Ir para o trabalho de bicicleta - Medida 14

@ Plano C

Publicado em 15/01/2013 às 18:13

Temas: bicicleta ciclismo cidade ecologia entrevista filhos

No meio de um artigo com 60 medidas para poupar em 2013, apareceu isto:

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in Jornal Expresso, edição de 29 de Dezembro de 2012.
 

BASTA de atropelamentos! Manifestação Nacional

@ Plano C

Publicado em 8/01/2013 às 11:45

Temas: bicicleta cidadania mobilidade

A falta de respeito pelos ciclistas, que se traduz em velocidade excessiva, ultrapassagens feitas sem deixar uma distância de segurança, não respeito da pouca prioridade que as bicicletas têm, etc, etc, tem gerado cada vez mais acidentes, alguns com fins trágicos.

Com o aumento do ciclistas, sobretudo nas cidades, era esperado um aumento de acidentes com ciclistas.
A segurança nos números existe, ou seja, quanto mais ciclistas formos, mais visibilidade temos e mais respeitados somos. A segurança "estatística" melhora, por Km percorrido, mas o número de acidentes em números absolutos aumenta.

Para o condutor do automóvel é mais uma amolgadela na chapa, mas para os ciclistas é muito mais do que isso.
Os ciclistas têm voz e não querem juntar-se ao peões, que "morrem que nem tordos", passo a expressão, e continuam a aturar todo o tipo de falta de respeito como carros estacionados nos passeios, falta de respeito pelas passadeiras, velocidade excessiva, etc, etc.

Porque os ciclistas são muitos e querem usar as vias onde - mesmo com este código da estrada do 3º mundo - têm direito a estar e circular, no próximo dia 19 de Janeiro terá lugar uma manifestação nacional para alertar para este assunto.

Fica o cartaz de Lisboa, mas há mais cidades por todo o país também haverá manifestação.

ManifBiclas.png

 

A palavra passa

@ Plano C

Publicado em 20/12/2012 às 11:38

Temas: bicicleta BTWD foto mobilidade

Não ando de bicicleta todos os dias, infelizmente não.
Ando sempre que posso, ou seja, sempre que a bicicleta serve para a deslocação que pretendo.

Promovo a bicicleta todos os dias, isso sim.

No que diz respeito ao meu local de trabalho, aos poucos fiquei conhecido como o ciclista do dia a dia. Acho que há quem pense que venho sempre de bicicleta, coisa que faço questão de esclarecer que não faço.
Não o faço sobretudo por não ter disponibilidade para encaixar os 50+50 minutos que precisaria - não que não valham cada minuto, mas porque os meus dias são muito pequenos para tudo o que ando a encaixar nas 24h que ele tem. É uma desculpa das típicas - "ah e tal, não tenho tempo", mas o meu caso/trajecto está fora do trajecto típico/ideal para utilização de bicicleta, ou seja < 10 km. O meu é de 16km.
Inicialmente fazia o trajecto com recurso ao comboio, mas depois deixei o comboio pois, além de caro, não poupava muito tempo (acessos aos apeadeiros, esperas, etc).

Recentemente defini um objectivo de usar a bicicleta para ir trabalhar uma vez por semana, mas até esse "pequeno" objectivo tem falhado. Falhei as duas últimas semanas, mas nesta ainda vou a tempo - amanhã é o dia!

Regressando ao tema do post, esta promoção tem dado os seus frutos, por vezes directamente, outras indirectamente, mas alguma coisa vai ficando.

No meu local de trabalho, em termos de instalações, fiz pressão para que houvesse um lugar apropriado ao estacionamento de bicicletas na garagem do edifício. Quando comecei a usar a bicicleta os seguranças da garagem diziam que não se responsabilizavam pela bicicleta (dah!) e costumava prendê-la a secretárias de metal desmanteladas. No meio da pressão cheguei a enviar fotos da bicicleta presa a um monte de sucata para o responsável pelo estacionamento, perguntando se era assim que tinha que ser.

O assunto resolveu-se e instalaram-se suportes (manhosos) para prender 10(!) bicicletas num lugar de estacionamento de um carro. Foi uma pequena vitória.

Hoje, tenho dois colegas que usam regularmente a bicicleta para irem trabalhar. Um deles, por acção/melganço meu :), outro, com milhares de km's nas pernas, começou a vir e surpreendeu-me, tendo em conta o discurso dele face à mobilidade de bicicleta em Portugal, quando falávamos no assunto. Talvez fosse ficando qualquer coisa! :) Este último usa o ginásio, que está mesmo ao lado, para tomar banho, antes de ir trabalhar.

Curiosamente, no meu trajecto para o trabalho, passo à porta de casa dos dois. Usamos a mesma rota, o que tem contribuído para que a mesma tenha sido optimizada, com a partilha de experiências e "atalhos". Um faz 10 e o outro faz cerca de 14 km, para cada lado.

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[Lugar de estacionamento com "as outras duas" bicicletas]

Assim, no meio de cerca de 300 carros (a média deve ser 1,05 pessoas por carro), há duas ou três bicicletas, 1%. É pouco, mas é uma vitória!

A palavra passa e quem experimenta, fica convencido.

 

Pedalar é mesmo no meio da estrada - A Lei

Pedro M. Fonseca @ Pedalar na Cidade

Publicado em 18/12/2012 às 17:45

Temas:

Uma das críticas mais comuns dos automobilistas em relação aos ciclistas é "circulam no meio da estrada". Com isto pretendem dizer que os ciclistas atrapalham o tráfego, pois deveriam circular junto à berma, permitindo a passagem mais fácil de automóveis, na mesma via.

Uma das bases para esta ideia é o conhecimento que genericamente existe de uma norma do Código da Estrada que indica que todos os veículos devem circular o mais à direita da faixa de rodagem. Genericamente, considera-se que uma bicicleta deveria então circular a, digamos, uns 20cm da berma. Na verdade, esta ideia está apenas parcialmente certa pois falta o remanescente do que na verdade indica o

Art. 13.º do Código da Estrada:
1. O Trânsito de veículos deve fazer-se pelo lado direito da faixa de rodagem e o mais próximo possível das bermas e passeios, conservando destes uma distância que permita evitar acidentes.

 Ora aqui está o segundo elemento desta norma que permite perceber que a obrigação de circulação o mais próximo possível das bermas e passeios tem uma limitação que é casuística, pois tem que ser conservada uma distância que permita evitar acidentes. Aliás, é muito comum que os automóveis façam o mesmo e circulem a uma distância segura da berma quer seja nas cidades quer em vias rápidas.

E que acidentes são esses, que se pretende evitar? Como às vezes uma imagem vale mil palavras, veja-se um desenho de Bekka Wright, no seu site Bikeyface:

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Lembremo-nos que um ciclista conduz um veículo mas continua tão frágil quanto um peão, pelo que não pode ser tratado da mesma forma que um automóvel quando circula na estrada. Deve antes ser protegido e diferenciado positivamente.

Continua....
 

Crianças atropeladas dentro da escola? Culpa delas!

Pedro M. Fonseca @ Pedalar na Cidade

Publicado em 14/12/2012 às 18:24

Temas:

A auto-sociedade é uma doença e nem crianças estão a salvo

Repare-se nesta notícia de um atropelamento de duas crianças de oito anos dentro de uma escola. Sim, um automóvel atropelou duas crianças dentro do recinto escolar, onde é suposto estarem a salvo destas bestialidades. Mas a notícia não se fica por aí., porque há-que perceber o que é que aconteceu, apurar alguns factos.

Segundo a Lusa, o acidente "envolveu uma viatura que fazia marcha atrás". Ora daqui poderíamos começar a pensar que provavelmente, sendo esta manobra considerada como "perigosa" pelo Código da Estrada e estando o condutor a conduzir dentro de uma escola, onde, se bem me recordo, é rica em crianças desvairadas de todas as idades, poderíamos pensar, dizia, que o condutor não tinha tomado o devido dever de cuidado. E daí ter resultado o dito atropelamento que causou "um traumatismo craniano grave" numa das crianças.

Mas não. Informa-nos a notícia que o condutor da viatura era o fornecedor de pão da escola (assim se justificando a sua presença) e que não estava alcoolizado. Mas se não estava alcoolizado, o que o terá levado a atropelar duas crianças de oito anos? A tal omissão de dever de cuidado extra de quem conduz uma máquina em marcha-atrás dentro de um recinto escolar? Nada disso. Ao que nos é dito, "as crianças estavam a brincar sem ter em atenção a presença da viatura". Cá está, a culpa foi encontrada! As crianças de oito anos brincavam em total desrespeito pela presença de uma viatura dentro do recinto escolar, colocando-se na sua retaguarda no momento em que esta resolveu recuar como é de direito.

Essa ideia de brincar em desatenção da presença dos automóveis dentro de uma escola é manifestamente inaceitável e tem que ser combatida. Proponho desde já a criação de programas a serem implementados por esse país fora, a ensinar as crianças de oito anos a comportar-se dentro do recinto escolar. Só assim podemos parar esta chaga de se atirarem para cima de carros que circulem em marcha-atrás, ferindo-se gravemente.
 

Noomad: para o nómada urbano

E. @ Planeta Q.I.

Publicado em 14/12/2012 às 12:49

Temas: bicicleta Noomad



O sistema Noomad é um kit de dupla roda dianteira que se instala numa bicicleta (seja com um quadro dobrável, reclinável ou convencional), dotando-a de maior estabilidade e segurança. O duplo rodado é paralelo e mantém-se sempre na vertical, tendo um sistema de articulação muito semelhante aos triciclos de duplo rodado dianteiro da Piaggio. O sistema permite ainda criar um espaço de carga na dianteira do velocípede, tornando o sistema próprio para diversos usos citadinos - desde compras a correio, entregas, transporte de objetos e pessoas, etc. Naturalmente, o terreno de eleição é a cidade.

A Noomad igualmente vende bicicletas completas.

Finalmente, o preço do kit para aplicar numa bicicleta convencional: o sistema de rodado 18" começa nos Eur 441,65, depois existe um sistema de roda 20" e rodas em alumínio que custa Eur 471,90 e finalmente o sistema com rodas de carbono custa Eur 797,39.

A boa notícia: já é vendido em Portugal, pela Cenas a Pedal.
 

Inverno e fazer-a-vida-de-bicicleta?

@ Plano C

Publicado em 10/12/2012 às 11:15

Temas: bicicleta BTWD mobilidade veloculture viver a rua

Claro, e as provas vão aparecer!

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Participa, aqui.
 

Isto pode ser confundido com arte...

@ A Cova da Onça

Publicado em 9/12/2012 às 22:34

Temas: fotos

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Ciclovia na Av. da Liberdade - A análise holandesa

Pedro M. Fonseca @ Pedalar na Cidade

Publicado em 5/12/2012 às 15:45

Temas:

A Holanda é conhecida e reconhecida pela aposta na utilização da bicicleta como modo de transporte ideal dentro das cidades. No passado dia 17, estiveram em Lisboa dois representantes da Dutch Cycling Embassy, para uma conferência de partilha da experiência e conhecimento holandês no planeamento e gestão de tráfego direccionado à inclusão da bicicleta. Essa partilha foi feita através da coordenação de grupos de estudo de representantes nacionais de entidades interessadas.

Este é um documento muito relevante, dado que os especialistas mencionam erros já antes identificados pelos ciclistas e suas associações relativamente ao desenho e integração de ciclovias já construídas no espaço urbano pela Câmara Municipal de Lisboa (que esteve representada).

Abordo aqui especificamente críticas directas à solução encontrada para a inclusão das ciclovias na Avenida da Liberdade. Recorde-se aqui que essa solução já tinha sido criticada pela MUBi, crítica essa desvalorizada pelo Vereador dos Transportes, Fernando Nunes da Silva.

       Nota ao conteúdo da notícia acima linkada: O vereador não pode lavar as mãos da solução encontrada com o argumento "...é um problema entre duas associações". A discussão de diferentes opiniões e argumentos são naturais e desejáveis, mas é à Câmara Municipal que cabe tomar decisões fundamentadas com base nos seus próprios técnicos e pareceres. Se a CML optou pela solução de ciclovia no meio da avenida, partilhada com a faixa do BUS, é porque acredita ser a melhor opção e tem que o justificar.

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Proposta da CML para a nova configuração da Av. da Liberdade

E o que concluiu o grupo de estudo coordenado pela Dutch Cycling Embassy, quanto à solução proposta para a Avenida da Liberdade?

  • Que a solução BUS + BICI não é muito segura nem confortável para os ciclistas. Foi analisada a possibilidade de implementação de Pistas Cicláveis, mas verificou-se que, para serem implementadas, implicam a alteração do desenho da avenida, o que não é possível, dado ser uma zona de identidade histórica preservada. Essa solução não é, portanto, possível, pois resultaria num desenho deficiente e perigoso (ou seja, se não é possível fazer bem, não se faz). 
  • A hipótese de utilizar as faixas laterais em toda a sua extensão, é admissível, mas carece de estudo a forma como são feitas as intersecções nos cruzamentos. Neste caso, a via poderia ser bidireccional apenas para bicicletas, aproveitando uma das faixas que agora é atribuída a estacionamento.

Ou seja: A Ciclovia no centro da Av. da Liberdade não merece a aprovação de quem tem conhecimento e experiência, afigurando-se perigosa para os utilizadores.

Pretender a CML atirar os ciclistas à força para uma zona insegura é inaceitável. Mantendo-se a via central sem ciclovia, os ciclistas mais audazes poderão sempre lá passar. Mas certamente que quem é pouco confiante ou experiente tenderá sempre a usar as faixas laterais.

Apela-se portanto à Câmara Municipal de Lisboa que seja capaz de corrigir o erro e encontrar uma solução mais equilibrada com o objectivo proposto de facilitar a circulação de bicicletas neste eixo estrutural da cidade de Lisboa.

 

Pessoas não contam?

Pedro M. Fonseca @ Pedalar na Cidade

Publicado em 30/11/2012 às 0:50

Temas:




“Eu não odeio carros. É uma questão de equilíbrio. Até há uns anos atrás, as nossas ruas tinham o mesmo aspecto de há cinquenta anos. Não dá bom resultado manter algo inalterado durante cinquenta anos! Estamos a actualizar as nossas ruas para que reflictam a vida actual. E estamos a desenhar uma cidade para as pessoas e não para os carros.
Janette Sadik-Khan,  Comissária dos Transportes de Nova Iorque
Esquire, 2010
Tradução livre, da minha autoria.

Um dos problemas das intervenções rodoviárias na cidade de Lisboa é a diminuta relevância dada a quem circula nela a pé. Sabemos quantos automóveis entram e saem da cidade ou nesta e naquela avenida, todos os dias. Mas sabemos quantas pessoas passam a pé na Avenida da Liberdade? Quantas saem do Metro do Marquês? Quantas atravessam as passadeiras do Rossio? Quanto tempo demoram a fazê-lo? Qual a média de pessoas/dia no Jardim do Campo Grande?

Se a estatística dos movimentos de pessoas não é considerada nas decisões, como podem elas identificar e resolver verdadeiramente os problemas? Aliás, sem esse estudo, nem nunca chega a existir qualquer problema.

A grande maioria dos estudos nas cidades incide sobre o Tráfego automóvel, o que é sinal de que ainda não se percebeu que o paradigma mudou e que a nossa atenção não deve incidir sobre os automóveis, mas sobre o movimento das pessoas sem os mesmos. As notícias falam sempre em "milhões" quando se referem aos passageiros de transportes públicos, mas depois parece que a existência destas pessoas deixa de ser considerada, mal saem deles.

Ainda recentemente, ocorreu uma alteração drástica no Marquês de Pombal. Nessa intervenção, corrigiram-se finalmente erros crassos, como ser impossível atravessar a via pelo trajecto mais óbvio e curto, sendo obrigatório dar uma volta enorme, cheia de semáforos. Mas ainda assim, toda a estatística e toda a relevância noticiosa foi para o fluxo automóvel. Há agora todo o tipo de debate sobre quanto tempo se demora a passar na nova rotunda de carro, táxi e autocarro, mas nenhum sobre a perspectiva das pessoas a pé. Se o tempo de atravessamento automóvel tiver piorado um pouco mas o tempo pedonal tiver melhorado substancialmente, a intervenção pode ser considerada um sucesso.

Recomendo a leitura do artigo acima, com pontos muito interessantes, como a indicação de que quando uma praça é fechada ao trânsito ou este é severamente restringido e a área pedonal de qualidade aumenta, as pessoas rapidamente a ocupam e o comércio floresce nela.
 
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