O homicídio de pessoas nas estradas portuguesas e a pena suspensa

Isa Meireles @ Braga Ciclável

Publicado em 17/04/2021 às 8:00

Temas: Opinião ANSR atropelamentos Bicicleta Braga braga ciclável BragaZeroAtropelamentos Câmara Municipal de Braga Direito estrada Estradas Governo de Portugal Homicidio Isa Meireles Mortes Penas Suspensas Sinistralidade Universidade do Minho


Praticado um crime, tem causado alarme social tanto a prescrição como a suspensão das penas.

Quando de uma colisão, despiste ou atropelamento resulta uma morte, um homicídio, vemos muitas vezes o resultado do processo, ao nível condenatório, ser a aplicação de uma pena suspensa.

O artigo 50.º n.º 1 do Código Penal indica que “[o] tribunal suspende a execução da pena de prisão aplicada em medida não superior a cinco anos se, atendendo à personalidade do agente, às condições da sua vida, à sua conduta anterior e posterior ao crime e às circunstâncias deste, concluir que a simples censura do facto e a ameaça da prisão realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição”.

Ou seja, se a pena de prisão aplicável for inferior a cinco anos, a pena pode ser suspensa. Em linhas gerais: é condenado a pena de prisão, mas não vai preso.

Tratando-se de um homicídio a moldura penal é de 8 a 16 anos de prisão. Mas esta moldura tem atenuações, sendo que esta pena pode, abstratamente e eventualmente, passar de 8 para 1 ano e 4 meses. E quando é que as penas podem ser atenuadas?

Quando, por exemplo, quem comete o crime o tenha feito sob influência de ameaça grave, ou sob ascendente de pessoa de quem dependa, ou a quem deva obediência.

Ou quando a conduta do agente tenha sido determinada por motivo honroso, por forte solicitação ou tentação da própria vítima ou por provocação injusta ou ofensa imerecida.

Ou ainda quando tenha havido atos demonstrativos de arrependimento sincero do agente, nomeadamente a reparação, até onde lhe era possível, dos danos causados e quando tenha muito tempo sobre a prática do crime, mantendo o agente boa conduta.

Há casos limite em que se justifica a atenuação especial da pena, no entanto não se deve banalizar o uso da mesma, ou deixa de ser uma atenuação, uma exceção, e passa a ser a regra.

Há necessidades de ponderação quer perante a sociedade, quer perante a realidade concreta do Arguido e estes detalhes, que são os que diferenciam, só se podem apreciar concreta e casuisticamente.

Para além disso o homicídio pode ser categorizado, por exemplo, em homicídio qualificado (pena 12 a 25 anos), homicídio privilegiado (pena máxima 1 a 5 anos), homicídio por negligência (pena máxima de 5 anos).

Certo é que há a necessidade de se prevenir e de ressocializar a sociedade, mas, quando se trata da vida humana, faz sentido manter o autor do crime em liberdade com pena suspensa? Isto, claro, é a questão social que impera.

Quando se tratam de colisões, despistes ou atropelamentos que sejam julgados como homicídio, o resultado é, muitas das vezes, a suspensão da pena.

E claro está que temos que conhecer os meandros do caso concreto que vão ditar estas tomadas de decisão processuais mas, o que é certo, é que se trata, simplesmente, da interpretação jurídica e legal como a nossa legislação está construída.

Talvez esteja, antes, na altura do legislador meter um travão na suspensão das penas de prisão na sua globalidade ou, então, repensar as medidas da pena. Como há sempre o risco de condenar inocentes, além de ressocializar os agentes, que as estatísticas por si são evidentes, temos que perceber qual a função da prisão perante a sociedade e, também, perante a vida do Arguido.

É que veiculado o conhecimento de como suspender penas, de como gozar de uma prisão suspensa na sua execução, podemos estar a abrir o caminho a uma tutela que não tutela os bens jurídicos tão importantes como a vida.

No caso específico da morte de alguém na estrada, em particular de uma pessoa de bicicleta ou a pé, a negligência poderá ser preenchida pela distração ao volante ou o simples descansar a condução.

Esta negligência retira a vida, e a justiça coloca em liberdade quem a pratica. No final, uma pessoa matou outra e saiu em liberdade.

No final, matar alguém usando o carro como arma em Portugal, tem valido demasiadas penas suspensas. E assim, a sociedade fica com a imagem de que o crime compensa, e não devia ser assim!

 

can’t miss [223] tonowhere.com.br

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 13/04/2021 às 11:33

Temas: can't miss it benefícios das pedaladas bicicleta bons exemplos ciclismo ciclismo urbano ciclistas no mundo cicloturismo cidades coisas que leio Compromisso pela Bicicleta meios de transporte outras coisas partilha

Ciclismo urbano: a bicicleta como meio de transporte

“Quando pensamos no ciclismo urbano, a imagem que vem à mente é a de cidades como Amsterdão e Copenhaga. Mas o que acontece em Bogotá, Buenos Aires, Santiago, Paris ou Cidade do México? Algumas dessas cidades começam a se autodenominar “capitais mundiais do ciclismo”, afirmação que geralmente coincide com a adoção de políticas públicas e investimentos que privilegiam a mobilidade diária de bicicleta.”

[…]

Podes ler o artigo completo em: https://tonowhere.com.br/ciclismo-urbano-a-bicicleta-como-meio-de-transporte

 

aqui, nenhum conselho é válido

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 6/04/2021 às 11:38

Temas: motivação benefícios das pedaladas bicicleta boas pedaladas ciclismo ciclismo urbano cicloturismo confinamentos desafio desconfimanentos desporto devaneios a pedais fotopedaladas Liberdade longas pedaladas pandemias pelas ruas do Porto pelos caminhos de Portugal penso eu de que...

Ernest Hemingway escrevia, mais ou menos por estas palavras, que é a pedalar uma bicicleta que melhor se tem a noção dos contornos de um país, já que é preciso suar nas montanhas e largar os travões nas descidas. É deste modo que se adquire uma memória precisa do que se vive, do que se vê e se sente. A melancolia é incompatível com as sensações de pedalar, com a liberdade que amplifica a energia da conquista e a vontade da lentidão. A bicicleta não é só um meio de locomoção, é mais do que nunca um modo de vida, de quem não devora mas saboreia, não consome mas absorve, não olha mas contempla, não acelera mas flui.

Pedalar ajuda a reflectir em plena harmonia com o meio envolvente. A redescobrir as nossas potencialidades e os nossos limites. Como a vida, a bicicleta é o equilíbrio entre múltiplas e contrastantes exigências, em harmonia com o essencial condimento da responsabilidade. Dar um mero passeio pela vizinhança ou ter o privilégio de percorrer longas distâncias em bicicleta, faz com que a relação entre diferentes estados de alma, como a felicidade, o sofrimento, a euforia, a fadiga, nos dê mais saúde e nos inspire o bom humor. Para além de físico, pedalar é um exercício espiritual. A bicicleta como lazer e meio de transporte sugere que quem a utilize seja mais feliz e saudável do que quem escolhe uma qualquer mobilidade motorizada.

A bicicleta é a única corrente que nos torna livres. É a melhor forma de trilhar caminhos inexplorados que nos fazem sentir em unidade com a natureza. É a lentidão que nos permite apreciar o mundo à volta. Na sua simplicidade permite-nos percorrer estradas e visitar lugares de uma maneira segura, num mundo que, apesar de doente, é sempre maravilhoso. Ela é o símbolo do respeito pela natureza e pelo ambiente. É alternativa a ir até onde os automóveis não chegam.

Desejo-a mais do que nunca nestes dias. Este sol primaveril, a temperatura amena e os aromas estimulam não só os sentidos. O desejo de viajar a pedais em tempo de pandemia é ainda mais forte. Preparemo-nos desde já para programar belos passeios, sozinhos ou na responsável companhia de familiares ou amigos.


“A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”.

Freud


 

Quantos nunca?

João Forte @ Braga Ciclável

Publicado em 6/04/2021 às 7:00

Temas: Opinião carros Chuva exemplo João Forte velocidades excessivas


Quantos de vós, numa conversa, nunca utilizaram como argumento bons exemplos ou práticas que se vêem nos países mais desenvolvidos para mostrar como deveria ser em Portugal? Qualquer um de vós já o fez. Quantos de vós já pegaram nesses bons exemplos ou práticas, aplicando-os no vosso dia-a-dia? Poucos.

Quantos de vós já disseram que só com boas práticas e mudança de mentalidades lá iremos? Quantos de vós já se desculparam, dizendo que em Portugal ou em Braga não há condições para aplicar os bons exemplos e/ou práticas que vemos lá fora? Apostaria que a maioria de vós.

O que nos diferencia dos países ou cidades mais evoluídas? Na minha opinião é simplesmente a atitude. Tendo o clima que temos, continuamos a usar e abusar da chuva como argumento para não andar de bicicleta. Os nórdicos riem-se dos portugueses que usam argumentos como este. Coitados deles, neve, chuva, frio e mesmo assim andam muito mais do que nós de bicicleta, até para ir trabalhar. O que nos diferencia? A atitude!

Quantos de vós já pensaram um dia pegar naquela bicicleta enfiada lá para o fundo da garagem e experimentar ir um dia para o trabalho nela? O que vos impediu? A atitude. É longe? Para uns sim, para outros não. A questão é que há muitos de nós que até podiam deixar o carro em casa e ir para o trabalho de bicicleta, já que afinal é meia dúzia de km. Parece mal? Porquê, vivem das aparências que os automóveis supostamente transmitem? Experimentem pegar na bicicleta e fazer a viagem do costume a ver o quanto alegres chegam ao trabalho. Ou experimentem simplesmente ir às compras de bicicleta, com uns alforges. Passadas umas semanas vejam o quanto se sentem mais saudáveis e bem dispostos.

Ah, e tal, é perigoso. É um facto que pode ser perigoso, já que além das velocidades estonteantes praticadas pelos automóveis, mesmo no centro de Braga e não só, a incipiente infra-estrutura não dá sequer a sensação de segurança a quem insiste em andar de bicicleta e fazer disso algo de normal, tal como o é em países e cidades desenvolvidas. Como se resolve o problema? Com atitude. O nosso problema é só um, a falta de atitude. É esta falta de atitude que permite e potencia as velocidades excessivas, os atropelamentos, os carros em cima do passeio e nas zonas pedonais, a fraca educação rodoviária, a qual é transversal. Só com atitude se resolve este problema. Mais e melhores transportes públicos, mais e melhores zonas pedonais, mais infra-estruturas cicláveis, mais segurança e menos carros nas cidades.

 

fotocycle [257] indecisões de um ciclista urbano

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 24/03/2021 às 15:53

Temas: fotocycle ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto fotografia fotopedaladas humor pelas ruas do Porto Porto porto street shooting singlespeed Sua Alteza Velo Invicta

😮 Oh pá, tens mesmo a certeza que queres ir por aí? Olha que são só 290 degraus até lá baixo, com ela às costas! 😀

Escadas dos Guindais

 

Braga Ciclável desapontada com projeto que descarta ciclovias nas Avenidas até ao centro

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 23/03/2021 às 7:30

Temas: Comunicado A Bicicleta em Braga Bicicleta Braga braga ciclável bragaciclavel Ciclovias no passeio Erros cicláveis Juntos Por Braga Mobilidade Município de Braga Pop-up Ricardo Rio Zonas 30


A Braga Ciclável recebeu, com alegria e esperança, as notícias que surgiram na imprensa no início do mês de Março sobre uma rede ciclável que seria implementada em algumas artérias de Braga, onde se incluiria a Avenida da Liberdade, a Avenida 31 de Janeiro, entre outras. Desde há longa data que defendemos a criação de uma rede ciclável abrangente na cidade de Braga, que permita a ligação direta e descontínua entre os seus principais pontos, pelo que os passos que possam ser dados nesse sentido são muito bem-vindos.

Pouca informação foi fornecida publicamente, e apenas o que a Câmara Municipal de Braga e os Vereadores disseram à comunicação social era afinal conhecido. No entanto, a Braga Ciclável consultou e analisou as peças do concurso público anunciado em Diário da República.

Pudemos constatar que o que está previsto são marcações no eixo das vias de sinais de zona 30, pictogramas de bicicletas e colocação de sinalização vertical de limite de velocidade 30 km/h (conforme a imagem demonstra). Vale a pena recordar que, nos locais onde tem sido aplicada apenas este tipo de sinalização, sem outros elementos físicos, não se obteve um impacto na redução da velocidade, na melhoria da sinistralidade, nem no aumento da utilização da bicicleta.

O Estudo de Tráfego, que o Município teima em chamar de Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, sem o ser, não está ainda apresentado. Por outro lado, o Projeto da Rede Ciclável Urbana, que foi aprovado em dezembro de 2017 pelo Executivo Municipal, continua por implementar.

Apesar de a contratação desse projeto de 2017 ter sido fundamentada pelo Município com a sua “ausência de recursos próprios”, surge agora um projeto da Divisão de Trânsito e Mobilidade de 2019 que mais não é que uma série de remendos, entre os quais é possível identificar diversos erros primários.

‘Novo’ Projeto – Ciclovias Segregadas?

Deste ‘novo’ projeto, de junho 2019, podemos observar a criação de ciclovias segregadas (ou seja, com separação física relativamente ao espaço destinado a veículos motorizados) apenas na rotunda do Cónego Melo até à Rua Cândido de Sousa. Uma ciclovia segregada de 400 metros que faz lembrar a de Lamaçães: ao não estar ligada de forma integrada e descontínua a pontos de interesse e a outras vias de uma rede, não liga nada a coisa nenhuma. No seu início e fim terá… coexistência, como sempre houve, mas agora com umas marcações no chão, e ainda sem outras medidas de segurança mais eficazes.

‘Novo Projeto’ – 31 de Janeiro e o erro das ciclovias nos passeios

Mais grave do que isso é a opção tomada de reduzir o passeio da Avenida 31 de Janeiro, para ali colocar ciclovias, quando a faixa de rodagem chega a ter 10 metros de largura. Uma ciclovia com 1,5m de cada lado, que reduz o espaço do peão só para não tocar no exagerado espaço dedicado ao automóvel. Até o manual português do IMT diz que usar os passeios para pintar ciclovias é errado e que as ciclovias devem ser implementadas na faixa de rodagem.

Introduzir ciclovias nos passeios é algo que não se deve fazer, ao criar infraestruturas cicláveis. É o último recurso, que só deve ser usado depois de terem falhado as medidas de acalmia de trânsito, as medidas de redução do trânsito e a implementação de pistas cicláveis – ciclovias, infraestrutura segregada – na faixa de rodagem, reorganizando os 80% do espaço dedicado ao carro.

A Braga Ciclável é contra a redução do passeio para a criação de ciclovias, sobretudo num local onde existe 80% do espaço destinado ao carro, que pode e deve ser redistribuído para receber ciclovias e vias BUS. Se o objetivo é reduzir a utilização do carro, então o espaço dedicado ao mesmo pode e deve ser menor.

A estratégia europeia e nacional passa na atualidade pela redução do uso do automóvel, transferindo algumas das deslocações para os modos ativos e para os transportes públicos, procedendo à redução do espaço do automóvel e reservando esse espaço para os restantes modos.

Perante o acima exposto, a questão que se levanta é se o Município de Braga, ao manter o mesmo espaço para o carro e ao reduzir o passeio, quer afinal convidar os bracarenses a deixarem de andar a pé para passarem a andar de carro?…

Criar ciclovias no passeio, sem reduzir o espaço automóvel, é como alargar o cinto das calças para emagrecer: não funciona.

A Braga Ciclável sempre defendeu a reorganização da faixa de rodagem da Avenida 31 de Janeiro para nela poderem existir ciclovias. Há espaço para isso, sem prejudicar o peão, e é isso que continuaremos a defender. É o que se está a implementar em todas as cidades que seguem as melhores políticas de mobilidade.

‘Novo Projeto’ – A Avenida da Liberdade

Na Avenida da Liberdade, uma Avenida com 16 metros de largura de faixa de rodagem onde existem, ao longo de 700 metros, 5 vias de trânsito para automóveis. São estas 5 vias necessárias?

O constante estacionamento em 2.ª fila diz-nos que não, que podiam ser reduzidas para 2 vias de trânsito porque o trânsito que hoje ali existe, e o que se pretende (ou pelo menos alegadamente se pretende) que exista no futuro, não justifica existirem 5 vias. Mas, no plano em questão, a Avenida da Liberdade, com 16 metros para o carro, vai receber… umas meras pinturas no chão. O carro e a bicicleta continuarão a partilhar o espaço em coexistência. Ou seja, continua a ser uma via propícia a velocidades excessivas, mas agora com umas marcações horizontais.

Algum pai/mãe vai deixar um filho/filha ir de bicicleta para a escola nestas condições, e sabendo das perigosas velocidades que diariamente se praticam na Avenida da Liberdade? Não, é óbvio que não.

A Braga Ciclável sempre defendeu a reorganização da faixa de rodagem da Avenida da Liberdade para nela poderem existir ciclovias. Há espaço para isso, sem prejudicar o peão, e é isso que continuaremos a defender.

Zero Ciclovias Pop-up

Analisado o projeto e os materiais que o mesmo vai usar, conclui-se que não vai ser construída uma única ciclovia pop-up.

A ciclovia é um espaço segregado do trânsito automóvel e implementada na faixa de rodagem. O projeto não prevê a instalação de nenhum balizador e, por isso, nenhuma ciclovia pop-up será instalada.

A Braga Ciclável defende há vários anos a instalação de ciclovias na Avenida 31 de Janeiro, na Avenida da Liberdade, na Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI e Avenida João Paulo II.

Esta alteração na distribuição da rede viária pode ser efetuada:

  • com a implementação do projeto aprovado em executivo em dezembro de 2017, e pronto a executar,
  • ou, num primeiro momento, com ciclovias pop-up de baixo custo, efetuando micro-fresagem das marcações das vias, marcando novas linhas com as novas dimensões e criando canal segregado para a bicicleta, protegendo esse canal com balizadores (a ciclovia).

Infelizmente, e ao contrário do anunciado nas notícias, não veremos uma única ciclovia pop-up. Porque uma via de coexistência não é uma ciclovia pop-up, nem é uma ciclovia!

‘Novo Projeto’ – Uma rede viária com maquilhagem

Toda a restante intervenção é composta por marcações no pavimento, mas fica tudo com a mesma largura, tudo na estrada, como se a coexistência, que existe desde 1920 em Braga, estivesse a funcionar bem, oferecendo conforto e segurança a todos os seus utilizadores.

Não haverá ciclovias na faixa de rodagem em Avenidas que justificam a segregação, e, na única fase que está a concurso, não haverá estreitamento de vias, não haverá estreitamento nos cruzamentos, não haverá soluções para os cruzamentos, não haverá criação de mais atravessamentos, não haverá colocação de mais semáforos, não haverá colocação de radares consequentes, não haverá redução de velocidades efetivas – só mais um sinal de trânsito que ninguém respeita, como hoje já não respeitam os sinais de 50 km/h. Ou seja, ficam a faltar as necessárias medidas de acalmia de tráfego que, essas sim, poderiam efetivamente aumentar a segurança dessas vias para todos os utilizadores, incluindo os que se deslocam de bicicleta.

“Tem que haver fiscalização”, dirão, certamente. Mas se nem hoje há capacidade nem recursos humanos para fiscalizar as velocidades, em permanência, nas nossas ruas e avenidas, como vai o Município conseguir garantir o cumprimento das velocidades com esta implementação? Porque, se não há punição dessas infrações, as pessoas vão continuar a utilizar as vias da mesma forma, pois não há consequências.

O Município de Braga não vai diminuir o risco de acidente apenas colocando marcações no pavimento de pictogramas e limites de velocidade. Se não houver qualquer alteração física das larguras de vias, do número de vias ou da largura das faixas de rodagem, o resultado final será igual ao que temos atualmente. A única diferença são umas pinturas novas no chão.

Esperemos que não tenha que morrer mais ninguém, especialmente nenhuma criança, para se acabar com esta brincadeira e se levar a sério o planeamento e execução de medidas de promoção da utilização da bicicleta.

O Município tem o dever de cuidado, e pode ter que responder por inação ou negligência em responsabilidades futuras. Tudo porque teima em fazer errado. Pura teimosia, quando há conhecimento e alertas para as situações que podem e devem ser executadas de forma a reduzir riscos de acidente e aumentar a segurança de todos.

Está demonstrado que a maior parte das pessoas não anda de bicicleta em Braga por falta de segurança da infraestrutura, que leva a medo de utilizar a bicicleta.

O Município de Braga, com este remendo, não resolve o problema. Primeiro porque põe pessoas a andar de bicicleta na mesma via que os carros hoje utilizam a velocidades que excessivas, segundo porque com um conjunto de vias desconexas não cria um efeito de rede para melhor comodidade e por último porque continua a incentivar o uso do carro ao mesmo tempo que retira espaço ao peão.

Implementar uma rede ciclável? Sim, respeitando os critérios.

 

Ao sabor do vento

Mário Meireles @ Braga Ciclável

Publicado em 19/03/2021 às 23:01

Temas: Opinião Bicicleta Braga braga ciclável Ciclovias Juntos Por Braga Mobilidade promessas PSD Braga Rede Ciclável Ricardo Rio Rodovia


Em 2012 Ricardo Rio prometia regenerar a Rodovia, com a “Nossa Avenida”, nela introduzindo uma solução de transporte público eficaz, rápido, cómodo, e ao mesmo tempo que nesta “Nossa Avenida” surgiam, também, ciclovias. O futuro da cidade era a mobilidade, era a bicicleta e o Transporte Público.

Em maio de 2014 o Plano Diretor Municipal de Braga passava a ter uma rede ciclável de 76 km! “Ciclovias à porta de 100 mil pessoas”, era o título das notícias.

Em setembro de 2016, numa outra notícia, as velocidades excessivas dos carros na rodovia eram uma ameaça para as pessoas, e em breve iam ali ser introduzidas técnicas para reduzir velocidades e aumentar a segurança. Também se lê nessa altura que “nos próximos meses serão colocados semáforos no atravessamento da Avenida Júlio Fragata”, ligando a Rua D. Pedro V à Rua Nova de Santa Cruz.

Em dezembro de 2016, o Município de Braga, por “ausência de recursos próprios”, contratou o “Projeto de Execução de Inserção Urbana de Transporte Público na Rodovia, entre a Rotunda da Universidade do Minho e a Rotunda Santos da Cunha”.

Este projeto contempla ciclovias e vias BUS na Rodovia, “promovendo um esquema viário compatível com o futuro projeto BRT”, lê-se nos documentos do projeto que o Município enviou à Braga Ciclável.

Em dezembro de 2017 o projeto foi aprovado pelo executivo municipal para ser executado.

Em janeiro e fevereiro de 2018 as notícias multiplicavam-se: iam “humanizar a Rodovia”. A grande bandeira da mobilidade iria entrar em obras.

Entretanto… silêncio. Inação. Imobilidade. Deixar tudo na mesma.

A Braga Ciclável perguntou o porquê do silêncio. A resposta veio por carta: uma reunião informal tinha invertido a decisão da reunião formal. Uma reunião informal suspendeu uma decisão de um executivo. Sem fundamentação. Só porque sim.

Três anos depois de se anunciar que se ia humanizar a Rodovia, que se iam criar ciclovias e corredores bus, com projeto pronto a ser executado, vem-se dizer que, afinal, não querem mexer no espaço do carro. O carro é o principal responsável por cerca de 25% das emissões de CO2, da sinistralidade na cidade e ocupa demasiado espaço público.

Afinal, depois de muitos estudos e projetos elaborados, vão continuar a brincar às bicicletas, e pintar uns passeios e marcar umas bicicletas no chão. Entretanto, as pessoas continuam com medo de andar de bicicleta em Braga e correm riscos para o fazer.

Quantas vidas se perderam nestes anos por se ter cruzado os braços e não se ter feito absolutamente nada nas principais Avenidas da cidade?

Andamos sem estratégia, sem planeamento, sem execução. Na mobilidade, andamos ao sabor do vento.

 

can´t miss [222] imediato.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 17/03/2021 às 12:25

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta bora lá Portugal ciclismo ciclismo urbano cidades coisas que leio educação rodoviária meios de transporte mobilidade motivação noticia opinião outras coisas partilha

Esmagadora maioria dos portugueses quer mais espaços para outras formas de mobilidade

O objetivo é idealizar formas mais sustentáveis e sem emissão de carbono

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“A grande maioria dos portugueses defende a construção de espaços para a utilização de formas de mobilidade além do automóvel, entre as quais a bicicleta. Oito em cada 10 cidadãos gostaria mesmo que a utilização de automóveis diminuísse, principalmente na cidade.

Segundo os dados do Observador Cetelem Automóvel, em Portugal, 92% dos inquiridos são a favor de haver mais espaços adequados para outras formas de mobilidade, a pé, bicicletas, trotinetas, etc., mesmo que isso implique penalizar ou restringir o uso do automóvel.

A posição do automóvel, principalmente na cidade, tem sido contestada e, oito em dez portugueses gostariam que a sua utilização reduzisse. O objetivo é repensar a sua utilização, abrindo caminho a outras formas de mobilidade, de preferência mais sustentáveis e sem emissões de carbono.

“É curiosa a divisão geográfica: de um lado temos os países emergentes e mediterrânicos, e também a China, como os maiores defensores deste conceito; por outro lado, a França, a Alemanha e a Bélgica, os três países onde a ecologia política é mais expressiva, parecem mostrar convicções mais fracas, talvez por se tratar de uma realidade que tem já maior expressão”, lê-se na nota de imprensa enviada pelo Observador Cetelem.

Os resultados do Observador Cetelem Automóvel 2021 também demonstram duas posições distintas em relação às medidas para restringir o tráfego e a poluição dos veículos motorizados, como portagens urbanas, proibição de circulação a determinados veículos, entre outros.”

Fonte: https://www.imediato.pt/mais-espacos-para-mais-formas-de-mobilidade/

 

fotocycle [257] esta magnólia tem algo de magnético

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 9/03/2021 às 16:06

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to work Cedofeita ciclismo urbano coisas que vejo commutescount devaneios a pedais fotografia fotopedaladas magnólias mobilidade motivação no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas penso eu de que... Porto porto street shooting singlespeed Sua Alteza Velo Invicta

a magnólia de CedofeitaAs magnólias anunciam a Primavera e é um espectáculo que convém não perder, mesmo que para a admirar venha a perder um ou dois minutinhos no meu comute matinal.

 

Independência sobre duas rodas

Sara da Costa @ Braga Ciclável

Publicado em 6/03/2021 às 9:00

Temas: Opinião Bicicleta Braga crianças liberdade mulheres Mulheres de bicicleta pedalar preconceitos


A mulher despertou de um sonho de liberdade quando pegou, a primeira vez, numa bicicleta, e percebeu que poderia escolher ter o mundo onde quisesse e ainda assim fazer parte desse mundo, que também é dela. A verdade é que o mundo nem sempre está onde deveria estar e ainda há muito a fazer para que a rotação seja igual para todos. Para contrariar essa rotação, a mulher pegou na sua bicicleta e foi para as ruas, circular e ir “contra” as coisas.

Ser mulher e pedalar em Braga é uma “contra” corrente com que me deparo cada dia e que assumo o papel de transformação. Foi a maneira que arranjei de me sentir mais parte desta cidade, de incluí-la e descobri-la.

A maneira como a mulher vive a bicicleta é particular e especial. A bicicleta transforma-se, nas nossas pernas, num verdadeiro meio de afirmação individual, dá-nos energia para ultrapassar algumas barreiras psicológicas, que muitas vezes nos impedem de sermos mais corajosas e livres.

O que mais me fascina nas minhas deslocações diárias é quando passo por uma menina pequena e vejo no seu olhar o espanto e encanto de ver, uma outra menina, como ela, a andar de bicicleta. São muitas as vezes que ao passar ouço “mãe, olha uma senhora a andar de bicicleta!”. Fico feliz que por alguns momentos e inconscientemente surja uma reflexão. A realidade é que há muitas mulheres que não se sentem capazes ou seguras de pegar numa bicicleta, por vezes, porque nunca foram encorajadas a isso.

É importante experimentar, aceitar o desafio, e rápido percebemos que ao ultrapassar essa barreira, que pode ser uma subida que nos parece impossível ou uma estrada em paralelo que nos vai fazer tremer, vamos contagiar muitas outras áreas da nossa vida com essa superação e a cada dia estaremos mais motivadas e fortes.

O que noto, no geral, é que os condutores são mais condescendentes quando veem uma mulher de bicicleta na estrada, ouve-se comentários encorajadores e elogios que nos fazem pedalar a sorrir. No entanto também ainda se ouve coisas desagradáveis ou atrevimentos desconfortáveis, homens que se afirmam através do seu carro e que se incomodam com a independência sobre duas rodas das mulheres. Em parte, é possível que isto aconteça por ainda não ser comum ver mulheres a andarem de bicicleta na nossa cidade. Em cidades como Aveiro, em que se vê mulheres de todas as idades a se deslocarem de bicicleta essas diferenças não são tão visíveis, porque é uma prática comum

Percebo que uma cidade investe na mobilidade quando homens e mulheres se fundem no papel de ciclistas numa cidade preparada para os receber. Espero que no futuro existam tantas mulheres a andar de bicicleta em Braga que se torne completamente normal e que isto não precise de ser assunto.

 
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