Uma cidade diamante

Sara da Costa @ Braga Ciclável

Publicado em 22/02/2020 às 9:12

Temas: Opinião Antuérpia Bélgica Bicicleta crianças liberdade Masterplan The Copenhagenize Index


Tinha uma vontade. Fui ao mapa e tracei a minha rota. Peguei na minha bicicleta e fui. Cheguei com a maior simplicidade com que se pode chegar a um lugar. Durante a viagem sonhei… sonhei que Braga poderia também ser um “paraíso ciclável” e que tudo ganharia outro ar. Apercebi-me tão rapidamente o quão atrasados estamos em relação ao resto da Europa. Sair de Braga para viver uns meses em Antuérpia é ser presenteada todos os dias a nível da mobilidade. Antuérpia, que em 2019, foi classificada a 4º cidade mais bike friendly pelo The Copenhagenize Index, e isso sente-se na perfeição para quem por aqui circula e reflete-se, realmente, no dia-a-dia das pessoas, com mais de 700km de ciclovias seguras e confortáveis.

É em cidades como estas que se consegue perceber o sentido que faz as bicicletas num sítio. Revelando que o investimento em infraestruturas é a estratégia mais moderna e inteligente para uma cidade. Naturalmente, já me deparei com ciclovias que terminam de forma abrupta e cruzamentos arriscados, mas é um processo, e nota-se que há um plano claramente traçado e que de ano para ano é melhorado e revisto. A cidade quer continuar com o desenvolvimento de uma rede de ciclismo de primeira classe. O Masterplan 2020 de Antuérpia apresenta um objetivo muito específico que é que pelo menos metade das deslocações seja feita em transportes públicos, a pé ou de bicicleta. O presente plano tem uma visão sobre mobilidade que leva em consideração vários meios de locomoção, habitabilidade e segurança rodoviária.

Não se vê uma cidade invadida por carros, o que salta à vista são famílias inteiras a andarem de bicicleta. Além da maravilha que é observar a fluidez com que as pessoas se movimentam, o que mais me fascina é ver as crianças nas suas bicicletas a irem para a escola/casa, em grupo de amigos ou sozinhas. É a maior liberdade que se pode dar a alguém, é ser autónomo o suficiente para gerir e escolher a maneira como se quer chegar a algum sítio.

Esta é uma das liberdades que podemos e devemos reivindicar, porque uma cidade é de todos e para todos. Hoje em dia temos pavor de deixar as nossas crianças irem de uma sítio a outro (muitas vezes distancias tão curtas), então metemo-las numa “caixa”, tirando-lhes a possibilidade de sentirem o vento, o sol e a chuva. E fazemos isso porque também nos têm tirado o espaço para circular com segurança.

 

#commutescount

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 18/02/2020 às 12:10

Temas: motivação 1 carro a menos benefícios das pedaladas bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano cicloturismo cidades coisas que leio Divisão Velopata fotografia mobilidade opinião outras coisas partilha Porto STRAVA Sua Alteza testemunho Velopata

Depois de algumas honrosas presenças nos patamares inferiores do mais cobiçado pódio do blogobairro, a única camisola que alguma vez almejaria vencer neste excelso clube strávico que é a Divisão Velopata, um grupeto de moços e moças pedalantes que permitem as suas boas vidas vividas no selim serem bisbilhotadas com pertinácia por um cusco, como quem cusca mesmo, o Velopata, e mensalmente escarrapachadas, gozadas e/ou admiradas, palavras do próprio, numa exposição hum… humor… humoríficoanalítica e insuspeita classificação para a posteridade e honradez de quem ganha horas de vida no pedal.

Quem leva o transporte/passeio/treino velocipédico mais a sério deve necessariamente ter um registo detalhado das suas voltas na aplicação de todas as aplicações, o Strava. Quer por uma questão de contabilidade quilométrica, altimétrica, por uma questão de comparação da evolução ou simples gabarolice, a malta dá ao pedal e acumula kom’s e kudos (não, não são escudos). O que interessa é que esses dados estejam guardados para mais tarde partilhar. E não falo apenas de números. Há depois quem seja mais metódico e coloque belas fotografias de bicicletas, autoretratos e paisagens só para outro ciclista ver. E gostar.

Mas voltando à pêra doce, a Divisão Velopata do Blog do Velopata, pois só mesmo, com o mesmo, o próprio, de quarentena por causa de uma virose coronada… ahhh, afinal foi só uma gripesinha e uma dorzinha de garganta, mais o amigo David Matos mais no processo tântrico da busca do autoconhecimento em sapatilhas, e o meu amigo Frinxas distraído com as vizinhas lá do prédio (diz que foi uma birra! tsss…), é que este vosso companheiro da dura vida de dar ao pedal, inesperadamente venceu a afamada, invejada e suada… tcharammm

Jersey Alucinado Diário

1º Paulo Almeida – 53 RS

2º David Matos – 46 RS

3º Frinxas él Térribelé ® – 43 RS

…”o destaque vai para a grande ausência velopática do pódio dos que não só utilizam a Bicicleta como elemento desportivo em suas vidas mas também para meio de transporte, desconfiando o Velopata que neste adorado clube do qual é curador, muitos desconhecem esta virtuosa faceta da Bicicleta.

Paulo Almeida, curador do blog “na bicicleta” (que podeis encontrar clicando aqui), e David Matos, o nosso diário distribuidor de carochas urbanas pejadas de Pranayama ou lá o que é, como habitualmente assumem as despesas de liderança pelo exemplo, no entanto, o grande destaque prende-se com a chegada do nosso Ciclista com marca registada e tudo, Frinxas él Térribelé ®, ao pódio dos commuters, portantos, praticantes do Commute.

Segundo coscuvilhices velopáticas, Frinxas deu por si acometido de uma invernante desmotivação velocipédica (maleita que o Velopata jamais entenderá; como é possível um bicho humano desmotivar de dar ao pedal?!?!?), portantos é aguardar que este seu lugar no pódio motive seu regresso, não apenas a este, mas a outros pódios velocipédicos onde já o ouvistámos.

E para os mais distraídos, o Velopata explica – RS é a grandeza física, nos entretantos já aceite pelos elevados padrões do SI (Sistema Internacional), que mede a quantidade de Registos Strávicos de um atleta.

No jardim da entidade laboral, já quase todos se habituaram a ver uma das minhas biclas amarrada ao gradeamento, partilhando o espaço com bicicletas e motas de outros funcionários. Colegas não ciclistas, com quem cruzo nas minhas pedaladas diárias entre casa e o hospital, comentam ter me visto ao longo do percurso e questionam-me sobre isso.

O clique deu-se há muitos anos após um desbloqueio mental: “Se ao fim de semana saio em longas pedaladas cicloturistas porque não fazê-lo diariamente para ir trabalhar!”. Essa coisa de ter que usar roupa e equipamento específico para pedalar, à chuva, ao vento, ou debaixo de um sol abrasador, mais não era do que algum acanhamento inerente. Mudar o paradigma da bicicleta na cidade, enfrentar o trânsito diário no Porto para o transporte é dizer convictamente que é possível. Apesar de todos os mitos associados à bicicleta na cidade, muitos outros também adoptaram esse modo de vida.

E porquê a bicicleta e não o carro ou o autocarro? Simplesmente porque é o meio de transporte que permite explorar da melhor forma o ambiente que nos rodeia. A bicicleta permite uma relação diferente com o tempo e o espaço. Ser pontual. Permite descobrir a cidade de uma outra forma, explorar trajectos, conhecer recantos ignorados até pelos próprios residentes. Depois temos o factor económico, a condição física, a tendência ecologista da bicicleta, que influenciam de forma positiva a massa crítica que vai ocupando as ruas da cidade.

Depois do trabalho alargo mais a distância do “commute”. Nos dias de folga, em estrada aberta ou por trilhos campestres, cada curva pode trazer uma coisa nova para contemplar, para explorar. Ao longo destes anos sinto-me cada vez mais acompanhado nesta “aventura” pelo país, reforçando a sensação de autonomia e independência que a bicicleta me dá. E isso é um sentimento que não tem preço. É um estilo de vida adoptado por muita boa gente.

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As pessoas são mais felizes a pedalar e sinto isso quando dou ao pedal em boa companhia. A influência externa de ver e acompanhar as pedaladas de amigos com mais anos nas pernas é um exemplo. E muitas vezes tenho de “chupar a roda” deles, que é o mesmo que dizer pedalar a bom pedalar atrás deles e a tentar manter o ritmo. Depois dos cinquenta a diabetes apanhou-me meio de surpresa, o que me tornou ainda mais dependente do prazer terapêutico da bicicleta.

Não há como negar a evidência: estão cada vez mais bicicletas a rodar por todo o lado. Não estamos na Dinamarca, nem temos a cultura velocipédica que se move em Amesterdão, mas as bicicletas inavdiram em modo ligeiro a paisagem urbana e extra-urbana. Mulheres e homens, mais velhos ou mais novos, ciclistas de longa data ou curiosos em iniciação, commuters diários ou cicloturistas de fim de semana, somos todos velopatas.

 

 

Pelos olhos dos outros...

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 8/02/2020 às 18:26

Temas:

Apesar de a nossa capital ser grande e ter muitas pessoas, amiúde vejo nos meus caminhos caras conhecidas e gente amiga... os que como eu rolam ou nos cruzamos e acenamos ou apenas um mero cumprimento, ou às vezes acompanhamos por algumas centenas de metros em amena cavaqueira.

Como agora atravesso a cidade quase de uma ponta à outra (cada viagem são cerca de 19kms e picos, ida e volta são quase 40kms/dia) vejo muitas vezes a rolar o LCarvalho, o EduardoS, o MiguelC, o MiguelB, o RLeiria e o JLeiria, o PedroG e a Maria, o ArturL, RuiA, o HugoM e o HerculanoR, o RuiR, o JoãoB, e ex colegas de trabalho como o PauloS, ManuelC e a VerónicaF e tantos tantos outros...

Há dias um desses mega licrados de bicicleta (como eu tb sou às vezes quando vou dar umas voltas na estradeira) começa a chamar-me quando vinha na ciclovia a caminho de casa, e eu não estava a ver quem era... os anos passam! Era um ex-colega de liceu que até está na minha rede do facebook e reconheceu a Gestrudes. Foi um bom reencontro!

Outra vez passei ali noutra ciclovia e passavam muitos peões e há um que grita "Woowww, tu, heeiii..." e não liguei pois pensava que não era para mim. Mas depois gritou o meu nome... Era um grande amigo da altura da faculdade!! Também reconheceu a Gestrudes! :)

Mas desde que tenho a Gestrudes, que é vistosa, muito mais gente amiga que anda de carro ou de transportes também me vê...

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Um deles goza comigo "Hoje vi outra vez o autocarro azul a passar por mim!" ou então...

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Mas dos mais hilariantes foi este audio que recebi e ouvi só quando cheguei a casa, num dia que o trânsito estava caótico e as filas de carros eram intermináveis e recordo ter ouvido uma buzinadela no sentido contrário ao meu, mas eu ia "depressa" (a 20 kms/h praí) e não vi que era.

Clicar para ouvir: "Ca ganda vergonha pá!"

O que eu me ri com isto... ! :)

 

Pedalar mentalidades

João Forte @ Braga Ciclável

Publicado em 8/02/2020 às 9:15

Temas: Opinião Autocarros Bicicleta camião Chuva Coexistência crianças distância de segurança Noruega Partilha partilha da via razias Respeito Segurança


Escrever estas linhas é duplamente gratificante, primeiro porque partilho a minha experiência e segundo porque a minha escrita acaba por produzir reacções, umas positivas outras nem por isso. Interpretar estas mesmas reacções é fundamental para trazer à tona aquilo que é realmente mais importante e que deve ser trabalhado por aqueles que, como eu, fazem da bicicleta um dos seus meios de transporte e pugnam por uma mobilidade racional, longe da carrocefalia crónica da qual o país e Braga padecem. A mobilidade é plural, ao contrário do que nos impingem há demasiados anos.

Após ter lido o meu último texto, um amigo dizia-me, de forma politicamente correcta, que o lugar das bicicletas era no monte, pois na via pública eram um estorvo. Fiquei perplexo com tal afirmação, contudo ela espelha na perfeição o síndrome da carrocefalia vigente. E na mesma altura veio-me à memória uma de várias razias que já me fizeram em Braga, enquanto eu circulava de bicicleta para o trabalho ou meramente numa deslocação casual curta, daquelas que a maioria de vós faz de carro. No caso em causa um autocarro, que é ainda mais assustador do que um veículo ligeiro.

Como se altera o paradigma vigente é a million dolar question. E sem alterar o paradigma não será possível levar em diante um imperativo civilizacional concreto, o de uma mobilidade racional.

Lembro-me de um episódio que me acompanha a memória até hoje e que mostra bem o que falta à sociedade portuguesa. Em 2006, e na Noruega, aluguei uma bicicleta. Tem todas as infra-estruturas para utilizadores de bicicletas isso conta na hora de decidir utilizar uma bicicleta no nosso dia-a-dia. Tendo a má experiência de Portugal, enquanto utilizador de bicicletas, fui bastante cauteloso durante o passeio. Senti-me bastante seguro, contudo, e ao chegar a um túnel, onde a via para bicicletas era reduzida, tive receio, o qual se agravou quando me apercebi da aproximação de um camião. Abrandei, estranhando o facto do camião estar a demorar. Qual não foi o meu espanto quando percebi que o camião tinha abrandado e passou por mim bastante devagar. Saído do túnel, parei para perceber o que tinha acabado de acontecer, um camião respeitar um ciclista? E enquanto estava ali parado, passou uma mãe, de bicicleta e com o seu filho de poucos meses num atrelado próprio para crianças, em total segurança e mesmo num dia onde chuviscava. A regra ali é esta, respeito dos condutores por todos os utilizadores da via. Cá é a excepção, porque será?

 

can’t miss [207] randonneursportugal.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 4/02/2020 às 12:56

Temas: can't miss it ciclismo ciclistas no mundo cicloturismo coisas que leio dos malucos das biclas voadoras esta malta tem cá um pedal!... França motivação outras coisas Paris-Brest-Paris partilha ra randonneur testemunho

“… cá estou eu, infeliz, a tentar dar cumprimento à tarefa de tentar pasmar eventuais leitores com meia dúzia de memórias esfumadas já que, como dizem os RP, quaisquer pérolas de sabedoria poderão ser úteis a potenciais participantes…”

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José Ferreira
Randonneurs Portugal Nº20100006
Paris Brest Paris 2019

O Paris-Brest-Paris não tem a emoção de uma clássica Paris-Roubaix nem tem o mediatismo do Tour de France. O que tem de especial o PBP é a atmosfera ao longo do extenso percurso, dos 1.200 e tal quilómetros de pedalada, e o apoio e incentivo dos moradores locais. Não é somente uma “corrida de bicicletas” mas a pertinácia de loucos aventureiros, ciclistas amadores de várias idades e origens, e na diversidade de máquinas a pedais. Para os milhares de participantes o PBP é uma competição pessoal, inerente à sua habilidade, superação e resistência física e mental.

O Paris-Brest-Paris ocorre a cada quatro anos. Depois da edição de 2015, em 2019 teve lugar a 19ª, onde repetentes e estreantes randonneurs tugas também se fizeram às estradas francesas.

Ficando a promessa da partilha dos relatos que venham a ser publicado no sitio dos Randonneur Portugal, para inicio de conversa fica a crónica do Xôr Ferreira, intrépido randonneiro,  coorganizador dos brevets a norte de Portugal.

Via: https://www.randonneursportugal.pt

 

fotocycle [247] procrastinar

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 29/01/2020 às 14:38

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to home ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo devaneios a pedais fotografia fotopedaladas mobilidade motivação outras coisas pedaladas no inverno penso eu de que... Porto Sua Alteza

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assim do tipo, “bai indo q’eu bou la ter”… Tás a bêr?!

 

Diálogo precisa-se

Marta Sofia Silva @ Braga Ciclável

Publicado em 25/01/2020 às 9:00

Temas: Opinião Bicicleta Braga Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego para a Cidade de Braga estudos Marta Sofia Silva


No passado dia 27 de Novembro de 2019, decorreu a apresentação do documento-síntese da Fase II do Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego do Município de Braga, numa sessão pública, agendada para as 16h desse mesmo dia. Esse documento deveria, de forma imediata, ter sido sujeito a um período de discussão pública que se prolongaria até 31 de Dezembro. “Deveria”, mas não aconteceu. Só viria a ser disponibilizado a 6 de dezembro, restando três semanas para a sua apreciação e reflexão.

Não quero aqui discutir o conteúdo do referido documento, uma vez que a sua análise, devidamente fundamentada, por parte da Braga Ciclável, foi já transmitida, em sede própria, ao Município de Braga. Quero antes analisar uma cronologia que em nada abonou a favor da participação e discussão por parte dos munícipes.

Agendar uma sessão pública de apresentação para um dia da semana – quarta-feira – em pleno horário laboral – 16h – é condenar a mesma ao fracasso participativo. Disponibilizar um período de pouco mais de um mês para recolha de contributos e sugestões, sendo que nove dias foram inutilizados pelo atraso na disponibilização do documento e duas semanas coincidiram com a época das festas natalícias, em que tudo funciona a meio-(ou nenhum)-gás e outras preocupações imperam, ou se revela um ato de ingenuidade ou um ato deliberado de contornar o direito de opinião dos munícipes.

Os termos “discussão pública” ou “participação pública”, são frequentemente utilizados pelas autoridades, sejam elas municipais ou estatais, como uma forma ilusória de levar os cidadãos a crer que são tidos em conta na hora de tomada de decisões. São chavões que não sendo postos em prática de forma eficaz, se tornam ilusórios. Uma discussão pressupõe que todas as partes possam falar, em igualdade de circunstâncias. Quando uma das partes comunica e faz ouvidos moucos às restantes, torna-se num monólogo.

Tenho a plena consciência de que, sobretudo nas redes sociais, as opiniões são lançadas sem grande critério, chegando muitas vezes a roçar a ofensa. Opiniões pouco construtivas, mas que não podem nunca invalidar todas as outras opiniões informadas, fundamentadas e com conhecimento de causa que em muito ajudarão a cidade a desenvolver-se no caminho certo, seja na área da mobilidade ou outras.

Por isso, lutemos pelo diálogo, em circunstâncias que o propiciem, no espaço da cidade, com os que a vivem e a constroem. Quero ouvir e ser ouvida!

 

Mais conforto na Tern GSD : espigão de selim com amortecedor

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 19/01/2020 às 22:15

Temas:

Uma das desvantagens da Tern GSD, uma das poucas, é a falta de qualquer tipo de suspensão/amortecimento.

Apesar dos seus pneus largos que absorvem muito das vibrações, qualquer pequeno buraco ou desnível levam a um desconforto quer nos braços pela vibração do guiador quer do espigão do selim que propaga esses choques para a espinha dorsal.

Se fosse tudo ciclovia ou se fosse tudo alcatrão lisinho não tinha problemas, mas os nossos pisos não são assim tão confortáveis.

Podemos reduzir esse desconforto pelo nível de ar nos pneus, que vão desde os 2 aos 4,5 bars. Mas pneus mais vazios rolam mais lento em qualquer piso e mais cheios apesar de acelerar a viagem ficam mais duros e recebem mais das vibrações que se propagam pelo quadro e pelo ciclista.

"Inflate to the upper limit for a faster ride. And to the lower limit for a smoother ride."
https://www.ternbicycles.com/support/techtips/pump-it

Assim que andei a indagar e um dos meus parceiros destas aventuras do uso da bicicleta, o António P, já me tinha falado de uma solução que arranjou para a bicicleta dele.

Um espigão de selim com suspensão! 
Que coisa moderna...

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Com uma opinião tão positiva e depois de ver alguns videos e outras opiniões em blogs e site, resolvi comprar a ver se ajudava nestes meus quase 40 kms diários.

Decidido então mandei vir aqui deste site:
https://www.bike-discount.de/en/search?q=suntour+seatpost

Montar é extremamente simples, bastou tirar o espigão original e substituir pelo novo, ajustar a inclinação e voilá! (só tive de pedir a chave dinamométrica ao meu vizinho Paulo que é um engenhocas e tem essas cenas todas... provavelmente não era preciso mas não queria estar a estragar)


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Até vem com uma capinha para proteger, mas é mais para quem usa no BTT e cenas sem guarda-lamas.

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Apesar de funcionar os suportes do selim ficam mesmo colados à "cabeça da suspensão" do novo espigão, e parece-me que vai acontecer o que este moço reporta neste outro blog Tour On A Bike e não Touro Na Bike :)
https://www.touronabike.com/sr-suntour-sp12-ncx-suspension-seat-post-review/

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Estou desconfiado que vai desgastar dado o contato com os suportes do selim, por estarem tão perto ao fazer o amortecimento parece-me que vai roçar bastante. Se fizerem zoom à imagem la´mais em cima verão que já está a desgastar :( A ver se ajusto ao máximo que possa para tentar não roçar tanto.


Ver aqui estes videos de como isto funciona:

https://www.youtube.com/watch?v=_R2hFZqdiws

https://www.youtube.com/watch?v=G3kB4z8vAyc

Para já a experiência tem sido muito positiva! Obviamente que as vibrações no guiador continuam a sentir-se mas na coluna há uma melhoria significativa.

Com o tempo darei uma opinião mais fundamentada, mas até ver parece-me um excelente upgrade! O primeiro que fiz na Gestrudes - exceptuando o descanso central que foi uma peça oferta da marca a substituir a de origem que admitiram não ser de boa qualidade, pelo feedback dos seus clientes e pelo uso do modelo que tem apenas dois anos e pouco no mercado.

Mas dizia... até ver foi uma excelente decisão e compra!
As minhas costas e o eu do futuro agradecem estes cuidados com a saúde :)
 

A Gestrudes é a eBike do Ano

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 15/01/2020 às 9:51

Temas:

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«The Tern GSD is our cargo e-bike of the year, and also our overall winner. We’ve tested the GSD in two builds over the last two years, and one abiding feeling remains: this is the most useful and practical bike you’re ever likely to own.

The GSD is built around a long-tail frame and 20-inch wheels. The long-tail design means there’s masses of room at the back – enough for a weekly shop or two passengers – while the small wheels mean that the overall footprint of the bike is no bigger than a standard city bike. Even better than that, the GSD flips up on its end and the saddle and handlebars fold down, so it takes up barely any space at all. The ride position is highly adjustable, so anyone in the family can use it with just a few quick tweaks.

It’s easy and fun to ride – there’s no learning curve like you get with a box bike – and it’s a rare day you come across a situation or a load that the GSD won’t take in its stride. With loads of different options for carrying cargo, children and grown-ups, you can configure it exactly how you need it and it can grow with you as your family grows. 

It’s a genuine car replacement, and perfect for city living. The more expensive S00 build we tested this year is great if you’re looking for a heavy-duty workhorse, but the S10 is enough bike for nearly any situation and a grand cheaper, so that’s still our favourite one and the only bike so far to have got a full five stars.

Why it wins: It’s the most useful and practical bike you’ll ever own. Every home should have one!»

https://ebiketips.road.cc/content/news/ebiketips-e-bike-of-the-year-awards-201920-2259


Vale o que vale pois cada um avalia as coisas conforme as suas necessidades, mas fico feliz por saber que a minha escolha foi a escolha certa, aos olhos de outros que têm outros fatores em consideração e comparando com outras eBikes.

Continuo mega satisfeito com a aquisição! So far, so good!

 

Sair da caixa…

Rafael Sousa @ Braga Ciclável

Publicado em 11/01/2020 às 9:30

Temas: Opinião Bicicleta Budapeste neve Rafael Sousa


Uma recente visita a Budapeste despertou-me a refletir sobre a forma mais autêntica de conhecer uma cidade, no que respeita à mobilidade. Cada cidade tem disponível um leque mais ou menos variado de meios de transporte e vias de comunicação. Na escolha dos consumidores pesam diversos factores como a proximidade, rapidez, preço e comodidade. Poucas vezes atentamos ao prazer da viagem e a tudo o que podemos desfrutar com a mesma.

Com 300 km de ciclovias e uma alargada rede de bicicletas partilhadas, a capital magiar coloca ao dispor de habitantes e turistas, uma muito importante forma de mobilidade. Este incremento da bicicleta na cidade, é recente, e simultâneo ao grande crescimento do número de visitantes. Existe um visível ensejo político na promoção desta forma de mobilidade, a comprovar pela existência de estruturas adequadas e pela equilibrada partilha do espaço público entre peões, ciclistas e automobilistas.

Mas então o que traz vantagem à bicicleta relativamente a outras formas de mobilidade, no que diz respeito ao conhecimento das dimensões de uma cidade?

Sentados no selim, os nossos roteiros são sempre únicos e muito mais determinados pela nossa vontade do que por roteiros rígidos e padronizados. A aproximação, quer às pessoas, quer ao ambiente circundante acarreta uma humanização muito superior aos transportes motorizados, e permite sentir o verdadeiro pulsar de uma cidade.

Entusiasma-me, o facto de terminada a nossa viagem, a bicicultura permitir transportar as dimensões referidas para a nossa cidade, possibilitando redescobrir a região onde vivemos. Podemos desta forma, substituir o ar condicionado das rotineiras viagens de automóvel, pelo ar fresco que nos toca na face como uma lufada de ar fresco diária.

De Budapeste para Braga existem diversas diferenças, com especial relevância para as condições de segurança proporcionadas aos ciclistas. Convido, portanto, todos os leitores a “sair da caixa” e a sermos eternos turistas do nosso território.

 
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