Rumo ao Alqueva: entre cafés e uma surpresa

João Bernardino @ Aventuras na cidade e Afins

Publicado em 31/12/2013 às 0:24

Temas: Alqueva Amieira Bicicleta Bicicultura Crianças Oriola Portel touring Viagens

Gostamos de parar para café. É pelo hábito do café, mas, quase inconscientemente, é também uma forma observar e sentir o local. Ver e ouvir as pessoas que ali fazem rotina apura-nos a sensibilidade sobre os traços locais. Na paragem para café constrói-se a memória futura do sítio, através dos pequenos pormenores que se observa, ouve e cheira. Pequenas conversas com curiosos por vezes abrem abrem um mundo de história. Parar para café é uma forma de, em 5 minutos, perscrutar o passado e a envolvência do sítio por onde se passa.

Não sei explicar bem, mas estas impressões recolhidas na paragem para café parecem ser mais apuradas quando se vai de bicicleta. Acho que por um lado tem a ver com transição mais directa do veículo em que nos deslocamos para o local onde vamos parar. Ao chegar de bicicleta, já estamos a ouvir, cheirar e ver o local, sem obstáculos. A possibilidade de estacionar o veículo mesmo em frente ao local onde vamos parar (como acontece com os carros, mas só nos filmes) também ajuda a essa transição mais suave. A redoma do automóvel coloca uma barreira a estas sensações iniciais, e em muitos locais comporta a ansiedade da procura de estacionamento. Por estes motivos, diria que a bicicleta enaltece ainda mais a experiência do parar para café.

Depois de levantarmos o acampamento, pedalámos 5 km até Oriola, uma simpática aldeia na margem da barragem do Alvito. Fomos ver o local, fazer compras, e beber café. Parámos num supermercado daqueles que têm um pouco de tudo, desde objetos de decoração para a casa que parecem ter estado a decorar o supermercado ao longo da última era, até um balcão e mesas para café à saída. O senhor do estabelecimento fazia tudo, entre a caixa do supermercado, serviço no balcão dos queijos e enchidos, e atendimento no café. Era uma manhã de Sábado de Verão e havia clientela para os vários serviços. Enquanto esperávamos, aproveitámos para perscrutar o local. O Vasco, lá fora no Croozer, aproveitava para pôr o sono em dia. Apesar de não termos visibilidade direta para as bicicletas, a presença constante dos locais deu-nos confiança suficiente para o deixar lá fora.

Depois pusémo-nos a caminho de Portel, a 14 km, onde iríamos almoçar. É mais uma vila alentejana bonita, onde demos uma volta, visitámos o castelo, o museu local e parámos para mais um café e bolos locais.

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Museu da Freguesia - Portel
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Castelo de Portel

Faltavam mais 20 km até à Amieira, uma aldeia encostada ao Alqueva que por acaso também é o principal ponto de turismo da grande albufeira. Não ia ser uma viagem completamente tranquila, tendo em conta o tempo que tínhamos para encontrar um local para dormir antes do anoitecer. Percorrê-mo-lo de uma vez. Fazer este tipo de distância a uma média de 15 km/h nem sempre era fácil por causa da possibilidade dos miúdos se aborrecerem ou terem outras necessidades. Mas tudo se tornava mais simples quando eles adormeciam, o que normalmente é trigo limpo quando são embalados pelo Croozer. Eles adormecerem em viagem é um dois em um: uma viagem tranquila para os pais, e uma sesta repousante para os filhos.


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Estrada R384- à sombra a descansar um pouco da subida...

Chegados à Amieira, parámos para comer e inquirir os locais acerca de sítios para pernoitar. Fomos tratados como reis pelo dono do estabelecimento, apesar de não ter propriamente coisas para lanchar, apenas "petiscos". Enquanto o Manuel e o Vasco comiam avidamente um prato de caracóis, um senhor da terra de ar muito humilde meteu conversa e acabou por nos ir contando uma versão muito interessante sobre os traços da Amieira, o seu povo, e o impacte que teve a barragem do Alqueva. Ao perguntar-lhe por um caminho em particular, explicou-me que poderia ter cercas pelo caminho a tapá-lo, mas que ninguém levava a mal se as abrirmos para passar. Soubéssemos isto antes, e talvez tivéssemos mesmo atravessado aquelas cercas da Ribeira de S. Brissos!

Disseram-nos que lá para baixo, junto à água, por vezes havia malta a acampar, e fomos a isso. Estávamos cansados e era perto do anoitecer. A busca de um local para ficar foi um pouco stressante. Demos algumas voltas à procura, e a partir de uma ponte vimos um local que parecia interessante numa das línguas de terra que invadem a água. Quando fomos para essa zona, ao longo de caminhos de terra em más condições, estava difícil de encontrar o local desejado, e os outros não pareciam tão apelativos. Os miúdos estavam muito cansados e queriam parar, até que decidimos deixá-los ir tomar banho no rio enquanto eu prossegui a procura. Finalmente encontrei e, apesar da fadiga, decidimos mudar de local. O sítio era perfeito, e só nos apercebemos completamente disso depois de instalados. Uma praia com pouca inclinação, bom piso para a tenda e uma visão muito bonita. Era tão bom, mas ao mesmo tempo muito diferente, do local da noite anterior na barragem do Alvito. E desta vez foi o nosso hotel de 6 estrelas tinha mesmo estacionamento à porta, porque foi fácil levar as bicicletas até à margem. Como no dia anterior, o Manuel e o Vasco brincavam junto à água ao mesmo tempo que eu e a Filipa preparávamos as coisas.

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Na albufeira do Alqueva, próximo da Amieira

Depois do jantar, mesmo antes de ir para a tenda, tivemos uma visita surpreendente. O terreno para além da área onde a água chega é totalmente preenchido por uma vegetação loura e suave que dá quase pela cintura, e que o luar iluminava ligeiramente. Enquanto conversava com o Manuel, a Filipa diz-me assustada que havia uns olhos no meio da vegetação. Primeiro olhei e pensei que fosse impressão dela porque não vi nada, mas passado um pouco vejo mesmo algo a mexer entre a vegetação, por trás das bicicletas. Era um corpo delgado com quatro patas... "É um gato!" A Filipa e o seu medo compulsivo de animais correram com o Vasco para dentro da tenda. "Saiam daí!!" "Mas é só um gato!" Observei melhor... O focinho que tinha uns olhos brilhantes a olhar para nós, parecia afinal ter a forma de outro animal. "Afinal é um cão..." Naquele instante, com o Manuel ao meu lado, meio entusiasmado e meio indeciso em alinhar pelo o ar despreocupado do pai ou o medo da mãe, tive um certo receio. O que faria ali um cão? Atrás dele virá uma matilha? Apontei-lhe a lanterna. Tinha uma cauda gigante e peluda e orelhas grandes. Era uma raposa!

Sempre ouvi dizer que as raposas eram matreiras e atrevidas. Esta aproximava-se de nós aos esses, entre a folhagem, até que chegou muito perto de nós. O Manuel eu estávamos excitados. Depois desapareceu com os nossos movimentos. Fomos para a tenda. Vestimos os pijamas, e voltei a abrir a porta da tenda. Suspeitava que ela voltasse, e tinha mesmo voltado. Ficámos a olhar. Procurava comida. Consegui tirar-lhe fotografias.
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A raposa

Aos 3 anos o Manuel viu pela primeira vez uma raposa ao vivo... ao mesmo tempo que eu, aos 32. Olhando para trás vejo este momento como um privilégio para ele, proporcionado por esta viagem maravilhosa. Quanto à Filipa, é surpreendente a coragem que teve para a fazer, acampando em sítios como este, tendo em conta o seu pequeno trauma com animais. Para ela foi um desafio superado. As bicicletas, do outro lado da tenda, esperavam para nos levar no dia seguinte.

O dia seguinte foi para descansar das emoções da noite anterior, usufruir das paisagens, da albufeira e também da comida da zona da Amieira. Soube mesmo bem!

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Paragem para café. Manuel aproveita para ver televisão, com menina local
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Construindo a "piscina"


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Passeio de barco na albufeira do Alqueva

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Restaurante "O Aficionado", na Amieira (bom!)

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A BICICLETA DE PABLO NERUDA

Humberto @ simplycommuting.net

Publicado em 19/11/2013 às 17:23

Temas: cycle of live livros

Todos os dias são forjados pela esperança de um Mundo mais livre, mais justo. Todos os dias amanhecem com o brilho das vidas dos homens que lutaram e lutam para o cumprimento do sonho da Liberdade e da emancipação. Assinala-se este ano 4 décadas da morte do poeta chileno Pablo Neruda. Dos milhões de palavras […]
 

BICICLETAS PARA A ESTRADA JÁ!

Humberto @ simplycommuting.net

Publicado em 18/11/2013 às 1:00

Temas: cycle of sighns Lisboa segurança

Tenho passado nos últimos meses, muitas horas ali para os lados do Terreiro do Paço. Volta não volta e estou de plantão à porta do Ministério da Troika à espera que mais um rol de maus presságios escorra dos gabinetes, desça pelos microfones e se abata sobre o nosso futuro. Pela porta da rua entra […]
 

Aufsteigen, bitte!

Humberto @ simplycommuting.net

Publicado em 11/11/2013 às 17:35

Temas: cycle to know Copenhaga filmes Neremberga

A Alemanha pode ser o motor da Europa por algumas boas e algumas más razões. É sobretudo um país onde se tenta fazer sempre melhor. Um país grande e diverso em que a bicicleta há tempo ganhou o estatuto de primeira escolha. Os índices de transporte urbano em duas rodas podem não ser os mais […]
 

A BICICLETA ESTÁ A PASSAR POR AQUI

Humberto @ simplycommuting.net

Publicado em 8/11/2013 às 19:34

Temas: cycle to know Amesterdão dream cycles Lisboa lojas

Está a nascer a mais fantástica loja de bicicletas de Lisboa e arredores! Tal como uma bicicleta, tem três pontos de apoio. Os pedais do projecto são a RCICLA que mudou as armas e as bagagens de Algés para a 24 de Julho. Bicicletas com personalidade, montadas ao gosto de cada cliente mas mais importante, […]
 

MENTALIDADE SEGURA

Humberto @ simplycommuting.net

Publicado em 5/11/2013 às 17:49

Temas: cycle of sighns ciclovias commuting Lisboa Marginal segurança

A segurança dum ciclista na estrada é posta em causa não pela acção concreta dos automobilistas mas sobretudo pelas ideias de segurança que tem a grande maioria dos automobilistas. Eu explico. É legítimo um automobilista, ou qualquer outra pessoa, achar que quem pedala na estrada põe em risco a própria segurança, e até a segurança […]
 

Grande sexta

@ MA FYN BACH

Publicado em 4/11/2013 às 11:45

Temas: warmshowers

Sexta-feira passada foi uma sexta em cheio!

Saio de manhã de casa com os meus 2 filhos. O Gugas ia na sua bicicleta e a Mariana na pasteleira da Cristina (deixei em casa a long-tail). Comigo iam também um casal de suíços, o Luc e a Valérienne, meus hóspedes WarmShowers durante umas noites, cada um na sua bicicleta que são a sua casa nos últimos 2 anos

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Esta escolta toda foi deixar a Mariana na sua escolinha. Que festa!

Seguimos de novo em parada para a escola do Gugas onde já pode deixar a bicicleta presa lá dentro. Seguimos depois para Algés. 

Fomos ao longo do rio a conversar, comigo a dar umas dicas sobre Lisboa. Tive um furo! Mesmo em frente da bomba de gasolina. Quis pôr a câmara de ar suplente que tinha mas reparei que tinha válvula Presta e não Schrader. Não tinha o adptador comigo e na bomba também não.

Remendei a câmara de ar e seguimos. Afinal havia mais furos....ainda consegui chegar a Alcantâra onde perguntei ao pessoal da SlowFastcycles se tinham o adaptador. Sim, tinham e comecei a substituição da câmara de ar ali mesmo. Disseram-me para usar a oficina deles. Ok...lá pus a bicicleta no suporte e utilizei ferramentas a sério em vez do meu mini-kit. Substitui a câmara de ar, reparei numa pequena folga no cubo e enchi o pneu. Ficou fino e não me deixaram pagar! Já me conheciam de passar por lá todos os dias com "aquela bicicleta com o skate atrás!" ;o) 5 estrelas. 

Continuámos. Eu fiquei por Santos e subi a D. Carlos até à Assembleia da República para a manifestação, eles seguiram para a Baixa. 

Da manif segui com os meus colegas para o nosso posto de trabalho. Recebo a notícia de que a minha entrevista para o Sexta de bicicleta saiu no P3

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Volto para casa, recolho o Gugas na escola e vamos a pedalar até à oficina comunitária de Linda-a-Velha. Apanhamos o Eduardo por lá e verificamos o estado do cubo. Abrimos, limpámos, pusémos massa e voltámos a fechar. Está perfeito! 

Ultimamos os pormenores para a festa da bicicleta de domingo e sigo.

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Já em casa jantamos com a minha avó que faz anos e passamos o serão a conversar com o Luc e a Valeriénne sobre viagens de bicicleta...


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Fotografia da CenasaPedal


 

Kamishibai

@ MA FYN BACH

Publicado em 28/10/2013 às 15:35

Temas: bike advocacy projecto comunitário promoção bicicleta utility biking

No próximo domingo vamos fazer uma festa em Linda-a-Velha para relançar o projeto de mobilidade suave ciclo-via.org. 

Vamos relançar as cicloficinas, as ciclocozinhas, as massas miúdicas, queremos fazer bike-buses para os escuteiros e escolas, cursos de condução, passeios temáticos, trabalhar em conjunto com a Junta de Freguesia para melhorar as condições para a utilização da bicicleta na nossa terra. 

 Vai ser uma tarde em cheio, para graúdos e miúdos.

Mas para isso acontecer TENS que aparecer!

(evento no FB)


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Uma das surpresas será a apresentação de um teatro Kamishibai por um casal de palhaços ciclistas ingleses.

Kamishibai (紙芝居), que traduzido do Japonês quer dizer "drama em papel", é uma forma de contar histórias que data do séc. XII. Monges budistas japoneses usavam emakimono (rolos de papel) para contar histórias com lições morais para uma audiência maioritariamente iliterada. 

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Esta forma de contar histórias perdurou no tempo durante séculos, mas foi durante a recessão dos anos 20 do século passado que teve o seu apogeu. A necessidade de ganhar alguns trocos fazia com que contadores de histórias Kamishibai (gaito kamishibaiya) andassem de aldeia em aldeia com um pequeno palco montado sobre uma bicicleta. Utilizava dois pedaços de madeira chamados hyoshigi para anunciar a sua chegada. As crianças que lhe comprassem guloseimas ficavam sentados nos melhores lugares da plateia. ;o)

Assim que a audiência estava bem composta, o contador de histórias encenava uma peça composta por vários cartões ilustrados que ele ia retirando do palco. As histórias normalmente tinham sequência para que prender a audiência até que este voltasse à aldeia. Em 1950, com o aparecimento da TV este modo de contar histórias foi se tornando obsoleto até que um recente revivalismo fez com que seja muito utilizado em bibliotecas e escolas japonesas para contar contos e ensinar filosofia. 

Simples e bonito...tal e qual a bicicleta!


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Rolar a par

Cátia Vanessa @ encontros

Publicado em 28/10/2013 às 14:14

Temas: código da estrada litoral alentejano viagens

Durante a viagem das férias de verão, depois de atravessar os lindos arrozais entre a comporta e o carvalhal, e já na estrada, passa repentinamente por mim um ciclista numa estradeira. Hello, diz-me ele. Eu ia absorto com os meus pensamentos e, após um sobressalto inicial, fiquei picado e decidi que não o deixaria fugir. Apanhei-lhe a roda e assim seguimos por uns poucos quilómetros. Depois de alternarmos de posição uma ou duas vezes, o peso e os pneus cardados da minha bicla começaram a dar-me sinal de que não poderia prosseguir naquele ritmo.

Acenei ao X em jeito de despedida e abrandei. Para minha surpresa, ele abrandou também e colocamo-nos a par. Ele disse-me qualquer coisa em inglês, ao que eu lhe respondi igualmente nesse idioma. No entanto, percebi que essa não era a sua língua materna. Afinal era português, só que partira do princípio que nenhum nativo viaja sozinho de bicicleta. De facto, aos olhos de muitos amigos, ainda passo por "fanático das bicicletas". Parece que eu fazer de bicicleta os meus percursos do quotidiano, em vez de os fazer de carro, como muitos, me qualifica dessa forma. Serão eles fanáticos do carro?

Depois de esclarecermos a questão da nacionalidade de cada um, prosseguimos lado a lado, em amena cavaqueira, por aquela estrada pouco movimentada. Ele estava de férias na região, e fazia a sua voltinha matinal. Eu estava de passagem, nas primeiras de algumas horas de viagem.

Naquele dia, como o X repetia o percurso de vários outros dias, eu fui uma quebra na sua rotina. Uma variação por entre as mesmas curvas e as mesmas subidas. Em comum, apenas o facto de nos deslocarmos em 2 rodas não motorizadas, permitindo-nos a disponibilidade para contactarmos com o que nos rodeia.

Durante cerca de uma hora, até à vila de Melides, falámos de variadíssimos assuntos. Um dos que veio a baila foi precisamente as alterações ao código da estrada, que tinham sido aprovadas uns dias antes. Entre outras regras, passou a ser permitido rolar lado a lado porque, de facto, esse tipo de formação protege os ciclistas em diversas situações.

Naquele dia, pude verificar que além de ser mais seguro, é muito mais agradável. Das poucas dezenas de carros que passaram por nós, apenas um protestou por o termos atrasado uns poucos segundos. Há uns meros 3 ou 4 anos, penso que esse mesmo condutor não seria a excepção. As mentalidades mudam, e os decretos legislativos são apenas um pequeno passo, de muitos que ainda é necessário dar para que, um dia, já não pareça estranho um tuga a viajar sozinho de bicicleta, no seu próprio país.
 

VILAR BACANA (recuperada)

LOBO @ OS CLÁSSICOS DO LOBO

Publicado em 28/10/2013 às 14:08

Temas: Bicicletas Bicicletas Antigas Bicicultura Vilar Bacana

 
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