3 ideias erradas sobre a bicicleta na estrada

@ Braga Ciclável | 24/07/2016 às 10:19

Temas: [ Opinião ] [ andar a par ] [ andar de bicicleta nos passeios ] [ bermas ] [ bicicultura ] [ Código da Estrada ] [ Diário do Minho ] [ direitos e deveres ] [ ideias erradas ] [ mitos ] [ ultrapassar ciclistas ]

A bicicleta é um meio de transporte que desde há muito inspira a criatividade de poetas, músicos, cientistas, e não só. Mas é também frequentemente objeto de ideias erradas que teimam em persistir por mais tempo do que seria desejável. É um tema vastíssimo, por isso hoje abordaremos apenas três desses mal-entendidos, sobre a bicicleta na estrada.

O lugar da bicicleta é na berma ou no passeio

O lugar da bicicleta, por norma, é na própria faixa de rodagem, por onde devem circular os veículos em geral. Só podem circular de bicicleta nos passeios as crianças até 10 anos de idade. Ainda assim, a berma pode opcionalmente ser utilizada pelo ciclista, que deve tomar as devidas precauções de segurança para evitar atropelamentos a peões ou mesmo acidentes decorrentes da presença de obstáculos (árvores, postes, degraus, buracos…).

As bicicletas só podem circular em fila e encostadas à direita

Com as atualizações do Código da Estrada (CE) introduzidas em 2014, as bicicletas passaram a poder circular a par, como forma de aumentar a sua visibilidade e segurança. Foi ainda clarificado que devem manter da berma uma distância que permita evitar acidentes (por ex., com buracos, peões, portas de carros). E convém lembrar que é proibido ultrapassar um ciclista sem mudar para outra via de trânsito: ao ultrapassar uma bicicleta, os condutores são obrigados a abrandar a velocidade, passar para a via da esquerda e guardar uma distância lateral mínima de 1,5 metros.

As bicicletas só têm direitos, mas não têm deveres

O CE aplica-se a todos, incluindo aos condutores de velocípedes. Apesar de não ser obrigatório tirar a Carta de Condução para usar uma bicicleta, é recomendável ter um conhecimento adequado das leis que regem o normal funcionamento do trânsito. Isso permite conhecer os seus direitos e deveres, mas também – e sobretudo – evitar acidentes. Por exemplo, por norma o ciclista deve circular na faixa de rodagem e não no passeio. Deve utilizar a via correspondente ao seu sentido de trânsito, parar nos semáforos e sinais de “Stop”, respeitar as regras de prioridade e cedência de passagem. Pode circular a par com outro ciclista, mas não podem circular três ciclistas lado a lado. Do anoitecer ao amanhecer, e em situações de pouca visibilidade, como em dias de neve ou chuva intensa, deve usar luzes (branca e contínua à frente, vermelha atrás) e refletores (dois brancos ou de cor âmbar em cada roda, mais um branco à frente e um vermelho atrás). E, claro, o condutor de uma bicicleta também não pode circular sob o efeito do álcool…

Há, portanto, toda uma série de direitos e deveres que tornam o ciclista utilizador de pleno direito da via pública, com tudo o que isso implica.


(Artigo originalmente publicado na edição de 23/07/2016 do Diário do Minho)

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teve graça, e eu ainda não tinha subido à Senhora da Graça!

@ na bicicleta | 13/07/2016 às 14:59

Temas: [ marcas do selim ] [ Amarante ] [ bicicultura ] [ Caide de Rei ] [ cicloturismo ] [ ciclovia ] [ Ecopista ] [ fotografia ] [ Gorka ] [ Guimarães ] [ Mondim de Basto ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ passeio ] [ Rui ] [ Senhora da Graça ] [ testemunho ]

Sexta-feira à tarde. Está um gajo sossegado a empaliar serviço, a fitar o relógio e magicar um fim de semana de praia a torrar ao sol, chega o Rui e deita água na fervura! “E amanhã, vamos à Senhora da Graça?!…” À resposta mental, “Tem graça, ainda não subi à Senhora da Graça!”, seguiu-se a verbal, “Bora lá combinar isso.”

Senhora da Graça #8

Só conhecia a mítica subida do Monte Farinha à Senhora da Graça das transmissões da Volta a Portugal. Em comentários avulsos com quem já a havia pedalado até ao cume, sabia da dureza da escalada e da deslumbrante paisagem que se pode ir desfrutando. Há muito que esta etapa estava prometida. Consultados os músculos, os astros, e o horário do comboio urbano até Guimarães, tudo se conjugou então para que se cumprisse a conquista da Senhora da Graça.

Senhora da Graça #1

A ideia de aproveitar o comboio foi, basicamente, para atingirmos o objectivo antes da hora do almoço. As previsões de calor intenso aconselhavam-nos fazer a escalada durante a manhã. À tarde, desceríamos o Tâmega até Amarante e, a partir daí, dois planos estariam em análise: o plano A, que previa rumarmos ao Douro e regressarmos ao Porto pela frescura da EN108; ou o plano B, que caso as pernas reclamassem e o calor apertasse, previa darmos um gafunho no rio Tâmega e  fazermos depois o desvio até Caide de Rei, onde um comboio faria o favor de nos dar boleia até casa. Mas mais experiências iriam ser postas em prática, não só de modo a poupar as pernocas para as subidas, mas, sobretudo, aproveitar a acalmia das pistas, ecopistas e afins.

Senhora da Graça #2 Senhora da Graça #3 Senhora da Graça #4 Senhora da Graça #7

Chegados a Guimarães e consolados os estômagos, a primeira tarefa foi dar com o início da bela e interessante pista de cicloturismo. Em 1986, a linha ferroviária que unia as cidades de Guimarães e Fafe foi desactivada e entretanto transformada em pista de cicloturismo. É uma agradável solução e alternativa sossegada à EN206. Nos seus cerca de 14 km’s, a pista estende-se paralela ao rio Vizela, cruza aldeias típicas, bosques e áreas predominantemente rurais, proporcionando a harmonia perfeita entre a natureza, vários elementos de valor arquitectónico e patrimonial do antigo ramal ferroviário, que conferem um interesse especial ao percurso.

Senhora da Graça #12 Senhora da Graça #5 Senhora da Graça #9 Senhora da Graça #11

Uma vez em Fafe, pela frente seguiu-se o desassossego da EN206 na ascensão até ao Alto da Lameira. É uma subida pouco pronunciada mas extensa, conhecida desde a minha passagem no Brevet 300 Baixo Minho e Barroso. Deu para me aborrecer com uma ou outra razia automobilista, mas sobretudo deu para aquecer as pernas e o cachaço, pois o calor já se fazia sentir. As eólicas ficaram para trás e veio então a saborosa e longa descida rumo ao Tâmega. À passagem por Gandarela, fêz-se o desvio para a EN304, uma das mais belas estradas deste país, que nos levou descontraídos até Mondim de Basto. A esplendorosa panorâmica do Alvão ia-nos sendo revelada, sempre com o prenunciado Monte Farinha em primeiro plano, engrandecendo e nos provocando ao desafio. Várias paragens foram inevitáveis para deliciar a alma e encher a teleobjectiva de fotografias.

Senhora da Graça #14 Senhora da Graça #13 Senhora da Graça #18 Senhora da Graça #17

Depois de reabastecer de água e coragem, a pedalada prosseguiu tranquila pela EN312 até ao primeiro desvio para o cume. De peito feito à inclinação inicial do asfalto, deu para perceber a dimensão do esforço exigido a quem sobe até lá acima. São 8,5 km’s de ascensão, intercalados por violentas cotoveladas e pouco descanso. À passagem pelo parque das merendas, o aperitivo era cada vez mais salgado. O suor ia caindo em bica, cada sombra na estrada era disputada e a cada golada o ritmo diminuía. A estrada empinava inapelável à rotação pesarosa dos pedais e a paisagem absorvia a nossa atenção. Após o brinde do bendito fontanário, definitivamente o trigo separou-se do joio. O banho quase integral fez-me bem e regenerou-me para o próximo quilómetro. Parecia estar dentro de um forno, a cozer lentamente.

Senhora da Graça #20 Senhora da Graça #16 Senhora da Graça #19

Passamos dois ciclistas, outros malucos, estes em bicicletas de montanha à rotação de 10 pedaladas por metro percorrido. O termómetro do ciclocomputador marcava 43 graus!!! Os 2 quilómetros finais, se já são demolidores, feitos no pico do calor são um verdadeiro martírio. Como tal, foi em ritmo muuuito descontraído e calmo, que numa hora de pedalada chegamos finalmente à recompensa e ao deslumbramento. Que paisagem, que vastidão. Do alto do Monte Farinha olha-se em redor e dá para perceber porque dizem ser aquele um dos lugares com as vistas mais espectaculares que temos em Portugal. É fantástico, aquilo: o misticismo, o ar puro, as paisagens, as vertigens… mas o corpo já reclamava o almoço, e então descemos com cuidado até à primeira tasca de Mondim. Ficou-me a vontade de lá voltar, quem sabe, num dia de etapa da Volta!

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Amarante seria o próximo destino e a ecopista do Tâmega o tapete perfeito para lá chegar. Entramos na pista junto à abandonada e degradada Estação de Mondim. A ecopista resulta também da reconversão de um antigo ramal de comboios, a linha férrea do Tâmega, que ligava Amarante a Arco de Baúlhe. Percorridos cerca de cinco quilómetros, voamos até ao considerado “quilómetro zero”, o centro nevrálgico da ecopista em Celorico de Basto, onde existe um espaço museológico, uma antiga carruagem, equipamentos de descanso e lazer. A estação foi recuperada e é uma relíquia.

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Com o Monte Farinha quase sempre presente, o rio bem lá ao fundo, por entre quintas de campos cultivados, áreas florestais e paisagens muito bonitas, menos tolerável é a imensidão de obstáculos desnecessários chamados de “balizas de segurança” que tivemos de ziguezaguear. A cada cruzamento, estradão corta-fogo ou carreiro no meio do nada, existe sempre uma barreira. São verdadeiramente desesperantes para quem pedala…

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Durante cinco quilómetros, entre Chapa e Codeçoso, o piso é em terra batida, o que torna a pedalada divertida. Pelo menos ali não existem as tais barreiras nos cruzamentos com os corta-fogo. À parte do pó e de um carreiro escavado pela água, que pisei e me estremeceu todo, o piso é suave q.b. para as nossas rodas finas. As sombras adoçavam as ondas de calor e quando penetramos o granítico Túnel de Gatão, o único nesta ecopista, entramos num agradável frigorífico, onde gostaríamos de ter ficado. A água dos bidons há muito se havia esgotado quando, e onde outrora existiu uma estação com abastecimento de água às locomotivas a vapor, descobrimos um pequeno tanque com bica a deitar água fresca. Foi atestar e tomar banho, de alto a baixo.

Senhora da Graça #38 Senhora da Graça #36 Senhora da Graça #35 Senhora da Graça #33

Às portas de Amarante já havia unanimidade, o plano B seria posto em prática mal tivéssemos a informação como chegar à praia fluvial. E foi ali mesmo, 37 graus à sombra que, de maillot de bain e superbock na mão, estes dois cicloturistas resolveram ficar de molho. Mais tarde, consultado o horário dos comboios que saíam de Caíde, o percurso aconselhado pelo taxista de praça foi aceite. Evitamos assim a confusa EN15 e optamos pelo desvio por Vila Meã pela mais tranquila EN211-1 e depois pela EM566 por Oliveira. Mas não se julgue que por serem mais tranquilas, com menos trânsito, não fossem as subidas um belo petisco! Ao sábado não há muitos comboios e o das 18h58 não ia esperar por nós. Chegados à estação, entre a compra de bilhetes, uma coca-cola e uma mija, cinco minutos restaram para esticar as pernas e respirar fundo. Um belo passeio com cento e trinta quilómetros nas pernas, um belo dia de convívio acumulado, um banhoca delíciosa, e estávamos de volta a casa.

Senhora da Graça #34

Pode parecer masoquismo pedalar cabeça ao sol e termómetro no vermelho, mas sabe bem uma boa subida, ficar esmagado pela paisagem, para depois sentir a descida e uma banhoca. Venha então a próxima.

 


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II Braga Cycle Chic

@ Braga Ciclável | 12/07/2016 às 17:04

Temas: [ Opinião ] [ bicicultura ] [ Diário do Minho ] [ Eliana Freitas ] [ II Braga Cycle Chic ]

Decorreu no passado dia 5 de Junho o II Braga Cycle Chic, ao qual se juntaram mais de 200 pessoas de todas as idades e com bicicletas para todos os gostos!

Em nome da Associação Braga Ciclável, agradeço a todos os envolvidos. Aos parceiros que nos brindaram com surpresas tão boas, aos participantes que partilham da nossa paixão, à JovemCoop por nos ter ensinado um pouco mais sobre a história da nossa cidade. Enfim, a todos os que acreditam que pedalar pode não mudar o mundo, mas fazer deste um lugar muito melhor!
Que tarde tão feliz! Voltamos a mostrar uma vez mais que é possível andar de bicicleta em Braga. É um dever e nossa crença fundamental como associação, divulgar e promover o uso da bicicleta como meio de transporte. E não apenas durante uma tarde de sábado, mas diariamente, mostrando que é possível ir para o trabalho, para a escola e até mesmo fazer compras em bicicleta.

Não, não acreditamos que precisamos de nos vestir com roupa clássica e passear de bicicleta num evento singular. Acreditamos sim, nos inúmeros benefícios que utilizar a bicicleta como meio de transporte diariamente nos traz.

Utilizando o exemplo do automóvel: não raras vezes este é usado por uma única pessoa, aumentando assim o fluxo de veículos e consequente congestionamento das vias de trânsito. Num raio de 7 Km, a bicicleta torna-se o mais eficiente dos meios de transporte. Não só evitando este congestionamento, mas também a emissão de CO2.

Dá para acreditar que andar de bicicleta não tem contraindicações? Pode (e deve) ser utilizada em todas as idades, combatendo o sedentarismo e a falta de tempo para a prática de atividade física. E a sensação inexplicável de prazer e felicidade que pedalar nos dá? Não falo apenas em questões de mobilidade, mas sim de saúde pública. Estima-se que 3% da riqueza mundial é gasta anualmente em tratamentos de obesidade e doenças respiratórias, diretamente relacionadas com o sedentarismo.
Deixo um desafio: Aos poucos deixar de utilizar o carro e experimentar a bicicleta em pequenas deslocações. Quem sabe, depois, não saberá viver sem pedalar todos os dias.


(Artigo originalmente publicado na edição de 09/07/2016 do Diário do Minho)

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can’t miss [154] 1penoporto.tumblr.com

@ na bicicleta | 6/07/2016 às 10:56

Temas: [ can't miss it ] [ bicicultura ] [ ciclismo urbano ] [ ciclistas urbanos do Porto ] [ coisas que leio ] [ mobilidade ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ partilha ] [ Porto ] [ Velho Lau ]

Sim, já tinha saudades das rubricas do 1PNP.

Serve o mais recente postal do Velho Lau para anunciar em parangonas que a Adega está de balcão aberto à freguesia.

CRÓNICAS DO PRIMEIRO MUNDO III

umpénoportoumpénoporto.

“Enquanto cidades como Lisboa ou Matosinhos engataram, finalmente, em direcção ao Séc. XXI, com planos ambiciosos a irem com obra para o terreno, o Porto continua a marcar passo.

Podem escrever-se muitas teorias bonitas nos jornais da Autarquia (ponto.), fazer reuniões simpáticas com “activistas” (que se multiplicam desde, pelo menos, 2011) e apoiar conferências sobre mobilidade com a presença de vereadores, mas enquanto os sinais dados às pessoas que utilizam a cidade não forem no sentido certo, nada está de facto a acontecer.

Sempre que faço o trajecto entre Matosinhos e o Palácio, o que acontece um par de vezes por semana, às vezes menos, são sempre as mesmas coisas que me deixam enervado.

A primeira, ali em cima, é em Júlio Dinis e D. Manuel II, dois sítios separados por 50 metros. Os postes que há são estes. Também são os únicos sítios em que se pode guardar uma bicicleta.

Estás em 2016 e tens que pensar se vais encontrar lugar para parar a bicicleta antes de sair de casa? A sério? Não estará a escapar alguma coisa assim muito básica?”…

E para que nada escape, que tal uma espreitadela à Adega (http://1penoporto.tumblr.com) para ler toda a crónica? Linka aí: http://1penoporto.tumblr.com/post/146916596930/cr%C3%B3nicas-do-primeiro-mundo-iii


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fotocycle [188] à descoberta

@ na bicicleta | 4/07/2016 às 12:04

Temas: [ motivação ] [ bicicultura ] [ ciclismo urbano ] [ ciclistas urbanos do Porto ] [ fotografia ] [ história ] [ mobilidade ] [ outras coisas ] [ Porto ] [ Sua Alteza ]

Só, por rotas aleatórias ou pelo mesmo caminho de todos os dias, na bicicleta lucro dos mistérios do meu Porto. Dos recantos e segredos, do velho charme do seu casario. Da aura romântica de uma cidade europeia onde a roupa colorida seca à janela. Não é difícil ignorar tudo o que é magnífico e histórico da urbe onde vivemos e trabalhamos. Por mais que a nossa cidade tenha uma torre afamada e paredes ladrilhadas de história a gente deveria aprender a se aventurar. À descoberta, aproveito cada momento.

à descoberta

“A igreja de Massarelos fica localizada no Largo do Adro, que comunica com a Rua da Restauração. A sua construção teve inicio em 1776, contudo apenas passou a igreja paroquial da freguesia de Massarelos quando a igreja de Santa Maria da Boa Viagem caiu em ruínas. Esta igreja pertence à confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos, fundada, conforme tradição, em 1394, por mareantes que tinham sofrido tempestade quando regressavam de Inglaterra, e à qual teria pertencido o Infante D. Henrique. A sua fachada traseira, virada para o rio, ostenta a Cruz da Ordem de Cristo e um painel de azulejos, alegórico à época dos Descobrimentos. Em 1960 foi colocado o painel de azulejos de Mendes da Silva, onde figura o Infante D. Henrique e São Telmo, padroeiro do templo. Esta importante confraria dedicava-se à assistência e protecção dos navegantes e mercadores. Possuía grande importância no Porto. Desempenhava funções bancárias, comerciais e outras, tendo navios que para além de serem pertença da confraria e executarem serviços em seu nome, quando era preciso, defendiam a costa de piratas.”


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the Magic Bench

@ na bicicleta | 30/06/2016 às 7:30

Temas: [ marcas do selim ] [ Aveiro ] [ bicicultura ] [ cicloturismo ] [ ciclovia ] [ devaneios a pedais ] [ em tempo de férias ] [ fotografia ] [ fotopedaladas ] [ longas pedaladas ] [ Mira ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ passeio ] [ singlespeed ] [ Sua Alteza ]

Noca Ramos é um conhecido designer de bicicletas e tem motivado meio mundo ciclista a dar ao pedal até um pequeno paraíso aquático, a Lagoa de Mira. O repto é tirar um retrato com a companheira de viagem, enquadrados numa esplêndida vista, em pose na varanda de madeira sob as águas tranquilas da lagoa, para mais tarde ser partilhado no seu álbum “the Magic Bench”.

The Magic BenchFoi no dia mais longo do ano que a coisa se proporcionou. Em pleno gozo de uns dias de férias, a meio de uma manhã ventosa, decidi trocar a toalha de praia por um passeio em solitário. Ida e volta à Lagoa de Mira, um lugar onde já fui feliz. Há doze anos passei em família uma semana de ócio numa daquelas casinhas da Quinta da Lagoa. Por lá muito pedalei, ora na companhia do meu filhote pelas ciclovias que bordejam a lagoa e se embrenham nos pinhais, ora rodei os pedais do cisne flutuante, namorando ao som da passarada. Portanto, motivos não me faltavam para lá voltar.

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O plano era simples, pisar os pedais de Sua Alteza pelo percurso plano e tranquilo da costa, para mais tarde acrescentar o ferry à digressão, na travessia de S. Jacinto para Aveiro. Depois da Lagoa de Mira e da foto prometida, o esquema era regressar pelo caminho inverso. Mais quilómetro, menos quilómetro, seria qualquer coisa para duas centenas deles, a uma só velocidade. À passagem pela casa do meu pai, na Praia da Madalena, fui ao computador conferir os horários do ferry. Na minha mente permanecia a dúvida se o barco estaria em funcionamento e no site da Moveaveiro está claro como a água: a cor azul garantia-me o serviço do ferry às 14h15, portantos…

The Magic Bench #2 The Magic Bench #3

Sob um agradável céu azul e temperaturas amenas, fui vadiar ao encontro dos momentos, respirando os ares marinhos importados pelo vento oeste. Na passagem de nível da Granja, e pelo aparato que encontrei, a cancela estaria fechada fazia tempo e assim permaneceu por uns vinte minutos. Teria dado tempo para tomar um cafezinho na esplanada à beira mar. Depois de Espinho, e do passadiço de Silvalde, parei junto ao que resta do Centro Turístico… digo, da Carreira de Tiro de Espinho do Regimento de Engenharia nº3. Ali passei um bom ano a marcar passo, em guerras de faz-de-conta e a conduzir carros da tropa. Do CTE apenas restam memórias e a garagem onde eu guardava o Unimog. De Paramos até Esmoriz, não tive outra hipótese senão bater com os costados na N109, estrada que pretendia evitar ao máximo.

The Magic Bench #4 The Magic Bench #5

Em Esmoriz, mais ou menos a meio da Avenida da Praia, virei à esquerda e pisei a Cicloria. Esta interessante ecopista, paralela à Estrada Florestal, embrenha-se na mata de Maceda e no Parque Ambiental do Buçaquinho até ao Furadouro. O ar puro, o aroma dos pinheiros, o sossego e todos os possíveis estímulos, inspiram e cresce de forma inapelável a vontade de ficar ali, naquelas pistas, a dar voltas e mais voltas.

The Magic Bench #6Foi, pois, com alguma boa vontade que rumei para a N327, estrada que mareja a Ria e liga Ovar a São Jacinto. Aqui e ali não resisti a parar, fotografar, permanecer estendido na relva absorvendo toda aquela mansidão.

The Magic Bench #8 The Magic Bench #7

À hora de almoço já estava em S. Jacinto e, logo ali, fiquei sem esperanças de encontrar o ferry a postos para me levar, a mim e à minha bicicleta, para Aveiro! O frete seria feito à hora marcada mas por uma lancha que não transporta qualquer tipo de veículo, só leva bípedes! Ora bolas, não é isso que está escarrapachado no site da Moveaveiro! O plano de navegar para a outra banda foi por água abaixo e, como de nada me valia barafustar, o melhor foi procurar um completo e económico menu do dia.

The Magic Bench #9 The Magic Bench #10

Almocei bem e digeri com calma aquela sobremesa: dar meia volta e somar mais quilómetros à voltinha. De novo a pedalar ao longo da Ria, após a passagem pela Torreira, atravessei a ponte, seguindo para a Murtosa. Procurando não me perder, liguei o gepeésse do telemelgas, mas o raio da maquineta queria, porque queria, que eu fosse pela N109. E eu ia teimando com a coisa, mas à chegada por Estarreja percebi que não teria outra hipótese. A partir dali tive de partilhar a estrada com fumo, barulho e razias. Até estou habituado a pedalar naquela via demoníaca, o que não acontece geralmente é andar por ali nos chamados dias úteis. Paciência! Cerrei os dentes, finquei os pés, observei as cegonhas, e foi já à passagem por Aveiro que parei à beira da estrada para comprar duas maçãs.

The Magic Bench #19 The Magic Bench #11

O ritmo já era diferente e estava muito para além do horário previsto de chegada a Mira. Enquanto roía uma maça, cheguei a pensar retomar o plano inicial, pedalar pelas pacatas ruas da(s) Gafanha(s), mas decidi pegar no Plano B: seguir a N109 até Mira (depois de Aveiro é uma outra estrada), e no regresso, atalhar então pela(s) Gafanha(s) até Aveiro e aproveitar o serviço de comboios urbanos para o Porto.

The Magic Bench #15 The Magic Bench #13

Cheguei finalmente às águas calmas da Lagoa e encontrei os bancos mágicos (encontrei dois!) O “The Magic Bench” é o que tem um barco submerso, mesmo ali ao lado. As fotografias, as casinhas da Quinta, as memórias, as pessoas que vagueavam a pé e de bicicleta, até os plásticos espalhados pelas margens, me fizeram sentir cumprido o propósito da viagem. Só teria uns minutos para comer a outra maçã e encher de novo a garrafinha, pondo em prática o Plano B.

The Magic Bench #12Fui ao encontro do mar pela tranquila e esburacada estrada florestal, mas não o cheguei a ver. Rumei a norte pela CM591, contra o vento cruzado. Gafanha da Boa Hora, Gafanha do Carmo, Gafanha da Encarnação, Gafanha da Nazaré… Simplesmente girava as pernas, soltas e pujantes, pela planície da Costa Nova. Cento e noventa quilómetros depois, cheguei a Aveiro para apanhar o comboio. Um curto momento de relaxe para enquadramento fotográfico de Sua Alteza, ou o atabalhoamento na utilização da máquina de bilhetes, o que quer que tenha sido, o CP Urbano das 20h12 para o Porto – São Bento partiu sem mim! Ora, o dia não seria perfeito sem outro contratempo, não é!? Por isso fui jantar. Uma hora depois volto à estação, acomodo-me com Sua Alteza no comboio e, passados dois ou três apeadeiros tive de agradecer ao revisor a sua benevolência por não me multar! É sabido que antes de entrar no comboio é preciso validar o bilhete, coisa que me esqueci completamente de fazer!

The Magic Bench #16 The Magic Bench #17

A magia do cicloturismo é isto, viajar a sós ou acompanhados, quando e por onde nos dá na veneta, à aventura, sem certezas nem garantias. E outra vez fui, estrada fora e sem desviadores. Mesmo tendo um desvio imprevisto fi-lo com imenso prazer. Adoro pedalar, em qualquer uma das minhas bicicletas mas especialmente nesta. Não reclama, não empana. Faz-me evocar, reviver, desafiar limites, testar a forma física e mental. Faz-me ir por bons caminhos, desde que sejam planinhos.:)

The Magic Bench #18


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Yehuda está de volta!

@ Eu e as minhas bicicletas | 28/06/2016 às 21:27

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ comics ]

Há muitos muitos meses reparei no Facebook do Yehuda Moon que haviam tiras que nunca tinha visto. Estavam de volta!! :)

Pouco tempo depois no Kickstarter sugiu a possibilidade de apoiar o projeto com uma série de opções... apesar de ser um pouco puxadote, e depois de muito ponderar apostei dinheiro numa das possibilidades (volume 5 + volume 6 + boné) e finalmente chegou!! Me very happy! :)

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O volume 5 apesar de já não ser novo estava esgotado e com esta iniciativa consegui os dois volumes!
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E autografados... Que nice!

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O boné é muita catita! Ainda há pouco tempo andava no site da Rasto a namorar este tipo de bonés, só pela piada... mas são carotes.

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É só mesmo pela piada do boné vintage de ciclista :)

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Com a encomenda veio também um autocolante e um postal de um advogado especialista em questões jurídicas sobre o uso da bicicleta... muito bom!!

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E agora vou deliciar-me a ler as tirinhas do Joe, Yehuda, Grail e companhia...
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fotocycle [187] retorno

@ na bicicleta | 27/06/2016 às 9:38

Temas: [ fotocycle ] [ bicicultura ] [ bike to work ] [ dar a volta ] [ devaneios a pedais ] [ em tempo de férias ] [ fotografia ] [ motivação ] [ outras coisas ] [ penso eu de que... ] [ Sua Alteza ]

retorno
O Sol faz o seu lindo espectáculo e nem o vento perturba esta paz. O tempo parece correr, mas não tenho pressa. Aperto os travões e fico a admirar a perfeição da natureza. Foram duas semanas de moleza. Preguiça de pensar, escrever, partilhar qualquer coisa por aqui. E a preguiça sempre foi meu pecado favorito, mas ultimamente só as pedaladas me fizeram gastar energias e, é claro, aproveitei cada momento.


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Um pequeno passo rumo aos 18 mil

@ Braga Ciclável | 25/06/2016 às 13:22

Temas: [ Opinião ] [ 18mil ] [ Bicicleta ] [ bicicultura ] [ Braga ] [ busbici ] [ infraestrutura ] [ promoção ] [ promoção da bicicleta ] [ solucao ] [ via banalizada ] [ viaciclavel ]

Desde 2012 que a Braga Ciclável tem defendido a criação de um eixo ciclável entre a Universidade do Minho e a Estação de Comboios via centro histórico. O percurso foi custoso, mas depois de apresentar soluções, estudar os perfis, analisar as estatísticas de mobilidade no eixo e efetuar várias reuniões eis que chega uma solução.

Não, não é a solução ideal para o padrão da mobilidade ali existente (e os motivos já foram explanados no nosso blog e podemos dizer, sucintamente, que em 9,61 metros de perfil de via era imperativo que os passeios tivessem cerca de 1,5 metros de largura e que existissem duas vias de trânsito (6,61m), sendo que uma (sentido Este-Oeste) fosse reservada para transportes públicos (autocarros e táxis) e bicicletas.

Optou-se por legalizar o estacionamento criando mais pontos de estacionamento gratuito. É de ter em conta, segundo o relatório do quadrilátero de 2013, que a zona urbana de Braga tem 93% do seu estacionamento gratuito. Dizem os estudos que é praticamente impossível promover a mobilidade ativa e o transporte público com tanto estacionamento gratuito.

Na construção das vias cicláveis, sejam elas acalmias de tráfego, faixas cicláveis ou pistas cicláveis, é fundamental que estas cumpram os critérios funcionais, como por exemplo a legibilidade, segurança, conforto, continuidade, linearidade, entre outros.

Estes critérios são fáceis de respeitar em perfis contínuos. O grande desafio passa por encontrar soluções que os respeitem nos pontos críticos tais como as intersecções (cruzamentos, entroncamentos e rotundas) e as paragens de autocarros. A partilha de espaço entre o peão e o ciclista é algo que em Braga hoje já acontece sem incidentes e que com a maior convivência entre ambos os modos maior será a sã partilha do espaço público.

Pela primeira vez em Braga foi criada uma via ciclável em contrassentido e em partilha com o transporte público. É um pequeno (grande) passo para Braga.

Resta-nos melhorar no futuro, correr riscos, experimentar soluções, otimizar as existentes, manter as que correm bem, corrigir as que têm erros e continuar a promover o uso da bicicleta para atingir a meta de 18 000 utilizadores diários de bicicleta em 2025 definidos como Visão deste executivo para a cidade.

O número de pessoas a andar de bicicleta em Braga vai aumentar, mas mesmo sendo as infraestruturas (bem construídas) uma condição necessária, não são suficientes para a promoção do uso da bicicleta.


(Artigo originalmente publicado na edição de 25/06/2016 do Diário do Minho)

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O que é o CycleHack?É um evento internacional com uma...

@ CycleHack Lisboa 24-26 Junho | Design, build, prototype, test. | 23/06/2016 às 13:26

Temas: [ cyclehacklisboa ] [ bicicultura ]

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O que é o CycleHack?


É um evento internacional com uma abordagem proactiva e faça-você-mesmo às barreiras ao uso da bicicleta, e chega em 2016 a Lisboa. Ao longo de um fim-de-semana, os participantes metem as mãos na massa e, em equipa, propõem e desenham soluções (“cyclehacks”) para resolver problemas com que os utilizadores de bicicleta - efectivos e prospectivos - como eles, se confrontam em Lisboa. 

Um “cyclehack” é uma ideia que pode ser prototipada de forma rudimentar e testada na cidade e que tenta resolver uma barreira ao uso da bicicleta. ‘Hacks’ podem ser produtos físicos, apps digitais, ideias para novas campanhas de sensibilização ou para influenciar políticas públicas, e podem contemplar infraestrutura local e mapeamento de rotas. Há um catálogo online de todos os CycleHacks criados internacionalmente até à data que dá uma ideia dos tipos de soluções que as pessoas estão a construir pelo mundo fora. Um exemplo mesmo muito simples de um “cyclehack” que facilita o dia-a-dia de bicicleta pode ser visto em vídeo aqui, e este outro, para impedir as sais de esvoaçarem ao pedalar, tornou-se mundialmente famoso. 

O CycleHack arranca nesta 6ª-feira dia 24 de Junho, às 18h, com um evento que conta com vários oradores que virão partilhar as barreiras que foram sentindo ao usar a bicicleta na cidade e de que forma as ultrapassaram. Isto servirá para inspirar a discussão seguinte entre o público, que irá conversar e debater as suas barreiras e sugerir ideias de “cyclehacks” que as abordem e que poderão ser desenvolvidos pelos participantes no fim-de-semana durante o “hackaton”.

No sábado e domingo é dia de afinar ideias, construir os protótipos simples e testá-los no mundo real, para finalmente os apresentar ao público no domingo à tarde. Na tarde de domingo haverá também, em paralelo, uma tertúlia com várias famílias que virão partilhar as suas experiências de viajar de bicicleta com crianças, em férias, mas também em deslocações no dia-a-dia, para a escola ou em passeio.

O programa está aqui.

Para participar no hackaton basta ter interesse no uso da bicicleta, e em torná-lo mais fácil, prático, seguro ou agradável para todos. Não é preciso trazer já ideias ou protótipos, é isso que se vai fazer durante o evento. Cada pessoa inscreve-se individualmente, mas debate-se em conjunto as barreiras que cada uma sente ou percepciona, e ideias de coisas para as reduzir. Depois dividem-se os participantes em equipas para trabalhar nas ideias / hacks escolhidos. 

24-26 de Junho, Biblioteca do Pavilhão do Conhecimento (Parque das Nações), integrado na Maker Faire Lisbon

Inscrições aqui:http://bit.ly/1RXiMiA

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