quando aqui o cidadão é bem comportado e segue o conselho, não saindo do seu concelho

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 2/03/2021 às 16:04

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Na semana passada, durante a minha habitual pedalada dominical, ao chegar à rotunda do Cais de Gaia fui mandado parar e no imediato abordado por dois polícias. Na minha sincera presunção, disse-lhes que estava ali a dar uma volta de bicicleta e, naquele momento, estava de regresso a casa no concelho vizinho do Porto. Os xôres agentes, na sua diligente função fiscalizadora, relembraram-me que, dessa forma e segundo o decreto governamental em vigor sobre a obrigação de confinamento em que a regra fundamental é ficar em casa, eu estava a violar a restrição de circulação entre concelhos.

“O confinamento obrigatório no domicílio prevê deslocações autorizadas para comprar bens e serviços essenciais, desempenho de atividades profissionais e prática de actividade física e desportiva ao ar livre, na zona de residência e de curta duração.”

Ficamos ali à conversa uns bons minutos e deixaram-me desfiar os meus argumentos: “Que a prática do ciclismo, ao ar livre e de forma individual, é para mim, e para muitas pessoas, a solução ideal para manter a saúde física e mental. Observando as boas práticas de higiene e do distanciamento social, o ciclismo é uma actividade desportiva que ajuda a prevenir a propagação do vírus. Pessoalmente dou importância às longas pedaladas, somar algumas dezenas de quilómetros nas pernas é o tipo de exercício que torna a minha vida melhor e ajuda-me a controlar os meus diabretes.”

Evidentemente que a razão estava do lado dos agentes da autoridade. Eles estavam ali para fazer cumprir a Lei, e a Lei é clara: Impera o dever de recolhimento. Toda e qualquer excepção deve ser usada apenas como a excepcão. Dita o bom senso que todos devemos cumprir o dever de confinamento e não abusar das ditas excepções. Na prática, significa que, por exemplo, não são permitidas atividades físicas de longa duração/quilometragem.

O decreto governamental não especifica em quilómetros a distância que podemos percorrer de bicicleta, mas segundo o agente, se estiver a pedalar num local a mais de 20km’s de casa não há justificação possível. Excepto, claro, os ciclistas profissionais!!! “Mas, xôr agente, como ciclista amador e utilizador regular da bicicleta, pois vou e regresso do trabalho nela todos os dias, a bicla é o meu meio de transporte; Como profissional de saúde, maior e vacinado com as duas doses no bucho, compreendo os riscos inerentes; Como diabético que necessita do ciclismo como de pão para a boca, para regular o açúcar no sangue, são os benefícios das longas pedaladas que procuro obter. Se atravesso o rio Douro para pedalar no vizinho concelho de Gaia, é não só por mero prazer mas é sobretudo para poder passar à porta do meu pai e ver se ele está bem”.

“Ok…” fui desculpado do meu delito e liberado sem levar a multazinha para casa, com um: “Vá lá, pode seguir mas tenha cuidado!”

Assim, depois de uma semana com mais de cento e tal quilómetros pedalados em modo commute, depois de uma manhã de sábado em clara violação das regras, numa incursão a pedais pelo campo e mar dos concelhos de Matosinhos e Vila do Conde, no domingo passado resolvi ser obediente e não colocar as rodas da bicicleta em seara alheia, ou seja, não ir para além dos 41 km² do concelho do Porto.

Burbing é um conceito muito simples: pedalar todas as ruas de um determinado local e compartilhá-las no Strava. Existem maneiras diferentes de abordar a aventura como se limitar a um concelho, uma cidade, um bairro, etc. Grande parte da actividade do ciclismo envolve métricas, potência, velocidade média, cadência, distância, frequência cardíaca, elevação… na verdade o Burbing não tem nada disso e começou como um pequeno contraste com o Everesting. Se o Everesting é extremo, épico, de elite e agora cada vez mais profissional, então o Burbing é divertido, descontraído, aventureiro e acessível a todos. O que não quer dizer que o Burbing seja um passeio fácil. Dependendo do concelho/cidade/bairro escolhido, pode levar um pouco de tempo e até mesmo vários passeios em vários dias. Não precisa de uma bicicleta xpto, não precisa de um kit sofisticado. Basta motivação e alguma dose de paciência e loucura.

Alguns planejam meticulosamente a aventura, usando uma infinidade de dispositivos de rastreamento terrestre, ferramentas de mapeamento, que lhes permite delinear rotas precisas para minimizar o tempo e/ou distância. Percorrer minuciosamente cada via possível, cada estrada, rua e beco da sua cidade, conhecer os sentidos obrigatórios e evitar os proibidos. Pode ser feito de uma vez ou em vários passeios, em várias jornadas.

Outros simplesmente se metem nesta maluqueira de pedalar sem nenhum planeamento ou mapeamento, aproveitando o sol, o domingo sem trânsito, tirando fotos de uma cidade praticamente vazia como companhia.

Perdi-me e perdi algumas ruas, mas tudo bem. Sabia ser impossível haver a possibilidade de passar em todas elas. Decidir fazer isto na hora, pedalar apenas com o meu mapa mental, foi uma maneira extraordinária de encontrar e reencontrar as ruas bonitas, as belezas escondidas da minha cidade, a cidade do Porto, um pequeno concelho confinado ao rio Douro, ao oceano e à Estrada da Circunvalação.

 

de bicicleta nos movemos mais rápido, vamos mais longe, mas não tão rápido ao ponto de não perceber as pequenas coisas

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 24/02/2021 às 16:07

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Desde que a pandemia de coronavírus se instalou, em março de 2020, o confinamento obrigatório como medida de controle da pandemia de covid-19 libertou as cidades da pressão do trânsito e da poluição, tornando-as menos intimidantes para os ciclistas. A mobilidade individual ao ar livre, em bicicleta ou a pé, tornou-se parte significativa da solução para alguns trabalhadores essenciais que necessitam de se deslocar. Embora o uso geral continue a ser muito escasso, ir de bicicleta para o trabalho, ajudando a evitar ter de ir no transporte público superlotado, reduz o risco de entrar em contacto com alguém que possa estar doente, tornou-se menos estranho aos olhos de muita gente. Embora reconheça que na maioria as pessoas são muito dependentes do transporte individual automobilizado, essencial para a sua vida cotidiana, é fundamental manifestar e incentivar que todos podemos usar a bicicleta nas nossas viagens curtas e, daí, colher os benefícios.

Enquanto vivermos estes tempos de incerteza, é normal nos sentirmos ansiosos. Pedalar uma bicicleta pode ser um escape. Pedalar tem o benefício adicional de melhorar a saúde mental e reduzir o stress. A grande vantagem em subir para o selim da bicicleta e dar ao pedal, independentemente da idade, nível de condição física ou habilidade, é que qualquer pessoa pode sentir a alegria do passeio – Tudo o que se precisa é uma bicicleta com pneus cheios e estamos prontos a ir. Aqueles que se deslocam de bicicleta são mais bem-aventurados e menos propensos à depressão. Podemos fazer muito, como indivíduos, para ajudar a reduzir o risco de adoecer. Para ajudar a prevenir a propagação do vírus, o conselho do confinamento é redutor. Com boas práticas de higiene e distanciamento social, a utilização da bicicleta é uma forma de tornar as nossas vidas melhores.

Já aqui o disse, o meu commute rotineiro para e do trabalho continuou activo e, na medida do possível, não deixei de dar as minhas pedaladas recreativas. Para muitos a bicicleta também se tornou um símbolo de liberdade na pandemia. Verificou-se um aumento na utilização da bicicleta, não apenas nas deslocações laborais mas sobretudo como uma oportunidade para a libertação mental e física dos confins da vida confinada. Os horários de maior movimento velocipédico são nos finais de semana, sugerindo que o aumento se deve principalmente ao uso recreativo. Mas não são apenas os guerreiros de fim de semana vestidos de licra que acumulam quilómetros. Ok, é quase desnecessário dizer – Coloque a sua saúde e segurança em primeiro lugar. Se não estiver se sentindo seguro, fique em casa, não faça aquela viagem a pedais em grupo e descanse o que precisa.

A pandemia continua a se espalhar mesmo com os planos de vacinação em andamento, a conta-gotas. Mas o cerco está sendo quebrado por jovens e velhos, especialmente por famílias, que tentam manter as crianças activas e entretidas. Agora não é hora de parar de pedalar. Se a tendência atual de diminuição de casos, e consequente alívio da pressão nos hospitais continuarem a se verificar, prevê-se que mais pessoas voltem ao trabalho. Pois que comecem a se deslocar de bicicleta, assim o desejo. Evidentemente que no pós-pandemia, com as vidas a retornarem à normalidade possível, uma nova realidade possa emergir – O entusiasmo pelo ciclismo, especialmente como meio de transporte. Para tal, espero ver as cidades e o governo cá da terrinha a adoptar medidas de incentivo com garantias que isso possa ser feito com segurança, fornecendo infraestruturas e facilitando a aquisição de bicicletas.

O que acontecerá nas próximas semanas e meses é incerto, mas claro está que há muito que todos podemos fazer para ajudar a reduzir o impacto social e individual. Vamos nos esforçar para nos concentrar nas coisas que podemos controlar, em vez daquelas que não podemos e, para nós, isso significa sair e desfrutar dos simples prazeres da vida como a de pedalar uma bicicleta. Estou confiante de que as bicicletas vieram para ficar. E que as pessoas encontraram uma maneira de tornar suas vidas melhores. Espalhar positividade num momento em que todos nós mais precisamos. De bicicleta nos movemos mais rápido, vamos mais longe, mas não tão rápido ao ponto de não perceber as pequenas coisas.

 

 

Paradigma

Marta Sofia Silva @ Braga Ciclável

Publicado em 20/02/2021 às 9:00

Temas: Opinião automóvel Depois da Pandemia Futuro Mobilidade pandemia Transportes públicos


Vai para um ano que o Mundo, tal como o conhecíamos, mudou. Grande parte do que dávamos como adquirido até então foi posto em causa pelo alastramento do Coronavírus a nível mundial. Vimo-nos forçados a repensar as nossas rotinas, os nossos gestos, as nossas relações interpessoais. Fomos obrigados, aqueles cujas funções o permitiu, a trabalhar a partir de casa. Outros, nessa impossibilidade, tiveram que continuar a deslocar-se para o seu local de trabalho ou durante o exercício das suas funções, por serem consideradas indispensáveis.

De todas as dimensões vivenciais que sofreram alterações devido à pandemia, a mobilidade foi das que mais revelou necessidades de mudança. Desde os que procuraram evitar as aglomerações de pessoas nos transportes públicos, ou que repentinamente se viram privados dos seus serviços, aos que deixaram de ter a boleia que lhes garantia as suas deslocações diárias, aos que perderam os empregos e a possibilidade de suportar as despesas associadas ao seu transporte, muitos foram os que se viram na necessidade de repensar os seus hábitos de mobilidade. Questões que antes eram discutidas ao de leve, tornaram-se prementes de um momento para o outro.

Muitos trocaram os meios motorizados pela bicicleta, pela trotinete ou pelo andar a pé para percorrerem distâncias mais curtas. Outros, na falta de alternativas viáveis, viram-se forçados a ir no sentido contrário, trocando os transportes coletivos pelo individual, para se protegerem. Qualquer que tenha sido a opção tomada, a propagação deste vírus, de forma repentina e transversal a toda a geografia mundial, veio pôr a nu a necessidade de repensarmos a mobilidade das nossas cidades e dos nossos países, num sistema articulado e integrado onde todos os atores e meios sejam tidos em conta.

A inversão da pirâmide da mobilidade, que lentamente vinha colocando no topo os meios suaves em detrimento do automóvel, posicionado na sua base, foi completamente baralhada pelos acontecimentos recentes. Os paradigmas de há um ano, não são certezas hoje.

Soluções? Não as tenho. Tenho apenas a certeza de que teremos de trabalhar em conjunto para (re)pensar a mobilidade que queremos no nosso futuro. Pensamos juntos?

 

can’t miss [221] www.viaverde.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 18/02/2021 às 16:00

Temas: can't miss it Algarve bicicleta boas ideias ciclismo ciclistas no mundo cicloturismo ciclovia coisas que leio coisas que vejo espalhando as boas acções Guia do Condutor de Velocípede meios de transporte mobilidade motivação noticia outras coisas partilha passe a publicidade passeio pelos caminhos de Portugal Portugal bikepacking turismo

n.d.r.: Só por este serviço a Via Verde merece um desconto

Conhecer o Algarve de bicicleta

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“O clima ameno algarvio é uma das caraterísticas mais apetecíveis para quem visita o sul de Portugal. Mas se ao invés de estender a toalha numa praia, prefere explorar a região de forma mais ativa, propomos-lhe um guia que o vai pôr a pedalar.

São 20 percursos turísticos cicláveis, de dificuldade baixa, que envolvem todos os municípios do Algarve e que vão levá-lo a conhecer de perto as vilas e aldeias algarvias, a sua riqueza natural, cultural e histórica, bem como as suas gentes.

O guia divide-se em três zonas, cada uma com as suas localidades: o Barlavento, que inclui Aljezur, Lagoa, Lagos, Monchique, Portimão, São Bartolomeu de Messines, Silves e Vila do Bispo; a zona centro, com Albufeira, Faro, Salir, São Brás de Alportel e Vilamoura; e, por último, o Sotavento, que engloba Alcoutim, Cachopo e Martim Longo, Castro Marim, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António

Os percursos em cada um destes municípios são apresentados de forma circular, com início e fim no mesmo local, e variam em termos de distâncias e graus de inclinação.

Mas se quiser fazer um desafio mais exigente, pode embarcar numa grande travessia por todo o barrocal algarvio. Este percurso, de 223 km, começa em Vila Real de Santo António e termina em Aljezur, sendo considerado como um complemento às rotas já existentes — a Ecovia do Litoral do Algarve, a Rota Vicentina ou a Via Algarviana.

Pode fazer os percursos cicláveis do Algarve durante todo o ano, sendo estes apropriados para as bicicletas de touring ou trekking. Contudo, esteja atento a avisos meteorológicos e se optar por fazê-los nos meses de verão, evite as horas de maior calor. Talvez essas alturas sejam mais indicadas para encostar a bicicleta e ir conhecer ao detalhe as vilas por onde passa.”

via (Verde): https://www.viaverde.pt/particulares/viagens-vantagens/descobrir-portugal/artigos/conhecer-o-algarve-de-bicicleta

 

can’t miss [220] jornaldenegocios.pt/empresas

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 11/02/2021 às 11:28

Temas: can't miss it 1 carro a menos bicicleta bicicletas bué de fixes coisas que leio covid-19 empresas e a bicicleta industria mobilidade motivação negócios noticia outras coisas pandemias partilha passe a publicidade produção nacional

Bicicletas portuguesas dão a volta à covid-19 e aceleram as exportações para 424 milhões

“O setor das duas rodas, que em 2019 destronou a Itália e ascendeu ao lugar de campeão europeu na produção de bicicletas, fechou o pandémico ano de 2020 com um crescimento de 5% nas exportações.

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Portugal tem a maior fábrica de montagem de bicicletas da Europa (a RTE, em Gaia), a maior produtora europeia de rodas para bicicletas (a Rodi, de Aveiro), a primeira empresa do mundo a soldar quadros em alumínio através de robôs (a Triangle’s, de Águeda), assim como a empresa que faz os selins para bicicleta mais leves do mundo, com apenas 24 gramas (a Gelu, em Vila Franca de Xira).

Resultados: em 2019, Portugal destronou a Itália e tornou-se o principal produtor de bicicletas na União Europeia, ao fabricar 2,7 milhões de unidades, praticamente um quarto de toda a produção dos 27 Estados-membros, tendo as exportações nacionais gerado 402 milhões de euros.”

Fonte: https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/industria/detalhe/bicicletas-portuguesas-dao-a-volta-a-covid-19-e-aceleram-as-exportacoes-para-424-milhoes

 

Braga com Pedal

Zé Gusman @ Braga Ciclável

Publicado em 6/02/2021 às 9:00

Temas: Opinião Aulas aulas de condução Banco de Doação de Bicicletas Banda Desenhada BD Braga com Pedal Doação de Bicicletas financiamento fundo ambiental Junta de Freguesia de São Victor


Ao longo dos seus nove anos de existência têm sido muitas as atividades, ações e projetos em que a Braga Ciclável se tem envolvido. Entre elas constam por exemplo: as cinco edições do Braga Cycle Chic, o movimento #BragaZeroAtropelamentos, as cicloficinas e as várias tomadas de posição pública sobre assuntos relacionados com a mobilidade. Há, porém, uma atividade em que tenho especial prazer em contribuir: as aulas de iniciação à bicicleta.

Infelizmente suspensas temporariamente devido à pandemia, mas prontas a regressar logo que a situação o permita, estas aulas, gratuitas e de periodicidade mensal, permitiram durante 2019 e parte de 2020 ensinar dezenas de crianças (e não só) a andar de bicicleta. Numa época em que vamos assistindo a uma progressiva “tribalização” da sociedade nos debates acerca dos mais diversos temas, ações deste tipo, focadas na comunidade, contribuem para mostrar que promover a mobilidade ciclável, não é a procura de mais direitos para alguns, mas sim a promoção de uma cidade mais sustentável para todos.

Com vontade de aprofundar este tipo de atividades, a Braga Ciclável, com o apoio da Junta de Freguesia de São Victor, candidatou o projeto “Braga com Pedal” a financiamento do Fundo Ambiental. Entre sessenta e três candidaturas de entidades como municípios e associações, o projeto “Braga com Pedal” obteve a pontuação máxima, empatada apenas com mais dois projetos, conseguindo assim o financiamento para a sua execução.

Do projeto “Braga com Pedal” fazem parte as seguintes atividades: o estabelecimento, com material próprio de um calendário de “Aulas de Iniciação à bicicleta” com periodicidade mensal; a publicação de uma BD alusiva à mobilidade ciclável; um Banco de Doação de Bicicletas, com especial foco na doação de bicicletas a famílias socialmente carenciadas. Ao dia de hoje, enquanto as aulas de iniciação à bicicleta esperam pelo fim da pandemia e a BD será editada em breve, o Banco de Doação de Bicicletas está em funcionamento em articulação com a J.F. de São Victor. Com o “Braga a Pedal” julgamos que contribuiremos para criar uma comunidade mais coesa, mais exigente e mais sustentável.

 

os bons momentos

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 3/02/2021 às 11:39

Temas: motivação 1 carro a menos bic bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto cicloturismo cidades commutescount confinamentos covid-19 devaneios a pedais fotografia fotopedaladas Liberdade mobilidade o sol opinião outras coisas pandemias Porto Sua Alteza testemunho

O tempo não parou. Quando certas consequências tomam um rumo inesperado, depois sofremos com elas. Ao viver este cativeiro forçado percebemos a falta do tempo, do tempo que não aproveitamos e que agora temos de sobra. Olhando para trás, sente-se a necessidade dessas coisas nas quais não demos tanta atenção. Não eram apenas ilusões, não foram o desperdício do nosso valioso tempo. Fazem-nos falta. Para manter a sanidade, tentamos reforçar as conquistas que tivemos e focamos no que possa garantir que a vida faça sentido.

Resignado, contestando o confinamento e o mau tempo, ponho-me pr’aqui à procura de bons momentos…

Eu tenho a sorte de continuar a sair para trabalhar, mantenho a liberdade de pedalar as minhas bicicletas. Diariamente, tenho a tarefa de encontrar algo que traga sentido a cada dia. A satisfação em aproveitar melhor todos os bons momentos. E todos o podemos fazer, faça o que fizer e vá onde for, com consciência, respeito e em segurança.

Boas pedaladas.

 

Escola de Bicicleta Online: o pontapé de arranque

Ana Pereira @ Escola de Bicicleta

Publicado em 30/11/2020 às 18:44

Temas: A escola Campanhas de redução de risco rodoviário Código da Estrada Dicas para condutores de automóvel campanhas cursos online educação infográficos segurança rodoviária

Já há muito que queríamos expandir o nosso alcance com as atividades da escola, tínhamos alguns cursos com currículos e guiões alinhavados, mas era sempre trabalho que se arrastava, pois era não urgente, e era o tipo de trabalho que requer uma dedicação consistente e regular ao longo de muitas semanas, o que é difícil de conseguir conciliar com as atividades normais do quotidiano.

A culpa é da covid19

Bom, veio 2020, a pandemia e o primeiro confinamento em Março, que nos deram um chuto no traseiro para tirarmos isto da gaveta e avançarmos de uma vez. Havia – e há – tanta gente a querer começar a usar [mais] a bicicleta no dia-a-dia, seja para transporte ou para lazer e desporto e manter a sua sanidade mental e evitar o carro, que optámos por dedicar os primeiros cursos a essas pessoas e apoiar a transição modal do carro para a bicicleta.

Obrigada, Fundo Ambiental!

Resolvemos candidatar a realização destes 3 primeiros cursos a um apoio do Fundo Ambiental, no âmbito da Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020, para nos dar um balão de oxig€nio para podermos tirar tempo para isto e… woohoo, ganhámos!! 😀

Então, desde Agosto que o projeto “Escola de Bicicleta Online” da Cenas a Pedal, com o apoio do Fundo Ambiental, nos tem absorvido uma parte muito substancial do nosso tempo.

O primeiro curso é sobre “O Código da Estrada e as Bicicletas“, o segundo é sobre “Como Pedalar em Segurança pela Cidade“, e o terceiro é sobre “Como Transportar os 4Cs em Bicicleta: Crianças, Cães, Compras e Outras Cenas“.

Recrutamento de beta testers / fazer cursos à borla!

No âmbito do projeto com o Fundo Ambiental precisamos de ter em muito pouco tempo 100 alunos a fazer os cursos, e avaliar métricas de impacto. Por isso, temos 100 vales de oferta para oferecer à malta, e queremos que estes 100 beta testers sejam o mais diversos possível, homens, mulheres, todas as idades, da cidade, do campo, iniciantes e veteranos da bicicleta, que usam a bicicleta como transporte ou só para lazer ou desporto, que conduzam, além da bicicleta, carro, mota, camião ou autocarro!, ou que não conduzam mais nada, que sejam doutorados ou que tenham ficado pela 4ª classe – queremos uma amostra o mais diversa possível para testar e avaliar a plataforma e os cursos propriamente ditos.

Interessado em ajudar-nos? Escreve para escola@cenasapedal.com e diz-nos “quero ser um beta tester dos vossos cursos!” 🙂

Um infográfico para mudar comportamentos

Entretanto, lembrámo-nos de adaptar alguns dos nossos slides do curso sobre o Código da Estrada e criar um infográfico sobre a principal questão que aflige qualquer pessoa que considera andar de bicicleta: a forma como é ultrapassada por quem vai a conduzir um carro.

A nossa ideia foi criar algo para as pessoas divulgarem facilmente e que ajudasse a mudar a cultura atual, ilustrando a forma correcta (e algumas incorrectas) de se ultrapassar alguém numa bicicleta quando nós vamos de carro, segundo o Código da Estrada (que desde 2013 está muito melhor relativamente a esta questão da ultrapassagem).

Como ultrapassar um ciclista / como ultrapassar uma bicicleta?
#PassaParaAOutraVia

Em cima da bicicleta vai o filho, o irmão, o pai, o marido, o amigo de alguém. Não devemos ser nós a impedi-lo de chegar vivo e bem a casa e aos seus, só porque não concordamos que ele ande de bicicleta “ali”, ou que conduza “daquela forma”.

Vou de carro, à frente há alguém numa bicicleta e quero ultrapassar? Boa, mas só quando for seguro, e depois:

1. Passar para a via do lado (mesmo que consiga dar 1.5 m de distância lateral sem o fazer)

2. Abrandar

3. Dar 1.5 m ou mais de distância lateral, mesmo que já tenha passado para a via ao lado.

Mudo para a via do lado sempre, e totalmente (e não aquela cena de andar no meio da estrada com o rodado esquerdo numa via, e rodado direito noutra via), independentemente da posição da bicicleta na sua via (ao centro ou mais à direita, ou outra), e abrando e dou o tal 1.5 m ou mais.

Mudo para a via do lado sempre, e totalmente (e não aquela cena de andar no meio da estrada com o rodado esquerdo numa via, e rodado direito noutra via), independentemente da posição da bicicleta na sua via (ao centro ou mais à direita, ou outra), e abrando e dou o tal 1.5 m ou mais.

Não quero arriscar tocar na pessoa ou na bicicleta e fazê-la cair, nem quero atropelá-la se ela cair por qualquer razão, daí a distância e o abrandar. As bicicletas oscilam para se manterem equilibradas, e são vulneráveis a quedas por coisas que não nos afectam de carro (vento, buracos, etc).

Todo o condutor conta com toda a largura da sua via para se movimentar e lidar com o que lhe aparece à frente. Ninguém está à espera, nem gosta, de ter outros veículos a passá-lo dentro da sua via, mesmo que só parcialmente, e mesmo quando vai dentro da bolha-carro. E há 7 anos que tal é proibido!

Se isto é uma péssima ideia de se fazer a um carro, é fácil de perceber que é uma ideia asinina quando aplicada a alguém num veículo de duas rodas, e em particular a alguém numa bicicleta…Mas mtas vezes não dá para cumprir isso tudo! Certo. Duas hipóteses: não ultrapassar enquanto não der – vai dar dali a uns segundos, concerteza. Nos raros casos em que não vai dar tão cedo, aguentar, ou *se for seguro* ultrapassar sacrificando algum do espaço, mas na via do lado, e abrandando ainda mais!

Ah, e o que é 1.5 m, mesmo? É o espaço necessário para caber uma pessoa de braços abertos. É o espaço para caber lá um Smart Fortwo. É metade da largura de uma via de trânsito típica. #PassaParaAOutraVia e tens logo a coisa mais ou menos feita na maior parte dos casos.

Somos todos tipos inteligentes e boas pessoas. We can do this! 😊 Partilhas com a tua rede? Vamos ser melhores seres humanos uns para os outros. 😉

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Cicloturismo com Crianças: Vouga e Dão

Gonçalo Peres @ Viagens a Pedal

Publicado em 13/09/2020 às 8:25

Temas: Famílias e crianças Geral cicloturismo crianças férias multimodalidade relatos Verão viagens de bicicleta

Introdução

Na segunda quinzena de Agosto 2020, fiz mais uma aventura em bicicleta com os meus filhos (8 e 12 anos), durante 10 dias. O plano foi explorar a Ecopista do Vouga e a Ecopista do Dão, com vários desvios pelo caminho, para desfrutar de praias fluviais e outros lugares interessantes e apelativos para as crianças.

Clique na imagem para ver o percurso completo das viagens gravadas no Strava e carregadas para o Alltrails.com

Esta viagem surge no seguimento de outras aventuras no passado, que começaram com pequenas viagens de 2 ou 3 dias (exemplos aqui e aqui) e que serviram para ganhar experiência, testar equipamento, ver o que funciona, o que é preciso e o que está a mais. As minhas viagens a solo, desde 2014, também me permitiram perceber a dinâmica do tráfego rodoviário em determinadas regiões e as infraestruturas existentes para viajar de bicicleta com duas crianças.

Em Agosto de 2017 fizemos uma viagem de 4 dias no centro-oeste, entre Marinha Grande e Óbidos (com amigos). Em Junho de 2018 fizemos uma viagem de 6 dias pela Costa Vicentina, entre Vila do Bispo e Vila Nova de Milfontes (com amigos). Em 2019 fizemos a nossa maior viagem – 13 dias pelo Alto Minho, da qual resultou uma série de vídeos (ainda à espera de tempo para editar os últimos 4 dias…).

Em todas estas viagens utilizamos apenas as bicicletas e transportes públicos (comboio e autocarro) para nos deslocarmos. Nas primeiras viagens cheguei a levar um atrelado para o meu filho mais novo, que na altura apenas pedalava nas partes mais fáceis. As bicicletas foram acompanhando o seu crescimento e o equipamento de campismo foi estabilizando. Hoje em dia é fácil tomar a decisão de rapidamente partir em mais uma viagem. A tecnologia que temos hoje na palma das mãos, com um smartphone, também ajuda a improvisar e readaptar a viagem, diariamente, ao sabor do momento e das vontades. A nossa geografia portuguesa, com curtas distâncias entre pontos de abastecimento e de interesse, grande variedade de atrações (aldeias históricas, praias fluviais, etc.), também tornam Portugal um país com um enorme potencial para este tipo de aventuras. Numa altura em que é importante reduzirmos a nossa pegada ambiental e “desacelerarmos o ritmo”, ao mesmo tempo que as pessoas procuram proximidade com a natureza, sem a estragar, este tipo de viagens fazem cada vez mais sentido e recomendam-se. É fundamental haver um investimento sério, planeado e articulado com a ferrovia, a nível nacional e regional, em ecopistas, ecovias, assim como sinalização e acalmia de tráfego na extensa rede de estradas secundárias com pouco movimento rodoviário motorizado que existem em todo o país, que permitam tirar partido deste enorme potencial turístico sustentável. A Rede Nacional de Cicloturismo também é uma boa referência.

Uma breve descrição desta viagem

No dia 20 de Agosto de 2020 apanhámos um comboio InterCidades até Aveiro, e começámos a pedalar em direção a Sernada do Vouga, onde se inicia a Ecopista do Vouga. Também é possível apanhar um comboio regional para fazer este primeiro troço, mas preferimos pedalar. Porque eram apenas 25 kms e já tinha testado umas estradas secundárias com pouco tráfego e porque o material ferroviário que percorre este troço (e que tinha visto parado em Sernada do Vouga há uns meses) é uma antiga, “fumarenta” e ruidosa locomotiva a diesel, com as janelas cobertas de grafitti, onde até a paisagem deve ser difícil de disfrutar…  Por isso, chegados a Aveiro, mesmo a chover ligeiramente, fizėmo-nos à estrada. Tivemos de fazer três paragens para nos abrigar, quando a chuva se tornava mais intensa. Chegámos a Paradela às 20:00 e para grande sorte nossa deixaram-nos pernoitar dentro da antiga estação (deve ser o “karma” dos Warmshowers que acolhi 😉 ).

  • Dia 1: De Aveiro até Sernada do Vouga por estradas secundárias, com chuva
  • Dia 1: Km Zero da Ecopista do Vouga
  • Dia 1: Ecopista do Vouga
  • Dia 1: Ecopista do Vouga
  • Dia 1: Ecopista do Vouga
  • Dia 1: Ecopista do Vouga

[Pode clicar nas fotografias e ver em slideshow]

No segundo dia, já com sol, fomos à Praia Fluvial Quinta do Barco, onde alugámos um kayak e demos uns mergulhos. Ao final do dia ainda regressámos à ecopista e pedalámos uns quilómetros, até encontrarmos um bom local para acampar, debaixo dum telheiro num parque de merendas.

  • Dia 2: Passeio de Kayak no Rio Vouga
  • Dia 2: Praia Fluvial Quinta do Barco
  • Dia 2: Ecopista do Vouga
  • Dia 2: Ecopista do Vouga
  • Dia 2: Pernoita protegida por um telheiro num parque de merendas

No terceiro dia chegámos a S. Pedro do Sul e passámos a tarde no bonito e recente Parque Urbano das Nogueiras. Fomos também conhecer a Praia Fluvial de Pouves e acabámos a dormir na Pousada da Juventude.

  • Dia 3: Pequeno Almoço
  • Dia 3: Parque Urbano das Nogueiras
  • Dia 3: Parque Urbano das Nogueiras
  • Dia 3: Parque Urbano das Nogueiras
  • Dia 3: Tão amigos….
  • Dia 3: Praia Fluvial de Pouves

No quarto dia afastámo-nos novamente da ecopista e subimos 10 kms por tranquilas estradas municipais até ao Poço Azul, perto de Santa Cruz da Trapa. Chegámos ainda cedo e os meninos adoraram o lugar. A certa altura, estava eu junto à água e uma pessoa pergunta-me se é o meu filho que está no “local dos saltos”, a 6 metros de altura da água. Respondo que sim, mas que não acreditava que ele tivesse coragem de se atirar… Estava a falar com um outro rapaz mais velho que já tinha saltado algumas vezes e lhe explicava como fazer. Dois minutos depois o Diego salta, para minha surpresa! O resto da tarde foi passado a saltar das rochas para a água e a explorar a natureza envolvente. Até eu tive de saltar, para não ficar mal na “fotografia”… No final do dia, voltámos às bicicletas e subimos mais um pouco até ao Bioparque de Carvalhais, em pleno Parque Florestal do Pisão, onde acamparíamos as próximas duas noites.

Vídeo do Poço Azul:

  • Dia 4: A caminho do Poço Azul
  • Dia 4: Poço Azul
  • Dia 4: Poço Azul
  • Dia 4: Poço Azul
  • Dia 4: A caminho do Bioparque de Carvalhais

Começámos o quinto dia com uma atividade de Arborismo relativamente exigente. O Filipe conseguiu fazer o percurso, mas com a minha ajuda. Alguns adultos não conseguiram e estavam bastante receosos e atrapalhados! Passámos o resto do dia na piscina com um mega escorrega e uma bonita envolvente florestal de montanha. Fizemos ainda uma caminhada ao final do dia pelos Moinhos do Pisão.

  • Dia 5: Toca a acordar!
  • Dia 5: Arborismo
  • Dia 5: Piscina com escorrega
  • Dia 5: Levadas dos Moinhos do Pisão
  • Dia 5: Rotas pedestres no Parque Florestal do Pisão
  • Dia 5: Parque de Campismo do Bioparque

No sexto dia regressámos a S. Pedro do Sul onde apanhámos novamente a Ecopista do Vouga, sempre a subir suavemente até Viseu. Esta é a parte menos cuidada e mais abandonada da ecopista, principalmente entre Bodiosa e Viseu, com o antigo canal ferroviário a desaparecer por diversas vezes e a termos de circular pela estrada nacional em algumas partes. Chegados a Viseu, fomos deixar as bicicletas e alforges na Pousada da Juventude e fomos dar uma volta pelo centro histórico, onde os meninos se divertiram a subir e saltar os penedos encostados à Sé Catedral de Viseu. Apesar dos 45 kms percorridos nesse dia, maioritariamente a subir, comprova-se que a energia das crianças é muito maior do que julgamos e depende apenas da motivação adequada. A noite ainda se prolongou ao encontrarmos uma autêntica “feira popular” instalada no meio da cidade, uma “versão light” da famosa “Feira de S. Mateus”. Os carrinhos de choque, as camas elásticas e outras diversões fizeram os meninos não querer terminar o dia tão cedo!

  • Dia 6: De regresso a S. Pedro do Sul
  • Dia 6: Ecopista do Vouga em S. Pedro do Sul
  • Dia 6: Rio Vouga
  • Dia 6: Ecopista do Vouga
  • Dia 6: Catedral Sé de Viseu
  • Dia 6: Feira de S. Mateus
  • Dia 6: Parque de Diversões
  • Dia 6: Parque de Diversões
  • Dia 6: Carrinhos de Choque
  • Dia 6: Carrossel

No sétimo dia continuámos a explorar Viseu, com os seus bonitos jardins. Os meninos experimentaram uma hora e meia de patinagem na famosa pista do Palácio de Gelo. Ainda visitámos o Solar dos Peixotos, edifício recuperado e onde está instalada a Junta de Freguesia de Viseu, a convite de um dos vereadores que conhecemos na noite anterior. A Mata de Fontelo também é um lugar a não perder, para estar perto da natureza. Claro que à noite regressámos ao parque de diversões, para gáudio dos meninos!

  • Dia 7: Rua Direita, centro histórico de Viseu
  • Dia 7: Pista de Gelo
  • Dia 7: Mata do Fontelo
  • Dia 7: Mata do Fontelo
  • Dia 7: Mata do Fontelo
  • Dia 7: Pousada da Juventude de Viseu

No oitavo dia pegámos novamente nas bicicletas e começámos a descer a Ecopista do Dão, a parte mais fácil da viagem, com o seu piso de ciclovia e maioritariamente a descer suavemente na direção que levávamos. Antes do almoço já estávamos a fazer o primeiro desvio para a Praia Fluvial de Nandufe, a pouco mais de 1 km da ecopista. Ali ficaram os meninos entretidos nas brincadeiras de saltar das árvores para o rio até ao final da tarde. Por volta das 19:00, pegámos nas bicicletas – ainda remendei um furo a um dos rapazes que morava numa aldeia perto e tinha ido de bicicleta – e fomos diretamente até Tondela, à procura dum lugar para jantar. Encontrámos o Gastrófilo, que tinha exatamente o que todos gostávamos: esparguete à bolonhesa para eles e uma boa salada para mim! Nesse dia pernoitámos perto da antiga estação de Tondela.

  • Dia 8: Ecopista do Dão, Viseu com piso vermelho
  • Dia 8: Antiga Estação com café, restaurante e aluguer de bicicletas
  • Dia 8: Praia Fluvial de Nandufe
  • Dia 8: Restaurante Gastrófilo em Tondela
  • Dia 8: Mais uma pernoita por aí…

No nono dia da viagem, continuámos a descer a Ecopista do Dão, mas por poucos kms, pois havia mais uma praia fluvial para explorar. Ferreirós do Dão ficava apenas a 4 kms da ecopista, mas havia duas passagens de rios para transpor – Rio Dinha e Rio Asnes, ambos a desaguar no Dão – o que implicava algum sobe e desce. Mas valeu bem a pena. A praia fluvial é muito bonita, com uma ponte romana bem conservada e uma represa a proporcionarem um belo enquadramento paisagístico, muita área disponível, pouca gente, sombras, águas profundas para nadar à vontade e algumas rochas para os meninos se divertirem a saltar. Pelo lado negativo, o café de apoio estava fechado, bem como as casas de banho. Mas havia água potável e na vila, a 700 metros da praia o “Cantinho da Valéria” (padaria, pastelaria, pizzaria e mini-mercado) servia de abastecimento. Ali passámos o resto do dia e pernoitámos.

  • Dia 9: Ecopista do Dão, concelho de Tondela, com piso verde
  • Dia 9: Ferreirós do Dão
  • Dia 9: Praia Fluvial de Ferreirós do Dão
  • Dia 9: Praia Fluvial de Ferreirós do Dão
  • Dia 9: Pernoita na praia

No décimo e último dia da viagem ainda ali continuámos até às 17h, altura em que nos fizémos novamente às duas subidas íngremes que nos separavam da Ecopista do Dão. Percorremos tranquilamente os últimos 15 kms da ecopista, que entretanto mudava da côr verde para azul, até à estação de Santa Comba Dão, onde iríamos apanhar um comboio InterCidades de regresso a Lisboa.

  • Dia 10: Praia Fluvial de Ferreirós do Dão
  • Dia 10: Pequenas Rotas a explorar
  • Dia 10: Praia Fluvial de Ferreirós do Dão
  • Dia 10: Praia Fluvial de Ferreirós do Dão
  • Dia 10: Junção do Rio Asnes com o Rio Dão
  • Dia 10: Praia Fluvial de Ferreirós do Dão
  • Dia 10: Ecopista do Dão em verde
  • Dia 10: Ecopista do Dão em azul
  • Dia 10: Estação de Comboios de Santa Comba Dão

Infelizmente, a ecopista continua a terminar (ou começar) numa pequena subida bastante inclinada, de apenas uns 30 metros, mas com terra e pedras rolantes e no final um degrau com cerca 30 centímetros de altura de acesso à plataforma da estação, o que tornam a tarefa de empurrar uma bicicleta carregada com alforges um desafio complicado, para não falar dum atrelado. Não sei se é mais fácil subir ou descer. Não se compreende que passados tantos anos (a primeira vez que aqui passei foi em 2014) estes últimos poucos metros que fazem a ligação à estação de comboio continuem abandonados e esquecidos, sem qualquer intervenção, a contrastar com os restantes 48 kms da ecopista (descontando os inúmeros obstáculos de madeira ou metal em cada pequena intersecção). Imaginem a Auto-Estrada Lisboa-Porto acabar num caminho de terra, onde apenas passa um carro de cada vez, com uma subida de 30% de inclinação e cheia de pedras e ainda um degrau no fim com 30 cms de altura… São estas “sabotagens” e obstáculos que continuamos a ver em ecopistas, ecovias e infraestruturas que servem para turismo ou deslocações diárias em bicicleta. Claro que não as deixamos de fazer e são uma experiência altamente positiva para pessoas determinadas, flexíveis e com espírito de aventura, mas lembrem-se da analogia da “auto-estrada” que acabei de descrever 😉

Dia 10: Os últimos ou primeiros 30 metros da Ecopista do Dão são inexplicáveis…

 

Era inaceitável mesmo que ela tivesse passado com o vermelho

Ana Pereira @ Cenas a Pedal

Publicado em 16/07/2020 às 0:42

Temas: Causas Indústria e Consumidor Infraestruturas e urbanismo Notícias Políticas Segurança políticas públicas segurança rodoviária urbanismo

A Ana tinha 16 anos e morreu na semana passada.

Morreu atropelada numa passadeira de peões. Caminhava com uma bicicleta pela mão (a bicicleta, aqui, é pouco relevante), viu o sinal verde e avançou, confiando na infraestrutura e nas regras de trânsito e na responsabilidade dos condutores de automóvel.

O “Manuel” (vamos chamar-lhe assim, visto ninguém ter divulgado o seu nome) tem 19 anos e matou a Ana na semana passada. Conduzia um automóvel, não terá visto ou viu mas não respeitou o sinal vermelho, e atropelou a Ana, apesar da visibilidade para o passeio e para a passadeira ser perfeita. Atropelou-a a uma velocidade tal que lhe causou a morte uns dias depois. 

Três dias depois de Ana Oliveira, 16 anos, ter sido atropelada mortalmente nesta mesma passadeira por um motorista que terá passado o vermelho, nada mudou.@FMedina_PCML: o que é que a @CamaraLisboa vai fazer quanto ao constante desrespeito dos motoristas pelos semáforos? pic.twitter.com/S12N1z6ghs

— Capitão Bina (@CapitaoBina) July 13, 2020

A Ana morreu, não está cá para lamentar ter perdido a vida, ter perdido a oportunidade de viver a sua vida, de fazer as coisas que sonhava fazer. Mas estão cá os seus pais, os seus familiares, os seus amigos, que terão que continuar a viver com o choque, a dor da perda e a revolta por uma morte violenta e principalmente, perfeitamente evitável. 

Por que achamos aceitável matar um filho ou uma filha a alguém?

Por que achamos aceitável matar um pai ou uma mãe a alguém?

É que fazemo-lo anualmente, matamos cerca de 600 filhos e/ou pais de outras pessoas. E ferimos gravemente milhares de outros. E nada fazemos para impedir eficazmente isto, ano após ano.

O “Manuel” vai ter que viver sabendo que matou uma pessoa. O que vai isso fazer à sua vida? À sua saúde mental, à sua relação consigo próprio e com os outros? 

Claro que o normal é querermos linchar o “Manuel”. Ele infringiu duas regras, aparentemente. Cometeu um erro e em consequência alguém morreu.

Sim, o “Manuel” deveria ser punido exemplarmente. Mas não basta ser só ele. Têm que ser todos os “Manuéis”, e principalmente, todos os “Manuéis” que vão cometendo estas infrações sem matar nem atropelar ninguém. Antes que atropelem e matem alguém…

Mas o “Manuel” é também uma vítima deste ambiente tóxico que estimula e permite comportamentos perigosos na condução de veículos automóveis. Todos nós, quando conduzimos automóveis, caímos, uns mais, outros menos, nos mesmos erros – excesso de velocidade, manobras perigosas, distrações – simplesmente a maior parte de nós tem a sorte de não acabar matando alguém. O “Manuel” somos nós todos, só que num dia “de azar”.

Sim, temos que ter melhores leis, mas temos depois que ter melhor fiscalização (muito melhor, que somos uma anedota a este nível), e também temos que ter um melhor sistema judicial, um que não deixe prescrever as coimas, um que em julgamento não desculpabilize quem cometa infrações graves, perigosas, e crimes rodoviários.

E sim, precisamos de melhor formação ao tirar a Carta de Condução, e de ações de reciclagem e revalidação regulares ao longo da vida.

E sim, precisamos que os media e toda a gente pare de noticiar estas colisões e estes atropelamentos desta forma:

  • usando a palavra acidente, em vez de colisão ou sinistro – não são acidentes, e isto perpetua  ideia de que não temos poder para os evitar, e temos!
  • fraseando as coisas para fazer parecer que são os carros que matam, que estes já são autónomos (ex.: «Carro ‘voou’ para dentro da BP em aparatoso acidente.», «O carro despistou-se numa curva», «o carro não viu», «o carro não parou», etc, etc. Os carros ainda não têm vontade própria, são conduzidos por pessoas e são as ações destas que, tipicamente, geram colisões. Temos que parar de as desculpabilizar com as palavras.
  • focando-se exclusivamente na vítima, as imagens são do local, ou do veículo, ou do corpo da vítima (principal), reforçando novamente a sensação de impotência e de vulnerabilidade, e o medo de morrer de quem já mais morre – o foco deve ir primeiro para quem mata e quem fere, queremos disseminar o perfil do agressor, só assim podemos, a nível de políticas públicas, perceber onde e como intervir. As notícias não devem servir para disseminar junto das potenciais vítimas o medo de morrer, devem servir principalmente para disseminar junto dos potenciais agressores o medo de matar (e depois também o medo de ser efetivamente punido por fazê-lo!).
  • apontando apenas alegadas falhas de vítimas e de agressores, deixando de lado as falhas das entidades públicas no desenho do ambiente envolvente.

E sim, precisamos de deixar de permitir a publicidade a automóveis associada a comportamentos perigosos, como a velocidade ou a agressividade.

Mas o principal, aquilo que salva vidas, aquilo que previne eficazmente histórias trágicas como a da Ana e a do “Manuel”, é organizar o ambiente urbano e o ambiente rodoviário, e os próprios veículos, de forma a que erros normais, erros naturais, erros observáveis sistematicamente, não acabem com alguém morto ou gravemente ferido.

O “Manuel” cometeu vários erros de condução, e infringiu várias leis, aparentemente, e por isso a culpa da morte da Ana é dele. E podemos, naturalmente, porque somos apenas humanos, dirigir para ele todo o nosso ódio, a nossa revolta, a nossa angústia, por ter roubado a Ana aos seus, e a si própria. E nós sabemos que a Ana poderia ser qualquer um de nós, e qualquer um dos nossos. Mas fazê-lo é injusto, e inútil. Devemos dirigir a nossa raiva para ações que efetivamente levem a mudanças estruturais que previnam coisas destas de acontecer.

É que a culpa é dele também, mas não é só dele. É dos arquitectos das nossas cidades, é dos arquitectos destes ambientes em que para agir de forma prudente temos que ser mais informados que o normal, termos mais empatia do que o normal, termos maior sentido de responsabilidade do que o normal, estarmos mais despertos do que o normal, estarmos menos cansados do que o normal, estarmos mais atentos e concentrados do que o normal. Quando devia ser o contrário, devíamos circular em ambientes em que o piloto automático é prudente, e em que para fazermos asneiras temos que as fazer consciente e deliberadamente.

E se tivesse sido a Ana a passar o sinal vermelho? O “Manuel” passaria a ser visto como uma pobre vítima, para sempre traumatizada, e a Ana passaria a ser vista como infeliz merecedora da sua má sorte. Uma morte trágica, mas causada pelo seu próprio comportamento.

Esta dicotomia do culpado / não culpado é infeliz. Esta dicotomia é o que nos leva precocemente 600 pessoas todos os anos, e o que nos deixa uns milhares estropiados. Preocupamo-nos em definir quem tem a culpa em caso de colisão, em vez de garantir que essa colisão nunca chega a ocorrer, com culpa ou sem culpa seja de quem for.

Sabemos que 90 % das colisões envolvem erro humano. E sabemos que destas, 90 % envolvem velocidades altas, desadequadas. Não é óbvio que temos que desenhar o nosso ambiente urbano e o nosso ambiente rodoviário, para que, quando os erros acontecem, que acontecerão, invariavelmente, seja de quem for, tal não resulte na morte ou grave ferimento de ninguém? E que isso passa, principalmente, por condicionar física e psicologicamente a velocidade de circulação dos veículos automóveis conduzidos por esses mesmos humanos?

Se baixarmos – por desenho – a velocidade máxima de circulação dos automóveis em meio urbano (e em povoações), de 50 Km/h (teóricos, porque a maior parte dos condutores circula a mais que isso) para 30 Km/h efetivos, garantimos que haverão muito menos colisões, e que as que houver terão 9 em cada 10 pessoas a sobreviver, em vez de apenas 1 em cada 10.

Até quando vamos aceitar manter as nossas crianças e os nossos velhos tristemente reféns em espaços fechados, impedidos de estar e de circular na cidade de forma autónoma, para que nós possamos circular pela cidade a velocidades incompatíveis com a vida, só porque sim?

Quantas pessoas achamos aceitável que morram ou que fiquem estropiadas para que nós possamos exceder os 30 Km/h no meio das cidades ao volante de um objeto de 1 ou 2 toneladas? E quantas destas pessoas podem ser das “nossas”? Aceitamos que nos possam, a qualquer momento, matar um filho, para que possamos todos, coletivamente, conduzir de forma perigosa, e por motivos fúteis?

Por que é que matámos uma filha aos pais da Ana? O que é que vamos fazer para que mais nenhum pai nem nenhuma mãe perca um filho desta forma estúpida? Para que mais ninguém fique sem um irmão, ou sem um pai ou uma mãe desta forma violenta e evitável?…

Hoje, às 19h, estaremos na vigília.

Mas não confundir uma vigília destas com ação. Se queremos mudança temos que fazer lobby junto do governo, junto do parlamento, junto dos partidos, junto da ANSR, junto de n outras entidades públicas. E temos que fazer pressão também junto de entidades privadas, como as escolas de condução, os media, as empresas de transportes coletivos, as empresas de logística, etc, etc. Tornarmo-nos sócios e apoiar o trabalho de associações como a MUBi, e um pouco de #ativismodesofá, mandar mails, mandar cartas, escrever “cartas do leitor” para jornais, intervir em programas de rádio e de TV, etc. 

Temos que mudar o paradigma para ele depois nos mudar a nós.

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