paulofski @ na bicicleta
Publicado em 20/03/2026 às 19:58
Temas: marcas do selim Alvão bicicleta boas pedaladas cicloturismo estrada fotografia fotopedaladas Gorka longas pedaladas meu amigo Jorge momento zen Mondim de Basto montanhas de quilómetros Monte Farinha motivação N304 Natureza outras coisas Parque Natural do Alvão pedaladas no inverno penso eu de que... Vila Real
Para um domingo bem passado no selim da bicla e em boa companhia, o Jorge apresentou-me um roteiro montanhoso por estradas desertas e fascinantes, como diria Duchene.
“Alvão? Porque não!”
Em pouco mais de uma centena de quilómetros e dos colossais 3 mil metros de acumulado, muito bem aproveitadinhos por sinal, a média foi muito baixa, mas não podia ser de outra forma, com tanto para ver, admirar e fotografar.
Foi tal como esperado, ou melhor, as expectativas foram-se superando tais foram as surpresas que fomos tendo ao longo do dia, de um excelente dia.
Do sopé do Alvão, desde Vila Real, a estrada N313 leva-nos ao cume e começa logo com inclinações consideráveis. Assim, lá fomos encosta acima com a lentidão aconselhada, vendo aumentar a panorâmica a cada quilómetro, a cada curva, fosse qual fossem as vistas sobre o vale do Corgo.
Sob um céu limpo e luminoso, a princípio estava uma manhã frescota mas depressa o motor foi aquecendo.
No verão do ano passado a serra do Alvão voltou a arder. O fogo começou em Vila Real e alastrou ao concelho de Mondim de Basto. Ardeu durante vários dias e destruiu uma parte significante do Parque Natural do Alvão. Quem vê as imagens no Street View e depois se depara com aquele cenário de destruição é uma dor de alma. Animais que ficaram sem pasto, agricultores que perderam fontes de rendimento, floresta que desapareceu, tudo devido à incúria, negligência ou crime.
Felizmente o fogo não apagou tudo e ainda há muito Alvão para descobrir. O roteiro incluía a passagem ao largo da pequena aldeia de Lamas de Olo que marca a transição paisagística, de sul para norte. A festa ainda estava no adro e já o acumulado metia respeito, mas o melhor ainda estava para vir.
À entrada no planalto do Alvão somos saudados pelo verde dos pinheiros, matas de carvalhos, bosques de coníferas, onde o vislumbre de aves características, campos verdejantes cheios de vida nos encheram a alma, dando outro alento para o resto da epopeia.
A estrada que percorre o Parque é lindíssima e, de ambos os lados, a paisagem autóctone ressurge, fazendo as delícias destes vossos cicloturistas, em recuperação muscular pós escalada. A serra, rica em granito, é um depósito natural de água, onde se vê, ou se escuta por todo o lado, pequenos riachos a escorrer dos penedos para as levadas.
No horizonte, o recorte da inconfundível silhueta do Monte Farinha orienta-nos como um farol em alto mar. Fazemos mais um par de quilómetros e começamos a sorrir com o declive traiçoeiro da estrada. As descidas aumentam com frequência, mas quando se volta a ter de subir é obrigatório levantar o rabo do selim. Antes de descermos o vale do Olo ainda tínhamos encontro marcado com a serra da Toutuça, uns quilómetros mais à frente.
As Cascatas de Bilhó, situadas entre as aldeias de Cavernelhe e Bilhó, são um verdadeiro tesouro natural do norte de Portugal. Formadas pelas águas cristalinas do rio Cabrão, estas quedas de água criam uma sequência de lagoas e pequenas cascatas, moldando uma escadaria natural entre rochas e a vegetação exuberante. Seguimos em direção a Ermelo via Fervença.
Sabendo que só seria possível contemplar as Fisgas na parte complementar da nossa excursão, vagarosamente fomos descendo pela degradada estrada que atravessa prados naturais e campos de cultivo alimentados pelo rio Olo, descobrindo aspetos interessantes como é a vida rural das pequenas aldeias. Ao longo da descida fomos encontrando espécies de flora e fauna típica da região, como rebanhos, burros e gado bovino que coabitam nos pastos.
À passagem pela aldeia de Ermelo ficamos encantados com a mostra de ardósias de xisto, alindadas com dedicatórias deixadas por caminhantes e visitantes dos trilhos. Subitamente surge o proprietário da casa e fiquei à conversa. O Sr. Carlos Rodrigues Sousa, ilustre poeta, é um apaixonado pela sua aldeia, orgulhoso da cultura e história da região.
Depois de uma pausa mais demorada, respondendo à recomendação do Jorge, retomamos a descida para lá ao fundo cruzar o rio Olo pela Ponte Medieval de Ermelo. Mais à frente reencontramos a magnífica estrada N304, uma das mais belas deste país, e seguimos a bom ritmo para Mondim de Basto, onde ao meio-dia nos detivemos para almoçar.
A digestão do repasto foi demorada, tal como a ascensão, de novo orientada para Bilhó. Tomamos a estrada que bordeja a base do Monte Farinha. O convite que lá do alto a Senhora da Graça nos lançava era muito forte, mas teria de esperar. Na ascensão progressiva ia regulando o calor que se fazia sentir ao início da tarde, fazendo várias paragens sempre que necessário, para descanso e desfrute da paisagem.
Em Bilhó fez-se o desvio para Vila Chã, onde, a certa altura uma placa nos indicou a direção certa para as Fisgas de Ermelo. A estrada pendeu para baixo e a descida fez-se com cuidado. Nunca mais acabava. Já me doíam as mãos de tanto apertar os travões. Entretanto em Covas o gêpeêésse indicou nova subida e até a visão do colorido avermelhado do gráfico já era assustadora.
Do nada surge uma parede de 600 metros que, sem respeito por estes dois que já tinham 70km e mais de 2000 acumulados nas pernas, se apresentam com uns simpáticos 15% de média. A coisa inicia de forma suave e depois só piora. Rapidamente, ultrapassa os 20%. Aí foi preciso morder a língua e, literalmente, proibir-me de pôr o pé no chão, tão perto que estava do cruzamento. O que nos valeu foi serem poucos metros até à Capela da Senhora do Fojo, onde paramos para recuperar o folego e o ritmo cardíaco.
Com o famoso miradouro em obras de restauro e o acesso interdito aos automóveis, aquele quilómetro de pedalada até à panorâmica da cascata de água foi feito com a maior das tranquilidades. Poucos visitantes por lá e assim tivemos a oportunidade de fotografar e apreciar a beleza das cascatas sem nenhuns atropelos.
A Cascata das Fisgas de Ermelo é uma das maiores quedas de água de Portugal, não se precipitando num único salto vertical mas em vários patamares. Atravessa progressivamente uma grande barreira de quartzo e xisto, num profundo socalco com um desnível de cerca de 200 metros de extensão cavados pelas águas calmas, mas abundantes do rio Olo. Com a persistência chuvosa deste inverno isso ficou ainda mais evidente.
Registamos tudo o que havia a registar e fomos lestos a descer a rugosa estrada até à N304. Mais uma vez, apenas se cruzaram comigo quatro automóveis, o que atesta da pacatez das estradas que percorremos.
Em nova e duradoura ascensão pela N304 até Campeã, e apesar de estar àquela hora bem mais fresco, eu suava em bica enquanto, a cada pedalada, ia admirando a deslumbrante paisagem à minha volta. E aqui entra em campo a preparação psicológica que ao longo do tempo se vai apurando e que é especialmente importante nestas tiradas longas e de elevada altimetria. Manter a cabeça ocupada em não pensar na subida.
Com toda a tranquilidade que este mundo não vive de momento, perante o obstáculo à minha frente, segui ao meu ritmo, o que levou ao aumento gradual da distancia para com o Jorge. Mediante a considerável diferença de ritmos, numa situação de carga como era esta, é preferível cada um manter o seu ritmo, seja para evitar disparar os batimentos cardíacos como para manter a sensatez.
No único fontanário visível à berma da estrada, que fica mesmo antes da parte mais dura da subida, parei para beber, atestei a bilha, aproveitei também para verter águas, alimentar-me, perceber o pouco tráfego por lá existente, vários grupos de motards em excursão na sua maioria, e aguardar a chegada do Jorge.
Particularmente, sentia-me muito bem nesta fase do percurso. É natural que a baixa cadência da pedalada ajudou a minimizar o desgaste, mas é este tipo de gestão que me interessa, não pela desculpa de já não ir para novo, mas essencialmente porque o meu objectivo é a regularidade e não a rapidez. Com o horizonte cada vez mais dominado pelo granito, sinto que o final da subida está próximo. Desmonto, tiro a derradeira foto do dia e espero pelo Jorge para, juntos, descermos até Vila Real.
Já dentro da malha urbana vilarealense descuidei a consulta do “aparelhometro”, segui erradamente o instinto e perdi o Jorge, que mais tarde e depois de algumas voltas desnecessárias voltei a reencontrar no local onde de manhã tinha deixado o carro.
Depois de um café milagroso voltamos ao Porto, radiantes já que este dia e esta voltinha foi, sem dúvida alguma, uma volta fabulosa cheia de atractivos e de muitos e interessantes motivos para voltar a pedalar pelo Alvão, numa outra ocasião.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 11/02/2026 às 12:20
Temas: fotocycle 1 carro a menos a chuva não atrapalha à chuva bicicleta bike to home bike to work Canyon ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto Douro fotografia fotopedaladas Maneirinha mensageiro de bicicleta mobilidade motivação outras coisas pedaladas no inverno ponte Luiz I Porto rabelos
Como uma ponte sobre águas turbulentas, clássico de Simon & Garfunkel é um hino à empatia. É um compromisso de força, esperança e determinação, onde a ponte representa o meio seguro quando tudo o resto parece desmoronar. A mensagem é uma metáfora poderosa sobre oferecer apoio, conforto e segurança a alguém que está a passar por momentos difíceis. Atravessar a calamidade com coragem e determinação, não se deixando derrotar por toda esta corrente de incessantes tempestades que assolam populações, bens e negócios por todo o país.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 23/01/2026 às 12:03
Temas: 1 carro a menos a chuva não atrapalha a gloriosa bicicleta à chuva bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto ciclo chico dicas fotografia fotopedaladas mobilidade mobilidade-urbana motivação no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas pedaladas no inverno Ride Your Workout
… dizer que o tempo está horrível, mas lá vem o convicto ciclista urbano. Enquanto outros reclamam da chuva, do trânsito, da vida, ele sorri e sai a pedalar debaixo do dilúvio, porque – como bem sabe – para o ciclista não há mau tempo, só mau equipamento. Assim, entre pingos e vento, transforma a tempestade num passeio ao sol… ou pelo menos numa boa desculpa para comprar mais um casaco impermeável.
e nada de gozar com as capas dos sapatos, tá!? paulofski @ na bicicleta
Publicado em 12/01/2026 às 15:07
Temas: motivação bike to home bike to work bom ano caso pra dizer "mexam-se" ciclismo ciclismo urbano cicloturismo fotografia fotopedaladas mobilidade mobilidade-urbana no meu percurso rotineiro pr'a casa no meu percurso rotineiro pr'o trabalho o sol outras coisas penso eu de que... Porto praia
Todos os dias vou de bicicleta para o trabalho. Como depois tenho de regressar a casa, invariavelmente durante a semana percorro mais de uma centena de quilómetros. De bicicleta circulo pelas ruas da minha cidade, o Grande Porto Ao vento, faça chuva ou faça sol, às vezes tudo ao mesmo tempo.
Uma vez por semana, não tenho dia marcado, depois das obrigações laborais, faço uns quarenta quilómetros, para lá e para cá em visitas paternais. Qualquer coisa de duas horas, bem passadas, o tempo suficiente para pensar, admirar, abstrair e parar de pensar. Só pedalar.
Como também tenho outras bicicletas, o fim-de-semana não significa obrigatoriamente o bom e merecido descanso. Ao sábado e ao domingo lá vou eu, com ou sem destino, alargando horizontes. Só ou bem acompanhado, por agitadas ou encantadas estradas, com paragens a meio para almoçar, a liberdade e a saudade muitas vezes pedalam a par.
Seja para onde for, a bicicleta é o meu meio de transporte. É o meu expediente de trabalho. É o meu ginásio. É a minha intuição de lazer e descontracção. É gratuita… minto, anda a café e pasteis de nata. É ecológica, está sempre disponível de manhã e à noite, de inverno ou verão, haja transportes públicos ou não.
É possível e recomendável promover a mobilidade “ciclável” em Portugal, nas grandes cidades e fora delas. Afinal, de bicicleta, e por causa do trânsito de todos os dias, acabo por andar à mesma velocidade de qualquer veículo motorizado, muitas vezes bem mais depressa. Mas isso é a minha praia.
paulofski @ na bicicleta
Publicado em 16/12/2025 às 14:50
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Publicado em 18/10/2021 às 23:22
Temas: bikepacking review
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| A Triban no Gerês |
Comprei a minha Triban quase por impulso, em Novembro de 2019, quando em casa moravam já outras duas bicicletas de estrada. Estes modelos eram algo peculiares: uma Surly Long Haul Trucker, a bicicleta mais confortável em que já rolei, e uma velhinha Raleigh inglesa dos anos oitenta, que eu usava sobretudo para fins utilitários.
| A minha antiga Surly |
O que eu procurava, já há algum tempo, era um modelo que permitisse substituir todas as outras bicicletas (as duas já citadas e uma BTT). A elusiva bicicleta única, que fosse capaz de fazer estrada a sério, viagens de longa distância, com carga, BTT em eventos e passeios, uso utilitário, e tudo o mais que se me ocorresse. E que fizesse tudo isto com alguma competitividade, que me permitisse participar ocasionalmente em eventos. Bem sei que não é pedir pouco, para mais de um modelo "económico".
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| A Triban com todos os componentes de origem |
A escolha da Triban foi motivada, se for sincero, sobretudo pelo preço aliciante, tendo em conta tudo o que oferecia. Mas pareceu-me na altura uma solução de compromisso, já que eu considerava que a Decathlon tinha sido um pouco preguiçosa e simplesmente mudado o nome e a pintura a um dos seus quadros de estrada. Era apenas uma estratégia para a marca ter um producto que lhe permitisse concorrer no mercado na área então muito na moda, o "Gravel".
Bom, isso não deixa de ser um facto: trata-se de uma bicicleta de estrada, com algumas alterações, mas eu estava enganado. Para mim esta escolha veio a revelar-se extremamente acertada, e embora a bicicleta tenha certamente limitações, é difícil para mim ver alternativas viáveis neste momento. Vamos ver o que está em causa. (Nota: não tenho nenhuma ligação com a Decathlon e estas opiniões são minhas apenas).
Quadro: Para mim carbono estava fora de questão, por causa do uso para viagens longas em autonomia e o uso de bolsas de bikepacking. Os danos por atrito dos sacos ou numa queda são um risco demasiado grande. Aço e Titânio são materiais interessantes e esteticamente mais apelativos, mas mais caros e também pesados. Por isso alumínio acaba por ser uma boa escolha. O peso neste caso é apenas aceitável (os números estão no site). A surpresa veio da geometria. Eu tinha estudado a tabela e sabia que o quadro é exactamente o mesmo da gama de estrada. Portanto trata-se de um quadro "barato" de Endurance, com uma testa alta e uma posição pouco agressiva. Isso é ideal para longas distâncias e muitas horas no selim, e a geometria veio a revelar-se muito adequada para a minha fisionomia, depois de alguns ajustes. Eu não tenho muita flexibilidade natural e a minha postura não é muito agressiva. A bicicleta é muito estável em qualquer circunstância, mas mantém a capacidade de reacção e aceleração de uma bicicleta de estrada, que uma bicicleta de viagem (touring) não tem. E fora de estrada só em BTT mais sério perde a compostura, como seria inevitável.
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| Cassete, corrente e pedaleiro alterados |
Grupo: A Triban vinha com um grupo Shimano 105 R7000 quase completo. Apenas a pedaleira era uma Shimano compacta de 11 velocidades, mas sem grupo, um pouco mais pesada que a 105 equivalente. Aqui eu achava que era mais uma das situações em que a Decathlon tinha feito a coisa mal, a cassete 11-32 (não Shimano) era demasiado pequena, e pensava na altura que a bicicleta deveria vir com um pedaleiro sub-compacto e talvez com um grupo GRX. A verdade é que esta mania da super-especialização dos componentes é muitas vezes exagerada. A transmissão não se desfaz se apanhar poeira por ser um grupo de estrada. O desviador Shimano 105 não é muito diferente de um Deore, as correntes e cassetes são aliás idênticas em vários grupos de estrada e BTT da Shimano, pelo que o desempenho fora de estrada não compromete. Já as relações de transmissão são claramente mais pensadas para o asfalto. Para rolar com peso extra e/ou fora de estrada (como sucede em bikepacking), optei por colocar uma pedaleira Miche 46-30 e uma cassete Shimano 105 maior, 11-34. Mesmo assim, eu agora reconheço que para um uso maioritariamente de estrada, a bicicleta vinha com um bom mix de peças. De tal forma que recentemente voltei a usar a cassete de 32 dentes original, para beneficiar de relações mais próximas entre si.
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| Os travões facilmente se ressentem com o pó |
Travões: Os travões TRP mecânico-hidráulicos permitem casar um grupo totalmente mecânico, mais barato, nestes caso os shifters Shimano 105 R7000, com o modulação e sensações de um travão hidráulico. E a verdade é que funciona. Esteticamente é uma desgraça, mas funciona. Eu travo só com um dedo a maior parte das vezes. E a sensação de controlo é sempre boa. Há que notar contudo que estes travões estão mais à vontade em estrada, basta um pouco de pó para começar a haver vibrações e perdas de potência na travagem, quando em uso em gravilha ou terra. E só depois de uma limpeza cuidadosa é possível voltar a ter uma boa performance.
| Guiador 44, mais estreito |
Periféricos: Não posso falar muito destas coisas, porque foi quase tudo substituído rapidamente. O guiador era demasiado largo, o meu quadro XL vinha com guiador de 46cm, com um desenho de drops com que eu não me identifiquei. Troquei por um simples FSA de gravel, abertura a 12º, de tamanho 44. Apesar de mais pequeno ainda permitia o uso de sacos de bikepaking. O avanço de 120cm foi trocado por um de 80, para afinar a posição na bicicleta. Muitas bicicletas de gravel modernas são desenhadas para avanços curtos, e neste caso a adaptação foi natural. Sim, ao princípio eu também achei que era muito curto, mas fez maravilhas pela postura e pelo controlo da bicicleta. Mudei também o selim, por outro muito semelhante, e o espigão do selim, por estética e peso.
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| No Porto! |
Rodas & Pneus: Usei pouco as rodas. Eram robustas e não deram problemas, lembro-me que os cubos pareciam bastante bons para esta gama de preços. Foram trocadas por umas DT Swiss, para perder umas gramas. Os pneus Hutchinson Overide de 35mm são excelentes. Têm uma aderência teimosa e salvaram-me o pelo em mais de uma ocasião. Permitem aventuras fora de estrada que a sua diminuta largura não deixa prever. E em estrada rolam muito bem. Há melhor e mais leve (e mais caro), mas não muito. Quando comprei a bicicleta achei que os pneus eram mais um compromisso, agora acho que são um excelente compromisso! Actualmente monto pneus de 38mm, a marca só recomenda até 36, mas a verdade é que cabem 40mm se fizer falta. Mas penso voltar aos 35mm quando surgir a oportunidade, julgo que é o melhor equilíbrio estrada-gravel e a marca voltou a acertar neste aspecto.
Dois anos depois, dois Tróia-Sagres, uma volta a Portugal de várias semanas em autonomia, uma viagem a Madrid, o caminho de Fátima, uma subida à serra da Estrela, e muitas aventuras mais pequenas pelo meio depois, a Triban provou que não é só um modelo barato feito à pressa para seduzir os adeptos da "moda" do gravel. Não se deixem enganar pelas soldaduras mais abrutalhadas, nem pela palavra "Decathlon" na testa do quadro, a bicicleta foi bem pensada, o desempenho nunca compromete e tem alma para tudo o que se propuserem fazer com ela.
| Set-up recente, na Serra da Estrela |
O facto de custar menos um terço ou metade dos modelos da concorrência também não é propriamente mau. Actualmente há vários modelos e cores disponíveis, baseados no mesmo quadro, que, consta, é fabricado em Portugal (o meu, especificamente, diz "made in France"). É possível também comprar um dos modelos de estrada da gama 520 e depois adaptar a um uso mais polivalente, já que o quadro é idêntico, mudando a pintura e a selecção de componentes.
Não tenho actualmente nenhuma outra bicicleta, nem sinto falta de nada. Sei que não é solução para toda a gente, o meu uso tem sido muito lúdico e mais estradista, ultimamente. Mas é inegável que esta proposta low-cost permite acceder a um inesgotável mundo de aventuras, cujos limites não serão impostos pela bicicleta.
Publicado em 23/07/2021 às 0:20
Temas: bikepacking viagem
| Caramelos? |
Decidido a evitar mais apertões de calor e surpresas tardias na jornada, na manhã do quarto dia levantei o rabo da cama o mais cedo que consegui. Tomei o pequeno almoço, incluído na estadia, tão cedo quanto era permitido e fiz-me à estrada. Desta vez tinha alojamento reservado, e estava decidido a ter um dia diferente. Para minha surpresa consegui mesmo fazer a navegação para fora da zona urbana de Trujillo sem percalços. Normalmente o meu GPS não permite esses luxos, mas naquela manhã tudo corria sobre rodas.
| Rumo a Este, como sempre |
É claro que esta bonanza não poderia ser duradoura. Depressa percebi que a altimetria para a jornada era mais desafiante que nos dias anteriores. E o que não mudava contudo, era a temperatura elevada, e as grandes distâncias entre terras, amplos espaços onde não havia nenhuma possibilidade de descanso, refugio do Sol ou reabastecimento. O Deserto Espanhol, como lhe chamam alguns Portugueses de passagem, a caminho de destinos mais populares na Península Ibérica, faz jus ao seu nome.
| Olha, montanhas! |
A manhã foi gasta a deambular por estradas de montanha, a ritmos muito lentos, enquanto a temperatura ia aumentado, até ficar intolerável. Continuava a não haver sombras para parar, nem lugares onde obter água ou comida. O desgaste era grande e o moral da expedição ia descendo ao ritmo que desciam também as reservas de líquidos disponíveis a bordo. Começava a ficar claro que, mais uma vez, não ia conseguir arrumar a etapa a tempo de evitar o calor infernal da tarde, no Deserto Espanhol.
| As coisas não são fáceis no deserto |
Umas bombas de gasolina foram a minha salvação. Estava a ficar viciado em Aquarius, a coisa mais parecida a uma bebida energética que era possível encontrar em quase todos os postos de abastecimento de combustíveis. Eventualmente a estrada "alisou", depois de uma longa descida, onde cheguei a passar dos 75km/h. Tinha voltado a ficar sem almoço pois não encontrei nada pelo caminho na hora apropriada, estava a ficar frito pelo Sol, mas sabia que já estava perto do destino.
| Sombra! Para a bicicleta... |
Eu claramente já estava acusar o desgaste do calor, do esforço e da falta de comida. Foi neste estado que rolei até um cruzamento onde a estrada em que eu estava continuava para Oeste, coisa que não me interessava nada. Eu tinha que virar para Este, no sentido de Talavera de la Reina e Madrid. A minha dormida para a noite era em Oropesa, uma cidade a meio caminho. Rolar no sentido contrário era andar para trás,
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| O dilema |
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| O percurso que eu fiz |
| O caminho para "casa" |
| Vista à chegada a Oropesa |
Publicado em 23/07/2021 às 0:07
Temas: bikepacking viagem
| Dois ursos e uma bicicleta |
| Puerta del Sol |
| Calle Preciados |
| E uma estátua de corvos em Lisboa? |
| A velha Madrid |
| O céu limpo deu lugar a nuvens sinistras |
| Para Norte! |
| Percebem? |
| A coisa promete! |
| Na paragem do BUS |
Dia 7. Madrid-Manzanares el Real. 49km. (Estrada/Ciclovia)
Publicado em 19/07/2021 às 1:10
Temas: bikepacking viagem
| Caramelos? |
| Na berma da via rápida em obras |
| Rumo a Madrid! |
| Ciclovias de luxo |
| Madrid?? |
| Hum... |
| Sim, é uma lixeira numa estrada abandonada |
| Madrid! |
| Vista de quarto |
| Bicicleta no quarto #4 |
Publicado em 18/07/2021 às 20:49
Temas: bikepacking viagem
| What? Nunca comeram feijoada na cama? |
Não chego a articular a minha resposta, que antevejo ser hilariante e charmosa, pois há um crescente som irritante que monopoliza a minha atenção. Não percebo de onde vem, mas parece conhecido... Instintivamente, silencio o alarme do telemóvel e levo alguns segundos a reconhecer o que me rodeia. São seis da manhã e ainda está escuro lá fora. Acendo a luz e levanto-me a custo da cama. Esforço-me por recordar que estou numa casa rural em Oropesa, uma pequena terra da província de Toledo, bem no meio do Grande Deserto Espanhol.
Arrasto-me para o WC, mas as pernas pesam-me como dois marcos dos descobrimentos, e tenho o equilíbrio de um marujo bêbado recém regressado da carreira da India. Tenho muita sede, embora me lembre de me ter hidratado bem a noite anterior. Lavo os dentes e constato que, de alguma forma, tenho a boca cheia de sangue seco. A próxima etapa da minha higiene matinal não é mais animadora: pelo quarto dia consecutivo, a minha urina é da cor de Earl Grey. Saio da casa de banho a murmurar alguma coisa sobre "isso não deve ser bom". Ao lado da janela aberta, repousa o Dentuça. O seu olhar parece questionar: "O que é que estamos a fazer?"
| #3 Bicicleta cá dentro |
| Habitual reabastecimento num posto de combustível |
| Sombras e bancos! Foi a única vez que vi tal coisa! |
| Mais um dia no deserto |