Orçamento Participativo de Lisboa 2015/2016

@ Eu e as minhas bicicletas | 20/05/2015 às 15:34

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ ciclovias ] [ orçamento participativo lisboa ]

Já começou a fase de aceitação de propostas para o Orçamento Participativo de Lisboa 2015/2016.

http://www.lisboaparticipa.pt/

Honestamente eu cada vez estou mais descrente nestas iniciativas, pois é ver as boas ideias serem votadas massivamente e depois tardam a ser implementadas pelas autarquias, algumas com desculpas esfarrapadas e "mal pagas".

Depois há também quem meta algumas pérolas, esta relacionada com bicicletas e mobilidade:

"Ciclovias a mais na cidade | 2015-05-18 18:44:02
Remover as ciclovias da cidade, são um empecilho para o trânsito"

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http://www.lisboaparticipa.pt/proposta/op15/221/estacinamento-na-avgomes-pereira

E isto foi apresentado em "Assembleia Participativa"... quer dizer que alguém de viva voz mandou esta proposta? Enfim...
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convite: apresentação do programa COMBINADO

paulofski @ na bicicleta | 20/05/2015 às 11:15

Temas: [ divulgação ] [ 1 carro a menos ] [ bicicultura ] [ ciclismo urbano ] [ FPCUB ] [ Lisboa ] [ mobilidade ] [ motivação ] [ noticia ] [ partilha ] [ Velocité Café ]

COMBINADO – PROGRAMA DE INCENTIVO À UTILIZAÇÃO DOS TRANSPORTES PÚBLICOS E BICICLETA

“Exmas(os) Senhoras(es)

Vem a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta convidar para a apresentação do Programa COMBINADO, cujo principal objetivo é de incentivar à utilização do transporte público e bicicleta em mobilidade urbana.

Venha conhecer o novo Programa de Incentivo à Mobilidade Urbana Sustentável e visite a exposição de fotografia “Transportes Públicos e Bicicleta”.

Apresentaremos a ideia no próximo dia 21 de maio, 5ª feira, pelas 18h30 no Velocité Café.

“Combinado significa, para o programa, a possibilidade de utilizar uma rede partilhada de transportes púbicos com a bicicleta nas cidades.

Significa o compromisso da FPCUB para que o programa ganhe rodas e possa chegar à área metropolitana de Lisboa.

Significa, para quem o subscreve, o empenho e participação necessária para mudar o paradigma da mobilidade nas cidades portuguesas.

Combinado, o novo programa de incentivo à utilização dos transportes públicos e bicicleta, traz para o seu nome a coisa mais simples e importante para o sucesso – o compromisso.

Facebook do programa: www.facebook.com/programacombinado

FPCUB - programa Combinado

 


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aparelho rudimentar de fácil invenção… uma útil engenhoca

paulofski @ na bicicleta | 19/05/2015 às 11:32

Temas: [ uma boa ideia ] [ bicicultura ] [ boas ideias ] [ coisas que inventam ] [ coisas que leio ] [ motivação ] [ outras coisas ]

Cria um carregador de telemóvel para bicicleta

bicicleta-carregador-de-telemóvel
“Tamas, um brilhante inventor húngaro, criou um carregador de telemóvel para bicicleta por apenas 5 dólares (pouco mais de 4 Euros ou cerca de 15 Reais) que funciona a energia do vento.

Tamas vai para todo o sítio de bicicleta e, como acontece a muitas pessoas, enquanto está a pedalar, o seu telemóvel fica sem bateria. Durante um verão, quando participou num Bike Camp, a bateria do seu telemóvel descarregou, magoou-se num joelho e não conseguia falar com os pais nem com a assistência médica.”…

carregador-de-telemóvel-energia-eólica
Podes saber mais sobre esta interessante e útil engenhoca aqui: http://noctulachannel.com/carregador-de-telemovel-para-bicicleta/


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Já começam a ser demasiados commuters

@ Eu e as minhas bicicletas | 18/05/2015 às 14:09

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ commuters ] [ nirvana ] [ the grail ]

Então não é que a semana passada fui ultrapassado por, não uma, não duas, mas por quatro bicicletas no espaço temporal de 10 minutos...
Dois commuters (o meu vizinho P e outro commuter que fui conhecendo que é o R - iam atrasados e seguiram) e por dois ciclistas de estradeiras em treino... num só dia logo por quatro!

E ainda há pouco tempo vi um commuter a ultrapassar outro commuter de bicicleta no sentido contrário ao meu.

Comecei nisto do commute de bicicleta já há dois anos. Neste tempo fui conhecendo as pessoas e como somos poucos é fácil criar empatia. Mais tarde via as redes sociais acabámos por passar a comunicar uns com os outros mais do que aqueles fugazes 10 segundos em que nos cruzamos ou passamos de manhã ou ao final do dia.

No princípio conhecia os que já eram meus amigos. O meu amigo/vizinho P, os meus amigos e colegas de trabalho S e C, e mais tarde criei uma amizade com um amigo deles o J com quem temos conversas engraçadas sobre isto das bicicletas.

"
- E aquele moço mais gordinho? Sabes que é?
- Sim, sim, tem uma pedalada, vai lá vai. É o E, ele vai todos os dias de bike para o trabalho.
- E aquele outro que tem uma estradeira azul...?
- Perfeitamente, é o F, para mim é como o "The Grail" o personagem do Yehuda, passa sempre por mim e nunca o consigo acompanhar.
- Yá, esse sacana tem um ritmo do caraças... mas uma vez eu mais o Jamaica Man...
- Quem??
- O Jamaica Man, não sabes quem é? É um mano com grandes rastas... ele passa noutra hora diferente da tua.
- Pois, esse não conheço...
- Mas uma vez o The Grail passa por nós, e virei-me para o Jamaica Man: Bora apanhá-lo? e fomos atrás dele... hehehe.
- Ópá, eu nunca o consegui apanhar... ele rola muito...
"

Eu até há pouco tempo conseguia identificar quase todos os commuters no meu horário e outros que conhecia mas me cruzava de vez em quando: o P, o S, o C, o J, o E, outro P, o R, o F, outro R e um ou outro mais...
Agora? Agora apareceram mais uma meia dúzia deles, e noutros horários devem existir outros tantos... tudo gente que viu a luz! :)

Há dias vi um foto que o R tirou ao F (o que chamávamos "The Grail" antes de o conhecer) e que este postou no seu facebook:

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...não resisti a deixar-lhe este comentário:

"Confessa lá que tens saudades daqueles dias de commute fechado dentro de uma latinha com ar artificial do AC, sentadinho sem fazer esforço a não ser apenas o suficiente para mudar a estação de rádio, enquanto ficas a abóborar parado no trânsito com um sorriso amarelo para o enlatado do lado? 

Que tens saudades de não  ter de sentir os elementos a bater-te no rosto? O Sol a queimar-te a pele? A brisa a soprar-te na face? A chuva a molhar-te? Que passavas bem sem o cheiro das flores a brotar na Primavera? Ou do cheiro a terra molhada no início do Outono? 

Confessa que te sentes culpado por não contribuíres para a economia do país não gastando o teu soldo em ginásios? Em idas ao hospital por maleitas modernas, do stress e da ansiedade? Por não investires em produtos petrolíferos que tanto ajudam o nosso país? 

Confessa que tens saudades de engordar lentamente ao invês de queimares os excessos? 

Confessa lá que preferias voltar a fazer parte do rebanho que lentamente pasta de casa para o trabalho numa estrada de alcatrão ao invês de ires aí nesse estradão no meio do mato? 
Hmm?"

Respondeu:
«Já nem me lembro de nada disso...»

O F atingiu o nirvana.



O "The Grail" no Yehuda Moon (http://www.yehudamoon.com/):

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Primeira S24O!

Ana Pereira @ Viagens a Pedal | 18/05/2015 às 9:30

Temas: [ campismo ] [ microaventuras ] [ relatos ] [ s24o ] [ bicicultura ] [ intermodalidade ] [ Sintra ] [ vídeos ]

O Pedro (Velocorvo), convidou-nos para um S24O a meio de Abril e nós aceitámos prontamente! Para nós foi a primeira experiência neste formato, e a primeira vez a fazer campismo selvagem, mas o Pedro é um habituée e levou-nos para um seu local de eleição, no meio de umas rochas na serra de Sintra.

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Para nós não é fácil conjugar coisas destas com outras pessoas dado que o nosso fim-de-semana (2ª e 3ª) não coincide com o fim-de-semana normal da maior parte das pessoas (sábado e domingo). Mas desta vez deu para juntarmos 6 pessoas, com o plano de sairmos de Lisboa a meio da tarde de Domingo (o que permite conjugar a volta com o nosso trabalho de manhã na escola), e regressarmos a Lisboa ao final da manhã de 2ª-feira.

Para isso foi fundamental a co-modalidade com o comboio, que apanhámos para lá e para cá.

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Apanhámos o comboio em Campolide, outros no Rossio, outros em Benfica, e saímos na última estação, em Sintra. Depois de todos juntos, arrancámos, pois tínhamos uma serra para subir.

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Chegámos ainda com tempo de montar o estaminé com luz do dia. Ficou apertado, mas coubémos todos.

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A Mutthilda foi connosco, claro. E o A. levou o gira-discos, o que deu um toque especial à experiência. :-)

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Antes e depois do jantar subimos à rocha para apreciar a vista. O pôr-do-sol primeiro, e as estrelas depois.

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O jantar incluiu massa instantânea, cogumelos, queijo, paté, folhados caseiros, chá, etc. Comida não faltou.

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Depois de uma noite com um momento de emoção em que a S. se afastou para atender a uma chamada da natureza, caiu e se desnorteou momentaneamente para encontrar o caminho de volta sozinha, começando a gritar por ajuda, acordámos frescos. Tomar o pequeno-almoço na serra, na manhã seguinte, foi também muito bom.

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Depois de voltarmos a arrumar tudo, lá saímos da “caverna” a meio da manhã, para regressar à civilização.

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A parte mais positiva dessa perspectiva é que o que sobe (no dia anterior) tem que descer. :-)

Mas o melhor é verem o vídeo. :-)

Este é mesmo um belo formato de escapadinha. Gostámos muito e é para repetir!

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DIY Velomobile - a transmissão (II_a)

Bruno BA @ Bicycling2012 | 15/05/2015 às 11:12

Temas: [ Bafang ] [ bicicleta eléctrica ] [ bicicultura ] [ BionX ] [ DIY ] [ electric bicycle ] [ gear ratio ] [ mid drive ] [ Velomobile ]

Uma outra dificuldade que encontrei e que penso ter ultrapassado relaciona-se com a amplitude das mudanças. 

Efectivamente, sendo os Velomobiles são mais aerodinâmicos do que as bicicletas, é necessário ter muita velocidade de ponta para podermos aproveitar o seu potencial de velocidade máxima.

Isto significa que é necessário ter uma pedaleira (pedivela) com muitos dentes e uma cassete de mudanças atrás com poucos, para gerar muitas rotações de roda por cada pedalada. 

O problema é que os Velomobiles também são muito mais pesados do que uma bicicleta, pelo que a subir necessitam de uma desmultiplicação muito grande, ou seja, necessitam do inverso do que referi acima: uma  pedaleira pequena à frente e uma cassete grande atrás, para que cada pedalada faça rodar a roda traseira o mínimo possível. 

Até aqui estaria tudo bem, certo? Bastaria ter três pratos à frente e 9 ou 10 velocidades atrás.

Nessa medida, com um prato de 22 dentes na pedaleira e com uma cassete de 11-36 de 9 velocidades, teria a seguinte relação:

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Em termos de velocidade máxima, com um prato de 46 dentes na pedaleira e com a mesma cassete de nove velocidades, a relação:

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Só que para o efeito que eu quero o Velomobile, e para os percursos que pretendo fazer, sei que há muitas subidas longas e íngremes que tornariam as viagens mais lentas e difíceis nesse meio de transporte do que numa bicicleta de estrada. 

Por isso, planeei, desde o início que teria de ter assistência eléctrica, preferencialmente do tipo mid drive. 
 
Nessa medida,  há cerca de quatro meses, comprei um kit Bafang de 250 watts com uma bateria de 36v com 15ah (podem ver aqui a mensagem que publiquei na altura). Este kit é muito mais barato do que a maioria dos restantes do mesmo tipo e não causa qualquer atrito quando não está em funcionamento.

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Por outro lado, a assistência eléctrica tipo hub motor, em que o motor está situado no cubo da roda, apesar de (poder) ter as vantagens da travagem regenerativa (abrandam o veículo nas descidas e ao mesmo tempo recarregam a bateria), tem outras desvantagens que eu quis evitar:
- Ruído (da minha experiência apenas o BionX não produz qualquer ruído de funcionamento);
- Efeito de abrandamento quando não está a funcionar (ou seja, acima dos 25km/h);
- Tendência para sobreaquecimento em subidas íngremes e prolongadas;
- Dificuldade adicional na reparação de furos, com desligamento de cabos e utilização de chaves de boca para desapertar as porcas do eixo da roda;
- Um bom Kit tem sempre um preço muito mais elevado do que aquele que eu paguei pelo meu.

Com a referida escolha, tive de lidar com o facto de este kit Bafang ser construído para ter apenas uma pedaleira de 46 dentes. Não tem segundo nem terceiro prato, o que reduz muito a amplitude da transmissão: em regra, ou tenho velocidade de ponta ou tenho capacidade de subida.

Na minha próxima mensagem partilho convosco os cálculos e as escolhas que fiz para obter um resultado razoável.


(mensagem editada a 20-05-2015: corrigi o número de dentes do kit Bafang 250watts, de 44 dentes para 46 dentes)

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Gulbenkian a inovar (em Lisboa)

@ Eu e as minhas bicicletas | 15/05/2015 às 10:59

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ Gulbenkian ] [ jardim ] [ parqueamentos ]

Hoje pensei de caminho em ir tomar um café ao tal spot da Gulbenkian que já referi no outro dia, mas descobri que que só abre às 10h00, ora bolas!

Mas nem tudo são más notícias... olha lá o que estão a meter nas entradas todas, e que foi estreado pela Felicidade...
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A pessoa com quem falei disse que iam meter mais uns quantos, e quando referi que podiam estar melhor situados e menos refundidos disse que o "Arquiteto Jardim é que mandou meter assim!"

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Mas pronto, pelo menos já há uma consciência... build them, and they will come!

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reciclando [9] se aprende na infância e nunca mais se esquece

paulofski @ na bicicleta | 14/05/2015 às 12:01

Temas: [ motivação ] [ bicicultura ] [ histórias de vida ] [ outras coisas ] [ reciclando ]

nunca mais se esquece
Aprender a andar de bicicleta faz parte das primeiras conquistas que temos. É uma das mais importantes aprendizagens, quase como ficar em pé e aprender a andar. Se não compreender a psicologia inserida no contexto então não entende e não sabe pedalar.

No tempo das nossas mães muitas “primeiras bicicletas” não tinham rodinhas. O curso intensivo começava nas bicicletas grandes, nas pasteleiras dos adultos com o selim a roçar o quadro. Apesar de parecer o contrário, aprender a andar numa bicicleta tão grande tem as suas vantagens. A primeira delas é a confiança na destreza do adulto que auxilia. Quando esse adulto era o pai nunca se aprendia tão depressa a técnica do equilíbrio. Sempre mais temeroso que a descendente, ele lá ia agarrando vigorosamente o guiador querendo comandar tudo. Mas quando era o tio que segurava o ombro, aprender a andar de bicicleta era diversão garantida. A segunda é o sentimento de algo conquistado, a intuição forte num corpo tão franzino querendo dominar um meio de transporte tão absurdamente desproporcionado. As demais vantagens estariam no desafio, nos tombos, dos quais se coleccionavam pequenos arranhões, nas risadas e nas horas alegres passadas em boa companhia. As aulas resumiam-se a três momentos: pedir ajuda para subir na bicicleta, começar a rodar e depois sentir um ligeiro e não tão delicado empurrão, deixando-se ir aos zigue-zagues tentando equilibrar-se. O problema era quando o movimento terminava e era preciso rodar os pedais. Para quem começava a aventura-se numa garupa de duas rodas, equilibrar e pedalar ao mesmo tempo não é tarefa fácil. E por mais que se tentava adiar o tombo era sempre certo, mas lá ao fundo do estradão havia sempre um monte de mato seco que amaciava o trambolhão. As esfoladelas não passavam de troféus, e o tio ria-se, esperando que ela se levantasse e voltasse a empurrar a bicicleta para com persistência repetir a proeza.

A teimosia e a aprendizagem possibilita a liberdade de pedalar pelos campos verdes e estradas poeirentas da vida, que a bicicleta nos permite alcançar, e que se transformaram em memórias preciosas dos jovens que somos hoje.


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Movimento Perpétuo Associativo

@ Eu e as minhas bicicletas | 14/05/2015 às 10:35

Temas: [ assembleia ] [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ mubi ]

Hoje é dia da Assembleia Geral da MUBi.

Ver informação oficial aqui:
http://mubi.pt/2015/04/30/assembleia-geral-14-de-maio-quinta-feira-20h30/

São umas horas da vossa vida que podem dispensar e investir para o bem comum e para um bem maior. É de aparecer ou assistir remotamente, participar, opinar, aprender e apreender, ser ativo e útil.

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(foto http://rodasdemudanca.mubi.pt/)

"Ah e tal mas não sou sócio e mais não sei o quê e o camandro..."
Ser sócio é grátis e custa o tempo de preencher este formulário:
http://mubi.pt/junte-se-a-nos/faca-se-socio/

Mas aqueles que já são sócios deem lá um salto e participem!

"Quem quer fazer algo encontra um meio, quem não quer fazer nada arranja desculpas." - ou é do Confúcio, ou é um provérbio Árabe, ou é sabedoria popular...

O que me fez lembrar esta musiquinha:

Movimento Perpétuo Associativo - Deolinda



«Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...»

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Escolher estar feliz

@ Eu e as minhas bicicletas | 13/05/2015 às 11:39

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ ciclovia ]

A vida é feita de escolhas. *

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Há grandes escolhas, há pequenas escolhas, há escolhas simples, há escolhas efémeras, há escolhas com impacto, há escolhas sem sentido, há escolhas duvidosas, há escolhas por obrigação, há tantas escolhas, há escolhas...

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Eu hoje tinha duas escolhas... ou vinha na Felicidade ou vinha na Prazeres!
Escolhi vir na Prazeres.
Até voa... baixinhooo.

[
Agora lembrei-me de uma anedota que é mais ou menos assim:
Na escola a professora pergunta:
"- Meninos, digam animais que voam..."
e diz um dos alunos:
"- Um hipópotamo."
"- Então? Os hipópotamos não voam..." - repreende a professora.
"- Mas o meu pai é do KGB e diz que sim."
"- Pois, voam, mas voam baixinhooooo..."
Eu sei, é um pouco seca, mas pronto... e não estou a comparar a Prazeres a um hipópotamo, quanto muito seria uma gazela!
]
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Já o resto da malta, dentro das suas latinhas a caracolar, não sei se tem escolhas ou não mas quiça deveriam começar a pensar nisso.

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Houvessem mais infraestruturas e respeito no trânsito e muita gente arriscaria, mas o primeiro passo tem de ser os próprios a dar...

"Quem quer fazer algo encontra um meio, quem não quer fazer nada arranja desculpas." - ou é do Confúcio, ou é um provérbio Árabe, ou é sabedoria popular...


(A vida é feita de escolhas. * acho que isto deveria ser um slogan/campanha de promoção da adoção de meios de transportes ativos... e não é original meu mas copiado aí de alguém nas redes sociais, não lembro o nome do senhor)

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Três dias de bicicleta e campismo, com 7 bicicletas, 4 adultos, 3 crianças e 1 cão

Ana Pereira @ Viagens a Pedal | 10/05/2015 às 9:37

Temas: [ campismo ] [ Famílias e crianças ] [ relatos ] [ s24o ] [ bicicletas de carga ] [ bicicultura ] [ crianças ] [ famílias ] [ longtails ] [ Meco ]

A ideia era aproveitar a pausa da Páscoa para fazermos uma pequena viagem de bicicleta com amigos, uma viagem familiar dado que eles levariam os filhos e nós a Mutthilda, com campismo pelo meio. Tínhamos três dias, 5ª, 6ª e sábado antes da Páscoa. Optámos por ir para o Meco, o que foi fixe pois eu e o Bruno ainda não conhecíamos aquela zona.

Fomos combinando as coisas por telefone e nos Hangouts do Google. Partimos dos tracks de GPS cedidos pelo Gonçalo, que não pôde ir, mas o R. levou um amigo (que não anda regularmente de bicicleta) para fazer o percurso com ele uns dias antes, e assim fazer o reconhecimento. Uma preocupação extra justificada pelo facto de que íamos levar connosco 3 crianças entre os 6 e os 9 anos, para pedalar distâncias muito maiores do que as que estavam habituadas a fazer.

Na noite anterior eu e o Bruno deitámo-nos às tantas a preparar as coisas nas bicicletas. Garantir que não falta nada, hesitar no que levar e no que deixar, contorcermo-nos com que roupa levar e quanta, etc. É sempre assim quando temos uma viagem, seja de bicicleta ou de avião. Talvez um dia sejamos capazes de fazer um planeamento mais eficaz, quando fizermos isto mais regularmente. Espero. 😛

De qualquer modo, no dia 2 de Abril de 2015, um bocado em cima da hora, mas estávamos em Belém às 10h para apanhar o barco, como combinado. O funcionário da Transtejo foi um idiota, em vez de nos explicar que era um ferry e que abririam o portão para os veículos saírem e entrarem – por onde poderíamos assim passar, deixou-nos lutar para conseguirmos passar pelos torniquetes normais com as 4 bicicletas carregadas , tendo que andar a levantá-las e contorcermo-nos para fazer passar tudo a tempo de não perdermos o barco.

Mas enfim, o ferry chegou, e nós entrámos. Assim começava a nossa aventura! :-)

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Dos adultos, o R. e o B. levavam as suas Xtracycles, o Bruno levou a Big Dummy com a Mutthilda no deck, eu levei a LHT com um FollowMe Tandem.

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Das crianças, o M. levou a sua bicicleta e ora iria a pedalar ora iria, junto com ela, em cima da longtail do pai. O R. júnior levou e pedalou a sua própria bicicleta. O H. ora iria a pedalar a sua bicicleta sozinho, ora iria a pedalá-la atrelada à minha LHT, ora iria à boleia na longtail do pai (enquanto eu rebocaria a sua bicicleta).

Cada um pedalou a sua bicicleta desde o barco até pararmos numa pastelaria na Costa da Caparica para tomar o pequeno-almoço.

A seguir apanhámos uma estrada estreita, com algumas curvas com pouca visibilidade, com uma via em cada sentido, sem bermas, e com algum trânsito. Íamos num grupo só, adultos à esquerda, crianças à direita, o R. júnior, o mais velho, ia no fim, ao lado direito do Bruno, eu seguia à frente com o H., o mais novinho, à minha direita, e o pai dele atrás de nós.

Foi tudo pacífico, mas íamos bastante devagar, ao ritmo dos miúdos (10-12 Km/h), e para reduzir a probabilidade de a impaciência levar alguns condutores de automóveis a fazerem ultrapassagens menos que ideais, optámos por nos sub-dividir em 2 grupos, mantendo-nos próximos mas com espaço suficiente para acomodar 2-3 carros à medida que nos fossem ultrapassando por fases.

Correu tudo muito bem, não foi propriamente a parte mais relaxante, mas foi tranquilo. Mas para isso foi fundamental a comunicação. Quem vai à frente comunica com quem vai atrás se é seguro sermos ultrapassados ali ou não, e quem vai atrás vai passando essa mensagem aos condutores que nos seguem, sinalizando o “pode passar” e o “aguarde, não pode passar”. Na grande maioria dos casos as pessoas não são estúpidas e percebem isto, respeitam e tudo corre bem. Só de vez em quando alguém passa quando não deve, ou passa demasiado depressa ou demasiado perto, mas nada de especial, estávamos todos alerta e preparados para lidar com isso.

Depois de uma subida mais exigente, em que os dois mais pequenos foram à boleia dos pais, mais um pouco e chegámos à Mata Nacional dos Medos. Passada a cancela, deixar os automóveis para trás, o ruído, o fumo, o perigo, e embrenharmo-nos no pinhal, soube mesmo bem. Estávamos “na natureza”! As crianças puderam andar de bicicleta à vontade e a Mutthilda pôde acompanhar-nos correndo e explorando livremente. Começava a parte mais interessante! :-)

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O pavimento estava longe de bem conservado, mas não tão mau que não compensasse a ausência de carros. 😉

Não temos fotos de todo o percurso para lá e para cá, mas apanhámos asfalto bom, asfalto mais-ou-menos, asfalto em mau estado, caminhos de terra batida, caminhos com brita, caminhos de areia (muita areia), etc. Estes foram espectaculares, no meio do pinhal:

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Quando chegámos à NATO tivémos que passar por uma zona cheia de cães vadios. Por momentos receiei um pouco, mas apesar de ladrarem, e da Mutthilda ladrar também, os cães nãos nos seguiram nem nada do género. Mas resolvemos pedalar mais um pouco para nos afastarmos, de forma a podermos soltar a Mutthilda mais à vontade, e não correr tanto o risco de almoçarmos ao pé de dejectos caninos. Depois de fazermos uma pausa para um almoço piquenique no meio da Herdade da Apostiça (o que implicou pegar nas bicicletas para as fazer passar por cima de um portão / cancela – carregadas, foi um esforço de equipa), retomámos a pedalada até chegarmos finalmente ao parque de campismo de Fetais.

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Montámos campo ainda era dia.

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Os miúdos entretiveram-se com jogos e com a Mutthilda.

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O percurso da Trafaria até ao parque foi este. Foram 34 Km feitos em 3h30.

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Ao segundo dia não pedalámos, fizémos antes uma bela caminhada até à praia do Meco, 3 Km, 35 min a andar.

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Ainda deu para um bocadinho de frisbee com os miúdos e com a Mutthilda.

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Estivémos na praia cerca de hora e meia, a brincar, absorver a natureza e a paisagem, e depois regressámos ao parque.

As refeições foram preparadas no parque de campismo, tínhamos fogões, panelas, pratos e afins, e comida pré-preparada ou fácil de preparar (tipo ‘noodles’).

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A cozinha:

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À noite a tarpa deu jeito para cortar um bocado a luz do candeeiro e dormirmos melhor. Infelizmente descobrimos que as pessoas por vezes se esquecem onde estão, ou da boa educação, e tivémos que aturar grupos de pessoas a conversar alto, à porta das suas roulotes, nas primeiras horas da noite, enquanto tentávamos dormir. Uns tampões para os ouvidos teriam sido, afinal, boa ideia.

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Ao 3º dia, era tempo de regressar a casa. Fizémos o caminho inverso, penso que houve só uma ou outra alteração (um caminho de areia com bicicletas carregadas, a descer, faz-se, a subir, esqueçam).

O nosso comboio era assim:

Descidas para fazer devagar e sem travar a roda da frente. 😛

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Muita areia. Procurámos uma alternativa mais ao lado.

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Paragem para almoço!

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De volta ao caminho.

Neste regresso, para fugirmos a um grande troço de areia, também tivémos novamente que passar por cima de uma cerca – desta vez descarregámos as bicicletas para o conseguirmos fazer de forma mais segura e “ergonómica”).

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Quando chegámos outra vez ao asfalto, junto à NATO, o H. queria ira pedalar sozinho, então começou, com a ajuda do M. a tentar desengatar a bicicleta dele do FollowMe Tandem e, logo, da minha bicicleta. :-)

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O caminho de volta também foi pacífico, mas com alguns troços um pouco mais stressantes – havia muito trânsito, e a estrada não permitia ultrapassagens seguras facilmente. Mas fez-se e correu tudo muito bem, usando as técnicas já anteriormente aplicadas: circulação ocupando totalmente a nossa via, normalmente circulando a par, organização em dois grupos não muito afastados, e comunicação eficaz dentro de grupo e com os automobilistas que nos seguiam.

Quando chegámos à estação fluvial da Trafaria, a Mutthilda já estava KO de tanta correria e tanta brincadeira naqueles 3 dias, dormia que nem um bebé. :-)

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A minha bicla.

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Já na margem Norte, pedalámos juntos até ao Areeiro, onde depois cada um seguiu até ao seu destino.

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O percurso de regresso a Lisboa foi este mais este. Foram uns 45 Km feitos em 4 horas.

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Tivémos imensa sorte com o tempo nestes 3 dias, esteve um sol e uma temperatura fantásticos. Tudo correu bem, com os miúdos, com a circulação na estrada, com o campismo, tudo. Foi óptimo e adorámos. Para primeira experiência do género (com amigos, crianças e cães) não podia ter sido melhor e só nos deu vontade de repetir!

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As imagens vendem, mas e ações?

@ Eu e as minhas bicicletas | 10/05/2015 às 7:47

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ comunicação ] [ imagem ] [ publicidade ]

Estes são apenas alguns exemplos, mas muitos mais haverá de certo, que demonstram que a "bicicleta" está na moda! É trendy!

Os marketeers, publicitários, jornalistas, profissionais da comunicação e comerciantes não são burros, quer dizer alguns até poderão ser menos inteligentes mas a maioria tem dois dedos de testa, e percebeu que a imagem icónica da bicicleta vende.

E que se há mais gente a usar a bicicleta então também há vantagens em colar a marca/produto/loja a essa imagem.

Passe a publicidade...

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Até o jornalismo foca-se na bicicleta, por exemplo no "Jornal i" que é um periódico que leio amiúde usa muitas fotos com bicicletas:

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Mas a questão de fundo é: 
E os políticos e decisores, serão na sua maioria asnos teimosos?
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Rolando para o piquenique*

@ Eu e as minhas bicicletas | 9/05/2015 às 17:33

Temas: [ alvito ] [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ monsato ] [ piquenique ]

* mas desta vez não fui eu que rolei, infelizmente!

Finalmente calor!! (Apesar de que para mim assim já está bom! Mais não, sff...)

Nós lá de casa e mais um casal amigo combinámos um piquenique ali no Parque Infantil do Alvito em Monsanto, Lisboa.

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É um espaço fantástico para as famílias, os miúdos adoram e é mesmo muito agradável.

Pena é que sendo um local tão central a Lisboa só quase seja acessível de carro.
Há transportes? Sim, há, mas não dá jeito a todos, e assim torna-se super cómodo ir... de carro! Obviamente!

E claro que com o respeito que o tuga tem gera-se o caos pois toda a gente quer estacionar o mais próximo da única entrada do parque o que leva a que fique tudo encalacrado.
E o respeito pelo código da estrada ou o respeito ao próximo deixa de existir, pois o umbigo de cada um é sempre o mais importante.  "O meu umbigo é mais bonito que o teu." - li algures aí na internet.

Ainda assim recomendo muito! Vão!

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Almoço de carne grelhadinha, mesa com sombra, até apareceram umas ações da CML para animar a criançada e os graúdos. Muito bom!

Estava eu estendido na mantinha à sombra na relva e ouço uma mãe para um miúdo ao meu lado:
"Ó Mánel, despacha-te a brincar se ainda queres ir à praia!"
Mas esta gente bate bem? Estão ali num pequeno paraíso para os miúdos e está a stressar a criança para ir à para praia? Apanhar trânsito para ir ter com o resto da carneirada? Jiizzz.

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Mais uma vez nestes parques existe a regra de "Bicicleta não entra!" e tem um estacionamento à porta. Que estava desta vez com dois exemplares....
Aliás, eu sabendo que bicicleta é complicado já não levava a da miúda, mas a minha filhota de 5 anos ia a entrar de trotinete: "Trotinete não entra!" - chiça!!!

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Perguntei ao meu amigo M. quantas pessoas ele acharia que durante o dia estariam ali naquele parque, ele mandou: "O dia todo? Hmmm, talvez umas duas mil pessoas..."

Honestamente deve ter sido o dia em que lá fui que vi aquilo mais cheio. Eu fujo das multidões e não gosto destes grandes ajuntamentos, sou assim, mas até costumo ir muitas vezes a este parque, mas sempre fora dos dias de enchentes. Portanto hoje foi um dia em que aquilo para mim estava mesmo pelas costuras!

Como só vieram de bicicleta duas pessoas, por acaso exatamente o meu amigo M. e o seu filho F. de 8 anos, fazendo umas contas de merceeiro, para um dos melhores parques da cidade para famílias e criançada, assumindo os tais 2000 ocupantes, então provavelmente, hoje foram apenas 0,1% pessoas de bicicleta para o parque.

Talvez menos de 1% de transportes e quiça uns 99% de carro. É este o futuro que queremos?

Atenção, eu e a minha família fomos de carro (e carregados de coisas, mantas, comida, bolas, trotinete, arca com sumos, etc) mas não estou a dizer para fazerem o que eu digo e nao o que eu faço, nao sou desses. E há muita gente que leva carrinhos de bebés e montes de tralha e com os atuais transportes será complicado.

Mas o que eu queria mesmo era ter condições para poder convencer as minhas babes a irem de bicicleta.
Mas com as atuais infraestruturas? Nem pensar!
Não vou ser mártir da causa nem expôr a minha filha de 5 anos aos perigos da estrada.

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Ainda assim só tenho a tirar o chapéu ao M. e ao F. que decidiram rolar de casa ao Alvito e voltar (serão uns míseros 3kms mas na selva do trânsito é uma aventura).

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E é por eles, e por todas as famílias que querem ser livres de escolher o meio de transporte ativo para deslocação, seja de bicicleta ou a pé, que devemos todos assinar esta petição:

Ban Ki-moon: WE DISAPPROVE OF THE CAR LOBBY APPOINTED AS UN SPECIAL ENVOY ON ROAD SAFETY

Pode ser pouca coisa mas pode ajudar a mudar um bocadinho os poderes no mundo e a pressão para mudar o paradigna atual em que um pai e um filho tem de se refugiar de bicicleta no passeio para se sentirem seguros a deslocarem-se num parque florestal impestados de carros a velocidades bem acima do limite.

Nota:
O facto de não deixarem as bicicletas entrarem faz algum sentido pois aquilo está cheio de crianças a correr desvairadamente (no bom sentido!), mas mesmo assim acho que deveriam deixar entrar à mão, para as pessoas terem um olho nas ditas.
O M. e o F. de 20 em 20 minutos iam à porta ver se as bicicletas ainda lá estavam... isto é parvo!
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Uma féria de uma hora

@ Eu e as minhas bicicletas | 8/05/2015 às 13:42

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ féria ]

Esta semana os meus posts aqui no blog foram ligeiramente para o negativo pelo que estava a faltar um pouco de boa energia. Aqui vai...

Resolvi ir tirar umas férias de uma hora e peguei na Felicidade e fui almoçar a um dos meus spots preferidos em Lisboa para se "estar".  A comida não é nada de mais, o serviço é aceitável, mas o local é um pequeno oásis dentro da metrópole.


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Haviam turistas e locals q.b., falava-se em várias línguas, havia gente de férias, gente a almoçar ou só a tomar um café, gente a trabalhar nos seus portáteis ou a ter reuniões, e outros a estudar, havia até um casalinho de adolescente muiiiito enamorados (err, groosss!) e uns jovens papás com o seu rebento.

Assisti a uma disputa territorial de dois casalinhos de patos! A um namorico de pombos. O chilrear dos muitos seres alados era um pouco abafado pelos pássaros de metal em descida para a pista do aeroporto, mas conseguiam-se fazer ouvir o suficiente para ser agradável.

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Durante o tempo que lá estive ouvia ao de leve o que me parecia ser o musicar de um acordeão, mas não conseguia situar. Depois misturava-se com o que parecia ser um violino. No fim vi dois jovens músicos na sombra do jardim a praticar os seus instrumentos.

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Acabei com um dos meus bolos preferidos, Queijada de Requeijão - é uma questão cultural/psicológica (quando era puto fui levar vacinas e se me portasse bem a minha mãe recompesar-me-ia, e foram umas queijadas lá da terrinha no Alentejo). Esta era boazita mas nada de mais.

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Foi uma hora bem passada, e só possível por ter a minha fiel companheira que me permite estas deslocações céleres e convenientes dentro da cidade. 

Ride bikes! Free yourselves!

Ah, é uma esplanada nos Jardins da Gulbenkian. 

Nota:
Obviamente podia ter ido a pé, ia demorar muito mais tempo e não seria uma hora de férias mas uns 30 minutos pois aquilo ainda é longe do local de trabalho. 
Podia ir de mota, verdade, ou mesmo de carro, mas não seria a mesma coisa... né?
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7 mil milhões de outros menos um

@ Eu e as minhas bicicletas | 7/05/2015 às 13:19

Temas: [ atropelamento ] [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ passadeira ] [ rua de campolide ]

Hoje atrasei-me nos afazeres domésticos matinais e vim um pouco mais tarde, nada de mais mas um pouco depois da minha hora normal.

Estava trânsito automóvel, muito, mas isso já não me aflige, é o que é, eles é que vão em rebanho.

Na Estrada da Circunvalação, ia eu no sentido para Lisboa e vi pela primeira vez um commuter de bicicleta a ultrapassar outro commuter de bicicleta. Cada vez há mais gente a adotar os meios ativos de transporte. Boa!

Chegado à ciclovia da Radial de Benfica estava o trânsito todo a caracolar, apitavam e bufavam dentros das suas latinhas - esta gente deve chegar ao trabalho super motivada e cheia de energia positiva. Not!

O trânsito era tal que na rotunda onde finda a ciclovia estava tudo emperrado, estava um carro da polícia e dois agentes a orientar o trânsito, até eu parei na cabeça da fila.
Questionei o que se passava e o polícia sem tirar os olhos do seu mister diz-me: "Foi um acidente muito grave na Rua de Campolide".

Segui e mais adiante ao passar os carros parados foi vendo que havia um grande aparato com polícias e carros de bombeiros, pinos a reduzir a estrada a uma faixa.
Fiz o que faço quase 99% das vezes, desmontei e atravessei a passadeira para depois seguir a pé com a bicicleta pela mão para a Av. Gulbenkian.

https://www.google.pt/maps/@38.734357,-9.164597,3a,75y,143.89h,85.43t/data=!3m4!1e1!3m2!1swfZ9SX07b7cyRfYP4XnN0g!2e0!6m1!1e1

Nisto há uma senhora que começa a atravessar a passadeira ao mesmo tempo que eu, com um polícia à nossa frente no passeio. O condutor do primeiro carro, um velhote, começa a tentar passar, na única faixa, connosco ainda na passadeira.
A senhora começa quase histérica a gritar: "É uma passadeira! Veja a passadeira..."
O velhote continua a pressionar para passar e a mandar vir dentro do carro. E a polícia e bombeiros ali ao lado. Assim que passo, com a bicicleta na mão, ouço um dos muitos populares que ali estavam quedados a ver a gritar:
"Filho da put@, ainda mandas vir? Cabrão! É uma passadeira!"

Estranha reação, pensei.

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Nisto começo a subir pelo passeio mas olho para trás para ver o tal acidente grave.
Não vi carros batidos, nem estilhaços... estranho!

Vi apenas um carro "civil" parado e dois polícias a falar com uma senhora.
A cada carro que passava acelerando as pessoas continuavam revoltadíssimas.
De repente o meu olhar fixou um saco no chão ao lado do autotanque dos bombeiros.

Parecia resguardar um corpo, inerte, morto!

Fiquei completamente enjoado...

Não confirmei ainda a notícia, isto aconteceu há pouco, mas se os olhos não me trairam, alguém perdeu a vida ali, naquela passadeira que eu uso todos os dias que venho de bicicleta.

Numa rua que deveria ser "residencial" e deveria ter limite de velocidade forçado, onde passam pessoas idosas, crianças, carrinhos de bebé... alguém com pressa para ir para o trabalho, distraído, ceifou uma vida, de alguém, que tinha família, que tinha amigos...

Podia ser o seu filho, a sua mãe, uma amiga, um colega de trabalho.
Dasse, podia ter sido eu!!

As nossas estradas estão um selva.
Há imensos atropelamentos mortais porque as estradas são mal feitas, por falta de sinalização, mas muitos por falta de cidadania e consciência dos intervenientes no trânsito.

É por isso que é importante mudarmos, agirmos, não sermos passivos nesta guerra silenciosa.

É importante assinarmos este tipo de petição, que parece não ter impacto mas que até pode mudar muita coisa num futuro próximo...

We strongly disapprove of the appointment of Jean Todt, head of the International Automobile Federation / Formula 1, as UN Special Envoy on Road Safety. 

O mundo somos nós que o fazemos!

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Adenda:

Notícia aqui no site da TVI24

"Um peão foi atropelado mortalmente, esta quinta-feira, na Rua de Campolide, depois de um acidente entre um carro e um motociclo, confirmou à TVI24 fonte da PSP de Lisboa. O acidente fez ainda um ferido ligeiro, o condutor da moto. 

A vítima, uma mulher de 63 anos, foi atropelada pelo carro e faleceu no local. O condutor do automóvel foi identificado. 

Segundo a mesma fonte, o acidente ocorreu às 8:34. A Rua de Campolide foi cortada e o trânsito ainda se encontra condicionado."


Correio da Manhã

"Uma mulher de 63 anos foi atropelada mortalmente durante a manhã desta quinta-feira na Rua de Campolide, em Lisboa. A condutora que atropelou a mulher feriu ainda um motociclista e tentou fugir do local, mas foi travada por populares. O acidente ocorreu por volta das 08h39 desta quinta-feira e provocou morte imediata à vítima. A condutora atingiu uma mota, que tinha parado numa passadeira para deixar a vítima passar, e de seguida colheu a mulher de 63 anos. O motociclista sofreu ferimentos e foi transportado pelo INEM para o Hospital de Santa Maria. Testemunhas no local relataram ao CM que o dono de um café e outros populares foram atrás da mulher que causou o acidente e queria fugir do local, afirmando que "estava atrasada para o trabalho". Foi travada com ajuda de um camião que lhe bloqueou o caminho e detida pela polícia, acabando por ser libertada depois de fazer os testes de alcoolémia."
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Observando a urbe

@ Eu e as minhas bicicletas | 6/05/2015 às 13:59

Temas: [ auto-estrada ] [ bicicletas ] [ bicicultura ]

Tenho andado com uma maleita no pé direito e como tal na passada segunda e ontem terça vim na minha scooter ao invês de vir de bicicleta.

Ao final do dia, já à vinda para casa e depois de uma paragem rápida para fazer umas compras de última hora na Avenida António Augusto Aguiar em Lisboa, eis que a minha companheira decide que não quer ligar... a bateria morreu!

Bom, eu pago seguro para alguma coisa pelo que telefonei para o número da seguradora para ativar a assistência em viagem. Correu tudo bem, o normal, mandaram vir o reboque e um taxi para me levar a casa. Como era final do dia disseram-me que ia demorar uns 30m, estive à espera 1 hora (entre as 19h e pouco até às 20h e tal).

Sentado a ver a urbe a palpitar, eis o que posso aferir por simples observação...

A Avenida António Augusto Aguiar é, parcialmente, uma autêntica auto-estrada.

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O trânsito motorizado automóvel e de duas rodas flui a velocidades elevadas para uma artéria dentro da cidade - bem mais de 50kms/h.

Muitas pessoas vão a conduzir ao telemóvel, e num momento vi quatro carros seguidos com os condutores a mexer no telemóvel (navegar no facebook? instagram? sms's?).
Vi um senhor a ler o jornal e a conduzir, I kid you not.

A grande maioria dos carros leva apenas o condutor.
Da grande maioria de carros só com o condutor a maioria são senhoras, verdade!
Dos carros que levam casais tipicamente é o homem que conduz.
Dos carros que levam crianças tipicamente é uma senhora que os conduz.
Passaram poucos carros com a lotação cheia.

Em 1 hora passou um Porshe e um Lamborghini (acho que era) que tinham umas grandes bufadeiras a largar barulho - mas não existe lei do ruído?

Passaram imensas motinhas, scooters e motões, alguns a fazer muito barulho - mas não existe lei do ruído?

Em uma hora passaram uns 3 ou 4 autocarros de transportes públicos, e um deles era basculante e nem metade da ocupação levava. Passaram vários autocarros turísticos.

Sentado onde estava via os peões a caminhar cabisbaixos nos passeios pois a calçada portuguesa é traiçoeira e existem imensos obstáculos (postes, caixotes do lixo, etc).

O passeio é ridiculamente pequeno comparado com as 8 faixas de alcatrão mais uma faixa de estacionamento para os automóveis. As motas também não tem muito estacionamento legal pelo que pontilhava uma ou outra em cima do passeio.

Os semáforos fazem com que os carros acelerem para queimar os vermelhos, em uma hora ouvi umas 5 vezes travagens a guinchar os pneus. E assim que caí o verde saem num disparo como se fosse o início de uma corrida.
Os peões atravessam nos vermelhos e muitas vezes "atiram-se para a estrada" (dixit Barbosa) a correr onde nem há passadeiras, alguns ao telemóvel e distraídos.

O ar que se respira é pesado, sem grandes áreas verdes, e os níveis de ruído elevado (para conseguir falar ao telemóvel tive de me resguardar na entrada de um prédio).

E o que é que isto tudo tem a ver com bicicletas...hmmm?

Que no meio desta babilónia urbana fiquei deveras surpreendido por ter visto passar umas duas dezenas de bicicletas nesta artéria agressiva.
Verdade verdadeira! Mais vinte bicicletes!!
Três delas passaram em cima do passeio (ainda lhes "rosnei").
Quase todas era malta vestidinha do dia de trabalho a ir para casa ou para outros afazeres... Impressionante!
A arriscarem a vida naquela "auto-estrada" com os automóveis em pura condução agressiva e excesso de velocidade...
Mas lá está, tudo homens dos 20 aos 50 anos.

Se calhar isto corria melhor se houvessem mais infraestruturas, redução de vias de trânsito motorizado, diminuição do limite de velocidade, mais fiscalização.

Existe a vontade, o povo quer, mas quem manda e decide tem de criar as condições...


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Aulas de bicicleta para crianças e adultos com necessidades especiais

Ana Pereira @ Cenas a Pedal - Escola de Bicicleta | 6/05/2015 às 9:02

Temas: [ Aprender e ensinar ] [ De bicicleta com crianças ] [ aprendizagem ] [ bicicultura ] [ crianças ] [ EUA ] [ formação ] [ ONGs ] [ técnicas ] [ vídeos ]

Há uma ONG nos EUA chamada iCan Shine que promove campos semanais para ajudar crianças e adultos com necessidades especiais a aprenderem a andar de bicicleta.

Apesar de haver soluções para permitir a pessoas com diversas condicionantes físicas, intelectuais e/ou motoras pedalarem, recorrendo a triciclos com variáveis níveis de adaptação, se for possível a pessoa conseguir aprender a dominar as 2 rodas, será sempre a melhor opção, pois salvaguarda um maior nível de inclusão, independência e autonomia e isso faz muita diferença. Bicicletas há em todo o lado, triciclos é mais difícil encontrar. Conseguir, por isso, dominar a bicicleta, é uma conquista fabulosa.

Trissomia 21, autismo, espinha bífida, paralisia cerebral, atrasos de desenvolvimento, défices cognitivos, obesidade, são exemplos de condições que afectam particularmente a capacidade de aprender com sucesso a andar de bicicleta pelos processos comuns. Prova disso é que se estima, segundo investigadores da Universidade do Michigan, que menos de 20 % das crianças com autismo e só até 10 % das crianças com Síndrome de Down chegam a aprender a andar de bicicleta. Contudo, juntando os elementos certos, o sucesso é alcançável em pouco tempo e sem grandes percalços.

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Fonte: Montgomery News

Os elementos certos são: ferramentas adequadas, instrutores capacitados e investidos e um ambiente de aprendizagem apropriado. Isto vale para crianças e adultos com ou sem necessidades especiais, claro. Simplesmente, no caso dos primeiros, esses 3 factores exigem um nível de especialização superior.

rollerbikesDescobri este programa há cerca de 7 anos, nas pesquisas que fazia (e faço) na área da formação em condução de bicicleta, ainda se chamava Loose the training wheels (“Larga as rodinhas”) – mudaram de nome em 2012 para reflectir a ampliação da sua missão para incluir outras actividades recreativas como natação, ginástica, etc. Perguntei-lhes nessa altura se desenvolviam programas na Europa, pois queria tentar promover um destes campos cá em Portugal. O programa expandiu muito mas continuam hoje, como antes, sem perspectivas de virem a actuar fora dos EUA e Canadá no médio prazo.

Mantenho, contudo, o sonho de um dia importar o programa para cá, e também de conhecer e trocar ideias com o criador do programa original, e inventor e fabricante das bicicletas especialmente adaptadas usadas nos ditos campos, Richard E. Klein, um professor de engenharia mecânica reformado que desenvolveu o método de ensino e as bicicletas que o suportam.

São as bicicletas altamente adaptadas (os rolos são o que salta logo à vista, mas não é só isso), e o processo de ensino que elas facilitam, que tornam possível depender apenas de voluntários e não de instrutores especializados para ajudar as crianças a aprender, e ainda assim conseguir uma taxa de sucesso de 80 % para 5 dias de aulas, 75 min por dia. Sendo que o sucesso é de 100 % se considerarmos que todas as crianças beneficiam da experiência, mesmo que não atinjam logo os resultados desejados.

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Fonte: The Patriot News

Todos os adultos e crianças tiram os mesmos benefícios de aprender a andar de bicicleta de forma a poder integrá-las nas suas vidas:

  • aumento da auto-estima e auto-confiança
  • oportunidades de inclusão
  • mudança positiva nas dinâmicas familiares
  • melhoria da qualidade de vida atráves de actividades recreativas
  • transporte independente
  • melhoria da condição física

Mas isto tem uma importância particular e um impacto amplificado no caso de crianças e adultos com necessidades especiais.ican shine camp

O que fazemos na nossa própria escola segue os mesmos princípios base, em termos de métodos e ferramentas. Esperamos um dia conseguir ter capacidade financeira para investir em programas adaptados para servir também esta população com necessidades especiais de forma consistente (até hoje apenas tivémos experiências pontuais, embora bem sucedidas, com pessoas com algum tipo de condicionante, como artrite reumatóide, ligeira paralisia cerebral, fibromialgia, obesidade, próteses, etc).

Cá em Portugal, apenas sei de uma pessoa que desenvolveu trabalho nesta área, e de louvar, o Rui Pratas, mas em regime de voluntariado, com todas as limitações que isso implicava (e o Rui entretanto emigrou para o Reino Unido). O nosso objectivo é poder vir a oferecer este serviço de forma profissional e especializada, como fazemos para os alunos sem necessidades especiais.

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"Há muitos Barbosas na terra"

@ Eu e as minhas bicicletas | 4/05/2015 às 20:53

Temas: [ ACP ] [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ ONU ] [ petição ]

E se as pessoas à frente de certos e determinados organismos defendessem um mundo melhor para todos? Livres de lobbies? Sem beneficiar cegamente um lado em detrimento ou prejuízo do outro?

Parece que o maior clube automóvel do país (ACP) foi a votos e decidiu, democraticamente, na continuação do trabalho feito até hoje pela direção atual que renovou assim o mandato. Eu não sou sócio dessa associação. Não sei aferir o trabalho dessa direção pelo que não sei mesmo se os associados fizeram uma boa escolha. Não conheço a pessoa que dá cara pela direção mas o pouco que leio e absorvo da comunicação e demais informações que apanho é que é alguém curto de vistas focado apenas em prol da indústria e dos usufrutários do automóvel.
É pena! Felizmente os automóveis não são ainda autónomos e precisam de pessoas, e quem está à frente de tal instituição deveria saber que pessoas são também peões e ciclistas.
Perdeu-se uma oportunidade pois aparentemente a lista concorrente tinha pessoas com um outro prisma sobre os temas de mobilidade e transportes que podiam beneficiar todos e não apenas alguns.

Mas isto tudo para chegar onde?

Pois parece que na Organização das Nações Unidas (United Nations em EN) nomearam recentemente um novo Enviado Especial para a Segurança Rodoviária.

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Ainda bem, é preciso sangue novo e alguém que com uma diferente visão que leve a compromissos entre todos os envolvidos. Os embaixadores defendem as suas "sardinhas" mas gerando consensos e compromissos entre as partes. Principalmente entre as partes mais vulneráveis de quem usa a estrada.

Ver notícia aqui:
http://www.un.org/press/en/2015/sga1565.doc.htm
"(...) Every year, some 1.3 million people are killed and up to 50 million people are injured on the world’s roads.  Half of all road traffic deaths are among vulnerable road users, such as pedestrians, cyclists and motorcyclists. (...)"

Agora o que está mal é que nomearam o atual PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DO AUTOMÓVEL.
(ver perfil aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Todt)

Ah bom! É quase como promover o dono da Philip Morris (tabaqueira mundial) como o Enviado Especial contra o Tabagismo (não deve existir esta posição, inventei para dar o exemplo).

E porque é que isto nos toca a nós, no dia a dia?
Porque estas coisas são sementes semeadas hoje para brotarem e crescerem devagar...

Quiça daqui a umas décadas não somos todos obrigados a sair de capacete, cotoveleiras e joelheiras pois o Enviado Especial moveu as suas influências para mudar legislação, pois obviamente nunca será o automóvel o responsável pela falta de segurança nas estradas?
Quiça o spray da Volvo (Life paint) não passe a ser obrigatório a todos os peões assim que o astro rei se ponha no horizonte?
Quiça os lobbies da indústria automóvel, que está em crise, viu aqui uma janela de oportunidade para defletir responsabilidades, quiça... quiça...

Assim, e sabendo é uma luta de Golias e David, a MUBi lançou um repto de uma petição mundial para mudar o dito Secretário para alguém com mais imparcialidade no tema.

Se tiver 30 segundos da sua muy ocupada vida é clicar aqui
Ban Ki-moon: WE DISAPPROVE OF THE CAR LOBBY APPOINTED AS UN SPECIAL ENVOY ON ROAD SAFETY
...e depois de ler se concordar assinar a petição deixando apenas o mail e país de origem.

E by the way...
Eu não odeio carros! Aliás eu adoro o meu carrinho! Velhinho mas honrado! Dá-me muito jeito quando vou à terra ver a família, ou de férias e preciso de levar montes de tralha, ou quando vou em roadtrips com os meus amigos, ou outras situações onde é um transporte útil.
Mas não uso é o carro para ir comprar pão a 1km de casa, nem no commute diário para o trabalho, nem a entupir a cidade...
Já o ponderei vender várias vezes mas a verdade é que preciso dele mais do que gostaria e por enquanto terá de ser um mal menor tê-lo para usar em certas e determinadas situações.

Mas o que está em causa não é a posse de um automóvel, mas as leis, regras e limites que gerem o uso do automóvel de forma a não estrangular a nossa comunidade/sociedade/mundo.
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Dia do trabalhador e mais uma estória dos "Funcionários"

@ Eu e as minhas bicicletas | 2/05/2015 às 12:18

Temas: [ bicicletas ] [ bicicultura ] [ funcionários ] [ parque ] [ parqueamentos ]

(Na onda da sátira "Funcionários" do livro "Quotidiano Delirante" do artista Miguelanxo Prado seguem mais umas estórias de pura ficção... estas minhas estórias são mesmo ficção, qualquer semelhança com a realidade serão pura coincidência).

«
- Senhor engenheiro, tenho mais umas situações que gostaria de rever consigo a ver se podemos fazer algumas melhorias...
- Ai, mau, mas começa já assim a semana? Raio do rapaz sempre a moer-me a cabeça - disse o homem a entredentes. 
- Na passada semana fui dar uma volta de bicicleta a Monsanto e sabendo que a minha namorada estava com a minha filha no parque da Serafina passei lá para lhes dar um beijo.
- Quem simpático da sua parte. Mas e então?
- E então quando uma pessoa vai dar uma volta de passeio de bicicleta é normal que não leve atrás toda uma tralha que pode levar quando usa a bicicleta como meio de transporte nomeadamente um cadeado, e quando cheguei à porta do parque não me deixaram entrar com a bicicleta. 
- Ah pois é. Regras são regras. Só as crianças podem andar de bicicleta no parque da Serafina amigo -sentenciou o homem.
- Sim, sim, nada contra - retorquiu o rapaz - faz sentido, aquilo está cheio de gente, de famílias, de crianças e até bebés em carrinhos, é perfeitamente aceitável que não possam adolescentes ou adultos andar em cima das bicicleta a rolar.
- Lá está! - finaliza o homem já a agarrar o seu jornal para ver as gordas.
- Mas eu podia levar a bicicleta pela mão, mas não me deixaram e disseram que a podia deixar no parque.
- E então? 
- E então que faz algum sentido não deixarem entrar com a bicicleta à mão, e terem um parque de bicicletas à entrada que ninguém usa? Não estaria melhor esta estrutura se estivesse lá dentro ao lado do café/restaurante?
- Ó rapaz, esse estacionamento está perfeito onde está, os carros também não entram dentro do parque não é assim?
- Está a comparar os carros às bicicletas? - irritou-se o rapaz.
- Eu? Eu não. Vocês os maluquinhos das bicicletas é que tem essa mania.
O rapaz furibundo resolveu parar a conversa não fosse exaltar-se. Respirou e contou até 100. Depois pausadamente voltou a tentar dialogar.
- Bom, sabendo-me desta limitação no dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, resolvi levar lá a minha filha mas fomos os dois de carro e levei a bicicleta dela na bagageira.
- Ah, e fez você muito bem, conseguiu estacionar o carro?
- Sim, sim, consegui. Aliás, até estranhei pois haviam poucos carros e estava um dia bastante agradável para se estar ao ar livre... mas ao chegar ao portão havia um aviso que dizia:
"A Câmara Municipal de Lisboa informa que os parques recreativos da Serafina e do Alvito, situados no Parque Florestal de Monsanto, vão estar encerrados ao público na próxima sexta-feira, dia 1 de Maio, feriado nacional, assinalando o Dia Mundial do Trabalhador."
- Ah pois é! - frisou o homem.
- Mas, mas acha bem? 
- Claro! Os trabalhadores tem direito a celebrar o Dia do Trabalhador.
- Mas é um jardim municipal, dos melhores da capital, onde dezenas senão centenas de crianças podem divertir-se, correr, saltar, fazer-se piqueniques...
- Pois, temos pena, há sempre o resto do fim-de-semana - mofou o homem.
O rapaz já bufava!
- Bem, como o parque do Alvito também estava fechado acabei por ir até à Alameda Keil do Amaral, pelo menos essa estaria de certeza aberta.
- Fizeste bem rapaz - disse o homem já a perder interesse na conversa.
- Pois, mas enquanto passeava com a miúda que rolava de bicicleta reparei em mais um equipamento de parqueamento de bicicletas que não faz sentido - atirou o rapaz captando a atenção do homem.
- Mas como assim?
- Então, há lá um lava-bicicletas, conhece?
- Sim claro, fomos nós que tratamos disso.
- Mas ao lado há um parqueamento inútil. Que de nada serve.
- Preso por ter cão e preso por não ter. Está lá pois há muita gente a andar de bicicleta nessa zona, a fazerem btt e ciclismo, assim podem parquear as suas bicicletas.
- Senhor engenheiro, ninguém que vá fazer desporto de bicicleta em btt ou ciclismo leva cadeados e irá deixar a bicicleta no meio do nada para ir a algum lado.
- Podem ir ao WC, ora!
- Se andarem em grupo alguém fica de fora a guardar, e se andar sozinho faz no meio da natureza.
- Ah, e se for uma mulher?
- Tem visto muitas mulheres sozinhas a fazer btt em Monsanto?
- Não mas pode sempre haver uma.
- Não lhe parece Senhor Engenheiro, que este equipamento na Avenida Keil do Amaral e o do parque da Serafina seriam mais úteis a quem realmente precisa de ter um local onde prender a sua bicicleta quando vai trabalhar ou estudar? Em frente a um Hospital? Ou a uma Escola? Ou a um Museu? Locais onde possa realmente ser usado por quem precisa?
O homem fez-lhe um sorriso amarelo:
- Está feito, está feito. Fica anotado o comentário. Agora deixa-me lá trabalhar - rematou enquanto abria o jornal.
»


Agora sem ser ficcionado, isto existe e deve servir para muito pouco... digo eu!

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É como andar de bicicleta

Ana Pereira @ Cenas a Pedal - Escola de Bicicleta | 29/04/2015 às 9:01

Temas: [ Sem categoria ] [ aprendizagem ] [ bicicultura ] [ cérebro ] [ ciência ] [ experiências ] [ vídeos ]

É como andar de bicicleta“, diz-se de algo que é fácil e que nunca se esquece.

Em 2012, em Viena, visitámos o Argus Bike Festival no âmbito do programa do encontro do projecto VOCA nessa cidade, em representação da MUBi. Uma das actividades disponíveis era a experimentação de uma série de invenções e adaptações velocipédicas, entre elas uma bicicleta com a direcção invertida (a roda dianteira vira para o lado oposto para o qual viramos o guiador), que tivémos a oportunidade de experimentar:

Ora, conduzir esta bicicleta revelou-se uma missão impossível nos poucos minutos em que tentámos. E agora podemos consolar-nos pois o Destin Sandlin levou a experiência às últimas consequências.

Ele, que aprendeu a andar de bicicleta [normal] aos 6 anos de idade, 25 anos depois levou 8 meses, treinando cerca de 5 min todos os dias, a conseguir conduzir uma bicicleta destas. Ou seja, precisou de cerca de 20 horas de treino, espalhadas ao longo de 8 meses, para simplesmente conseguir equilibrar-se nesta bicicleta, algo que um adulto médio consegue, numa bicicleta normal, aprender em apenas 2 horas se estiver suficientemente disposto a cair (atenção, estamos a falar apenas de equilíbrio básico a pedalar, e não do que é preciso para efectivamente saber andar de bicicleta como deve ser).

Esta experiência suscitou-me algumas questões que ficam por responder:

  1. é efectiva e objectivamente mais difícil aprender a andar nesta bicicleta do que numa normal? É menos contra-intuitiva?
  2. seria mais fácil aprender se a bicicleta invertida tivesse travões manuais (a que experimentámos em Viena também não tinha)?
  3. seria mais fácil / rápido aprender se o Destin não soubesse já andar de bicicleta normal?
  4. é possível chegar a um ponto onde se anda de forma competente e automatizada em ambas as bicicletas, saltando de uma para a outra sem soluços?

O pontos 2 e 3 interessam-me particularmente pelas ilações aplicáveis nas aulas de condução que dou na escola.

Neuroplasticidade

A capacidade do cérebro sofrer alterações sinápticas faz com que os circuitos neuronais sejam capazes de se transformarem e é esta característica única que está na base da aprendizagem e da memória. Este é um processo constante e contínuo visto que está impreterivelmente ligado a uma adaptação ao ambiente circundante e às novas experiências que vão surgindo.

Fonte: Wikipedia

your brain on a bikeO filho do Destin, de 5 anos de idade, andava de bicicleta (normal) há 3 anos, mais de metade da vida dele, e bastaram 2 semanas de treinos para conseguir andar na bicicleta invertida. Ou seja, 32 semanas para o pai, 2 semanas para o filho. Isto é um reflexo da maior neuroplasticidade das crianças – a arquitectura cerebral delas altera-se mais rápida e facilmente durante as suas aprendizagens.

Por outro lado, o que o cérebro do Destin tem a menos em plasticidade poderá ter a mais em estabilidade dos circuitos neuronais, que é o tradeoff que acontece à medida que crescemos e envelhecemos. Isso significa que não só é mais lento a aprender algo novo como é mais lento a “desaprender” algo antigo – “nunca esquecemos como se anda de bicicleta“.

Memória muscular

A aprendizagem motora utiliza memória não-declarativa (adquirida pela prática). Assim para aprender uma actividade motora é necessário treinar inúmeras vezes e de diversas maneiras determinada acção para que esta se fixe. Contudo, quando finalmente se fixa, nomeadamente na idade adulta, já não se esquece, fica na nossa “memória muscular”.

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Mas se aprendemos a andar de bicicleta quando tínhamos 6 ou 8 anos, andámos umas vezes, e depois nunca mais até acordarmos um dia aos 30, 40 ou 50 anos e resolvermos tentar de novo, podemos descobrir que afinal já não sabemos. Podemos sentir que “desaprendemos”. Pode ser apenas que a aprendizagem não ficou consolidada na altura, ou que aquilo que temos na nossa memória muscular está desacertada com a nossa nova realidade corporal: estamos mais altos, mais pesados, etc. Seja como for, reaprender é sempre mais rápido que aprender.

Conclusões

Esta experiência do Destin demonstra algumas verdades importantes que já tínhamos tido oportunidade de observar:

  • em média, aprender a andar de bicicleta (não a conduzi-la, atenção) é mais fácil e rápido para uma criança do que para um adulto
  • um adulto pode facilmente aprender a andar de bicicleta, até uma com direcção invertida :-), basta que invista o tempo necessário
  • desaprender algo é possível, sim, mas é difícil e moroso, e quanto mais consolidada estiver essa aprendizagem que pretendemos desfazer para construir outra, pior – por isso é que é muito mais difícil e leva muito mais tempo a ensinar crianças a andar de bicicleta quando estas andaram com rodinhas de apoio do que quando simplesmente nunca andaram de bicicleta – não ponham os vossos filhos a andar de bicicleta com rodinhas, por favor; dependendo da idade e da criança, invistam numa bicicleta de aprendizagem de boa qualidade e/ou invistam em aulas (bastam 4 a 8 horas para os miúdos ficarem quase uns pros), ou preparem-se adequadamente para a ensinarem (bem) vocês mesmos (vendo isto, por exemplo)

Quando aprendemos uma actividade motora nova, estamos literalmente a alterar o nosso cérebro, estamos a criar novos caminhos neuronais, novas ligações – claro que vai custar! É preciso insistir nos exercícios, praticar regularmente e dormir bem entre aulas. Mas vale a pena, aprender uma nova actividade motora mantém a saúde do nosso cérebro, e depois realizar essa mesma actividade física também beneficia o cérebro, é só vantagens. :-)

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