para a escola, para o trabalho, fazer compras ou ir a uma festa pode ser e será tão agradável como pedalar numa ciclovia à beira mar, um caminho bucólico entre dunas de areia e castelos seculares.

Será esse um futuro distante? Para manter uma cidade sustentável, é importante eleger pessoas que olhem para o futuro, contudo, o mais importante para mudar e manter uma cidade inovadora é você, somos todos nós.

(as grafias vieram daqui)


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Via Verde de la Senda del Oso (Asturias)

Pedro Roque Oliveira @ VELOCIPEDI@ | 3/05/2016 às 11:48

Temas: [ Bicicultura ] [ Vias Verdes ]

pasarela-caranga-senda-teverga.jpg

No antepenúltimo dia de 2015 com um estranho calor primaveril foi tempo de percorrer de bicicleta a Via Verde de la Senda del Oso que transpõe os chamados Vales del Oso por uma antiga ferrovia de transporte do minério. É uma viagem de intensa beleza por locais singulares e mágicos e por uma natureza esmagadora que as Astúrias são pródigas em exibir.

Sendo uma Via Verde poderemos dizer que se juntou o útil ao agradável, isto é, o melhor da natureza asturiana por um caminho muito acessível nos cerca de 24 kms. que separam Trubia e Entrago pelos vales dos rios Trubia e Taverga.

A memória dos ursos asturianos está sempre presente encontrando até um cercado em Proaza onde vivem alguns exemplares.

De resto a agradabilidade é equivalente à beleza o que faz com que, esta via verde recomende uma visita. Existe a possibilidade de percorrer diretamente a partir de Oviedo unindo a Via Verde del Fuso embora acrescentando quase o dobro dos quilómetros.




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reciclando [19] espécie de análise crítica e porque não autocrítica

paulofski @ na bicicleta | 3/05/2016 às 10:50

Temas: [ outras coisas ] [ motivação ] [ fotografia ] [ bicicultura ] [ penso eu de que... ] [ segurança rodoviária ] [ reciclando ]

pare, escute e olhe

Observando o comportamento dos outros enquanto pedalamos, damos conta que também nos comportamos de uma forma inadequada. Passamos o vermelho, pedalamos com imprudência em contra-mão, importunamos as pessoas nos passeios. De igual forma, quando conduzimos usamos o telemóvel, não damos o pisca-pisca, estacionamos nas passadeiras, nos passeios ou em segunda fila! Em quê, afinal, o comportamento dos ciclistas difere do comportamento dos automobilistas? A resposta é óbvia, mas a sociedade ainda não trata a bicicleta como um elemento válido do trânsito. Não apenas a legislação e a ética desaprovam certo tipo de comportamentos dos ciclistas, como os próprios comprovam que são os que menos infringem as regras estabelecidas. No entanto, temos de admitir que agindo assim não apenas aumentamos os riscos, especialmente a nós próprios, como damos razão a quem nos critica e nos tenta expulsar da via pública.

Pedalar é um acto mecânico e intuitivo. Quando aprendemos a manter o equilíbrio em duas rodas estamos aptos a pedalar. Mas que formação ou instruções obtivemos para alargar as nossas pedaladas pelas ruas e estradas? Não podemos esquecer os jovens e adultos sem instrução rodoviária que usam a bicicleta na sua mobilidade urbana. Os ciclistas aprendem a andar de bicicleta no trânsito e, portanto, observam o comportamento do condutor que se caracteriza mais pela disputa do espaço do que pela partilha da via pública, mais pela imposição da força do que pelo respeito e cuidado com os demais utilizadores da via, outros condutores, os peões e os ciclistas. Antes mesmo de estarmos habilitados a conduzir, fomos observadores atentos do comportamento dos nossos pais enquanto condutores e, bem ou mal, fomos sendo educados pela sua forma de conduzir e de interagir com os restantes utilizadores da via.

Infelizmente o carro continua a ter mais prevalência na rua do que aquele que anda a pé, de bicicleta e de transportes públicos. Podemos contribuir para modificar este estado de coisas dando o exemplo com o nosso comportamento assertivo. É fundamental que os ciclistas tomem mais cuidado nas ruas, obedeçam à sinalização e contribuam para a moralização do trânsito. Claro que, mesmo se a totalidade dos ciclistas amanhã de manhã passe a respeitar todas as regras, os problemas e dificuldades que enfrentam na mobilidade urbana se irão manter: a má qualidade das ruas, a falta de estacionamento para bicicletas, a escassez de ciclovias (muitas que existem não levam a lado nenhum), a sinalização e orientação rodoviária que é especialmente direccionada aos motorizados…

Quem pode criticar o ciclista infractor é o ciclista. Os ciclistas não irão mudar o seu comportamento sentindo na pele tangentes e buzinadelas. Os ciclistas comutarão a sua conduta quando o respeito, a mentalidade, a tolerância do condutor mudar. Aquilo que é chamado de “mau comportamento” do ciclista não deixa de ser uma consequência dos problemas e dificuldades que ele enfrenta na via pública. E os gestores publicos/projectistas rodoviários deveriam perceber isso. No que estiver ao nosso alcance podemos e devemos criticar quem coloca, e se coloca, em risco, mas devemos sobretudo agir pela humanização e sustentabilidade da mobilidade urbana. Incentivar medidas pró ciclismo, debater e orientar questões voltadas para o comportamento seguro, legal e ético do ciclista no trânsito, alertar e educar os condutores, fiscalizar, etc. Se a crítica não abordar o modelo de sociedade em que vivemos e não contribuir também para a sua mudança, não temos mais do que meras reclamações e constantes acusações.


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notícias do pedal

paulofski @ na bicicleta | 2/05/2016 às 10:07

Temas: [ divulgação ] [ Aveiro ] [ bicicultura ] [ coisas que leio ] [ Estocolmo ] [ Lisboa ] [ motivação ] [ noticia ] [ outras coisas ] [ partilha ]

Sem mãos… e com dentes

sem mãos e com dentes“Em sete escolas básicas de Lisboa aprender a andar de bicicleta faz parte do currículo. A Escola Clube de Ciclismo de Lisboa Coelhinhos desenvolve um projeto inclusivo que, em seis horas, deixa os mais pequenos a dominar as artes da bicicleta, incluindo indicar mudanças de direção sem ganhar buracos no sorriso.

Ufana na sua camisola cor-de-rosa, Bruna pedala afincadamente pelo recreio da Escola Homero Serpa, no Casalinho da Ajuda. Equipada com capacete e luvas, avança compenetrada, seguida de perto por Mário. «Trava! Trava! Trava! Com os pés, não!…» O alerta chega demasiado tarde – os pés de ambas as crianças já estão firmemente poisados no chão, como forma de reduzir a velocidade e parar. Afinal, pode não parecer, mas ainda há três dias não sabiam andar de bicicleta e tudo o que não seja avançar em linha reta é ainda um desafio.

Do outro lado do recreio, um grupo de alunos divide-se em duas equipas. Objetivo: andar o mais devagar possível. O primeiro a terminar o percurso e/ou a pôr os pés no chão, perde. Concentrada, Raíssa não esconde um pequeno sorriso de orgulho quando elimina o elemento da equipa adversária – para mais, é o irmão!”…

(ler mais em http://www.dn.pt/noticias-magazine/interior/sem-maos-e-com-dentes-5152527.html)

Ciclaveiro recebeu prémio europeu e apresentou atividades desenvolvidas a partir de Aveiro na promoção da bicicleta

Ciclaveiro“O Ciclaveiro foi distinguido pela European Mobility Week, em consulta com a Comissão Europeia, “como o melhor exemplo europeu de acções de sensibilização e promoção da mobilidade urbana sustentável” entre as quase 200 acções registadas.

Membros do grupo informal participaram no encontro de preparação da Semana Europeia da Mobilidade 2016, que teve lugar em Bruxelas (20 e 21 de Abril), aproveitando para apresentar as suas atividades desenvolvidas a partir da cidade de Aveiro na promoção da bicicleta.

O Ciclaveiro coordenou dois workshops atendendo às experiências de cooperação com o comércio local e dar a conhecer o potencial da região de Aveiro no sector das bicicletas.

O grupo destaca “a importância que a Comissão Europeia actualmente atribui às questões da mobilidade sustentável, pelos seus benefícios ambientais, sociais, de saúde e económicos”.

O evento incluiu ainda a cerimónia de entrega de prémios, que contou com a presença do Comissário Europeu para o Ambiente, Karmenu Vella, para o melhor plano de mobilidade urbana sustentável ganho pela cidade de Múrcia, pela promoção de modos de transporte activos (a pé e bicicleta).

O grupo Ciclaveiro foi criado no final de 2014, tendo desde há cerca de um ano desenvolvido uma série de actividades e projectos, envolvendo um largo espectro da comunidade, de promoção da utilização da bicicleta como modo quotidiano de transporte, e de colaboração com as autoridades locais, sugerindo e propondo medidas para que a utilização da bicicleta se torne mais fácil, segura e comum.”

(fonte: http://www.noticiasdeaveiro.pt/noticias/Print.aspx?idcont=39652)

Estocolmo tem proposta para financiar uso da bicicleta com taxa cobrada dos motoristas

stockholm biking“Cada centavo que uma cidade investe em ciclismo volta com juros em forma de saúde para seus cidadaos, em benefícios para o meio ambiente e na reduçao dos congestionamentos. Quem defende esse ponto de vista é Teo Enlund, pesquisador do Royal Institute of Technology (KTH), de Estocolmo, na Suécia. Enlund faz parte de um grupo de pesquisa, formado também pelas doutorandas Hanna Hasselqvist e Mia Hesselgren, que pretende transformar a capital sueca numa das melhores cidades do mundo para pedalar. Uma das propostas do grupo é usar uma taxa que já é cobrada dos motoristas da cidade e revertê-la em créditos para os ciclistas. Atualmente, os motoristas que circulam no centro pagam uma taxa cujo valor varia dependendo da hora do dia. Para os ciclistas, essa verba nao seria entregue em espécie, mas em créditos para a manutençao da bicicleta, como a mudança para pneus de inverno, o conserto de um pneu furado ou lubrificaçao da correia, explica o Sao Paulo Sao. Outra proposta é melhorar a infraestrutura da cidade para garantir mais segurança aos ciclistas, construindo, por exemplo, uma rodovia com duas grandes faixas para bicicletas – uma para ciclistas rápidos e outra para os mais lentos. Além disso, a proposta prevê a permissao de bicicletas no transporte público. “Trata-se de sinais. Aqueles que tomam a iniciativa de começar a pedalar ao invés de se locomover de carro devem levar um tapinha nas costas, nao um chute na cara”, diz Enlund. Leia mais aqui.”


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liberta a bicicleta

paulofski @ na bicicleta | 29/04/2016 às 8:30

Temas: [ motivação ] [ bicicultura ] [ Cosmica ] [ dono babado ] [ fotografia ] [ outras coisas ] [ penso eu de que... ] [ sem tirar nem por ]

a UCAL que foi da minha mãe suspensa na casa da aldeia

Para começar pega nela, qualquer uma, mesmo aquela bicla velha de pneus vazios e corrente enferrujada que tens há muito esquecida. Enche-lhe os pneus, unta-lhe a corrente, monta-a delicadamente e impulsiona os pedais. Dizes que vais ficar com as pernas e o rabo doridos. É bem provável, mas o meu palpite é que ela te vai fazer sorrir, recordar velhos tempos, evocar a criança que explorava o mundo e arredores em aventuras com os amigos. Dá-lhe um par de semanas sentado no selim e verás como o teu corpo se volta adaptar a ela. Redescobres a sua simplicidade, a geometria, o peso, os travões, a largura dos pneus. Uma estrutura simples com duas rodas e um par de pedais, que movidos pelo fogo dos músculos te dão uma sensação de liberdade. Há algo organicamente gratificante sobre o acto de usar a própria força e provocar movimento, velocidade, inclinação, vibrações e vento no rosto. Há a mudança de cenário, o poder ver, sentir e cheirar. Gozar do que a liberdade traz consigo, uma sensação de autonomia, um senso de proeza. E a bicicleta oferece-te tempo. Tempo para alcançar, para conhecer, para acompanhar ou ficar sozinho. Um simples passeio de bicicleta é muitas vezes um momento em que podemos gerar ideias, procurar uma melhor maneira de fazer as coisas, sonhar novas abordagens para a felicidade. As minhas bicicletas são um refúgio, o meu compromisso para uma vida melhor. É a antítese entre ficar enclausurado numa cápsula de anonimato ou, de um modo peculiar, manifestar os meus sentimentos ao mundo.

O tempo que tu perdes é o tempo que tu não vives


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Braga Ciclável subscreve o Compromisso pela Bicicleta

Braga Ciclável @ Braga Ciclável | 27/04/2016 às 10:11

Temas: [ Notícias ] [ Bicicleta ] [ bicicultura ] [ compromisso pela bicicleta ] [ desafios ] [ objetivos ]

A Associação Braga Ciclável acaba de subscrever o Compromisso pela Bicicleta, uma iniciativa da Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave da Universidade de Aveiro que foi lançada esta terça-feira, na Murtosa, e que já conta com vasto apoio vindo de vários pontos do país.

O Compromisso pela Bicicleta é um desafio dirigido às autarquias e comunidades intermunicipais, às instituições de ensino e saúde, a entidades e organizações públicas, privadas e da sociedade civil, e tem 7 objetivos:

  • Fomentar o uso da bicicleta, aumentando a sua quota modal;
  • Reduzir o tráfego automóvel;
  • Promover a aquisição de bicicletas;
  • Reduzir a sinistralidade rodoviária;
  • Mais saúde – estimular estilos de vida saudáveis e combater a obesidade;
  • Menos CO2 – reduzir as emissões e a dependência energética dos combustíveis fósseis;
  • Melhores Cidades – qualificar e humanizar o espaço público das cidades.

Na lista de entidades subscritoras do Compromisso, aparecem já dezenas de entidades, onde se incluem, por exemplo, os municípios de Barcelos e Guimarães. O município de Braga, apesar de ainda não constar nessa lista, tem já inseridos no seu PDM, muito graças também ao trabalho da Braga Ciclável, estes objetivos que seguem diretivas europeias e nacionais. Aliás, como pudemos assistir há dias, o próprio presidente da Câmara de Braga tem afirmado inequivocamente que a bicicleta faz parte da sua visão para a Mobilidade em Braga. Queremos, por isso, que Braga subscreva publicamente este Compromisso e que participe desde já nos desafios que ele coloca.

Para que o compromisso e os seus objetivos possam ser alcançados, a Plataforma Tecnológica da Bicicleta e Mobilidade Suave da Universidade de Aveiro entendeu lançar este desafio, que a Braga Ciclável agora abraça, mas que é também dirigido às autarquias e comunidades intermunicipais, a instituições de ensino e saúde, a entidades e organizações públicas, privadas e da sociedade civil. A iniciativa, a realizar com periodicidade anual, pretende estimular as diferentes organizações participantes a promover o uso regular da bicicleta junto dos seus trabalhadores, clientes, visitantes, associados ou do público em geral.

Assim, são 9 os Desafios:

  • realizar debates, estudos e investigação sobre mobilidade, com particular enfoque nos modos ativos (peões e bicicletas);
  • organizar eventos de promoção de deslocações ativas (em bicicleta e a pé) ou oferta de estímulos para utilização regular da bicicleta;
  • promover medidas de partilha de viatura e iniciativas de sensibilização para o novo Código da Estrada (proteção dos utilizadores mais vulneráveis);
  • criar condições de estacionamento dedicado e equipamentos de apoio, nomeadamente balneários (duche ou mudança de roupa) ou cacifos;
  • organizar eventos que incentivem o desenvolvimento de novos produtos e serviços para a bicicleta (ex. acessórios, componentes, conteúdos,…);
  • definir um plano de mobilidade de empresas e polos;
  • nomear um gestor da mobilidade e da promoção do uso da bicicleta na organização;
  • criar serviços de logística urbana em bicicleta;
  • disponibilizar bicicletas ou oferta de serviços de bikesharing e/ou intermodalidade.

Assumimos o Compromisso!

Desafiamos agora o Município de Braga a fazê-lo!

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um Sayago Blues à minha moda

paulofski @ na bicicleta | 26/04/2016 às 12:08

Temas: [ marcas do selim ] [ motivação ] [ longas pedaladas ] [ outras coisas ] [ fotografia ] [ bicicultura ] [ testemunho ] [ Douro ] [ cicloturismo ] [ Rui ] [ iNBiCLA ] [ Lugar do Castelo ]

Sayago Blues #7

“Subo e desço este rio
Da Miranda ao Araínho
Sob a torreira e o frio
Faço a escarpa brotar vinho

Rio abaixo rio acima
A dar aos remos no rabelo
Rio abaixo rio acima
Sayago paira por cima
O sonho vira pesadelo

Vinha eu no meu caíco
A ouvir das águas do Douro
Velhas lendas de fronteira
Entre o cristão e o mouro”

Sayago Blues #1

Foi a letra Sayago Blues escrita por Carlos Tê e cantada por Rui Veloso que me inspirou a voltinha de ontem, uma espécie de Brevet pessoal que repeti na companhia do meu grande amigo Rui. Pedalar de casa à casa da minha mãe, à aldeia dos meus avós, um Lugar cativo no meu coração, conviver com os meus tios para voltar logo a seguir. Rio acima, rio abaixo, acompanhando o Douro que deslizava encorpado, gelatinoso, cor de chocolate, deixando um convite para abalarmos na força da sua corrente.

Sayago Blues #5 Sayago Blues #3 Sayago Blues #14 Sayago Blues #9

Com sono e genica, pela N108 segui viagem em boa companhia para um reencontro com a emoção, para um Lugar que tem lugar cativo no meu coração. Freixo, Foz do Sousa, Barragem, Rio Mau, Entre-os Rios, Alpendorada, Pala. A manhã estava uma delícia e o tempo passou depressa, a viajar suavemente ao despique do vento com as subidas, ritmado pela própria cadência do Douro. A nuance em relação a pedaladas anteriores junto ao rio foi atravessá-lo para Porto Antigo, na ponte de Mosteirô.

Sayago Blues #16 Sayago Blues #11 Sayago Blues #17 Sayago Blues #19

Inspirar o aroma da terra, a pureza e a braveza das encostas, o impulso que sinto ao passar por estes caminhos de solidão com a sensação de estar a sonhar acordado. Chegamos a Resende e logo depois saímos da N222 para descer a toda a velocidade e atravessar de novo o Douro, em câmara lenta na Ponte da Ermida. Lembra-me a minha mãe dizer “já cheira a Castelo”. Cheguei a casa, ao Lugar do Castelo, e na casa dos Lírios nos sentamos à mesa com os meus tios, contando as peripécias da aventura, matando saudades.

Sayago Blues #21 Sayago Blues #22 Sayago Blues #24 Sayago Blues #25

Regressamos ao Porto pela N108, barrigas saciadas, alma cheia. Balouço sob um quadro rodado que alberga certezas e ilusões nesta tranquila e deslumbrante liberdade que é pedalar. E como bem sabemos, quem pedala tem a forte probabilidade de encontrar amigos ao virar uma curva. Foi o que veio a acontecer. Para abrilhantar o passeio, tivemos a companhia por algum tempo dos meus amigos, a Rita e o Vítor, cicloturistas fantásticos que pedalam para bué, bué de longe. Num percurso tripartido pelo fim-de-semana prolongado, completavam a última etapa dos 350km que bem pedalaram. Rico dia, o Dia da Liberdade, da liberdade que é o espaço que a felicidade precisa.

Sayago Blues #27


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Ser ciclista…

Bruno Faria @ Braga Ciclável | 23/04/2016 às 10:43

Temas: [ Opinião ] [ Bicicleta ] [ bicicultura ] [ Braga ] [ passado ] [ pedalar ] [ presente e futuro ] [ Ser ciclista ]

Ser ciclista nos tempos modernos é algo bem diferente do que os nossos pais e avós estavam habituados!

No passado: ir às compras, ao cinema, ao parque namorar, entregar encomendas, recados, correio…ir à praia, ao campo, à montanha, ao rio, ao mar…eram actividades normais para quem se deslocava de bicicleta. Normal era andar de bicicleta para qualquer lado, em qualquer circunstância! Apenas os elitistas olhavam para o ciclista como gente pobre, que não podia comprar um automóvel!

Hoje, relatos dessas épocas recriam algo mágico, algo que infelizmente os portugueses ignoraram durante décadas: a simples e prática locomoção dentro das localidades! As ruas tornaram-se sinónimo de stress, perigo, corrida contra-relógio, lugar interdito a peões! Pedalar ou caminhar na rua relaxado, em silêncio, respirando ar puro, tornou-se algo quase raro!

Os tempos mudam, algumas ruas mudaram, as leis mudaram e até as bicicletas mudaram! Tornou-se complicado andar nas ruas (devido ao excesso de automóveis), mais simples seguir as leis e ainda mais simples pedalar nas bicicletas! As bicicletas são mais leves, mais acessíveis, mais práticas e descomplicadas (não necessitam de seguro ou matrícula), as leis felizmente defendem o ciclista cumpridor e as ruas, apesar de lotadas de automóveis, tornam-se cada vez mais amigas do peão – esperemos que continuem a evoluir! Será uma evolução tipo: voltar ao passado, mas com um “upgrade”…

Ser ciclista é ser alguém que luta pelo bem da sociedade, pela natureza, pelo bem da saúde, pela simplicidade. – Admito que seja algo desafiante nos dias de hoje, mas…se não o fizermos, quem o fará? Sejam ciclistas: pedalem, sempre! Tirem as bicicletas “do armário” e sejam felizes!

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can’t miss [151] doramatos.com

paulofski @ na bicicleta | 20/04/2016 às 11:26

Temas: [ can't miss it ] [ motivação ] [ bicicultura ] [ testemunho ] [ ciclistas no mundo ] [ partilha ] [ coisas que leio ] [ Amesterdão ]

A minha rota de ciclismo no país das bicicletas

Dora Matos

“Uns dias em Amesterdão não podiam passar sem uma rota fora da confusão da cidade. Apesar de haver pistas próprias no centro da capital para os que andam de bicicleta, há muito tráfico de ciclistas e preferi sair um bocadinho para ver o que havia à volta da capital.

Quando devolvi as bicicletas aos donos e lhes contei o percurso pareceu-lhes estranho que alguém chegasse tão longe num só dia. No entanto, o caminho não é nada difícil! E é uma forma de experimentares por ti próprio a sensação de pedalar num chão tão plano como o dos Países Baixos. Além disso o contacto com a natureza é indescritível. Eu recomendo fazê-lo em bicicleta, totalmente. É uma viagem muito especial.”

Aproveita a deixa de Dora Matos e experimenta este tour a pedais pelos arredores de Amesterdão, numa tradicional bicicleta holandesa onde a narração da jornalista é enquadrada por belíssimas fotografias, em http://doramatos.com/minha-rota-ciclismo-no-pais-da-bicicleta/


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