Braga Ciclável apela ao uso da bicicleta

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 27/03/2020 às 0:17

Temas: Recortes de Imprensa Bicicleta braga ciclável Correio do Minho covid


A Associação Braga Ciclável sugeriu ao presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, que pedisse aos munícipes para “evitarem o uso dos transportes públicos durante este período, apelando para que, nos casos excepcionais em que tenham que fazer alguma deslocação, o façam recorrendo, sempre que possível, ao uso da bicicleta”.

Outra das sugestões apresentadas à edilidade foi a redução temporária do número de vias na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Avenida João Paulo II, Av. Robert Smith e Av. Dr. António Palha. No entender da associação possuem actualmente, menos trânsito (devido à pandemia do Covid-19), mas registam velocidades mais elevadas por parte dos automobilistas. “A supressão de uma via de trânsito em cada uma destas artérias, levará a uma acalmia de tráfego que é desejável e necessária para a segurança de todos”, considera a Braga Ciclável.

As sugestões apresentadas têm como referência as práticas adoptadas por algumas cidades da Dinamarca, Holanda e Reino Unido.

Além dos benefícios do exercício físico, o uso da bicicleta evita que as pessoas viagem em espaços contaminados.

@Correio do Minho 27 de Março de 2020

 

Redução de vias de trânsito para acalmia de tráfego e apelo ao uso da bicicleta em deslocações estritamente essenciais

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 26/03/2020 às 23:04

Temas: Comunicado Bicicleta Braga braga ciclável COVID 19 Mobilidade Município de Braga

A Braga Ciclável tem vindo a acompanhar, atentamente, todos os desenvolvimentos relacionados com a pandemia e, consequentemente, o estado de emergência em que vivemos.

A ECF – European Cycling Federation considera que o uso da bicicleta, convencional ou com assistência elétrica, deve ser encorajado pelos Estados Membros da União Europeia, também durante a disseminação desenfreada do COVID-19. Isto porque, ao usarem a bicicleta, as pessoas desde logo mantêm as distâncias necessárias para evitar a infeção e, ao mesmo tempo, têm probabilidade muito menor de tocarem em objetos contaminados no espaço público ou em transportes públicos. Tal foi reconhecido, ainda há dias, pelo ministro federal da saúde da Alemanha, Jens Spahn, que recomendou o uso da bicicleta aos cidadãos que continuam a ter de sair de casa para trabalhar nos serviços essenciais. Também outras autoridades europeias, por exemplo na Dinamarca, Holanda e Reino Unido, incluíram nas suas recomendações à população, no âmbito do COVID-19, instruções específicas relativas ao uso de bicicleta durante a pandemia.

A atividade física regular, como por exemplo andar de bicicleta, ajuda a manter o sistema cardiovascular e os pulmões saudáveis, prevenindo doenças e protegendo o corpo de infeções. Portanto, é importante que as pessoas pedalam durante a crise.

Assim, a Braga Ciclável sugere que o Município de Braga vá ao encontro dos protocolos relativos às saídas de casa e às restantes medidas nacionais de combate ao COVID-19, e peça aos seus habitantes para evitarem o uso dos transportes públicos durante este período, apelando para que, nos casos excepcionais em que tenham que fazer alguma deslocação, o façam recorrendo, sempre que possível, ao uso da bicicleta.

A Braga Ciclável sugere que, à semelhança do que estão a fazer outras cidades (p. ex., Bogotá, Cidade do México, Nova Iorque), o Município de Braga introduza reduções temporárias do número de vias na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Avenida João Paulo II, Av. Robert Smith e Av. Dr. António Palha. Trata-se de avenidas que, neste momento, possuem menos tráfego mas onde se circula a velocidades ainda mais elevadas e perigosas do que o já habitual. A supressão de uma via de trânsito em cada uma destas artérias, levará a uma acalmia de tráfego que é desejável e necessária para a segurança de todos.

Após o regresso à normalidade, esta supressão poderá ser tornada definitiva, avançando então para a implementação do projeto que foi aprovado em reunião de executivo em 2018, de modo a que nessa altura a bicicleta e o transporte público possam passar a ser fortes aliados na promoção de uma mobilidade sustentável.

A Braga Ciclável apela a todos os Bracarenses para ficarem em casa mas, caso sejam uma exceção e tenham mesmo que sair, que o façam recorrendo à bicicleta, procedendo à necessária lavagem ou desinfeção das mãos após o uso da bicicleta.

 

Braga Ciclável apela ao uso da bicicleta nas deslocações essenciais

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 26/03/2020 às 19:50

Temas: Recortes de Imprensa Braga braga ciclável covid Rádio Universitária do Minho RUM


Associação apela ainda ao Município que reduza o número de vias destinadas ao automóvel, em tempo quarentena, para garantir a segurança rodoviária.

Com o país em estado de emergência e muitas pessoas em quarentena voluntária, a Associação Braga Ciclável deixou duas sugestões à Câmara Municipal: reduzir o número de vias dedicadas aos automóveis e sensibilizar os bracarenses para usarem a bicicleta nas deslocações essenciais.

As deslocações de bicicleta, explicou à RUM o presidente da Braga Ciclável, “permitem o necessário distanciamento social e evitam o contacto com superfícies tocadas por outras pessoas, como acontece nos transportes públicos”.

Segundo Mário Meireles, perante o actual cenário há “pouco trânsito, mas as velocidades aumentam, e não há necessidade de tanta disponibilidade para o trânsito automóvel”. Por isso mesmo, e por forma a “aumentar a segurança rodoviária, a associação sugere também “reduções temporárias do número de vias na Avenida da Liberdade, Avenida 31 de Janeiro, Avenida Imaculada Conceição, Avenida João XXI, Avenida João Paulo II, Av. Robert Smith e Av. Dr. António Palha”.

A Câmara Municipal barrou, esta semana, o acesso à ecovia. Segundo Mário Meireles, as pessoas que usavam essa via para se deslocarem de bicicleta para o trabalho “entenderam” a decisão do município, mas reclamam falta de segurança nas estradas.

“Tivemos feedback de algumas pessoas que, depois de fechado o acesso, tiveram que começar a utilizar a rodovia ou pela estrada ou pelo passeio, porque não se sentem em segurança a usar a estrada, tendo que se deslocar por vias mais perigosas”, explicou.

Segundo a associação, “a ECF – European Cycling Federation considera que o uso da bicicleta, convencional ou com assistência elétrica, deve ser encorajado pelos Estados Membros da União Europeia, também durante a disseminação desenfreada do COVID-19. Isto porque, ao usarem a bicicleta, as pessoas desde logo mantêm as distâncias necessárias para evitar a infeção e, ao mesmo tempo, têm probabilidade muito menor de tocarem em objetos contaminados no espaço público ou em transportes públicos”.

“A atividade física regular, como por exemplo andar de bicicleta, ajuda a manter o sistema cardiovascular e os pulmões saudáveis, prevenindo doenças e protegendo o corpo de infeções. Portanto, é importante que as pessoas pedalam durante a crise”, afirmam ainda.

@RUM – Rádio Universitária do Minho, 26 de Março de 2020

 

De Bicicleta contra o Coronavirus

Victor Domingos @ Braga Ciclável

Publicado em 21/03/2020 às 13:00

Temas: Opinião Bicicleta coronavirus covid Mobilidade pandemia


No meio do turbilhão de informação que todos os dias circula sobre este “vírus de coroa”, há muita coisa certa, muita coisa errada, e um sem-fim de supostos factos mais ou menos duvidosos que ora são confirmados ora são refutados. Não sendo eu especialista em saúde pública, irei abster-me de recomendações, deixando essa tarefa para quem realmente sabe do assunto. Em vez disso, vou partilhar uma experiência pessoal, relacionada com a nossa memória coletiva, e duas notícias que li esta semana e que – essas sim – têm a ver com bicicletas.

Quando eu era criança, havia uma tradição na minha aldeia, como provavelmente em muitas outras aldeias do Minho, de acender ali por alturas de janeiro umas fogueiras a São Sebastião, com ramos de loureiro cujas folhas estalavam muito ao arder. Ao mesmo tempo que ardia o loureiro, gritava-se, por entre o fumo, “Viva o Mártir São Sebastião, que nos livre da fome, da peste e da guerra!”. Lembro-me particularmente da estranheza que me causou por essa altura aquela palavra, “peste”, cujo significado eu ainda não conhecia. Os anos e as décadas foram passando, e veio-me à memória estes dias essa imagem e essas palavras, por causa do momento que vivemos – temos agora a tal peste à porta, e estamos nós mesmos a aprender a lidar com ela, numa corrida contra o tempo.

Quanto às notícias de que falava, a primeira delas dava conta de um aumento considerável no uso da bicicleta em Nova Iorque e noutras cidades americanas como alternativa ao carro, ao metro e a outros transportes, na sequência de recomendações das autoridades locais. Face aos perigos de contágio associados aos espaços fechados e sobrecarregados de pessoas, a bicicleta foi proposta e prontamente acolhida como uma alternativa por milhares de pessoas.

A outra era relativa à Dinamarca, onde as autoridades também recomendaram há dias um conjunto de alterações aos hábitos de mobilidade, também por causa do risco de contágio de COVID-19. Entre várias outras orientações, foram aconselhadas as viagens a pé ou de bicicleta como alternativas mais favoráveis para distâncias curtas.

A bicicleta parece ser, pois, uma ferramenta útil também em momentos difíceis como este que atravessamos.

A finalizar, para além de uma palavra de ânimo (nós vamos ultrapassar isto, e apesar da distância física que o vírus nos impõe, estamos mais juntos do que nunca!), gostaria apenas de lembrar e sublinhar que é fundamental acompanhar diariamente e seguir as indicações das autoridades e profissionais de saúde sobre como proceder em cada momento.

 

can’t miss [210] outsideonline.com

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 19/03/2020 às 12:57

Temas: can't miss it 1 carro a menos bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas no mundo ciclistas urbanos do Porto cidades coisas que leio covid-19 mobilidade motivação noticia outras coisas partilha

Need to Get Around in a Pandemic?
Ride a Bike.

As COVID-19 shuts down buses and trains in cities, we remember that bicycles are the ultimate contingency plan

bike-commuter-traffic-nyc_h.jpg?itok=hCYxT00c

New Yorkers laughed off the bit about the subway—until social distancing became a way of life, there was no such thing as a New York City subway train that wasn’t packed during rush hour—but they took his bike-to-work advice more seriously. Days later, the New York City Department of Transportation reported a 50 percent surge in cycling over the East River bridges compared to the same time last year. Citi Bike also saw a 60 percent increase in ridership. Certainly, the warm weather and the extra hour of daylight from changing the clocks that weekend contributed to the bumper crop of cyclists, but plenty of people also cited coronavirus as the reason they chose to ride. One rider told the New York Post: “I feel better taking the bike… There are fewer hands touching these handlebars than the subway poles.”

This is by no means the first time people in major cities have turned to the bicycle in a crisis. When Hurricane Sandy knocked out the subway in 2012 and caused gas rationing, people rode bicycles. When the blackout of 2003 plunged New York City and huge swaths of the northeast into darkness, halting trains and causing mass gridlock, commuters scrambled for rental bikes. The bicycle has been a clutch player during transit strikes in New York, Philadelphia, London, and Paris. And on a personal note, during the chaos, confusion, and horror of 9/11, the bicycle got me where I needed to go. When the shit hits the fan, the bicycle is a powerful contingency plan.

[…]

As this pandemic compels us to consider the shortcomings of our healthcare system, the fragility of the economy, and our need for affordable healthcare, we should also give the bicycle its due. Even when you neglect it, it’s always there for you—all it ever needs is a little air in the tires.

Mais alguns artigos de bastante interesse sobre a mesma temática:

“As autoridades belgas estão a encorajar as pessoas a fazerem passeios de bicicleta e caminhadas, desde que mantenham uma distância de segurança de um metro e meio.”  in Jornal Económico

“Em particular, no que diz respeito ao uso da bicicleta, é permitido usá-la como meio de transporte nos movimentos permitidos para chegar ao local de trabalho, ao local de residência, bem como às lojas de primeira necessidade e à prática de desporto ao ar livre.
As condições a serem seguidas, como para todos os movimentos permitidos, não se mover em grupo e mantendo a distância mínima de segurança de 1 metro entre as pessoas.” in: Radiogold.it

“É possível pedalar durante o confinamento anunciado na segunda – feira por Emmanuel Macron , que entrou em vigor por pelo menos duas semanas a partir desta terça-feira. No entanto, várias condições devem ser respeitadas: você precisa andar de bicicleta sozinho e deixar entre 1 e 2 metros entre você e as pessoas que conhece. Finalmente, um certificado de viagem depreciativo será obrigatório para esse passeio, assim como para cada outra finalidade.”  in: liberation.fr

 

vivemos dias estranhos

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 13/03/2020 às 15:54

Temas: outras coisas 1 carro a menos benefícios das pedaladas ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto covid19 mobilidade motivação opinião outros cozinhados penso eu de que...

O impacto do surto de coronavírus na realidade lusa é agora evidente. O que parecia estar confinado ao continente asiático se materializou numa ameaça global. O crescimento exponencial do surto do Covid-19 volta a colocar o mundo em estado de guerra contra um microscópico vírus. Ao contrário da primeira pandemia do século, a gripe H1N1, o Covid-19 tem causado uma situação desesperante e de mortalidade muito grande. O cenário é preocupante, e qualquer que seja o desenvolvimento é já um grave problema global de saúde pública.

Se a propagação do coronavírus continuar, na proporção actual, por vários meses, os custos na saúde, na economia e nas condições de vida da população mundial serão terríveis. A perspectiva imediata é de continuidade da pandemia e consequente pandemónio na economia global. Se a pandemia não for controlada e mantiver o ritmo actual, o mundo poderá sofrer uma crise social sem precedentes.

Depois de alguma desvalorização da doença não vamos agora entrar na fase do pandemónio da ignorância e dos medos. Nada de alarmismos, não entremos em pânico. É preciso um esforço colectivo para fazer frente ao inimigo com os nossos comportamentos. Se não forem aceleradas e adoptadas as medidas de contenção da epidemia, estamos bem fodidos… lixados!

Vamos lá malta, cabe a nós, bichos humanos, juntar as mãos… neste caso os cotovelos, e unidos dar cabo deste bichinho, com inteligência, abnegação e civismo. Não lavar daí as mãos, achando que o vírus não nos apanha, mas pelo menos ter as mãos bem lavadas, pois sabe-se que este vírus se transmite com muita facilidade, no contacto próximo com pessoas infectadas ou superfícies e objectos contaminados. Algumas medidas preventivas de higiene pessoal são fundamentais para evitar a propagação da coisa: Evitar o contacto social. Não entupir as linhas de triagem Saúde24. Racionar o consumo de bens essenciais, máscaras de protecção e afins. Seguir as orientações emitidas pelas entidades oficiais. Foi absolutamente recomendado suspender ou adiar eventos com grandes aglomerados, sendo aconselhável ficar de quarentena, restringindo ao indispensável sair de casa.

aWk-k9H50caesRGh4n1W3M4LTruklTLrewvEkV8k0fg-2048x1536.jpg

Mas vida continua, o mundo gira e muitas de nós precisam de se deslocar de um lugar para outro. Ir trabalhar e dar o contributo possível para a sociedade. Diante desta realidade questiona-se qual a forma adequada para o fazer sem se colocar em risco de um possível contágio. Parece óbvio que uma situação de alarme colectivo, viajar de transporte público será o mais arriscado. Basta o sujeito sentado ao lado tossir para causar a dúvida se é seguro entrar num autocarro, comboio ou metro!

O facto é que na mobilidade urbana e interurbana existe uma clara correlação entre o uso do transporte público e a propagação da gripe. A mesma incidência foi verificada em estudos à mobilidade em veículos particulares, como o automóvel, e o risco de contágio com alguém que está com gripe é também presente. Esta evidência é mais um factor para recomendar o uso da bicicleta como a melhor alternativa para o transporte. Obviamente, isso depende da pessoa, da idade, da distância a percorrer, do preparo físico… Não vou dizer a um tipo que leva uma vida sedentária que comece agora a pedalar para o trabalho. Mas, honestamente, quando se têm a opção de se deslocar a pé ou de trotinete eléctrica, acho que é uma prática altamente recomendável e isso reduz significativamente o risco de contágio.

Enquanto durar esta ameaça do Covid-19, continuarei a sair à rua de bicicleta, seja para o meu commute diário, de e para o trabalho, seja para uma pedalada mais demorada e distante. A prática do ciclismo pode ser o antivírus de que precisamos. Desde logo porque todos nós que praticamos ciclismo sabemos que, mentalmente, pedalar é uma actividade lisonjeadora. Não pensamos nas coisas más e nos sentimos mais autónomos e confiantes. Por outro lado, o ciclismo tem benefícios evidentes para o sistema imunitário e pode retardar os efeitos de um possível contágio. Depois, e concordando que é absolutamente recomendado suspender ou adiar eventos com muita gente, não vejo perigo, ou colocar alguém em perigo, ao sair à rua no selim da minha bicicleta. Nesse sentido, não há nada negativo. Não consigo encontrar nada melhor para fazer do que pedalar, mesmo que seja sozinho pois então, para depois, quando chegar a casa, continuar a ser um tipo e cidadão responsável, permanecendo de quarentena, a descansar as pernas.

 

can’t miss [209] circulaseguro.pt

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 11/03/2020 às 11:41

Temas: can't miss it acidente de percurso bicicleta ciclismo ciclismo urbano coisas que leio dicas mobilidade outras coisas partilha segurança das biclas segurança rodoviária

Do assunto, traquejo já tenho e muito, demasiado até… Longe vá o agouro (batendo com os nós dos dedos na madeira), prever um acidente, um desfalecimento, uma queda, mas cair de bicicleta pode ocorrer a qualquer um que pedala. Não há destreza do ciclista que supere a física e a lei da gravidade, portanto depois de um infortúnio é importante ter algumas noções do que se pode fazer.

O que fazer se cair da bicicleta na estrada ou em cidade?

caida-bicicleta.jpg

“Longe de baixar drasticamente, a sinistralidade de ciclistas mantém-se em alta há alguns anos. O aumento do número de pessoas que se deslocam em bicicleta é um dos motivos que justifica o crescimento de mortos por acidentes com este tipo de veículos, mas não é o único.

Por isso, é peremptório fomentar a convivência. Se nos colocarmos na pele de um ciclista, um dos momentos que mais tememos, desde o mais experiente ao menos rodado, é uma queda. Cair e levantar. Duas ações incluídas de série na nossa genética e que qualquer um de nós que já andou de bicicleta experienciou de forma natural. As consequências de uma queda de bicicleta podem variar muito de acordo com a forma como e onde acontece.

Assim, vamos tomar com fator diferenciador e dedicar a nossa análise às quedas em asfalto. E, ainda que seja inevitável encontrar aspetos em comum, os acidentes em cidade e em estrada que acontecem aos comandos de uma bicicleta podem ter diversas causas, modos de prevenir e repercussões.

Acidentes em cidade e em estrada

Pedalar sobre o asfalto, tal como fazem os ciclistas urbanos e os que pedalam em estrada, significa integrarmo-nos no trânsito e respeitarmos as normas de circulação.
No caso dos acidentes em cidade e em estrada de bicicleta, os ciclistas têm uma certa margem de manobra para esse desagradável e tormentoso momento que experienciam quando sabem que a queda é iminente e que desta vez não a podem remediar. É como quando andar de moto. Todos sabemos que algum dia vamos cair, só não sabemos quando.

O primeiro é genuinamente psicológico. Influencia em boa medida, não só a experiência do ciclista, mas também o grau de atenção que tem nos segundos anteriores ao incidente e a calma que se consegue manter. O ciclista não se livra da necessidade da atenção permanente em estrada. Em caso de queda, esta oferece a oportunidade de colocarmos a preceito os nossos reflexos ou até a vontade direcionada para evitar consequências mais graves.

O que fazer quando caímos?

Se não pudermos evitar cair, podemos tomar algumas medidas…

1 – Mantenha a calma…
Como já referimos, manter a calma pode dar-nos a tranquilidade necessária para evitar diferentes situações que possam ocorrer de imediato. A primeira tem a ver com o trânsito à nossa volta. É muito importante, no caso de quedas pouco graves, procurar afastar-se da zona de circulação dos veículos. Desta forma podem ser evitados males maiores.

2 – Aperceba-se do seu estado de saúde e… mantenha a calma
Claro que a primeira medida vai depender da gravidade da queda. Não é a mesma coisa uma queda que faz um pequeno corte numa perna ou num braço e uma outra que deixa o ciclista imobilizado no asfalto e cheio de dores. Daí a importância dos veículos manterem uma distância de 1,5 m quando circulam ao lado de ciclistas.
Comprove as consequências físicas que a queda pode acarretar para perceber sinais que vão para além da dor. Levando o tempo que for preciso, convém ter atenção ao nível de consciência, ao movimento das articulações, à respiração, à presença de possíveis hemorragias e a tudo o que tenha a ver com os primeiros socorros.
De acordo com a Fundação MAPFRE:
Se depois de uma queda existir dor, perda de conhecimento, dificuldades respiratórias, sonolência, vómito ou outras consequências, chame-se o 112 ou desloque-se, no caso de conseguir, ao hospital mais próximo.
Sem descurar outros possíveis sinais, é mais do que relevante percebermos se a queda afetou a zona da cabeça, pescoço ou costas. É um bom sinal se conseguirmos mexer a cabeça, olhar para os dois lados, para cima e para baixo sem dor.

3 – Peça ajuda
Ainda que aparentemente não estejamos bem, convém dedicarmos tempo suficiente a avaliar a necessidade de ajuda. Isto inclui pedir auxílio aos restantes utilizadores da via, como solicitar o quanto antes assistência médica.

4 – Não se esqueças da saúde da bicicleta
Se nos levantamos do chão com consequências físicas muito leves e se nos encontrarmos em disposição de continuar a rolar, nunca o façamos sem antes verificar como está a bicicleta. É recomendável perceber o estado da direção, do guiador, dos travões, das mudanças e dos restantes componentes. Devemos ainda verificar o estado dos pneus.
A melhor medida a tomar é a prevenção
Seja como for, evitar acidentes em cidade e estrada de bicicleta começa com uma atitude de prevenção. Conhecer e cumprir as normas de circulação é a primeira garantia para salvar situações que podem terminar numa queda.
O capacete é um elemento imprescindível para assegurar uma proteção miníma. A escolha da “roupa” e do equipamento a utilizar é também importante. A própria bicicleta também influencia a sinistralidade. Algumas bicicletas oferecem maior estabilidade e controlo que outras. Ao mesmo tempo é preciso fazer manutenção dos vários componentes da mesma que estão diretamente relacionados com a segurança.
Da mesma forma, é aconselhável tomar medidas para aumentar a visibilidade face ao resto dos utilizadores da via. Isto pode ser conseguido através de elementos refletores, mas também a partir da utilização de sistemas de iluminação permitidos e homologados.

O protagonismo do asfalto

Analisada a frio, uma queda não é mais do que uma junção de variáveis infelizes que acabam por empurrar o ciclista para asfalto. Nesse sentido, existem condicionantes externas que podem influenciar. Falamos da meteorologia ou de pedalarmos com o piso molhado ou até quando está a chover. Este tipo de situações requerem as suas próprias medidas concretas. O asfalto é determinantes nestes contextos.
O estado do asfalto afeta sempre a forma como andamos de bicicleta. Até mesmo no verão. Cair sobre um piso quente pode ser muito perigoso, uma vez que pode rasgar a pela e magoar a sério.
Resumindo, os ciclistas têm de conservar o equilíbrio que os mantém “fixos” ao chão. A ideia é encarar a coisa sem grandes preocupações, tendo sempre o devido cuidado e o material adequado.”

Fonte: Circulaseguro.com

 

Estar do lado certo

Rafael Remondes @ Braga Ciclável

Publicado em 7/03/2020 às 9:10

Temas: Opinião Amesterdão Barcelona Bicicleta carros a mais Ciclovias Copenhaga Estocolmo europa Lisboa Londres Madrid Mobilidade Oslo Paris Sevilha Zona Pedonal


Estocolmo, Oslo, Copenhaga ou Amesterdão são invariavelmente usadas como exemplos de cidades cicláveis. São locais com espaços amplos para peões, reduzidas estradas para o automóvel e muitos kms de ciclovias. Transformaram-se em sítios considerados por vários rankings como dos melhores do mundo para se viver e tudo graças a opções políticas centradas nos meios suaves de transporte como a bicicleta que foram sendo consistentemente tomadas ao longo de décadas. Graças ao seu sucesso, foram seguidas por outras cidades europeias como Paris, Londres, Barcelona, Madrid ou Sevilha que optaram pelo mesmo tipo de políticas e por cá, também Lisboa decidiu seguir o mesmo caminho.

Famosa a nível nacional pelas filas intermináveis de carros e pelos exemplos mais inacreditáveis de estacionamento ilegal, a capital portuguesa tem vindo a aumentar a sua rede ciclável e pedonal. No ano em que é capital verde, o presidente da câmara municipal de Lisboa, apresentou um ambicioso plano para eliminar parcialmente o automóvel da baixa Lisboeta. Aumentado assim o espaço para bicicletas, peões e transporte público.
Apesar de seguir os melhores exemplos europeus, esta decisão, como outras no passado, tem sido acompanhada de várias críticas. Apesar de algumas serem com certeza justas, uma grande parte são críticas recicladas do passado. Os comerciantes não gostam do plano porque se as pessoas não se podem deslocar de carro, então não vão de todo, os moradores não gostam porque perdem lugares de estacionamento e a ACP não gosta porque rouba espaço ao automóvel.

Apesar de toda a inércia inicial e ultrapassada essa fase, o que o tempo tem mostrado é que as críticas são infundadas. Lisboa mudou muito desde o tempo em que a Praça do Comércio era um grande parque de estacionamento. Quando bem aplicadas, as medidas que aumentem as zonas pedonais, que reduzam drasticamente as velocidades e limitem o trânsito privilegiando a bicicleta e o transporte público tem tornado as cidades mais seguras e habitáveis. Os centros urbanos ao invés de serem esquecidos têm sido revitalizados, frequentados por cada vez mais pessoas que podem viver a cidade sem ter a preocupação de parar para ver se vem um carro. Mais pessoas no centro significa maior valorização dos espaços urbanos e mais oportunidades de negócio para os comerciantes. Mesmo os moradores reconhecem que a maior segurança e a redução da poluição sonora e atmosférica aumentaram a qualidades de vida nos seus bairros. Mesmo com todas as críticas, as mudanças para transportes mais suaves têm conquistado locais e estrangeiros e são raros os casos em que se sinta que a aposta não valeu a pena.

Foram precisos alguns anos, mas chegamos a um ponto em que já é consensual que o carro não é o transporte urbano do futuro. À medida que a malha das cidades vai crescendo, é insustentável e lesivo para os seus habitantes insistir no paradigma do automóvel como dono e senhor. O alcatrão que rouba espaço para a bicicleta, rouba também espaço ao peão, rouba espaço a todos nós que deixámos de usufruir da cidade que é nossa. Em Braga, como em Lisboa, é possível viver melhor com menos carros, mais bicicletas e mais passeios a pé. Creio que para mudar não é questão de ter ou não coragem política. É simplesmente preciso vontade e determinação, vencer a barreira inicial para recolher depois os dividendos de uma cidade de Braga mais amiga das pessoas. Como em todas as decisões da História, há quem decida ficar do lado errado. Nas novas políticas de mobilidade, saibamos pois estar do lado certo.

 

fotocycle [248] Magnolia x Soulangeana

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 5/03/2020 às 16:01

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to work ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto coisas que vejo devaneios a pedais fotografia fotopedaladas mobilidade motivação no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas pedaladas no inverno Porto Sua Alteza testemunho

Assim é outro dia. Mais uma manhã ao fresco, repetindo o mesmo atalho, anunciando a melancolia das metamorfoses de Inverno. Um dia igual e diferente a cada manhã. Frio, mas o dia ainda está a aquecer. Apenas mais uma pedalada para um dia de trabalho. As árvores estéreis invejam as que florescem cedo. Vários tons de branco, rosa e roxo. Floridas camélias e magnólias, que brotam para logo se soltarem e estenderem no chão, no seu ciclo vital. Perene.

VKq4T-RmRHbXz4s5aWR3M3qYeRXcz9cygwSIVEFa-Ro-2048x1536.jpg

Aproveito cada momento.

 

O contra-relógio

Blogueaomundoembicicleta @ Blogue ao Mundo Em Bicicleta

Publicado em 18/02/2020 às 14:30

Temas: Ciclismo

Os gajos estavam nervosos.

Um grupo de 9 gajos ali no meio (comigo 10), de volta de um saquinho de plástico, tentando distribuir uns dorsais.

– Quem é o Edgar Santos?

IMG-20200216-WA0011[1]

9 gajos (comigo 10) que mal se conheciam, vestidos cada um com o que calhou, com bicicletas todas diferentes, parecendo tudo menos uma equipa.

– Vais levar esse casaco? Vais ter calor.

– Não, depois tiro. Está um frio do catano.

– Como combinámos levar um jersey azul, e esse casaco é azul, pensei…

IMG-20200216-WA0012[1]

Passava pouco das 8 da manhã de um domingo daqueles de inverno, em que nem chove, nem faz sol. A rotunda dos trabalhadores do campo estava com uma animação invulgar para um domingo de manhã.

À volta daqueles 9 gajos (comigo 10), que tentavam quebrar o silêncio com conversas de circunstância, estavam as equipas. Os carros (daqueles com várias barras no tejadilho e logotipos nas portas) alinhados a esquadro, ladeando as tendas (daquelas 3 x 3, coloridas, com badejas com o nome da equipa), e ciclistas (daqueles verdadeiros, com capacetes bicudos atrás e óculos incorporados, e fatos completos), deitados sobre bicicletas (daquelas mesmo a sério, com rodas lenticulares e barras no guiador), pedalando sem sair do mesmo sítio, em rolos que zumbiam , transformando Porto Alto numa colmeia gigante.

E 9 gajos, (comigo 10), lá no meio, sem saber se haviam de levar os telemóveis (nunca se sabe , pode fazer falta), se haviam de abrir já as barras energéticas (depois em andamento é mais difícil), ou se deviam voltar à casa de banho da Tasca da Tété, porque talvez não tivesse saído tudo.

– Tive de abrir a porta da casa de banho e chamar a senhora, porque não havia mais papel. E depois teve de mo passar por baixo da porta!

Às 8:30 partem os primeiros. 9 gajos arrancam de lá de cima da plataforma, descendo a rampa a todo o gás. Passam por nós como foguetes, 9 gajos de branco, tipo gémeos, sem qualquer expressão nas caras, todas iguais, as rodas a rasgar o alcatrão e a cuspir pedras em todas as direcções, obrigando-nos a agarrar bem as bicicletas (eu a agarrar bem o saquinho já com os casacos e os telemóveis), e fazendo-nos virar as caras, para as voltar a virar de seguida e já os vermos lá ao longe, quase a desaparecer.

No topo da plataforma, já prontos para partir, mais 9 gajos, agora todos de licras cor de laranja, e perfeitamente alinhados. E nós ali, sem nexo, sem qualquer sinal da mínima coisa em comum, a tentar parecer uma equipa.

O tempo passava depressa, saltando de 2 em 2 minutos, consoante o rugir dos arranques das equipas. E nós ali, com pele de galinha (eles. Eu cá tinha o meu casaco novo), porque estava frio e porque sabiam que, assim que arrancassem, nunca mais teriam tempo sequer de pensar que tinham frio. Ou calor. Nunca mais teriam tempo de pensar em nada disso. Em nada.

Bem, bora lá tirar uma fotografia, para a posterioridade?

grupo.png

 

9:25

3 Minutos para a partida. Estou parado na Rotunda, onde o guarda me indicou que aguardasse. O telefone do Pinto preso no suporte colado ao vidro, para filmar em directo. Como é que ele me disse para fazer? 2 Minutos agora. Desbloquear…ligar o facebook. Escrever qualquer coisa. Epá, sei lá o que é que vou escrever! 1 Minuto…colocar o telefone no suporte, espera assim não os vejo, tirar do suporte, sair do carro, filmar… – Epá, está muito longe…Já partiram! Raios, pôr o telefone no suporte, ajeitar e …

partida.png

Vrummm, vrummm, vrrumm, vrummm, vrrumm, vrummm, vrrumm, vrummm, vrrumm

9 vultos entram repentinamente na rotunda, mesmo à minha frente. Entram quase deitados, cortando a curva como facas, para rapidamente se alinharem milimetricamente atrás uns dos outros, e desaparecerem no horizonte. 9 vultos de ciclistas, que vistos assim, pedalando em conjunto, avançando como um comboio, finalmente parecem um só. Uma equipa.

 

Rápido, arrancar. Não anda. Tirar travão de mão. 1ª, 2ª, 3ª, 4ª….aproximo-me rapidamente e colo-me ao grupo, como se fosse um deles, na roda. O ponteiro do velocímetro fixa-se nos 50 kms por hora, e mantém-se por ali durante aquela recta que parece nunca acabar. 3 Quilómetros feitos em cerca de 4 minutos!

À frente, aproximando-se rapidamente, uma mota da GNR e um guarda indicam uma curva à esquerda. Mantenho o carro a quase 50 kms / hora mesmo até à curva, tentando não perder a roda daquele pelotão. Preciso de fazer um esforço constante, para me lembrar que estou num carro, e para travar antes que eles deixem de pedalar. Eles pedalam mesmo até à entrada da curva, e só aí fixam o pedal esquerdo no ar, para se fazerem à curva. No segundo seguinte estão novamente alinhados, engatando novamente a mudança mais pesada e fazendo vergar aquelas pobres peças de carbono.

Encosto-me novamente à cauda do pelotão. O ponteiro não baixa dos 45 kms/h. Ali, tão próximo deles como me é possível estar, consigo ver mais do que os meus olhos veem. Consigo sentir aquelas mãos a estrangular os guiadores, as travessas quase a partirem e os elos das correntes em brasa, prestes a rebentar. Consigo sentir o alívio de quem se afasta para o lado, depois de dar tudo de si, durante minutos que parecem horas lá na frente. Um respiro tão breve quanto lhe permite o instante de ver passar por ele o último do pelotão, e ter de voltar a dar tudo para voltar a colar-se a ele.

É impossível ficar ali atrás. Mesmo no carro, o meu coração acelera e instintivamente mudo de faixa e sigo ao lado deles. Cerca de 20 minutos de prova e sente-se o esforço de quem vai já no limite. De quem veio sempre no limite. E de quem continua sempre no limite. Tiro o telemóvel do suporte e avanço lentamente ao lado deles, percorrendo com a câmara as expressões de cada rosto. Sei o quanto custa manter o corpo naquela luta. Lutar por não abrandar, por dar o melhor de si, por honrar os outros, e também por se manter ali, por não cair para trás, por não ouvir o corpo a pedir para parar, para sair. Estar no meio, protegido pelos da frente, e ver passar ao nosso lado, um após o outro, os que lutaram na frente e se afastam desgastados. Ver que só restam mais dois, e saber que vai chegar a nossa vez. Ver sair mais um, a respirar finalmente após o seu tempo de sufoco. Seguir o mais junto possível do único que resta à nossa frente, a sentir o seu esforço brutal, de quem luta por rasgar o ar e abrir caminho para toda a equipa.

Vai ser agora! Ele afasta-se para o lado e nem tempo tens de respirar fundo pela última vez! Uma parede de ar à tua frente que tens de partir como um ariete. Cabeça baixa, investindo todos as tuas forças contra ela. Não sentes nada, não ouves nada, não respiras nada. Dás tudo o que tens dentro de ti, e mais ainda, sem sentir dor, sem sentir nada. O tempo pára e segundos não passam, sem noção de mais nada senão de que tens que continuar a dar tudo. A rasgar o ar.

E de repente, reages! Deixas ir a bicicleta, que há muito que te puxava para o lado e sentes de novo o ar a entrar nos teus pulmões, a encher o teu corpo completamente vazio. Por momentos o teu coração respira e relaxa, como se tudo tivesse terminado. Mas não. Não te deixes ir, não fiques para trás. Cola-te ao último e prepara-te, pois vão precisar de ti novamente no máximo, daqui a pouco. E tudo recomeça, mais uma vez, dezenas de vezes, ao longo daqueles 90 minutos!

Porra! Conduzir e filmar ainda consigo. Agora atender o telefone, tudo ao mesmo tempo é mais complicado. É o Carlos Borrego. Atendo: – Sim, sou eu que estou a filmar. O quê? A imagem está ao contrário? É o que dá, porem-me a filmar isto, em vez de me porem na frente do pelotão a puxar pelos gajos! Cada um é para o que nasceu e filmar com telefones esquisitos não é para um sprinter de gema!

Com 30 minutos de prova, o ritmo é alucinante! Os kms são devorados rapidamente, bem como as peças perdidas de outros pelotões que se foram desfazendo à nossa frente. Ciclistas esgotados, que se arrastam após terem deixado tudo na frente do seu pelotão. Ciclistas cujo corpo cedeu, após terem ido ainda mais fundo do que o seu limite o permitia. E se por um lado, alguns de nós reagem com entusiasmo a estas conquistas, de alcançar outros que partiram antes, fazendo-nos sentir cada vez mais fortes, outros de nós sentem-se atraídos por um abandono assim, capaz de pôr um fim ao sofrimento que já nos domina e outro pior que ainda está para vir. É fácil desistir naquele momento em que estamos incapazes de gerir as emoções, e em que vemos outros a decidir assim. Mas luta-se até parecer que é o fim. Luta-se e dá-se sempre mais ainda. Ninguém quer desistir, apesar do corpo pedir há muito para desistir. E ninguém veio até aqui para desistir!

Desses vários ciclistas por quem passámos, dois deles, da equipa ciclismo 2640,também pensavam assim. Colaram-se ao pelotão, aproveitando para descansar o pouco que conseguissem e para sentir o pulsar de todos os que ali iam. Do carro, eu conseguia ver o seu esforço em não perturbar a dinâmica do grupo, dando espaço para deixar entrar na sua frente quem vinha a descair da frente do pelotão.  E estes Zés das Bikes deviam valer a pena, pois mesmo sendo de outra equipa, resolveram saíram do fim do pelotão e partir para a frente, sem se importarem com o facto de que estavam em prova, a ajudar uma equipa adversária.

Quase a chegar a meio do percurso, um pelotão de agora 12 ciclistas, 11 bicicletas e 1 carro continuava a devorar quilómetros. A estrada seguia agora na direcção do Biscaínho, tornando-se mais sinuosa e com alguns desníveis, que começavam a esticar mais o pelotão. Pequenas subidas e descidas faziam alterar a velocidade do grupo, e tornava-se mais difícil manter o ritmo constante. Por vezes, a quebra do pelotão parecia eminente, mas todos lutavam por se manter no grupo, voltando sempre a agrupar. Até ali. Até ao km 30, numa recta infindável daquelas que parecem planas, com 1 ou 2% de inclinação, começámos a ver um topo, ao longe. E esses 1 – 2 %, passaram para 3 – 4% e depois para 5 – 6%, e foi então que um dos ciclistas se deixa ficar para trás. E depois outro. E mais outro. Em 50 metros, perdemos 3 ciclistas, que não resistem a só mais um pequeno esforço, depois de tanto esforço e de terem dado tanto de si aos outros. O Guilherme, o Pedro Soares e o ciclista da equipa ciclismo 2640, que não sei o nome, e que se tinha juntado ao pelotão há uns quilómetros atrás.

No meu breve curso de treinador de ciclismo, dado pelo Carlos Duarte em horário pós-laboral via whatsapp, nunca falámos em ter de decidir entre acompanhar o pelotão ou ficar junto de quem fica para trás, dando-lhe incentivo para continuar e tentar reentrar. E por mais que o meu coração me dissesse para optar pela 2ª, e não abandonar ninguém assim tão cansado, sabia que tinha que seguir, atrás de quem continuava a lutar pelo melhor para todos e por honrar o esforço de quem não tinha mais para dar.

Continuavam 8 no pelotão: O Nuno Pimpão, o Fernando Miguel, o Manuel Rodrigues, o Álvaro Gaboleiro, o João Pinto, o Ricardo Lemos, o Henrique Lopes, e o Tiago Silva, da ciclismo 2640. Cada um, à vez, rendia os outros na frente, dando o máximo de si. Eu, no carro, apitava como se fosse num casamento, (pois não conheço músicas de ciclismo, ainda para mais que possa apitar no carro). Procurava na rádio uma música que os pudesse motivar, e quando apanhava uma de jeito, lá me punha lado deles, com o volume no máximo, para ver se os motivava mais (pelo menos assustava-os, pois as minhas habilidades de condução de carros não são assim tão espetaculares como quando conduzo a jackie).

todos.jpg

O percurso continuava, rectas e mais rectas, sempre a um ritmo alucinante, sem baixar dos 40 km/h. Já sem qualquer noção do tempo e do percurso, só pensava que não deveria faltar muito para terminar, até porque me parecia que eles já não deviam aguentar muito mais. Mas os gajos aguentavam, sempre ali que nem uns cavalos esbaforidos!

Ao km 49 (minuto 1:11 do filme), aproximámo-nos rapidamente de uma rotunda, em que não havia aparentemente sinalização. Íamos tão rápido, tão rápido, que só mesmo em cima da rotunda é que vimos um guarda a indicar para virar logo à direita. Eu tive de dar uma volta à rotunda, para me certificar que o caminho era pela direita. O Tiago Silva ia na frente e entrou em sentido contrário, ficando completamente sozinho, a uns 30 metros do grupo, e raios que o partam, não é que os foi lá buscar outra vez!

 

E daí até ao final era só mais uma recta.

Uma recta enorme. Ao longo da qual aqueles 8 corpos e cabeças cansadas já não conseguiam gerir tão bem o esforço. E depois daquele erro na rotunda, com a ânsia de recuperar, foi voltar a dar tudo até ao próximo topo, em que o grupo esticou tanto, tanto, até quase partir. O Álvaro na frente a querer dar mais e mais, sem se aperceber que apenas levava o Nuno Pimpão e o Fernando Miguel com ele.

Foi saltar para o meio da estrada, meter uma segunda e desatar ao berros: – Menos! Menos!  Estão a ficar para trás!

E aqueles gajos de bocas arreganhadas, de dentes a ranger, deitados com os peitos a sentir cada fibra de carbono do tubo superior das bicicletas, cada um a berrar mais alto do que os outros, lá se voltaram a colar uns aos outros, como dantes. Primeiro oTiago, que vinha a encostar, e depois todos os outros, com o Lemos e o Pinto no fim, um a retribuir ao outro as ajudas que já havia recebido.

Uma recta de 16 quilómetros, em que devo ter gritado – Bora lá! e – Está Quase! e Descansar é no fim!  umas mil vezes  (acho que não disse asneiras, porque me lembrei sempre que estava em directo) e em que devo ter buzinado mais do que no casamento da minha prima Susete do Sobral (já depois do copo de água)! 16 quilómetros com o coração a 175 bpm, em que honestamente vivi cada um deles como se estivesse ali a pedalar, colado atrás do Pinto, e no meio de todos, a dar o meu máximo na frente quando me calhasse, durante bué de tempo ( 5 segundos já não era mau!), a suar com eles, a sentir as pernas a ferver, e o sangue na boca, a ansiar ver a meta ao fundo da estrada! 16 quilómetros em que muitos outros gajos foram sendo apanhados e depois deixados para trás, mas em que os 8 seguiam juntos.  Se num momento algum parecia estar sem forças, a descair, no momento seguinte estava lá à frente, a dar o máximo e a puxar por todos!

Cada vez mais casas, mais pessoas nas bermas e alguns ciclistas já em sentido contrário. Cada vez mais polícias (ou guardas) e mais pessoas, junto às bermas, a tirar fotos e a puxar por nós. A estrada mais larga, duas faixas para cada lado. As pessoas cada vez a gritar mais alto e o guarda na rotunda, a indicar a curva à direita e a gritar – Força! Bora lá! É já ali!

E a meta! O arco laranja! Uma multidão de pessoas e a meta ao fundo!

No meio daquela euforia, deixas novamente de sentir o que sentes. O corpo desliga os sentidos e volta-se para dentro. Não distingues o que te gritam, nem quem te grita o quê. É tudo um som que apaga tudo, um barulho sem sentido. Não ouves nada. Não sentes nada, nem o pulsar do coração a disparar sangue dentro de ti. Não sentes os dedos da tua mão direita a empurrarem a manete sem tu mandares, nem ouves a mudança mais pesada a entrar. Não sentes o teu corpo a levantar do selim, sem tu o mandares. Ele age sozinho, por instinto. É agora ou nunca! E de um corpo esgotado, quase vazio, consegues arrancar forças para cortar a meta ao sprint, a gritar e levantar os braços em sinal de vitória!

Vitória!

meta.png

Raisparta o polícia, que não me deixou seguir com eles e que me impediu de passar a meta e perder aquele momento!

42,2kms/h!   65kms em 1 hora e trinta e dois minutos! A apenas 6 minutos dos primeiros classificados! Um molho de gajos ciclistas, que sem treinar, fizeram uma equipa, durante aquela hora e meia.

Não conhecia o Fernando Miguel nem o Manuel Rodrigues, e mal conheço o Nuno Pimpão (pedalámos juntos há umas semanas). Por respeito, e porque ainda não os conheço muito bem e me podem levar a mal, não lhes vou chamar mais nada do que Grandas Cavalões! Fizeram aquela hora e meia como se fosse um passeio, sem nenhum deslize ou fraqueza, arrastando a equipa quilómetros e quilómetros a um ritmo impressionante, só saindo da frente do pelotão porque lhes pediam. Acho que o André Greipel, quando vir as filmagens, vai pedir aos preparadores para lhe duplicarem a dose de suplementação, para não passar vergonhas quando vier fazer o contra-relógio de Samora Correia, para o ano que vem.

O Álvaro esteve sempre à altura, discreto e elegante, (tirando aquele deslize, em que ia na frente e se distraiu, e quase deixou metade do grupo para trás, não fosse eu ter acelerado, posto-me ao seu lado a gritar para abrandar). Que máquina infernal! Se se tivesse distraído, desaparecia da vista de todos!

O Guilherme e o Pedro Soares apanharam um grupo de gajos ainda mais cavalões que eles. Deram o que tinham e o que não tinham, e se não fosse aquele topo aos 30 kms, tinham ido até ao fim e ainda tinham ajudado e muito o grupo (depois era sempre a descer). E o Pedro Soares, de certeza que se fosse para ir almoçar à Igrejinha, não ficava para trás!

Ao Tiago Silva (da ciclismo 2640) tiro-lhe o cap! Que patrão! Entrar assim numa equipa adversária, com a postura certíssima com que entrou, e conseguir partilhar mais de metade da prova com toda a equipa, ajudando tanto ou mais do que todos os outros, mostra que é não só um grande ciclista, mas um grande Homem (deve ser do nome)!

E finalmente os Zés:

– Lemos: Muita experiência tens tu nesse lombo, para aguentares 65 kms a esse ritmo, ao lado de umas bestinhas desse gabarito! Sem nunca te negares ao trabalho na frente, sem nunca teres um deslize ou um atraso, também te tiro o chapéu. Deixo-te só um conselho: Quando escolheres os sapatos, tenta acender a luz, para acertares com o par!

– Henrique: Estavas a curtir tanto, mas tanto! Por duas ou 3 vezes me coloquei no carro ao teu lado, a filmar, e a tua cara demoníaca dizia tudo! Foste feito para isto! Esta cena das corridas é mesmo a tua praia! Enquanto os outros sofrem, tu divertes-te à grande!

– Pinto: Meu Cabron! Lá me obrigaste a passar mais uma noite em branco, a escrever disparates, com tanta coisa que eu tenho para fazer. Mas ainda bem que me conheces bem e sabes o gozo que me dá isto de deixar a malta toda cá de casa ir dormir, ligar um som e deixar que as memórias passem para os dedos!

Não foi bem o tipo de provas que tudo gostas. És um gajo meticuloso e organizado, e uma equipa feita à pressa, sem treino, deve ter-te feito dar voltas na cama. És um gajo de estratégias bem definidas e com os watts bem medidos. Durante estes kms, muitas vezes te vi a tentar gerir tanta potência descontrolada, querendo responder aos puxões da frente, mas a deitar o olho para os que iam atrás de ti.

Estás a ficar um cavalão, mas completo. Um boi-cavalo! Um gajo que treina para uma prova de longa distância, mas que faz contra-relógios! Como te conheço melhor do que os outros, acho que não levas a mal se te disser que estás a ficar uma granda Besta, pois não?

 

Aliás, são todos umas grandas bestas, pronto, que pedalam que sa fartam! (como eu gostava de ser e de pedalar, um dia!) Parabéns a todos

 

Pinto, se não quiseres publicar esta parte, põe só esta:

– Pinto: Até não estiveste malzinho, mas sinceramente esperava mais de ti! A pagar fortunas a um treinador, o mínimo que se esperava era um lugar no pódio. E ter um telefone que filma de pernas para o ar e não avisa, também não é brilhante! O que me valeu foram aqueles filmes caseiros que tinhas no cartão de memória e que fui a ver durante a viagem, senão a manhã tinha sido uma seca do caraças!

 

Se não tiverem mesmo nada para fazer, podem ver o vídeo aqui

 

Créditos:

Fotos: Inês Costa (na página do facebook de Arepa BTT ) https://www.facebook.com/permalink.php story_fbid=2533044763621417&id=1633214810271088

 

 

 

 
Página 2 de 44 | << Anterior Seguinte >>