porque pedalo?

paulofski @ na bicicleta | 29/07/2014 às 7:00

Temas: [ 1 carro a menos ] [ bicicultura ] [ ciclismo urbano ] [ coisas que leio ] [ fotografia ] [ mobilidade ] [ motivação ] [ partilha ] [ penso eu de que... ] [ segurança rodoviária ]

fisheye
O que motiva o ser humano a fazer certas coisas não poderá ser enumerado ou psicologicamente quantificado… pelo menos no rigoroso sentido crítico que abarque todas as motivações. Todo mundo é diferente e por isso abomino os estereótipos. São os ciclistas urbanos indisciplinados? Eu sou um ciclista. Eu gosto de bicicletas e ainda não tenho uma ideia firme do porquê. Talvez esteja no meu sangue, uma espécie de herança. Parece que já nasci assim, com uma vontade incontrolável de sair na estrada e experimentar a aragem amena de um dia quente. Talvez seja por teimosia enfrentar a chuva e seguir de bicicleta para o trabalho. Talvez seja uma predisposição genética apreciar o gosto do suor. Talvez tenha uma compulsão psicológica para me fazer transportar e evitar gastar dinheiro em gasolina. Talvez seja maluco! Quem sabe? Tudo o que posso dizer é que não dependo do carro para chegar aonde quero ir.  Também gosto de conduzir em estrada livre, acelerar a fundo, curvar e derrapar mas, em consciência isso torna-me um egoísta. Conduzir na cidade torna-me tenso e stressado. Parado no trânsito sinto a necessidade de murmurar coisas horríveis, perco a calma e o controlo das minhas acções. Por mera arrogância ou quando algo não vai ao jeito de quem vê o tempo passar, vejo imensos disparates ao volante. Baseado na minha experiência, dentro de um carro, a minha linha de pensamento é que todos os outros automobilistas são patetas. Então, eu já não me importo de estereotipar os automobilistas. Deveria, ou não deveria?!

a húmidade faz a força
Talvez seja por isso, e não é para mim surpreendente, permanecem este tipo de “discórdias”. Antes mesmo de começar o meu discurso retórico, tenho de indagar que critérios se usam para se achar que determinada pessoa é ou não ciclista. Será que é porque essa pessoa dá as primeiras pedaladas em parques, ciclovias ou passeios? Será que é porque ele gosta de andar numa bicicleta de estrada, vestindo um kit ajustado e aerodinâmico? Será porque gosta de se aventurar no todo-o-terreno? Ou será que é simplesmente do tipo de pessoa que opta por se deslocar de bicicleta, assim quando uma criança utiliza sua primeira bicicleta para ir e voltar da escola, com a devida permissão dos seus pais? Qual é afinal a classificação de um ciclista? Isso certamente não pode ser dito assim ao de leve, nem seria francamente exigente que cada pessoa que anda de bicicleta não o possa fazer livremente, mas um ciclista é aquele que pedala.

#1 Farol de Alfanzina
Na verdade, a bicicleta antecedeu o automóvel. Antes de se ter inventado o motor a combustão fóssil e muitos anos antes dos carros se tornarem suficientemente acessíveis ao consumidor médio, a bicicleta era largamente utilizada para o transporte e até para o desporto. Antes mesmo de qualquer um de nós estar habilitado à condução automóvel certamente aprendeu a andar de bicicleta desde muito pequeno, pedalou nos passeios, passou vermelhos e fez tropelias em duas rodas. Qualquer um que assuma a bicicleta como ela é, um velocípede, estará a fazer muito mais do que outra pessoa que, na sua permanente dependência, dirige um carro para o trabalho, poluindo o ar, ocupando espaço, deixando o seu corpo e cabeça definhar. É um carro a menos. Optar por dar às bicicletas e aos seus utilizadores mais direitos, permissões e proibições rodoviárias iguais aos carros, vem simplesmente trazer alguma justiça e evolução. Não estou a dizer que as bicicletas têm o direito absoluto à estrada. O que estou a dizer é, partilhar é cuidar. Percebendo que todos são diferentes, que haja quem simplesmente opte por utilizar meios alternativos de locomoção, há ainda um longo caminho a percorrer pela coexistência, pela partilha do espaço urbano e rodoviário, contra a intolerância, pelo desenvolvimento sustentável do nosso país.

route222-108.143

Artigos importantes sobre semelhante temática:

http://cicloficinaoriente.wordpress.com/2012/12/27/os-utilizadores-de-bicicleta-sao-moralmente-incumpridores/

http://ocorvo.pt/2014/07/28/sao-os-ciclistas-urbanos-indisciplinados/


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can’t miss [104] biclanoporto.org

paulofski @ na bicicleta | 28/07/2014 às 8:10

Temas: [ can't miss it ] [ bicicultura ] [ ciclofaixa ] [ ciclovia ] [ coisas que leio ] [ Matosinhos ] [ mobilidade ] [ opinião ] [ outras coisas ] [ partilha ] [ segurança rodoviária ]

Matosinhos quer mais bicicletas – intervenção séria ou mero marketing e cosmética ?

mapa cicloviário proposto Matosinhos

“Diz a câmara de Matosinhos: “A instalação de uma rede de ciclovias na Quadra Marítima é o primeiro passo para um futuro alargamento deste projeto a todo o Concelho.”

Quem utiliza a bicicleta no dia a dia precisa de medidas globais e não locais. Ninguém vai com a bicicleta debaixo do braço para a quadra marítima para depois circular naquela zona com ela…

A rede de ciclovias é inútil. É preciso uma rede urbana pensada globalmente para o peão, a bicicleta, o automóvel, o metro e o transporte de pesados de passageiros. Se a câmara se deixou convencer por um qualquer técnico ou gabinete, ouça quem usa a bicicleta no dia a dia…

Honestamente, quando vejo estes anúncios camarários cheios de pompa, fico de pé atrás. Por uma razão muito simples. A maioria das ruas de uma cidade precisa de intervenção não para promover o aparecimento da bicicleta, mas sim para dificultar a circulação do automóvel privado.”…

(podes ler todo o artigo do Ricardo clicando aqui)


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Matosinhos quer mais bicicletas – intervenção séria ou mero marketing e cosmética ?

ricardocruz @ Bicla no Porto | 27/07/2014 às 14:05

Temas: [ Ativismo ] [ cidade ] [ estratégia ] [ bicicultura ] [ Matosinhos ]

Diz a câmara de Matosinhos: “A instalação de uma rede de ciclovias na Quadra Marítima é o primeiro passo para um futuro alargamento deste projeto a todo o Concelho.” Quem utiliza a bicicleta no dia a dia precisa de medidas globais … Continuar a ler
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fotocycle [140] a ponte é uma paragem (obrigatória)

paulofski @ na bicicleta | 25/07/2014 às 10:15

Temas: [ fotocycle ] [ bicicultura ] [ ciclistas urbanos do Porto ] [ Cosmica ] [ devaneios a pedais ] [ fotografia ] [ fotopedaladas ] [ Gaia ] [ Porto ]

a ponte é uma paragem


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Viana – Matosinhos – Aveiro, é sempre a subir…

paulofski @ na bicicleta | 24/07/2014 às 10:28

Temas: [ motivação ] [ Aveiro ] [ bicicultura ] [ boas ideias ] [ ciclovia ] [ coisas que leio ] [ e-bike ] [ Matosinhos ] [ mobilidade ] [ noticia ] [ outras coisas ] [ passeio ] [ Viana do Castelo ]

Guilherme Pinto apresenta rede de ciclovias na Quadra Marítima

Via Atlantica MatosinhosMatosinhos – A bicicleta assume-se cada vez mais como um meio de transporte alternativo nas deslocações para o trabalho ou para a escola, para ir às compras ou para as visitas turísticas.

Paris, Amesterdão e Bruxelas são apenas algumas das cidades europeias, onde a utilização da bicicleta enquanto meio de transporte urbano alternativo, amigo do ambiente, sustentável e saudável tem proliferado.

Em Matosinhos, a experiência-piloto nas marginais de Leça da Palmeira e de Matosinhos e da ligação ao Parque de Real, permitiu tirar as conclusões necessárias para levar a Câmara Municipal a avançar com uma Rede de Ciclovias na Quadra Marítima, respondendo ao crescente uso da bicicleta em contexto urbano.

O projeto será apresentado hoje, dia 24 de julho, pelas 12h00, pelo Presidente da Autarquia, Guilherme Pinto.”…

(ler + aqui)

Tricicleta elétrica de madeira construída por alunos do Politécnico de Viana

Raiooo“Uma bicicleta com três rodas, elétrica e em madeira, criada por alunos do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), vai ser apresentada na sexta-feira.

Designado por projeto “Raiooo” o veículo foi desenvolvido por 19 alunos em parceria com empresas e instituições da região.

“É um protótipo que materializa um projeto mais abrangente, na medida em que pretende impulsionar e fomentar a utilização das ciclovias. A ideia vai ser proposta às câmaras da região Norte como serviço de ‘Sharing Bike’. Posteriormente o objetivo é alargar a proposta a todo o país, a partir do final deste ano”, explicou à Lusa Ermanno Aparo, coordenador do mestrado em design integrado da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do IPVC.

Este veículo difere do modelo mais vulgar de bicicleta por ter três rodas, ser feito em madeira e possuir um motor elétrico.”…

(ler + aqui)

“Recicla a Bicla” este sábado, com passeio neon incluído

recicla a bicla“Aveiro – Devido às previsões de mau tempo para sábado passado, a organização do “Recicla a Bicla” optou pelo seu adiamento para dia 26. Será este sábado que a primeira edição desta feira de bicicletas, peças e equipamentos usados vai acontecer, no Hotel As Américas e com entrada livre. Entre as 9 e as 19 horas, a par da feira de artigos em segunda mão, vão decorrer actividades de animação dirigidas a diferentes públicos, como é o caso de uma aula de cycling, manobras e acrobacias de bicicleta, um mini circuito de BTT para crianças, uma oficina para pequenas afinações e ainda uma exposição de bicicletas. A “cereja no topo do bolo” acontece à noite, com o passeio Neon Bike pela cidade de Aveiro e cujas inscrições estão abertas até hoje: reciclaabicla@gmail.com, na loja Aveibike ou ainda no ActivoBank.”

(fonte: diarioaveiro.pt)


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fotocycle [139] underground biking

paulofski @ na bicicleta | 23/07/2014 às 11:16

Temas: [ fotocycle ] [ bicicultura ] [ ciclistas urbanos do Porto ] [ fotografia ] [ Gaia ] [ mobilidade ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ Sua Alteza ]

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ciclofilia [116] andar en bicicleta

paulofski @ na bicicleta | 21/07/2014 às 14:21

Temas: [ ciclofilia ] [ bicicultura ] [ ciclistas no mundo ] [ coisas que vejo ] [ filme ] [ motivação ] [ outras coisas ]


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ao sabor do Marés

paulofski @ na bicicleta | 18/07/2014 às 7:52

Temas: [ motivação ] [ bicicultura ] [ bike to party ] [ fotografia ] [ Gaia ] [ mobilidade ]

Marés VivasO Marés Vivas começou ontem e dura até à madrugada de Sábado, nos palcos montados junto à praia do Cabedelo em Gaia e, é claro,  a bicicleta leva-nos mesmo à porta. :)

Marés Vivas

 


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fotocycle [138] a ponte é uma miragem

paulofski @ na bicicleta | 17/07/2014 às 9:39

Temas: [ fotocycle ] [ bicicultura ] [ bike to home ] [ Douro ] [ fotografia ] [ fotopedaladas ] [ Gaia ] [ Gorka ] [ longas pedaladas ] [ motivação ] [ Porto ]

a ponte é uma miragem


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northroad…

paulofski @ na bicicleta | 16/07/2014 às 11:00

Temas: [ fotografia ] [ até à Madalena ] [ bicicultura ] [ bike rent ] [ devaneios a pedais ] [ e-bikes ] [ fotopedaladas ] [ Gorka ] [ motivação ] [ passe a publicidade ] [ Porto ]

… numa espécie de #fotocycle e #passe a publicidade, mais uma novidade no Porto.

NorthRoad 2 NorthRoad 1 NorthRoad 3


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As bicicletas em contexto urbano – ponto da situação (RTP)

ricardocruz @ Bicla no Porto | 12/07/2014 às 18:55

Temas: [ bicicultura ] [ cidade ] [ Ciclismo urbano ] [ RTP ]

Fonte: RTP
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Cidade+ – Mobilidade Urbana – Conferência

ricardocruz @ Bicla no Porto | 9/07/2014 às 0:00

Temas: [ Ativismo ] [ Conferências ] [ bicicultura ] [ Cidade+ ] [ conferências ] [ MUBi ]

10 de julho – 18h00 – 20h00 | Local: LAB+ (Pavilhão Rosa Mota) Tema: Mobilidade Urbana As fotos (Fonte: Cidade +): O uso de mobilidade suave como meio principal de deslocação na cidade é cada vez mais visível. Esta tendência tem sido acompanhada por … Continuar a ler
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Highland Trail Race 550

Gonças @ Hors Piste autorizé.... | 4/07/2014 às 9:35

Temas: [ bicicultura ] [ bikepacking ]

Eis o vídeo excelente feito por Ian Barrigton na Highland Trail race deste ano. São 880Kms de trilhos pelas terras altas escocesas em autonomia (bikepacking). Podem ler o relato do imenso desafio físico e especialmente psicológico aqui (sem dormir como deve ser eu não aguentaria 2 dias).



Highland Trail 550 from Ian Barrington on Vimeo.
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10 Dicas para a bicicleta nos dias quentes

@ Menos Um Carro | 3/07/2014 às 14:01

Temas: [ calor ] [ bicicleta ] [ bicicultura ]

Chegaram finalmente os dias quentes, mas cidades tão ou mais quentes que Lisboa (como Sevilha e Barcelona) que estão cheias de bicicletas no verão, mostram que isso não tem de ser um problema. Aqui ficam algumas digas

 

1. Pressão correcta nos pneus

A grande maioria dos ciclistas com quem falo na Cicloficina dos Anjos aparecem com pneus com pressão muito baixa-  é "encher até estar um bocado rijo" - o que faz com que arrastem o pneu pela rua. Na verdade o pneu de uma bicicleta deve ter uma pressão bem mais alta que o do automóvel. Enquanto este usa normalmente 2 a 2,5 bars porque precisa de ter mais aderência, na bicicleta pode ir aos 9 bar. Podes encontrar esta informação escrita no pneu, aparecendo ou o intervalo recomendado ou o máximo recomendado. Nas BTT o mínimo é o valor recomendado para quando se faz todo o terreno. Em alcatrão, podes usar o máximo.

A bicicleta vai parecer outra.

 

 

2. Pneus mais finos

Usar pneus muito largos, como os de BTT, vai dar ao mesmo. Não é preciso ter pneus finos de corrida, há pneus intermédios. E sim, numa jante de BTT pode-se facilmente usar  um pneu bem mais estreito (até 1,1 quando o habitual é 1,9-2,1).

 

3. Velocidade e Mudanças

A bicicleta é mais rápida que o automóvel na cidade por imensas razões, mas não é preciso fazer pirraça aos automobilistas durante 365 dias. Nos dias mais quentes podemos ir mais devagar para controlar a temperatura. Basta reduzir um pouco a velocidade, para haver uma grande diferença.

Mudanças mais leves têm o mesmo efeito.

 

4. Bicicleta bem afinada

Numa bicicleta mal afinada, parte do esforço é desperdiçado. Ter a corrente limpa e bem oleada (meter óleo numa corrente suja de pouco serve), não ter os calços dos travões a tocar nas jantes, e ter o eixo das rodas bem afinado de maneira a que a roda fique a rodar sozinha durante muito tempo, são pontos importantes que não se vêem em muitas bicicletas por aí.

 

5. Saber arrefecer e Capacete

É fundamental que o corpo possa libertar o calor durante e após o percurso, e para isso ajuda que o corpo apanhe ar fresco. Calças estreitas ou a "fralda" enfiada na cintura, impedem a circulação do ar. Que tal usar roupa mais larga, abrir os botões de cima e baixo da camisa, e dobrar para cima parte de baixo das calças? :)
O capacete tem o mesmo problema: evita a libertação de calor... será que precisas mesmo dele durante (todo) o percurso?

 

6. Pausas

Se evitas os vermelhos (usando outras ruas, ou passando-os) para não perderes balanço, experimenta parar neles. Aqueles segundos de repouso podem ser suficientes para perder calor.

 

7. Levar a bicicleta pela mão

Os automobilistas não têm vergonha de usar um transporte que chega a precisar de mais de 15min para ser estacionado, porque haverias de ter problemas em perder 1min a subir aquela rampa a pé? É algo muito frequente de ver noutras cidades, seja pela inclinação seja pelo vento contrário em alguns troços.

 

8. Evitar mochilas

As mochilas, malas e pastas impedem a circulação de ar. Usa alforges ou pendura a mochila no porta-bagagens ou no guiador.

 

9. Evitar as piores horas

Parece óbvio, mas uma hora mais cedo de manhã pode significar menos 2º e bem menos exposição solar.

 

10. Compartilha a tua dica!

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A importância do ‘Maria Bicicleta’ para… os homens e para todos nós

ricardocruz @ Bicla no Porto | 1/07/2014 às 17:36

Temas: [ artigos de fundo ] [ Ativismo ] [ bicicultura ] [ cidade ] [ cultura ] [ Maria Bicicleta ] [ Menina ] [ Mulher ] [ Pessoa ] [ Senhora ]

Quando a Laura apresentou o projeto do mariabicicleta, senti logo uma enorme empatia por ele. Talvez pelo exemplo da Miriam e do que conseguira no Saldanha, em Lisboa. Documentar a utilização urbana feminina da bicicleta é um mecanismo crucial para promover a mudança … Continuar a ler
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A requalificação da Circunvalação

ricardocruz @ Bicla no Porto | 30/06/2014 às 18:21

Temas: [ cidade ] [ Políticas ] [ bicicultura ] [ ciclovia ] [ Cidade ] [ circunvalação ] [ Porto ] [ requalificação ]

Aqui há uns tempos, chamei a atenção para o seguinte artigo do Jornal de Notícias, a propósito de uma grande obra que ficou pelo papel: Parque da Cidade cresce e passa sob a Circunvalação Área Metropolitana Três troços da estrada … Continuar a ler
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Telheiras pela manhã

miguelbarroso @ Lisbon Cycle Chic | 30/06/2014 às 7:33

Temas: [ Uncategorized ] [ bicicleta ] [ bicicultura ] [ ciclovia ] [ Cycle Chic ] [ girl ] [ Lisboa ]

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Bicicleta é coisa de Pobre!

Cátia Fonseca @ Costureira Ciclista | 27/06/2014 às 12:14

Temas: [ bicicultura ] [ Mitos ] [ Sustentabilidade ]

Certamente que muitos de vós já ouviu falar, e provavelmente até acompanha, a MariaBicicleta, um trabalho documental da autoria de Laura Alves (jornalista, co-autora da Gloriosa Bicicleta e, mais recentemente do Acreditar) e Vitorino Coragem(jornalista, fotógrafo e documentarista).

Ora, estava eu a ler a entrevista que a Ana Isabel Almeida (que é professora de informática) deu para a Maria Bicicleta quando...



« Os meus alunos perguntavam: 
“Mas a professora não vem de carro porquê ?” 
E eu dizia que não tinha carro. 
“Então e uma mota ?” 
Ou seja, achavam que andar de bicicleta era ser pobre »


Pois é... andar de bicicleta é sinónimo de pobreza e, todos nós sabemos que ninguém quer ser encaixado nessa categoria marginal e marginalizada a que se chama de “pobre”.

Porque ser pobre é mau. Mas pior, porque ser pobre, parece mal ... E então rodeamo-nos de coisas inúteis, para nos sentirmos menos pobres, ainda que sejam essas coisas inúteis que nos arrastam para um estilo de vida cada vez mais instável, em que os gastos são consideravelmente superiores aos ganhos e só um louco acha que sai a ganhar. No entanto, no que diz respeito à ostentação, sem dúvida que andar montado num BMW parece “menos pobre” do que andar de bicicleta e, todos sabemos que ter um bom carro é a afirmação de que se está a viver "the portuguese dream".


« Deve ser um gajo importante ! » - dirão uns.

« G’anda máquina! Aquilo custa mais que a minha casa!» - dirão outros.



E, onde quer que passe, despoletam admiração...




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Quanto ao ciclista.

É pobre.

E como é pobre, ninguém quer saber.

E como ninguém quer saber, ninguém quer ser como ele.

Porque hoje em dia, todos querem ser reconhecidos.



Voltemos então à questão dos alunos da Ana.

Ora, a rapaziada achava que “andar de bicicleta era ser pobre”.


Mas, de onde é que vem esta ideia ?

Porque é que a bicicleta surge como sinónimo de pobreza, e o carro como demonstração inequívoca de riqueza ?






Na minha opinião, a resposta é simples: a sobrevivência de ideias pré-concebidas. Os anos passaram, o mundo evoluiu, mas os preconceitos entranharam-se de tal forma no imaginário comum que, quando vemos alguém num carro topo de gama, a primeira associação que fazemos é "carro topo de gama = bom ordenado = rico". E acreditem quando vos digo que estes preconceitos já vêm de trás... 




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Se tivesse de apontar uma data ... diria algures no século XIX, altura em que surgiram os primeiros automóveis. Ora, nesta época, os automóveis não eram tão corriqueiros como actualmente e, a sua posse não estava ao alcance de qualquer um, sendo portanto um privilégio de uma elite endinheirada. Resumindo, o carro não era apenas um meio de transporte, era a materialização da ascensão capitalista e a melhor forma do seu proprietário mostrar a posição que ocupava na sociedade. Um símbolo de status social.


O que mudou ? Aparentemente nada. Continua a reinar o "mais vale parecer do que ser".

E este "culto" da aparência, continua a ser alimentado à mão, até um dia nos arrancar os braços. O carro é a ponta do icebergue. Mas, já não basta ter um bom carro.

Ilude-se quem acha que o facto de ter um carro o catapulta instantaneamente para o topo da pirâmide social. Sejamos realistas. Ter um Opel Corsa de 1990, não é o mesmo do que ter um daqueles carros que gritam " sou caro !!!! Vejam-me passar e invejem-me! ". O proprietário do Corsa continuará a ser "o pobre" (por vezes até alvo de troça por parte de alguns colegas que empenharam a mãe e o pai para comprar um carro a estrear), enquanto que o proprietário do carro caro, continuará a ser "o rico".
O status social não se altera pelo simples facto de ter um carro. Porque não basta tê-lo. Tem de ultrapassar em opulência os outros. E essa opulência é estimulada e incentivada.


Dou-vos um exemplo:
Recordam-se qual era o carro que conduziam quando estavam a ter aulas de condução ? 
Eu conduzia um Opel Corsa branco. 
Sem direcção assistida. Velho.



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Actualmente já temos escolas de condução que possuem uma frota de luxo. 


E aquelas que nos dizem que "só anda a pé quem quer". Como se o andar a pé fosse uma coisa absolutamente estapafúrdia e que não faz sentido nenhum, quando se pode andar de carro.


E assim se promove o culto do inútil, a par da crescente apatia por tudo o resto que não seja o próprio umbigo.


Mas, vivendo em plena "era da informação", em que tudo está à distância de um clique, não posso evitar ficar admirada ao ver que há jovens que vivem desfasados da realidade e optam por perpetuar o estereótipo do ciclista pobre.

Basta fazer as contas.

Um artigo publicado no site Menos Um Carro, dá conta que « A média mensal dos encargos com os automóveis em Portugal é de cerca de €370, sendo que metade dos automóveis tem gastos superiores a €290 por mês ».

Mas há mais, de acordo com o João Pimentel Ferreira, programador que desenvolveu o programa AutoCustos:

“constata-se assim que parece que se trabalha meio ano para pagar o carro. Essa é grande irracionalidade. Do ponto de vista financeiro, seria exactamente o equivalente a trabalhar apenas em part-time sem possuir um carro”


Então... porquê o ciclista pobre ? 


Fará algum sentido afirmar que, entre duas pessoas que auferem o mesmo ordenado, uma é pobre e outra é rica (ou menos pobre) apenas com base no meio de transporte que utilizam ? 


E, ainda menos sentido fará se tivermos em conta que um se desloca a custo quase 0 (porque às vezes, também o ciclista tem despesas), enquanto que o outro tem uma despesa média de 270 € mensais.


Porque raio é que se perpetua então este ciclo ?

Porque interessa.

Interessa criar uma geração desinteressada e completamente alienada do mundo real.
Uma geração que consuma desenfreadamente e sem critério.
Uma geração dependente.
Porque o consumismo gera dinheiro.


O ciclista, em contrapartida ...

Como tem um estilo de vida mais saudável, raramente está doente. 
Como pedalar é um prazer, não hesita entre uma bela pedalada e uma tarde no shopping.
Como anda na rua, acaba por recorrer ao pequeno comércio.
Como tem bicicleta, não gasta combustível. 

Claro que haverá quem insista que « o ciclista não tem carro porque não tem dinheiro para o comprar »

Mas, será que o facto de ter dinheiro implica forçosamente que compremos, sem qualquer critério, tudo o que nos é "vendido" ?

Andar de bicicleta está longe de ser sinónimo de pobreza.

É um estilo de vida.
É uma afirmação de individualidade.
É romper com a prática do consumismo desenfreado.


Ser ciclista é ser pobre ?

Pois bem...então nesse caso vou gozar a minha pobreza enquanto pedalo tranquilamente pela ciclovia. 





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Fontes:

















 






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MUD WRESTLING

Pedro Roque Oliveira @ VELOCIPEDI@ | 24/06/2014 às 14:12

Temas: [ Bicicultura ]

2014-06-22+15.29.59.jpg

Foi desta maneira, absolutamente inglória, que terminou a 14ª peregrinação a Fátima.

A chuva, extemporânea para a jornada de solstício estival, empapou a primeira camada de terreno na zona de Arneiro das Milhariças e o hardware ficou no estado que as imagens documentam impossibilitando qualquer progressão. Foi a primeira vez que não consegui terminar a peregrinação.

A segunda tentativa segue dentro de momentos.
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AS MARGENS DO INESQUECIMENTO

Pedro Roque Oliveira @ VELOCIPEDI@ | 24/06/2014 às 13:52

Temas: [ Bicicultura ]

Rio_Lima_-_Almada_Negreiros.JPG

"Em vão os comandantes davam ordem para avançar. Em vão o chefe supremo, Décio Júnio Bruto, lhe ameaçou a desobediência com a prisão e a morte. Ninguém se movia dali, paralisado pela emoção e pelo medo. Mas Décio Júnio Bruto teve uma decisão feliz. Apeando-se do seu ginete, atravessou, lento, as águas feiticeiras, com o escudo a proteger-lhe a cabeça, a curta espada desembainhada na firmeza da mão. E, mal atingiu o areal da margem direita, vencendo o rumorejar do arvoredo, o gorjeio mavioso dos rouxinóis, começou a bradar pelos seus homens, hirtos, perfilados à sua frente, como estátuas estáticas, preferindo, de cada um deles, o nome exacto sem revelar esforço de memória. Só desta forma convenceu os seus soldados que, afinal, o rio que lhes corria aos pés não era o Lethes do esquecimento, apesar da sua beleza, apesar do seu fascínio." in Rio Lethes

Pedalando ao longo das margens do Lima, nas ecovias que em boa hora ali foram balizadas, tomamos o lugar desses legionários receosos do esquecimento. É que, perante um pedaço do paraíso diante dos nossos olhos, o maior temor é mesmo o de esquecer algo tão belo.

Este é um percurso obrigatório para qualquer ciclista que se preze. As várias ecovias ligam Ponte da Barca a Ponte de Lima e esta povoação a Refóios, na outra margem e daí a Lanheses e de novo a Ponte de Lima por uma ou outra margem. O intenso arvoredo converte-o na jornada ideal para um dia de calor a que pode, sem dificuldade, acrescentar-se uma ablução retemperadora.

Porém, que ninguém receie - perante a infinitude estética e bucólica, a jornada torna-se inolvidável.

Mais informações aqui.
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