Cenas para ver e ouvir

Ana Pereira @ Cenas a Pedal

Publicado em 14/06/2021 às 23:27

Temas: Mulheres Pessoas Viagens e Aventuras Videos Web e outros Media podcasts vídeos

Então, maltinha, fartos das redes sociais? Andam a leste? Fazem muito bem. Ora aqui está um apanhado de umas conversas fixes que podem ter perdido no meio do vosso detox digital. 🙂

A Cicloda (aka Cicloficina) tem organizado, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa, uma série de tertúlias online cobrindo vários temas. O ciclo começou em Abril e eu tive a oportunidade de participar agora no início de Junho num sobre Bicicletas e Férias, e aproveito para o sugerir como primeiro a assistir, nãos estivéssemos nós bem entrados na época alta das viagens a pedal. 😉

Mas esta é só uma das tertúlias, não percam as outras. Eu gostei partcularmente desta, sobre Bicicletas e Mulheres!

Antes deste ciclo, entre o fim de Fevereiro e o início de Março, o Rafael Polónia, da Landescape, organizou uma série de conversas one-on-one ao vivo no Facebook. Umas foram mais claramente à volta do tema das viagens: com a Tânia Muxima, o Paulo Guerra Santos (e o seu guia), o Jorge Vassalo (do mítico Até onde Vais com 1000 Euros?), com o Gonçalo Peres, e com o João e a Valerie (do Pedalar Devagar). Mas também abordou outros temas laterais, comigo e com a Laura Alves.

Volta Online em Bicicleta | Tânia Muxima

A Tania Muxima, a minha convidada de hoje, pelas 21 horas, não é só uma "papa-quilómetros" de bicicleta. Além das imensas aventuras que a levaram a vários locais do mundo, pedalando, viajou também pela Islândia…de trotinete!

Publicado por Rafael Polónia em Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Volta Online em Bicicleta | Paulo Guerra dos Santos

O Paulo é o convidado desta noite, nesta conversa com a bicicleta como tema principal. O seu conhecimento e experiência adquiridos ao longo dos últimos 25 anos a realizar projetos de engenharia de vias de comunicação e transportes – um dos vários ramos de estudo da engenharia civil – fez com que partisse para esta missão de identificar a Rede Nacional de Cicloturismo.

Publicado por Rafael Polónia em Quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Volta Online em Bicicleta | Jorge Vassalo

ATÉ ONDE VAIS COM 1000 EUROS?com Jorge Vassallo “Uma viagem chamada liberdade. Não haverá nunca melhor viagem do que a que é planeada ao sabor do destino” – foi assim que Laura Alves (também convidada neste evento) definiu a viagem que o Jorge e o Carlos fizeram montados na Mikelina e na Penélope, duas bicicletas de baixo custo, “com bússolas compradas nos chineses”, sem sonhar que das suas aventuras iriam constar experiências como comer cabeça de cabra num barbeiro em Tiznit, ou uma tagine de camelo, que a imagem dos flamingos a voar no Parque Nacional de Khenifiss, onde quase ficaram soterrados na areia, se lhes gravaria na mente; ou que regressariam com muitos amigos novos na bagagem. Uma lição de economia doméstica. Dois portugueses, duas bicicletas e mil euros. No fim, não aguentaram e rebentaram o orçamento: comeram um bitoque à entrada de Portugal.Neste quarto dia de conversas, terei comigo o Jorge Vassalo, para nos falar um pouco o que foi esta aventura que, além de empreendedora no sentido de viagem, à altura, foi também uma lufada de ar fresco no mundo dos blogs.

Publicado por Rafael Polónia em Sábado, 27 de fevereiro de 2021

Volta Online em Bicicleta | Laura Alves

BICICLETA NO FEMININO | com Laura AlvesA minha convidada de hoje é a Laura Alves, que iniciou o seu trabalho em jornalismo há 20 anos e que passou a produzir conteúdos freelancer desde 2012. Na última década tem colaborado com múltiplas instituições, empresas e editoras, desenvolvendo conteúdos institucionais e/ou criativos em áreas muito diversas — entre elas a mobilidade, aliando o seu gosto particular pela utilização da bicicleta como meio de transporte.Entre 2012 e 2013 escreveu para a revista B – Cultura da Bicicleta e, em 2013, a convite da Texto Editores, publicou o livro "A Gloriosa Bicicleta – Compêndio de Costumes, Desvarios e Emoções em Duas Rodas", a primeira obra sobre o mundo da ciclocultura em Portugal, em coautoria com o Pedro Carvalho. Em 2014, em parceria com o fotógrafo Vitorino Coragem, produziu o trabalho documental “Maria Bicicleta” sobre as particularidades do ciclismo urbano no feminino — um trabalho que viria a ser adaptado a exposição de rua âmbito da Semana Europeia da Mobilidade em Lisboa. Desde 2020 que desenvolve conteúdos sobre a cultura da bicicleta para a versão portuguesa do We Love Cycling, projeto criado pela Škoda em diversos países europeus.

Publicado por Rafael Polónia em Terça-feira, 2 de março de 2021

Volta Online em Bicicleta | Gonçalo Peres

FILHOS…E AGORA? | com Gonçalo Peres4 MARÇO | 21 HORASNeste sexto dia de conversas sobre duas rodas, vamos ter o Gonçalo Peres, que tem 47 anos, dois filhos com 12 e 8 anos, e que faz de Lisboa a sua casa. Começou a usar a bicicleta em 2009, como solução para levar o primeiro filho à creche, a 2,5 quilómetros de casa. Uma distância longe demais para ir a pé, mas perfeita para a bicicleta. Não queria depender do carro e ser mais um pai a contribuir para o ambiente nocivo junto às escolas: poluição, insegurança e usurpação do espaço público. De forma progressiva começou a usar a bicicleta em todas as necessidades de deslocações. Em pouco tempo melhorou a condição física, passou a ver e sentir a cidade de uma forma diferente e a apreciar a natureza que estava escondida mesmo ao pé de casa. Já há muitos anos que não há veículos motorizados em casa. Tal como muitos pais não dão aos filhos a escolher se querem ou não ir de carro a algum lado, os filhos do Gonçalo já sabem que a bicicleta, é a escolha natural.

Publicado por Rafael Polónia em Quinta-feira, 4 de março de 2021

Volta Online em Bicicleta | Ana Pereira

MOBILIDADE E FORMAÇÃO | com Ana Sousa Pereira6 MARÇO | 21 HORASA Ana é a minha convidada deste sábado. Trabalha na área da promoção da mobilidade em bicicleta desde 2006 na empresa que co-fundou, a Cenas a Pedal. Co-fundadora em 2009 da MUBi – associação pela mobilidade urbana em bicicleta, co-fundou em 2019 também a cooperativa Bicicultura. Nomeada Bicycle Mayor of Lisbon 2019-2020 no âmbito do Bicycle Mayor & Leader Program, visa contribuir para reduzir as barreiras ao uso da bicicleta e tem n'A Casa da Bicicultura, um centro de promoção e educação para a mobilidade em bicicleta, rumo a cidades mais sustentáveis e mais amáveis, o seu mais recente projeto nesse sentido. A nível de formação, iniciou o trabalho nesta área em 2007, ao perceber que o Código da Estrada era meio medieval para o uso da bicicleta, levando-a a colaborar em trabalho de lobbying que culminou, num esforço coletivo, em várias alterações positivas que entraram em vigor em 2014. A par do interesse pelo CE, começou em 2008 a trabalhar como instrutora de condução de bicicleta, pois rapidamente percebeu que cumprir o CE não era suficiente para uma experiência de condução de bicicleta segura, confortável e eficiente. Desde 2008 que ensina pessoas de todas as idades a andar de bicicleta, bem como a conduzi-la na cidade (e fora dela).

Publicado por Rafael Polónia em Sábado, 6 de março de 2021

Volta Online em Bicicleta | João, Valerie, Yacha e Sinai

VIAJAR COM FILHOS | com João Gonçalo Fonseca e Valerie Fonseca, Yacha e Sinai7 MARÇO | 21 HORASNesta quarta conversa, vou estar à conversa com o João e a Valérie. A vida deles sempre foi feita na estrada a percorrer o mundo, à boleia pelo Velho Continente ou desbravando o continente africano e o Médio Oriente, quando a fotografia ainda era analógica. Porém, a viagem mais especial foi quando tiveram a ideia de percorrer o mundo de bicicleta. Partiram de Portugal à boleia até à Suíça e de lá, de bicicleta para aquela que seria uma viagem à volta do globo durante 3 anos. O tempo quando se viaja de bicicleta é, porém, diferente do tempo quando se viaja à boleia, de avião ou mochila às costas e os 3 anos transformaram-se em 4, só pela Europa, Médio Oriente e Ásia.A odisseia deu lugar a um livro – Pedalar Devagar – e o retorno à vida rotineira. Regressados a Zurique, cidade onde também dois filhos foram concebidos, o sonho de fazer outra grande viagem foi crescendo. Como sempre na vida deste casal, tudo é decidido ao minuto e foi assim que achámos que partir de novo seria a ideia mais fascinante, desta vez com toda a família nos alforges. A América do Sul foi traçada no horizonte e foi aí que pedalámos com as nossas quatro bicicletas, explorando por mais de 20 meses, diferentes países, montanhas, culturas e experiências indescritíveis! E porque pedalar não nos chegava, até um barco construímos para descer o rio Napo e o Amazonas.

Publicado por Rafael Polónia em Domingo, 7 de março de 2021

E finalmente, deixo também o 2º episódio do podcast De Ventos em Popa, da Roda dos Ventos, em que o Tiago Carvalho entrevista a Inês Sanches, dos projetos Femina e Selim.

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Apoios à aquisição de bicicletas 2021

Ana Pereira @ Cenas a Pedal

Publicado em 14/06/2021 às 20:31

Temas: Ambiente e Energia Incentivos necessidades especiais Políticas fundo ambiental

Fundo Ambiental

Depois da pressão da MUBi, em 2019 o programa de Incentivo à Introdução no Consumo de Veículos de Baixas Emissões, gerido pelo Fundo Ambiental, passou a incluir também bicicletas elétricas. E após mais pressão da MUBi, em 2020 foi alargado para bicicletas de carga.

Atualmente, em 2021, este programa apoia a aquisição, por pessoas singulares e por pessoas colectivas, de bicicletas:

  • convencionais (20 %, e máximo 100 €)
  • bicicletas elétricas (50 %, e máximo 350 €)
  • bicicletas de carga (50 %, e máximo 500 €)
  • bicicletas de carga elétricas (50 % e máximo 1000 €)

E está a ser muito procurado, tendo esgotado rapidamente os apoios para as bicicletas convencionais e para as bicicletas elétricas. Embora, as candidaturas continuam abertas – espera-se (fazendo a MUBi lobby para isso), que o fundo seja reforçado para as cobrir. Nesta data (14/06/2021), ainda há apoios disponíveis para as bicicletas de carga. O incentivo só se aplica a bicicletas novas e destinadas a uso citadino, não cobrindo bicicletas destinadas a uso desportivo.

Ideias para melhoria

Um próximo passo mais coerente com os objetivos deste programa do Fundo Ambiental de «aceleração da apropriação de energias de tração alternativas e ambientalmente mais favoráveis», de descarbonização do sector dos transportes e de fomento dos modos ativos, seria o programa deixar de financiar separadamente automóveis e velocípedes. Poderia passar para uma categorização que permita às bicicletas competirem com os carros, e atribuir apoios baseados em valores máximos absolutos em vez de limitados a uma percentagem. Eventualmente poderia salvaguar uma quota mínima para as bicicletas, mas se calhar já nem precisaríamos disso, uma vez regularizada a cadeia de produção internacional, em disrupção desde o início da pandemia da covid19.

Por exemplo, usando os montantes deste ano, teríamos:

  • 3.000 €, aplicável a motociclos ou ciclomotores elétricos, automóveis ligeiros de passageiros, elétricos, ou a bicicletas elétricas e acessórios para transporte de carga ou passageiros (atrelados, cadeiras, sacos, etc)
  • 6.000 €, aplicável a automóveis ligeiros de mercadorias, elétricos, ou a bicicletas de carga elétricas ou convencionais, ou a bicicletas elétricas ou convencionais adaptadas para pessoas com limitações motoras
  • 350 €, aplicável a bicicletas convencionais, atrelados, e kits de conversão carga ou elétrica

Isto permitiria às pessoas e às organizações otimizarem o valor do apoio e do seu investimento próprio, valorizando as vantagens competitivas das bicicletas e tomando decisões mais racionais.

Além disso, permitiria o acesso às bicicletas elétricas e de carga, e às bicicletas adaptadas, em particular, a uma grande parte da população que poderia beneficiar imenso delas mas que atualmente não tem capacidade financeira para investir nas mesmas, mesmo com os apoios em vigor. (Faltam 2-3 coisas essenciais: um programa de crédito bancário barato e de fácil acesso, e provisão de estacionamento seguro e prático para bicicletas de carga e bicicletas elétricas nos edifícios residenciais ou nas ruas dos mesmos, e oferta no mercado de seguros contra furto a um preço razoável.)

Mesmo que não o façam, seria bom o progama passar a incluir também bicicletas adaptadas, elétricas e não elétricas, no apoio, ao mesmo nível do atribuído às bicicletas de carga, pois as bicicletas adaptadas são tão ou mais caras quantos as de carga, e ainda atrelados de carga e de transporte de animais, kits de conversão de bicicletas em bicicletas e triciclos de carga, e kits de assistência elétrica.

A par disto, seria positivo passar a restringir os apoios a bicicletas compradas a entidades nacionais / locais, de forma a beneficiar o tecido económico local e a facilitar a assistência, garantia e pós-venda. Isto permitiria ainda alavancar o impacto do programa ao levar a que os beneficiários funcionassem como agentes de divulgação destes tipos de veículos mais utilitários junto das lojas de bicicletas nacionais, ainda muito focadas apenas no desporto, e servissem de pretexto para estas lojas encetarem ou reforçarem contactos e relações com fornecedores estrangeiros.

Câmara Municipal de Lisboa

Entretanto, estes apoios do Fundo Ambiental, são acumuláveis com os apoios do Programa de Apoio à Aquisição de Bicicletas do Município de Lisboa, iniciado em 2020, entretanto reaberto e expandido em 2021, e aberto a pessoas singulares – quem viva, estude ou trabalhe nesta cidade, bem como a empresas e a empresários em nome individual, a Juntas de Freguesia e a instituições sem fins lucrativos.

Atualmente, em 2021, este programa da CML apoia a aquisição de:

  • bicicletas convencionais (50 %, e máximo 100 €)
  • bicicletas elétricas (50 %, e máximo 350 €)
  • bicicletas de carga (50 %, e máximo 300 €)
  • bicicletas de carga elétricas (50 % e máximo 500 €)
  • bicicletas adaptadas (75 %, e máximo 200 €)
  • e bicicletas adaptadas elétricas (75 %, e máximo 500 €).

Este incentivo também só se aplica a bicicletas novas e destinadas a uso citadino, não cobrindo bicicletas destinadas a uso desportivo.

Este ano o programa da Câmara Municipal de Lisboa apoia ainda a reparação de bicicletas (50 % do valor de materiais e serviços de reparação, até um máximo de 80 €) e a compra de alguns acessórios (50 % do valor de acessórios de segurança – luzes e cadeados, entre outros – e de transporte de crianças – cadeiras, atrelados, trail-a-bikes, até um máximo de 80 €). Isto é importante porque permite às pessoas beneficiar de um incentivo à recuperação / reconversão de bicicletas que já possuam, ou de bicicletas usadas, para um novo uso, tornando a bicicleta mais acessível a mais pessoas, e contribuindo para a reutilização de bens e materiais já existentes (evitar que acabem no lixo mais tarde, e evitar o consumo de novos materiais).

Os produtos e serviços têm que ser adquiridos a lojas/oficinas locais, sediadas ou em funcionamento em Lisboa, o que ajuda a fortalecer o sector local, promove a construção de comunidade, reduz os problemas de garantia e pós-venda, e estimula as lojas locais a terem mais contacto e experiência com bicicletas utilitárias. Claro que nós somos uma loja aderente! Mas há muitas mais.

O prazo de candidaturas fecha dia 30 de Novembro de 2021, ou antes se o fundo esgotar.

Ideias para melhoria

A nível de melhoria do programa da CML, diria que apoiar a formação em condução seria um passo lógico, que tornaria a adesão à bicicleta acessível a mais pessoas e melhoraria o nível de segurança das que já a usam, embora imagino que pudesse ser muito mais difícil de evitar a fraude, e que surgiriam de repente milhentos novos “instrutores de bicicleta”, a vender serviços fictícios ou a serviços não qualificados, o que dada a natureza da atividade (a bicicleta é um veículo, e em que nos deslocamos facilmente a velocidades muito superiores ao andar a pé – 15-40 Km/h, na proximidade de outros veículos e de pessoas a pé), poderia ser contraproducente. Mas pronto, era realmente muito bom que formação como a que desenvolvemos, presencialmente e online, pudesse ser tornada mais acessível e pudesse chegar a mais pessoas que dela beneficiassem, pois ter uma bicicleta não basta para termos uma boa experiência a usá-la.

Seria bom também que o programa apoiasse a compra de atrelados de carga e de transporte de animais, de kits de conversão de bicicletas em bicicletas e triciclos de carga, e de kits de assistência elétrica, aumentando o valor do apoio para 350 € ou 500 €, ajudando as pessoas a usar as bicicletas que já têm, mas tendo o apoio para expandir a sua capacidade para o nível de bicicleta de carga / bicicleta elétrica.

Mas o que são bicicletas de carga?

O mercado oferece cada vez mais soluções utilitárias e por vezes é difícil identificar fronteiras claras. Como costumamos dizer, todas as bicicletas são bicicletas de carga. 🙂 Ou seja, o que queremos dizer é que todas as bicicletas não de desporto mesmo a sério, têm uma enorme capacidade utilitária, com os acessórios certos.

Contudo, claro que depois isto é um espectro, de uma bicicleta normal otimizada com acessórios até bicicletas de carga de diferentes tipos, algumas autênticas “carrinhas”, passando pelos tandem. 🙂

As candidaturas a estes dois apoios aqui descritos, são sempre alvo de avaliação, e eles têm lá os seus critérios. Mas bicicletas de carga começam nas midtails e “butcher’s bikes”, que têm uma capacidade de carga ligeiramente maior do que bicicletas convencionais, sendo que às vezes nem se percebe logo ao olhar para elas, e as bakfietsen mais compactas, e vão por aí afora pelas longtails e bakfietsen de maior capacidade, e triciclos. Alguns exemplos básicos:

As bicicletas de carga minimamente equipadas começam, tipicamente, nos cerca de 1.500 €, e as elétricas de carga começam geralmente nos cerca de 3.500 €. Mas o mais comum é rondarem os 5.000-6.000 € já com os acessórios todos.

E o que são bicicletas adaptadas?

As soluções para pessoas com limitações motoras também incluem uma grande diversidade de formatos. Podem ser bicicletas, triciclos, atrelados, andadores, kits de conversão para cadeiras de rodas, etc. Podem ser para a pessoa poder deslocar-se autonomamente sozinha, para ser transportada passivamente por outra pessoa que conduza e pedale, ou para deslocar-se pedalando mas em tandem com outra pessoa que conduza. Abaixo partilhamos um documento que dá uma ideia básica de tipos de soluções e preços.

Interessados? Podemos tentar ajudar. O primeiro passo é facultarem-nos a informação básica, através deste formulário. Temos alguns modelos disponíveis para teste de condução, e fazemos a ponte com donos de outros modelos.

Para quem não conhece a nossa história e o que fazemos e como fazemos: não mantemos bicicletas novas em stock, é tudo encomendado de propósito para cada cliente, consoante as suas necessidades. A pandemia da covid19 criou uma disrupção nas cadeias internacionais de produção de bicicletas (e não só), o que criou problemas de fornecimento e aumento de preços. Ao mesmo tempo, houve uma explosão na procura de bicicletas. Tempestade perfeita: muita procura e pouca oferta, é normal não encontrar bicicletas nas lojas, e é normal ter que encomendar bicicletas com 6 meses de espera. Os especialistas dizem que só em 2023 as coisas se restabelecerão, e que até lá irá continuar a ser difícil comprar bicicletas, e que os preços deverão aumentar mais. Tenham isto em conta quando contactam lojas e quando decidem avançar com encomendas, e concorrer a apoios, OK?

Entretanto, sim, temos bicicletas que têm prazos de entrega de 6 meses ou mais, mas também temos outras que chegam em 2 semanas. 🙂 Preencham lá o formuláriozinho e logo conversamos!

Conclusões

Há apoios nacionais e apoios locais acumuláveis, pelo que pode-se conseguir um apoio máximo de 1580 € na compra de uma bicicleta de carga elétrica, o trabalho das organizações da sociedade civil como a MUBi são fundamentais para as coisas evoluírem, por isso colaborem (tornem-se voluntários e judem no trabalho, dêem donativos monetários se não têm tempo para dar, e partilhem os sites e os trabalho das organizações nas vossas redes), e não adiem as vossas decisões de compra porque os fundos esgotam, há falta generalizada de stock de bicicletas até 2022-2023, e pró ano pode sempre não haver apoios…

Entretanto, um #ativismodesofá acessível a qualquer um é mandar um email para paab@cm-lisboa.pt e/ou para incentivovbe@sgambiente.gov.pt e deixar sugestões de melhoria como as que avançámos aqui. 😉

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Hurbanidade Ativa

Arnaldo Pires @ Braga Ciclável

Publicado em 12/06/2021 às 7:45

Temas: Opinião ANSR humanidade Maas Global Maas Global Oy Respeito Sinistralidade software urbanidade Velocidade Excessiva


Não se trata de um erro ortográfico: “Hurbanidade” no sentido de unir o simbolismo de Humanidade com Urbanidade; “Ativa” no sentido de pretender chamar a atenção para a necessidade de intervenção política, e também, de cativar para a mobilidade ativa. “Hurbanidade ativa” é algo que falta, frequentemente, no sentido político da ação e no sentido da atitude individual, diária.

O termo urbanidade remete para o sentido de respeito pelo outro, da ordem pública, do civismo. Se pensarmos em mobilidade urbana conseguimos relembrar, de imediato, inúmeras situações em que diferentes cidadãos se excedem, no trânsito, tanto ao nível da falta de respeito direto pelo outro, com utilização de linguagem imprópria; como, de forma indireta, pelo não cumprimento das regras de circulação. Como exemplos, desta última questão, referira-se o excesso de velocidade, o estacionamento onde apenas deveriam circular peões, cadeiras de rodas, carrinhos de bebés ou ciclistas; ou a colocação abusiva de esplanadas, que por vezes, colocam em causa a prazerosa pedonalidade.

No último relatório de sinistralidade rodoviária nacional, da ANSR, referente a janeiro e fevereiro de 2021, é possível destacar que o confinamento levou a uma redução de 19% na mortalidade global. À primeira análise afigura – se como um bom indicador, contudo, infelizmente, sabemos que não foi obtido pelo impacto de, eventuais, medidas de prevenção rodoviária: são, sim resultados obtidos pela diminuição global da mobilidade dos portugueses. Desse relatório, é possível destacar que os acidentes dentro das localidades correspondem a 67% do total. Logo após Lisboa e Porto, surge, destacado, o distrito de Braga.

Das infrações registadas, o excesso de velocidade é preponderante. Porquê? Teremos todos de manter uma vida diária de excesso, como se estivéssemos sempre atrasados?

Exige-se, de cada um, maior sentido de responsabilidade, maior respeito pelos outros, cumprindo o código, por vezes, até mais do que nos exigem. Sim, porque infelizmente, muitos autarcas, se ausentam das suas responsabilidades e não exigem algo mais aos automobilistas: não induzem a redução da velocidade necessária ao arruamento, pelo que não privilegiam ou defendem o peão, ou o ciclista.

Existem várias medidas que as autarquias podem implementar, ou facilitar a sua implementação , como a promoção de comboios de bicicleta no trajeto casa-escola-casa, algo que tem vindo a proliferar a nível nacional, mas não tanto como seria desejável, pela falta de condições de segurança para as crianças pedalarem; incentivo ao uso de aplicações, como a Finlandesa MaaS Global Oy, que permitam uma otimizada interação entre os transportes públicos e outros meios de deslocação, reduzindo o número de carros em circulação. Várias cidades europeias têm participado em projetos deste género, com ótimos resultados, potenciando a mobilidade ativa e o desuso do automóvel. Deseja-se, assim, que muitas mais adiram!

 

o commute para uns dias de férias pelas minhas aldeias

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 8/06/2021 às 14:16

Temas: marcas do selim 1 carro a menos a chuva não atrapalha aldeia biciliteratura cicloturismo commutescount Cristina Quartas dona Etioelbina vai para a aldeia dos malucos das biclas voadoras Douro em tempo de férias estrada fotografia fotopedaladas Gorka longas pedaladas Mós do Douro motivação N108 N222 outras coisas partilha randonneur route108 & route222

Segunda-feira, último dia de Maio. Pedalava estrada afora manhã bem cedo, sabendo antes mesmo da primeira pedalada que seria uma viagem longa e agradável. Por um lado, o dia estava simplesmente lindo, brilhante e fresco, com uma leve brisa pelas costas. Por outro lado, eu não estava no meu commute matinal para o trabalho. Estava a dar início a uma semaninha longe de tudo. Poder desfrutar uns dias de férias, ficar sem rede, reajustar a cabeça e passear com a patroa.

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Gosto de pedalar por estradas velhas e isoladas ao longo do rio, de qualquer rio. Adoro pedalar, ponto. Vaguear calmamente, relembrando histórias, ouvindo e revendo o que vivi inúmeras vezes. Não importam os destinos ou as distâncias, faço-me à estrada para sentir a inspiração de uma nova viagem.

Assim, em mais uma jornada de pedal demorado e suado para a minha aldeia mais longínqua, parando na outra minha aldeia que fica precisamente a meio caminho para encher a barriga de sustento e sorrisos, a bicicleta é, e foi, a opção lógica em troca de duas aborrecidas horas de carro, depois da patroa encerrar o expediente.

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Ok, actualmente temos as autoestradas que poupam tempo e nos roubam dinheiro, mas por aí o tempo passa demasiado depressa. Relembrando velhos tempos de infância, como relembra a minha amiga Cristina Quartas, outrora a viagem de carro era uma saborosa aventura. Partilho e retiro alguns excertos do seu belo texto: “a viagem era longa – 8 horas. Oito horas de caminho até à aldeia das Mós. Oito horas a caminho de Sta. Bárbara.”

“As estradas eram em paralelo. Estreitas e cheias de curvas. Íamos por Mesão Frio, Régua, Horta, Sebadelhe, Touça… em direcção a Vila Nova de Foz Côa.

Parávamos várias vezes pelo caminho para arrefecer o carro, fazer “chichi”, merendar e descansar um pouco de estar sentados.

Pelo caminho, acima da Régua, encontrávamos recantos maravilhosos para merendar.”

As estradas são as mesmas, as lonjuras são as mesmas, as curvas são as mesmas, os pisos e os automóveis é que são outros.

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Estava de volta à velha N108, para lá de Entre-os-Rios, para lá do marco dos quarenta quilómetros, atravessando rios que desaguam no Douro, deitando-me nas curvas ao longo dos vales, lembrando sons e cheiros que me fazem viajar através do tempo e do espaço para aterrar nos mesmos lugares de há quarenta anos.

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Logo percebi que estava inebriado, naquele estado cognitivo onde a minha bicicleta parece simplesmente desaparecer debaixo de mim, até que um forte estrondo e a súbita chuvada me acorda para a realidade. Bem me havia avisado o Tio Pinto, que com aquele calor e o céu carregado prometia vir a apanhar trovoada e chuva da grossa algures pelo caminho.

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“De repente, ouvia-se o assobio afunilado e prolongado dum comboio, movido a carvão e o barulho da sua engrenagem nas linhas que contornavam as serras no outro lado da margem do Douro, ao longo do seu leito: um comboio a caminho de Barca de Alva!”

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Cruzada a ponte, estava de volta à mítica N222, para lá da Régua, a todo o vapor, a par com o comboio que me desafiava da outra banda. Estava para lá do Pinhão, dizendo um “até já” ao pachorrento Douro. Para lá dos montes ia negociando com o calor, sentindo o coração que acelerava nas subidas e as pernas que relaxavam nas descidas.

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Do vento eu não me deveria ter preocupado, estava forte, sim, mas ia-me empurrando para aquelas belas e perpétuas paisagens do Douro Vinhateiro. É claro que havia ainda muita subida dura e implacável, mas eu tinha tempo. O que me preocupava era aquele horizonte negro sobre o Marão, aqueles verticais riscos cinzentos desenhados pela chuva e evidentes clarões de relâmpagos, bem lá no alto. Estava certo que o mau tempo não me ia apanhar, pois não estava no meu caminho. Pelo telefone chegou a confirmação da forte tempestade que assolava Vila Real. Chuva forte, acompanhada de granizo e rajadas de vento, apavorava quem conduzia pela A4. No final da minha chamada telefónica para a Carla, seguiu também o meu conselho para que conduzisse com cuidados redobrados.

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O meu passeio prosseguiu sem complicações e correu bem. Registei as paragens com uma série de fotografias e percebi que estava algo adiantado para as minhas previsões, com uma velocidade média muito respeitável de vinte e cinco quilômetros por hora. Mas a ideia era não ter pressas. Afinal, a chave de casa não estava comigo. A minha pedalada começou a se normalizar, o corpo a reclamar, e numa cadência mais tranquila, os meus pensamentos ficaram mais focados nos dias seguintes.

A minha mente estava repleta de ideias, de listas de “o que fazer” e “para onde ir”, onde muitas delas incluíam longos passeios de bicicleta, mas, às vezes, aquilo que a cabeça quer o corpo não obedece.

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“Mas o destino não era aquele. Por isso, havia que seguir caminho.

As lindas paisagens “planaltas” começavam a ficar para trás. Aquela estrada velha e estreita era a que ia para a estação do caminho-de-ferro de Freixo de Numão.

Os barrancos eram agora mais sombrios, mais estreitos. Passávamos a pequena aldeia de Murça e pouco mais adiante uma seta à direita “MÓS”.”

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Mas aí a(o) Preguiça falou mais alto. Ao longo da restante semana fiquei de papo para o ar e a bicicleta ficou parada, encostada à sua amiga Dona Etielbina, velha bicicleta que me espera quando me mudar da cidade para o campo. “Então e a bicicleta?”, insistiam em me perguntar. A bicicleta meteu férias, porque eu assim o quis. Também merece carago!

No final de contas, a viagem pedalada entre o Porto e a aldeia dos meus avós, (podem ver aqui mais um registo “strávico”, gravado para a posterioridade e futuras gerações) demorou apenas mais trinta minutos do que as oito horas vividas pela Cristina no Volkswagen do seu pai. Já nós, eu o Tó, a minha mãe e o meu pai, para lá chegar repartíamos a viagem do nosso Fiat 127 em duas etapas: Porto – Frende (Castelo) / Castelo (aldeia da minha mãe) – Mós (aldeia do meu pai). As vantagens de agora são muitas e óbvias. Agora eu não enjoo.

 

O trânsito na cidade: um problema urbano e não de atravessamento

Mário Meireles @ Braga Ciclável

Publicado em 2/06/2021 às 10:10

Temas: Opinião bicicletas Braga congestionamento deslocações Mobilidade Mobilidade Sustentável morecycling Sustentabilidade Trânsito Transportes públicos


A cidade é responsável por cerca de 400 mil deslocações diárias, sendo a grande maioria viagens dentro do concelho (79% das viagens). Seguem-se viagens que se iniciam ou terminam em Braga, mas com origem ou destino fora deste concelho (20%) e apenas 2% das viagens não querem nada com a cidade e utilizam as suas infraestruturas para passarem por ela. O tão badalado “tráfego de atravessamento” resume-se a 2%.

A Norte, no Nó de Infias, a falta de alternativa para as deslocações suburbanas é o problema. As pessoas que querem vir das freguesias suburbanas e dos concelhos vizinhos, para trabalhar, estudar ou visitar a cidade, só têm uma forma de o fazer: de carro. Aí é necessário, sem dúvida, um investimento sério no transporte público.

Já em 2013, o estudo de Mobilidade do Quadrilátero Urbano apontava que havia um problema no acesso à cidade a Norte, que acabava por criar congestionamentos nas horas de ponta não só no Nó de Infias, mas na Rotunda de Infias, na Avenida Padre Júlio Fragata, Rotunda das Piscinas e Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires.

Por si só isto seria demonstrativo que o problema não é “atravessar a cidade”, mas sim, chegar e partir da cidade.
Isto porque quem quer atravessar a cidade vindo de Norte, chegando ao Nó de Infias, deriva para a António Macedo, passando pelas Bombas da Cepsa e entrando em Ferreiros/Celeirós nas Auto-Estradas.

Assim fica claro que a prometida “variante” apenas vai servir 2% das deslocações e não resolverá nenhum problema ali. O problema apenas se vai agravar pela indução da mobilidade automóvel.

Os números não deixam dúvidas: o problema está nas deslocações dentro do concelho (79% das deslocações).
Numa primeira fase, a aposta deve passar por dar soluções às pessoas que pretendem deslocar-se dentro do Concelho de Braga (cerca de 315 mil deslocações diárias) e para as que se deslocam dos concelhos vizinhos (cerca de 80 mil deslocações diárias).

Em vez de se investir numa variante que serviria 2% das deslocações, é preciso investir na reorganização da infraestrutura na cidade, que serve 79% das deslocações. Reorganizar as principais avenidas de Braga, para que nela possam existir bons passeios, ciclovias bem construídas, e vias dedicadas ao transporte público é inevitável para se conseguir transportar mais pessoas por hora de uma forma eficiente. Ou então, a pressão nas atuais vias manter-se-á e agravar-se-á, e as horas de ponta ficarão cada vez mais infernais.

Os últimos 100 anos demonstraram que os problemas de deslocação não se resolvem com novas infraestruturas rodoviárias, que atraem e induzem mais trânsito automóvel.

Resolvem-se com investimentos acertados no triângulo sustentável: nos transportes públicos, no andar de bicicleta e no andar a pé.

 

Braga e as Des-Políticas de Mobilidade Sustentável

Pétilin Souza @ Braga Ciclável

Publicado em 29/05/2021 às 8:00

Temas: Opinião Arquitecta Bicicleta Braga Ciclovias CO2 Estacionamento infraestrutura Mestre Mobilidade Mobilidade Sustentável Município de Braga Paradigma Pétilin Souza poluição


Já é reconhecido o facto de que os desafios urbanos devem ser considerados em qualquer caminho de mitigação das causas das alterações climáticas. Desafios estes que vêm de várias dimensões: infraestrutura urbana, transportes, edifícios e resíduos. Esse quadro apresenta, ao mesmo tempo, barreiras e oportunidades de transição em termos técnicos e económicos. Portanto, o caminho da mitigação pode seguir vários níveis: instituições, comportamentos, valores e tecnologias.

As práticas cotidianas e a infraestrutura urbana, resultam em padrões desiguais de solicitação de energia urbana. Por exemplo, a mobilidade urbana altamente desigual – regularmente estruturada em linhas sociais, de género e étnica – mostra que uma determinada estrutura urbana se adapta a diferentes padrões da vida cotidiana e do uso de energia.
Existe, portanto, um grande potencial de mitigação das emissões de dióxido de carbono, uma vez que existem novas infraestruturas de energia e mobilidade implementadas nas áreas urbanas. Há também, contudo, um desafio social, cultural e político.

Um relatório desenvolvido pela Comissão Europeia estimou o impacto potencial de medidas urbanas de mobilidade sustentável na redução das emissões de CO2 no nível urbano e definiu um conjunto de medidas de mobilidade sustentável e que se tornam boas opções para reduzir as emissões de CO2, por exemplo: Cobertura de transporte público; Investimentos e manutenção de infraestrutura dedicada a deslocamento pedonal e ciclável; Gerenciamento de estacionamento; Integração de modos de transporte; Esquemas de restrição de acesso; Zonas de baixa emissão; entre outras.

Por sua vez, Planos de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) contribuem para garantir a implementação de medidas de mobilidade urbana criando a possibilidade para que as cidades alcancem as metas europeias de clima e energia estabelecidas pelos líderes da União Europeia.

Ao mesmo tempo em que o Município de Braga, busca a participação da população na construção de seu “Plano de Mobilidade Urbana Sustentável”, é possível encontrar diversas políticas públicas que divergem dos objetivos possíveis estabelecidos pelos PMUS.

Diversas cidades europeias têm vindo a adotar práticas em seus centros urbanos que desestimulam a circulação de veículos privados. Em Braga, apesar do positivo processo de municipalização da gestão dos estacionamentos públicos, o Município de Braga compactua com a diminuição dos lugares de estacionamento públicos pagos na área central urbana. O pretexto é nitidamente oposto aos ideais da mobilidade sustentável, uma vez que se afirma haver necessidade em corresponder aos anseios da população que quer dirigir-se para a área central da cidade.

Assim, é preciso atentar que as políticas públicas prezem os objetivos de desenvolvimento sustentável e promovam a mobilidade sustentável. Estará Braga a caminhar verdadeiramente rumo à mobilidade sustentável?

 

da velha questão, carro vs bicicleta, ou vice-versa, ou o quê!

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 28/05/2021 às 11:29

Temas: desafio Africa do Sul bicicleta carrocultura coisas que vejo dos malucos das biclas voadoras filme humor partilha video

Retirado do site Aquela Máquina:

“Já alguma vez ouviu falar de uma drag race entre um carro e uma bicicleta? Foi o que os especialistas do portal sul-africano Cars decidiram experimentar. 

Na liça esteve o indiano Bajaj Qute, considerado o carro mais barato do mundo (3.500 euros na África do Sul), mas, na verdade, não passa de um quadriciclo com 400 quilos de peso. 

A alimentá-lo está um motor a gasolina de 216 centímetros cúbicos e com 11 cv de potência, em tudo semelhante ao que equipa uma motorizada. 

Chega aos 70 km/hora mas, com quatro ocupantes e 20 quilos de carga, essa velocidade apenas deverá ser conseguida em descida. 

Do outro lado estava o piloto Ashley Oldfield, que trocou por uma bicicleta o seu carro de corridas. 

Agora, é ver o vídeo e, sem rir às gargalhadas, perceber quem saiu vitorioso nesta gloriosa drag race.”

O desafio está lançado. Ora, como se ainda não o soubesses, para confirmares o grande vencedor deste duelo no asfalto, acede ao site Aquela Máquina em: https://www.aquelamaquina.pt/videos/detalhe/carro-vs-bicicleta-quem-ganha-nesta-drag-race-inedita.html?ref=videos_Grupo1 e assiste ao video. É diversão garantida.

 

fotocycle [259] rage against the machine

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 18/05/2021 às 11:13

Temas: fotocycle arte urbana bicicleta coisas que vejo fotografia fotopedaladas Gorka Matosinhos no meu percurso rotineiro pr'a casa outras coisas praia

“O monumento esculpido por José João Brito, foi inspirado pela tela “Tragédia do Mar” do Mestre Augusto Gomes, natural de Matosinhos. Esta obra, com cerca de três metros de altura, é composta por cinco figuras, viúvas e órfãos que expressam a sua dor pela perda dos seus entes no trágico naufrágio de 1947 que ceifou a vida a 152 pescadores.”
 

Projecto Bacalhau: Notas & Fotos Finais

@ Lisboa Bike

Publicado em 16/05/2021 às 16:27

Temas: bikepacking viagem volta a Portugal

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Algumas notas sobre viagens aventura de longo curso e outros projectos assim mais malucos. Cabe talvez realçar que o mais importante nesta questão não são as finanças, ou negociar o tempo suficiente longe do trabalho e de muitas outras responsabilidades. Nem é o treino, a preparação física, a compra do material para a bicicleta, a roupa, o planeamento exaustivo da viagem em termos de geografia, estradas, previsões meteorológicas, cálculo de distâncias diárias, etc. 

Não, por mais trabalhoso que seja resolver estas questões prácticas, que são importantes, o mais complicado é mesmo decidir ir. Parece simples, mas não é. Tem de haver motivação, e essa não surge do nada. É preciso querer mesmo ir, estar motivado é a única forma de sobreviver sozinho, na estrada, dia após dia. Quando as coisas começarem a correr mal, e vão correr mal em alguma altura, não pode haver dúvidas que é ali que queres estar. 

Resolvida esta questão, tudo o resto se torna mais manejável e as coisas acontecem. 

E uma nota final: não esperem que todos compreendam a vossa vontade de devorar quilómetros. Haverá quem vos tente desmoralizar, colocando buracos nos vossos planos. Por vezes é um amigo bem intencionado, que julga que te vai salvar de um embaraçoso falhanço. Por vezes é alguém mais invejoso, que considera impossível que faças algo que ele próprio nunca conseguiria. Eu tive quem me dissesse que a viagem acabaria ao segundo dia na parte de trás de uma ambulância. E tive gente a dizer-me que eu parava demais, que parava de menos, e porque é que não ia a museus, que ia demasiado depressa, que ia demasiado devagar...  

Uma viagem destas é tua, não é de mais ninguém. Seria bonito, mas não esperes que toda a gente apoie a tua decisão. Ela pode parecer a algumas pessoas uma coisa demasiado estranha. E as pessoas não lidam muito bem com o que não compreendem. 

Dito isto, também ninguém faz nada sozinho. Eu contei com o apoio à distancia de vários amigos que vibraram com as noticias do meu progresso e me animaram ao longo do caminho. E do inestimável apoio em coisas mais técnicas do meu amigo João Serôdio, ao contrário de mim, um atleta a sério. Graças a ele, a minha posição na bicicleta estava muito bem afinada e não tive quaisquer problemas físicos. Obrigado João!

Deixo-vos com mais algumas imagens, para quem busque inspiração.


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Projecto Bacalhau: Dia 23 - Até ao Fim

@ Lisboa Bike

Publicado em 15/05/2021 às 15:35

Temas: bikepacking viagem volta a Portugal

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Almada. O Isaltinistão ali tão perto

A manhã do último dia começa em algumas das estradas onde eu mais evitaria pedalar em Portugal. As nacionais ao redor de Sines. Sem bermas, sempre com trânsito relativamente denso e rápido, e com malta que ultrapassa as bicicletas de qualquer maneira. Um TIR passou a milímetros do meu guiador e o Dentuça chamou-lhe nomes que eu nem sabia existirem. Este percurso foi tanto mais inglório porque eu fui mesmo obrigado a voltar para trás. Eu explico: há poucos anos algum iluminado resolveu caçar uns votos "inaugurando" uma autoestrada nesta zona, ou melhor, mudando o nome à antiga estrada de duas faixas por sentido que vinha para Sines, e com a alteração, para sempre banindo os velocípedes de ali circularem.

 

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Por aqui?


Embora tudo indicasse o contrário, eu estava convencido que existiria um caminho para Norte para bicicletas, passando por Sines, mas evitando a dita A26, e o GPS, por uma vez, concordava comigo. O que eu não contava era com o que seria preciso para sair dali sem usar a dita nova "autoestrada". Para o GPS um caminho é um caminho. Mas eu é que tenho que lá passar!


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Por aqui??


Primeiro tive de usar uns acessos a um estacionamento, depois tive de contornar por trilhos a refinaria e os depósitos de hidrocarbonetos de Sines. Mais tarde andei mesmo no meio do mato, usei umas estradas de acesso para trabalhadores da refinaria e depois de circular numa linha férrea encerrada, lá encontrei uma saída para uma estrada nacional que seguia para Norte. 


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Por aqui!


Quando finalmente vi a zona de Sines pelas costas, realmente tinha evitado a autoestrada, mas era quase hora de almoço e o calor apertava. Tinha os pulsos em mau estado, devido ao piso e o terreno que tinha atravessado, e estava a ficar claro que não haveria pausa para almoço, não se eu queria estar em casa, no Isaltinistão, antes de escurecer.


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Hum...


Cheguei sem muitos incidentes a Troia, mas sempre debaixo de imenso calor. O trânsito cada vez mais intenso e os condutores que desprezam a vida dos outros vão tirando alguma piada a circular por estas bandas. Nesta altura ainda faltavam duas travessias de ferry e mais de 40Km para eu chegar a casa, mas eu sentia que era já mesmo ali ao lado.


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No Ferry



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Pronta para os últimos Km


Não era. No Ferry para Setúbal vimos golfinhos e a criançada a bordo correu para ver os simpáticos animais, que pareciam saudar a nossa passagem. Foi um momento de serenidade, que não me preparou para o que viria a seguir. A subida à saída de Setúbal fui brutal. Pouco depois encontrava um trânsito absolutamente infernal entre Setúbal e Almada, em hora de ponta e debaixo de um calor abrasador. Filas e filas de transito caótico, os paquidermes metálicos enfurecidos, que eu contornava e deixava para trás, apesar do cansaço dos mais de cem quilómetros nas pernas.


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De maneiras que foi isto

Suponho que não poderia ser de outra maneira, haveria esforço até ao fim. Em Almada tive de correr para o barco. Uns minutos depois estávamos a ser libertados na outra margem, no Cais do Sodré. O Dentuça exclamou um sentido "I'm back, bitches!" mas a euforia durou-lhe pouco. A rolar lentamente numa Marginal repleta de carros, uma certa melancolia pareceu instalar-se. Parecia incrível estar de volta, mas era verdade, ali estávamos nós, 23 dias e 1900Km depois, practicamente de volta ao ponto de partida. No ar andava uma pergunta, pesada, inevitável, incontornável. "E agora?"

Para libertar a mente destas questões fracturantes, comecei a assobiar o tema de Lucky Luke, como tinha feito em tantos outros finais de dia, nas semanas anteriores. Depressa o Dentuça me acompanhou e juntos cantarolamos pela estrada fora, enquanto mergulhávamos cada vez mais no caos do fim do dia do Isaltinistão. 



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Km finais: 1909


Obrigado a todos os que seguiram esta pequena saga desde o início, espero ter motivado alguém a fazer uma viagem mais longa de bicicleta ou ajudado a esclarecer o que acontece, ou pode acontecer, num tour deste género. Estarei disponível nos comentários para questões que surjam. 

Espero também encontrar alguns de vós na estrada. O tempo está excelente. Boas pedaladas!

Dia 23. Porto Covo-Isaltinistão. 153Km. (Estrada/Trilhos)
 
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