fotocycle [138] São Pedro é que manda toda a gente para casa

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 20/01/2021 às 15:57

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A primeira semana de (re)confinamento infelizmente chegou mas, infelizmente, muitos dos portugueses estão-se a borrifar. O frio não tem sido suficiente para desencorajar a malta a ficar em casa e saír só se extremamente necessário. As últimas semanas têm tido dias soalheiros o que leva o pessoal para a rua laurear a pevide, com a máscara nos queixos marimbando-se para a Covid!!!

Gente, o coronacoiso não ficou em 2020. Ele anda por aí, e em força!

Hoje e nos próximos dias o frio irá se manter e será acompanhado de chuva forte, trovoada e rajadas de vento, até 100 quilómetros por hora nas terras altas. No entanto, os que têm profissões que não permitem o trabalho à distância vão continuar a circular. Os que podem ficar a tele-trabalhar no recesso do lar casa, em dias tempestuosos como estes, eu invejo. O Governo bem tenta mas a malta só faz caso ao São Pedro, que é que manda a toda a gente para casa. Com este tempinho não se vê vivalma na rua. São finos os gajos 😉

Pronto, agora vou pedalar e também vou confinar… pelo menos até amanha de manhã.

 

novos confinamentos e outros quinhentos

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 18/01/2021 às 15:43

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Face ao agravamento da crise sanitária, na situação actual com um acentuado pico de casos positivos de Covid-19, e face à crescente necessidade de resposta do SNS em função da evolução ascendente da curva pandémica, o Governo viu-se obrigado a decretar um novo confinamento. A urgência é conter a propagação da doença.

Estando previsto um agravamento das multas a aplicar pelo incumprimento das regras em vigor, o novo regulamento obriga ao dever de recolhimento domiciliário. O novo confinamento antecipa várias diferenças em relação ao que vivemos em Março e Abril. Desde o dia 15 que vários sectores do comércio e serviços voltaram a encerrar, mas existem excepções. As medidas irão vigorar por um prazo inicial de duas semanas, a renovar por mais quinze dias.

À excepção das escolas que se mantém a funcionar, assim como as missas e celebrações religiosas que podem manter as suas rotinas (!!!), o modelo de fecho é muito semelhante ao que se passou na Primavera de 2020, quando a Covid-19 atingiu Portugal.

Além das restrições à circulação permitidas em casos que devem ser justificados, como ir trabalhar, frequentar a escola, regressar a casa ou apoiar alguém dependente, os sectores do comércio e serviços mais penalizados pela primeira vaga da pandemia continuam a ser visados.

A ideia é manter apenas em funcionamento tudo o que pode ser considerado serviço essencial ou específico, como alimentação, saúde, mas também, oficinas, como por exemplo as lojas e oficinas de bicicletas. No caso das grandes superfícies deixam de ter as restrições de horário que têm vindo a ser postas em prática a cada fim-de-semana, nos concelhos de maior risco de contágio.

As medidas vão ser dirigidas às empresas e às famílias: O teletrabalho passa a ser automático e obrigatório por Lei, sem necessidade de acordo; A restauração pode apenas funcionar em take away ou com entregas ao domicílio, sendo que as taxas deste serviço passam a ter um limite previsto por Lei; As excepções aplicadas à Saúde permitem que farmácias, consultórios e dentistas continuem a funcionar. Os tribunais e repartições mantém funcionamento com agendamento prévio; Comércio e serviços, incluindo cabeleireiros, fecham portas, excepto hipermercados, mercados, super e mini, e mercearias, bem como outros pontos previamente autorizados, devendo cumprir algumas regras e restrições de horários.

A restrição à circulação que vigorará nos mesmo termos do primeiro confinamento, com as excepções apontadas, será quebrada a 24 de Janeiro, data da votação para as presidenciais.

Dado o difícil momento que atravessamos, como forma de se evitar as aglomerações nos transportes colectivos, mas também para manter as pessoas fisicamente activas, a bicicleta é um meio de transporte recomendado.

A mobilidade de bicicleta, em meio urbano e inter-urbano, está a mudar. Este saudável hábito, muito comum nos países nórdicos, é uma tendência crescente nas sociedades desenvolvidas. Além de privilegiar a mobilidade activa e sustentável, o uso da bicicleta tem uma excelente relação custo-benefício e promove a qualidade de vida de todos. Mesmo de quem não se desloca neste meio de transporte alternativo.

A bicicleta é já o meio de transporte de eleição para muitos portugueses, não só para atividades recreativas / desportivas, mas sobretudo para as deslocações casa-trabalho e também para a escola.

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Se já a adoptaste ou pretendes começar a usar este meio de transporte, relembra ou fica a par das regras a cumprir de acordo o Código da Estrada (sobretudo das regras mais relevantes para os velocípedes), mas também estar informado acerca dos cuidados a ter para circular em segurança:

O Código da Estrada (CE) foi atualizado este ano. Podes consultar aqui o documento que regula o trânsito de pessoas e veículos engloba artigos específicos destinados à circulação de bicicletas. Recordo que, desde 1 de janeiro de 2014 (decorrente da Lei 72/2013), os velocípedes passaram a ser equiparados aos veículos com motor, tal como os ciclistas aos automobilistas. Isto significa que os automobilistas devem respeitar a ocupação do espaço para uso das bicicletas, tal como os ciclistas devem respeitar as regras do CE para circular em segurança. Algumas dessas regras são as seguintes:

Circular livremente, mas respeitando as regras de trânsito

Os ciclistas podem circular na estrada, na berma, nas ciclovias (caso existam) ou nas faixas reservadas aos transportes colectivos, consoante regulamentação municipal. Já os menores até 10 anos estão autorizados a andar de bicicleta nos passeios e desde que não ponham em perigo ou perturbem os peões. Qualquer veículo, incluindo o velocípede, só pode circular nos passeios apenas nos casos em que o acesso à casa assim o exija.

Respeitar as regras de prioridade

A partir do momento em que os velocípedes foram equiparados aos veículos passaram a gozar da chamada regra da prioridade. Isto é, desde que não haja sinalização em contrário, os ciclistas têm prioridade sempre que se apresentarem pela direita. No caso das rotundas, os ciclistas podem ocupar a via de trânsito mais à direita, sem prejuízo do dever de facultar a saída aos condutores que circulem na rotunda. Ou seja, os ciclistas perdem a prioridade face aos veículos que circulam na via mais à esquerda e pretendem sair da rotunda. 

Facilitar a ultrapassagem

Tal como indica o artigo 38º do CE, na ultrapassagem os automobilistas devem dos velocípedes assegurar a distância lateral mínima de 1,5 metros, e abrandar a velocidade sempre que ultrapassarem bicicletas que circulam à sua frente, na estrada ou na berma.

Para a realização da manobra, o condutor deve ocupar o lado da faixa de rodagem destinado à circulação em sentido contrário ou, se existir mais de uma via de trânsito no mesmo sentido, a via de trânsito à esquerda daquela em que circula o veículo ultrapassado.

Todos os condutores, incluindo os ciclistas, devem facilitar a ultrapassagem sempre que não haja obstáculo que o impeça. Para tal, devem desviar-se o mais possível para a direita e não aumentar a velocidade enquanto não for ultrapassado.

Usar capacete

O uso do capacete para quem circula de bicicleta não é obrigatório, mas é recomendável, sobretudo para garantir a proteção dos ciclistas em caso de acidente. De acordo com o CE, o capacete é apenas obrigatório para quem conduz um velocípede com motor.

Sinalização luminosa (semáforos)

A sinalização luminosa destinada a regular o trânsito de veículos também se aplica às bicicletas. Perante um semáforo, devem respeitar as indicações dos sinais luminosos. Por exemplo, não cair na tentação de avançar num sinal vermelho. Esta infração está sujeita a coimas.

No trânsito, e sempre que precisarem de mudar de direção, os ciclistas devem tomar as precauções necessárias, sinalizando atempadamente as suas manobras, que podem ser indicadas com sinais de mão.

Ter iluminação adequada

O artigo 93º do CE prevê que a circulação de bicicletas durante a noite esteja sujeita à utilização de dispositivos de iluminação. É obrigatório que as bicicletas tenham luzes, à frente e artás, desde o anoitecer ao amanhecer ou durante o dia sempre que as condições meteorológicas ou ambientais tornem a visibilidade insuficiente.

Seguros

Os ciclistas não são obrigados a ter um seguro de Responsabilidade Civil. Porém, é sempre aconselhável fazer um seguro, tanto de danos próprios como também para se precaverem contra danos a terceiros, seja a pessoas ou a outros veículos.

Os ciclistas estão dispensados da titularidade de licença de condução, mas são obrigados a circular munidos de cartão de cidadão.

A manutenção e o zelo com a querida bicicleta

A correta manutenção da bicicleta é outro dos fatores fundamentais para que possas circular em segurança. Verifica com regularidade o estado dos travões, dos pneus, da direcção, do guiador, das mudanças, das luzes, e restantes componentes.

Boas pedaladas.

 

Braga precisa de mais segurança!

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 9/01/2021 às 8:30

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Enquanto a política vai balançando ao sabor dos ventos, as pessoas que vivem, estudam e trabalham em Braga continuam a ser diariamente prejudicadas pela falta de uma visão estratégica no campo da mobilidade urbana e de medidas efetivas de melhoria da segurança e incentivo ao uso da bicicleta. Se há uns anos Ricardo Rio e o seu executivo prometiam investir na acalmia de trânsito e na transformação de uma rede viária adequada ao uso da bicicleta como modo de transporte, após 7 anos podemos constatar que, afinal, praticamente nada foi feito.

Não se sabe se o que faz mudar o discurso e impede a realização da intervenção necessária é a tentativa incessante de agradar a certas opiniões públicas, cuja perceção por parte dos nossos responsáveis varia conforme as vozes e os setores que em cada momento Ricardo Rio, os seus vereadores e os técnicos do Município decidem escutar ou deixar de escutar. Ou se será uma certa falta de conhecimento técnico ou científico por parte do Município em áreas como o urbanismo, a mobilidade e a segurança rodoviária – ideia que por vezes nos parece ser transmitida pelos avultados montantes que este Município tem gastado em estudos de mobilidade de que não se vê resultados no terreno. Ou, o que seria porventura mais grave, algum lamentável desinteresse em relação ao facto de o nosso espaço urbano não acolher nem proteger de forma justa e equitativa todos os cidadãos, apesar do flagelo anual dos atropelamentos.

Não sabemos. O que sabemos é que em Braga continua a haver uma rede viária focada quase exclusivamente no automóvel, descurando a segurança e outros direitos dos milhares de cidadãos que diariamente pretendem deslocar-se a pé ou de bicicleta. Todos sabemos que faltam passeios adequados e desimpedidos em boa parte da cidade e, claramente, não temos uma rede ciclável em Braga.

Os cidadãos que se deslocam de bicicleta (e note-se que muitos de nós somos também automobilistas, e todos somos peões) continuam a ser relegados em Braga para um plano de menor importância, o que ajuda a perpetuar o uso excessivo de um modo de transporte que acarreta custos enormes (na ordem dos 33 milhões de euros, só em Braga) para a saúde, para o ambiente, para a economia das famílias e para a sociedade.

Continua a ser incompreensivelmente complicado ir de bicicleta desde a Estação ao Centro, e do Centro ao Campus de Gualtar. Continua a ser inseguro circular de bicicleta em praticamente todas as nossas avenidas. Pouco ou nada tem sido feito para tornar seguros os percursos de bicicleta para acesso às escolas básicas e secundárias, residências e outros polos universitários, serviços públicos, áreas comerciais, zonas industriais e empresariais, e espaços verdes ou de prática desportiva, nos cerca de 7 ou 8 km que temos de cidade plana. Os pequenos trechos de ciclovia existentes não chegam para percorrer a cidade e ligar as áreas residenciais às áreas aonde as pessoas diariamente precisam de se deslocar. E não são suficientes para que se possa falar de uma rede ciclável – precisaríamos de cerca de 10 vezes mais quilómetros de ciclovia, e de reais interligações entre estes, para que finalmente a rede fosse real.

Numa altura em que outras cidades – mundiais, europeias e portuguesas – aproveitam o momento de crise pandémica para repensar a mobilidade e a ajustar a uma escala humana, alocando espaço para passeios e transportes públicos, e criando extensas ciclovias onde antes apenas circulavam carros em excesso, porque é que Braga não aproveita também os fundos que têm sido e continuam a ser disponibilizados para essa finalidade?

 

reciclando [46] ciclistas de inverno, uma raça rústica

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 8/01/2021 às 15:29

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Alapado no sofá, assistindo televisão enquanto se sopra o topo de uma caneca aquecida, numa manhã invernal como as destes dias, a procrastinar a saída a pedalar, para o trabalho ou um simples treininho, não soa estranho ao comum mortal. O conforto da habitação, da força vital das máquinas, é sedutor, e andar de bicicleta nesta época do ano pode ser um desafio.

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Apenas o acto de vestir pode ser uma tarefa vagarosa: várias camadas de roupa, impermeável ou corta-vento, botas com a respectiva capa, luvas, gorro, máscara facial (não estamos obrigados a pedalar de mascara mas assim até que sabe bem para não congelar o nariz)  são vestes necessárias para as pedaladas de inverno. Isso deixa uma sensação de ciclista volumoso, aquela impressão desagradável de roupa a esfregar na roupa, que se torna mais audível a cada pedalada. Tanto esforço faz o ciclismo no inverno parecer o cabo dos trabalhos, mas todo esse trabalho pode fazer das pedaladas no inverno momentos inesquecíveis.

Uma vez ao ar livre, nunca a experiência de pedalar no frio, à chuva e ao vento, parece tão funesta quanto optar por um veículo dispendioso, por um motor a combustão que está mais tempo parado do que móvel. Mas estes argumentos não significam que seja mais fácil motivar outros que olham para mim desconfiados. Com temperaturas mais baixas, negativas, pode-se aquecer de várias maneiras, mas é o exercício físico que melhor gera calor nos tecidos e diminui a contracção musculo-esquelética. Aumenta a temperatura da pele e adapta as nossas respostas metabólicas ao meio ambiente. O gasto energético para além de associado à diminuição de obesidade mantém o corpo aquecido. Assim, a possibilidade de engordar no interior de um veículo pode ser um forte motivador para sair a pedalar, mesmo ao frio.

Para muitos, os ciclistas sempre foram uma raça rústica. Também com a noção de união com a natureza é uma boa razão para assumir o ciclismo no inverno. Andar ao ar livre, através do gelo, da neve, sob o seu próprio poder, leva o ciclista a estar mais perto da natureza e mais perto da sua existência. Manter esses pensamentos em mente, faz com que esteja mais consciente do que o rodeia, e tais ideias podem fazer com que outros encontrem motivação para andar de bicicleta, tanto no inverno como no verão.

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De peito feito, determinado de suportar o frio, a chuva cortante e chicotadas de vento, o que leva um tipo a ter doses especiais de motivação!? É uma motivação baseada na certeza que a bicicleta é uma actividade para todo o ano. A alegria de pedalar, de percorrer um qualquer caminho, sob qualquer tipo de adversidade, querendo superar os elementos, criando o sentimento de auto-suficiência, independência e resistência, que o mantém em forma, melhora a sua saúde, o seu humor, alivia o stress e libera endorfinas em resultado do exercício. Sob camadas de roupa, enfrentando condições agrestes, estão armados com o conhecimento de que a perseverança e o esforço lhes dão a vantagem final.

 

 

2021, é só mais um

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 5/01/2021 às 15:12

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no último dia do ano, no último commute do ano, ao cair do pano 2020 redimiu-se de alguma forma da valente molhada que nos preparou e proporcionou-me o adeus com este cenário fantabulástico.

O Strava tem a importância que tem e a utilidade que cada um lhe queira dar, nem mais, nem menos. É uma ferramenta proveitosa que permite ao utilizador fazer algumas contabilidades, comparações e avaliações. É nesta aplicação que contabilizo os quilómetros que faço a cada volta velocipédica. Atendendo ao facto de não possuir nenhuma geringonça de conta quilómetros nem velocímetro montado nas minhas bicicletas, safo-me com o que tenho e uso o telemóvel para registar as minhas voltas, sejam elas nas deslocações laborais ou em outras pedaladas, tanto na opção da bicicleta como meio de transporte como nas pedaladas mais longas, para espairecer e “turistar”. Assim vou analisando e precebendo quanto progrediu a minha pegada ecológica de ano para ano.

2020 foi pró fracote. No total contabilizei pouco mais de 9 mil km´s pedalados, o que significa ter ficado muito aquém do somatório do ano anterior. Quanto ao que se passou no país e no mundo, já se sabe. Quarentena e constrangimentos à mobilidade foram a minha remissão. Atendendo ao ano atípico que passamos, na utilização diária da bicicleta mantive as minhas rotinas, sendo que nesse aspecto posso dizer que foi um ano positivo. O #commutescount em 2020 correspondeu a cerca de 60% do total pedalado. Já quanto às pedaladas mais longas, as minhas voltas cicloturisticas/randonneiras, acrescentando rotas ao mapa das realizações, ficaram muito aquém dos objectivos pretendidos.

Para a bicicleta, 2020 foi um ano de mudança no paradigma. Observou-se um aumento considerável de utilizadores da bicicleta, principalmente em meio urbano. Com a necessidade de distanciamento social durante a pandemia a despertar alguma aversão aos transportes públicos, favoreceu um dos meios de transporte mais baratos e sustentáveis da atualidade: a bicicleta… A necessidade de um transporte individual para evitar aglomerações, mais livre e seguro na questão do contágio da covid-19, deu o mote para o aumento da aquisição de bicicletas novas, fazendo disparar as vendas ao ponto de esgotar stocks e atrasar a reposição da oferta. Também com o encerramento temporário de ginásios devido à pandemia, a solução encontrada por muita gente para continuar com a vida ativa foi comprar uma bicicleta ou tirar o pó aquela que estava esquecida lá no fundo da garagem.

Bem, resta-me desejar a quem me visita um Bom Ano, que 2021 seja melhorzinho para a humanidade e que continuemos com este bicho, o das pedaladas. Ahhh… e que a(s) vacina(s) nos deixem imunes de covides, qualquer que seja a estirpe em voga… ou a vaga!

 

 

2021 é já ali

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 30/12/2020 às 15:29

Temas: motivação 1 carro a menos 2021 bicicleta bike to home bike to work bom ano ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo covid-19 desafio fotografia fotopedaladas opinião outras coisas pandemias penso eu de que... Sua Alteza

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Pois bem, pessoalmente não me posso queixar muito. 2020 foi, para mim e para a minha família, um ano bem positivo. Mas globalmente tem sido um ano terrível. 2020 não vai terminar tão cedo e irá permanecer nas nossas memórias, mesmo que o calendário diga que já é passado.

No dealbar do ano que agora finda a conjectura parecia promissora. Seria um ano de retoma e de crescimento, com algumas transformações interessantes a caminho. Só que aí chegou o novo coronavírus. Ficamos perdidos, restringidos, sem poder reagir, tentando nos equilibrar entre a saudade dos momentos e a incerteza do futuro. Em cada momento, em cada gesto simples, passamos a sentir mais a preciosidade da vida. Procuramos reconstruir as incertezas e encontrar caminhos alternativos, como em outros momentos difíceis na história da humanidade.

A pandemia pouco afectou a minha vida. Dei continuidade às minhas rotinas diárias. Continuei a sair de casa no meu “commute” diário a pedais, entre o domicílio e o centro hospitalar onde trabalho. Não foi o inicialmente desejado, entre alguns eventos cancelados e desafios adiados, não atingi os números pretendidos, mas dentro das contingências cumpri alguns objectivos das pedaladas cicloturisticas, mantendo o espírito e o corpo saudáveis. O ciclismo sempre me manteve livre, conservando a minha segurança, obedecendo as devidas distâncias.

Dentro das limitações impostas, houve que se adaptar e sobreviver a esta pandemia. Reaprender e reinventar. Mergulhar naquilo que cria esperança, procurar algum remédio para os momentos complicados durante a quarentena. Buscar fortalecer o optimismo e o futuro de uma maneira geral. Acima de tudo preservar a segurança, limitar as relações interpessoais, proteger o próximo e mascarar a realidade.

E como será 2021?

“Mistééérioooooo…” Como qualquer português que se preze, eu também gosto de dar os meus palpites. É um costume típico, bem português, mandar uns palpites para o ar. Dar largas ao Zandinga que cada um tem dentro de si. “Brucho!!!” Ora, é claro que na esmagadora maioria das vezes são tiros no escuro e só sai merda! Quase sempre somos traídos pelo sexto sentido que acomodamos na consciência ou pelo dedo mindinho, o tal que adivinha tudo. No entanto, das poucas vezes em que se acerta um palpite, quando as probabilidades se contam pelos restantes dedos, é ver o pessoal a vangloriar-se, “Vês pá! Eu sabia. Só não acerto no Euromilhões!!!” (aplica-se também ao Totoloto, ao Totobola e às presidenciais da tasca). Eu cá não nego à partida ciências que desconheço. Confio na Ciência e não vou em teorias da conspiração ou no paranormal. Só um céptico superficial poderá negar os poderes que uma vacina tem para a imunização da covid-19, da ignorância e da estupidez latente de muito boa gente.

A mensagem é uma palavra de esperança, e a previsão é que dias melhoras virão. Devemos confiar nos peritos, motivar os profissionais de saúde e crer que a cada ciclo da Natureza podemos vencer o inimigo, sabendo que aquilo que não nos derruba só nos faz mais fortes.

Ano novo, vida nova… A vida, essa não renova, apenas continua o seu ritmo implacável até ao fim. A oportunidade renova-se sempre a cada rotação da ampulheta da vida e é essa a grande esperança de todos… É esse o verdadeiro significado do desejo por cada novo ano, por cada novo ciclo.

Feliz 2021 repleto de bons momentos, de boas pedaladas.

 

7 Avenidas: Vinte e Cinco de Largo por Sete e Meio

Mário Meireles @ Braga Ciclável

Publicado em 25/12/2020 às 23:01

Temas: Opinião biciclet Braga Democracia espaço público Espaço Urbano Mobilidade mobilidade em braga Transporte Público


Da rotunda do Santos da Cunha até à rotunda do Fojo são 7,5 quilómetros. Nesse comprimento temos sete Avenidas com vinte e cinco metros de largura. Aí, 80% do espaço é dedicado ao automóvel. Isso mesmo, vinte metros da largura destas avenidas são para o carro. E esta é uma das espinhas dorsais Este-Oeste da cidade – a par da ligação pela estrada velha e centro histórico, que é um segundo eixo estruturante Este-Oeste.

Estas sete Avenidas são cruzadas por um conjunto de duas avenidas naquele que hoje é o centro da cidade de Braga: A Rotunda das Piscinas. Este é o ponto central da cidade do século XXI.

Poucas são as deslocações que fazemos em Braga sem se utilizar pelo menos parte de alguma destas sete avenidas.

Um perfil com vinte e cinco metros de largura, em qualquer cidade cosmopolita e desenvolvida na Europa, hoje em dia não dedica 80% do seu espaço ao automóvel. Se os nórdicos aprenderam isso há 50 anos, os “nuestros hermanos” aprenderam há 20, e cidades como Sevilha, Valência, Vitoria-Gasteiz, Saragoça, Burgos, Pontevedra, Barcelona, Madrid, entre outras, fizeram intervenções nas avenidas em pleno coração da cidade.

O que têm em comum todas as Avenidas modernizadas nessas cidades espanholas e em tantas outras europeias? Têm ciclovias, têm muitos semáforos e passadeiras à superfície, têm corredores bus ou transporte público em canal próprio e continuam a ter espaço para o carro, mas em vez de 80% é 60% ou 40%, ou menos.

Em 25 metros de perfil, criar duas ciclovias unidirecionais é alocar 12% do espaço à bicicleta. O carro continuaria a ter 68% do espaço. Criar dois corredores BUS é alocar 24% do espaço ao transporte público. O carro continuaria a ter a maioria do espaço.

Se em vez de termos uma avenida com 80% para o carro e 20% para os peões, tivéssemos uma avenida com o espaço dividido da seguinte forma:
– 20% para os peões,
– 12% para a bicicleta,
– 24% para o transporte público e
– 44% para o carro.

Alguma vez isto pode ser ditadura da bicicleta ou do transporte público? Não. Será, evidentemente, uma divisão democrática do espaço público, assim exista vontade.

 

CycleAI – usar a inteligência artificial para melhorar a nossa mobilidade

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 21/12/2020 às 22:28

Temas: Notícias Acidentes atropelamentos Ciclovias CycleAI inteligência artificial Luís Rita machine learning Miguel Peliteiro Projetos Segurança


CycleAI é o nome de um novo projeto português que pretende usar tecnologias de inteligência artificial para ajudar a identificar problemas e assim propor melhores soluções para as políticas de mobilidade urbana sustentável. Um médico e um cientista de dados portugueses, ambos utilizadores diários da bicicleta, acreditam que as nossas cidades podem tornar-se mais amigas de quem anda a pé ou de bicicleta, e que a inteligência artificial pode ajudar. Este projeto inovador arrancou em outubro e precisa agora da participação dos utilizadores de bicicleta, para ajudar a reunir algumas informações essenciais para tornar o sistema informático mais inteligente.

O médico Miguel Sampaio Peliteiro, que foi violentamente atropelado numa ciclovia há poucos meses, e Luís Rita, cientista de dados e doutorando no Imperial College, são os responsáveis por este projeto, que vai reunindo em Portugal e no estrangeiro novos parceiros, apoios e prémios (como por exemplo o 1º European Cyclists’ Federation Hackathon e o BET/AWS University Challenge). O objetivo é contribuir para a transição urbanística das cidades focadas no automóvel para a mobilidade ativa, com mais deslocações a serem feitas a pé ou de bicicleta.

Como motivos para empreender este projeto ambicioso, os seus fundadores apontam o facto de que “as cidades a nível mundial estão cada vez mais focadas em voltar os seus esforços apontando a um futuro verde, sustentável e seguro”, mas que que apesar disso “continua a haver milhares de pessoas atropeladas nas estradas, excesso de emissão de gases com efeito de estufa e uma utilização pouco eficiente do espaço urbano”. Tudo isso acarreta enormes custos humanos, sociais e económicos que urge resolver pela via da prevenção.

“A perceção do risco impede as pessoas de pedalar”, afirmam. “Em Portugal tendemos a assobiar para o lado sob a desculpa de condições climatéricas adversas, quando o problema são a insegurança rodoviária, o pobre e subjetivo planeamento urbano, a gritante falta de infraestruturas e a poluição atmosférica nas principais artérias das cidades. Nós queremos mudar isto de forma objetiva, analítica”.

Apelo à participação de todos os ciclistas

Desde outubro, e contando já também com a participação de Codrin Bostan, o projeto CycleAI lançou o seu site em www.cycleai.net, que para além de dar a conhecer a iniciativa, servirá para realizar uma série de processos de crowdsourcing.

O primeiro já se encontra disponível e pede aos utilizadores da bicicleta que assinalem num mapa os locais mais propensos à ocorrência de acidentes ou que considerem uma afronta à sua própria segurança, como por exemplo cruzamentos mal desenhados, rotas mal sinalizadas, zonas com infraestruturas subótimas de circulação ou estado impróprio das vias.

Planos para o futuro

Os planos do CycleAI incluem o desenvolvimento de um modelo de machine learning que permitirá automatizar os processos de identificação de locais perigosos na rede viária e a sua classificação a partir de fotografias, obtendo finalmente um mapa que considere o risco assumido à circulação de diferentes zonas. Uma funcionalidade também prevista é a possibilidade de os utilizadores fotografarem um local que pretendam analisar e fazerem upload na página do CycleAI, que apresentará em instantes uma pontuação de segurança para essa área fotografada.

Depois de terem vencido em novembro deste ano uma competição europeia promovida pela CE, EIT e ECF sobre o tema “Building the cycling city of the future”, a equipa prepara-se para em junho apresentar o projeto na conferência internacional Velo-City 2021, que desta vez decorrerá em Lisboa.

CycleAI roadmap

Com a informação resultante das primeiras fases do projeto, os responsáveis preconizam que o próximo passo consistirá em atuar diretamente nos fatores de risco e promover a mudança. O projeto, lembram, é “interessante tanto pelo seu potencial como pela complexidade do que se desenvolverá”. Para tal, contam com o envolvimento não só dos ciclistas, mas também de municípios, consultores, geógrafos, engenheiros, arquitetos e cientistas de dados.

 

fotocycle [137] Anjos na Terra by Mr. Dheo

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 21/12/2020 às 15:38

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A arte é uma mensagem. A mensagem é a visão do seu criador como forma de arte. A arte urbana como forma de homenagem.

“Anjos na Terra” é a mais recente obra de Mr. Dheo, talentoso artífice de representações contemporâneas da sociedade em paredes desgastadas como tela.

“Anjos na Terra” é uma homenagem aos profissionais de saúde que na linha da frente fazem frente a esta perversa pandemia.

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Ontem, na minha voltinha de bicla dominical na companhia do meu grande amigo Rui, passamos no local para admirar esta obra de arte e para o respectivo registo fotográfico.

Como profissionais de saúde, no apoio em segunda linha aos colegas que estão na linha da frente, auxiliares, enfermeiros e médicos que combatem sem tréguas e que, no exercício dos cuidados de saúde prestados, sofrem os danos colaterais na luta contra este demónio invisivel.

O mural mostra uma enfermeira armada com um bastão, a acertar em cheio no novo coronavírus. Sofia, “enfermeira no Hospital de S. João”, no Porto, também ela uma vítima do terrível vírus. Muitos profissionais de saúde são os mais vulneráveis ao contágio no exercício das suas funções. Tratam, cuidam e ajudam o próximo, tantas vezes no limite da exaustão, tantas vezes prescindindo de coisas básicas que nós, do lado de cá, damos todos os dias como garantidas.

Deixo a publicação no Instagram, onde o próprio Mr.Dheo deu conta da sua criação:

 

 

mais um dia de bicicleta para o trabalho

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 16/12/2020 às 14:50

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Mais um dia daqueles, igual a todos os dias de trabalho, excepto na hora de sair de casa. Chove a potes. Conformado, decidiu esperar um pouco, na vã esperança de ver a nuvem passar. Chegou o momento do “não posso esperar mais”, o que coincidiu com o aumento da descarga! São Pedro gosta mesmo dele.

Saiu rápido, se aclimatando ao vento, à borrasca e ao corpo ainda frio. Encoberto na capa impermeável, de olhos semicerrados, ofuscados pelos faróis e pelos borrifos na cara, pedalou determinado, entre o muito trânsito estagnado e vultos sobressaltados, ousados gatos pingados que apressadamente retomam o passeio do outro lado.

O asfalto é um rio e os pneus progridem na enxurrada, espirrando água. Nada de especial para quem tem um bom par de para-lamas. A chuva não dá tréguas. Virando no cruzamento o trânsito oculta-se. Rua escura, vazia de gente e sem iluminações de Natal, a cidade resolve se acalmar. Parado no vermelho, espera ordem para avançar. Sinal aberto, dá as derradeiras pedaladas, forte e apressado. Sem perdas de tempo, travões a fundo, ao local de trabalho chegou.

E a chuva parou! Afinal já era tarde.

 
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