Ao menos tu Grândola!

@ (I) Mobilidade

Publicado em 21/09/2011 às 14:18

Temas: Bicicultura dia europeu sem carros Grândola semana europeia da mobilidade

Achar notícias na comunicação social portuguesa sobre a Semana Europeia da Mobilidade é tarefa quase impossível. Imaginem achar algo sobre o Dia Europeu sem Carros. Só mesmo Grândola para derrubar estas barreiras.

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Como pode ser lido na notícia entre 08:00h e 19:00h parte do tráfego motorizado ficará encerrado na Avenida António Inácio da Cruz. Qual parte eles não dizem, mas já é um bom sinal, ou não? Não sei. Saí cedo para andar de bicicleta e o que vi foi o trânsito normal (fui informado que o dia europeu sem carros é amanhã 22/09, portanto Lisboa, ainda tem chances de redimir-se)*. Agora estou "metido" na biblioteca (local de "trabalho/estudo") de onde só sairei no fim da tarde. Só assim poderei olhar para o trânsito e perguntar-me: foi um dia sem carros? (já não preciso mais ... mas amanhã levo a máquina fotográfica para tal)*

Pelo menos para mim são quase todos. Volto depois.

Ainda temos Grândola. Até ...

* depois de um comentário amigo e muito oportuno, duas pequenas correcções ao texto que agora tem nova Versão.
 

Presidente ACP cego pelos seus valores

Unknown @ Simply...Ride!

Publicado em 18/09/2011 às 9:21

Temas: ACP bicicletas ciclovias crise mobilidade urbana

E normalmente se diz que o maior cego é o que não quer ver!

Qual é a parte da palavra "mobilidade" que este animal não percebe?! Será a "mobilidade" de tirar o presidente da camara do poleiro ou a "mobilidade" de conseguir levantar o rabo do sofá e levá-lo até ao Mercedes de 50 mil euros e de o conseguir estacionar quase quase junto à secretária????!


Acredito que nem todos os socios do ACP pensem como o srº presidente, mas uma coisa é certa.... ele defende o direito à vaca sagrada como ninguém, até numa altura em que se falam de alternativas....à "mobilidade"  , ele não desarma e continua num conflito cego, surdo e absurdo!




Noticia no jornal de negocios:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=506083
 

Fui comer um gelado à Costa da Caparica

Unknown @ Simply...Ride!

Publicado em 17/09/2011 às 22:58

Temas: bicicleta bike ciclovias costa da caparica

Hoje foi dia de ir comer um gelado à praia. Foi um belo fim de tarde onde deu para encher as vistas de bikes! Mesmo sabendo que é na praia, há a ciclovia no paredão e que as pessoas só tiram as bicicletas da garagem ao fim de semana, é de dar valor que nem que seja só ao fim de semana ...usam-nas!
Isto é uma pequena amostra das que ia apanhando....mas havia mais! muuuuito mais!

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O presidente do ACP ou está a precisar de trocar os óculos ou a reaprender a matemática

@ (I) Mobilidade

Publicado em 17/09/2011 às 20:48

Temas: ACP Bicicultura Ciclovias

Este é só para o dia não passar em branco. Ainda não achei notícias relevantes sobre a Semana Europeia da Mobilidade nos 4 diários principais, e já estendi as buscas aos semanários. Bem, dizer que não achei foge um pouco do que aconteceu. Achei sim, mas como poderá ser percebido pela data relacionada à notícia, esta é de ontem.
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Depois volto e escrevo o que acho a respeito destas iniciativas, por agora quero dizer que fui até o El Corte Inglés e vi, "in loco" a ciclovia que retirou o espaço de 500 carros estacionados.

O que eu posso adiantar é que, com base no que vi, ou o presidente do ACP precisa mudar os óculos, pois o que está a usar faz com que veja os carros muitos, mas muito mesmo, pequeninos, ou então ele deve voltar para a escola e reaprender a fazer contas...
 

Começa a Semana da Mobilidade, mas onde estão as notícias?

@ (I) Mobilidade

Publicado em 16/09/2011 às 11:37

Temas: Bicicultura Cascais veículos eléctricos

Hoje pela manhã a única notícia que consegui achar, entre os 4 jornais "online" (DN, JN, Correio da Manhã e Público), foi esta.
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Nem relacionada a mobilidade está, mas vale ("link" para a notícia). A junção destes dois elementos,  a bicicleta e o motor eléctrico, poderia impulsionar a mudança de paradigma da mobilidade urbana, se houvesse interesse por parte do governo, que legisla, e da indústria que fabrica.

Mas a indústria automobilística, que é a maior indústria associada a mobilidade, tem apostado nos carros eléctricos, e o governo português - pelo menos o governo passado - também, vide os incentivos propostos.
O conceito do carro eléctrico, pelo menos os que já estão disponíveis, só altera a forma de propulsão. Saiu o motor a combustão interna, que utiliza combustível fóssil - enquanto o biocombustível ainda é uma alternativa complicada - substituído pelo motor eléctrico, que é mais eficiente em termos de aproveitamento da energia disponível mas tem uma grande deficiência na forma como esta energia é armazenada. As baterias ainda são pesadas, caras e armazenam quantidades insuficientes para grandes deslocamentos. Sem mencionar que para produzir energia eléctrica em sua maior parte, com poucas excepções, utiliza-se combustíveis fósseis.
Fora esta alteração o carro continua praticamente o mesmo, se é que não aumentou de tamanho, o que para a mobilidade urbana nada modifica. Ele continua a utilizar um espaço enorme (insano se pensarmos como o ambiente urbano se encontra) para deslocar,quase sempre, uma única pessoa.

Em comparação uma bicicleta em andamento ocupa, praticamente, o mesmo espaço que uma pessoa ocupa. E a mesma bicicleta parada ocupa menos espaço que duas pessoas sentadas ocupariam - meçam a área ocupada pelos bancos disponíveis em nossas praças e passeios e comparem com a área que a bicicleta parada utiliza. Acrescente a esta equação a utilização de um motor eléctrico - normalmente auxiliar já que a propulsão principal ainda é realizada ao pedalar - e a produção de energia eléctrica através de métodos renováveis - painéis fotovoltaicos ou ainda aerogeradoes (tem hífem?).

Seria utópico pensar num modelo de bicicletas partilhadas a utilizar estes elementos? Chegar ao Cais do Sodré de comboio e subir até o Saldanha em pouco mais de 10 minutos e deixar a bicicleta num ponto de partilha, onde esta ficaria a carregar a bateria até a próxima utilização.

O primeiro passo pode ser dado pelo novo governo. Para isto bastaria equiparar a bicicleta ao demais veículos, assim esta receberia os benefícios fiscais concedidos aos compradores de veículos eléctricos. Para já o (I)Mobilidade tem outra tarefa, verificar como está a funcionar as Bicas eléctricas...



 

Ainda estamos presos ao séc. XX

@ (I) Mobilidade

Publicado em 15/09/2011 às 11:46

Temas: ACP Bicicultura Ciclovias Lisboa

Como escrito no "post" anterior, nós do (I)Mobilidade estaremos atentos às notícias emitidas com foco na mobilidade. Bem, não era de todo verdade uma vez que a palavra "emitidas" pressupõe ao leitor o entendimento de que estaríamos atento às noticias da televisão ou do rádio e, para ser sincero eu que agora escrevo, não vejo um e pouco escuto o outro.
Mas acompanhamos os jornais, que é fonte de informação para boa parte dos portugueses. Infelizmente é uma fonte que tem degradado-se ao longo do tempo e actualmente, principalmente em sua versão "online", tem informado cada vez menos, se isto é possível.
Escrita a introdução, vamos ao assunto. Eis que escrevem as primeiras, ou diria melhor primeira já que são iguais, notícias sobre a mobilidade. Antes mesmo do início da Semana Europeia da Mobilidade temos no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias a "ilustríssima" fala do presidente do ACP. Este senhor no afã de defender o seu ponto de vista volta a meados do século passado onde a percepção de mobilidade urbana era o uso do automóvel. Será que ele não vê que as cidades ou, no caso específico da notícia, a cidade de Lisboa não comporta mais carros. O espaço físico, que deve ser partilhado por todos, foi tomado pelo automóvel e quando ocorre uma "retoma" deste espaço este senhor "encoleriza-se" e "pede a cabeça" do presidente da câmara de Lisboa.
No "mote" da notícia está a supressão de "500 vagas de estacionamento", se o número for verdadeiro, para a "construção" de uma ciclovia.

Nós do (I)Mobilidade não podemos avançar com maiores comentários sobre o assunto, mas iremos ao local para averiguações e feita o reconhecimento voltaremos...
 

Semana Europeia da Mobilidade 2011

@ (I) Mobilidade

Publicado em 13/09/2011 às 15:33

Temas: Bicicultura Mobilidade

Depois de tanto tempo longe deste "blog" nada melhor para marcar a retoma das actividades do que a "Semana Europeia da Mobilidade 2011". Com o tema "Mobilidade Alternativa" a semana que inicia na próxima sexta-feira (16 a 22 de Setembro) será a 10ª edição desta iniciativa que pretende sensibilizar a sociedade europeia aos problemas da mobilidade, principalmente da mobilidade urbana.
Como dito pelo Comissário para os transportes na UE, Siim Kalas, "Actualmente, as nossas cidades sofrem demais com o congestionamento de tráfego, a má qualidade do ar e a exposição ao ruído.". O tema deste ano vem ao encontro da iniciativa 20/20/20 que tem como meta a redução de 20% da emissão de gases de efeito estufa, um aumento em 20% da eficiência energética e uma quota de energias renováveis de 20% do consumo total de energia. Esta meta deverá ser alcançada pelos países comunitários até 2020.
O (I)Mobilidade vai procurar acompanhar as iniciativas locais, que como já publicitado pela CM de Oeiras será a iniciativa "Marginal sem carros". Por três! horas o troço da marginal entre Caxias e a praia da Torre será encerrado ao tráfego automóvel. Vejamos como correrá a semana e as notícias que serão emitidas...



 

«Um dia passo a ir trabalhar de bicicleta. Hoje é o dia!»

mmmim @ I Bike Lisbon

Publicado em 3/09/2011 às 18:00

Temas: as seen on news bike to work


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Ligação para a reportagem de Ricardo Martins Pereira para a Revista SÁBADO, com fotografia de Raquel Wise.

Pegámos numa bicicleta com 30 anos e problemas nas mudanças e fomos para seis dos principais bairros residenciais de Lisboa.

A reportagem incluí fotogaleria dos percursos experimentados e um breve vídeo.

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Fotografias: Raquel Wise, Sábado sabado.pt


 

Massa Critica de Agosto

mmmim @ I Bike Lisbon

Publicado em 30/08/2011 às 0:29

Temas: bicicletada

Algumas fotografias da Massa Crítica de Lisboa do passado dia 26 de Agosto.

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A propósito dos ciclistas que passam semáforos vermelhos como se não houvesse amanhã

mmmim @ I Bike Lisbon

Publicado em 7/08/2011 às 18:02

Temas: bike to work

4538508868_87a25e67d3.jpg Fig. 1
Parar à espera de um sinal verde pode ser uma coisa chique, escanchada, mas chique!



A maioria dos praticantes da "passagem de vermelhos em bicicleta" diz que sim, que pensa muito no dia de amanhã enquanto olha para os lados a verificar se:
a) não há polícia por perto;
b) não se aproximam outros veículos no cruzamento;
c) não há peões a atravessar;
d) é possível efectuar a passagem sem sair da estrada para o passeio;
e) conseguem fazer isto tudo sem apoiar um pé no chão;
f) conseguem seguir a marcha sem reduzir a velocidade.


Muitos alegam que se não procederem desta forma, ir de bicicleta deixa de ser mais rápido que ir de carro e perdem a vantagem na deslocação dentro das cidades.

Quanto a mim, que não ando a fazer corridas com automóveis no arranque dos semáforos, prefiro parar na fila do sinal vermelho, demorar 20 segundos a arrancar, fazê-lo devagar e calmamente enquanto me buzinam do carro atrás, e reivindicar assim o meu direito a circular na estrada. Não atrapalho o trânsito, acalmo o trânsito -- porque esta lentidão da bicicleta pode irritar muito motorista nervosinho, mas acalma o fluxo automóvel e é muito mais isso que me interessa do que pedalar na bisga como se não houvesse amanhã para pedalar mais um pouco.


Ora, posta esta introdução de princípios, gostaria de partilhar algumas histórias reais com o leitor:



Certo dia, seguia eu a pedalar uma rua da capital abaixo, daquelas sinuosas, cheias de buracos e pisos aleatoriamente diferenciados, com semáforos de 100 em 100 metros, quando páro num vermelho ao lado de uma "lambreta" conduzida por um jovenzinho.
Quando o sinal ficou verde o jovem acelerou fazendo muito barulho e aquilo incomodou-me um bocado, apesar de eu ir bastante "galhofeira". No semáforo seguinte volto a parar ao lado dele (portanto, muita velocidade não o levou muito lonje) e imitei o som de uma aceleradela: - «Vrumm! Vruuumm!»
O miúdo deve ter-se "picado" porque voltou a acelerar com ruído assim que caíu o verde.
100 metros a seguir, semáforo no vermelho, miúdo da scooter e eu lado a lado: - «Vrumm! Vrumm!», ele todo "lixado" arranca em força quase antes do verde!
Quando me aproximei do semáforo seguinte ficou verde, mas bem o vi a olhar de soslaio e a arrancar em fúria como quem pensa «Raios! A gaja vai apanhar-me outra vez!!»

Bem, eu não ando a desafiar os motorizados, mas quando circulo com eles posso divertir-me com isso! Não encaro a bicicleta na cidade como uma guerra. Não parto do princípio que os motoristas querem atropelar-me, embora muitas vezes pareça/tentem!

Todos nós conhecemos daqui ou dali, pessoalmente ou da "literatura", cenários de tráfego misto, de ruas partilhadas por diferentes meios de transporte e peões... Alguns parecem caóticos, mas regulam-se pelo seu próprio "sistema" e praticamente não há acidentes; outros são racionais, funcionais, bonitos, inteligentes, fresquinhos pela manhã e figuram nas principais iconografias.

Não é por acaso que se diz que o trânsito em Lisboa parece uma selva e está bom de ver quem é o leão. Mas o instinto dos diversos "animais" é igual, apenas actua em diferentes escalas. Todos querem ser o mais forte e dominar a rua, em absoluto ou relativo. Se vasculharem nos fóruns da internet vão encontrar cada "espécie" a queixar-se ou a rogar pragas às outras todas. Ninguém está indubitalvelmente no topo ou no fundo da "cadeia" na medida em que cada "animal" é e/ou continua a ser exactamente aquilo que possuí, no momento em que possuí -- eu sou um BMW, eu sou um autocarro da Carris, eu sou um Táxi, eu sou um peão com um carrinho de bebé, eu sou uma cadeira de rodas, eu sou um camião do lixo, eu sou um turista a passear, eu sou uma bicicleta, eu sou uma scooter, eu sou um Smart, eu sou um Ferrari estacionado em segunda fila à porta de um «stand» de carros de luxo, eu sou uma ambulância, eu sou o carro da polícia, eu sou a viatura do sr. ministro, eu sou uns sapatos de salto alto...



Certo dia estava eu com a bicicleta parada entre as pernas, um pé em Lisboa e outro no pedal (eu sei, eu sei, trocadilho ao título de um blogue), rodas em cima de um passeio, à espera de um sinal verde para peões adjacente a uma passadeira, quando, ao cair do vermelho para a estrada vi parar um automóvel e avistei a aproximação de um pelotão de ciclistas desenfreados.

É claro que conhecendo eu a corja, aguardei que infrigissem todos para ali o sinal e seguissem viris a sua rota, convicta que teria ainda muito tempo para atravessar a estrada a pedalar na passadeira e infringir, também eu, um bocadinho do Código conforme me dava jeito. Temos que ser uns para os outros ciclistas urbanos!

Bem, se eu não conhecesse a corja, teria me atirado à passadeira, a pedalar, achando que todos os livros de Código da Estrada deviam era ser queimados numa fogueira e achando que eu tinha muito mais direito de atravessar a "zebra" a pedalar e entrar na estrada em contra-mão do que aquele pelotão de "chavalos" vestidos de lycra e com bicicletas cheias de travões de disco tinha direito de passar o vermelho.

Teriamos nos albarroado todos, eles teriam esfolado joelhos e cotovelos, eu teria ficado debaixo de meia dúzia de forquetas com suspensão, haveria carvalhada em bom português, o motorista do carro ía partir-se a rir com a palhaçada e quando ficasse verde para a estrada, ía apitar-nos e chamar-nos nomes pomposos... etc., etc.

Mas como eu dizia, eu já sabia que eles não íam parar no semáforo e esperei.
Ora, o primeiro do grupo, avistando-me de bicicleta pronta a iniciar marcha, parou e respeitou o sinal vermelho. Os que vinham imediatamente atrás também pararam muito a fundo (travões de disco, lá está!), mas o da "cauda" contornou-os com um elegante «S» e gritou-lhe - «Não pares, pá! Não pares, pá!».
O rapaz que parou explicou-se - «Epá, está vermelho!», apontando com a cabeça para mim-semi-peão como quem acrescenta «e há pessoas para passar».

Pois estava vermelho! E eu pergunto qual será a opinião desta malta quando passar vermelhos começar a resultar em acidentes entre ciclistas?

SINAL.png Fig. 2


Além disso, vejo muita gente fazer bandeira ideológica dessa "chique-espertice" que é passar um vermelho quando dá jeito. Ora, quanto a mim, que também passo vermelhos com características específicas, penso sempre, como os outros chicos-espertos, que enquanto for só eu não há problema. Pois eu comecei agora, mas antes de mim eras tu, e antes de ti era um pelotão de estradistas domingueiros... Aprendemos uns com os outros e há até quem aprenda com os Bike-Buddies (minuto 3:19)!! E às tantas, outros condutores de outros veículos vão aprender connosco, como aconteceu certo dia...


Certo dia, em verdade certa noite, seguia eu a pedalar numa rua lisboeta quando à passagem de um semáforo vermelho abrandei mas segui sempre. Ora, "a meu par" seguia um automóvel conduzido por outro chico-esperto que, observando-me passar o vermelho, achou que também tinha o direito de fazer o mesmo. Acontece que a minha bicicleta seguia quase à velocidade da passada e fiz imediatamente STOP no triângulo do cruzamento (onde cabe uma bicicleta mas não cabe um carro), enquanto o carro seguia àquela velocidade que se circula dentro das cidades e por pouco não se enfaixou na viatura que entrou da direita!!

Posto isto, acham bem que eu ande para aí a passar vermelhos só porque a bicicleta anda devagar e olho bem para os lados com um amplo ângulo de visão?!?

E acham que ganho alguma coisa na argumentação com o sr. agente da autoriedade que me "placar" numa dessas infracções se o mandar ir multar os carros estacionados em cima dos passeios?!?

E acham que convenço alguém a deixar o carro em casa alegando que a bicicleta é mais rápida dentro da cidade se o tipo quiser fazer uma corrida também sem parar nos semáforos da avenida?!?


Oiço alguns dizer assim: «É certo que existem alguns ciclistas que não cumprem as regras, mas nós não temos uma "arma" nas mãos (tal como um carro que na minha perspectiva pode ser considerado como tal) dificilmente causamos um acidente de onde ocorram mortos, daí também existir um certo facilitismo da nossa parte (ciclistas).»

Eu penso assim:
Quando um automóvel passa um vermelho e embate contra mim a andar de bicicleta, é o meu corpo e talvez a Seguradora dele que pagam. Quando eu de bicicleta passo um vermelho e embato num automóvel a circular, é o meu corpo e a minha carteira que pagam.
E continuo a pedalar como se houvesse amanhã.


Fig. 1 via blog.ta.org.br <-- veja também este artigo poético sobre o que pode acontecer quando um ciclista pára num sinal vermelho. ;-)

Fig. 2 via valoreseatitudes.blogspot.com <-- veja também este artigo sobre a percepção de riscos e o vídeo no final -- campanha sobre os riscos de atropelamento de ciclistas, esses seres que ninguém espera ver na estrada!


 
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