can’t miss [216] publico.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 10/08/2020 às 14:28

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta bike to home bike to work boas ideias ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo ciclovia cidades coisas que leio coisas que vejo mobilidade motivação noticia opinião outras coisas partilha Porto segurança rodoviária

Porto tenta apanhar o pelotão das cidades amigas das bicicletas

(acho que já vai tarde, mas tá bem!)

“As intervenções para a criação de uma primeira rede estruturante de vias cicláveis já começaram junto à Boavista. Utilizadores prometem ajudar o município a corrigir eventuais erros de um projecto que aguardavam há muito.”

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“O Porto tem carros a mais nas ruas? As horas de ponta com o pára-arranca, e a impaciência das buzinadelas dizem que sim. Os atrasos nos autocarros, atascados entre automóveis, dizem que sim. E os poucos utilizadores de bicicleta, que se sentem inseguros com o tráfego automóvel, e com a falta de infra-estrutura dedicada, dizem que sim. Daí a expectativa com que está a ser encarado o início da construção da primeira rede ciclável da cidade, uma malha que o município classifica como “estruturante”…”

Se és assinante (eu não sou) podes ler o resto da notícia em: https://www.publico.pt/2020/08/09/local/noticia/porto-tenta-apanhar-pelotao-cidades-amigas-bicicletas-1927560 e depois voltas aqui para nos contares do que achaste, ok?

 

O uso da bicicleta, por miúdos e graúdos

Raquel Martins @ Braga Ciclável

Publicado em 7/08/2020 às 23:01

Temas: Opinião Bicicleta Braga braga ciclável graúdos miúdos


A bicicleta surgiu como um modo de transporte muito usado nos antepassados, tendo sido, por muitas pessoas colocado na garagem, com o surgimento do automóvel. Porém, com a quarentena, urgia a necessidade do exercício ao ar livre, do contato com a natureza, daí o maior investimento e gosto, por muitos, pelo uso de bicicleta, onde eu, pessoalmente, estou incluída.
Com o sedentarismo da população, os horários laborais prolongados e o aumento do stress a par das obrigações pessoais levam mais pessoas ao uso de bicicleta, em cidade, pelo favorecimento de exercício, utilizando momentos de deslocações, que de carro, favoreciam o sedentarismo.
Em Braga, uma cidade jovem, populacional, com pólos de interesse bem delimitados, nomeadamente, o Hospital de Braga, a Universidade do Minho, o Centro de Nanotecnologia, o Centro Histórico, o Santuário do Bom Jesus, é imperioso uma ciclovia segura, para que os cidadãos possam percorrer o ser percurso em segurança, e não obrigar ao uso de bicicleta em estrada, já que os elevados níveis de sinistralidade na região são assustadores, devido ao excesso de velocidade dos automóveis, nas variantes urbanas. Assistimos, ainda, a um centro histórico densamente populoso, com várias escolas públicas e privadas nas mediações, sobrelotado pelo trânsito, pelo que, a médio prazo, uma ciclovia segura, poderia potenciar o uso, também pelas crianças, à semelhança de outros países, como os nórdicos, permitindo a diminuição do sedentarismo, capacitando os mais pequenos (futuros adultos, amanhã!) para a educação rodoviária, melhorar a saúde mental, favorecendo maior capacidade atencional e equilíbrio e, consequente, diminuição da agitação corporal.
Nas cidades vizinhas, saliento, a ecopista de Guimarães-Fafe, fruto do reaproveitamento do antigo caminho ferroviário, com uma extensão de 6.980 metros, dividida em percursos, permitindo percorrer a cidade e apreciar vários locais. Se prefere apreciar a paisagem à beira-mar, direciono-o para a Ciclovia da Ribeirinha de Esposende, de dificuldade fácil, com cerca de dois quilómetros, onde marginal Norte da Foz do Rio Cávado é o ex-libris do percurso. Esta é uma parte do percurso da Ecovia do Litoral Norte, que liga Esposende a Caminha, garantindo condições de segurança para quem gosta de andar de bicicleta, além de permitir o maior conhecimento de fauna e flora da orla costeira, a par de deliciosas paisagens, muitas vezes, de carro impossíveis de apreciar.
Boas Pedaladas!
“Nada se compara ao simples prazer de pedalar.”
(John Kennedy)

 

vou, vou. O melhor, todos os dias…

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 28/07/2020 às 14:55

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Por estes dias uma campanha publicitária espalhada nos mupis da cidade prendeu-me a atenção. A BP Portugal anuncia o programa “Drive Carbon Neutral”, com o slogan “Vá de Bicicleta. Se não puder vá com a BP”!

De acordo com o presidente da BP Portugal, Pedro Oliveira, esta campanha é “o resultado de um ano de trabalho, que visa contribuir para a nova ambição da BP de atingir a neutralidade carbónica até 2050 e ajudar o mundo a atingir o mesmo objetivo”. Supostamente com a neutralidade carbónica em vista, a campanha é dirigida aos seus clientes, habituais e potenciais, onde a BP se compromete compensar a emissão de mais de 2 milhões de toneladas de carbono por ano, o equivalente, segundo a empresa, a retirar 400 mil automóveis das estradas.

Vamos tirar dois milhões de toneladas de carbono do sistema”, sublinhou.

“As escolhas que fazemos todos os dias podem ter um grande impacto na nossa pegada de carbono individual, em especial a maneira como viajamos em trabalho ou em lazer. Enquanto o mundo não consegue atingir a neutralidade carbónica, e como afirma a própria campanha de comunicação, “Vá de bicicleta (a pé ou de trotinete). Se não puder, vá com a BP”.

 “Assim, enquanto conduz com combustíveis BP, o cliente sabe que, por todo o mundo, estão a ser apoiados projectos que compensam as emissões de carbono dos seus abastecimentos.”

O presidente da BP Portugal acredita que a petrolífera acabará o ano com resultados positivos, apesar das quedas registadas na sequência da pandemia.

A brutal diminuição de viagens a nível global levou a uma forte redução no consumo de combustível. A COVID-19 tem tido um grave impacto global a nível económico e continuará a ter por um período mais longo do que o previsto. Os períodos de quarentena exigem que as pessoas “fiquem em casa” e evitem fazer viagens desnecessárias. Essencialmente, o coronavirus restringiu todas as formas de transporte público, ferroviário, rodoviário e aéreo, portanto, o consumo de petróleo do sector dos transportes caiu acentuadamente. A demanda por combustíveis fósseis, excepto GPL e gás natural doméstico, está em queda livre. Como consequência do confinamento devido ao efeito da pandemia, as refinarias foram forçadas a reduzir a sua produção.

A indústria está numa fase turbulenta. Como em muitas outras, a indústria petrolífera procura apoio junto dos respectivos governos para atravessar a turbulência financeira. Os países importadores de petróleo podem desfrutar de um preço baixo, enquanto os países exportadores terão que encontrar novos caminhos para gerar receita a partir de mecanismos alternativos.

“A empresa precisa se reinventar”, disse o novo director executivo da BP, Bernard Looney em conferência no passado 12 de fevereiro: “A estimativa mundial de carbono é finito e está acabando rapidamente; precisamos de uma transição rápida para a descarbonização.”

Está a BP a ficar “verde”?

Vai de facto a BP compensar as emissões de carbono de todos os combustíveis, gasóleo, gasolina e GPL utilizando créditos de carbono gerados a partir de projetos globais, rigorosamente selecionados, que financiam a utilização de energias renováveis, baixo carbono e a proteção das florestas?

Será este um passo no caminho certo, que uma marca de combustíveis incorpore a compensação de emissões de carbono na sua oferta para toda a gama de combustíveis e dessa forma se traduzir na redução das emissões?

Pedro Oliveira lamenta que em Portugal, ainda não existam programas de compensação de emissões de carbono certificados, mas sublinhou que estão a trabalhar para que tal seja possível.

Entre as condições para ser um “projeto elegível”, segundo Pedro Oliveira, “estão a necessidade de ser um projeto incremental (não “pipeline”) que compense na justa medida as emissões de carbono, sem fins lucrativos, e que promova a melhoria da qualidade de vida das populaçõe”s. O responsável espera que a BP abra caminho nesta área, tal como abriu no passado noutras áreas.

“Se todos os operadores incorporarem esta externalidade será a forma mais rápida, concreta e tangível de reduzir as emissões”, disse.

A COVID-19 já teve um fortíssimo impacto no preço e no comércio de petróleo bruto. O efeito combinado da guerra de preços e da COVID-19 resultou na redução do preço do petróleo Brent, atingindo “preços negativos”, o que levou os produtores terem de pagar ao comprador para levar e reduzir stocks. A queda do preço do petróleo já causou angústia suficiente entre os investidores do setor “upstream”, e dos fornecedores.

 “A BP teve que mudar”, acrescentou Looney. “E queremos mudar – isso é a coisa certa para o mundo e para a BP”.

Mas qual mudança? Andam todos iludidos? Publicidade Comparativa? A fonte primária de energia continuará a ser a mesma, não haverá qualquer alteração. Se fornecem a energia ao consumidor final sob a forma de hidrocarbonetos ou electricidade, pouco interessa! Continuo a acreditar que daqui por muitas décadas tanto a BP como outras multinacionais petrolíferas vão continuar com os mesmos postos de combustíveis fósseis por aí espalhados.

Eu, claro, eu vou continuar a ir e vir de bicicleta.

 

Ciclovias ou árvores? A escolha que não pode acontecer

Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável

Publicado em 24/07/2020 às 23:01

Temas: Opinião Árvores Associações Braga braga ciclável Câmara Municipal de Braga Ciclovias Cidadãos Diário do Minho europa Município de Braga Ricardo Rio Trees


Uma das polémicas atuais da cidade é o abate de árvores no arranque da subida para o Bom Jesus. O motivo é a construção pela Câmara Municipal de um pequeno trecho de ciclovia que ligará a Universidade à zona de Lamaçães. Importa dizer que a Câmara Municipal ao anunciar a obra da “Variante da Encosta” nunca fez qualquer referência ao abate. Foram os cidadãos e as associações que, ao analisarem os escassos elementos gráficos que a Câmara disponibilizou, se aperceberam da intenção de abater árvores adultas (algumas das quais na fotografia). Em resposta às críticas, a Câmara emitiu um comunicado alegadamente esclarecedor mas que, através de eufemismos como “saldo de espécies arbóreas”, “replantar”, “removidas da atual localização”, não explica por que razão o Município quer abater mais árvores (ainda há pouco tempo a Câmara anunciou o abate de 130 árvores na cidade e a I.P. destruiu dezenas de árvores na Av. António Macedo).

A Câmara aproveita ainda o comunicado para, em abstracto, acusar os cidadãos e associações de não estarem informados. Mas uma Câmara que opta por manter sempre a informação e os projetos no segredo dos seus gabinetes, não os tornando públicos pelas inúmeras formas que atualmente existem e divulgando apenas o que lhe convém, pode apontar o dedos aos cidadãos acusando-os de não estarem informados? Não é óbvio que são os gestores da cidade que têm de pôr os projetos de intervenção em cima da mesa com tempo para serem apreciados e debatidos?

O que é claro é que em 2020 um abate a despropósito não pode mais acontecer. Todos sabemos que temos de mudar o nosso estilo de vida se queremos deixar um planeta habitável aos nossos filhos. Há um esforço que todos podemos fazer individualmente. Mas uma grande parte desse salto tem de ser induzido pelas Câmaras Municipais, designadamente na reconversão do imenso espaço público reservado ao automóvel em zonas agradáveis para os peões e os demais modos suaves. E, claro, a Câmara deve constituir o exemplo inspirador para todos. A pandemia que agora atravessamos tem desencadeado por todo o mundo – de Paris a Bogotá ou de Kampala a Lisboa – iniciativas rápidas e económicas do poder local de criação de corredores para bicicletas e afins, roubando espaço aos carros e dando resposta às preocupações dos cidadãos. E Braga? Nada.

Se há coisa que não falta na subida para o Bom Jesus, como, aliás, em toda a rodovia, é espaço para introduzir duas ciclovias (uma em cada sentido) sem qualquer necessidade de eliminar árvores cuja sombra é essencial aos peões e ciclistas. Em 2020 querer destruir árvores adultas para fazer uma ciclovia deveria dar lugar à perda automática de todos os fundos comunitários. Não se pode querer ser ecologista na Europa, e predador da natureza na terrinha.

 

Braga Ciclável aplaude “manutenção profunda” da ciclovia de Lamaçães, mas aponta erros no seu prolongamento à Universidade

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 17/07/2020 às 23:01

Temas: Comunicado Notícias Árvores Braga braga ciclável Câmara Municipal de Braga Infraestruturas de Portugal Lamaçães Mobilidade Ricardo Rio UMINHO


A Braga Ciclável vem aplaudir a tão desejada e necessária intervenção na pista ciclável de Lamaçães, intervenção essa que vinha sendo reivindicada há muitos anos pela associação e por todos os utilizadores daquela pista ciclável. A reorganização e proteção das rotundas, a reorganização do estacionamento, assim como a reformulação de toda a pista ciclável, são fundamentais para garantir a segurança de todos os utilizadores daquela Avenida.

É desejável que, no seguimento da conclusão da intervenção, exista já um plano de manutenção previsto para a rede ciclável que permita uma conservação cuidada destas infraestruturas. Assim se evitará a necessidade de investimentos avultados devido a intervenções que acontecem apenas de 10 em 10 anos.

A Braga Ciclável não pode deixar de demonstrar o seu espanto pela insistente manutenção de situações apresentadas há 3 anos, em reunião privada entre os responsáveis do trânsito e da mobilidade, na qual foram deixadas algumas recomendações por parte da associação no sentido da resolução de alguns pontos problemáticos.

Não se compreende como é que na Avenida dos Lusíadas, uma avenida com 24m de largura, quatro vias sobredimensionadas de trânsito automóvel e pouquíssimo tráfego rodoviário, se opta pelo abate de seis árvores saudáveis e a construção de uma perigosa ciclovia bidirecional. Somos da opinião, devidamente fundamentada em parâmetros legais, de que neste caso específico, a pista ciclável pode e deve ser unidirecional em cada um dos sentidos e que deverá ser executada sem que isso implique o abate das árvores, que tão necessárias são para as nossas cidades e para os seus habitantes.

Não se compreende igualmente como é que em quatro momentos a pista ciclável é interrompida e o atravessamento que devia ser de velocípedes, é unicamente de peões, originando nuns verdadeiros “remendos” no meio das rotundas.

“Foi a IP – Infraestruturas de Portugal que obrigou”, dizem os técnicos e responsáveis do Município. Pois bem, se a negociação com o técnico da IP, que avalia a situação à distância, não vai ao encontro das necessidades da cidade e das boas práticas, então deverá requerer-se à IP a transferência de competências desta Avenida, ou deste troço de Avenida, para o Município, executando um plano especificamente adequado ao lugar.

Não se compreende também que, na Avenida de Gualtar, com 22m de largura e quatro vias de trânsito, não se passe a ter apenas duas vias de trânsito e se criem ali duas ciclovias unidirecionais, fazendo um percurso de 200m, para depois continuar pela Rua da Estrada Nova, tal como Previsto no PDM – Plano Diretor Municipal. Ao invés disso, o carro fica com o caminho mais direto e mais rápido, enquanto que quem for de bicicleta é obrigado a dar uma volta que implica o dobro da distância percorrida pelo carro.

Estes contributos e comentários estão vertidos num documento, que agora tornamos público, e que foi enviado às 09:54 do dia 21 de fevereiro de 2017, intitulado “Recomendações da Associação Braga Ciclável sobre o Projeto da Rede Ciclável Urbana (Fase 1: 15 km)”, e enviado, em exclusivo, para o Gabinete do Vereador da Mobilidade. Até à data não obtivemos qualquer resposta.

Continuamos assim a aguardar, ansiosamente, pela intervenção nos restantes 12 km que complementarão a intervenção, no corrente ano, da Ciclovia de Lamaçães e sua extensão a Gualtar.

 

Era inaceitável mesmo que ela tivesse passado com o vermelho

Ana Pereira @ Cenas a Pedal

Publicado em 16/07/2020 às 0:42

Temas: Causas Indústria e Consumidor Infraestruturas e urbanismo Notícias Políticas Segurança políticas públicas segurança rodoviária urbanismo

A Ana tinha 16 anos e morreu na semana passada.

Morreu atropelada numa passadeira de peões. Caminhava com uma bicicleta pela mão (a bicicleta, aqui, é pouco relevante), viu o sinal verde e avançou, confiando na infraestrutura e nas regras de trânsito e na responsabilidade dos condutores de automóvel.

O “Manuel” (vamos chamar-lhe assim, visto ninguém ter divulgado o seu nome) tem 19 anos e matou a Ana na semana passada. Conduzia um automóvel, não terá visto ou viu mas não respeitou o sinal vermelho, e atropelou a Ana, apesar da visibilidade para o passeio e para a passadeira ser perfeita. Atropelou-a a uma velocidade tal que lhe causou a morte uns dias depois. 

Três dias depois de Ana Oliveira, 16 anos, ter sido atropelada mortalmente nesta mesma passadeira por um motorista que terá passado o vermelho, nada mudou.@FMedina_PCML: o que é que a @CamaraLisboa vai fazer quanto ao constante desrespeito dos motoristas pelos semáforos? pic.twitter.com/S12N1z6ghs

— Capitão Bina (@CapitaoBina) July 13, 2020

A Ana morreu, não está cá para lamentar ter perdido a vida, ter perdido a oportunidade de viver a sua vida, de fazer as coisas que sonhava fazer. Mas estão cá os seus pais, os seus familiares, os seus amigos, que terão que continuar a viver com o choque, a dor da perda e a revolta por uma morte violenta e principalmente, perfeitamente evitável. 

Por que achamos aceitável matar um filho ou uma filha a alguém?

Por que achamos aceitável matar um pai ou uma mãe a alguém?

É que fazemo-lo anualmente, matamos cerca de 600 filhos e/ou pais de outras pessoas. E ferimos gravemente milhares de outros. E nada fazemos para impedir eficazmente isto, ano após ano.

O “Manuel” vai ter que viver sabendo que matou uma pessoa. O que vai isso fazer à sua vida? À sua saúde mental, à sua relação consigo próprio e com os outros? 

Claro que o normal é querermos linchar o “Manuel”. Ele infringiu duas regras, aparentemente. Cometeu um erro e em consequência alguém morreu.

Sim, o “Manuel” deveria ser punido exemplarmente. Mas não basta ser só ele. Têm que ser todos os “Manuéis”, e principalmente, todos os “Manuéis” que vão cometendo estas infrações sem matar nem atropelar ninguém. Antes que atropelem e matem alguém…

Mas o “Manuel” é também uma vítima deste ambiente tóxico que estimula e permite comportamentos perigosos na condução de veículos automóveis. Todos nós, quando conduzimos automóveis, caímos, uns mais, outros menos, nos mesmos erros – excesso de velocidade, manobras perigosas, distrações – simplesmente a maior parte de nós tem a sorte de não acabar matando alguém. O “Manuel” somos nós todos, só que num dia “de azar”.

Sim, temos que ter melhores leis, mas temos depois que ter melhor fiscalização (muito melhor, que somos uma anedota a este nível), e também temos que ter um melhor sistema judicial, um que não deixe prescrever as coimas, um que em julgamento não desculpabilize quem cometa infrações graves, perigosas, e crimes rodoviários.

E sim, precisamos de melhor formação ao tirar a Carta de Condução, e de ações de reciclagem e revalidação regulares ao longo da vida.

E sim, precisamos que os media e toda a gente pare de noticiar estas colisões e estes atropelamentos desta forma:

  • usando a palavra acidente, em vez de colisão ou sinistro – não são acidentes, e isto perpetua  ideia de que não temos poder para os evitar, e temos!
  • fraseando as coisas para fazer parecer que são os carros que matam, que estes já são autónomos (ex.: «Carro ‘voou’ para dentro da BP em aparatoso acidente.», «O carro despistou-se numa curva», «o carro não viu», «o carro não parou», etc, etc. Os carros ainda não têm vontade própria, são conduzidos por pessoas e são as ações destas que, tipicamente, geram colisões. Temos que parar de as desculpabilizar com as palavras.
  • focando-se exclusivamente na vítima, as imagens são do local, ou do veículo, ou do corpo da vítima (principal), reforçando novamente a sensação de impotência e de vulnerabilidade, e o medo de morrer de quem já mais morre – o foco deve ir primeiro para quem mata e quem fere, queremos disseminar o perfil do agressor, só assim podemos, a nível de políticas públicas, perceber onde e como intervir. As notícias não devem servir para disseminar junto das potenciais vítimas o medo de morrer, devem servir principalmente para disseminar junto dos potenciais agressores o medo de matar (e depois também o medo de ser efetivamente punido por fazê-lo!).
  • apontando apenas alegadas falhas de vítimas e de agressores, deixando de lado as falhas das entidades públicas no desenho do ambiente envolvente.

E sim, precisamos de deixar de permitir a publicidade a automóveis associada a comportamentos perigosos, como a velocidade ou a agressividade.

Mas o principal, aquilo que salva vidas, aquilo que previne eficazmente histórias trágicas como a da Ana e a do “Manuel”, é organizar o ambiente urbano e o ambiente rodoviário, e os próprios veículos, de forma a que erros normais, erros naturais, erros observáveis sistematicamente, não acabem com alguém morto ou gravemente ferido.

O “Manuel” cometeu vários erros de condução, e infringiu várias leis, aparentemente, e por isso a culpa da morte da Ana é dele. E podemos, naturalmente, porque somos apenas humanos, dirigir para ele todo o nosso ódio, a nossa revolta, a nossa angústia, por ter roubado a Ana aos seus, e a si própria. E nós sabemos que a Ana poderia ser qualquer um de nós, e qualquer um dos nossos. Mas fazê-lo é injusto, e inútil. Devemos dirigir a nossa raiva para ações que efetivamente levem a mudanças estruturais que previnam coisas destas de acontecer.

É que a culpa é dele também, mas não é só dele. É dos arquitectos das nossas cidades, é dos arquitectos destes ambientes em que para agir de forma prudente temos que ser mais informados que o normal, termos mais empatia do que o normal, termos maior sentido de responsabilidade do que o normal, estarmos mais despertos do que o normal, estarmos menos cansados do que o normal, estarmos mais atentos e concentrados do que o normal. Quando devia ser o contrário, devíamos circular em ambientes em que o piloto automático é prudente, e em que para fazermos asneiras temos que as fazer consciente e deliberadamente.

E se tivesse sido a Ana a passar o sinal vermelho? O “Manuel” passaria a ser visto como uma pobre vítima, para sempre traumatizada, e a Ana passaria a ser vista como infeliz merecedora da sua má sorte. Uma morte trágica, mas causada pelo seu próprio comportamento.

Esta dicotomia do culpado / não culpado é infeliz. Esta dicotomia é o que nos leva precocemente 600 pessoas todos os anos, e o que nos deixa uns milhares estropiados. Preocupamo-nos em definir quem tem a culpa em caso de colisão, em vez de garantir que essa colisão nunca chega a ocorrer, com culpa ou sem culpa seja de quem for.

Sabemos que 90 % das colisões envolvem erro humano. E sabemos que destas, 90 % envolvem velocidades altas, desadequadas. Não é óbvio que temos que desenhar o nosso ambiente urbano e o nosso ambiente rodoviário, para que, quando os erros acontecem, que acontecerão, invariavelmente, seja de quem for, tal não resulte na morte ou grave ferimento de ninguém? E que isso passa, principalmente, por condicionar física e psicologicamente a velocidade de circulação dos veículos automóveis conduzidos por esses mesmos humanos?

Se baixarmos – por desenho – a velocidade máxima de circulação dos automóveis em meio urbano (e em povoações), de 50 Km/h (teóricos, porque a maior parte dos condutores circula a mais que isso) para 30 Km/h efetivos, garantimos que haverão muito menos colisões, e que as que houver terão 9 em cada 10 pessoas a sobreviver, em vez de apenas 1 em cada 10.

Até quando vamos aceitar manter as nossas crianças e os nossos velhos tristemente reféns em espaços fechados, impedidos de estar e de circular na cidade de forma autónoma, para que nós possamos circular pela cidade a velocidades incompatíveis com a vida, só porque sim?

Quantas pessoas achamos aceitável que morram ou que fiquem estropiadas para que nós possamos exceder os 30 Km/h no meio das cidades ao volante de um objeto de 1 ou 2 toneladas? E quantas destas pessoas podem ser das “nossas”? Aceitamos que nos possam, a qualquer momento, matar um filho, para que possamos todos, coletivamente, conduzir de forma perigosa, e por motivos fúteis?

Por que é que matámos uma filha aos pais da Ana? O que é que vamos fazer para que mais nenhum pai nem nenhuma mãe perca um filho desta forma estúpida? Para que mais ninguém fique sem um irmão, ou sem um pai ou uma mãe desta forma violenta e evitável?…

Hoje, às 19h, estaremos na vigília.

Mas não confundir uma vigília destas com ação. Se queremos mudança temos que fazer lobby junto do governo, junto do parlamento, junto dos partidos, junto da ANSR, junto de n outras entidades públicas. E temos que fazer pressão também junto de entidades privadas, como as escolas de condução, os media, as empresas de transportes coletivos, as empresas de logística, etc, etc. Tornarmo-nos sócios e apoiar o trabalho de associações como a MUBi, e um pouco de #ativismodesofá, mandar mails, mandar cartas, escrever “cartas do leitor” para jornais, intervir em programas de rádio e de TV, etc. 

Temos que mudar o paradigma para ele depois nos mudar a nós.

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can´t miss [215] sicnoticias.pt/mundo

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 15/07/2020 às 14:18

Temas: can't miss it bons exemplos ciclismo ciclistas no mundo cicloturismo coisas que leio covid-19 devaneios a pedais dos malucos das biclas voadoras mobilidade motivação outras coisas pandemias partilha quarentena testemunho

Da Escócia à Grécia de bicicleta. A “ideia mais maluca” em tempo de pandemia

Querer é poder.

Kleon Papadimitriou, um jovem grego de 20 anos, estudante na Escócia, estava sem possibilidades de regressar à sua terra natal pelo sucessivo cancelamento de voos (3) de regresso a Atenas devido à pandemia de Covid-19. Vai daí, decidiu fazer-se à estrada e partiu de bicicleta a pedalar os 4.100km para chegar a casa.

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“”O confinamento faz-te pensar fora da caixa e eu acabei de ter a ideia mais maluca! O que estás a fazer no confinamento?”

Foi desta forma que Kleon Papadimitriou, um estudante grego, de 20 anos, a estudar em Aberdeen, cidade escocesa, deu a conhecer o seu “desafio do confinamento”.

Uma viagem de 4.100 quilómetros entre Aberdeen e a capital grega, Atenas, de bicicleta.

O impacto e a propagação da pandemia da Covid-19 pelo continente Europeu, sendo o Reino Unido uma das regiões mais afetadas, o que obrigou ao encerramento de fronteiras e ao cancelamento de milhares de voos, impediu Kleon de passar o período de confinamento junto da sua família.

[…]

Kleon admite que ainda não tem noção do que conseguiu alcançar, mas reconhece que este precurso fê-lo crescer pessoalmente e espera inspirar outras pessoas a saírem “da sua zona de conforto”.”

Podes ler esta notícia/aventura em: https://sicnoticias.pt/mundo/2020-07-15-Da-Escocia-a-Grecia-de-bicicleta.-A-ideia-mais-maluca-em-tempo-de-pandemia

A entrevista de Kleon à CNN aqui: https://edition.cnn.com/travel/article/greek-college-student-bikes-home-48-days-trnd/index.html

 

Manifestação Nacional – Basta de Atropelamentos

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 15/07/2020 às 10:43

Temas: #BragaZeroAtropelamentos Eventos ANSR Braga braga ciclável BragaZeroAtropelamentos manifestacao nacional Mobilidade Sinistralidade zeroatropelamentos


Em consequência de mais uma morte de uma jovem vítima de atropelamento, a FPCUB – Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta convida a uma manifestação pacífica a nível nacional amanhã, dia 16 de julho de 2020, às 19:00, para que se pense qual o caminho a seguir, para que se escolha um futuro mais promissor, onde as pessoas possam usufruir do espaço público sem medo, e onde as crianças possam brincar na rua com mais segurança.
A presença de todos é fundamental para mostrar que a sociedade civil está atenta e preocupada com este flagelo, mostrando que se pretende respostas e soluções que salvem vidas e evitem vítimas nas ruas e avenidas das nossas cidades.

Juntos podemos fazer diferença e vamos mudar consciências!!

Em Braga a associação Braga Ciclável apoiam esta iniciativa convidando a comunidade para que marque presença.

Apelamos para que se desloquem de bicicleta ou a pé, que mantenham as devidas distâncias físicas e uso de máscara.

Aveiro: A aguardar confirmação
Braga: Praça da República, junto ao Chafariz da Av. Central
Évora: Praça do Giraldo
Faro: A aguardar confirmação
Guarda: Jardim dos Castelos Velhos
Lisboa: Campo Grande junto à Biblioteca Nacional
Mértola: Largo Vasco da Gama
Porto: junto à Casa da Música
Santarém: Largo do Seminário

 

Um outro tipo de contágio

Sara da Costa @ Braga Ciclável

Publicado em 10/07/2020 às 23:01

Temas: Opinião amor andar de bicicleta Bicicleta Braga braga ciclável contagiada Contágio Segurança


Comecei a andar de bicicleta porque me deixei contagiar por alguém que acorda a pensar em bicicletas, desde os seus parafusos às suas rodas. Não consegui ficar indiferente a esse fascinante interesse. Gostei do sabor que essa vontade me deixou e não parei de pensar em arranjar uma coisa dessas para me deixar levar.

Foi então que senti os primeiros sintomas: adquirir uma bicicleta à minha medida e que permitisse chegar onde precisava sem perder o ar nos cabelos; querer arranjar uma maneira de levar tudo o que me fazia falta; olhar para todas as bicicletas que passassem por mim e começar a achar que tudo é demasiado longe para ir a pé e demasiado perto para precisar de outro transporte e, por fim, sentir e valorizar o sabor de uma outra liberdade.

Quem tem reparado e observado o movimento da cidade e das pessoas nota claramente que há mais gente a andar de bicicleta. Gosto de olhar para elas e pensar de onde vêm, para onde vão e como foram contagiadas por esta vontade. Com certeza ouviria muitas belas histórias, porque quem anda de bicicleta, geralmente, tem sempre uma história para contar. Se calhar ouvir essas histórias seria importante para perceber o que motiva as pessoas a andarem de bicicleta, em cidades como Braga, sem as mínimas condições para a utilização deste meio.

Que pessoas são estas que arriscam, mas que não desistem e seguem caminho nas suas bicicletas? Somos nós, são outros tantos e, na verdade, pode ser qualquer um.

O melhor incentivo e, provavelmente o mais eficaz, é contagiar com a nossa vontade em andar de bicicleta e revelar o quão simples e prático essa mudança pode ser. Assim, quanto mais pessoas utilizarem a bicicleta nas suas deslocações mais evidente e imperativo será a necessidade de agir em prol da segurança de todos nas estradas.
Trata-se de um contágio que só traz saúde.

 

fotocycle [249] obrigado Vhils

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 3/07/2020 às 7:53

Temas: fotocycle motivação 1 carro a menos arte urbana bicicleta bike to home bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cidades fotografia Hospital São João mobilidade outras coisas Porto Sua Alteza Vhils

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“o nosso dia-a-dia é isto, tentarmos dar o nosso melhor para que as pessoas fiquem bem”

 
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