Nova rede ciclável de Lisboa

@ Menos Um Carro | 23/09/2016 às 15:19

Temas: [ mobilidade sustentável ] [ bicicleta ] [ ciclovias ] [ bicicultura ] [ lisboa ]

rede ciclável Lx.jpeg

 (fonte)

Esta semana estive presente na apresentação da rede ciclável de Lisboa. Resumiria as novidades em três pontos. O desenho está bem pensado numa lógica de rede; o foco já não é o ciclista de domingo, que quer ir de um jardim ao outro, mas sim quem quer fazer as primeiras deslocações em bicicleta; insiste-se em demasiados erros do passado.

Primeiro de tudo é preciso perceber o que é se quer dizer com "mais 150km de ciclovia". Quem conhece a Av. Brasil sabe que a ciclovia é descontínua numa dúzia de troços. Ou seja há uns metros, acaba, e reaparece do lado de lá de uma paragem de autocarro, de um cruzamento grande, etc. mas isso é contabilizado como se fosse contínuo... e assim continua a ser (ver abaixo). O próprio conceito de "ciclovia" não é o que muitos pensarão: as laterais da Avenida da Liberdade, onde há apenas uns sinais com uma bicicleta e um automóvel a dizer "via partilhada" (o que levanta a dúvida: quais são as vias não-partilhadas então?) são na realidade ciclovias de acordo com a CML.

Posto isto, parece-me que a rede está bem pensada, com um desenho reticular que atenta aos declives da cidade, tentado cobrir uma grande área da cidade. A prioridade deixou de ser a ligação entre o parques e jardins, ligando agora várias zonas residenciais, comerciais e de trabalho da cidade. Veja-se a importância do eixo central, tal como acontece com a rede viária "normal".

Há inúmeros erros que continuam contudo, do pouco que já se pode ver. Na Av Fontes Pereira de Melo podemos ver que a ciclovia será ao nível do passeio e colado a ele, convidando os peões a caminhar nela (como acontece na Dq de Ávila por exemplo). Também aí percebemos que a ciclovia é tão estreita que impede a ultrapassagem de bicicletas; se um ciclista se tem de desviar de um peão, cai perigosamente (há um desnível) para a via onde circular os taxis e autocarros. Ainda aí, existem ângulos rectos numa ciclovia estreitíssima; em Lisboa os raios de curvatura para automóvel são tão grandes que se pode circular a 80km/h sem problema, mas os ciclistas são intencionalmente forçados a travar até aos 5km/h se não querem sair da via.

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Em Entrecampos vemos que a ciclovia é tudo menos contínua. Sendo que começa do lado esquerdo (!!) da via e sem rampa de subida, o único modo de lá chegar é fazer a travessia de peões a pé, e voltar a montar a bicicleta. A ligação com a ciclovia a norte da praça, é feita atravessando 4 passagens de peões descordenadas entre si (sendo que o carro no mesmo percurso espera apenas uma vez). Sabe-se ainda que esta ciclovia é bidireccional, ou seja quem quer chegar a Entrecampos em vez de ir do lado nascente da avenida (como o resto dos veículos), tem de ir parar ao lado poente (sabe-se lá como) e quando chega a entrecampos, volta para o lado nascente. Por ir no centro da avenida, a ciclovia cruza os automóveis a certa altura através de um semáforo. Não é difícil imaginar o tempo extra que se terá de esperar, em comparação com quem circule pelo alcatrão.

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E nem esta nova ciclovia é contínua, sendo uns troços desconexos, interrompidos por locais de forte concentração de peões (que terão todo o direito a estar ali parado à espera do autocarro). Para lá de ser um convite à ilegalidade (que o ciclista circule fora das zonas verdes), é gerenciador de vários conflitos.

Daí a conclusão de ser uma rede pensada para quem experimenta a bicicleta, e não se incomoda com a dezena de problemas que mencionei, por valorizar mais o sentimento de segurança. Quem decidir optar pela bicicleta como meio de transporte, rapidamente perceberá que em média circulará a metade da velocidade que faria no alcatrão. Que já usa a bicicleta, não aceitará todos estes inconvenientes, quando tem uma alternativa contínua, sem reviravoltas e travessias de peões, que é o alcatrão. E isto é grave. Os automobilistas não perceberão porque é que os ciclistas não usarão os recursos que foram criados.

E nada disto teria de ser assim, basta pensar no desenho das ciclovias na Holanda ou Dinamarca. Elas tanto se adequam ao turista que vai usar a bicicleta pela primeira vez, como ao ciclista habitual que faz velocidades mais elevadas. Bastaria vontade política.


Nota habitual: não sendo um blogue pró-bicicletas, mas sim pró-cidades mais humanas, a promoção activa da bicicleta não é a primeira das nossas prioridades (como é a melhoria dos transportes públicos, planeamento a pensar nas pessoas e não nos automóveis, redução do estacionamento à superfície e das velocidades, etc). E existem coisas bem mais simples que parecem ter um impacto igualmente favorável para a bicicleta: limitar a velocidade a 50km/h nas principais vias da cidade, 30km/h nas secundárias e piso decente.

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Respeito mútuo e "posição primária" (circular ao centro)

@ Eu e as minhas bicicletas | 15/09/2016 às 17:31

Temas: [ bicicultura ]

A propósito de uma troca de mails na lista da "bicicletada" em que o Pedro refere a experiência e percepção que tem do respeito na estrada por parte dos veículos motorizados que lhe parece que têm tido cada vez mais atenção para com os velocípedes, e diz:

«Isto só para lembrar aqueles que dizem que "os condutores não respeitam nada" que os que não respeitam são uma percentagem pequena... Mas basta um para fazer estrago...»

Querendo transmitir que sente que há mais condutores que respeitam do que os que não respeitam.

Já em tempos também troquei argumentos em que a minha percepção no meu percurso atual é que há muitos que me respeitam como veículo de pleno direito mas são ainda mais os que não respeitam.

E continuo a ter mais condutores que não respeitam que aqueles que respeitam, mas hoje admito que tive ali um bocadinho em que me surpreendeu a postura de alguns condutores que me fizeram sentir que as coisas podem mudar!



Mas como diz o Pedro:
«Mas basta um para fazer estrago...»
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Bike Paper – venha conhecer o comércio de Braga a pedalar!

@ Braga Ciclável | 14/09/2016 às 22:55

Temas: [ Eventos ] [ Associação Comercial de Braga ] [ Bici-Paper ] [ bicicultura ] [ bike-paper ] [ Comércio ] [ Semana Europeia da Mobilidade ]

A Associação Comercial de Braga, em parceria com a Câmara Municipal de Braga e a Braga Ciclável, promove esta 6ª feira, dia 16 de setembro, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, um Bike Paper que promete integrar conhecimento e gastronomia, e oferecer inúmeros prémios.

No dia 16, o ponto de encontro é na Arcada, pelas 16h45. Do percurso, com uma duração de aproximadamente 90 minutos, constarão alguns pontos de paragem em espaços comerciais que irão brindar os nossos participantes com iguarias da casa. No final, a equipa que completar a prova em menos tempo e com o maior número de respostas certas será premiada.

A participação é feita por equipas, que devem ser constituídas por dois ou mais elementos. As inscrições devem ser realizadas até esta 5ª feira, dia 15 de setembro, seguindo as instruções disponíveis no site da ACB.

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Elétricas estão de moda?

@ Eu e as minhas bicicletas | 12/09/2016 às 13:29

Temas: [ bicicultura ] [ elétricas ] [ romana ] [ subida ]

Hoje ao vir a caminho do trabalho na mega subida que faço estava uma equipa de jardineiros a tratar das palmeiras quando ficam todos a apreciar a Romana a galgar por ali acima ao ponto de um deles exclamar para os outros:
"Olha, isto é que é força..." - pensando que era tudo força de pernas aqui do menino.


Ao chegar aos novos parqueamentos lá no trabalho...

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...reparei num post-it com algo escrito no local onde costumo deixar a minha Romana.

Era de um colega que o tinha deixado na sexta anterior mas que eu não tinha visto, e queria saber mais disto das bikes elétricas pois mora aqui perto mas as subidas desmotivam o vir de bicicleta "normal".

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Já tivémos a trocar informação, pode ser que o estacionamento comece a ser parco para as bicicletas :)

Entretanto um dos mails que recebi de manhã cedo no mail pessoal, que consulto via telemóvel, era de uma pessoa a inquirir a lista de distribuição da "bicicletada" (Massa Crítica) sobre bicicletas elétricas...

Parece que isto dos velocípedes com assistência elétrica está de moda...

É o futuro!!
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Somos poucos, mas somos bons!

@ Eu e as minhas bicicletas | 12/09/2016 às 9:57

Temas: [ bicicultura ]

Há coisa de um ano e picos fui com a família (a babe e a mini-me) jantar ali para os lados de Oeiras, e à volta para casa à pendura no carro vislumbrei um ciclista urbano já depois do lusco-fusco com uma ténue luz traseira na sua bicla e alertei para ela ter cuidado e dar espaço.
Naqueles dois segundos em que passámos pareceu-me reconhecer a face do cavalheiro que seguia em duas rodas e disse:
- Acho que era o RF. Não o conheço pessoalmente mas já vi fotos em sites, e fóruns e no facebook e acho que era ele.
- Yá, deve ser mesmo - respondeu a babe.
Passado uns tempos meti conversa com ele num dos muitos fóruns de bicicleta e ele confirmou que nesse dia tinha passado ali por aquela hora.
Quando disse à mais-que-tudo que era o tal moço naquele dia, respondeu-me:
- Bolas, vocês (os que se deslocam de bina) são tão poucos que se conseguem reconhecer facilmente.

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(interior de uma loja lá em Tróia)

Há uns meses alterei o meu trajeto de commute diário pois mudei de local de trabalho, e ao passo que antes me cruzava amiúde com vários outros cavaleiros do pedal agora só me cruzo com um muito de vez em quando. A cara não me era estranha e apesar de nos cumprimentarmos sempre um ao outro não estava a situar a pessoa. Há dia no facebook ele meteu conversa comigo dizendo quem era e que antes nos cruzávamos na ciclovia da radial de Benfica, era o VR.
Ora lá está, a cara não me era estranha mas a bicicleta era outra e por isso não situei a pessoa.
Quando contei à minha cara-metade ela respondeu-me:
- Bolas, vocês (os que se deslocam de bina) são tão poucos que se conseguem reconhecer facilmente.

Este verão fomos passar uns dias a Tróia, adooorooo.
E lá há cada vez mais bicicletas pois é realmente um meio muito simples de usar ali naquela zona. Um dia resolvemos ir jantar à Comporta, de carro, já depois dos banhos tomados após horas de praia e piscina.
Já naquelas grandes retas de alcatrão com o estuário do Sado de um lado e a terceira maior extensão de praia do mundo do outro vejo no lusco-fusco um homem de cabelo rebelde, barba de dias e em tronco nu de bicicleta vagarosamente em sentido contrário.
Ao nos cruzarmos fixamos o olhar e naquelas não mais de 3 segundos pareceu-me reconhecer o rosto.
- Viste aquele tipo de bicicleta? - perguntei à babe que divaga a ver o horizonte.
- Qual deles? Vi imensas pessoas de bicicleta hoje.
- Este que passámos agora?
- Não, nem reparei.
- Acho que o conheço... quer dizer, não pessoalmente, mas de uns fóruns sobre bicicletas e tal na net, penso que seja o RI,
- Deve ser deve.
Assim que aparquei o carro mandei-lhe uma mensagem por facebook, pois pertence a alguns grupos que acompanho.
No dia seguinte respondeu-me que sim, que estava em Setúbal a pernoitar e que naquele momento que nos cruzámos estava de regresso ao ferry da Comporta depois de andar a passear pela costa.
Disse à babe, ela respondeu-me:
- Bolas, vocês (os que se deslocam de bina) são tão poucos que se conseguem reconhecer facilmente.

Somos poucos mas bons!! E um dia seremos muitos mais...

Adenda:
Ontem fomos aproveitar o final de tarde e fomos lanchar a uma esplanada em Algés. Fomos de carro com a babe a conduzir, e quando iamos para lá vimos um pai de bicicleta e uma filha na cadeirinha e este post aqui do blog veio à baila.
À volta numa das rotundas de Miraflores há um senhor já idoso que aparece à nossa direita a entrar na rotunda e eu:
- Olha, conhecço este senhor. Ele foi à Mega Massa e à vinda fizémos estes ultimos dois kms na conversa, pois ele tb tem uma bicicleta eléctrica.
- Poiiis - diz a mais que tudo - e este tb conheces?
Diz ela a mofar-me quando aparece um outro ciclista todo licrado numa BTT.
- Não! Obviamente não os conheço todos...
E na subida de Miraflores para Carnaxide pelo viaduto surge um ciclista na via da direita que lhe digo para tomar atenção:
- Olha, olha, mas conheço este... aha!! Uma vez ia eu para o trabalho de manhã com a fininha e ele estava ali à espera de uns amigos para irem treinar. Quando parei e ele me viu tb todo desportivo e com uma fininha desafio-me a ir para a marginal treinar e eu disse que infelizmente ia trabalhar... ele fácil de distinguir este pois anda sempre com um lenço na cabeça por baixo do capacete.
- Pois, lá está, é o tema do teu blog outra vez!
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Orçamento Participativo 2017 – Via Ciclável na Avenida 31 de Janeiro

@ Braga Ciclável | 11/09/2016 às 9:19

Temas: [ Notícias ] [ Avenida 31 de Janeiro ] [ bicicultura ] [ ciclovia ] [ Ciclovias ] [ Orçamento Participativo ] [ Transportes públicos ] [ Via Pedonal Ciclável ]

Na sequência da recolha e avaliação de 103 propostas apresentadas pelos cidadãos para o Orçamento Participativo de 2017, foram aprovados 67 projetos para a 1ª fase de votação, que já se encontra a decorrer até ao próximo dia 19 de setembro. A votação é feita através do site do Orçamento Participativo de Braga e podem votar todos os cidadãos com idade igual ou superior a 16 anos, que residam, trabalhem ou estudem no concelho de Braga. Este ano, na 1ª fase de votação, cada votante deve selecionar um projeto por categoria, perfazendo assim um total de 6 votos por pessoa.

Das propostas apresentadas na área da mobilidade, destacamos uma que está diretamente relacionada com a causa que defendemos neste espaço: a promoção do uso da bicicleta e transportes públicos, e o aumento da segurança para peões e ciclistas:

OP17/PROJ016 – Via para ciclistas na Av. 31 de Janeiro

avenida-31-de-janeiro

A cidade de Braga apresenta-se como muito adequada para promover a bicicleta como modo de transporte, mas, para tal acontecer, é necessário criar condições de segurança para todas as pessoas que queiram usar a bicicleta. As questões de segurança são especialmente sensíveis para que as pessoas possam circular de bicicleta na cidade com todo o conforto e segurança. A resolução dos pontos críticos, como cruzamentos e rotundas, é também fundamental para a promoção do uso da bicicleta como meio de transporte.

As avenidas 31 de janeiro e Porfírio da Silva constituem um eixo estrutural da cidade com ligações a diversos equipamentos (centros de saúde, ciclovia do rio Este, escolas, tribunal, centro da cidade, Segurança Social, mercados, talhos, entre outros). Este projeto sugere a criação de pistas cicláveis nesse eixo (com pavimentação e criação de via adequada) e nas ligações dessas avenidas às escolas instaladas na zona (Alberto Sampaio, Carandá, Companhia da Música, André Soares, D.ª Maria II, São Lázaro, Carlos Amarante, São Vítor, Calouste Gulbenkian) na faixa de rodagem, sem prejuízo do espaço do peão. Sugere-se ainda a introdução duma via BUS na Av. 31 de janeiro, permitindo assim a circulação de diversos modos de transporte (peão, bicicleta, autocarro e automóvel) em espaço próprio, acomodando todos.

Trata-se de uma proposta que vai de encontro ao que a Associação Braga Ciclável vem defendendo desde sempre e que estamos certos de que traria importantes mais-valias para a cidade. Incentivamos por isso os nossos amigos e associados a votarem neste projeto e a contribuírem também para a sua divulgação junto dos vossos amigos e conhecidos, para que também possam participar.

A este propósito, vale a pena ainda recordar que no ano passado, no Orçamento Participativo de 2016, este mesmo projeto foi o mais votado na área da Mobilidade.

Esta 1ª fase de votação decorre até ao dia 19 de setembro. Posteriormente, de 20 a 30 de setembro, haverá a 2ª fase de votação, em que cada cidadão deverá escolher dois projetos de entre os trinta que tiverem sido apurados nesta primeira fase.

No dia 9 de outubro são dados a conhecer os projetos mais votados.

Participe! Vote aqui!

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Reportagem no Público destaca o perigo da velocidade excessiva em Braga

@ Braga Ciclável | 10/09/2016 às 17:31

Temas: [ Notícias ] [ Aveiro ] [ Barcelona ] [ bicicultura ] [ Braga ] [ José Carlos Mota ] [ Mário Meireles ] [ Miguel Bandeira ] [ Pontevedra ] [ Público ] [ Radares ] [ Samuel Silva ] [ velocidades excessivas ]

O jornal Público, na edição do passado dia 8 de setembro, publicou, a propósito do recente atropelamento de um grupo de ciclistas na cidade de Braga, uma interessante reportagem sobre o excesso de velocidade nesta cidade e do perigo que esse excesso representa, sobretudo para quem circula de bicicleta.

Na reportagem, que pode ser lida na íntegra na edição digital do jornal, o jornal relembra o recente atropelamento, que aconteceu numa via urbana cuja velocidade máxima está atualmente fixada entre os 50 e os 70 km/h, mas onde é habitual haver carros a circular a velocidades superiores a esses limites legais. O Público escutou a opinião de Mário Meireles, presidente da Associação Braga Ciclável, que resumiu a principal origem do problema, denunciando que as velocidades reais estão muito acima desses valores. Opinião que foi corroborada pelo vereador do Urbanismo da Câmara de Braga, Miguel Bandeira, que confirmou que nessas avenidas “são atingidas velocidades verdadeiramente escandalosas”.

A propósito deste assunto, o jornal Público ouviu ainda a análise de José Carlos Mota, professor da Universidade de Aveiro e um dos autores do Compromisso pela Bicicleta. Segundo aquele especialista, as cidades como Braga, nas últimas décadas têm sido “construídas para facilitar a vida ao automóvel, privilegiando sempre o aumento da carga e da velocidade”. É precisamente o que sucede em Braga, em que existe um conjunto de avenidas desenhadas e construídas de um modo que, apesar de se encontrarem em zonas de cariz marcadamente residencial, incentiva os condutores a velocidades elevadas, em vez de promover a necessária acalmia de tráfego.

O Público alerta ainda que “o acidente de 21 de Agosto não foi o primeiro envolvendo automóveis e ciclistas que terminou com vítimas mortais”. Nos últimos 17 anos, há registo de 19 ciclistas feridos gravemente e duas mortes na sequência de atropelamento. Adicionalmente, como já temos vindo a alertar, há um grande número de peões que todos os anos são vítima de atropelamento por parte de veículos automóveis. Nos mesmos 17 anos, “houve 49 mortes por atropelamento de peões em Braga e 2026 acidentes envolvendo automóveis e pessoas que circulavam a pé”.

Por esses motivos, urge encontrar soluções, que, seguindo os exemplos das melhores práticas já testadas em diversos países europeus, a Braga Ciclável defende que terão de passar em primeiro lugar por medidas efectivas de acalmia de tráfego. Nas palavras de Mário Meireles, “há sempre outras questões, mas o fundamental é sempre a velocidade”. E explica: “em todos os exemplos europeus de uso da bicicleta, a primeira medida é sempre a acalmia da velocidade”. Como exemplo, aponta a cidade de Pontevedra, na Galiza, que nos últimos anos limitou a velocidade máxima de circulação a 30km/h. E o especialista José Carlos Mota dá outro exemplo bem conhecido, de uma cidade bem maior, Barcelona, onde existem “várias vias estruturantes com velocidade máxima limitada a 30km/hora. Se numa cidade daquela dimensão é possível, nas cidades portuguesas também, desde que haja vontade política”.

Há dois anos, relembra o Público, a autarquia tinha prometido criar uma rede ciclável com 76 quilómetros e pôr ciclovias à porta de casa de cem mil pessoas. O projeto continua na gaveta, no entanto, segundo o vereador Miguel Bandeira, devido a atrasos na execução de fundos comunitários. Miguel Bandeira afirma que a autarquia está já a trabalhar em duas medidas de acalmia de tráfego. Assim, nos próximos meses, deverão ser colocados semáforos no atravessamento da Avenida Júlio Fragata, possibilitando também um atravessamento mais eficaz entre a zona da Universidade do Minho e o centro da cidade. Outra medida, já em execução, é a instalação de quatro radares de velocidade, nas avenidas Frei Bartolomeu dos Mártires e Carrilho da Silva Pinto (junto à universidade).

A Braga Ciclável saúda o jornal Público por abordar este tema importantíssimo para a cidade de Braga. São também muito bem-vindas também as iniciativas anunciadas com vista à redução da velocidade dentro da nossa malha urbana. Consideramos, contudo, que são necessárias ainda mais medidas efetivas de acalmia de trânsito e melhoria de acessibilidades para peões, ciclistas e transportes públicos, as quais devem ser devidamente articuladas numa estratégia global de mobilidade sustentável.

Reportagem no jornal Público sobre o excesso e velocidade e atropelamentos a ciclistas em Braga

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ode às pedaladas com sentimento

@ na bicicleta | 30/08/2016 às 9:35

Temas: [ motivação ] [ outras coisas ] [ bicicultura ] [ testemunho ] [ ciclistas no mundo ] [ partilha ] [ coisas que leio ] [ cicloturismo ] [ coisas que vejo ] [ randonneur ]

“As montanhas escondem lugares

Locais que nos deslumbram, que nos deixam sem palavras.

Mas também sítios vulgares que, a dado momento,

por um qualquer motivo se tornam especiais, criam memórias,

encantam-nos, deixam saudades, tocam-nos.

Tornam-se inesquecíveis…

“Drave: uma montanha do tamanho do homem”
“O meu nome é André Carvalho e gosto de pedalar por estradas desertas e fascinantes.”

“O meu nome é André Carvalho e gosto de pedalar por estradas desertas e fascinantes.”

Assim se apresenta o nosso amigo André, exímio feitor de histórias a pedal, sedutoras jornadas de bicicleta por montes e vales, deslumbrantes cenários por “estradas desertas e fascinantes”. O mote para a sua recente crónica não é dos mais coloridos. A “sua” Serra da Freita está com um aspecto negro, oprimido e desolador, deixado pelo fogo que a consumiu neste verão. Convido-vos a visitar o seu novo espaço e deixarem-se levar pela Vélo Duchene, nas suas cativantes crónicas e mágicas fotografias.

FREITA DE NEGRO

“Para que se veja. Para que se conheça. Para que jamais mais se repita.”
in https://andrecarvalho.exposure.co/freita-de-negro


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o regresso às aulas

@ na bicicleta | 26/08/2016 às 11:30

Temas: [ divulgação ] [ motivação ] [ 1 carro a menos ] [ outras coisas ] [ bicicultura ] [ noticia ] [ partilha ] [ coisas que leio ] [ cidades ] [ Aveiro ] [ Almeirim ] [ ciclismo urbano ] [ Leiria ] [ escola ]

Câmara de Almeirim quer crianças a andar de bicicleta

Almeirim“A Câmara de Almeirim começou esta semana a vender bicicletas a custo reduzido destinadas a crianças do concelho, num incentivo à aprendizagem e a uma mobilidade amiga do ambiente, disse hoje à Lusa o presidente do município.

Pedro Ribeiro explicou que, no âmbito de uma política iniciada há uma década pelo município com o projecto Almeirim on bike, o executivo decidiu alargar o programa de venda de bicicletas a custo reduzido aos mais pequenos, “porque é de pequeno que se aprende” e só com o uso frequente e alargado deste meio de transporte será possível cumprir as directivas europeias relativas à mobilidade e à redução do dióxido de carbono. “Verificámos que cada vez há mais miúdos que não sabem andar de bicicleta. Este programa é um incentivo a que aprendam”, afirmou.”…

Lê a notícia completa em: www.publico.pt/local

Uma bicicleta para usares na universidade

Universidade de Aveiro“E se houvesse uma prenda para te acolher na universidade? Falamos concretamente de uma bicicleta para te deslocares pelo campus!

O projeto U-Bike Portugal vai atribuir bicicletas às comunidades académicas de 15 instituições de Ensino Superior. De todas as candidaturas submetidas pelas universidades e institutos politécnicos, este foi o número de instituições aprovadas, o que significa que nestes campus, haverá bicicletas para quem quiser usar.

A Universidade de Aveiro (UA), por exemplo, vai comprar 142 bicicletas convencionais e 97 elétricas para distribuir pelo campus e pelos pólos associados. Toda a comunidade académica da instituição poderá usá-las em regime de aluguer de longa duração, e elas devem começar a estar disponíveis no final deste ano, início de 2017.

De resto, também as Universidades de Évora, da Beira Interior, de Trás-os-Montes e Alto Douro, do Porto e do Minho, a Universidade Nova de Lisboa, o ISCTE, o Instituto Superior Técnico, e ainda os Institutos Politécnicos de Leiria, de Beja, de Viana do Castelo, de Bragança, do Cávado e do Ave e do Porto obtiveram aprovação do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos.

Ao todo, vão passar a existir 3234 bicicletas – 2096 elétricas e 1138 convencionais – em instituições de Ensino Superior, e o objetivo é claro: alterar os comportamentos de mobilidade, apostar na sustentabilidade nas deslocações nos campus universitários.”

(fonte: www.maiseducativa.com)

Instituto Politécnico investe 660 mil euros em bicicletas para alunos e colaboradores

escola quer alunos e funcionarios a andar de bicicleta“O Instituto Politécnico de Leiria vai investir cerca de 660 mil euros na aquisição de 220 bicicletas para fomentar uma mobilidade sustentável e suave. Os veículos eléctricos serão distribuídos por alunos e colaboradores por um período de 6 ou 12 meses, conforme o seu compromisso de utilização. Uma das intenções é fazer com que a comunidade educativa percorra o percurso escola – casa, e vice-versa, de bicicleta. A iniciativa abrange as várias escolas e centros de investigação da instituição, localizadas nos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Caldas da Rainha e Peniche.

De acordo com uma informação difundida pelo próprio Instituto Politécnico de Leiria, o projecto, designado por “U-Bike Portugal”, resulta de uma candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos ( PO SEUR), em parceria com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, o que permitiu obter um financiamento de fundos comunitários na ordem dos 85 por cento. A instituição, presidida por Nuno Mangas, refere, igualmente, que aquela iniciativa enquadra-se na estratégia que tem sido desenvolvida junto das populações dos concelhos da sua abrangência, para promover uma “cultura de mobilidade mais sustentável”, tanto para os cidadãos, como para o #Ambiente. Daí que a utilização da bicicleta por parte dos alunos e dos colaboradores permitirá demonstrar a importância do seu uso nas respectivas comunidades. Por outro lado, pretende reduzir o uso de veículos automóveis e o seu estacionamento nos respectivos campi escolares.”…

Lê notícia completa em: pt.blastingnews.com/leiria


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reciclando [20] insegurança rodoviária

@ na bicicleta | 25/08/2016 às 14:57

Temas: [ 1 carro a menos ] [ bicicultura ] [ coisas que leio ] [ insegurança rodoviária ] [ legislação ] [ mobilidade ] [ noticia ] [ opinião ] [ outras coisas ] [ penso eu de que... ]

Não é só por ser pai de filho ciclista que bato na mesma tecla. É como cidadão, que diariamente se move a pedais, que não pode ficar indiferente à contínua onda de atropelamentos de pessoas que circulam de bicicleta na estrada. Todas as mortes que têm acontecido nas estradas, desafortunadamente são demasiadas, deixam-me triste e apreensivo.

Embora as regras de trânsito tenham sido (pouco) reformuladas na protecção dos utilizadores vulneráveis da estrada, é um pressuposto falso se repetir que o automobilista deve ter a supremacia na via pública porque o veículo que conduz é mais rápido. Não é o tipo de veículo que regula a ordem nas estradas. As leis de trânsito deverão ser ponderadas para controlar um determinado tipo de veículo, para criar ordem e cooperação entre os diferentes utilizadores da estrada. A maioria dos acidentes rodoviários é causada pelo desrespeito constante das regras de trânsito, negligência e desatenção dos automobilistas. Independentemente do tipo de veículo, o desrespeito individual nas estradas tem correspondência na maior probabilidade de ocorrerem acidentes, o que responsabiliza também todos os que partilham as estradas, como os peões e os ciclistas.

Com o aumento das bicicletas nas estradas, temos de intensificar a discussão, no bom sentido, de como as leis de trânsito deverão ser cumpridas. Mas a quantidade de bicicletas a circular nas estradas não é a questão. A questão essencial do problema é como educar os automobilistas. Os números assombrosos dos acidentes rodoviários, atropelamentos e das vítimas mortais resultantes são assustadores. A revisão de algumas das regras da estrada (CE de Janeiro de 2014) visou proteger os utentes mais vulneráveis. O CE deu mais direitos aos ciclistas mas veio também responsabilizar mais o utilizador da bicicleta, na sua conduta e no respeito das regras. Ao estabelecer a regulamentação do cumprimento do 1,5m de espaço nas ultrapassagens aos ciclistas, por exemplo. No entanto continua a exigir aos automobilistas que cumpram os limites de velocidade, e que estejam atentos e cuidadosos na partilha da estrada com os restantes utilizadores da via., sobre quem deveria ter afinal a prioridade na mobilidade. O meio de transporte limpo, não poluente e seguro, que se sobreponha à continua prevalência da cultura do automóvel. Precisamos de bicicletas por todas as razões e pelo valor que elas trazem. Promover e incentivar a bicicleta como modo de transporte. Planear a cidade ao transporte suave.

Como ciclista, um dos meus objetivos ao pedalar é também demonstrar que a bicicleta é um dos modos mais eficazes e alternativos aos veículos a motor. Utilizar este meio fantástico de divulgação para promover a segurança e a cooperação entre os carros e as bicicletas. Devemos ter a noção de que a cooperação é necessária, e eu acredito que é possível. A partilha, segura e eficaz da estrada é muito mais provável de acontecer quando ambos seguem as mesmas regras da estrada. Não é suposto tentarem nos convencer serem os ciclistas o foco do perigo. Ouço e leio comentários que alguns dos ciclistas têm comportamentos incumpridores das regras. O que acontece muitas vezes é que esses ciclistas estão apenas a tentar salvar o coiro. Todos somos testemunhas diárias que alguns automobilistas são impacientes, agressivos e com pouca consideração para qualquer tipo que vá à sua frente e o abrande, o aborreça! Alguns, tendenciosos contra os ciclistas, são encorajados a acreditar que as bicicletas pertencem a uma terceira categoria nas ruas. Gabam-se com um sinistro orgulho que desrespeitam deliberadamente as regras e incentivam um comportamento irresponsável, infringindo a lei. Para eles as bicicletas são intrusas e não deveriam estar ali, a partilhar a rua. Se houvesse mais respeito, ao peão, ao ciclista e ao Código de Estrada, estou convencido que não haveriam estes acidentes.

Por mais que alguns de nós gostariam de definir as bicicletas como diferentes, com o direito a consideração especial, devemos focar a nossa intenção em que todos temos de partilhar o mesmo caminho. Devemos nos esforçar em ter um sistema unificado de utilização em estrada. Caso contrário, teremos tristezas onde habitualmente desfrutamos de alegria. Para efectuar a mudança, os ciclistas devem estar mais atentos, mais responsáveis e mais exigentes. Esta pode ser a única maneira de modificar a forma como nos vêm.


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