can’t miss [206] facebook.com/Gasto-Meu-Salário-Com-Bikes

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 9/01/2020 às 19:46

Temas: can't miss it as biclas sabem nadar benefícios das pedaladas bicicleta ciclismo cicloturismo coisas que leio coisas que vejo mobilidade motivação opinião outras coisas partilha penso eu de que... testemunho

Andar de bicicleta

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“Um dia vou ficar velho e não poderei mais conduzir a minha bicicleta e ela vai ficar na minha garagem como um troféu das minhas memórias.
Conheci pessoas com o mesmo espírito, as quais me ensinaram alguma coisa, conheci outras que fico feliz por tê-las esquecido.
Algumas vezes me molhei, passei frio, senti calor e medo, caí e levantei, às vezes me feri.
Mas também sorri muito dentro de um capacete.
Falei inúmeras vezes comigo mesmo, cantei e gritei como um louco.
Sim, houve vezes em que eu chorei.
Vi lugares maravilhosos e tive experiências inesquecíveis.
Encarei curvas, daquelas que nem eu mesmo sei como saí inteiro e depois estive em outras mais perigosas.
Parei mil vezes para observar uma paisagem e falei com desconhecidos, me esquecendo daqueles que vejo todos os dias.
Rolei com meus irmãos e voltei para casa com paz no meu coração.
Toda vez pensei que seria perigoso, mas sempre tinha presente que o significado de ser corajoso é avançar ainda tendo medo.
Toda vez que eu monto na bicicleta penso como é maravilhoso tomar um caminho, muitos deles sem um destino traçado.
Parei de falar com quem não entende e aprendi a me comunicar com gestos… todos nós os entendemos!
É muito verdade: não é um meio de transporte confortável, não é um pedaço de ferro com duas rodas, mas sim a parte perdida dos meus sonhos e espírito.
Há aqueles que dizem que para ser uma pessoa mais séria teria que parar de andar de bicicleta.
Não respondo, só sorrio e penso: para aqueles que não entendem, nenhuma explicação seria suficiente e para aqueles que entendem… nenhuma é necessária!
É impossível explicar e falar de paz e liberdade a quem nunca pedalou. Andar de bicicleta… só sabe quem pedala,
Um feliz dia para todos os ciclistas que vivem esta “loucura”.”

De um modo sucinto, é aquilo o que sinto… Viver.

(fonte: https://www.facebook.com/157875931084373/…)

 

A minha ex anda por aí...

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 7/01/2020 às 23:01

Temas:

Esta semana um amigo das lides do uso da bicicleta mandou-me umas fotos da minha antiga bicicleta pedalec, a Romana.

Como estão lembrados dei a Romana à troca quando comprei a Gestrudes, e não estou nada arrependido... o Miguel da BeElectric já me tinha dito que já tinha vendido a Romana a um moço algures de Lisboa.

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O dono atual até manteve o spoke card do Sexta de Bicicleta! Nível :)

...confesso que bateu uma nostalgia ao ver as fotos da minha ex-companheira.

O importante é que vai fazer feliz mais um sortudo que se desloca na cidade de modo ativo, sem poluir, sem fazer ruído e potenciando uma convivência melhor com os demais habitantes da cidade.

E para a Romana não vai nada, nada, nada? Ip, ip, urááiii!
Quem viva?! Viva a Romana!!
 

A publicidade que nos mata, sem sabermos...

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 7/01/2020 às 22:50

Temas:

Hoje apanhei um apressado que me apitou e gesticulou pq queria que eu saísse da frente para o senhor acelerar no meio da cidade para chegar primeiro ao próximo semáforo vermelho.

Devia querer que eu me esfumasse ou que eu saltasse como o Kit do Mikel Knight por cima dos carros parados na fila para virar á direita ao invés de ocupar a fila de trânsito que fluia no sentido que eu pretendia.

Esta cultura é algo enraizado e que vai demorar anos, gerações, a mudar. 

E que vejo eu a caminho do trabalho? Publicidade de uma marca automóvel a fazer alusões subtis à velocidade, à competição, aos rallies e corridas diárias...

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Mas não há quem tenha noção e acabe com este tipo de publicidade?

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Publicado originalmente no grupo de Facebook de Ciclismo Urbano onde podem ler alguns comentários interessantes, e outros nem tanto...
https://www.facebook.com/groups/ciclismourbanonoporto/permalink/2642951465759201/

 

Análise do Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego pela Braga Ciclável

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 4/01/2020 às 9:00

Temas: Comunicado Bicicleta Câmara Municipal de Braga Ciclovias Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego para a Cidade de Braga estudos Mobilidade MPT - Mobilidade e Planeamento do Território Município de Braga Paula Teles PDM


A Braga Ciclável fez chegar ao Município de Braga, ao abrigo do período de discussão pública do EMGTMB – Estudo de Mobilidade e Gestão de Tráfego do Município de Braga, um documento com 29 páginas contendo uma análise e algumas propostas relativas ao documento apresentado no passado mês no Museu Dom Diogo de Sousa.

O EMGTB foi contratualizado em 02 de fevereiro de 2018 por 69 mil euros à MPT – Mobilidade e Planeamento do Território e tinha como prazo de execução 365 dias.

Um primeiro reparo ao momento e ao tempo da discussão pública: o mês de dezembro. Um mês curto, com muitas atividades familiares, devido às festas e férias, o que leva a que a participação pública seja escassa e, a que existe, deixará de lado uma análise mais aprofundada que o tema merece.

Ainda assim foi possível apresentar alguma análise e contributos relativos a um documento com quase 500 páginas e que foi disponibilizado 8 dias após a sua apresentação.

Esta análise efetuada por parte da Associação levanta uma série de questões relativas ao conteúdo do documento apresentado.

Para além de um fraco diagnóstico, o “estudo” não define as metas e os valores a alcançar a curto e médio prazo, nem tão pouco descreve de que forma se vão alcançar as metas finais que estão já definidas no PDM para 2025, mas que este estudo diz serem, afinal, para 2030.

Uma abordagem de mudança do paradigma da mobilidade na cidade, colocando o peão no topo da pirâmide, seguindo-se a mobilidade em bicicleta e a mobilidade em transportes públicos, reduzindo o espaço e o uso do automóvel parece-nos a abordagem mais correta num Plano que pretende alcançar a sustentabilidade da mobilidade.

Apesar dessa abordagem teórica se manifestar no documento, a verdade é que ao longo dele se verificam a presença de medidas e ações que são contrárias à mesma e em algumas vezes contraditórias entre si.

O plano carece de uma análise quantitativa da situação atual, refugiando-se, na sua ausência, numa análise vaga e qualitativa.

A falta de um calendário de implementação das medidas preconizadas, bem como da sua orçamentação é uma carência importante do estudo.

Não se identifica uma articulação entre este estudo e os restantes planos na área da mobilidade já assumidos pelo Município, nomeadamente o PAMUS já aprovado em Reunião de Câmara.

No âmbito da mobilidade ciclável são utilizadas soluções técnicas muito distantes das melhores práticas internacionais. Não se compreende nem é justificada a utilização de soluções técnicas tendo por base um manual australiano, deixando de parte todos os manuais de boas práticas europeus: como o manual holandês do CROW, o francês da CEREMA, o inglês do DfT. Com esta opção é posta em causa a segurança de peões e ciclistas.

As melhores práticas internacionais dizem mesmo que nunca, em momento algum, as ciclovias são criadas nos passeios, nem, tão pouco, ao nível dos passeios. Di-lo o manual holandês do CROW, o francês da CEREMA, o inglês do DfT. Lamentável é que o estudo aqui em análise utilize um manual australiano e ignore todos os manuais europeus e, até mesmo, nacionais.

As propostas presentes no estudo não são suficientes para se alcançarem as metas previstas em 2030 (que no PDM são para 2025), de ter 10% da população a utilizar a bicicleta como modo de transporte, isto porque a rede prevista não se traduz numa rede coesa, direta, legível e segura.

Em resumo, é de lamentar a ausência da Visão Zero relativamente aos atropelamentos.

Realçamos algumas das propostas que a Braga Ciclável efetua ao longo deste documento:

  • Implementação do Projeto de implementação da Rede Pedonal e Ciclável e Inserção Urbana de Transporte Público;
  • Um diagnóstico da situação atual baseado em dados quantitativos, bem como articulado com um conjunto importante de estudos e planos elaborados nos últimos anos;
  • Calendarização  e orçamentação de intervenções e objetivos a realizar a curto, médio e longo prazo;
  • Calendarização de metas a alcançar a curto médio e longo prazo, em articulação com as intervenções projetadas;
  • Revisão da metodologia utilizada para a definição das soluções técnicas preconizadas para a implementação da rede ciclável;
  • Implementar medições anuais da repartição modal na cidade de Braga, sem misturar modos de transporte;
  • Desistir das BikeBox e, ao invés disso, propomos que se permita, a quem se desloca de bicicleta, a viragem à direita em interseções semaforizadas, através de um sinal luminoso intermitente;
  • Não implementar ciclovias bidirecionais, mas sim unidirecionais;
  • Não implementar ciclovias nos passeios, mas sim no espaço destinado à faixa de rodagem ou destinado ao estacionamento automóvel.
  • Eliminação de todas as passagens desniveladas e implementação de passagens de nível semaforizadas nesses locais;
  • Adoção de uma Visão ZERO como meta a alcançar até 2025 no que à sinistralidade rodoviária diz respeito, indo ao encontro da Estratégia Nacional para a Mobilidade Activa;
  • Tornar a Zona Pedonal uma Zona de Coexistência (zona 20 km/h), uma zona Car-Free, mas com acesso a outros veículos, como sejam bicicletas, trotinetes, transportes públicos e outros;

Estas e outras medidas defendidas pela associação Braga Ciclável podem ser consultadas no documento integral da análise.

 

resoluções/desejos/coisas para fazer no ano

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 1/01/2020 às 11:20

Temas: motivação 2020 bicicleta bike to work bom ano ciclismo cicloturismo desafio devaneios apeados fotografia mobilidade opinião outras coisas penso eu de que... randonneur res Sua Alteza

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Refeito dos efeitos do espumante, das doze badaladas e do fogo de artifício, endireito Sua Alteza e volto a pôr as duas rodas bem assentes no chão. Esta é altura ideal para estabelecer novas metas e considerar alguns desejos para alcançar nos próximos 12 meses.

Pretendo respirar ar puro e mover o meu corpo todos os dias. Seja para enfrentar a loucura rodoviária no meu comute diário, numa lúdica aventura betêteira ou numa ida nocturna ao WC para aliviar a bexiga, mexer as perninhas faz sempre bem.

Espero ter vontade suficiente para me levantar todos os dias da cama e me desafiar, mesmo que seja só para ir trabalhar. Que enfrente a estrada e alcance o cume de pelo menos uma montanha.

Anseio que o trambolhão da praxe seja suavezinho, venha como mais uma lição e que tenha paciência e perspicácia para aprender essa mesma lição, pela enésima vez… Pelo menos faço figas para que não mande mais nenhuma bicicleta para o galheiro!

Aspiro manter as amizades fortes e fazer muitas outras. Novos companheiros de estrada com quem possa compartilhar sonhos e objectivos. Correr o risco de enfrentar as distâncias e os incautos automobilistas. A escuridão e reflectir a minha presença na via, até ao nascer do sol. Ah… e que as assaduras não esgotem o stock de Halibut.

Confio que as correntes e os cabos do desviador se aguentem à bronca. Caso cedam, então  que aconteça a pouca distância de casa ou pertinho de uma loja de bicicletas. O mesmo espero que aconteça com os infalíveis furos, ou pelo menos que não me chateiem quando me esquecer da câmara sobressalente… ou da bomba-de-ar!

Parar de comprar coisas de ciclismo que já tenho ou que então não precise, mesmo que as promoções me consumam. Posso sempre tentar algo que parece ser impossível, encontrar as meias certas ou os óculos escuros quando estiver pronto para sair para mais uma pedalada, mas não prometo.

Finalmente, que tenha tempo e capacidade iguais para me deliciar com uma viagem requintadamente longa para depois ter um dia de descanso requintadamente preguiçoso. Claro que o desejo de liberdade é mais forte que a paixão, certamente encontrarei o valor em ambos. Pelo menos ter assegurada aquela boleia de resgate quando não houver outra salvação.

E é tudo, acho…!

Bom ano, nota 20, e boas pedaladas.

 

2019 em poucas imagens… em poucas palavras

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 31/12/2019 às 11:30

Temas: o ciclo perfeiro 2019 bicicleta bicicletas bué de fixes bike to work bom ano ciclismo ciclismo urbano cicloturismo devaneios apeados fotografia fotopedaladas motivação outras coisas partilha penso eu de que... roda de amigos testemunho

por um caminho duraDouro #2 por um caminho duraDouro #7 por um caminho duraDouro #5 por um caminho duraDouro #8 apocalipse zombie

Estes são alguns dos bons momentos deste ano que finda, um ano positivo em termos de contabilidade do pedal, onde mais de 70% dos dez mil quilómetros acumulados a rodar as pernocas foram registados na utilização diária da bicla.

O único e doloroso senão foi o acidente com outro ciclista durante o meu commute pós-laboral.  Felizmente as consequências físicas são (espero) recuperáveis.  No que diz respeito ao esqueleto da minha querida bicla Tripas, que levou a pior, está ainda em reconstrução.

O blogue é que tem estado um pouco bastante murcho, mas lá vai sobrevivendo às agruras da falta de tempo, inspiração, pachorra mesmo, deste seu mentor que para o manter mais ou menos interessante para os seus dois ou três seguidores, lá vai publicando conteúdos de interesse duvidoso, só para manter este muquifo livre de teias de aranha.

Mais uma vez o ano passou a voar. Aliás, todos somados, fica sempre aquela sensação de que os anos passam cada vez mais depressa. Mesmo assim, desejo para mim e para os meus amigos que 2020 seja fantástico, que continuemos a fazer da bicicleta um instrumento da nossa liberdade e necessidade, mantendo rotinas e acrescentando novas rotas ao mapa das realizações pessoais.

Bom ano e boas pedaladas.

 

 

A mobilidade dos Bracarenses é mesmo para discutir?

Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável

Publicado em 28/12/2019 às 12:04

Temas: Opinião Bicicleta Braga Participa Câmara Municipal de Braga Cidadania Democracia Participativa Luís Tarroso Gomes Makro Mobilidade Município Município de Braga Plano de Mobilidade de Braga Plano de Mobilidade Urbana Sustentável PMUS


É natural que o leitor não saiba mas está a decorrer até dia 31 o denominado “período de discussão pública” do Plano de Mobilidade de Braga com o propósito, segundo a Câmara, de “promover a recolha de contributos e sugestões, que irão [ser] analisadas com vista à respectiva incorporação no documento”. O trânsito, ou melhor, as dificuldades de mobilidade devem ser das maiores preocupações bracarenses e, seguramente, uma das maiores razões de queixa em conversas privadas, no café ou nas redes sociais. E, apesar dessa importância nas nossas vidas, ninguém parece interessado ou sequer informado sobre a elaboração do tal plano e, ainda menos, da sua discussão pública. Terão os cidadãos razão para estarem alheados de tão importante plano?

Têm todas as razões! Em primeiro lugar, a altura do ano escolhida pela Câmara Municipal para a discussão: o mês de dezembro. A Câmara optou pelo momento que lhe dá mais jeito mas seguramente o menos fácil para os cidadãos atarefados entre os inúmeros compromissos deste período, as férias dos adultos e das crianças, os feriados, a passagem de ano e as deslocações familiares ou em lazer para fora.

Depois, o empenho do Município para que participemos é quase nulo: uma ou outra notícia nos jornais, pouquíssima informação na net – tão pouca que uma pesquisa remete-nos ao fim de poucos resultados para outros municípios mais ativos. Certamente que não é por aqui que temos um plano de 3ª geração como se auto-anuncia.

Mas mesmo que estejamos informados da discussão e queiramos contribuir o problema que se põe a seguir é de que forma e para quê. A primeira dificuldade é encontrar onde participar. Não existe qualquer página da internet para o efeito. O portal municipal «Braga Participa» existe mas não lhe faz qualquer referência. A custo lá se encontra uma página no site da Câmara que nos convida a descarregar um documento. O “documento” é uma série de ficheiros com plantas, 450 páginas de texto e uma apresentação feita à pressa. Um calhamaço onde tudo parece já definido e onde o cidadão não cabe. Que tipo de participação espera a Câmara ter senão meia dúzia de comentários centrados em questões técnicas?

É o contrário do que se deve fazer em planeamento. Importava discutir as linhas gerais da cidade que queremos: se mais pedonal e ciclável ou com mais automóveis; se mais lenta e segura ou mais veloz mas com uma vergonhosa taxa de atropelamentos; se queremos que as crianças possam ir sozinhas para a escola ou se devemos manter o modelo de as levar de carro até à porta; se os autocarros devem ter primazia ou não; etc.

Pôr a cidade a discutir questões técnicas é uma pura perda de tempo. É natural que depois surja incompreensão igual à dos moradores da zona da Makro surpreendidos com as obras no seu “bairro”.

 

Cria uma nova perspetiva

Sara da Costa @ Braga Ciclável

Publicado em 14/12/2019 às 9:30

Temas: Opinião Bicicleta Estereótipos partilha da via preconceitos Respeito Sara da Costa


Políticas urbanas, existência de vias cicláveis, medidas de acalmia do trânsito, estacionamento de bicicletas na cidade, incentivos, integração com outros meios de transporte, utilização da bicicleta em contexto escolar, clima, topografia e mentalidades, estes são alguns dos fatores que diversos estudos apontam como influenciadores da utilização da bicicleta nas cidades.

Já todos sabemos e, penso que percebemos, que se focarmos e trabalharmos sobre estes fatores, muitas pessoas estariam mais disponíveis para utilizar a bicicleta como meio de transporte. Contudo, a meu ver, fatores psicológicos e culturais, como a mentalidade e determinadas crenças associadas à utilização da bicicleta merecem ser refletidas e discutidas. Vemos diariamente automobilistas que não respeitam o espaço do utilizador da bicicleta mas também, muitos de nós, já presenciaram comportamentos menos próprios por parte de utilizadores da bicicleta que através de revindicações desajustadas levam muitas vezes à criação de um certo “ódio” por parte dos automobilistas, gerando um clima de disputa nocivo e muito perigoso. Por isso é que o papel da educação na construção de cidades melhores em termos de mobilidade é tão importante. Muitas vezes a magia não está apenas nas infraestruturas mas sim na educação das pessoas e no respeito que têm ao próximo. Compreendermos que as ruas são espaços de convivência e interação e não de disputa mudaria bastante a vivência de ciclistas e não-ciclistas na cidade.

Algumas dessas atitudes de desrespeito e incompreensão estão relacionadas com uma conceção negativa da bicicleta que funciona também como barreira para o uso da mesma. Este fator, muitas vezes, está associado a práticas e valores culturais, perspetivas e imagens do uso de bicicleta e estereótipos produzidos a respeito dos ciclistas que realçam o peso da cultura no envolvimento ou não com o transporte sustentável. Por exemplo, se para uma pessoa deslocar-se de bicicleta é sinónimo de pobreza ou de um determinado estilo de vida com a qual não se identifica ou até mesmo se considerar que é algo apenas para uma determinada idade estas crenças constituirão uma barreira muito maior do que as questões de segurança ou fatores urbanísticos. Deste modo, para que o impacto na mobilidade ciclável seja efetivo é importante estarmos cientes de eventuais perceções erradas para depois sermos capazes de promover mudanças importantes na sociedade. E isso pode começar dentro de cada um, a partir de atitudes e decisões pessoais que sirvam de exemplo para familiares, amigos ou colegas de trabalhos apresentando assim uma nova perspetiva.

 

Dicas para quem vai fazer um dia a Estrada Nacional 2

@ Eu e as minhas bicicletas

Publicado em 7/12/2019 às 18:37

Temas:

Após já muitas semanas, e antes que a memória comece a desvanecer, seguem algumas dicas da recente experiência para ajudar quem um dia queira fazer a aventura da EN2 de bicicleta.

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1. Sozinho ou em grupo?

Na minha opinião fazer a EN2 sozinho não será uma experiência agradável, a não ser que se queira fazer numa de isolamento e introspecção pessoal.

A par já será interessante para ter uma companhia, repartir os custos e até partilhar a experiência no seu todo.

Nós fizémos num grupinho de 3 e acho que foi o ideal, pois acaba por ser uma boa convivência social de apoio, confraternização e até a repartição de custos é mais simples.

Se calhar mais que 3 já seria logisticamente mais complicado gerir ritmos, vontades e alojamento... a não ser que houvesse um grande alinhamento prévio nesse grupo.

2. Duração

Cada pessoa ou grupo terá o seu ritmo, que dependerá muito da forma física e calendário disponível, pelo que o meu conselho é baseado na experiência recente desta nossa viagem.

Nós fizémos em 6 dias a rolar, mas dado que para chegar ao ponto de partida em Chaves tivémos de tirar outro dia para essa viagem acaba por ser 7 dias para este percurso.

O que aconselho, partindo de Lisboa, será que quem queira e possa tire apenas a tarde de sexta de "féria" e apanhe o autocarro para Chaves de forma a começar a viagem no Sábado seguinte e assim fazer a viagem em 8 a 9 dias a rolar, de Sábado a Domingo.

Desta forma poderão fazer a viagem de forma mais vagarosa e apreciando os cantos e recantos do interior de Portugal, fazendo até distâncias mais curtas para quem não esteja em tão boa forma física.

E assim apenas necessitar de 5 dias e meio úteis de folga do trabalho.

3. Transportes

Lisboa > Chaves : Autocarro

Nós fomos os 3 de Lisboa para Chaves pela Rede de Expressos.

Recentemente a Rede Expressos passou a cobrar pelo transporte de bicicletas (e outros equipamentos desportivos como pranchas de Surf) e eu acho isso muito bem!

Antes ficava um pouco ao critério do motoristas e de haver muita ou pouca bagagem normal se a bicicleta podia ou não embarcar no dito autocarro. Agora assim é um custo de um serviço pelo que tem meessssmo de levar a bicicleta como bagagem. O custo do bilhete da bicicleta são apenas 5€!

Convém comprar com antecedência para garantir o lugar para a bicicleta...

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"Quero fazer uma viagem com a Rede Expressos/Renex e tenho uma bicicleta para transportar. Posso viajar?
Sim, pode. O transporte de bicicletas ou pranchas de surf implica um acréscimo no preço do bilhete de 5 euros. Apenas é permitido o transporte mediante a compra prévia, exclusivamente online, mediante o pagamento da referida taxa. Dada a limitação de espaço, é permitido um total de quatro unidades, entre bicicletas e pranchas de surf, por veículo. Estas devem estar em condições de viajar sem provocar danos nas restantes bagagens ou volumes, sendo obrigatório desmontar a roda da frente, colocando-a sobre o quadro e estando o respetivo conjunto embalado numa caixa ou bolsa preparada para o transporte. Se não houver espaço para mais bicicletas no horário escolhido, a célula de seleção de viagem com bicicleta não estará disponível. Depois de adquirir o bilhete, o passageiro deve apresentar-se para embarque, com a sua bicicleta/prancha de surf, com uma antecedência mínima de 15 minutos antes da saída. Outras bagagens especiais: serão aplicáveis os mesmos preços e condições a todos aqueles equipamentos e acessórios de desporto e/ou lazer equiparáveis, similares aos descritos anteriormente e que, pelas suas dimensões e/ou características, devam ser transportados no porão do autocarro. Estas bagagens devem estar em condições de viajar sem provocar danos nas restantes bagagens ou volumes, sendo obrigatório o respetivo embalamento para o transporte."

https://www.rede-expressos.pt/faq

Faro > Lisboa : Comboio Intercidades

No nosso último dia de viagem a rolar chegámos a Faro com alguma pressa para ainda conseguirmos o regresso no Domingo, pois como país civilizado temos muito poucos comboios a ligar pontos relevantes do país.

Os comboios intercidades permitem o transporte de bicicletas, sem desmontar nem embalar, num máximo de duas por cada carruagem, o que num dia como domingo estávamos apreensivos se iriamos ou não conseguir embarcar. Felizmente chegámos a tempo e horas à estação e lá comprámos as passagens para o regresso a Lisboa. Não se paga para transportar a bicicleta, mas é preciso na compra do bilhete indicar que se pretende levar uma bicicleta para reservar o espaço da mesma.

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"O transporte de bicicletas é gratuito.

Comboios Intercidades das Linhas do Norte (Lisboa – Porto / Guimarães / Braga / Viana do Castelo), Beira Alta, Beira Baixa, Alentejo (Lisboa Oriente / Évora) e Sul

As carruagens de 2ª classe destes comboios Intercidades possuem suportes específicos para o transporte de bicicletas tradicionais, permitindo o transporte de 2 bicicletas por carruagem.

Condições particulares:

  • Apenas é permitido o transporte de uma bicicleta tradicional por passageiro;
  • O peso da bicicleta deve ser igual ou inferior a 15 kg;
  • O transporte de bicicletas está condicionado à disponibilidade dos lugares destinados a esse efeito - lugares 15 e 17 das carruagens de 2.ª classe nos comboios Intercidades da Linha do Norte (Lisboa-Porto/Guimarães/Braga/Viana do Castelo) e lugares 12 e 18 das carruagens de 2ª classe nos comboios das Linhas da Beira Alta, Beira Baixa, Alentejo (Lisboa Oriente/Évora) e Sul. No caso destes lugares já não se encontrarem disponíveis, apenas é possível transportar bicicletas se as mesmas se encontrarem dobradas ou desmontadas e acondicionadas no espaço disponível para bagagem, não sendo admitida mais do que uma bicicleta por passageiro.
  • Os suportes existentes nas carruagens não possuem cadeados."
https://www.cp.pt/passageiros/pt/informacao-cliente/informacao-util/transporte-bicicletas


4. Alojamento

Acampar versus Hóteis/Pensões/Alojamento Local

Desde o início que este grupo de jovens quarentões decidiu que não se queriam sujeitar a essas delícias e maravilhas do campismo, há quem goste e nada contra, mas não queriamos levar toda essa parafernália a pesar na bicicleta e gastar tempo a montar e desmontar a tenda todos os dias.
#CicloturismoEmHotéis era o mote... Traveling light :)

Marcações e reservas

Nesta aventura, à excepção do alojamento em Chaves que previamente reservamos online pelo Booking, todos os remanescentes alojamentos foram sendo marcados no próprio dia à medida que nos iamos aproximando da localidade que consoante o nosso ritmo definíamos como objetivo de meta.

Obviamente dado o tempo limitado que tinhamos para a travessia sabiamos mais ou menos quais seriam as etapas e os destinos diários, mas fomos ajustando os mesmos e assim sem termos os alojamentos previamente marcados estavamos mais libertos dessa obrigação de rolar para lá chegar.

Portanto o conselho que deixo é terem um macro-plano de intenções de etapas diárias e fazerem em andamento as reservas dos alojamentos quando se aproximam o suficiente para decidir a meta do dia.

Nós reservamos quase tudo via app móvel do Booking, excepto o alojamento no parque de campismo de Castro Verde que fizémos por chamada telefónica.

Hotel + Alojamento Local + Parque de Campismo

Em Chaves ficámos num pequeno e antigo hotel num quarto triplo e com pequeno-almoço, cada um pagou nem chegou a 13€... :)

Nos restantes dias fomos pernoitando em alojamento local, e pagámos entre os 50€ e os 80€, o que a dividir por três acaba por não ser nenhum exagero.

A última noite foi nos bungalows do parque de campismo de Castro Verde que são basicamente casas, não sei porque lhes chamam bungalows.

Apenas no alojamento local em Góis as bicicletas não pernoitaram connosco e ficaram numa garagem, de resto vieram sempre connosco para as casas/quartos.

Calhou pelo menos uma vez a cada um dormir na sala, sendo que eu fui o último no parque de campismo e a cama era enorme - azar, não tenho culpa de ter calhado uma boa cama na sala no último alojamento :)

Todos nós ressonávamos, pelo que dica importante: levar tampões para os ouvidos! Deu-me muito jeito...

5. Refeições

Felizmente no nosso grupinho ninguém era esquisitinho com a comida o que nos permitiu mais uma vez repartirmos as refeições principais de almoço e de jantar, diminuindo assim os custos. Como muitas vezes no interior as doses são generosas pediamos quase sempre apenas dois pratos e chegava bem para os três.

Apenas os pequenos-almoços e as refeições ligeiras que iamos consumindo ao longo do caminho eram pagas em separado pois nem todos comiamos o mesmo. Também parámos várias vezes em supermercados e afins para comprar frutas, barrinhas e líquidos.

Muitas vezes enchiamos as nossas garrafas de água em torneiras de cafés e restaurantes, infelizmente não conseguimos encher nas fontes e fontanários pois estavam quase todos secos. Recordo no entanto que bebemos sofregamente em Vila de Rei, numa das poucas fontes que encontrámos, e que jorrava uma água deliciosa ao travo.

Portugal é tem um manacial gastronómico fenomenal, os Italianos e Franceses tem a fama toda mas a nossa comida típica e regional é algo de agradar aos deuses. Deliciámo-nos opiparamente de Norte a Sul. E constatámos que os preços aumentam à medida que se desce por Portugal a baixo.

Fomos bastante constantes nas bebidas... ao almoço era sempre vinho branco, que escorrega como refresco, e à noite era tinto para dormirmos ainda melhor.

Comemos os pratos regionais e os do dia, dividindo as despesas as refeições completas oscilaram entre os 6€ (!!!) e os +-18€. E comemos como Abades! Como Reis! Como Imperadores!

(razão pela qual ao fim de tanto km e caloria queimada acabei quase com o mesmo peso com que comecei a travessia da EN2)

6. Trajeto

A EN2 é sem dúvida uma atração turística que está sub-aproveitada... diria mesmo que está muito mal aproveitada.

Está mal divulgada, apesar do push pré-eleições do atual primeiro-ministro que falou e promoveu a EN2 como foco turístico esta deveria ter muito mais foco.

Tem má sinalização, mesmo má, em Vila Real quase que entrávamos numa auto-estrada pois tem uma placa com fundo branco a apontar para a mesma entrada da auto-estrada. Há muitos troços interiores com pouca ou nenhuma sinalização, obrigando-nos várias vezes a recorrer a mapas e aos telemóveis.

Tem pouco apoio e informação, e até um suposto passaporte com os tais carimbos para validar as passagens é desmotivante (nós nem nos preocupamos com isso, as fotos e videos são prova mais que suficiente), com os locais fechados ou até não assinalados, uma série de bandeiras sobre a EN2 mas com um grafismo que mal se nota a quem passa.

Portanto o meu conselho é estudar previamente o mapa e os pontos de maior dificuldade já identificados por muitos outros peregrinos.

Uma das coisas que fizémos, e que se pudesse voltar atrás não faria, foi fazer o antigo trajeto da EN2 pela IP3 durante ali uns 4 kms... basicamente é proibido e até mais ou menos perigoso apesar de ter uma berma considerável, mas os energúmenos de carro e camiões que ali ao lado passavam faziam questão de apitar e fazer razias como que a fazer-nos pagar pela ousadia de ali circular. Neste troço depois de Santa Comba Dão tem de se fazer uns kms numa estrada alternativa que não é a EN2, é o meu conselho a quem um dia fizer o trajeto... que se lixe o traçado original, em 738 kms não são um pouco de kms que tiram o mérito!

Há muitas zonas do trajeto que são idilicas, outras nem por isso. Muitas são sossegadas e seguras, outras nem por isso. Muitas tem berma larga e bom piso, outras nem por isso.

No fim de todo trajeto o sentimento de vitória, de realização, de felicidade acaba por minimizar estes troços menos agradáveis, mas... há zonas que não é para "pessoas sensíveis". E muito menos para famílias, com crianças mais pequenas.


7. Bagagem

Esta foi a minha primeira experiência em cicloturismo e até pensava que ia demasiado leve... mas afinal até levei foram coisas a mais.

Primeiro estando nós em Portugal e não num qualquer local inóspito há sempre comércio que nos acuda quando precisamos de algo, como por exemplo protetor solar que me esqueci e depois comprei.

Levei roupa a mais que não usei, e quiça me faltou uma camisola mais quentinha.
A meio da viagem comprei mais uma tshirt, pois se durante o dia ia secando a roupa que lavava de véspera - os boxers, meias e camisola e calções almofadados, já tshirt para usar depois da viagem à noite não dava para lavar...

Levei boxers e meias que não usei pois como ia lavando e secavam facilmente com o vento ou no estendal ao sol nas paragens para almoço.

Dependendo da estação que escolherem para a viagem aconselho irem o mais leve possível.

Lista do que eu levei:
- bolsa de higiene pessoal;
- boxers e meias para X dias / 2 - ir lavando e secando;
- camisola e calção - eu levei 2 conjuntos de ciclismo leves que ia lavando alternadamente;
- calças para usar de manhã cedo quando está fresquinho, e à noite para ir jantar fora;
- camisola/casaco para usar de manhã cedo quando está fresquinha e à noite;
- capacete, dado que ia atingir velocidades e locais que não conhecia;
- chapéu, eu usei debaixo do capacete;
- óculos: escuros e outros transparentes;
- 2 conjuntos de luzes traseira e dianteira;
- impermeável: andei a carregar a semana toda e só usei quando saí do comboio em Lisboa e chovia copiosamente, safou-me nos ultimos 20 minutos da viagem!
- carregador USB com três saídas;
- cabos USB Mini e USB-C;
- dois pares de sapatilhas, umas calçadas na pedalada e outras para a noite - ms facilmente se pode levar apenas um par;
- Telemóvel;
- Relógio;
- phones: usei duas vezes na viagem mas não é algo que me agrade, ir de phones na estrada, mas dá jeito para as viagens de autocarro e comboio!

Coisas que levei mas não usei, ou podia ter abdicado:
- power bank : não usei mas convêm ter;
- chinelos : levei e só usei nos alojamentos, mas podia não ter levado;
- calções de banho : levei mas não usei;
- toalha : levei e não usei;
- coluna de som USB : não usei;
- cabos elásticos;

Não levei mas devia ter levado:
- luvas, pois de manhã estava mesmo muito frio!


...


Não é uma aventura fácil mas também não é impossível!
É uma epopeia pessoal! Só é preciso decidir ir e... ir!

Boa viagem e boas pedaladas!



Post retirado do blog da viagem na EN2: https://estradan2.blogspot.com/

 

fotocycle [246] pedalar é…

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 5/12/2019 às 12:35

Temas: fotocycle 1 carro a menos bicicleta bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto devaneios a pedais Douro fotografia fotopedaladas mobilidade motivação penso eu de que... Porto Sua Alteza testemunho

… o livre pretexto de escolher a rota. A regalia de contemplar o que vem após uma curva. Colorir o horizonte e ficar a ver navios.

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