northroad…

paulofski @ na bicicleta | 16/07/2014 às 11:00

Temas: [ fotografia ] [ até à Madalena ] [ bicicultura ] [ bike rent ] [ devaneios a pedais ] [ e-bikes ] [ fotopedaladas ] [ Gorka ] [ motivação ] [ passe a publicidade ] [ Porto ]

… numa espécie de #fotocycle e #passe a publicidade, mais uma novidade no Porto.

NorthRoad 2 NorthRoad 1 NorthRoad 3


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As bicicletas em contexto urbano – ponto da situação (RTP)

ricardocruz @ Bicla no Porto | 12/07/2014 às 18:55

Temas: [ bicicultura ] [ cidade ] [ Ciclismo urbano ] [ RTP ]

Fonte: RTP
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Cidade+ – Mobilidade Urbana – Conferência

ricardocruz @ Bicla no Porto | 9/07/2014 às 0:00

Temas: [ Ativismo ] [ Conferências ] [ bicicultura ] [ Cidade+ ] [ conferências ] [ MUBi ]

10 de julho – 18h00 – 20h00 | Local: LAB+ (Pavilhão Rosa Mota) Tema: Mobilidade Urbana As fotos (Fonte: Cidade +): O uso de mobilidade suave como meio principal de deslocação na cidade é cada vez mais visível. Esta tendência tem sido acompanhada por … Continuar a ler
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Highland Trail Race 550

Gonças @ Hors Piste autorizé.... | 4/07/2014 às 9:35

Temas: [ bicicultura ] [ bikepacking ]

Eis o vídeo excelente feito por Ian Barrigton na Highland Trail race deste ano. São 880Kms de trilhos pelas terras altas escocesas em autonomia (bikepacking). Podem ler o relato do imenso desafio físico e especialmente psicológico aqui (sem dormir como deve ser eu não aguentaria 2 dias).



Highland Trail 550 from Ian Barrington on Vimeo.
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10 Dicas para a bicicleta nos dias quentes

@ Menos Um Carro | 3/07/2014 às 14:01

Temas: [ calor ] [ bicicleta ] [ bicicultura ]

Chegaram finalmente os dias quentes, mas cidades tão ou mais quentes que Lisboa (como Sevilha e Barcelona) que estão cheias de bicicletas no verão, mostram que isso não tem de ser um problema. Aqui ficam algumas digas

 

1. Pressão correcta nos pneus

A grande maioria dos ciclistas com quem falo na Cicloficina dos Anjos aparecem com pneus com pressão muito baixa-  é "encher até estar um bocado rijo" - o que faz com que arrastem o pneu pela rua. Na verdade o pneu de uma bicicleta deve ter uma pressão bem mais alta que o do automóvel. Enquanto este usa normalmente 2 a 2,5 bars porque precisa de ter mais aderência, na bicicleta pode ir aos 9 bar. Podes encontrar esta informação escrita no pneu, aparecendo ou o intervalo recomendado ou o máximo recomendado. Nas BTT o mínimo é o valor recomendado para quando se faz todo o terreno. Em alcatrão, podes usar o máximo.

A bicicleta vai parecer outra.

 

 

2. Pneus mais finos

Usar pneus muito largos, como os de BTT, vai dar ao mesmo. Não é preciso ter pneus finos de corrida, há pneus intermédios. E sim, numa jante de BTT pode-se facilmente usar  um pneu bem mais estreito (até 1,1 quando o habitual é 1,9-2,1).

 

3. Velocidade e Mudanças

A bicicleta é mais rápida que o automóvel na cidade por imensas razões, mas não é preciso fazer pirraça aos automobilistas durante 365 dias. Nos dias mais quentes podemos ir mais devagar para controlar a temperatura. Basta reduzir um pouco a velocidade, para haver uma grande diferença.

Mudanças mais leves têm o mesmo efeito.

 

4. Bicicleta bem afinada

Numa bicicleta mal afinada, parte do esforço é desperdiçado. Ter a corrente limpa e bem oleada (meter óleo numa corrente suja de pouco serve), não ter os calços dos travões a tocar nas jantes, e ter o eixo das rodas bem afinado de maneira a que a roda fique a rodar sozinha durante muito tempo, são pontos importantes que não se vêem em muitas bicicletas por aí.

 

5. Saber arrefecer e Capacete

É fundamental que o corpo possa libertar o calor durante e após o percurso, e para isso ajuda que o corpo apanhe ar fresco. Calças estreitas ou a "fralda" enfiada na cintura, impedem a circulação do ar. Que tal usar roupa mais larga, abrir os botões de cima e baixo da camisa, e dobrar para cima parte de baixo das calças? :)
O capacete tem o mesmo problema: evita a libertação de calor... será que precisas mesmo dele durante (todo) o percurso?

 

6. Pausas

Se evitas os vermelhos (usando outras ruas, ou passando-os) para não perderes balanço, experimenta parar neles. Aqueles segundos de repouso podem ser suficientes para perder calor.

 

7. Levar a bicicleta pela mão

Os automobilistas não têm vergonha de usar um transporte que chega a precisar de mais de 15min para ser estacionado, porque haverias de ter problemas em perder 1min a subir aquela rampa a pé? É algo muito frequente de ver noutras cidades, seja pela inclinação seja pelo vento contrário em alguns troços.

 

8. Evitar mochilas

As mochilas, malas e pastas impedem a circulação de ar. Usa alforges ou pendura a mochila no porta-bagagens ou no guiador.

 

9. Evitar as piores horas

Parece óbvio, mas uma hora mais cedo de manhã pode significar menos 2º e bem menos exposição solar.

 

10. Compartilha a tua dica!

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A importância do ‘Maria Bicicleta’ para… os homens e para todos nós

ricardocruz @ Bicla no Porto | 1/07/2014 às 17:36

Temas: [ artigos de fundo ] [ Ativismo ] [ bicicultura ] [ cidade ] [ cultura ] [ Maria Bicicleta ] [ Menina ] [ Mulher ] [ Pessoa ] [ Senhora ]

Quando a Laura apresentou o projeto do mariabicicleta, senti logo uma enorme empatia por ele. Talvez pelo exemplo da Miriam e do que conseguira no Saldanha, em Lisboa. Documentar a utilização urbana feminina da bicicleta é um mecanismo crucial para promover a mudança … Continuar a ler
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A requalificação da Circunvalação

ricardocruz @ Bicla no Porto | 30/06/2014 às 18:21

Temas: [ cidade ] [ Políticas ] [ bicicultura ] [ ciclovia ] [ Cidade ] [ circunvalação ] [ Porto ] [ requalificação ]

Aqui há uns tempos, chamei a atenção para o seguinte artigo do Jornal de Notícias, a propósito de uma grande obra que ficou pelo papel: Parque da Cidade cresce e passa sob a Circunvalação Área Metropolitana Três troços da estrada … Continuar a ler
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Telheiras pela manhã

miguelbarroso @ Lisbon Cycle Chic | 30/06/2014 às 7:33

Temas: [ Uncategorized ] [ bicicleta ] [ bicicultura ] [ ciclovia ] [ Cycle Chic ] [ girl ] [ Lisboa ]

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Bicicleta é coisa de Pobre!

Cátia Fonseca @ Costureira Ciclista | 27/06/2014 às 12:14

Temas: [ bicicultura ] [ Mitos ] [ Sustentabilidade ]

Certamente que muitos de vós já ouviu falar, e provavelmente até acompanha, a MariaBicicleta, um trabalho documental da autoria de Laura Alves (jornalista, co-autora da Gloriosa Bicicleta e, mais recentemente do Acreditar) e Vitorino Coragem(jornalista, fotógrafo e documentarista).

Ora, estava eu a ler a entrevista que a Ana Isabel Almeida (que é professora de informática) deu para a Maria Bicicleta quando...



« Os meus alunos perguntavam: 
“Mas a professora não vem de carro porquê ?” 
E eu dizia que não tinha carro. 
“Então e uma mota ?” 
Ou seja, achavam que andar de bicicleta era ser pobre »


Pois é... andar de bicicleta é sinónimo de pobreza e, todos nós sabemos que ninguém quer ser encaixado nessa categoria marginal e marginalizada a que se chama de “pobre”.

Porque ser pobre é mau. Mas pior, porque ser pobre, parece mal ... E então rodeamo-nos de coisas inúteis, para nos sentirmos menos pobres, ainda que sejam essas coisas inúteis que nos arrastam para um estilo de vida cada vez mais instável, em que os gastos são consideravelmente superiores aos ganhos e só um louco acha que sai a ganhar. No entanto, no que diz respeito à ostentação, sem dúvida que andar montado num BMW parece “menos pobre” do que andar de bicicleta e, todos sabemos que ter um bom carro é a afirmação de que se está a viver "the portuguese dream".


« Deve ser um gajo importante ! » - dirão uns.

« G’anda máquina! Aquilo custa mais que a minha casa!» - dirão outros.



E, onde quer que passe, despoletam admiração...




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Quanto ao ciclista.

É pobre.

E como é pobre, ninguém quer saber.

E como ninguém quer saber, ninguém quer ser como ele.

Porque hoje em dia, todos querem ser reconhecidos.



Voltemos então à questão dos alunos da Ana.

Ora, a rapaziada achava que “andar de bicicleta era ser pobre”.


Mas, de onde é que vem esta ideia ?

Porque é que a bicicleta surge como sinónimo de pobreza, e o carro como demonstração inequívoca de riqueza ?






Na minha opinião, a resposta é simples: a sobrevivência de ideias pré-concebidas. Os anos passaram, o mundo evoluiu, mas os preconceitos entranharam-se de tal forma no imaginário comum que, quando vemos alguém num carro topo de gama, a primeira associação que fazemos é "carro topo de gama = bom ordenado = rico". E acreditem quando vos digo que estes preconceitos já vêm de trás... 




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Se tivesse de apontar uma data ... diria algures no século XIX, altura em que surgiram os primeiros automóveis. Ora, nesta época, os automóveis não eram tão corriqueiros como actualmente e, a sua posse não estava ao alcance de qualquer um, sendo portanto um privilégio de uma elite endinheirada. Resumindo, o carro não era apenas um meio de transporte, era a materialização da ascensão capitalista e a melhor forma do seu proprietário mostrar a posição que ocupava na sociedade. Um símbolo de status social.


O que mudou ? Aparentemente nada. Continua a reinar o "mais vale parecer do que ser".

E este "culto" da aparência, continua a ser alimentado à mão, até um dia nos arrancar os braços. O carro é a ponta do icebergue. Mas, já não basta ter um bom carro.

Ilude-se quem acha que o facto de ter um carro o catapulta instantaneamente para o topo da pirâmide social. Sejamos realistas. Ter um Opel Corsa de 1990, não é o mesmo do que ter um daqueles carros que gritam " sou caro !!!! Vejam-me passar e invejem-me! ". O proprietário do Corsa continuará a ser "o pobre" (por vezes até alvo de troça por parte de alguns colegas que empenharam a mãe e o pai para comprar um carro a estrear), enquanto que o proprietário do carro caro, continuará a ser "o rico".
O status social não se altera pelo simples facto de ter um carro. Porque não basta tê-lo. Tem de ultrapassar em opulência os outros. E essa opulência é estimulada e incentivada.


Dou-vos um exemplo:
Recordam-se qual era o carro que conduziam quando estavam a ter aulas de condução ? 
Eu conduzia um Opel Corsa branco. 
Sem direcção assistida. Velho.



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Actualmente já temos escolas de condução que possuem uma frota de luxo. 


E aquelas que nos dizem que "só anda a pé quem quer". Como se o andar a pé fosse uma coisa absolutamente estapafúrdia e que não faz sentido nenhum, quando se pode andar de carro.


E assim se promove o culto do inútil, a par da crescente apatia por tudo o resto que não seja o próprio umbigo.


Mas, vivendo em plena "era da informação", em que tudo está à distância de um clique, não posso evitar ficar admirada ao ver que há jovens que vivem desfasados da realidade e optam por perpetuar o estereótipo do ciclista pobre.

Basta fazer as contas.

Um artigo publicado no site Menos Um Carro, dá conta que « A média mensal dos encargos com os automóveis em Portugal é de cerca de €370, sendo que metade dos automóveis tem gastos superiores a €290 por mês ».

Mas há mais, de acordo com o João Pimentel Ferreira, programador que desenvolveu o programa AutoCustos:

“constata-se assim que parece que se trabalha meio ano para pagar o carro. Essa é grande irracionalidade. Do ponto de vista financeiro, seria exactamente o equivalente a trabalhar apenas em part-time sem possuir um carro”


Então... porquê o ciclista pobre ? 


Fará algum sentido afirmar que, entre duas pessoas que auferem o mesmo ordenado, uma é pobre e outra é rica (ou menos pobre) apenas com base no meio de transporte que utilizam ? 


E, ainda menos sentido fará se tivermos em conta que um se desloca a custo quase 0 (porque às vezes, também o ciclista tem despesas), enquanto que o outro tem uma despesa média de 270 € mensais.


Porque raio é que se perpetua então este ciclo ?

Porque interessa.

Interessa criar uma geração desinteressada e completamente alienada do mundo real.
Uma geração que consuma desenfreadamente e sem critério.
Uma geração dependente.
Porque o consumismo gera dinheiro.


O ciclista, em contrapartida ...

Como tem um estilo de vida mais saudável, raramente está doente. 
Como pedalar é um prazer, não hesita entre uma bela pedalada e uma tarde no shopping.
Como anda na rua, acaba por recorrer ao pequeno comércio.
Como tem bicicleta, não gasta combustível. 

Claro que haverá quem insista que « o ciclista não tem carro porque não tem dinheiro para o comprar »

Mas, será que o facto de ter dinheiro implica forçosamente que compremos, sem qualquer critério, tudo o que nos é "vendido" ?

Andar de bicicleta está longe de ser sinónimo de pobreza.

É um estilo de vida.
É uma afirmação de individualidade.
É romper com a prática do consumismo desenfreado.


Ser ciclista é ser pobre ?

Pois bem...então nesse caso vou gozar a minha pobreza enquanto pedalo tranquilamente pela ciclovia. 





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Fontes:

















 






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MUD WRESTLING

Pedro Roque Oliveira @ VELOCIPEDI@ | 24/06/2014 às 14:12

Temas: [ Bicicultura ]

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Foi desta maneira, absolutamente inglória, que terminou a 14ª peregrinação a Fátima.

A chuva, extemporânea para a jornada de solstício estival, empapou a primeira camada de terreno na zona de Arneiro das Milhariças e o hardware ficou no estado que as imagens documentam impossibilitando qualquer progressão. Foi a primeira vez que não consegui terminar a peregrinação.

A segunda tentativa segue dentro de momentos.
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AS MARGENS DO INESQUECIMENTO

Pedro Roque Oliveira @ VELOCIPEDI@ | 24/06/2014 às 13:52

Temas: [ Bicicultura ]

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"Em vão os comandantes davam ordem para avançar. Em vão o chefe supremo, Décio Júnio Bruto, lhe ameaçou a desobediência com a prisão e a morte. Ninguém se movia dali, paralisado pela emoção e pelo medo. Mas Décio Júnio Bruto teve uma decisão feliz. Apeando-se do seu ginete, atravessou, lento, as águas feiticeiras, com o escudo a proteger-lhe a cabeça, a curta espada desembainhada na firmeza da mão. E, mal atingiu o areal da margem direita, vencendo o rumorejar do arvoredo, o gorjeio mavioso dos rouxinóis, começou a bradar pelos seus homens, hirtos, perfilados à sua frente, como estátuas estáticas, preferindo, de cada um deles, o nome exacto sem revelar esforço de memória. Só desta forma convenceu os seus soldados que, afinal, o rio que lhes corria aos pés não era o Lethes do esquecimento, apesar da sua beleza, apesar do seu fascínio." in Rio Lethes

Pedalando ao longo das margens do Lima, nas ecovias que em boa hora ali foram balizadas, tomamos o lugar desses legionários receosos do esquecimento. É que, perante um pedaço do paraíso diante dos nossos olhos, o maior temor é mesmo o de esquecer algo tão belo.

Este é um percurso obrigatório para qualquer ciclista que se preze. As várias ecovias ligam Ponte da Barca a Ponte de Lima e esta povoação a Refóios, na outra margem e daí a Lanheses e de novo a Ponte de Lima por uma ou outra margem. O intenso arvoredo converte-o na jornada ideal para um dia de calor a que pode, sem dificuldade, acrescentar-se uma ablução retemperadora.

Porém, que ninguém receie - perante a infinitude estética e bucólica, a jornada torna-se inolvidável.

Mais informações aqui.
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A LUSA HOLANDA

Pedro Roque Oliveira @ VELOCIPEDI@ | 24/06/2014 às 13:03

Temas: [ Bicicultura ]

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Foto daqui

A ligação de bicicleta entre Coimbra e Figueira da Foz revela-nos uma realidade orográfica digna dos Países Baixos.

A única condicionante, ao longo dos seus 50 kms. de traçado (dobrando no regresso, bem entendido), é a circunstância de Boreas se poder fazer sentir na sua plenitude atrasando ou acelerando o passo consoante nos aproximemos ou afastemos do litoral.

Trata-se de um excelente treino aeróbico a que devem juntar-se, no capítulo do lazer, a passagem no Choupal, a visão do Mondego em diversos leitos e obras hidráulicas, o Castelo de Montemor bem como arrozais imensos de um intenso verde que penetra na alma.
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Estudante, vem devagar

@ Bicicleta na Cidade | 20/06/2014 às 0:54

Temas: [ Bicicleta dell'Arte ] [ Bicicultura ] [ Notícias e Reportagens ] [ Para além de Lisboa ] [ trajecto ]

Texto originalmente publicado na revista B - Cultura da Bicicleta nº7, de Junho 2013.
 
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Estudante, vem devagar
Uma história sobre como voltar de Erasmus sem dar por isso, atravessando a Europa de bicicleta.
 
O programa Erasmus que se popularizou nas últimas décadas tem dado a jovens universitários a possibilidade de viver até um ano fora do seu país e desfrutar da vida como se não houvesse ano seguinte.Filmes como A Residência Espanhola celebrizaram esse período quase sabático mostrando como é bom, por vezes, estar longe da família e das redes de proximidade, sentir-se livre e evitar confrontos constantes com o que é expectável de cada um. O Erasmus vem com prazo definido, para deixar claro desde o início que a vida louca e boa não durará para sempre, por mais que se tente prolongá-la um pouco mais. Foi enquanto tentava adiar o regresso que decidi voltar da Dinamarca em bicicleta, no verão de 2005. A história que aqui conto começa no fim desse ano vivido fora e é sobre um regresso demorado, cheio de pressa de viver.

Depois de 11 meses passados a absorver informação nova a um ritmo quase diário, o meu cérebro acabou por se habituar a esse frenesim e terá achado que seria um desperdício voltar de avião, perdendo a oportunidade de ver cá em baixo tudo o que existe entre aeroportos. Atravessar a Europa de bicicleta pareceu-me, então, a solução para os meus problemas. Havia feito dois anos antes uma travessia semelhante, aproveitando as vantagens de um outro programa europeu, o Interrail, e ficara-me a ideia de que a densidade habitacional deste continente deixava no terreno e na paisagem a sensação de quase nunca estarmos sozinhos ou isolados, fazendo desta travessia em solitário algo menor que uma aventura.

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A Europa não tem o exotismo de outras paragens, sobretudo para um europeu, mas atravessá-la de bicicleta, imbuído num espírito de união fraterna entre nações e povos irmãos, que à época estava muito em voga, transportava em si uma ideia de road trip num contexto que nunca se torna muito distante das nossas referências – tudo tem um termo de comparação relativamente fácil e imediato, tudo se assimila facilmente deixando o viajante disponível para outras aventuras que não esbarrem no primeiro e mais elementar desafio de interpretação cultural. Além disso, um ano passado em Erasmus faz-nos criar uma rede de amigos espalhados pelo continente e esta viagem serviu também para visitá-los nas suas cidades de origem.

Tenho que ser honesto: a viagem não foi ultra bem planeada, não era isso que procurava naquele momento. Em vez de rotas cuidadosamente estudadas, locais de dormida e refeições, o que me apetecia era pegar na bicicleta e voltar para casa como se voltasse do trabalho. Uma espécie de commutingmais longo, de 20 dias, com paragens para visitar amigos. Para isso foi necessário enviar toda a tralha por correio de modo a poder viajar apenas com o essencial.

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Dinamarca

É difícildizer que optei por usar a bicicleta que me acompanhou durante todo o ano, pelo simples facto de nunca ter considerado outra possibilidade. Eu não deixava de ser um estudante com limitações orçamentais num país de preços altos e o meu veículo, comprado em segunda-mão, não deixava de ser uma bicicleta de supermercado, que lá são melhores do que as de cá, embora conservem o estatuto de opção barata e de gama baixíssima.

As hesitações fizeram-me partir às quatro e meia da tarde. Deixei a residência em Aarhus onde vivi durante o ano anterior com destino a Kolding, onde ficaria em casa de um amigo. Arrancar àquela hora tardia obrigou-me a gerir muito bem o tempo e o esforço para evitar chegar de noite, muito embora o céu não escureça totalmente no verão dinamarquês durante as breves horas em que o sol se desloca abaixo da linha do horizonte. É assim que se cura a ressaca dos invernos longos naquele país, com horas de sol abundantes no verão, sem estores nas janelas, muitas vezes apenas com cortinas brancas, e acordando ao som do chilrear dos pássaros às três e meia da manhã, o que ganhava contornos mais irritantes que bucólicos quando isso coincidia com a hora a que me deitava.

Até à fronteira com a Alemanha segui pelo caminho mais directo, a estrada nacional, onde quase sempre existe sinalização para ciclistas e uma berma larga para circular. A alternativa, mais bonita, era uma das ciclovias integradas na rede nacional daquele país que atravessam a paisagem por zonas onde a civilização, embora nunca longe, não invade o nosso campo de visão de forma tão constante. A Dinamarca é conhecida por ser um país plano, o que na realidade se traduz como sendo uma espécie de Alentejo, ou um constante subir e descer ligeiros que evitam a monotonia.

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Alemanha

Sente-se a cada esquina, em cada serviço e apoio prestado ao viajante, que a Alemanha é um país de gente habituada a viajar. No Reisezentren, um balcão que existe em todas as estações de comboios, ninguém estranhou quando pedi para comprar um bilhete até Emden com paragem em Bremen, onde planeava passar umas horas para conhecer a cidade. Viajar com uma bicicleta permite-nos chegar a qualquer sítio e conhecê-lo de uma ponta à outra em poucas horas, essa foi uma das descobertas que fiz neste regresso a casa.
Emden fica numa região fértil próxima da fronteira com a Holanda, junto ao golfo do Dollard, onde os caminhos agrícolas, feitos com placas de betão armado, estão integrados em rotas cicláveis com infografia disponível num mapa dedicado ao cicloturismo, à venda numa livraria perto de si.

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Holanda

A próxima vez que alguém falar na Holanda como um país perfeito para andar de bicicleta, lembre-se disto: fazer muitos quilómetros numa paisagem plana é absolutamente fastidioso. Tal como me disse uma amiga húngara que fez Erasmus em Lisboa, “agora que voltei a Budapeste percebi que aqui tenho de estar sempre a pedalar”. Pois é, as colinas também descem. Disseram-me que a costa holandesa é bonita, mas atenção, o caminho que segui não era feio, apenas plano. Qualquer vantagem que se associe a um chão plano fica sem efeito perante um vento frontal, é como subir uma montanha sem as vantagens de ver a vista lá em cima.

Em Roterdão encontrei-me com amigos de Lisboa que estavam a fazer um curso de verão e, apesar de sermos da mesma cidade, naquele momento vínhamos de cantos opostos da Europa. É difícil a um português, quando sai do rectângulo por algum tempo, disfarçar o sentimento emigrante que exalta dentro de si, apelando à cultura popular da diáspora. Foi com eles que conheci a canção de Graciano Saga que inspirou o título deste artigo, “Vem Devagar Emigrante”, a história de um regresso a Portugal que acaba em tragédia numa estrada de Espanha servia-nos de mote jocoso à experiência de estar fora do país. A Holanda é tão perfeita que chateia, até a natureza foi domesticada. Nada como uma canção dissonante para lhe dar harmonia.

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Bélgica

Segui para Antuérpia, a cerca de 100 km de Roterdão, atravessando várias vezes a fronteira em Baarle-Nassau, um município onde a linha imaginária que separa as duas nações não é uma recta saída do Romantismo mas sim o resultado de vários tratados medievais que criaram enclaves belgas e holandeses dentro da fronteira maior entre os países. Vale a pena espreitar a história do local. De resto, atravessei a Bélgica com pressa de chegar à cidade francesa de Lille no 14 de Julho, grosso modo, o 25 de Abril da França.

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França

A partir daqui comecei a usar a bicicleta apenas para conhecer as cidades onde fui parando. O país é grande e os problemas mecânicos começavam a surgir. Em 2005, as carruagens dedicadas para transporte de bicicletas nos comboios franceses ainda eram novidade, pelo que aproveitei para experimentar o serviço. Sabia também que essa facilidade desapareceria assim que atravessasse os Pirenéus.

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Espanha

A minha bicicleta cruzou a Europa, levou-me a conhecer Barcelona em poucas horas e depois foi roubada. Um triste final que, contudo, resolveu o problema que seria transportá-la de comboio até Lisboa, implicando desmontar e guardá-la num saco próprio para transporte, que não tinha. A canção de Graciano Saga cumpriu-se uma vez mais, a tragédia aconteceu a um português em trânsito numa cidade espanhola e com ela foi-se a esperança de trazer aquela bicicleta para Lisboa.


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De bicicleta para o trabalho - para um lado de carro, para o outro de bicicleta; no dia seguinte, ao contrário

Bruno BA @ Bicycling | 18/06/2014 às 9:57

Temas: [ bicicleta ] [ bicicleta de estrada ] [ bicicultura ] [ BionX ] [ cicloturismo ] [ commute ] [ condução em segurança ] [ dobrável ] [ duralinox ] [ long distance riding ] [ para o trabalho de bicicleta ] [ velocípede ] [ Vitus 979 ] [ Xtracycle ]

Como já tinha partilhado convosco há uns tempos, queria começar, e já comecei a vir mais vezes para o trabalho (ou a ir para casa) de bicicleta.

A minha ideia inicial foi a de experimentar a Surly Big Dummy do meu amigo Bruno que tem um kit Bionx, mas surgiu uma complicação (felizmente antes de ele ma emprestar) com o carregador.

Não posso, pois, contar com ela nos próximos tempos.

Então o que fiz foi: segunda de manhã trouxe a bicicleta de estrada (com pneus à prova de furo) e o equipamento no carro para o escritório e ontem à tarde fui de bicicleta para casa. Na terça de manhã fui de bicicleta para o escritório.

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 Os pneus em causa são Schwalbe Marathon Plus com 25mm de largura (700 X 25C)

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 Outra foto do mesmo pneu

Na minha opinião, estes pneus são um verdadeiro salto tecnológico no que toca a pneumáticos para viagens utilitárias ou de cicloturismo. Para além de uma carcaça bastante resistente, têm uma camada central de um composto que é à prova de furo.

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Imagem do próprio site  da Schwalbe

Lá em casa temos várias bicicletas com pneus da Schwalbe (uns Big Apple na dobrável, uns Marathon de 26" na eléctrica, um Marathon Plus MTB na roda da frente da Xtracycle) e nunca tivemos qualquer furo em qualquer um deles. E cada um deles tem mais de 1.000 kms, uns em estradas com vidros, outros por terra batida com espinhos, etc.

Espero que estes também não me deixem ficar mal, pois eu não planeio andar com qualquer pneu ou câmara de ar suplente...

Este vídeo que aqui partilho é da própria marca, e passa por demonstrar que nem com um (nem 10) pionés, nem com vidros espalhados pelo chão eles se furam!


Haverá, certamente, quem já tenha furado pneus desta linha, mas eu nunca furei nenhum destes (já furei, infelizmente, muitos dos outros mais levezinhos), nem mesmo quando começam a ficar com o rasto mais gasto.

O reverso da medalha é que, como são pneus mais pesados, não rolam com a mesma facilidade dos outros mais leves (ou será da minha forma física estar muito em baixo?).



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Um sábado de bicicleta

Ana Pereira @ Cenas a Pedal | 17/06/2014 às 8:48

Temas: [ Lifestyle e Cultura ] [ Mobilidade ] [ Transportes Públicos ] [ turismo ] [ Viagens e Aventuras ] [ bicicultura ] [ multimodalidade ] [ passeios ] [ Sintra ]

Sábado, saio de casa às 8h30 para chegar a Campo de Ourique uns minutos antes das 9h, para uma aula de mais um curso “ABC da Bicicleta“. Já está calor. Estou no Jardim da Estrela até quase às 11h, a ensinar 3 mulheres a andarem de bicicleta. :-)

Depois de arrumadas as bicicletas, sigo para o atelier (fechado neste dia), perto da estação de Entrecampos, para trocar de bicicleta e esperar pelo Bruno, que se encontraria lá comigo vindo de casa. Está um dia muito quente!

Quase a chegar, páro no semáforo junto à praça do Campo Pequeno, olho para a direita e, por acaso, reparo que há lá um mercado da Agrobio. Decido fazer uma paragem, vou comprar fruta! :-)

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Morangos e cerejas no alforge, sigo caminho.

Descanso um pouco no atelier e, entretanto com o Bruno já chegado, preparamos as Surly LHT para o resto do dia. Sim, no dia-a-dia usamos outras, estas são as “biclas de fim-de-semana”. :-D O plano é irmos à praia, em Sintra, e no final do dia ir jantar a Porto Salvo, com a família, regressando a casa ao fim da noite. Temos pouco tempo, mas queria mesmo sair de Lisboa e pôr os pés numa praia, nem que fosse por pouco tempo.

Arrancamos para a estação de comboios em Entrecampos (é logo ali, e acedemos-lhe pela entrada no edifício das Águas de Portugal (não esperem encontrar sinaléctica desse acesso…).

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Está um calor do caraças. Apanhamos o comboio às 15h05.

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Chegamos a Sintra. Que bom, um dia quente e nós no meio do verde. :-) Ainda não almoçámos. Fazemos uma paragem ali perto, e marcha isto:

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Os ciclistas são grandes fãs do calorie-offsetting. :-P

Entretanto, lá vemos no telemóvel o caminho para a praia das Maçãs. São pouco mais de 10 Km e lá vamos nós a descer. :-) Chegamos à praia, ainda está calor. Prendemos as biclas a um poste e abancamos na areia com elas no campo de visão. Estamos lá umas 2 horitas a curtir o sol e o calor (já passava das 17h, por isso era quente mas não excessivamente). Lamento, nem tirámos fotos. :-P

Tínhamos hora para aparecer para o jantar por isso pusémo-nos a caminho cerca das 19h30-20h. A estrada era boa no geral, mas sinuosa e cheia de curvas sem visibilidade, com algum trânsito, só uma via em cada sentido. Não ocupar a via não é uma opção*, o que leva a que se acumulem carros atrás de nós em vários troços. Mas não há alternativa*, e tal como fazem em inúmeras outras situações que não envolvem ciclistas, os condutores esperam pela oportunidade adequada para ultrapassar. Mas claro, há sempre idiotas e alguns fazem (ou tentam) ultrapassagens perigosas. Outros apitam, achando, porventura, que nós poderíamos e deveríamos magicamente desmaterializarmo-nos da frente deles, ou quiçá, parar e encostar para os senhores passarem – eles têm medo de ficar muito perto de carros em sentido contrário, mas acham que nós estamos bem com eles a passarem-nos a escassos centímetros. Por isso é que não podemos facilitar, temos que tomar as rédeas da nossa própria segurança, e isso implica ocupar a via e obrigar a que a ultrapassagem seja feita de forma mais consciente. No geral, o regresso correu bem. A dado ponto fomos por um atalho, depois de perguntar a um senhor que estava no seu quintal. Prevíamos que fosse mais inclinado, mas trocámos isso pela tranquilidade de usar um caminho sem carros, sem ruído, sem fumo.

* Na verdade há opção, há alternativa, que é fazer como a maior parte dos ciclistas e seguir encostado à berma, “para não empatar.” Mas isso só serve os interesses de quem vai de carro. Se os próprios ciclistas não tiverem respeito próprio, será muito mais difícil que o consigam dos outros. 

Era a subir, mas fez-se, em parte empurrando a bicicleta à mão para descansar um pouco.

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Não havia mesmo carros, a estrada estava semi-desmoronada. Perfeito. :-P

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Foi um caminho muito agradável, no meio do verde exuberante e com um sol ainda espectacular.

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De vez em quando photoshoot stop. :-)

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E lá regressámos ao comboio. Aqui ilustramos a técnica mais segura para usar os canais especiais da CP, antes de se ter a certeza de que a nossa bicicleta lá cabe. Sabemos que as longtails não cabem, mas antes de passarmos com estas “normais”, vimos um rapaz com uma estradeira normal ficar meio entalado também, por isso, não facilitámos, bicicletas ao alto:

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Chegado o comboio, foi só entrar e arrumar como dava as biclas.

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Saímos na (nova) estação de Massamá-Barcarena, descemos até à Fábrica da Pólvora, e subimos pelo meio da urbanização do campo de golfe, no meio das árvores (enquanto não as derrubam para construir mais casas…). Mais uns Km e chegávamos ao destino às 21h30, como desejado. No final do jantar, eram quase 1h da manhã, arrancamos para Paço de Arcos, para apanhar o comboio de volta a Lisboa.

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Desde que temos ambos bicicletas eléctricas, e as usamos nesta visita semanal familiar (excepto a deste dia), nunca mais recorremos ao comboio. Neste dia fizémo-lo, não para poupar tempo, provavelmente não teria feito muita diferença, mas para poupar esforço, dado que já tínhamos puxado mais do que o habitual ao longo do dia, íamos dormir pouco, e na manhã seguinte iríamos estar novamente a trabalhar.

Chegamos ao Cais do Sodré e seguimos pela Ribeira das Naus, lixados com a porcaria de piso que ali puseram, mas aliviados por ainda conseguirmos desfrutar daquele troço sem carros (estivémos lá nos Santos e o acesso automóvel tinha sido reposto, o que nos deprimiu bastante). Não faz sentido nenhum permitir a presença de automóveis naquele espaço.

Saindo da “zona sem carros” do Terreiro do Paço, olhamos para a esquerda, lembramo-nos que já estamos outra vez com fome, e resolvemos fazer uma paragem para comer um pão com chouriço e uma fartura. :-) Calorie-offsetting, my friends, uma das grandes vantagens de andar de bicicleta para todo o lado. xD

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Voltamos à estrada, são 2 da manhã e ainda temos a Rua Washington para ultrapassar.

Chegamos a casa satisfeitos, com todas as toxinas expelidas, bem transpirados e cansados. Daquele cansaço gostoso. :-) E no dia seguinte estávamos prontos para outra. O facto de termos passado a fazer uma média de 15 Km/dia de commuting, desde que mudámos de casa e depois de atelier, mesmo usando as eléctricas, reflectiu-se na nossa capacidade física. Antes teríamos ficado muito mais cansados, muito mais cedo.

Andar de bicicleta é espectacular. :-)

E conjugá-la com o comboio, é perfeito. Num só dia estivémos e pedalámos por 3 concelhos diferentes, estivémos no centro da cidade, na praia e no campo, e nos subúrbios. Bicicleta e comboio é uma conjugação vencedora! Só falta a CP perceber isso, e o resto da malta, claro.

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A espalhar a mensagem, na televisão, na palete, e na rádio

Ana Pereira @ Cenas a Pedal | 16/06/2014 às 20:21

Temas: [ Uncategorized ] [ bicicultura ] [ clipping ] [ Eventos ] [ rádio ] [ televisão ] [ Web e outros Media ]

Nos últimos dois meses saímos mais do que o normal da nossa “toca” para falar daquilo que fazemos e porquê.

Ainda estávamos a arrumar as coisas no atelier antigo, no final de Março, quando a equipa do Biosfera foi ter connosco para gravarmos uma entrevista centrada nas recentes alterações ao Código da Estrada e na utilização da bicicleta no dia-a-dia, no geral. Grande parte da conversa, em que falei usando o meu chapéu da MUBi :-), foi usada em dois programas, um emitido no início de Maio e outro emitido agora a meio de Junho.

O primeiro programa focou-se nas alterações ao Código da Estrada, no que mudou na lei e no que mudou (ou não) na prática, na estrada, “Aprender a andar em duas rodas“. Abordou-se esta questão, e ainda outras relacionadas com os aspectos práticos da bicicleta no dia-a-dia (escolhê-la, protegê-la de roubos, etc).

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Podem (re)vê-lo aqui:

Biosfera 447 Aprender a andar em duas rodas from Farol de Ideias on Vimeo.

O segundo programa focou-se nas histórias das pessoas, “Viver a cidade em duas rodas“. Vale a pena ouvir o Ricardo, do Porto, a contar a sua transição gradual mas dramática, do carro como principal meio de transporte para a bicicleta, e também a da “nossa” Filipa, aqui de Lisboa, a partilhar a sua experiência na adopção da bicicleta no dia-a-dia com dois filhos pequenos para transportar e nos desafios e recompensas que isso lhe coloca como pessoa e como mãe.

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Podem (re)ver o programa aqui:

Biosfera 453 Viver a cidade em duas rodas from Farol de Ideias on Vimeo.

Nós somos grandes fãs da Filipa e tem sido muito bom assistir à sua evolução enquanto ciclista e, principalmente, enquanto mãe ciclista! :-) É a recente nova dona da nossa moederfiets (“bicicleta de mãe”, como lhe chamam os holandeses) Gazelle Bloom, e antes disso já levava os miúdos em cadeirinhas ou num atrelado. Fez o nosso curso de Condução de Bicicleta em Cidade, viajou de bicicleta com os miúdos no Verão passado, e até subiu à palete de um Ignite Portugal para partilhar a sua experiência.

Orgulha-nos muito o nosso pequeno papel na história dela, e gostaríamos que aparecessem muitas mais Filipas por esta cidade fora. :-)

Estes dois programas foram excelentes pois permitiram levar estas questões, estes exemplos e histórias aos outros, aos não-ciclistas, aos pré-ciclistas, e até aos ciclistas-que-não-têm-nada-a-ver-com-bicicletas-e-ciclo-activismo-ou-bicicultura. ;-)

Esse é um grande aspecto positivo também da nossa participação num programa de rádio, o LXA Conversa:

LXAMANHÃ é uma plataforma permanente de recolha e consulta das ideias dos cidadãos para a Lisboa de amanhã – independente e aberta a todos aqueles que, juntos, querem melhorar a cidade.

O objetivo desta plataforma é fazer com que todos os cidadãos se tornem mais informados, ativos e participativos, e juntamente com as autoridades participem na construção de uma Lisboa cada vez melhor!

Construir uma Lisboa melhor, é isso que queremos! E como tal, foi com muito gosto que aceitámos o convite do André e fomos à Rádio Zero, no IST, no passado mês de Maio, participar em mais um LXA Conversa.

LXA Conversa é o programa de rádio do LXAMANHÃ em parceria com a Rádio Zero. É um programa semanal, de 1h, emitido aos sábados, com Lisboa no centro e/ou em background. Tem rubricas musicais, notícias, debates/entrevistas, e sugestões e propostas para a cidade. Nós fomos convidados a falar da Cenas a Pedal, de como surgiu, o que fazemos e porquê, de quais são, na nossa perspectiva, os principais entraves ao uso da bicicleta em Lisboa, como gostaríamos de ver a mobilidade em Lisboa daqui a 10 anos, e como é que a Cenas a Pedal se enquadraria nesse cenário.

Foi um fim de dia muito bem passado à conversa com o André, o Luís, a Joana e a Marta, a falar de bicicletas, cidades, mobilidade, urbanismo, etc. :-)

Podem ouvir ou re-ouvir aqui:

LXA Conversa #10 by Andre Duarte on Mixcloud

Ainda antes disto, tínhamos participado em dois eventos importantes mas totalmente “virados para dentro“, o congresso ibérico “A bicicleta e a Cidade”, e o Ignite Portugal @ Bicicletas de Lisboa, onde nos propusémos falar de “bicicletas especiais”, quota modal da bicicleta, e a questão da “batota” na bicicleta como meio de transporte.

O Ignite Portugal é um conjunto de eventos abertos à participação de todos que giram em torno de apresentações sobre temas como inovação, criatividade, empreendedorismo ou tecnologia, em que os apresentadores têm apenas 5 minutos para falar, com 20 slides que rodam automaticamente a cada 15 segundos.

 

Eu fui falar desta questão engraçada (excepto quando pensamos nas suas consequências, claro) de muitas pessoas encararem a bicicleta eléctrica (na sua versão pedelec) como “batota“. O meu objectivo foi o de ajudar a destruir mitos e ideias erradas pré-concebidas, e a colocar a bicicleta eléctrica no seu lugar de direito como (mais) uma ferramenta (e fantástica) de mobilidade e transporte. Podem ver os slides aqui:

Já o Bruno foi falar de bicicletas especiais, para gente fora-de-série. Bicicletas, triciclos e afins para diferentes aplicações e para pessoas com diferentes preferências e/ou necessidades, que permitem o acesso à bicicleta como meio de transporte e instrumento de lazer e até de reabilitação, a pessoas de outra forma excluídas desse estilo de vida e dessa actividade. Podem ver os slides aqui:

E os vídeos das apresentações, gravados pela organização do evento, serão publicados aqui, logo que estejam prontos.

Seria difícil alcançar um público “de fora” sendo um Ignite com um tema tão específico, mas mesmo assim foi uma boa oportunidade de divulgar estes conceitos a pessoas que, embora estejam ligadas a estes assuntos e a esta cultura, não tenham assim tanto contacto com estes sub-temas em particular. Foi giro participar, e foi interessante assistir, sendo que gostei particularmente das apresentações do Ricardo Cruz e do João Campos, bons temas e bons oradores!

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Ribeira das Naus Sem Carros

miguelbarroso @ Lisbon Cycle Chic | 16/06/2014 às 8:21

Temas: [ Uncategorized ] [ bicicleta ] [ bicicultura ] [ Cycle Chic ] [ girl ] [ Lisboa ] [ Ribeira das Naus ]

Digam lá se não fica muito melhor assim?

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Testemunho da Holanda

miguelbarroso @ Lisbon Cycle Chic | 13/06/2014 às 22:15

Temas: [ Uncategorized ] [ activismo ] [ Amesterdão ] [ bicicleta ] [ bicicultura ] [ cult ] [ guest photo ] [ holanda ]

Não, não é um testemunho Cycle Chic… é apenas um breve testemunho que o João deixou na lista da Massa Crítica de Lisboa:

“Soube que um colega meu espanhol que mora a 1km do trabalho vai todos os dias de carro e segundo me disse é “para usar o descapotável e porque chove”.

Os espanhóis, italianos e portugueses vêm quase todos de carro e moram perto. Os franceses, belgas e alemães, muitos deles que moram a 10km vêm quase de todos de bicicleta.”

Como diria o Mikael Colville-Andersen, what the fuck???!!!

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(Amsterdão, ca. 1970. Do video do Mark WagenbuurHow the Dutch got their cycle paths)

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# Festival Bike Arte_São Paulo-Brasil

rui henrique @ bicicleta voadora | 12/06/2014 às 11:28

Temas: [ bicicultura ] [ bike arte ] [ brasil ] [ lisboa ]

"Organizado de forma independente pelo Instituto Aromeiazero e diversos parceiros, o Festival Bike Arte busca mistura exposição cultural, festival de rua, bicicleta, comida, bebida para provocar reflexões por uma cidade melhor para se viver.
No lugar de carros, diversas atividades lúdico-culturais, musicais e de contemplação artística acontecerão durante o dia todo. É da essência do evento que alguma via tenha o trânsito restringido, para que as pessoas consigam vivenciar o espaço público em sua plenitude. Para os organizadores, a ocupação das ruas por pessoas gera afetividade e aproximação com a cidade e com as outras pessoas, gerando transformação e reflexões sobre o modelo de cidade que queremos.
Todo ano artistas são convidados para expressar em diferentes suportes (arte gráfica, fotografia, grafite, ilustração, escultura…) o tema “bicicleta”. Também são promovidas intervenções ao vivo de street art e de estilização de bikes."
Texto retirado do site do Instituto Aromeiazero

É com enorme alegria que comunico que foi estabelecida uma parceria entre a Bicicleta Voadora e o Aromeiazero, com o objectico de promover um intercâmbio cultural entre as duas cidades com vista à promoção da bicicleta como estilo de vida e melhoria da vida nas cidades.

Em resultado deste projecto irão estar representados vários ilustradores portugueses no Bike Arte que aceitarem o desafio de representar a bicicleta como forma de expressão artística.

Para breve darei mais informações de como se irá reflectir em Lisboa este intercâmbio.


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Barraqueiro Oeste - Óptimo serviço para os Clientes e mau na estrada para os restantes utilizadores?

Bruno BA @ Bicycling | 11/06/2014 às 21:41

Temas: [ autocarro ] [ bicicleta ] [ bicicleta de carga ] [ bicicultura ] [ condução em segurança ] [ velocípede ]

Aqueles que me conhecem sabem que eu não sou uma pessoa nada belicosa. Não gosto de conflitos.

O que hoje partilho convosco não é propriamente belicoso, mas é um pouco tenso: no outro dia, num passeio ao fim da tarde, um autocarro da empresa que eu utilizo e de que já fiz aqui  e aqui boa (justa) publicidade. O pior é que quando confrontei o condutor pela manobra perigosa ele teve uma atitude verdadeiramente desagradável.

Achei que valia a pena pugnar por uma melhor condução por parte dos condutores profissionais da Barraqueiro Oeste. Este foi o e-mail que eu enviei para a empresa em causa, através do respectivo website.

"Exmos.Srs.,
 
No dia 4 de Junho, cerca das 18:15, eu e a minha mulher seguíamos de bicicleta em Torres Vedras, na estrada nacional 8 (tendo entrado na Cidade pelo Catefica, e tendo já passado a rotunda que dá acesso à variante; no caminho da Directa Lisboa-Torres é a rotunda imediatamente anterior à paragem da Fundição), quando passou por nós a vossa viatura de matrícula 13-**-31. 
 
O referido autocarro ultrapassou-nos num local em que havia traço contínuo, sem abrandar a sua marcha e sem respeitar minimamente a distância regulamentar de segurança de 1,5 metros. Na verdade, o autocarro terá passado, no máximo a meio metro de ambos os velocípedes, a uma velocidade francamente superior a 50km/h (a qual, como é sabido de todos, corresponde ao limite de velocidade nas povoações). Para além disso, não passou totalmente para a via de trânsito à esquerda daquela em que nós circulávamos.
 
Tal condução violou, de uma só vez, uma série de regras, mas, para além disso, causou intenso perigo para nós, que com a deslocação do ar, com o ruído da passagem do autocarro e com a razia que nos foi feita, por pouco não caíamos ao chão.
 
Além de não ter respeitado a distância de segurança à ultrapassagem dos dois velocípedes, nem ter abrandado a marcha, nem ter passado completamente para a via de trânsito adjacente, tal como explícito nos Art.º 18 e Art.º 38, quando na paragem da Fundição lhe dissemos que tinha feito uma ultrapassagem perigosíssima, a única resposta que obtivemos foi "E eu não vi?!". 
 
Tendo-lhe referido que não cumprira a distância de segurança, que nos tinha assustado imenso com a sua condução e que, obviamente, atendendo à velocidade que trazia, nós não o tínhamos visto antes da referida ultrapassagem (apesar de ambos os velocípedes estarem equipados com espelhos retrovisores), novamente obtivemos uma resposta, no mínimo, mal educada: "Ah! Isso é outra coisa! Isso é outra coisa!". Como que não quisesse ser incomodado com a realidade impertinente.
 
Como seguramente saberão, as infracções praticadas são graves e são uma das principais causas de acidentes entre automóveis e velocípedes.
 
Tanto eu como a minha mulher somos utilizadores frequentes da vossa empresa há décadas, precisamente no percurso de Torres-Lisboa. Temos, em geral, uma opinião muito positiva do serviço prestado.
 
Por essa razão, foi com enorme desagrado que em vez de um pedido de desculpas pelo erro (pela infracção) cometido recebemos uma espécie de atirar de culpas para nós próprios, por estarmos a ocupar indevidamente a via.
 
Assim sendo, venho solicitar que a Barraqueiro Oeste, para além de exigir um maior civismo e educação da parte dos seus condutores - maxime, do condutor em causa -, os informe devidamente das alterações ao Código da Estrada que entraram em vigor a 1 de Janeiro de 2014, e os instrua de forma não se repetirem as infracções ocorridas, eventualmente com consequências trágicas para os envolvidos.
 
Agradeço que me informem atempadamente das medidas tomadas, afim de prevenir mais incidentes do género.
 
Atentamente,
 
Bruno ***"

Logo que tenha uma resposta da empresa partilhá-la-ei aqui.

Boas pedaladas.



PS: Se tiverem interesse, podem ver os meus vídeos no youtube aqui.
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