Alvão? Porque não!

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 20/03/2026 às 19:58

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Para um domingo bem passado no selim da bicla e em boa companhia, o Jorge apresentou-me um roteiro montanhoso por estradas desertas e fascinantes, como diria Duchene.

“Alvão? Porque não!”

Em pouco mais de uma centena de quilómetros e dos colossais 3 mil metros de acumulado, muito bem aproveitadinhos por sinal, a média foi muito baixa, mas não podia ser de outra forma, com tanto para ver, admirar e fotografar.  

Foi tal como esperado, ou melhor, as expectativas foram-se superando tais foram as surpresas que fomos tendo ao longo do dia, de um excelente dia.

Do sopé do Alvão, desde Vila Real, a estrada N313 leva-nos ao cume e começa logo com inclinações consideráveis. Assim, lá fomos encosta acima com a lentidão aconselhada, vendo aumentar a panorâmica a cada quilómetro, a cada curva, fosse qual fossem as vistas sobre o vale do Corgo.

Sob um céu limpo e luminoso, a princípio estava uma manhã frescota mas depressa o motor foi aquecendo.   

No verão do ano passado a serra do Alvão voltou a arder. O fogo começou em Vila Real e alastrou ao concelho de Mondim de Basto. Ardeu durante vários dias e destruiu uma parte significante do Parque Natural do Alvão. Quem vê as imagens no Street View e depois se depara com aquele cenário de destruição é uma dor de alma. Animais que ficaram sem pasto, agricultores que perderam fontes de rendimento, floresta que desapareceu, tudo devido à incúria, negligência ou crime.

Felizmente o fogo não apagou tudo e ainda há muito Alvão para descobrir. O roteiro incluía a passagem ao largo da pequena aldeia de Lamas de Olo que marca a transição paisagística, de sul para norte. A festa ainda estava no adro e já o acumulado metia respeito, mas o melhor ainda estava para vir.

À entrada no planalto do Alvão somos saudados pelo verde dos pinheiros, matas de carvalhos, bosques de coníferas, onde o vislumbre de aves características, campos verdejantes cheios de vida nos encheram a alma, dando outro alento para o resto da epopeia.

A estrada que percorre o Parque é lindíssima e, de ambos os lados, a paisagem autóctone ressurge, fazendo as delícias destes vossos cicloturistas, em recuperação muscular pós escalada. A serra, rica em granito, é um depósito natural de água, onde se vê, ou se escuta por todo o lado, pequenos riachos a escorrer dos penedos para as levadas.

No horizonte, o recorte da inconfundível silhueta do Monte Farinha orienta-nos como um farol em alto mar. Fazemos mais um par de quilómetros e começamos a sorrir com o declive traiçoeiro da estrada. As descidas aumentam com frequência, mas quando se volta a ter de subir é obrigatório levantar o rabo do selim. Antes de descermos o vale do Olo ainda tínhamos encontro marcado com a serra da Toutuça, uns quilómetros mais à frente.

As Cascatas de Bilhó, situadas entre as aldeias de Cavernelhe e Bilhó, são um verdadeiro tesouro natural do norte de Portugal. Formadas pelas águas cristalinas do rio Cabrão, estas quedas de água criam uma sequência de lagoas e pequenas cascatas, moldando uma escadaria natural entre rochas e a vegetação exuberante. Seguimos em direção a Ermelo via Fervença.

Sabendo que só seria possível contemplar as Fisgas na parte complementar da nossa excursão, vagarosamente fomos descendo pela degradada estrada que atravessa prados naturais e campos de cultivo alimentados pelo rio Olo, descobrindo aspetos interessantes como é a vida rural das pequenas aldeias. Ao longo da descida fomos encontrando espécies de fona e fauna típicas da região, como rebanhos, burros e gado bovino que coabitam nos pastos.

À passagem pela aldeia de Ermelo ficamos encantados com a mostra de ardósias de xisto, alindadas com dedicatórias deixadas por caminhantes e visitantes dos trilhos. Subitamente surge o proprietário da casa e fiquei à conversa. O Sr. Carlos Rodrigues Sousa, ilustre poeta, é um apaixonado pela sua aldeia, orgulhoso da cultura e história da região.

Depois de uma pausa mais demorada, respondendo à recomendação do Jorge, retomamos a descida para lá ao fundo cruzar o rio Olo pela Ponte Medieval de Ermelo. Mais à frente reencontramos a magnífica estrada N304, uma das mais belas deste país, e seguimos a bom ritmo para Mondim de Basto, onde ao meio-dia nos detivemos para almoçar.

A digestão do repasto foi demorada, tal como a ascensão, de novo orientada para Bilhó. Tomamos a estrada que bordeja a base do Monte Farinha. O convite que lá do alto a Senhora da Graça nos lançava era muito forte, mas teria de esperar. Na ascensão progressiva ia regulando o calor que se fazia sentir ao início da tarde, fazendo várias paragens sempre que necessário, para descanso e desfrute da paisagem.

Em Bilhó fez-se o desvio para Vila Chã, onde, a certa altura uma placa nos indicou a direção certa para as Fisgas de Ermelo. A estrada pendeu para baixo e a descida fez-se com cuidado. Nunca mais acabava. Já me doíam as mãos de tanto apertar os travões. Entretanto em Covas o gêpeêésse indicou nova subida e até a visão do colorido avermelhado do gráfico já era assustadora.

Do nada surge uma parede de 600 metros que, sem respeito por estes dois que já tinham 70km e mais de 2000 acumulados nas pernas, se apresentam com uns simpáticos 15% de média. A coisa inicia de forma suave e depois só piora. Rapidamente, ultrapassa os 20%. Aí foi preciso morder a língua e, literalmente, proibir-me de pôr o pé no chão, tão perto que estava do cruzamento. O que nos valeu foi serem poucos metros até à Capela da Senhora do Fojo, onde paramos para recuperar o folego e o ritmo cardíaco.

Com o famoso miradouro em obras de restauro e o acesso interdito aos automóveis, aquele quilómetro de pedalada até à panorâmica da cascata de água foi feito com a maior das tranquilidades. Poucos visitantes por lá e assim tivemos a oportunidade de fotografar e apreciar a beleza das cascatas sem nenhuns atropelos.

A Cascata das Fisgas de Ermelo é uma das maiores quedas de água de Portugal, não se precipitando num único salto vertical mas em vários patamares. Atravessa progressivamente uma grande barreira de quartzo e xisto, num profundo socalco com um desnível de cerca de 200 metros de extensão cavados pelas águas calmas, mas abundantes do rio Olo. Com a persistência chuvosa deste inverno isso ficou ainda mais evidente.

Registamos tudo o que havia a registar e fomos lestos a descer a rugosa estrada até à N304. Mais uma vez, apenas se cruzaram comigo quatro automóveis, o que atesta da pacatez das estradas que percorremos.

Em nova e duradoura ascensão pela N304 até Campeã, e apesar de estar àquela hora bem mais fresco, eu suava em bica enquanto, a cada pedalada, ia admirando a deslumbrante paisagem à minha volta. E aqui entra em campo a preparação psicológica que ao longo do tempo se vai apurando e que é especialmente importante nestas tiradas longas e de elevada altimetria. Manter a cabeça ocupada em não pensar na subida.

Com toda a tranquilidade que este mundo não vive de momento, perante o obstáculo à minha frente, segui ao meu ritmo, o que levou ao aumento gradual da distancia para com o Jorge. Mediante a considerável diferença de ritmos, numa situação de carga como era esta, é preferível cada um manter o seu ritmo, seja para evitar disparar os batimentos cardíacos como para manter a sensatez.

No único fontanário visível à berma da estrada, que fica mesmo antes da parte mais dura da subida, parei para beber, atestei a bilha, aproveitei também para verter águas, alimentar-me, perceber o pouco tráfego por lá existente, vários grupos de motards em excursão na sua maioria, e aguardar a chegada do Jorge.

Particularmente, sentia-me muito bem nesta fase do percurso. É natural que a baixa cadência da pedalada ajudou a minimizar o desgaste, mas é este tipo de gestão que me interessa, não pela desculpa de já não ir para novo, mas essencialmente porque o meu objectivo é a regularidade e não a rapidez. Com o horizonte cada vez mais dominado pelo granito, sinto que o final da subida está próximo. Desmonto, tiro a derradeira foto do dia e espero pelo Jorge para, juntos, descermos até Vila Real.

Já dentro da malha urbana vilarealense descuidei a consulta do “aparelhometro”, segui erradamente o instinto e perdi o Jorge, que mais tarde e depois de algumas voltas desnecessárias voltei a reencontrar no local onde de manhã tinha deixado o carro.

Depois de um café milagroso voltamos ao Porto, radiantes já que este dia e esta voltinha foi, sem dúvida alguma, uma volta fabulosa cheia de atractivos e de muitos e interessantes motivos para voltar a pedalar pelo Alvão, numa outra ocasião.

Strava

 

Ecovia do Cávado e do Homem: uma década e meia de retórica sem obra

João M Fernandes @ Braga Ciclável

Publicado em 14/03/2026 às 8:00

Temas: Opinião Ecovia Ecovia do Cávado Ecovia do Cávado e do Homem JMF João M Fernandes Rio Cávado


A Ecovia do Cávado e do Homem foi concebida para ser a espinha dorsal da mobilidade suave no Minho. Este projeto estratégico da CIM Cávado propõe um corredor de 75 quilómetros de elevada biodiversidade, unindo a foz atlântica, em Esposende, às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Contudo, o que deveria ser um eixo vital para o lazer, o bem-estar e a descarbonização, tornou-se um exemplo de como a fragmentação política e a burocracia podem travar o progresso.

É fundamental compreender que este projeto se divide em dois eixos principais que se deveriam alimentar mutuamente. A Ecovia do Cávado é o eixo principal (55 km) e atravessa Esposende, Barcelos e Braga. A Ecovia do Homem é uma ramificação norte (20 km), que parte da confluência em Soutelo (Vila Verde) rumo a Amares e Terras de Bouro. Ora, a interdependência destas duas vias é total. Sem a conclusão da Ecovia do Cávado, o acesso sustentável à Ecovia do Homem fica amputado. Sem esta última, o projeto perde a sua ligação à montanha e ao coração do Gerês.

Ecovia cavado.

A paralisia da obra não é apenas um problema de mobilidade; é um atentado ao desenvolvimento económico da região. O cicloturismo e o turismo de natureza são dos segmentos que mais crescem na Europa, atraindo visitantes de elevado poder de compra que procuram experiências autênticas e sustentáveis. Com o projeto parado, a CIM Cávado está a abdicar de um produto turístico de excelência que permitiria atrair visitantes durante os 12 meses do ano.

O histórico desta obra é desolador. Em 2010, a CM Braga deu um passo que parecia pioneiro ao construir o troço em Merelim São Paio, ligando a praia fluvial à Central de Ruães. Parecia o despertar de uma revolução verde. Contudo, o arranque formal do projeto intermunicipal só aconteceu em 2016, com obras entre a Ponte de Fão e Fonte Boa.

Dez anos depois, a realidade é de uma estagnação assustadora, pois a execução é residual. No eixo do Cávado, o cenário em Braga é particularmente grave, com cerca de 90% do trajeto por construir. No eixo do Homem, os poucos quilómetros inaugurados em Terras de Bouro e Vila Verde são “ilhas isoladas”.

A falta de coordenação resultou num projeto fragmentado e que avança a uma “velocidade de caracol”, apesar de acesso facilitado a fundos comunitários destinados à descarbonização. Os troços das ecovias não se ligam e os percursos terminam abruptamente, retirando qualquer utilidade prática a quem pretenda usar a bicicleta como transporte ou laser. O maior ativo natural da região está a ser negligenciado por falta de visão de conjunto.

A valorização das margens dos nossos rios deveria ser uma prioridade absoluta, não um adereço em programas políticos. É absolutamente inaceitável que, quinze anos depois, a região ainda não disponha desta infraestrutura vital para a sua atratividade e sustentabilidade. Resta-nos a indignação perante uma oportunidade que continua, inexplicavelmente, na gaveta.

 

A Liberdade de Pedalar

Sónia Martins @ Braga Ciclável

Publicado em 28/02/2026 às 8:00

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Em Braga, onde quase tudo parece estar à distância de um quarto de hora, a bicicleta pode ser muito mais do que um simples modo de transporte. Numa cidade com escala humana, dimensão compacta e forte presença estudantil, pedalar é, acima de tudo, um exercício de liberdade.

Usar a bicicleta é redescobrir o tempo. Ao contrário da pressa fechada do automóvel, o ciclista está exposto ao ritmo real da cidade: sente o ar, escuta os sons, reconhece rostos, observa detalhes. A deslocação deixa de ser apenas um intervalo entre dois pontos e transforma-se numa experiência consciente. Pedalar obriga-nos a estar presentes.

Há também uma dimensão profunda de autonomia. A bicicleta não depende de combustível caro, de estacionamento difícil ou de engarrafamentos nas horas de ponta. Depende apenas de nós. Cada pedalada reforça essa sensação simples, mas poderosa, de controlo sobre o próprio percurso. É uma liberdade silenciosa, mas transformadora.

Num contexto urbano como o de Braga — tantas vezes descrita como “cidade dos 15 minutos” — a bicicleta encaixa naturalmente. Trabalho, escola, comércio, serviços e lazer encontram-se relativamente próximos. Com infraestruturas adequadas e seguras, seria possível atravessar a cidade de forma rápida, eficiente e saudável. A bicicleta poderia tornar-se uma extensão natural do quotidiano.

Os benefícios vão além da mobilidade. Pedalar melhora a saúde cardiovascular, reduz o stress e contribui para o equilíbrio emocional. Num tempo marcado pela ansiedade e pelo sedentarismo, a bicicleta oferece movimento e clareza mental. É um antídoto simples contra o excesso de ecrãs e a vida excessivamente apressada.

Existe ainda uma consciência ambiental que acompanha cada trajeto. Optar pela bicicleta é escolher uma forma de deslocação limpa, silenciosa e de baixo impacto. É um gesto individual com impacto coletivo — menos emissões, menos ruído, menos ocupação do espaço público. Pequenas escolhas diárias que, somadas, moldam cidades mais sustentáveis.

Mas para que esta visão se concretize, é essencial criar condições. Infraestruturas contínuas, seguras e bem integradas não são um luxo; são o alicerce de uma mobilidade mais humana. Uma cidade que investe na bicicleta está, na verdade, a investir no bem-estar dos seus habitantes.

Uma cidade moderna não é aquela que tem mais carros a circular, mas aquela que oferece mais opções de mobilidade. Isso implica investir em, passeios amplos e acessíveis, adequados a pessoas com mobilidade reduzida, carrinhos de bebé e idosos; ciclovias segregadas e contínuas, que proporcionem segurança real; zonas de coexistência, onde a velocidade automóvel é reduzida e a prioridade é partilhada; transportes públicos eficientes, com ligações frequentes e atrativas.

Pedalar em Braga pode ser mais do que uma alternativa ao carro. Pode ser uma afirmação de valores: liberdade, responsabilidade, equilíbrio. Numa cidade onde tudo está perto, a bicicleta lembra-nos que o caminho não é apenas uma ligação entre pontos — é parte da experiência de viver.

Talvez a verdadeira modernidade não esteja na velocidade, mas na consciência com que escolhemos mover-nos. E, nesse sentido, cada pedalada é um pequeno gesto de futuro.

 

As grandes decisões de Braga na mobilidade

Luís Tarroso Gomes @ Braga Ciclável

Publicado em 14/02/2026 às 8:02

Temas: Opinião BRT BRT Braga Espanha Ferrovia Galiza Guimarães Luís Tarroso Gomes Minho Mobilidade mobilidade em braga Política Política de Mobilidade Tarroso Vigo


Uma das mais importantes decisões que Braga tem neste século de acompanhar — e influenciar — é a da localização da estação de alta velocidade. Pode parecer um tema que apenas interessa àqueles que se dirigem regularmente para fora do país ou até da Península. Todavia, a localização da estação no ponto certo ou errado vai determinar não só o nosso dia a dia, como o de milhares de pessoas que aqui se deslocarão para apanhar um comboio que pode ter como destino uma cidade em Espanha ou no Algarve ou somente a zona do Porto aqui ao lado. Posicionar a estação num extenso vale agrícola desabitado, desligada da zona urbana e da linha atual, ou trazê-la para o eixo ferroviário atual mantendo a capacidade de assegurar ligações aos concelhos próximos faz toda a diferença. Leio também notícias que dão conta de uma ligação em BRT a Guimarães — sem que se explique que é apenas um autocarro pela estrada nacional — ou da necessidade imprescindível de uma circular externa na cidade — sem que se mencione que vias vai libertar para outras funções ou modos. E tendo estes projetos implicações para lá do concelho, é notório que Braga não tem querido — nem sabido — ser porta-voz do Minho e do Noroeste.

Não percebo como não se reage à ideia de uma estação de alta velocidade desligada para sempre da atual ou à forma como se deixam cair os milhões que a pretexto do BRT permitiriam modernizar as principais avenidas de Braga (mesmo que a explicação me parece óbvia: apesar de o BRT ter sido tantas vezes anunciado como estando iminente, pouco tinha, de facto, sido feito). Nenhuma destas grandes opções tem sido discutida publicamente pelos políticos, designadamente pondo em cima da mesa, com transparência e sem receio, os custos e benefícios de cada uma delas e as alternativas.

Há ainda os problemas locais por resolver: uma mobilidade centrada no automóvel particular, com uma rede viária confusa — incluindo as vias rápidas —, transportes urbanos sem vias dedicadas, vias cicláveis desconectadas e pouco abrangentes e um ambiente urbano que, com exceção quase só do centro histórico, desincentiva qualquer deslocação a pé. Braga está claramente desatualizada e vem fingindo que se moderniza com obras dispendiosas como as da Avenida da Liberdade que concentram recursos e mantêm inalteradas, a escassos metros, soluções perigosas e antiquadas.

O resultado das últimas eleições autárquicas ditou uma Câmara e uma Assembleia municipais divididas por várias forças políticas sem uma maioria evidente. Ao contrário do que possa parecer, o espartilhamento deve ser a base para se conseguir, primeiro a discussão e depois um compromisso, quanto ao estabelecimento das linhas gerais para a mobilidade no concelho e à ligação deste à região noroeste. E se não for a força mais votada a dar o primeiro passo — como ditaria o bom senso —, que seja a oposição a iniciar o debate. O que me parece evidente é que não podemos continuar a desperdiçar outra década com soluções avulsas, desistindo da defesa dos interesses das populações da nossa região.




Legenda da foto: alta velocidade no centro de Vigo. 

Fonte: Faro de Vigo

 

Lisboa precisa de mais e melhor estacionamento para bicicletas!

MUBi @ MUBi

Publicado em 13/02/2026 às 15:53

Temas: comunicados Lisboa cml estacionamento MAPEAR

A MUBi com a Bicicultura e a MAPEAR reuniram com a Polícia Municipal e CM de Lisboa no dia 10 de fevereiro, com o objetivo de discutir remoções de bicicletas, estacionamento, fiscalização e medidas de melhoria da segurança e conforto do uso da bicicleta em Lisboa. Para que tal aconteça é essencial a existência de […]

O post Lisboa precisa de mais e melhor estacionamento para bicicletas! aparece primeiro no MUBi.

 

fotocycle [279] like a “Bridge Over Troubled Water”…

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 11/02/2026 às 12:20

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Como uma ponte sobre águas turbulentas, clássico de Simon & Garfunkel é um hino à empatia. É um compromisso de força, esperança e determinação, onde a ponte representa o meio seguro quando tudo o resto parece desmoronar. A mensagem é uma metáfora poderosa sobre oferecer apoio, conforto e segurança a alguém que está a passar por momentos difíceis. Atravessar a calamidade com coragem e determinação, não se deixando derrotar por toda esta corrente de incessantes tempestades que assolam populações, bens e negócios por todo o país.

 

“Ninguém fica triste quando anda de bicicleta!”

Marina Cerqueira @ Braga Ciclável

Publicado em 31/01/2026 às 8:00

Temas: Opinião Bicicleta crianças Marina Cerqueira Qualidade de vida televisão TV


Há dias, enquanto via televisão com os meus filhos, deparei-me com uns desenhos animados no canal Baby TV que começavam e terminavam com a seguinte frase: “Ninguém fica triste quando anda de bicicleta”. Achei muita graça ao tema e perguntei ao meu filho, de 7 anos, porque é que achava que usavam aquela frase. Ele respondeu que é por ser divertido andar de bicicleta. Perguntei também se gostava de ir de bicicleta todos os dias para a escola e o porquê. Ele respondeu, que sim. Gosta porque não apanha trânsito, a bicicleta não polui e ajuda a ter saúde.

Fiquei muito orgulhosa por estas respostas e com o sentimento de dever cumprido. É exatamente isto que quero passar aos meus filhos.

Uso a bicicleta como meio de transporte diariamente, com eles. A mais pequena na cadeira e o mais velho já na bicicleta dele.

Não é um passeio de fim de semana nem uma atividade ocasional, é a nossa forma de ir para a escola, para o trabalho, para a vida. Faça chuva ou faça sol, a bicicleta faz parte da rotina familiar.

Há dias difíceis. Há trânsito, há pressa, há condutores irritados e maldosos que nos passam rasantes. Mas há uma coisa curiosa que acontece sempre que subimos para uma bicicleta, apesar dessas dificuldades a boa disposição reina, porque são francamente mais as coisas boas que advém desta prática do que as más.

Andar de bicicleta obriga-nos a estar presentes. Sentimos o ar, o frio da manhã, o cheiro da rua, o som da cidade a acordar. As crianças vão atentas, rimo-nos de coisas pequenas. O mais velho faz perguntas, e comenta o que vê. Há conversas que só acontecem ali, em movimento, sem ecrãs, sem distrações.

Claro que nem sempre é fácil. Há subidas que custam, dias de cansaço, momentos de impaciência. Mas mesmo nesses dias, algo muda. O corpo mexe-se, a cabeça organiza-se, o humor melhora. A bicicleta não resolve todos os problemas, mas ajuda-nos a encará-los de outra forma.

Andar de bicicleta desde criança, ensina-lhes autonomia, noção do espaço, respeito pelos outros. Aprendem que o caminho também faz parte do destino. Crescem a perceber que a cidade não é só para carros e sim para qualquer outro meio de transporte, até mesmo para quem quer andar a pé.

Para mim, usar este modo de transporte é tempo ganho. Tempo de qualidade com os meus filhos, tempo ao ar livre, tempo sem filas nem buzinas. É também uma escolha consciente: menos poluição, menos ruído, mais vida na rua.

Talvez seja por isso que ninguém fica triste quando anda de bicicleta. Porque, mesmo sem dar por isso, estamos a cuidar de nós, dos outros e do lugar onde vivemos. E isso, todos os dias, faz diferença.

 

Plano de Atividades 2026 da Braga Ciclável aprovado em Assembleia Geral

Braga Ciclável @ Braga Ciclável

Publicado em 25/01/2026 às 19:05

Temas: Notícias 2026 assembleiageral associação Associados braga ciclável contas plano de atividades Rafael Remondes


No dia 24 de janeiro realizou-se a Assembleia Geral da Braga Ciclável, onde foram aprovados por unanimidade o Relatório de Atividades e Contas de 2025, bem como o Orçamento e o Plano de Atividades para 2026. Durante a sessão, Rafael Remondes, presidente da Direção, apresentou os principais eixos do plano para o novo ano, sublinhando a importância de continuar a afirmar a Braga Ciclável como uma voz ativa na promoção do uso quotidiano da bicicleta, na defesa da segurança rodoviária e na construção de uma cidade mais acessível, saudável e sustentável para todos.

O Plano de Atividades 2026 mantém uma forte aposta nas aulas mensais de iniciação à bicicleta, dirigidas a quem quer começar a pedalar em contexto urbano, bem como na participação regular nas Assembleias Municipais, levando as preocupações e propostas de quem anda a pé, de bicicleta e em transportes públicos aos espaços de decisão. Continua também a colaboração com o Diário do Minho, através de artigos de opinião assinados por associados e convidados.

Ao longo do ano estão previstas várias iniciativas abertas à comunidade, como a Kidical Mass, o Braga Cycle Chic, passeios temáticos, a Semana Europeia da Mobilidade, tertúlias sobre mobilidade urbana e novas temporadas do podcast da Braga Ciclável.

O plano agora aprovado reflete o trabalho coletivo da associação e a vontade de envolver cada vez mais pessoas na transformação da cidade. A Braga Ciclável acredita que Braga pode e deve ser um território onde a bicicleta é uma opção segura, confortável e natural — e convida toda a comunidade a acompanhar e participar nas atividades ao longo de 2026.

 

é chover no molhado…

paulofski @ na bicicleta

Publicado em 23/01/2026 às 12:03

Temas: 1 carro a menos a chuva não atrapalha a gloriosa bicicleta à chuva bicicleta bike to home bike to work ciclismo ciclismo urbano ciclistas urbanos do Porto ciclo chico dicas fotografia fotopedaladas mobilidade mobilidade-urbana motivação no meu percurso rotineiro pr'o trabalho outras coisas pedaladas no inverno Ride Your Workout

… dizer que o tempo está horrível, mas lá vem o convicto ciclista urbano. Enquanto outros reclamam da chuva, do trânsito, da vida, ele sorri e sai a pedalar debaixo do dilúvio, porque – como bem sabe – para o ciclista não há mau tempo, só mau equipamento. Assim, entre pingos e vento, transforma a tempestade num passeio ao sol… ou pelo menos numa boa desculpa para comprar mais um casaco impermeável.

e nada de gozar com as capas dos sapatos, tá!?
 

Porque continuo a andar de bicicleta em Braga

Rafael Remondes @ Braga Ciclável

Publicado em 17/01/2026 às 8:00

Temas: Opinião Bicicleta Braga Ciclovias condições infraestrutura motivos Países Baixos Rafael Remondes razões


Comecei a usar a bicicleta em 2017, no dia em que me cansei de fazer um percurso mínimo de carro para ir trabalhar. Eram apenas cinco quilómetros entre a casa e a Estação de Braga, de onde seguia para o Porto. Porque comecei? Porque o trânsito me cansava, porque tinha de pagar estacionamento e porque fazia pouco sentido para mim usar o carro a uma distância tão curta. Já tinha adquirido o hábito da bicicleta quando vivia nos Países Baixos e decidi arriscar novamente, em Braga. Desde então, muita coisa mudou na minha rotina quando passei a trabalhar remotamente, mas a bicicleta manteve-se como hábito.

Hoje olho para a cidade e noto algumas mudanças. Vejo mais pessoas a andar de bicicleta: estafetas, estrangeiros, jovens e, com especial agrado, cada vez mais pais a levarem os filhos para a escola. Outras coisas, no entanto, pouco mudaram. Existem mais ciclovias, mas são desconexas, obrigam a constantes ginásticas de montar e desmontar e, muitas vezes, a optar pelo caminho mais longo. Há mais lugares de estacionamento para bicicletas, mas ainda são poucos. Os buracos nos percursos continuam a aparecer.

Se as condições não melhoraram significativamente, porque continuo a andar de bicicleta? Porque há mais gente a fazê-lo? Porque, apesar de tudo, se as condições para andar de carro já não eram boas, pioraram, e muito. A infraestrutura rodoviária é praticamente a mesma de há quase dez anos, mas o número de carros aumentou muito além do espaço disponível. O piso está desgastado, é frequente haver filas para entrar e sair da cidade, acidentes que agravam ainda mais o congestionamento e há cada vez menos estacionamento.

Continuo a andar de bicicleta em Braga porque, na maioria dos trajetos curtos que faço, é mais rápido do que o carro. Tenho sempre onde estacionar e o trânsito raramente me afeta. Gostava que a rede ciclável fosse melhor? Sem dúvida. É por isso que, na Braga Ciclável, lutamos todos os dias por melhores condições. Mas sei que, se optasse pelo carro para percorrer três quilómetros e passasse vinte minutos entre filas e procura de estacionamento, estaria muito pior.

 
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