fotocycle [263] algo mágico

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 13/01/2022 às 15:48

Temas: fotocycle 1 carro a menos as biclas sabem nadar ciclismo ciclismo urbano commutescount Douro fotografia fotopedaladas mobilidade motivação o sol outras coisas ponte Luiz I Porto Sua Alteza

Na bicicleta cada tarde é diferente. O caminho é diferente, o tempo é diferente, e diferente é o meu estado de espírito quando pico o ponto à saída do trabalho. Pedalar ao longo da cidade é uma das alegrias que tenho. É meio caminho andado pedalado para voltar a boa disposição.

Num ritual de mobilidade, numa rota aleatória, a cada retorno a casa, todas as tardes encontro sempre algo diferente que me detém a pedalada: um velho amigo para saudar, boas e más atitudes que me fazem pensar, um fugaz momento que de novo me liberta a mente e me faz fantasiar.

Aproveito cada momento

 

Para quem é, qualquer coisa serve?

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 8/01/2022 às 9:00

Temas: Opinião Bicicleta Chuva Ciclovias cidade Clima estacionamentos Passeios Rede Ciclável Respeito Segurança


A bicicleta é um meio de transporte fantástico: simples de usar, saudável, económico e amigo do ambiente. Permite percorrer em 10 a 20 minutos muitas das nossas viagens diárias na cidade, como ir trabalhar, ir às compras, ir para a escola ou para a universidade. Mas o que dificulta todas essas viagens é a má qualidade da rede viária, que ainda teima em incentivar o uso excessivo do automóvel e a prática de velocidades perigosas nas ruas e avenidas da cidade.

De bicicleta, podemos chegar do Centro ao Campus de Gualtar em cerca de 15 minutos, e da Estação ao Centro em menos do que isso. Podemos ir de casa à escola, de casa à biblioteca, ao mercado, à farmácia, ao teatro, ao centro de saúde, muitas vezes demorando menos tempo do que se fôssemos de carro.

Em Braga, temos o privilégio de contar com uma cidade que comporta uma área substancial que é praticamente plana, e mesmo as zonas que não ficam nessa área plana são facilmente percorridas de bicicleta elétrica, ou então levando nas subidas a bicicleta pela mão ou usando uma mudança mais baixa. Além disso, o nosso clima é ameno e muito favorável. Temos tempo seco na maior parte dos dias do ano, raramente neva, raramente temos vento forte. Nos outros dias, naqueles em que efetivamente chove, os ciclistas de Braga que lêem este artigo certamente apontarão que, mesmo com chuva, basta o uso de um simples conjunto impermeável por cima da nossa roupa normal para tornar exequíveis e confortáveis as viagens quotidianas de bicicleta.

Infelizmente, os bracarenses que pretendam praticar uma mobilidade responsável, reduzindo tanto quanto possível o uso do automóvel e utilizando a bicicleta nos percursos urbanos, deparam-se com dificuldades que não deviam existir. Para além do excesso de carros e da velocidade excessiva dos mesmos dentro e fora da cidade, faltam também diversas medidas para permitir que seja segura e conveniente a sua viagem.

Os estacionamentos para bicicletas, que ultimamente parecem só existir a pretexto das concessões das trotinetes a empresas privadas, são ainda poucos em zonas onde fazem falta, e muitos dos que existem são de tipo errado ou de fraca qualidade de construção.

Além disso, continua a não existir uma rede ciclável, um mapa de vias seguras para quem usa a bicicleta no dia-a-dia e que permita chegar aos locais aonde diariamente as pessoas precisam de se deslocar. As ciclovias são insuficientes e deslocadas de onde fazem mais falta, e continuam a não estarem ligadas entre si. Não há rede ciclável em Braga.

Como se não bastasse, mesmo em obras recentes, por exemplo na ciclovia da Variante da Encosta, é possível encontrar perigosas arestas afiadas e outros problemas que seriam fáceis de evitar.

O presente demonstra que não aprendemos com certos erros do passado, e continuamos a insistir em erros graves, como derrubar árvores ou destruir passeios, roubando-lhes espaço para ciclovia. O lugar da bicicleta é na estrada, e é preciso que a estrada seja segura. A bicicleta deve ser apresentada e promovida como alternativa ao uso do automóvel na cidade, em vez de ser tratada como “uma outra maneira de andar a pé”. Para isso, é importante oferecer condições de segurança para quem usa a bicicleta e ligar todos os pontos da cidade. E deixar de tratar os peões e os ciclistas como cidadãos de segunda, para quem “qualquer coisa serve”. Afinal de contas, todos nós somos peões, e muitos somos tanto automobilistas como ciclistas. Somos cidadãos e exigimos respeito e segurança.

 

às vezes, só é preciso fazer um longo passeio de bicicleta com amigos

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 6/01/2022 às 12:23

Temas: marcas do selim amigo Couto amigo Jacinto benefícios das pedaladas bicicleta bom ano ciclismo ciclovia covid-19 desconfimanentos dos malucos das biclas voadoras Ecopista de Famalicão estrada fotografia fotopedaladas longas pedaladas motivação pedaladas no inverno roda de amigos Rui

Escolher um título assim parece banal para quem não alterou muito as suas rotinas em cima de um selim. Simplificando, o tema tem tudo a ver com esta pandemia prolongada em que definhamos, com confinamentos, cercos, testes e o diabo a quatro… sete ou oito variantes, já nem sei!

Na realidade, nenhum de nós está realmente bem no que está relacionado com a saúde mental. Uma definição de definhar é uma sensação de estagnação e vazio. Certamente, nesta comunidade incrível de aficionados do ciclismo muitos de nós deverá estar a sentir o mesmo, mesmo não parando de dar ao pedal.

O que sinto nas pessoas não é depressão, é a sensação de que as coisas estão um tanto ou quanto sem alegria e sem objetivo. Negligenciar a saúde mental pode entorpecer a motivação e o foco, passando o tempo parado, olhando para sua vida através de um ecrã ou de um pára-brisas enevoado.

Em vez de mergulhar a cabeça na areia e de nos auto-clausurarmos, a actividade de pedalar, especialmente para quem utiliza a bicicleta diariamente, para e do trabalho, tem esta coisa boa de dar uma boa razão para cuidar da mente, permitir o escape ao teletrabalho e ao sedentarismo. O que não fazia há tempos era um dia assim, a livre convivência de pedalar com amigos.

Queria voltar com eles para as estradas abertas, para as mesmas estradas que ultimamente tenho pedalado sozinho. Queria reviver um qualquer passeio que com eles fiz no passado. Queria lembrar um dos melhores dias que já tive numa bicicleta. Queria recordar o nosso grande amigo Jacinto, que quis o destino nos levar sem pré-aviso, o corpo mas não a sua alma que sempre estará, e esteve, ao nosso lado.

Ao nascer do sol do último dia do ano, eu, o Rui e o Couto, nos juntamos e pedalamos para norte, conversando e almejando dias melhores. Os raios da manhã fluíram livres através da brisa fresca, sob um sol luminoso. A minha mente estava serena, o ritmo pausado e adequado para, em harmonia, continuar a viagem em boa companhia.

Horas se passaram e as pernas continuaram, rodando os pedais em consonância com o ritmo das conversas e dos reencontros. Na tranquilidade da ecopista, em transe com tudo o que via e ouvia… Um melro perfurou o silêncio quando abandonou o seu poleiro, sobrevoou a minha cabeça, e na minha frente ficou a flutuar por alguns metros, como que para me dizer que eu estava no caminho certo.

Sabendo de antemão o que vinha depois de cada curva, eu estava ali desconhecendo tudo, como se fosse a primeira vez que pedalasse por esses caminhos. Maravilhado com cada paisagem, a querer tirar fotos a tudo, a cada cenário, sabendo que seria suficiente tirar fotografias com os próprios olhos.

Um dia de sol perfeitamente claro e quente demais para a época do ano. Ao longo da manhã nos deparávamos com um horizonte cada vez mais nítido, entre um verde brilhante contra o céu azul ofuscante. A natureza estava oferecendo a chance para a nossa mente relaxar. A bicicleta estava proporcionando o impulso para nos livrarmos das preocupações, dúvidas ou tristezas.

Enquanto rodávamos lentamente para sul, antes de irmos ao encontro com o oceano, o estômago reclamou. O almoço nos brindou mais uma vez com o valor da amizade, da vontade de estar junto. Nenhuma grande decisão na vida foi tomada naquele dia, mas uma tranquilidade no pensamento surgiu, por estar a disfrutar da boa companhia, a ouvir, a sorrir, a celebrar.

E para acabar uma pequena confraternização, afinal de contas é para isso que estamos aqui. A pedalada é só uma desculpa.

Depois de um longo e completo dia, o regresso a casa trouxe novos objectivos, embora pareça menos importante agora do que é a minha perspectiva, do que um longo dia de bicicleta realmente significa. Eu me senti revigorado, não pela distância, mas pelo tempo que passei com velhos amigos. BOM ANO.

 

de que me adianta ter asas se não puder sentir o vento!

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 22/12/2021 às 15:44

Temas: motivação benefícios das pedaladas bicicleta boas pedaladas ciclismo ciclismo urbano commutescount devaneios a pedais dos malucos das biclas voadoras fotografia fotopedaladas mobilidade no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas pedaladas no inverno penso eu de que... vento

Sai para a rua, alça a perna esquerda e sobe para o tubo superior da bicicleta. O primeiro ataque de rajada causa-lhe um certo desequilíbrio e a posição desajeitada a tentar encaixar o sapato no pedal.

Chicotadas de vento no rosto, os olhos semicerrados, o ciclista fecha o casaco até ao pescoço. Imóvel, com o peso do corpo sobre o outro pé, o cérebro é chamado para ajudar. 

Assentando levemente o rabo na ponta do selim, o pedal é puxado para cima, meia volta. Empurrada horizontalmente com um golpe de força, a bicicleta sai da sua dormência. O pé direito eleva-se do chão e, com dificuldade, calca o pedal oponente para ganhar algum impulso.

Por fim o ciclista começa a rolar para a frente, lentamente, vacilante, à procura de um caminho recto.

O arranque é vagaroso, o corpo estremece com uma outra rajada de vento lateral, do lado esquerdo, quase derrubando o ciclista da bicicleta, para a direita.

Perseverante, segurando o guiador, o ciclista vira para o vento, contrário, desafiando-o para uma competição de força. De pé, com firmeza sobre os pedais, corpo erecto, músculos activados, o ciclista se esforça para manter o progresso em resposta à mão pesada da natureza.

No ar livre, algo parece agitado. Folhas secas, pedaços de matéria descartada e objectos não identificáveis, tudo se move num poderoso redemoinho. Uma desprezada folha de jornal cola-se à canela, recusando-se a ceder, debatendo-se para evitar esvoaçar livremente.

Coxas que tremem de fadiga na competição contra uma parede invisível. Submissa, a bicicleta rola pela rua, em sincronia com a respiração ofegante do ciclista, dobrado pelo esforço e pelo atrito dinâmico.

Ora soprando da esquerda, ora ventando da direita, a corrente de ar pressiona-o, impedindo o movimento perfeito. Acelera para que mantenha o equilíbrio. É um turbilhão de velocidade, uma atmosfera sem limites.

Quase vertical agora, a mudança de direcção dá ao ciclista uma benesse. Sem aviso, a força do vento suaviza. A inércia tem o seu princípio. Um pedaço de espaço vazio, um vácuo inesperado, sem resistência ao andamento.

O vento empurra-o mais e mais rápido, impondo uma corrida favorável em confronto com a estrada. Rapidamente, as pernas ficam leves. Impelem a corrente sem esforço, consomem a energia do vento, como uma vela inflada nas suas costas. 

Planar, pedalando, rolando, desviando, a velocidade aumenta sem esforço. Ao sabor do vento.

Soltando o corpo, desprotegido através da dança da bicicleta, o ciclista chega ao seu destino, desmonta e equilibra as pernas, feliz por estar em terra firme.

 

can’t miss [230] lisboaparapessoas.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 15/12/2021 às 12:17

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta ciclismo urbano coisas que leio economia da bicicleta Europa legislação mobilidade motivação negócios outras coisas partilha

IVA reduzido para bicicletas?
União Europeia está a trabalhar na proposta, pode chegar a Portugal em 2022

“O objectivo da União Europeia (UE) é, em parte, alinhar o imposto sobre o valor acrescentado (IVA) com os objectivos e metas climáticas.

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

O imposto sobre o valor acrescentado (IVA) das bicicletas pode descer em Portugal e na União Europeia (UE), mas isso não significa que os veículos de duas rodas se tornem mais acessíveis. Os ministros das Finanças da UE acordaram flexibilizar as regras para aplicação das taxas reduzidas de IVA por parte de cada Estado-membro em diversos bens.” […]

Podes ler o artigo completo em: https://lisboaparapessoas.pt/2021/12/14/iva-reduzido-bicicletas-uniao-europeia/

 

A matemática da mobilidade

Zé Gusman @ Braga Ciclável

Publicado em 11/12/2021 às 9:00

Temas: Opinião Artigo Avenida da Liberdade Comércio distâncias Estacionamento hábitos matemática Mobilidade Nature Revista Nature


Intuitivamente poderíamos achar que o número de pessoas que visitam uma determinada localização de uma cidade corresponde à soma de comportamentos individuais imprevisíveis. Porém, não é bem assim.

Foi publicado em maio passado, na revista Nature, um artigo acerca de uma lei matemática que permite fazer algumas previsões neste âmbito. Neste artigo, assinado por investigadores de duas instituições americanas e uma suíça, usam-se dados anonimizados de milhões de telemóveis entre 2006 e 2013 para estudar os hábitos de mobilidade em contexto urbano. Estudaram cidades do continente americano, africano, asiático e europeu, sendo que, curiosamente, as cidades europeias consideradas foram Lisboa, Porto e Braga.

Utilizando uma linguagem matemática, de acordo com este estudo, o número de visitantes numa determinada localização diminui com o inverso do quadrado do produto da distância que percorreram com a frequência com que visitam esse local. Simplificando, as pessoas que se deslocam mais regularmente a um determinado local são aquelas que percorrem distâncias mais pequenas para o fazer. Por outro lado, aqueles que vêm de mais longe fazem-no poucas vezes. Imaginemos, por exemplo, uma loja na Avenida da Liberdade: o que este estudo nos diz é que é 100 vezes mais provável que ela seja visitada semanalmente por alguém que mora a 500m do que por alguém que mora a 5km. Isto é válido para todas as cidades estudadas, independentemente do continente em que se situam e das especificidades de cada uma.

Assim sendo, pergunto-me qual será a racionalidade para que as nossas cidades estejam totalmente vocacionadas para a utilização do automóvel, quando em média a maior parte das deslocações são de curta distância e as deslocações longas são esporádicas? Ou que o acesso ao comércio seja utilizado frequentemente como justificação para que se ocupe o espaço público com lugares de estacionamento, quando a maior parte dos seus clientes são das proximidades? Não faria mais sentido adaptarmos as nossas cidades a modos de mobilidade coerentes com o tipo de deslocamentos que fazemos e com isso ganharmos todos qualidade de vida?

(Se o leitor tiver curiosidade, o artigo referido no texto é: Schläpfer, M., Dong, L., O’Keeffe, K. et al. The universal visitation law of human mobility. Nature 593, 522–527 (2021).)

 

can’t miss especial: Velo Invicta tem destaque no Porto.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 29/11/2021 às 15:58

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Velo Invicta não perde pedalada para manter o estatuto de rainha das bicicletas

Mr Barbosa todo babado (foto: Porto.pt)

“Em agosto de 1959, a Alteza vencia a Volta a Portugal em bicicleta, com Carlos Carvalho nos pedais e Domingos Capas Peneda como diretor da prova. Este e outros registos, guardados em papel que a história foi amarelecendo, fazem do percurso da Velo Invicta Capas Peneda uma verdadeira camisola amarela entre as rainhas das bicicletas. Na mais antiga loja de velocípedes da cidade, a paixão ainda se sobrepõe a modas e há muito pedala do lado sustentável do caminho.” […]

Assim começa o excelente artigo hoje publicado no Porto.pt sobre a mais velha e afamada oficina de bicicletas do Porto: a Velo Invicta. Foi ali mesmo, na húmida oficina do rés-do-chão do nº 208 da Praça Filipa de Lencastre, mais tarde com acabamentos feitos com uns finos à mistura na movimentada noite do varandim dos restaurantes, que Sua Alteza viu a lua pela primeira vez.

É com o profissionalismo e permanente prontidão do bicycle repair man cá do sítio, mister Barbosa, Capas Peneda para os amigos, que lá tenho ido tratar das maleitas e operações mais complicadas às biclas do meu harém. À laia de muita paciência, conversa barata e peças caras raras, no final de contas o serviço fica pronto e, um dia mais tarde, todas sem excepção, voltam lá para nova revisão.

Com as transformações feitas no histórico edifício, entretanto restaurado para partilhar a oficina com um serviço de bar e restauração, a Velo Invicta perdeu muito daquele fascínio, poeirento e húmido, de mui antiga e invicta oficina de bicicletas, com o brio e dedicação do amigo Barbosa permanece de portas abertas a quem a visita, cada vez mais atafulhada de bicicletas, plena de simpatia e a mestria de sempre.

a “antiga” Velo Invicta Capas Peneda era assim

Mais uma vez partilho o Link para o Artigo: https://www.porto.pt/pt/noticia/velo-invicta-nao-perde-pedalada-para-manter-o-estatuto-de-rainha-das-bicicletas

 

As Bicicletas e o Comércio Local

Daniel Diaz @ Braga Ciclável

Publicado em 27/11/2021 às 9:00

Temas: Opinião Bicicleta Centro Histórico Comércio Daniel Diaz espaço público Estacionamento infraestrutura lojas Rua D. Pedro V Universidade do Minho Universidade do Minho - Centro


Quando falo de mobilidade com alguém que não conhece Braga, acabo sempre por repetir que “em Braga, temos uma rua onde passam carros, bicicletas e autocarros nos dois sentidos – e numa única faixa!”.

Quem já fez o trajeto Universidade do Minho – Centro Histórico a pé ou de bicicleta sabe que me refiro à Rua D. Pedro V. Esta rua histórica do centro de Braga sofre de um mal comum a toda a cidade: o automóvel é rei.

Nos 400 metros de comprimento desta rua é possível contar mais de 30 negócios locais. Inevitavelmente, questiono-me: o que faz o trânsito automóvel por este comércio? Imagino que pouco, ou nada: as poucas dezenas de lugares de estacionamento presentes não são suficientes para suportar o transporte de mais de 2 clientes por loja.

Naturalmente, quem precisa de fazer as suas compras é levado a uma conclusão simples: existem grandes superfícies comerciais, com parques de estacionamento enormes e acessos fáceis; por que haveriam de usar o comércio local? Não os culpo: o esforço para fazer compras localmente, de forma a sustentar este tipo de pequeno comércio, torna-se brutal mal se considera o trânsito infernal de final do dia, e a dificuldade em estacionar na zona central da cidade.

A solução, a meu ver, é simples. Considerando o exemplo da Rua D. Pedro V, é fácil perceber como o seu estacionamento não sustém a necessidade das lojas; imagine-se portanto que esta área mal aproveitada dá lugar a uma alternativa melhor: transportes públicos e mobilidade suave. A lógica em que se baseia o que refiro é a seguinte: uma pessoa a deslocar-se de bicicleta faz compras mais pequenas, e mais frequentes. As viagens mensais e demoradas ao supermercado dos automobilistas convertem-se em paragens rápidas em mercados locais, a caminho de casa de quem anda a pé ou usa a bicicleta.

Quando comecei a deslocar-me de bicicleta há mais de seis anos, era ainda estudante e fazia amiúde o trajeto até ao centro histórico. Foi nestas viagens que comecei a experienciar a cidade de uma maneira diferente; via mais caras, montras e pessoas, e muito menos semáforos; conheci pequenos negócios, onde ainda hoje compro legumes frescos, e deixei de perder tempo parado no trânsito. O comércio local da Rua D. Pedro V ganhou um cliente devido às minhas deslocações diárias, aliando a conveniência e rapidez de fazer uma paragem de bicicleta para fazer compras com a necessidade em me deslocar.

Incentivar o uso da bicicleta, e melhorar as suas infraestruturas, apoiará invariavelmente o comércio local. Por outro lado, manter a alienação automóvel sem favorecer a deslocação a pé, de bicicleta, ou do transporte público, perpetua a dependências das grandes superfícies comerciais e pode, em consequência, ser a sentença final para os negócios bracarenses mais pequenos.

 

can´t miss [229] www.publico.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 25/11/2021 às 15:16

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta bicicletários boas ideias ciclismo urbano coisas que leio Metro mobilidade motivação noticia outras coisas parqueamento Porto

Metro do Porto disponibiliza parques para bicicletas nas estações

“Estes equipamentos são reservados a clientes com um título Andante válido e cada um deverá usar o seu próprio cadeado para efectuar a fixação das bicicletas aos aros.

A Metro do Porto tem disponível um novo serviço que consiste em permitir “o estacionamento seguro” de bicicletas em várias estações, que visa contribuir para “uma mobilidade cada vez mais sustentável e ainda mais intermodal”, foi anunciado nesta quinta-feira.” […]

Lê a notícia completa em: https://www.publico.pt/2021/11/25/local/noticia/metro-porto-disponibiliza-parques-bicicletas-estacoes-1986324

 

sobre a reportagem SIC “A diferentes velocidades”

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 15/11/2021 às 15:59

Temas: motivação 1 carro a menos ciclismo ciclismo urbano coisas que vejo mobilidade outras coisas penso eu de que... segurança rodoviária video

Clicar no link abaixo para assistir à reportagem:

https://sicnoticias.pt/programas/reportagemespecial/2021-11-13-A-diferentes-velocidades-3132a540

Esta reportagem da SIC é sobretudo focada na total impunidade de “automobilistas” que circulam na estrada sem consciência da arma que têm em mãos. A reportagem poderá ter o cliché de “dar medo às pessoas” que pensam vir a utilizar a bicicleta no trânsito. Ora, porque nela são apresentados os mais recentes casos fatais de acidentes rodoviários, que resultaram na morte ou ferimentos graves em pessoas utilizadoras da bicicleta, não implica necessariamente amedrontar ninguém mas em fazer entender que é premente punir esta selvajaria rodoviária, castigar devidamente as acções de quem ao volante coloca em risco a vida de terceiros. Pôr atrás das grades quem provoca o acidente e foge, abandonando o sinistrado.

A meu ver esta reportagem fazia falta. É serviço público e deveria ser de visualização obrigatória nas aulas de código e condução. Até hoje não tinha ainda visto nenhuma outra reportagem, televisiva ou impressa, onde se expõem os reais perigos na convivência entre ciclistas e automobilistas no que à partilha da estrada diz respeito. A questão do ónus da segurança tem de recair no automobilista e não no ciclista. Os comportamentos de risco de quem conduz são muito mais gravosos e mortíferos do que uma casual distração de quem vai a pedalar.

Muita gente diz ter receio em andar de bicicleta no trânsito, no meio dos carros, um temor que os impede de usar a bicicleta como meio de transporte. Esse medo não é totalmente infundado, tenho de admitir. Pedalar acarreta riscos como qualquer outra actividade. Um trambolhão é uma coisa, mas ser atingido nas costas por um caixote de aço com várias toneladas é muito pior.

Do ciclista é esperado o ónus da sua segurança, da preservação da sua integridade física. É esperado que o ciclista se equipe, a si e à sua bicicleta, com os apetrechos adequados. Luzes dianteiras e traseiras para ser visível à noite. O hábito de vestir roupas coloridas ou faixas reflectoras evidência o seu nível de prudência. Usar um capacete é visto como um ciclista consciente. Respeitar as regras de trânsito mais elementares. Mas o ónus da segurança inequivocamente deve incidir sobre quem conduz um veículo a motor. A maior cota de responsabilidade e obrigação na prevenção rodoviária tem de recair sobre o cachaço do automobilista.

Ao automobilista quase tudo é permitido e desculpado. Tudo o que faz de errado é invariavelmente justificável, como uma distração ocasional. Quando acontece o acidente foi porque algo fugiu ao seu controle, desculpam-se. Os cidadãos são liberados de muitas obrigações normais quando estão atrás do volante. Qualquer um pode cometer um erro. Então, quando se trata de prejudicar outra pessoa, especialmente um ciclista ou um peão, nenhum crê que tal lhe possa acontecer.

Não é simplesmente uma questão de automobilistas contra ciclistas. O ónus da segurança também deve ser exigido aos gestores públicos e governamentais. São devidas medidas para tornar as ruas mais seguras, bem como fiscalizar o devido cumprimento das regras de trânsito e punir quem não as cumpre. É algo que deve ser feito para o bem de todos. A culpa e o remorso nunca serão suficientes para devolver as vidas perdidas.

É bastante duro ver os testemunhos destes pais, destes filhos de pessoas que viram ceifada de uma forma brutal a vida dos seus familiares. Só porque estavam a pedalar uma bicicleta! É deprimente ver como a “Justiça” lida com isto. É chocante ver a impunidade dos tribunais para quem mata. É revoltante perceber o “sacudir a água do capote” das seguradoras.

Quanto às baboseiras do xôr Barbosa, mais do mesmo. Declarações absurdas, de uma total falta de carácter, sensibilidade e civismo.

 
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